"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Efésios 3.5 - Esperando em Deus - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 08.09.2013


Efésios 3.5 - Esperando em Deus
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 08.09.2013

Veja a pregação em vídeo, realizada na Igreja Cristã Reformada de Blumenau.
Link: http://www.youtube.com/watch?v=HkXsIHPRTag&feature=youtu.be

"O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas" (Ef 3.5).

Dando seguimento ao que havia iniciado no versículo anterior e que culminará no seguinte (v. 6), o apóstolo escreve afirmando que durante muito tempo, os filhos do Senhor e até mesmo Seus profetas, não entendiam na plenitude o "mistério de Cristo" (Ef 3.4). O povo do passado não compreendera que "os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho" (Ef 3.6). Para eles não havia sido revelado esta grandiosidade do evangelho, no qual agora os apóstolos e profetas foram agraciados.

Surge, porém, uma indagação: como eles não tinham ciência desta promessa, sendo que durante todo o Antigo Testamento houve inúmeras profecias acerca desta bem aventurança que cobriria toda a terra? O Senhor registrou por meio de Isaías, quando chegaria o dia em que até mesmo no meio do Egito se falaria a língua do povo do Senhor: "Naquele tempo haverá cinco cidades na terra do Egito que falarão a língua de Canaã e farão juramento ao Senhor dos Exércitos" (Is 19.18). O salmista descreve a extensão do domínio de Cristo: "Ele julgará ao teu povo com justiça [...] Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra [...] E todos os reis se prostrarão perante ele; todas as nações o servirão" (Sl 72.2, 8, 11). A resposta, assim, diz respeito às cerimônias que obscureciam a verdade e não permitiam aos homens uma visualizar cristalino, pois viviam nas sombras, conforme lemos: "Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam" (Hb 10.1).

A Bíblia nos diz que a Lei de Deus não foi capaz de transformar coisa alguma na vida dos crentes veterotestamentários: "Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou" (Hb 7.19). Devido a este fato é que o Senhor teve por bem, já antes da fundação do mundo, introduzir, a Seu tempo, uma melhor esperança: "(Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus" (Hb 7.19 - grifo meu). A Lei e suas respectivas ordenanças com relação ao culto, à manutenção do templo e toda sorte de legislações, impedia os homens de olharem com nitidez para o Cristo que viria.

Esta obscuridade no Antigo Testamento é frequentemente chamada de "Infância da Igreja", no qual o Senhor se utilizava das mais variados modos para ensinar o Seu povo, como na questão de lhes prescrever instrumentos para as cerimônias, o que hoje compreendemos não ser mais adequado e, portanto, proibido à luz do evangelho, uma vez que torna a colocar novamente o véu sobre os homens. [1]

Também notamos como frequentemente a Escritura se utiliza da expressão "estar debaixo da Lei", em contraposição a estar em Cristo (Gl 4.3-5). Ora, é verdadeiro que a antiga dispensação cerimonial era gloriosa, bastando olhar para o que escreve o apóstolo à igreja em Corinto: "E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, Como não será de maior glória o ministério do Espírito?" (2Co 3.7-8). Não obstante, o ministério do Espírito é de sobremaneira mais excelente! "Porque, se o que era transitório foi para glória, muito mais é em glória o que permanece. Tendo, pois, tal esperança, usamos de muita ousadia no falar. E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório. Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do velho testamento, o qual foi por Cristo abolido; E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará" (2Co 3.11-16).

Observemos como a Escritura revela que concernente aos homens, durante o Antigo Testamento "os seus sentidos foram endurecidos", de modo que não compreendiam com excelsa glória o Cristo que viria. Não que eles não esperassem o Messias, pois ele já fora predito desde a Queda (Gn 3.15), mas que não viviam a plenitude que era Cristo Jesus. Novamente recorremos a Isaías, o qual registra: "E o Senhor dos Exércitos dará neste monte a todos os povos uma festa com animais gordos, uma festa de vinhos velhos, com tutanos gordos, e com vinhos velhos, bem purificados. E destruirá neste monte a face da cobertura, com que todos os povos andam cobertos, e o véu com que todas as nações se cobrem. Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor DEUS as lágrimas de todos os rostos, e tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra; porque o SENHOR o disse" (Is 25.6-8 - grifo meu).

