"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 19 de março de 2013

Precisamos de Mais Adolescentes Grávidas


"De fato, no tempo em que as pessoas se casavam mais jovens o divórcio era muito mais raro. Durante a última metade do século vinte, enquanto a idade das noivas se elevava de 20 para 25 anos, a taxa de divórcio duplicou. A tendência para casais mais velhos, e presumivelmente mais maduros, não resultou em casamentos mais fortes. A durabilidade marital tem mais a ver com as expectativas e o apoio da sociedade em volta do que com a idade dos cônjuges."


“O verdadeiro amor espera”. “Espere sua formação”. “Esperar vale a pena”. Os chavões dos programas de abstinência juvenil revelam um fato básico da natureza humana: adolescentes, sexo, e espera não se combinam naturalmente.

Nos últimos cinqüenta anos a espera se tornou ainda maior. Em 1950 a idade média das noivas de primeira viagem era de uns 20 anos; em 1998 elas tinham cinco anos a mais, e seus maridos beiravam os 27. Se esse noivo tivesse entrado na puberdade aos doze anos, teria estado esperando mais da metade da sua vida.

Isto é, se de fato tivesse esperado. O sexo é o banho de açúcar no impulso para a reprodução, e esse impulso é quase irresistível. É de se supor que as coisas sejam assim; ele é o motor da sobrevivência da raça humana. Lutar contra ele significa lutar contra um instinto corporal básico, é como lutar contra a sede.

Apesar do conflito entre liberais e conservadores em quase todos os tópicos disponíveis, este é um ponto, contudo, no qual concordam firmemente: os jovens, absolutamente, não devem ter filhos. Embora discordem dos meios — os conservadores advogam a abstinência, os liberais favorecem a contracepção — eles dão as mãos nesse objetivo comum. A geração mais jovem não deve produzir uma geração mais jovem.

Mas a gravidez na adolescência, em si, não é algo assim tão ruim. Aos 18 anos o corpo da mulher se encontra bem preparado para a gravidez. Os homens estão igualmente qualificados para fazer sua parte. Ambos podem obter maior êxito nessa empreitada do que teriam em anos posteriores, por conta de alguns riscos para a saúde — a operação cesárea ou a síndrome de Down, por exemplo — que aumentam com o passar dos anos. (Os perigos que associamos com a gravidez na adolescência, por outro lado, são comportamentais, não biológicos: uso de drogas, doenças sexualmente transmissíveis, aborto involuntário, imaturidade e falta de acompanhamento pré-natal). A fertilidade da mulher começa a declinar aos 25 anos — uma razão pela qual os controles de população incentivam a gravidez tardia. Gravidez precoce também recompensa a saúde da mulher com uma proteção adicional contra o câncer do colo do útero.

Além disso, as mamães e os papais mais jovens provavelmente são mais hábeis na criação dos filhos, menos propensos ao cansaço com o movimento permanente das crianças que começam a caminhar. Suas articulações devem doer menos depois de empurrá-los no balanço do parque. Suspeito que pais mais jovens também sejam mais pacientes do que aqueles com quarenta e tantos anos que pedem ao pediatra algum remédio para dar a seu filho supostamente hiperativo. Os seres humanos foram feitos para se reproduzirem em seus anos de adolescência, e nisso são potencialmente muito bons durante esse período. Essa é a razão pela qual desejam tanto isto.

Gravidez na adolescência não é o problema. O problema é a gravidez de adolescentes não casados. A reprodução fora do casamento é o que causa todos os problemas. Restaure uma base na qual o matrimônio começa mais cedo e você não terá de lutar contra a biologia durante uma década ou mais.

A maioria de nós empalidece ao pensar em nossos filhos casando-se antes dos 25, muito menos antes dos 20. A reação imediata é: “São muito imaturos”. Esperamos que os adolescentes estejam centrados em si e em seus impulsos, sendo incapazes de arcar com as responsabilidades da vida adulta. Mas as coisas nem sempre foram assim; durante muito tempo na história a norma era casar e ter filhos na adolescência. Não poucos de nós encontraríamos nossas árvores genealógicas salpicadas com muitos casamentos na adolescência.

Lógico, aqueles eram os dias nos quais se presumia que os adolescentes já crescidos eram verdadeiramente “jovens adultos”. É difícil imaginarmos tal coisa hoje. Não é que os jovens sejam inerentemente incapazes de assumir responsabilidades — a história refuta isso — mas é que já não esperamos que eles ajam assim. Apenas algumas décadas atrás concluir o ensino médio era tomado como uma prova de que se era adulto, ou ao menos como uma promessa de que aquele desajeitado garoto com um diploma estava pronto para começar a agir como um adulto. Muitos garotos saíam da escola para o mundo do trabalho diário ao qual não deixariam até estarem cheios de cabelos brancos; muitas garotas começavam a converter seu pequeno apartamento num berçário. Talvez as expectativas fossem tímidas, mas eram alcançadas, e muitas boas famílias se formaram desse modo.

