"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Socialismo/Comunismo e o Mito da Mula Sem Cabeça


Preciso, antes de iniciar, estabelecer que as críticas aqui expostas possuem como base alguns trechos de obras do pensador Karl Marx. Deixo este fato evidente, a fim de que ninguém ouse pensar que estou a tecer comentários sobre obra desconhecida ou que jamais li algo sobre o feito. As citações que trago foram retiradas destes artigos.

Em apertada síntese, o objetivo deste breve escrito é apontar alguns acertos de Marx. Todavia, evidenciar que certos acertos não o favorecem no escopo geral, de maneira que defender o comunismo é algo terrível e pernicioso, tanto diante da sociedade como à luz da Escritura.

1. Breves Pontos positivos de Marx

Ao se ler os manuscritos de Marx, vê-se que não é de todo recusável, pois há algumas críticas interessantes, como:

Ao falar do Trabalho Alienado, afirma que "a atividade do trabalhador não é sua própria atividade espontânea. É atividade de outrem e uma perda de sua própria espontaneidade", desejando iluminar o fato de que o trabalhador não trabalha para si mesmo, e sim para outrem.

Igualmente, discorrendo sobre A Relação da Propriedade Privada, reitera o teor do trabalhador ter "o infortúnio de ser um capital vivo, um capital com necessidades, que se deixa privar de seus interesses e, conseqüentemente, seu ganha-pão, todo momento em que não se acha trabalhando", ensinando que o trabalhador, não possuindo capital, mas precisando dele, já não haje com liberdade para "fazer o que quiser", mas, sim, se sujeita a outrem que possui a propriedade.

Escrevendo sobre a Propriedade Privada e Trabalho, comenta com propriedade que nos moldes que tomou, "ela aplica o golpe de morte à renda da terra, aquela última forma individual e natural da propriedade privada e fonte de riqueza existente independentemente do movimento do trabalho que foi a expressão da propriedade feudal, mas tornou-se inteiramente sua expressão econômica", isto é, a propriedade privada deixou de ser um meio de subsistência, para ser uma expressão de quão "rico" alguém é.

Sobre A Relação da Propriedade Privada, pontuou grande verdade: "a propriedade privada perdeu sua qualidade natural e social".

Analisemos, agora, o que a Bíblia sobre estes temas.

2. O que a Bíblia fala sobre a propriedade privada

Pouco importaria discorrer sobre Marx, Engels ou qualquer outro teórico, seja para que lado desejássemos tender, se não avaliarmos o que diz a Escritura. Marx pode ter proferido belas e fascinantes ideias - ademais, é possível que, humanamente, suas conjecturas pareçam até mais belas que muitas outras teorias; todavia, o brado cristão sempre será: "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (At 5.29).

A Bíblia Sagrada nos fala a respeito de propriedade privada. Inúmeras passagens enumeram esta questão. Alguns exemplos conhecidos são: a divisão de terra entre as 12 tribos; a licitude para se afugentar e, se necessário, tirar a vida do agressor que invade a propriedade; os cristãos, após a festa de Pentecostes, vendem suas propriedades... Entretanto, a propriedade privada também possuía um lastro social, isto é, o conhecido "ano do jubileu", por exemplo, onde caso alguém houvesse arrematado alguma propriedade de outrem, oriundo de dívida não paga ou impossibilidade de se quitar a mesma, no sétimo ano haveria de restituir o propriedade dono primário (Lv 258-10).

Notamos, assim, em resumo, que a propriedade privada é um instituição bíblica. Todo e qualquer governo que deseje extirpar tal direito de seus cidadãos, certamente está indo contra firme diretriz escriturística. 

3. O que a Bíblia fala sobre o trabalho

O trabalho faz parte da vida, é inerente a ela. Após a criação, nos diz a Palavra: "E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Gn 2.15 - grifo meu). Trabalhar nunca foi, portanto, fruto do pecado. Aqueles que reclamam de precisar trabalhar, deveriam atentar para as palavras do apóstolo: "se alguém não quiser trabalhar, não coma também" (2Ts 3.10).

O trabalho dignifica o homem. É impossível imaginar uma sociedade sem trabalho. Ainda que a natureza criada por Deus seja a grande sustentadora da vida material, o homem precisa ir até ela para ter seu alimento. Não há como defender qualquer ideia, portanto, de um assistencialismo exacerbado, onde poucos trabalham para que muitos tenham tudo gratuitamente - lembremos das palavras de Paulo.

Acontece, porém, que muitas pessoas, em virtude das mais diferentes circunstâncias, não podem trabalhar. A mensagem bíblica é evidente e fornece cristalina resposta para esta dificuldade: "Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas" (1Tm 5.16). 

Recordemos que Paulo não está escrevendo de sua torre de marfim. O apóstolo era cônscio do que era uma vida de extrema necessidade e dificuldade: "em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas" (2Co 11.23-28). Ele ainda fazia, ocasionalmente, tendas para se sustentar (At 18.1-3).