Este retirar do véu, portanto, foi a revelação dada pelo Espírito aos "santos apóstolos e profetas", o qual descortinou àqueles santos a beleza, glória e graça que também iriam rumar aos gentios. Pela graça soberana do Senhor, tiveram o prazer de serem predestinados para a geração que veria a grande luz e a todos iluminaria. Agora eles compreendiam não somente a realidade, aquilo para o qual a Lei sempre apontou - que é Cristo (Lc 24.44) -, mas, sim, com mais graça entenderam como Deus se revelaria aos gentios. Se outrora não conseguiam identificar como os gentios seriam participantes da graça do Eterno (pois estes eram incircuncisos e sem Deus no mundo, conforme Ef 2.11-12), agora pela obra sacrificial do Filho, tiveram o véu retirado e puderam olhar para a realidade, contemplando a Cristo e vendo que Deus não expandiria um reino judaizante por todo o mundo, e sim a palavra do evangelho que não consiste em ordenanças escravizantes, porque "Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz" (Ef 2.15). Assim como Jó, agora eles viam plenamente: "Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos" (Jó 42.5).

Deste entendimento, isto é, de que agora os arautos do Senhor compreenderam como se daria este divulgar maciço da palavra de Deus, podemos aprender duas lições de bendito saber: 1. Aprendamos a sustentar um constante espírito de confiança; 2. Crer que o homem só pode conhecer o que lhe é revelado; 3. Crer que o Senhor distribui os dons segundo Sua vontade.

1. Aprendamos a sustentar um constante espírito de confiança - "O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens".

A Palavra de Deus nos ensina: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho" (Hb 11.1-2). Ela nos diz que todos estes antigos são como que "uma tão grande nuvem de testemunhas" (Hb 12.1), de modo que compreendemos a necessidade de sustentarmos, tal qual eles fizeram, um espírito inabalável. Todos os santos do Antigo Testamento morreram sem ver a Cristo e a pregação aos gentios se concretizar: "Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas" (Hb 11.13a). Todavia, creram firmemente nas promessas: "mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (Hb 11.13b).

Amados irmãos, é necessário rogar ao Senhor um espírito de confiança em Deus. Não um espírito taciturno, mas bendito, santo e alegre, como temos registrado: "Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas de paz" (Pv 3.17). A confiança em Deus jamais deve vir em forma de melancolia, "pois aos retos convém o louvor" (Sl 33.1). Confiar no Senhor e crer em Suas promessas, em nada é semelhante a um animal acuado no fim de sua toca, esperando a morte o cercar - não é esta a figura cristã usada para o caminhar com Deus. A confiança no Senhor é assim retratada: "Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?" (Mt 6.28-30).

Confiar no Senhor e aguardar pelo Seu momento em agir, tal qual o apóstolo escreve, não deve ser comparado com uma espera enfadonha. A esperança do cristão é ativa e confiante no Senhor - "vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (Hb 11.13b). Observemos o modo usado para a confiança nas promessas de Deus: "abraçando-as". Não é simplesmente um conceito, uma ideia geral de que "Deus proverá", mas um "firme fundamento" na Palavra de Deus.

Durante quais milhares de anos o povo de Deus aguardou ansiosamente pelo Messias e o ver claramente a glória do Unigênito do Pai? Acaso já meditamos, por exemplo, na vida de Noé? "Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé" (Hb 11.7). Nos tempos daquele santo, ele era o único justo em toda a terra e mesmo assim ele creu! Portanto, quando agirmos com menor intensidade, vemos o quão enganoso é o pecado, o qual constantemente nos leva a crer que nossa confiança pode ser menor do que a requerida pela Escritura.

