"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 4 de junho de 2013

Devemos Temer o Número 666?


Amado e precioso leitor! Meu sincero desejo com esse pequeno artigo é expor a verdade e refutar erros comuns ligados à marca da besta. Deixo registrado que de modo algum pretendo ser prepotente ou tratar o assunto com leviandade - ainda que não seja exaustivamente abordado neste momento. Precisamos, de acordo com o Espírito Santo, entender o que significa - ou ao menos dar bons apontamentos do que não significa - o número seiscentos e sessenta e seis na Bíblia Sagrada. Para isso, comecemos com as seguintes preposições.

Em primeiro lugar, o número seiscentos e sessenta e seis - 666 - aparece somente quatro vezes em toda a Bíblia (Esdras 2.13, 2 Crônicas 9.13, 1 Reis 10.14 e Apocalipse 13.18). Em segundo lugar, das quatro vezes em que é mencionado, somente em Apocalipse é que este número é ligado à besta. Na passagem de 1 Reis, por exemplo, lemos: "E o peso do ouro que se trazia a Salomão cada ano era de seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro". Certamente que seria completa insanidade ligar Salomão à besta ou dizer que todo aquele ouro era amaldiçoado simplesmente porque a contagem numérica chegou àquele patamar. Desta forma, precisa estar fixo em nossa mente que o número 666, por si só, não representa coisa alguma se não estiver ligado à besta - uma casa com este número, um quarto de hotel ou uma conta para se pagar com esta quantia, de forma alguma indica que determinada pessoa é amaldiçoada e que não tem parte com Deus.

Para quem foi escrito o Apocalipse segundo João?

Assim inicia o livro de Apocalipse - cuja palavra "apocalipse" significa "revelação" -: "Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo; O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto" (Ap 1.1-2).

João nos diz que a visão que recebera foi vinda "de Jesus Cristo" e com a finalidade de "mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer". A Bíblia nos diz que "Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo" (Ap 1.3). Mas o apóstolo acrescenta algo mais e nos diz a quem, mais especificamente, sua carta foi dirigida: "João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono" (Ap 1.4 - grifo meu). 

Aprendemos, portanto, que: 1. a visão não foi invenção de João, mas, sim, revelação de Jesus Cristo; 2. foi para benefício de todos os servos de Deus (até mesmo para nós - veja 2Tm 3.16-17); 3. que os cristãos deveriam guardar as coisas que foram reveladas; 4. que os destinatários primários foram as sete igrejas que estão na Ásia. Sobre estas igrejas, João nos diz quais são: "Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, Que dizia: Eu sou o Alfa e o Omega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia" (Ap 1.10-11 - grifo meu).

Qual a situação política nos dias de João?

Tenhamos em mente que os últimos tempos começaram com a vinda de Cristo. Os últimos tempos não são exclusivamente o nosso século XXI. Nós vivemos nos últimos tempos assim como a igreja do Novo Testamento vivia, porque assim lemos evidentemente: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho" (Hb 11.1- grifo meu); "O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós" (1Pe 1.20 - grifo meu). Os últimos tempos, portanto, começaram com Cristo e desde aquela época os cristãos os vivem. Não há qualquer razão para acreditarmos que nós estamos na iminência do fim do mundo, pois muitas promessas ainda não foram cumpridas e toda sorte de devassidão descrita na Escritura já impera desde aquele tempo. De qualquer forma, sempre valerá o alerta precioso do Salvador: "Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir" (Mt 25.13).

Importa, entretanto, ainda fazer outro adendo, a fim de explicar melhor o que se passava nos tempos em que João escreveu. Paulo escreveu à igreja em Tessalônica: "Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão" (1Ts 5.1-3 - grifo meu). O profeta Amós assim alertou a Israel: "Ai daqueles que desejam o dia do SENHOR! Para que quereis vós este dia do SENHOR? Será de trevas e não de luz" (Am 5.18). Em Sofonias também reverberou: "Acontecerá que, no dia do sacrifício do SENHOR, castigarei os príncipes, e os filhos do rei, e todos os que se vestem de trajes estrangeiros" (Sf 1.8).

Isto nos ensina que tal qual os profetas do Antigo Testamento anunciavam periodicamente (conforme Israel se desviava) que a ira de Deus, isto é, o dia da visitação do Senhor para punir a iniquidade, estava próximo, também o apóstolo Paulo alertou àquela igreja em Tessalônica sobre que o dia do Senhor viria como "o ladrão de noite" e para isso lhes dá um indicativo de quando isto aconteceria: "Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição". Mas desta vez não viria para punir a Israel, e sim os que afligiam o Seu povo.

