"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Efésios 2.22 - Para Morada de Deus em Espírito - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 04.08.2013


Efésios 2.22 - Para Morada de Deus em Espírito
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 04.08.2013

Veja a pregação em vídeo, realizada na Igreja Cristã Reformada de Blumenau.
Link: http://www.youtube.com/watch?v=tt2G-vivnxM

"No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito" (Ef 2.22).

O majestoso e insondável Deus tem nos ensinado acerca de Suas ricas e maravilhosas bênçãos sob todo o Seu povo. Anteriormente, fomos instados a O louvar, porque à semelhança do santo templo do Antigo Testamento, agora, sob a dispensação da plenitude de Sua graça (Ef 1.10), a Igreja do Senhor cresce firmemente enraizada e calcada na "principal pedra da esquina" (Ef 1.20), que é o próprio Deus, na pessoa de Cristo Jesus. Esta Igreja santa e universal, tal qual o templo construído outrora por mãos humanas, é alvo da multiforme graça do Senhor, não mais sendo levantada com pedras naturais, e sim rochas melhores, porque "como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo" (1Pe 2.5).

Nosso texto de hoje é sublime e requer sensatez, a fim de não tratarmos com leviandade a Palavra de Deus. Ao mesmo tempo, requer ousadia, para que entremos no santuário do Senhor, pelo sangue poderoso do Cordeiro (Hb 10.19), para que sejamos animados à prosseguir na carreira da fé.

Vemos que o apóstolo segue explicando aos gentios que eles eram participantes, pela graça do evangelho que os alcançara, no edifício e corpo de Cristo. Enquanto em momento pretérito ele escreva dizendo que "noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo" (Ef 2.2) e que devido a este fato eram "filhos da ira" (Ef 2.3), agora os insta para que compreendam ainda outra vez que foram transpostos da escuridão para à luz da aurora - ou como se lê com referência aos judeus, "O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou" (Mt 4.16). Os gentios na cidade de Éfeso agora recebiam, novamente, uma afirmação divina de que são, "juntamente", edificados para morada de Deus.

Tal fato é deveras importante para nossa compreensão e certamente trouxe grande júbilo sobre àquela igreja em Éfeso, pois não muito antes, o apóstolo comentara sobre a hostilidade natural que pairava entre eles e os judeus - "lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens" (Ef 2.11). Havia uma barreira não somente espiritual, devido à plenitude dos tempos ainda não ter raiado com a morte e ascensão de Cristo (e a grande comissão de Mateus 28), mas, sim, de ordem étnica (que anteriormente representava a divisão espiritual, ainda que muitos gentios se convertessem, como a cidade de Nínive, com a pregação de Jonas, por exemplo), trazendo grandes males e desavenças entre os povos, pois nada de supremo e maior os podia unir; não havia qualquer característica ou bem mais excelente que pudesse fazer com que as diferenças de culturas, línguas, ordem sociais e meios de vida fossem igualados. Todavia, Cristo é super abundantemente superior a todas estas coisas, a ponto do apóstolo afirmar: "Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto" (Ef 2.13).

Vamos considerar o que nosso texto deseja nos ensinar e admoestar.

1. Em Cristo não há judeu ou gentil - "No qual também vós juntamente sois edificados"

Algo que a Escritura ensina mui cristalinamente, é o fato de não haver mérito algum em se nascer em qualquer povo específico. É verdade que o apóstolo asseverou a graça do Senhor para com o povo judeu (Rm 1.16), entretanto, também deixou evidente que "pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.8-9). Se não é por obras e a finalidade é para que nenhum homem creia ter algo inerente para que possa ser alvo da graça do Senhor, a salvação não pode ser condicionada à qualquer raça, como se intrinsecamente com ela fosse transmitida a salvação. Assim escreveu o apóstolo aos irmãos em Colosso: "Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo, e em todos" (Cl 3.9-11).

Isto dever-nos-ia recordar da sumária importância de cada professo da fé cristã averiguar seu coração mediante o Espírito Santo e Sua Palavra. Se com o sangue de um povo não há transmissão da bênção (o que não significa que Deus abandonou o povo judeu - vide Rm 11.25), muito menos com o nascer em berço evangélico. Plenamente verdadeiro que pelo batismo infantil, os filhos são enxertados na comunidade do pacto (1Co 7.14 - clique aqui e aqui para ler um estudo sobre isso), mas tal aliança é a realidade da antiga sombra veterotestamentária, devendo ser confirmada pela fé e boas obras, de maneira que se isso não ocorrer, não pode haver salvação.