Oculta nesse cenário se encontra a pressuposição não declarada de que um jovem adulto pode ganhar o suficiente para sustentar uma família. Ao longo do curso da história, a idade de matrimônio geralmente esteve limitada pela puberdade por um lado, e pela habilidade de sustentar uma família por outro. Na fartura, o povo se casa jovem; quando as possibilidades são parcas, os casais batalham e economizam para o dia do casamento. Uma cultura onde os homens não se casam antes dos 27 normalmente apresentaria elementos como repetidos fracassos na agricultura ou depressão econômica.

Esse não é o caso dos Estados Unidos hoje. Ao invés disso, temos uma situação “artificial” que faz com que o casamento seja postergado. A idade na qual um homem, ou uma mulher, podem ganhar razoável credibilidade foi aumentando regularmente na medida em que a educação foi rebaixando seu conteúdo. A condição básica para ser capaz de obter um emprego, que usualmente era o diploma de ensino médio, agora requer um título de bacharelado, e as carreiras profissionais que geralmente eram acessíveis com um bacharelado agora requerem um título de mestre ou mais. Os anos seguem passando enquanto os jovens seguem tentando conseguir as credenciais que a ganância dos adultos exige.

Contudo, a habilidade financeira não é nosso único interesse; estamos convencidos de que os jovens são simplesmente incapazes de assumir responsabilidades de adultos. Esperamos que eles tenham um pobre controle de seus impulsos, sejam centrados em si e em suas emoções, e incapazes de visualizar conseqüências. (Ora, é estranho esperar que os jovens, de quem se pensa serem muito irresponsáveis para o matrimônio, pratiquem uma abstinência heróica ou a contracepção diligente). A pressuposição de irresponsabilidade juvenil tem raízes que estão para além da nossa conjectura sobre a natureza da adolescência; ela envolve nossa idéia mesma sobre o propósito da infância.

Há mais ou menos um século se presumia que as crianças eram seres em treinamento para a vida adulta. Desde os primeiros anos as crianças ajudavam em casa, no negócio, ou na fazenda da família, assumindo mais responsabilidades a cada dia. Nos últimos anos da adolescência, os filhos estavam prontos para graduação na vida adulta plena, um status que recebiam como uma honra. Sabe-se que essa transição começava cedo pelo número de tradições religiosas e sociais pelas quais passavam os jovens ao completar 12 ou 13 anos.

Porém já não pensamos nas crianças como adultos em progresso. A infância não é mais um período para treinamento, mas um parque de diversões, e devido ao fato de amarmos nossos filhos e sentirmos nostalgia da nossa própria infância, queremos que eles sejam capazes de permanecer nesse estado o maior tempo possível. Cultivamos a idéia de uma infância idílica e despreocupada, e à medida que os anos escolares aumentam o que aumenta é o limite para o parque de diversões, de maneira que esperamos que mesmo “garotos” de vinte e não sei quantos anos evitem deixar o lar. Outra vez, não é que as pessoas dessa idade não possam ser responsáveis; seus ancestrais o eram. É que qualquer pessoa que receber a oportunidade de relaxar e seguir brincando, geralmente aproveitará a oportunidade. Se nossa cultura assumisse que as pessoas de cinqüenta anos tirariam um ano de descanso sem cumprir qualquer responsabilidade, tendo todos os seus gastos pagos por outros, passando seu tempo divertindo-se e cometendo erros perdoáveis, nossos centros comerciais estariam invadidos por delinqüentes da terceira idade.

Mas os casamentos precoces não tendem a terminar em divórcio? Se dizemos aos jovens que os consideramos inerentemente incompetentes isso se converterá em uma sentença profética, porém nem sempre foi assim. De fato, no tempo em que as pessoas se casavam mais jovens o divórcio era muito mais raro. Durante a última metade do século vinte, enquanto a idade das noivas se elevava de 20 para 25 anos, a taxa de divórcio duplicou. A tendência para casais mais velhos, e presumivelmente mais maduros, não resultou em casamentos mais fortes. A durabilidade marital tem mais a ver com as expectativas e o apoio da sociedade em volta do que com a idade dos cônjuges.

Um padrão de casamento tardio pode realmente “incrementar” a taxa de divórcio. Durante a década inicial da vida adulta os jovens podem não estar casados, mas estarão namorando. Apaixonam-se e rompem, e passam por um sofrimento terrível, mas descobrem que o tempo resolve tudo. Podem fazer isso muitas vezes. Gradualmente se acostumam; aprendem que podem entregar seus próprios corações e logo tomá-los novamente; aprendem a escutar, em primeiro lugar, seus corações. Aprendem a manter uma relação com o objetivo de obter o que querem, sempre com as malas prontas caso precisem partir. Ao se casar já tiveram muitas oportunidades de aprender a se esquivar de uma promessa. Treinaram para o divórcio.