Sabemos, de modo muito evidente (relembre dos evangelhos e de Paulo), que os romanos é quem governavam nos dias do Novo Testamento - tanto que os judeus convertidos eram levados ao concílio romano, tal qual foi Cristo guiado à frente de César (Jo 19.12). Os romanos, apesar de permitirem os judeus de seguirem a tradição de Moisés, não os permitiam ter confronto com outra autoridade, senão César. Noutras palavras, os romanos conferiam liberdade aos judeus, desde que eles não usassem desta liberdade para pregar contra a autoridade do Rei - eis o motivo pelo qual os apóstolos foram tantas vezes presos e admoestados para não mais pregar, o que de pronto não obedeceram, pois "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (At 5.29).

Aprendemos, aqui, que nos tempos iniciais do Novo Testamento, muito em breve a Igreja de Cristo passaria por uma grande tribulação, de modo que Jesus mesmo disse, demonstrando total harmonia com a carta de Paulo à igreja em Tessalônica: "Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim... Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos" (Mt 24.5-6, 24). Assim como Paulo alertou sobre o perigo dos crentes confiarem na suposta paz que lhes seria pregada, Cristo enfatiza o que verdadeiramente estaria ocorrendo, isto é, haveria rumores de guerras e o surgimento de muitos "falsos cristos e falsos profetas".

Quando ocorreu esta guerra? Jesus responde no início do capítulo 24, o qual dá aso a todo o restante de Sua explicação: "E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada" (Mt 24.1-2 - grifo). Quando o templo foi destruído, isto é, quando foi que ocorreu aquilo que se predissera ocorrer (os rumores de guerra)? A resposta é objetiva: "No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos" (Dn 9.2). Que ligação possui essa profecia de Daniel com a destruição de Jerusalém? O próprio Cristo novamente responde: "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo" (Mt 24.14-15). Quando houve a destruição de Jerusalém e do templo, o "fim" se iniciou.

Figuras simbólicas

Feitas estas considerações, precisamos nos recordar de que o livro de Apocalipse é recheado de figuras simbólicas, de modo que é grandemente temerário se achegar diante dele sem a devida precaução. Precisamos o ler com grande consideração ao significado intentado por João e perscrutar o que significa cada detalhe por ele apontado. Se assim não procedermos, correremos o sério risco de crer, por exemplo, que o culto nos céus com Deus será semelhante à bestial e falsa igreja católica romana, pois Apocalipse descreve um altar (6.9; 8.3, 5; 9.13; 11.1; 14.18; 16.7), incenso (8.4), trombetas (1.10; 4.1; 8.13; 9.14), harpas (5.8; 14.2; 15.2) e ainda a arca da aliança (11.19). Todas as coisas, logicamente, são figuras de linguagens - e ainda que todas as coisas possam estar presentes nos céus, elas representam aquilo para o qual seu significado aponta, como se lê: "E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos" (Ap 5.8 - grifo meu).

A Bíblia revela dois tipos de besta

Um erro comum é se referir à besta com sendo apenas uma, quando, na verdade, a Bíblia nos fala de duas. 

O capítulo bíblico em que é relatado o número 666, diz assim: "E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio" (Ap 13.1-2 - grifo meu). A palavra "besta", em grego é "qhrivon" (Therion) e significa "um animal selvagem, besta selvagem, besta; metáfora de um brutal, homem bestial, feroz". [1] Esta palavra usada por João faz todo o sentido, pois logo após ele diz que "a besta que vi era semelhante ao leopardo". Ora, o leopardo é um animal da selva, um animal feroz.

Há, porém, outro animal que é relatado logo em seguida: "E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" (Ap 13.4). Quem seria este dragão? A Bíblia nos fornece cristalina resposta: "E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás" (Ap 20.1-2 - grifo meu). O motivo de João ter descrito "Diabo" e "Satanás", é devido ao fato de "Diabo" (diavboloß - Diabolos) significar "propenso à difamação, caluniador, acusador falso; metáfora aplicada ao homem que se opõe à causa de Deus" [2] e é a mesma palavra usada muitas outras vezes no Novo Testamento, dentre elas 1Tm 3.11: "Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo" (grifo meu); e a palavra "Satanás" (Satana'ß - Satanás) tem a tradução de "adversário, o nome dado ao príncipe dos demônios, o incorrigível adversário de Deus e Cristo" [3] e também usada em muitos outros textos do Novo Testamento, a exemplo de 1Tm 1.20: "E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar" (grifo meu). O que João intentava transmitir aos irmãos a quem escrevia era o fato de o mal ser o Diabo e Satanás, isto é, o mal é personificado na pessoa de Satanás, que é incorrigível, difamador e caluniador de Deus.

Assim sendo, amado leitor, atente para o fato de que a besta não é Satanás. Por favor, anote isto. A Bíblia nos diz claramente que Satanás é "o dragão, a antiga serpente". 

