"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sétimo elemento constitutivo do culto público: Cântico de Salmos (parte 2 - A Lei Cerimonial) - Sermão pregado dia 15.01.2012



Sétimo elemento constitutivo do culto público: 
Cântico de Salmos (parte 2 - A Lei Cerimonial) -  
Sermão pregado dia 15.01.2012

Dando seguimento ao que vimos na semana passada, hoje iniciaremos sobre a lei cerimonial, com o que estava relacionada e ainda algumas considerações importantes. De fato eu havia indicado que hoje veríamos sobre os instrumentos, mas achei prudente adiantar o ponto de hoje e adiar o que veríamos.

Quando perguntamos ao crentes se a lei cerimonial foi abolida, quase que em uníssono nos responderiam que sim. Certo estou de que tal resposta não é completamente errada, mas é preciso compreender que nem toda lei cerimonial foi abolida, quer dizer, esta lei ainda é válida para nós, porém certos aspectos dela devem agora ser feitos com outra abordagem, a saber, a do Novo Testamento.

Já disse certo autor: "Como posso defender tal afirmação? [nota minha: a vigência da lei cerimonial] Eu baseio meus argumentos primariamente nas palavras de Jesus gravadas em Mateus 5.17-19. Jesus nos diz que ele não veio para abolir a lei, mas para cumpri-la e que 'nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido'. Nós não podemos concluir que Jesus ensinava que a lei moral não seria abolida, mas a lei cerimonial sim - Jesus não faz essa distinção. Para a mente judaica  a lei era uma única unidade... Nós não podemos concluir pelo que Jesus disse em Mateus 5.17-19 que a lei sumária [nota minha: resumida] (isto é, os Dez Mandamentos) não foram abolidos, mas que os detalhes específicos dela foram. A Lei fica de pé ou cai em unidade, até mesmo por um 'um jota ou um til'. Ou Jesus aboliu a Lei ou não. Baseado nas próprias palavra de Jesus, os aspectos cerimoniais da Lei não foram abolidos e portanto continuam para serem aplicados no regimento do Novo Testamento na mesma extensão que a lei moral requer". [1]

É importante entendermos esse ponto, pois Jesus não poderia nos ter deixado sem lei alguma para a prática cúltica. Seria uma insensatez divina deixar os homens escolherem conforme o seus corações a melhor forma de se adorar e louvar ao Senhor, afinal, o próprio artífice da criação já nos disse que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jr 17.9).

"Outra linha de argumentação sobre que a lei cerimonial não foi abolida e que portanto a Lei deve ser considerada como uma unidade completa, é providenciada pelas seguintes considerações:

- Deus tem uma lei que é boa e santa (Rm 7.12), sobre qual todos os homens deverão ser julgados (Rm 2.12-16; Tg 2.12). Ele não tem dois sistemas de lei - um para o Antigo Testamento e outra para o Novo Testamento.
- Levítico 17-19 mistura leis relacionadas a comer sangue, moral sexual, ofertas de sacrifício, roubar e mentir, separação de sementes, tipos de animais e material de vestimenta. A coleção de leis não foi entregue por Moisés em diferentes classes - moral, civil e cerimonial [nota minha: conforme já vimos, essa distinção foi feita apenas pelos teólogos e visa tão somente ser didática]. Tiago constantemente refere-se à lei desses capítulos, indicando sua contínua aplicabilidade no regimento do Novo Testamento.
- Tiago diz à igreja do Novo Testamento que se alguém quebrar qualquer lei, quebra-a por inteiro (Tg 2.10)." [2]

Dito isso, é então preciso que falemos (ainda que brevemente) sobre o que a lei cerimonial significava e agora significa no Novo Testamento.

"A forma mosaica de observação dos tipos redentivos [nota minha: a forma de se olhar para as cerimônias e nelas visualizar aquele que viria - Jesus] na Lei de Deus, não são mais observadas pelos cristãos do Novo Testamento como eram pelos judeus na economia do Antigo Testamento, porque Deus se revelou completamente em Cristo. Contudo, embora a lei cerimonial do Antigo Testamento não tenha sido abolida, a forma de observá-la foi mudada. Por exemplo:

- Um novo sacerdócio foi estabelecido e que não é dependente da linhagem dos filhos de Arão e não depende de seres humanos pecadores que precisem ter os pecados expurgados conforme os filhos de Arão (Hb 7.11-28). Essa mudança no sacerdócio foi antecipada no tempo do Antigo Testamento (Sl 110.1, 4; Is 66.21).
- O sistema sacrificial de sangue (e.g., Hb 7.11, 12, 27; 9.9, 10, 12; 10.4, 10) foi substituído pelos sacrifícios espirituais (Hb 13.15).
- Os rituais de cerimônia (e.g.; Cl 2.16,17;Hb 9.1-4) foram substituídos por formas espirituais...
- Os sinais do pacto foram mudados (e.g., Gl 5.1, 2, 11; Mt 28.19; At 2.38, 39; Cl 2.11, 12).
- As vestes dos sacerdotes apontavam para a justiça de Cristo; no Novo Testamento as vestes foram mudadas para a imputação da justiça aplicada em seu povo (Is 61.10; Ap 7.13,14).
 - As leis específicas sobre santidade e separação, isto é, leis alimentares, sobre roupas, mistura de sementes e animais, casamento com etnias não judaicas, o casamento levirato [nota minha: obrigação do homem casar com a viúva de seu irmão, caso não tenha deixado um filho homem], cidades refúgio, etc (e.g., At 10.9-16; 11.7-9), eram símbolos físicos dos princípios que seriam manifestos na vida espiritual dos crentes (e.g., Mt 5.8; Mt 16.11, 12; At 10.28; 2Co 6.14-18; Tt 1.14, 15).