Desta forma, quando instrui o amado Timóteo sobre o cuidado acerca das viúvas, afirma 3 pontos essenciais sobre o trabalho:

1. Quem pode trabalhar deve sustentar, primeiramente, sua família - "Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as";
2. A Igreja de Cristo, com seus membros trabalhadores, também deve ajudar - "não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar";
3. Não devem ser ajudadas as pessoas que, podendo trabalhar, mas o fazem - "para que se possam sustentar as que deveras são viúvas" (grifo meu).

Havia um motivo de extrema relevância para se ter este cuidado: mulheres, salvo para ajudar o pai/marido (leia Provérbios 31) e desde que não comprometesse seus deveres essenciais como boa dona de casa, mãe e fiel esposa de seu marido (veja Tito 2.5), não trabalhavam "fora de casa". Desta forma, as mulheres precisavam de especial cuidado social, visto que o "mercado de trabalho" não lhes era amplo como hoje [1].

4. O erro socialista/comunista

Diante do exposto, convém apontar os erros do socialismo/comunismo. Não convém entrar em minúcias sobre a diferença deste dois tipos de gerência populacional. Tal desnecessidade se valida pelo fato de ambas serem contra o capitalismo. Em resumo, ambas apregoam melhores condições aos menos favorecidos da sociedade - nisto estão plenamente corretos. Entretanto, sobre o nome "capitalismo",  importa fazer ressalva.

Capitalismo não significa satanismo ou ocultismo. Acertadamente comentou, certa vez, um professor: "capitalismo não é uma 'coisa', mas, sim, um sistema. No capitalismo você adquire a matéria, a beneficia (melhora), vende, obtêm lucro e se utiliza do lucro para comprar mais matéria prima, para beneficiar ainda mais, para vender mais e para lucrar mais. É como uma grande roda que se auto gira." [2

Esta explicação é essencial, pois o capital, em si mesmo, não pode cometer mal algum - ele não mata, não rouba, não extorque e não torna qualquer ser humano rico ou pobre. Tal qual uma arma de fogo não atua sozinha e conforme é usada tende ao bem ou mal, assim também é o sistema capitalista.

4.1 O erro dos comunistas atuais

Quando o comunista atual invoca princípios como os listados anteriormente e com lastro em Marx, palmas. Mas erram grandemente por se esquecerem que, em especial no Brasil (mas no mundo como um todo), já existe a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. Qualquer jurista ou estudante de Direito sabe que, infelizmente, se anteriormente a balança pendia para o lado do empregador, hoje está, se não totalmente, mas excessivamente voltada ao trabalhador. Por quê? Justamente devido as exageros do passado, onde o trabalhador era tratado, agora sim, como muitas vezes elencado por Marx.

Os comunistas atuais erram por desconhecerem princípios constitucionais, ignorarem e legislação trabalhista e fecharem os olhos para a atual situação, o qual é totalmente outra - tendo pouca ligação com a visão que Marx tinha em sua época. 

Verdade, porém, que muitas mazelas persistem - a cada dia o maior capital se concentra na mão de poucas pessoas. Ou seja, muitos trabalhando para poucos. Mas isso é em si errado?

4.2 O erro de crer que todo empregador deve dividir seus lucros

Somente uma criança imatura suplica para seu pai vender a casa da família e doar o dinheiro entre os vizinhos, o jardineiro e a empregada doméstica. Ainda que a atitude juvenil possa parecer "majestosa", em sua infantilidade (no melhor sentido da palavra) carece de entendimento, pois se o pai vender a casa, eles não terão onde morar.

Este exemplo se aplica a qualquer empresário: ele precisa de lucro e precisa ter dinheiro "guardado". Somente quem já empreendeu certo negócio sabe das vicissitudes da vida econômica. O mercado possui seus "altos e baixos" e é preciso ter "dinheiro em caixa" para se manter nos momentos de crise. Advogar a ideia de que o "patrão" deve dividir todo ou boa parte do lucro com os empregados, é completa utopia - maravilhoso para os empregados (ou com seu nome pomposo, "colaboradores"), mas uma cena de terror ao empreendedor.

Imaginemos, por brevíssimo momento, que tal feito fosse possível: o empregador distribui 50% do lucro de sua empresa - sensacional, tal feito estaria estampado nos jornais. Acontece, porém, que no dias das "vacas magras", a quem ele recorreria? Pediria o dinheiro de volta? Faria empréstimos bancários? Dano moral? Lucro cessante? Apenas para extravasar. 

O motivo pelo qual muitos defendem esta ideia irreal é devido ao fato de verem "patrões" viverem de modo luxuoso e empregados relharem à migalha. Notemos, em tempo, que o problema não está no empregador ter dinheiro, mas em se valer do trabalho do próximo para enriquecer. Mas, que mal há nisso? Os israelitas trabalharam como escravos no Egito e até mesmo eram vendidos uns aos outros quando não possuíam meios de se sustentar. O problema, por fim, não é o dinheiro, o capitalismo, e sim o homem, a criatura que não sabe medir as consequências.