Se Satanás é o dragão, quem é a besta?

Para nos desvencilharmos desta dúvida, continuemos e apontemos para a segunda besta que João revela: "E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão" (Ap 13.11 - grifo meu). Tendo em vista que o propósito deste pequeno artigo não é esmiuçar o Apocalipse por completo, fiquemos com a verdade claramente revelada que, enquanto a primeira besta tinha sobre "suas cabeças um nome de blasfêmia", ou seja, claramente maligna, a segunda besta "tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão", aparentemente demonstrando maior sutileza e com traços de suposta bondade, afinal, o cordeiro é um animal que faz referência a Cristo, de modo que isto se comprova no fato de João usar a palavra "cordeiro" (ÅArniv - Arnion) vinte e sete vezes em seu Apocalipse [4], sempre com referência a Jesus e Sua Igreja.  Esta segunda besta é uma mistura de acertos e erros, pois tem aparência de cordeiro, mas fala como o dragão. Desta forma, claramente vemos que a besta era e é o império romano e que posteriormente deu origem à falsa igreja católica romana. A besta serve à Satanás, pois fala como o dragão.

O número 666

Tendo vista que a besta era (e é) o império de Roma (que se perpetua na face da "Igreja Católica Romana"), avancemos. 

Sobre a segunda besta, João viu que ela "exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta" (Ap 13.12 - grifo meu). Daqui se depreende o entendimento de que a primeira e a segunda besta, embora distintas, estão ligadas e agem com o mesmo propósito: "engana[r] os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse" (Ap 13.14). O propósito da besta (agora entendido de modo geral) é levar ao engano e ao erro. Quem era a besta? O império romano.

E João nos diz o que a besta faz com todos aqueles a quem engana: "E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome" (Ap 13.16-17). Vimos anteriormente que a besta não é Satanás, embora esteja a serviço do mesmo. Mas a primeira pergunta que devemos fazer a este texto é: quem são os pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos que foram feitos escravos da besta? Para responder, basta voltarmos alguns versículos e lermos: "E adoraram-na [a besta] todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8).

Aqui temos um ponto de excelsa e magnífica beleza a todos os cristãos: somente adoraram a besta os que "não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo" (grifo meu). Isto se traduz em dizer que de modo algum os verdadeiros crentes, fieis em Cristo Jesus, foram (ou serão) enganados nos tempos de João pela besta, a falsa doutrina de Roma, pois o modo pelo qual João se refere aos crentes é diferente, conforme no evangelho segundo João: "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17.24 - grifo meu). Também o apóstolo Paulo ecoa a mesma doutrina: "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Ef 1.4 - grifo meu). Igualmente o apóstolo Pedro: "O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós" (1Pe 1.20 - grifo meu). Vemos que os três apóstolos concordam que Cristo "foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8) e os crentes foram eleitos "nele antes da fundação do mundo". Também João diz que os que adoraram a besta foram aqueles "cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro" (Ap 13.8), de modo que podemos seguramente concluir que somente os não cristãos e os falsos seguidores de Cristo, foram (e serão), no tempo de João, enganados pela besta, isto é, creram mais em Roma do que na Palavra do Senhor. Com certeza mais do que absoluta, todos os fieis e genuínos filhos de Deus se mantiveram incólumes e não se enredaram no erro. Tamanha é esta verdade que lemos: "Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis" (Ap 17.14).

Sobre o número 666, João é explícito: "Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis" (Ap 13.18).  Não devemos crer que esta "sabedoria" e "conhecimento" sejam humanos, isto é, que um simples cálculo poderia revelar a Verdade. A Bíblia nos diz: "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1Co 2.14).

Assinalemos o que esta passagem nos diz.

1. A besta possui um número. João escreveu às sete igrejas para lhes dizer aquilo que Cristo lhe havia revelado, pois este foi o mandamento que recebeu: "e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas" (Ap 1.11 - grifo meu). Mas uma pergunta nos incomoda, pois se João deveria escrever e enviar às sete igrejas, por que enviaria uma carta dizendo: "Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta"? Não seria mais objetivo ter dito o que este número significava? 2. É o número de um homem. Após revelar aos irmãos das igrejas que a besta possuía um número, lhes registra que "é o número de um homem". A palavra "homem" significa realmente alguém da raça humana, conforme pode ser claramente conferido junto ao grego bíblico. [5] Daqui aprendemos que o número está necessariamente ligado a alguma pessoa, não podendo qualquer intérprete da Bíblia afirmar que o número está ligado a algum misticismo. Este precisa ter ligação específica com alguma pessoa. 3. Seu número é 666. Este homem que estava ligado à besta, tinha um número específico e que poderia ser identificado pelo mesmo.