Note que os exemplos acima onde se diz substituído, novo, mudado, tem grande diferença de significado com relação a 'abolido'. O cumprimento da Lei por Jesus (Mt 5.17) não aboliu toda lei de Deus (princípios), mas os mudou, particularmente no caso dos rituais associados ao sistema sacrificial e o caminho ou maneira como aplicamos esses princípios. Após Jesus ter declarado que a Lei não foi abolida, em seu ensino no Sermão do Monte (Mt 5-7) ele continua a apresentar a correta interpretação e aplicação da Lei". [3]

A fim de de finalizar esse ponto, também é preciso notar sobre quais são as formas de cerimônia do Novo Testamento.

"Isso é necessário, portanto, para mostrar como os crentes do Novo Testamento devem aplicar o princípio da lei cerimonial que não foi abolida e que ainda é obrigatório observar-se tais leis - mas debaixo de uma nova forma. Para fazer essa aplicação, nós responderemos a questão: O que foi substituído da forma levítica e da lei cerimonial do Antigo Testamento? Nós achamos as seguintes mudanças na forma de se observar as cerimônias no Novo Testamento:

- Não há sacerdócio separado. Todos os crentes são membros da nova classe de sacerdotes (Êx 19.6; Hb 10.11-22 [especialmente v.14]; 1Pe 2.9; Ap 1.6; 5.10; 20.6) em que Cristo é um único sumo sacerdote.
- Todos os crentes têm acesso direto a Deus e não somente uma ordem sacerdotal exclusiva (Hb 10.19-25 [especialmente v.22]).
- Todos os crentes (não somente homens circuncidados e a Páscoa) são participantes das cerimônias não sangrentas e das ofertas: batismo, ceia do Senhor, dízimos e ofertas de renda e em espécie [nota minha: dar sobre e conforme aquilo que ganha] e jejum.
- Jesus é a figura que representa o tabernáculo e o templo (Mt 12.6; Jo 1.14; 2.19-22) e nele todos os crentes são parte do templo santo/cidade santa de Deus (Hb 12.22, 23; 1 Pe 2.5). Quando os crentes se reúnem para adorar em comunidade (isto é, o culto público), eles se reúnem em e como templo de Deus.
- Todos os crentes são chamados a viverem suas vidas com um espírito de santa separação. As leis mosaicas de separação foram descontinuadas (At 10.9-16; 11.7-9) e substituídas por equivalentes espirituais que elas tipificavam [nota minha: eram sombra do que haveriam de vir e por isso se tornaram o que haveriam de ser] (Mt 5.8; Mt 16.11, 12; At 10.28; 2Co 6.14-18; Tt 1.14,15).
- Todos os crentes oferecem sacrifícios (espirituais) a Deus sem a mediação de um sacerdócio humano. Esses sacrifícios espirituais consistem em:
- Incenso (A.T.) = Oração (N. T.) (Sl 141.2; Lc 1.9-11; Ap 5.8; 8.3, 4)
- Sacrifício de animais (A.T.) = Salmos de louvor  (N. T.) (Sl 27.6; 69.30-31; 107.22; Hb 13.15, 16; Ef 5.18, 19; Cl 3.15-17; 1Pe 2.5)
- Vestes santas (A.T.) = Vida dedicada  (N. T.) (Rm 12.1; 15.16, 17; Fp 2.17; 2Tm 4.6; Ap 7.9, 13, 14).

O verdadeiro cristão radical do Novo Testamento não é aquele que reivindica que o sistema cerimonial do Antigo Testamento foi abolido e que depois busca executar as mesmas coisas, mas sim que entende que em Cristo as cerimônias necessárias ainda estão de pé - da total transformação de adoração em forma simbólica, exterior e física, para a espetacular substância, interior, espiritual e simples". [4]

"Por fim, em nossa consideração sobre a adoração, nós concluímos:

