"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 4 de março de 2013

Por que a Eternidade nos Causa Tédio?



Há muito tempo eu suspeito que muitos cristãos temem não apenas a morte, mas também o céu. Nós não admitimos isso, é claro. Nossos hinários, de qualquer tempo que sejam, são repletos de músicas sobre a alegria do pós-vida e que “lá no céu moraremos”. Nos alegramos com o fato de que não iremos para o inferno ou cairemos no esquecimento. Mas a maioria das referências das nossas músicas  e sermões são sobre aqueles primeiros momentos no céu: quando veremos Jesus, quando estaremos reunidos com nossos entes queridos, e assim por diante. É como o final feliz da história. E este é o problema.

O evangelho nos diz que Satanás mantém os incrédulos escravizados pelo medo da morte (Hebreus 2.14-15). Crentes, frequentemente, também temem a morte, embora não tanto temem o tédio. Vemos a história de nossas vidas como abrangendo esse período de setenta, oitenta, ou uns cem anos. A vida que está por vir é nossa “grande recompensa” no “pós-vida”.

Mas agora pense sobre essa palavra, “pós-vida”. Ela supõe que a eternidade é um interminável poslúdio ao período em que a ação realmente acontece. Ela é “pós” alguma coisa. Nossa “recompensa” acontece depois de vivermos nossas vidas. É aqui que a linguagem importa.

Imagine um casal se referindo ao seu casamento como o seu “pós-amor”. Eles te explicam que anos atrás eles se conheceram, se apaixonaram e se casaram. Os anos desde então são seu “pós-amor”, já que vieram após o amor de um pelo outro. Você iria, sem dúvida, perguntar se eles continuam se amando e, caso sim, por que eles considerariam sua vida juntos como simplesmente “pós” qualquer coisa, e por que eles parecem colocar seu “amor” no passado. Você iria achar que eles estão diminuindo a importância o casamento e tratando-o de forma infeliz ao falar dele assim.

E você estaria certo.

Muitos cristãos veem a esperança da vida ressurreta como um ponto final para suas vidas de agora. Nós implicitamente assumimos que nosso foco na nova criação é um foco inverso, na nossa vida como ela é agora.

Nós falamos sobre todas as perguntas que faremos sobre o porquê disso ou daquilo ter acontecido. Nós nunca pensamos que talvez estaremos muito ocupados para nos preocuparmos com isso, assim como nós estamos ocupados demais no topo das nossas carreiras para perguntar à professora do jardim de infância por que ela comia seu lanche ao fim do recreio, e não no começo. Nós falamos sobre a nossa reunião com nossos entes queridos, mas mesmo assim elas tem, implicitamente, um foco no passado.

Uma reunião no ensino médio pode ser divertida. Você encontra velhos amigos e se lembra de bons e maus momentos. Mas o foco das conversas, normalmente, está em “lembra quando…” e “o que aconteceu com o…”. Isso é ótimo para uma hora, ou até quatro, mas quatro trilhões de anos disso seria o inferno. Isso não foi o que Jesus nos prometeu. Ele nos prometeu vida.

Se nós esquecermos disso, nos tornamos exatamente aqueles sem esperança. Nós falamos sobre nossas listas do que temos de fazer antes de partirmos,  já que “só se vive uma vez”. Nós nos preocupamos com nosso futuro e guardamos rancor porque tememos que nossas vidas  possam ser arruinadas por circunstancias, ao invés do pecado. Nós, essencialmente, vamos em direção ao bom e velho “comamos, bebamos e nos alegremos, pois amanhã morreremos”, mas complementamos isso com “… e então estaremos por aí com nossos entes queridos, cantando músicas e encarando uma luz por quadrilhões e mais um pouco de anos”.

Deus nos livre.

Sua eternidade é tanto sobre olhar para trás para o período atual quanto a sua vida agora é uma reflexão sobre o jardim de infância. No momento em que você irrompe a lama de cima do seu túmulo, você estará em uma excitante nova missão – missão esta que você não poderia compreender se alguém lhe dissesse. E essas coisas que parecem tão importantes agora – quer você seja atraente, famoso ou livre do câncer – serão totalmente irrelevantes face ao emocionante novo propósito, um para o qual você foi preparado nesse tempo de agora, mas que está muito longe de ser uma mera sequência da sua melhor vida agora.

Vamos falar sobre eternidade. Mas não como uma mera “pós-vida”. Em vez disso, vamos começar a pensar sobre esse pequeno sopro de tempo, os próximos oitenta e poucos anos, como o que ele realmente é: uma “pré-vida”.

- por Russell Moore
Fonte: iPródigo

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Um comentário :

  1. Amei essa análise crítica. A vida é uma sequência viciosa de cobiça e ego. Existimos e somos fruto do desejo, da certificação pelo amor através da cópula.
    A muito tempo venho observando o comportamento de algumas pessoas e o que é mais importante, analisando a mim mesmo, sem o mínimo de interferência ética e moral, sendo que considero este o primeiro passo. O desejo pela imagem cobiçada é o que há de mais humano e considero que essa é uma das fontes mais promissoras para se encontrar a felicidade e gozo, se houver observadores e competidores.
    Portanto, caro escritor, considero que esse deus justo e bondoso é uma figura máxima de poder, algo inalcançável, sendo assim, muito triste à concepção humana; concepção humana, pois mesmo havendo uma premissa que diz: " A visão e consiência de um deusa é diferente da concepção de um reles mortal ", ainda estados fadados à aprender e criar(imitar) através da humilde observação. Entende o que quero dizer? Então prossigamos com uma reflexão mais profunda que só dependerá de você. Começaremos com uma historinha improvisada:
    Certa época, os homens cultuavam ao deus fogo, deus água e deus relâmpago. Descobriram que a água era ótima para amolecer o alimento, lavar a pele e beber : oh! Água gloriosa, ela sobre, desce e me nutre. Seria claro afirmar que essa água é boa para todos e o poder foi atribuído à ela. E o fogo o que dizer dele? Em sua descoberta, atribuiu poder ao seu usuário e possibilitou uma nova modalidade de preparar a comida, sendo assim, foi útil e trouxe avanços à humanidade. Ainda seguindo a linha de raciocínio dos dois parágrafos anteriores e com uma pitada de contemporaneidade, pensemos no raio; na eletricidade. O raio que era estrondoso, que matava cruelmente por pura aleatoriedade, foi roubado e humilhado pela descoberta do controle de seu poder pelo homem. Deuses antigos O fogo que ascende o charuto e a água que da privada que leva os dejetos embora, a eletricidade que auxilia o dia fazendo funcionar elevadores. Pensou comigo?Estamos na modernidade meus caro, assim como uma seleção natural, o mais forte sobrevive ou é usado como base de sincretismo, sendo assim, que figura seria mais forte e onipotente do que algo onipresente, onisciente e moderno o suficiente para ter seu próprio tradutor em várias línguas, possuindo uma figura semelhante a nossa e sendo inalcançável? A resposta não existe e sabe por quê? O motivo é simples, sendo humanos e bem diferentes de uma figura espiritual poderosa que é a enraizada em muitas culturas modernas, não podemos afirmar com certeza absoluta que não existe um deus, ou qual é melhor. (Qualquer referências à livros religiosos é mera coincidência)

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