O motivo pelo qual João escreveu que tal homem tinha por número 666, é claramente evidenciado pelo fato da igreja, no início do Novo Testamento, estar na iminência de sofrer uma grande perseguição (lembremos do motivo pelo qual Paulo não revela o que detém a manifestação do anticristo em 2 Tessalonicenses 2.5-6). João não escreveria em código para as sete igrejas se elas gozassem de paz e tranquilidade na terra. Havia uma situação de insegurança e João muito bem sabia. 

E o que dizer de ter o número marcado na mão direita ou na testa?

Logo acima vimos que João escreveu acerca da marcação na mão direita e na testa (Ap 13.16-17). A palavra usada para "mão" (ceivr - Cheir) tem um significado muito diferente do que comumente imaginamos, possuindo a seguinte tradução: "pela ajuda ou agência de qualquer um, pelos meios de alguém; figura aplicada a Deus, simbolizando Seu poder, atividade, poder; em determinar e controlar o destino dos homens". [6] Já a palavra "testa" (mevtwpon - Metopon) tem o mesmo sentido de nossa língua portuguesa - "o espaço entre os olhos, fronte". [7]

Como explicitado no início deste breve estudo, o livro de Apocalipse é recheado de símbolos que intentam transmitir uma realidade. Por isso, quando lemos sobre ter marcado a mão direita, é o mesmo quando lemos nos salmos: "A destra do SENHOR se exalta; a destra do SENHOR faz proezas" (Sl 118.16); "Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá" (Sl 139.10). Sobre ter a testa marcada, o mesmo se evidencia: "Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR... E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração... Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos" (Dt 6.4, 6, 8 - grifo meu). Certamente que tal versículo não significava que o povo de Deus implantaria um microchip em seus corpos, pois isto sequer era possível.

Entendemos, assim, que a expressão "mão direita" e "testa", representam o ter a força e ser guiado pela besta que era é Roma. João alerta os crentes para que não se deixem levar pela falsa doutrina demoníaca de Roma. Sob nenhuma circunstância podemos creditar a João alguma referência a microchips, código de barras, cartões de crédito, tatuagens eletrônicas ou qualquer coisa semelhante, pois vimos claramente que sua carta possuía destinatários de sua época, de modo que se ele falasse em código de barras, por exemplo, que entendimento isso teria àquelas igrejas, sendo que esta tecnologia nem sequer era cogitada? João alertava os crentes sobre seguirem e serem guiados em falsas doutrinas e faremos bem se seguirmos o mesmo padrão.

A história nos mostra que o homem pecador deseja sempre acrescentar e/ou omitir à Escritura, o que é totalmente proibido por Deus (veja  Dt 12.32). Mas ninguém pode perpetuar uma mentira quando confrontado com a Escritura. E para o caso de algum leitor ainda ter alguma dúvida ou receio quanto aos microchips ou algum elemento desta natureza, reflita na seguinte doutrina bíblica: "Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação, Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1Pe 16-19). Se o sangue de Cristo foi o que resgatou os crentes do domínio do pecado, como poderia algum elemento material (um código, um chip, um cartão de crédito) destituir o lavar regenerador do Espírito Santo? Se isso pudesse acontecer, que fraco e débil sangue seria o de Cristo, a ponto de poder ser aniquilado por coisas deste mundo!

Portanto, querido crente, não tema especulações destituídas de base bíblica. Passe a bradar juntamente com o apóstolo, o qual evidenciou claramente sua convicção: "Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8.38-29).

Que Deus nos abençoe.

Notas:
[1http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/therion.html (acessado dia 02.06.2013 às 19:20).
[2http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/diabolos.html (acessado dia 02.06.2013 às 19:40).
[3http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/satanas.html (acessado dia 02.06.2013 às 19:45).
[4http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/arnion.html (acessado dia 02.06.2013 às 20:00).
[5http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/anthropos.html (acessado dia 02.06.2013 às 20:45).
[6http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/cheir.html (acessado dia 02.06.2013 às 23:55).
[7http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/metopon.html (acessado dia 03.06.2013 às 08:30).

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5 comentários :

  1. palavra poderosa que veio ao meu encontro.DEUS nos deu a nossa mente para pensar e ver o que e certo ou errado . eu digo que sim essa mensagem e de Deus.Deus seja contigo pastor.

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  2. Parabéns pelo postagem! Achei ótimo, esclarecedor e, como todo reformado, bíblico.

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  3. Falar mal de Roma ta virando rotina né? Provar toda essa bobagem ta difícil, porquê vcs não praticam o amor,a paz,a bondade,a misericórdia, o perdão, a mansidão, em fim todas as virtudes a qual Deus nos ensina,ao invés de ficarem fazendo fofoca. Me poupem.

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  4. A Bíblia é a única verdade, parabéns Pastor pela interpretação tão eficiente.

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