"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Protestos - Uma Visão Bíblica

*foto de minha cidade, no dia de ontem

Temos visto muitas opiniões sobre os protestos. Tanto cristãos como não cristãos têm esboçado críticas, sugestões, destilado teorias econômicas e os mais diversos motivos para se ser a favor ou contra os protestos.

Todavia, longe da Bíblia Sagrada nos deixar sem resposta, ela nos orienta de maneira clara, firme e objetiva.

Para iniciar, é preciso lembrar que não se deve ir a protestos que anseiam fatos contrários à Escritura, como por exemplo, a liberação do aborto ou a promoção do homossexualismo. Outros casos, porém, seria necessário verificar sob o prisma econômico, como é a reivindicação por "passe livre", o que muitos apoiam e outros tantos discordam.

Falando em "passe livre", afirmo que sou contra tal pedido no atual conjuntura de nosso país, pois em primeiro lugar, é impossível alguma coisa ser realmente gratuita - se é de graça para alguém, outrem está pagando. Em segundo lugar, poderíamos até conjecturar a possibilidade de algum governante instituir a tarifa zero sobre o transporte público, mas isso inviabilizaria outras obras (clique aqui). Em terceiro lugar, seria possível um transporte gratuito, mas não em nosso atual sistema político e tributário, pois em nosso país existem impostos municipais, estaduais e federais, ou seja, boa parte do que os municípios arrecadam vai para o estado e uma quantia significava do que o estado obtém vai para a União.

Por isso, se os protestos fossem somente por "passe livre", eu não iria e os motivos acima seriam minhas considerações. Entretanto, como grandemente noticiado, os protestos não se limitaram somente a isso, e sim foram ampliados, ganhando várias frentes. A dúvida, portanto, de muitos crentes sinceros, é se protestar junto com os ímpios é algo biblicamente correto.

Vejamos o que a Bíblia nos diz: 

1. Lutar por direitos não é pecado

Tenho sido interpelado por alguns cristãos genuínos sobre o fato de se lutar por direitos ao lado de pessoas não cristãs, configura ou não união com o descrente.

Essa pergunta se resolve com grande cristalinidade, bastando lembrar que o apóstolo Paulo, ao se ver na iminência de ser preso, se valeu de seu direito como cidadão romano e apelou para César, vez que estava sendo julgado contrariamente ao seu direito (At 25.11). A Bíblia nos diz que os governantes são instituídos por Deus (Rm 13.1 - não creia que é o voto quem faz isso; Deus é soberano e não a nação), mas isso não exclui o direito de reivindicação de direitos não cumpridos.

O que o apóstolo realizou é o mesmo que os protestos desejam (nas coisas legítimas, evidente). Nota-se que de modo algum é pecado exigir aquilo que o governo prometeu. Se protestar por direitos corretos fosse um pecado, então o cristão jamais deveria ir reclamar junto ao PROCON e nunca deveria procurar um advogado para ter seus direitos estabelecidos. 

Portanto, assim como nenhum cristão cogita ser pecaminoso ingressar com uma ação trabalhista, cível ou penal, quando tolhido de seus direitos (desde que, novamente, amparado pela Escritura e jamais mentindo), não há que se falar em proibição de protestar.

2. Protestar não inclui união com os ímpios

Outra pergunta se ergue no horizonte e esta diz respeito sobre ser ou não adequado se juntar em protestos com não cristãos.

É preciso notar que o fato de se estar no mesmo local e na mesma hora com um descrente, não significa que apoiamos todas as coisas que lá estão sendo feitos. Volto a falar do exemplo do PROCON e do JUDICIÁRIO.

Quem já foi ao PROCON sabe que muitas pessoas vão reclamar sobre os mais variados assuntos e isso inclui dizer que, por causa do pecado, muitas mentem para conseguir algum dinheiro (acredite, é verdade). Nos diversos FÓRUNS de nosso país, lamentavelmente, impera muita mentira, ardil e modos flagrantes de se deturpar e extorquir o próximo. Não é incomum se ler processos claramente forjados, petições solicitando coisas absurdas e advogados contribuindo para o mal estar da sociedade, bem com promovendo o pecado e devassidão. 