Como bem sabemos, um padrão social de matrimônio tardios não significa sexo tardio. Em 1950 tínhamos uma taxa de 14 nascimentos por mulheres não casadas; em 1998 esse número disparou para 44. Mesmo esse assombroso aumento não conta toda a história. Em 1950 o número de nascimentos geralmente correspondia ao número de gravidezes, mas em 1998 devemos acrescentar muitas outras fora do casamento que não chegaram ao nascimento, mas terminaram em aborto, aproximadamente uma em cada quatro gravidezes terminaram assim. A cidade de Baltimore, onde vivo, foi recordista em filhos nascidos fora do casamento: 77% de todas as crianças, em 2001, haviam nascido entre mães não casadas.

Há uma série de razões que se entrelaçam para este aumento de nascimentos entre pessoas não casadas, porém um fator seguramente deve ser que quando os requisitos supostamente necessários para o matrimônio se elevam demais, algumas pessoas simplesmente pulam essa parte. Uma coisa é pedir aos jovens nervosos que se abstenham até que terminem o ensino médio aos 18 anos. Quando a expectativa ao invés disso é esperar até os 25 ou 27, muitos se recusam a esperar de verdade. Ficamos tristes, porém já não nos surpreendemos, quando vemos meninas tendo bebês aos 12 ou 13 anos. Entre 1940 e 1998, a taxa de meninas entre 10 e 14 que já tiveram filhos quase dobrou. As experiências sexuais destas jovens mães geralmente são classificadas como “involuntárias” ou “indesejadas”. Pedir aos garotos que esperem até o casamento é uma maneira saudável de proteger as garotas.

A idéia de retornar a uma era de casamentos precoces, contudo, parece desalentadora, por boas razões. Não é só uma questão de celebrar as bodas de garotos de 18 anos com olhos sonhadores e logo lançá-los ao mundo. Nossos antepassados foram capazes de se casar jovens porque estavam rodeados por uma rede de apoio que os tornava aptos para esse passo. As pessoas jovens não são intrinsecamente incompetentes, mas ainda têm muito que aprender, assim como os recém-casados de qualquer idade. Nas gerações passadas um casal jovem estaria rodeado por familiares e amigos que poderiam guiá-los e apoiá-los não só a trafegar pelas estradas no novo matrimônio, mas também nas habilidades práticas de fazer as tarefas de uma família, administrar um orçamento, consertar uma telha com goteira ou trocar uma fralda.

Não é bom que o homem esteja só; e tampouco é bom para um jovem casal estar isolado. Nesta era de educação prolongada, quem casa jovem provavelmente faz isso antes de terminar a universidade, o que requer alguns sacrifícios. Não podem esperar “ter tudo”. Dos três fatores — se manterem, terem filhos e ambos freqüentarem a escola em tempo integral — algo irá sobrar. Porém o casamento precoce pode ter êxito, como sempre teve, com o apoio da família e dos amigos.

Eu me casei uma semana depois da graduação na universidade, e tanto meu esposo quanto eu imediatamente deixamos a academia. Vivemos dentro das nossas possibilidades trabalhando como porteiros durante a noite, limpando pisos e lavando banheiros. Estivemos longe de casa, porém nossa igreja era nosso lar, e por meio da amabilidade de famílias mais experientes tivemos muitas formas de apoio — na verdade, tivemos todo o apoio necessário. Quando nosso primeiro filho nasceu estávamos tão entupidos de fraldas, roupas e presentes que nosso único gasto foi com a conta do hospital.

Nossa filha e nosso filho mais velho também se casaram e começaram famílias ainda jovens. As coisas não são fáceis para aqueles que seguem esse caminho, mas com a ajuda da família, da igreja e de programas criativos de estudo e trabalho, as duas jovens famílias estão seguindo seu caminho. Casamento precoce não pode acontecer no vácuo; ele requer apoio em muitas direções, e seria ingênuo pensar que os custos não são altos.

As recompensas também são altas. É maravilhoso ver nosso filho e nossa filha florescerem num casamento forte e feliz, e é uma alegria inesperada contar com um novo filho e uma nova filha em nosso círculo familiar. Nosso cálice também transborda de netos: temos quatro netinhos, e o mais velho deles tem apenas dois anos. Eu tenho 49.

É interessante pensar no futuro. E se meu neto mais velho também se casar jovem, e tiver seu primeiro filho aos 20 anos de idade? Eu teria meu bisneto aos 67. E poderia ter logo um tataraneto aos 87. Eu estaria longe de entrar na velhice solitária. Meus netos e os filhos deles cresceriam também, e estariam prontos para cercar as novas gerações com muitas mentes cheias de recursos e com corações afetuosos. Mesmo algo mais extravagante é possível: venho de uma família com muita longevidade, alguns de seus membros passam dos cem anos. Quanto eu poderia viver para ver uma família tão grande?

Essa especulação cria um redemoinho de pensamentos — embora estes sonhos não sejam impossíveis, e com certeza não sem precedentes. Gerações próximas e que se ajudam mutuamente devem ter sido um espetáculo comum na época em que se afirmava o casamento precoce, e permitia-se que os jovens fizessem aquilo que era natural.

- por Frederica Mathewes-Green

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