1. Somente o próprio Deus define a verdadeira adoração. Qualquer coisa que Deus não requer por preceito ou exemplo, é vã e  falsa adoração (Dt 12.28-32; Mt 28.18-20; Jo 4.23,24).
2. Deus já definiu os elementos da adoração. Em cada tempo de pacto, Deus providenciou um conjunto de elementos que constituem a adoração e são somente esses elementos que ele permite - qualquer outro elemento que o povo traga diante de Deus é falsa adoração (Gn 4.4-7; Êx 20.4-6; Is 65.2-7; Mq 6.6-8).
3. A verdadeira adoração consiste em reverentes atos autorizados. A verdadeira adoração consiste em reverentes atos autorizados por e para Deus e que são feitos para honrar a Ele mesmo ou Seu nome (Sl 96.9).
4. Deus não pode tolerar a falsa adoração. A natureza de Deus requer que a verdadeira adoração seja guardada ciumentamente (Êx 20.4-6).
5. Deus pune a falsa adoração. Ele mostra pelo exemplo de punições severas, durante a inauguração de novas formas de adoração associadas com mudanças do Pacto, que é um pecado oferecer adoração que não é requerida por Ele ou que é requerida mas não oferecida da maneira correta (Lv 10.1-2; At 5.1-11; 1 Co 11.29,30).
6. Homens são criaturas finitas. É um absurdo pensar que homens podem determinar o que é certo fazer ou não fazer durante a adoração e o que agradará a Deus (Dt 29.29; Is 40.12-14; 55.9).
7. Homens são criaturas pecaminosas. O homem natural tem a tendência de avançar na idolatria e introduzir falsa adoração (Is 29.13; Mc 7.6-13; Rm 1.18-23; Cl 2.18-23).
8. O homem não tem autoridade para mudar a adoração. Somente os profetas e sobre direta revelação foi dada a autoridade temporária por Deus para introduzir mudanças em sua adoração. Essas mudanças estavam associadas com mudanças do novo Pacto. Como não há profetas nos dias de hoje e não há mudanças no Pacto, então não pode-se introduzir mudanças nos elementos ou na forma de adoração (Ne 12.24. 36).
9. A Lei Cerimonial não foi abolida, mas a forma de adoração do Antigo Testamento foi mudada no Novo Testamento. O cristão do Novo Testamento é obrigado a manter toda a Lei, inclusive as "cerimoniais" ou "rituais" (Mt 5.17-19; Tg 2.10). A forma de se observar as leis rituais e cerimoniais  foi mudada no Novo Testamento (Ef 2.15). Um fiel cristão neotestamentário irá guardar os princípios cerimoniais da lei, de acordo com as formas do Novo Testamento: oração, cântico de salmos e uma vida dedicava de santidade espiritual.
10. A adoração do Novo Testamento é definida por Jesus e seus apóstolos. Sobre a administração do pacto do Novo Testamento, nós obtemos nossa garantia para os elementos da adoração a partir dos comandos e exemplos de Jesus e dos apóstolos (Mt 28.19,20; Jo 14.26; 1Co 11.1). Alguns elementos (e.g.,  jejuns ou bênçãos) e modos (e.g., batismo por imersão ou aspersão) podem ser aprendidos do Antigo Testamento e de princípios do Novo Testamento (Mt 5.17-19; 2Tm 3.16, 17). [5]

É necessário que os cristãos compreendam que a vinda de Jesus não inaugurou um neonomismo (nova lei) nem criou um antinomismo (ser contrário à lei), mas confirmou o teonomismo (governo de Deus através de suas leis) do Antigo Testamento. O próprio Mestre disse, "E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei" (Lc 16.17), testificando que até mesmo o menos traço da lei não haveria de passar enquanto Ele reinasse como Senhor absoluto e sumo sacerdote de todos os santos.

A história da Igreja nos mostra que onde não mais existiu temor, a ira do Senhor veio e consumiu tais homens - ora matando-os literalmente, ora entregando-os às suas próprias concupiscências. "Ouvi, SENHOR, a tua palavra, e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia" (Hc 3:2).

Nós, crentes em Jesus Cristo, precisamos compreender que assim como os sacerdotes do Antigo Testamento deveriam ter o mais sublime respeito e submissão à palavra do Senhor, nós também devemos temer a palavra do do Altíssimo; não porque vivemos sob a lei, mas devido a ela ainda ser nosso jugo que está em Cristo. Assim como o povo veterotestamentário foi claramente instruído acerca do culto e do louvor ao Senhor, nós hoje de igual forma somos instruídos no mesmo caminho, pois certamente que o Senhor não nos têm deixado órfãos quanto à seu lei e nem nos legou apenas a sua "graça", como se agora a lei viesse de nosso coração, mas, prostrados humildemente diante do Cristo ressurreto e que tipificava todas as coisas, devemos buscar conhecê-lo através do Espírito Santo de Deus, nosso fiel ajudador e guia perpétuo em nossa peregrinação rumo a cidade celestial.

Amém.



Notas:
[1] HUGHES, James R. - citado em "In Spirit and Truth: Worship as God Requires (Understanding and Apllying the Regulative Principle of Worship)" - pág. 47 - tradução livre.
[2] Op. Cit. - pág. 48 - tradução livre.
[3] Op. Cit. - pág. 52 - tradução livre.
[4] Op. Cit. - pág. 53 - tradução livre.
[5] Op. Cit. - págs. 54 e 55 - tradução livre.

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