Bem, se ir às ruas protestar fosse errado porque ali existem ímpios solicitando coisas semelhantes, então seria igualmente pecaminoso estar em uma sala de audiência junto com outras pessoas que também foram verdadeiramente enganadas. 

Se podemos ir ao PROCON e FÓRUM, podemos ir às ruas.

3. É possível protestar biblicamente

A Bíblia nos diz que devemos fazer todas as coisas para a glória de Deus; sim, literalmente todas as coisas para Sua glória (1Co 10.31). 

Escrevendo ao amado Timóteo, Paulo diz: "Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (2Tm 4.2). Que ligação tem isto com os protestos? Simples: "instes a tempo e fora de tempo".

Para ilustrar, ontem, dia 20 de junho de 2013, eu e mais alguns irmãos em Cristo aderimos ao protesto em minha cidade (Blumenau/SC) e levamos uma grande faixa (4 metros) com o seguinte versículo: "Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores" (Is 10.1). Também levamos um cartaz que dizia: "Diga não à sua própria corrupção". Além disso, gostaríamos de ter distribuídos alguns jornais cristãos que temos, mas devido à chuva não foi possível. Vejas as fotos.




Desta forma, se percebe que em todo e qualquer lugar se pode pregar o evangelho. Em vez de omissão, aproveitemos estes momentos para levar a Palavra.

4. Protestar não exclui a confiança em Deus

Diz o escritor de Hebreus: "Não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir" (Hb 13.14).

Durante todo e qualquer protesto, o cristão precisa sempre estar em oração (1Ts 5.17) e lembrar que mesmo recebendo a contrapartida de sua manifestação, isto é, conseguido o que pleiteia, ele não possui cidade permanente nesta terra. Os cristãos são peregrinos sobre esta terra (1Pe 2.11) e devem sempre se lembrar disso.

Protestar não significa dizer que não confiamos em Deus. Confiamos totalmente em Deus, mas quando dirigimos o carro pelas ruas, mantemos os olhos abertos; ao atravessarmos a faixa de segurança, olhamos detidamente para verificar se podemos prosseguir. 

O fato de um cristão protestar, então, não significa que ele não confie no Senhor. Pelo contrário: protesta, porque sabe que o Senhor pode efetuar tais mudanças. Protesta porque entende sua responsabilidade humana.

Por fim, é preciso deixar claro que "badernas" não são bem-vindas no seio cristão. Não que o cristão não deva estar apto a se defender e repelir a injusta agressão, mas não deve ser briguento. Assim lemos: "Não sejas companheiro do homem briguento nem andes com o colérico" (Pv 22.24). Uma das qualificações para se ser presbítero (e, obviamente, também, de todos os cristãos) é não ser espancador (Tt 1.7)

Que os cristãos possam sempre protestar por fatos legítimos, lembrando, porém, que somente no Senhor devem depositar sua confiança. "O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará" (Sl 23.1).

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3 comentários :

  1. Glórias a Deus por sua vida meu amado irmão, pois estava realmente com muitas dúvidas sobre tudo isso, sei que não podemos calar, mas tinha medo de não agradar ao Senhor, porque tudo que quero é servir e me manter firme até a vinda do nosso Salvador, mas através deste texto ampliei a minha visão para entender estas questões, peço que Deus nos guie e nos abençoe até a nossa volta para nossa verdadeira pátria!

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  2. não vejo evidencia da igreja se pronunciar perante a sociedade, os apóstolos tinha total evidencia na sociedade israelita.

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  3. Lembro-me quando era menor e partilhava com os irmaos as boas novas do reino. Ninguem se dizia: Eu sou evangelico mas Eu sou protestante. Eh interessante que ate no meio de nós houve deturpacao, de nossa cultura de nossas raizes. Estamos aki por uma causa um proposito e com certeza nao eh somente a salvacao da alma, mas tambem do corpo e do espirito. A transformacao tem que ser completa!

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