Porém, embora em Cristo não haja distinção entre judeus e gentios, a igreja primitiva vivia momentos nunca antes experimentados, porque até a vinda de Cristo, a igreja era judaizante e com o advento do Messias, surgira uma dúvida dupla: gentilizar os judeus ou judaizar os gentios? Em outras palavras, os judeus deveriam se despojar de suas tradições para seguir não mais a sombra, e sim a realidade ou os gentios é que deveriam se conformar aos preceitos judaicos? Tal discussão foi problemática aos apóstolos e demais presbíteros, tendo eles que se reunirem em concílio, para averiguar o que deveria ser feito (At 15).

Tal ponto nos ensina o que vimos anteriormente, a saber, que "todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor" (Ef 2.21). Judeus e gentios cresciam unidos e eram ensinados por aqueles que o Senhor colocou como guias de Seu povo: os presbíteros (Hb 13.17). Vemos, então, como os gentios receberam as palavras sobre o que deveriam se abster para andar em unidade: "E, quando a leram, alegraram-se pela exortação" (At 15.31). Por que se alegraram? Porque sabiam que também eram herdeiros da promessa, o que os levava a não buscar qualquer vantagem sobre outrem.

2. A Igreja do Senhor é Sua morada - "para morada de Deus"

Quando o Senhor se revelou a Moisés no deserto do Sinai, no monte Horebe (que é Sinai), nos diz a Escritura que "todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; e a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente" (Êx 19.18). A glória e poder do Senhor se manifestavam de uma maneira ímpar, sendo claramente visível aos homens e mulheres israelitas, quem sabe, também, por outros povos que pudessem avistar, ao longe, o santo monte. Mas toda esta demonstração deveria ser acompanhada de um santo temor e tremor: "E estejam prontos para o terceiro dia; porquanto no terceiro dia o Senhor descerá diante dos olhos de todo o povo sobre o monte Sinai. E marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardai-vos, não subais ao monte, nem toqueis o seu termo; todo aquele que tocar o monte, certamente morrerá. Nenhuma mão tocará nele; porque certamente será apedrejado ou asseteado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá; soando a buzina longamente, então subirão ao monte" (Êx 19.11-13).

Enquanto o Senhor se revelava ao Seu servo, o povo deveria aguardar, cuidando para não tocar no monte, porque "todo aquele que tocar o monte, certamente morrerá". A santidade de Deus era vista, ouvida e sentida pelos sensores corporais que o Criador fizera ao ser humano. Os judeus podiam ver a fumaça, contemplar com certo horror o tremor do monte, todavia, nada podiam ver além disso, conforme nos é declarado: "Então o Senhor vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes figura alguma" (Dt 4.12). Embora não tivessem visto o Soberano (o que claramente nos ensina sobre a ilicitude de se representar a Deus em figuras humanas - clique aquiaqui e aqui para ler mais), deveriam o temer por aquilo que Ele é e tinha por bem demonstrar.

Busquemos, segundo nossa limitação, imaginar a situação do povo diante daquele magnífico espetáculo divino. O alto monte fumegando "e a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha". O "monte tremia grandemente" e o povo deveria aguardar a volta de Moisés com a Palavra do Senhor. Estavam temerosos e ansiosos para o que receberiam da parte de Deus. Tal ansiedade, porém, deveria ser controlada, pois não deveriam ousar tocar no monte, à semelhança de Uzá que à arca tocou e morreu (1Cr 13.9-10). A glória do Senhor cobria aquele lugar, mas mesmo assim o povo descreu no Senhor, murmurando a Arão, conforme lemos: "vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu" (Êx 32.1). Embora o povo soubesse que Deus havia os tirado do Egito, confiaram no homem Moisés, crendo que ele os havia tirado - quando isso fizeram, se decepcionaram.

Mas ainda devemos considerar a Moisés, o homem que estava envolto por toda esta glória e terror. Ainda que o Senhor falasse com Seu servo, como quem fala com seu amigo (Êx 33.11), certamente isto não retirava o santo tremor daquele homem. Sabendo que a qualquer momento podia, se fosse da vontade do Altíssimo, ser fulminado e ao pó voltar. Era cônscio de sua grandiosa responsabilidade em como que representar o povo ao Senhor, se elevando até Ele para receber os mandamentos e ordens sobre o povo.

Em resumo, a glória do Senhor era santa, séria e reverente. O profeta Isaías expressou esta seriedade no conviver com o Senhor: "No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono [...] Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos" (Is 6.1, 5)

Sob o Novo Testamento, lemos: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez [...] E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1.1-3, 14). O santíssimo Senhor que fazia o monte fumegar, desceu à terra para habitar entre os homens. O excelso e inefável Soberano, teve por bem enviar Seu filho, para viver entre os homens, "a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8.29).