4.3 O erro de desejar excluir a propriedade privada

Marx, falando em Propriedade Privada e Comunismo, assim escreve: "o comunismo é a expressão positiva da abolição da propriedade privada e, em primeiro lugar, da propriedade privada universal" (grifo meu).

Por certo que Marx não defendia que todos devem morar em um gigantesco casarão - mas ele estabelece a função social em primeiro plano, quando comparado ao direito adquirido. Este é o grande estandarte do Movimento dos Trabalhadores sem Terra - MST. Este grupo afirma que se uma fazenda, apenas para ilustrar, está "parada" e não gerando renda, deve ser desapropriada, a fim de dar lugar àqueles que desejam torná-la útil. Parece genial, não? Mas é infame. 

Muitíssimo melhor seria, e aqui fica a sugestão, que tal movimento se propusesse a trabalhar para o dono da terra. Se a terra está parada, "não dando lucro" (ainda que o tal possa ser lugar para o sossego da vida urbana), nada mais que, havendo trabalhador, se ponham enxadas, pás e todo maquinário para revirar a terra - havendo a anuência do proprietário, evidente. Se isto acontecesse, ambos estariam agraciados - os "sem terra" e sem trabalho teriam sustento e o dono das terras teria lucros e ajudaria as pessoas a terem seu ganha-pão.

Mas os tais "Trabalhadores sem Terra" (notemos a ironia) não querem trabalhar, e sim querem a terra. Isto mesmo - não querem trabalhar como o restante do mundo faz diariamente. Aliás, friso: querem trabalhar, mas sendo donos do próprio pedaço debaixo do céu. Quem não quer?! Não que não existam integrantes genuinamente necessitados, mas qual seria o fim deste mundo caso nossos pais, avós e bisavós, geralmente advindos de famílias necessitadas, começassem a pular cerca e reivindicar "posse" ou uma espécie de usucapião imediato?

4.4 O erro de acreditar no Estado "Papai Noel"

É absolutamente verdadeiro que em certo sentido, todos dependem do Estado. Mas o Estado (leia-se, país) tem apenas uma função essencial: punir o malfeitor e promover uma paz nacional de acordo com as leis bíblicas (confira o Salmo 2 e Romanos 13). Tudo que fugir à regra pode ser benéfico e bem vindo, mas não seria essencial. É maravilhoso termos assistência médica gratuita, mas, acredite: não é uma obrigação do Estado. Leia algum livro sobre a forma de governo bíblico e se perceberá que os responsáveis pela saúde, organização social e melhorias na qualidade de vida, sempre foram legadas à Igreja de Deus. O Estado, então, cuida em punir o delinquente, extirpando-o para melhor segurança e bem estar do cidadão de bem.

Mas não é isso que desejam os comunistas. Eles querem o comum e desejam que o Estado faça isso. Querem que o governo "tire dos ricos e dê aos pobres" - isso porque eles não são os ricos! Querem andar gratuitamente de ônibus, quando, em verdade, deveria ir às ruas pedindo maior concorrência para outras empresas adentrarem o rumo, o que inevitavelmente geraria maiores retornos e serviços melhores.

Ademais, é preciso registrar que o perigo das riquezas tomarem a vez do coração, não somente alcança o bem abastado, mas igualmente o "pobre", pois este, no afã de querer ter "mais e mais", pode correr o mesmíssimo erro de viver para as riquezas temporárias - portanto, cuidado! Isso significa que ele deve se conformar à miséria? Não, evidente - mas não a deve ter como sinônimo de maldição. Jamais a "teologia da libertação" será uma possibilidade bíblica.

5. A Mula Sem Cabeça

Segundo o site Brasil Escola, tal lenda consiste em: "qualquer mulher que namorasse um padre seria transformada em um monstro. Dessa forma, as mulheres deveriam ver os padres como uma espécie de 'santo' e não como homem, se cometessem qualquer pecado com o pensamento em um padre, acabariam se transformando em mula sem cabeça. Segundo a lenda, o encanto somente pode ser quebrado se alguém tirar o freio de ferro que a mula sem cabeça carrega, assim surgirá uma mulher arrependida pelos seus 'pecados'." [3]

Não faz qualquer sentido, certo? Da mesma forma é o comunismo, porque apregoa uma irrealidade; levanta o brasão da hipocrisia, pois defende que "pimenta nos olhos do outro é refresco". O comunista se deleita em falar sobre a desapropriação, mas nunca cogita a possibilidade de, naquilo que pode, "dar um espaço" ao necessitado.

Recomendo que os comunistas comecem abrindo suas casas, se dirijam ao respectivo registro de imóveis de sua localidade e comecem a desmembrar suas terras e as doar. Não esperem pelo governo, comecem a mudança em vocês mesmos.

Nota:
[1] Para entender mais sobre este assunto, leia a Série: Homem e Mulher os Criou
[2] A citação é de acordo com o que tenho de lembrança. Meu professor se chamava Sidney.
[3] http://www.brasilescola.com/folclore/mula-sem-cabeca.htm

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