Agora notemos com quão grande seriedade deveríamos tratar a vida cristã e Sua Igreja. O mesmíssimo Senhor que estremecera o monte e realizara incontáveis maravilhas e proezas sob a égide do Antigo Testamento, agora afirma aos gentios que também com eles está. O Deus que criou os céus e a terra, habita no meio de Sua Igreja com não menos poder e força do que quando se revelou de modo mais notável aos homens. O Senhor que é "forte em poder" (Jó 9.4), está com Sua Igreja e com todos os Seus.

Ao refletirmos que "sois edificados para morada de Deus", aquela glória que enchia o santo templo do Senhor, deveria preencher nossos corações. Deveria nos encher de intrepidez, de modo que sirvamos "ao Senhor com temor, e alegrai-vos com tremor" (Sl 2.11; Fp 2.12), sabendo, sempre, da graça do Senhor, sendo entendidos de "que Deus fala com o homem, e que este permanece vivo" (Dt 5.24).

Amados irmãos, isto é mais do que podemos conceber. Em pensarmos que a glória do Senhor repousa sobre Sua Igreja, é um bem inestimável que temos. Em crermos que o mesmo Senhor dos Exércitos cavalga à frente de Seus eleitos, extirpando todo o mal e fazendo que Sua Igreja seja triunfante e cresça para templo santo no Senhor, conforme já aprendemos, é algo divino.

Há que se lembrar, porém, de quantas são as vezes em que nos esquecemos desta verdade. A santidade do Senhor deveria nos atingir como um petardo vai de encontro às muralhas do inimigo, fazendo com que toda sorte de vãos pensamentos e meios humanos utilizados para agradar ao Senhor, sejam derribados e lançados ao longe. Incontáveis são os momentos em que os professos da fé cristã brincam com o Senhor, como se fosse homem passível de gracejos e vidas inconsequentes.

Assim como "a glória do Senhor enchera a casa do Senhor" (1Rs 8.11), isto é, Seu santo templo, igualmente hoje enche Sua Igreja - isto é tremendo e deveras significativo.

3. Uma Igreja em Espírito - "em Espírito"

A Igreja do Senhor, não obstante seja comparada ao templo do Antigo Testamento, é morada do Senhor "em Espírito". Paulo expressou este mesmo entendimento às igrejas na Galácia, quando disse: "Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne" (Gl 5.16).

Como viver, então, em Espírito?

Em primeiro lugar, nos despojando das coisas para trás ficaram: "Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado" (Rm 6.6). Para que a Igreja ande em Espírito, ela precisa não ser mais escrava do pecado, pois para isso Cristo a comprou, afinal, "Ninguém pode servir a dois senhores" (Mt 6.24). Como cristãos, para andarmos segundo o beneplácito de Sua vontade mediante o Espírito Santo, precisamos abandonar, pela graça e misericórdia de Deus, as obras infrutíferas da carne - "E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as" (Ef 5.11).

Em segundo lugar, tendo a correta transformação da mente, "para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2). Notemos como o apóstolo evidencia o fato de que "pela renovação do vosso entendimento" é que se chega a experimentar a vontade de Deus. No entanto, há algo mais a ser feito e que, em verdade, é o estopim da transformação: "não sede conformados com este mundo". Mas como o homem pode ser inconformado com este mundo? Paulo já nos respondeu: "nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Ef 1.4-5). Porque todos os genuínos cristãos foram eleitos "antes da fundação do mundo", todos passaram a experimentar a "a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus", vivendo graciosamente não mais na carne, isto é, no pecado, e sim "em Espírito".

Em terceiro lugar, para vivermos em união com o Espírito Santo, precisamos ter a certeza de que todo "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1Jo 2.6). Mas este andar como Ele andou, conforme já vimos, é de acordo e por causa dos méritos de Cristo Jesus, o autor e consumador da herança! É porque Jesus, o sumo sacerdote, já venceu o pecado por todos os Seus filhos (Mt 4.1-11)!

Possa o Senhor, segundo Sua graça, nos conceder uma firme convicção de que somos parte de Sua Igreja. Uma forte impressão divina seja gravada sobre nossas vidas, para que entendamos que a Igreja do Senhor não será morada de Deus, mas, sim, que já é morada do Eterno. Apraze-se o Artífice, a nos levar a fixar esta bela e excelente bênção: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre" (Jo 14.16 - grifo do autor).
es → pt
Cristo

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