2. Crer que o homem só pode conhecer o que lhe é revelado - "como agora tem sido revelado pelo Espírito".

A Escritura nos diz que o Senhor possui um santo deleite em não se utilizar de qualquer coisa que o homem julgue ter em si mesmo, porque ao homem natural o evangelho é desprezível: "Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus" (1Co 1.18). Desta forma, ele utiliza o próprio evangelho, através do Espírito Santo, para mostrar Sua Verdade: "Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes" (1Co 1.27). Entretanto, por que o homem sem Deus não consegue captar a mensagem do evangelho? "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1Co 2.14).

Por isto, foi do agrado do Senhor em revelar a Cristo Jesus mediante o Espírito Santo. Cristo, ainda que em carne e habitando no meio do povo, pela maioria não era reconhecido como Filho de Deus. Esta grandiosa cegueira inerente era somente curada quando o Espírito Santo tornava os homens em nova criatura e os fazia "nascer de novo" (Jo 3.7). Não fosse o Espírito Santo que a todos ensina e ilumina, ninguém teria se dobrado as pés do Filho e a Ele se submetido. Isto nos ensina que é grande pecado, conforme vimos anteriormente, buscar revelações extras de Deus. O eterno e sapientíssimo Senhor sabe de modo inequívoco o que precisamos ler e aplicar em nossas vidas, de maneira que nos é, tal qual prefigurado na proibição de se consultar os mortos (Êx 22.18; Lv 20.27; Dt 18.19-22; Is 47.13), igualmente proibido seguir filosofias de homens mundanos, pois os tais, isto é, os ímpios, são comparados a mortos - "deixa os mortos sepultar os seus mortos" (Mt 8.22).

Os cristãos não devem e não podem desejar qualquer outra coisa, exceto Cristo. É precioso o lembrete de que o Espírito Santo de Deus é, no mistério da trindade, procedente do Pai e do Filho, aquele consolador prometido: "quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim" (Jo 15.26). Desta forma, seguramente pode afirmar que jamais o Espírito Santo levará qualquer crente a realizar atos bizarros e que envergonham o nome de Cristo; jamais ensinará doutrinas estranhas com respeito à Lei do Senhor, pois ela é o próprio Cristo (Lc 24.44); e jamais ordenará que algo das Escrituras seja pervertido sob suposta "revelação".

3. Crer que o Senhor distribui os dons segundo Sua vontade - "aos seus santos apóstolos e profetas".

A Palavra nos diz que nem todos, na antiga dispensação da graça - o Antigo Testamento -, recebiam o Espírito Santo de maneira idêntica. Ela nos diz que todos os dons possuem uma finalidade comum: "Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja" (1Co 14.12 - grifo meu). Nem todos recebem os mesmos dons e, em verdade, lemos sobre como o Senhor castigava os que cobiçam os dons alheios dados pelo Senhor: "E a terra abriu a sua boca, e os tragou com Coré, quando morreu aquele grupo; quando o fogo consumiu duzentos e cinqüenta homens, os quais serviram de advertência" (Nm 26.10-11).

O Senhor demonstra o que ocorreu a Coré e todo o seu grupo devido à desobediência ao Senhor. No capítulo 16 é narrado que Coré e mais "duzentos e cinqüenta homens dos filhos de Israel, príncipes da congregação" (Nm 16.2), se indignaram com o fato de somente alguns homens escolhidos poderem oferecer incenso ao Senhor - "E se congregaram contra Moisés e contra Arão, e lhes disseram: Basta-vos, pois que toda a congregação é santa, todos são santos, e o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação do Senhor?" (Nm 16.3). Criam, em plena ignorância, que se todo o povo era do Senhor, então todos detinham os mesmos "direitos" - mal sabendo que ofício de profeta do Senhor, antes de ser um "direito", era um grandioso "dever". A penalidade para tal atitude foi a morte para todos eles. Todos aqueles homens morreram devido ao seu pecado e a vida e morte dos tais, nos diz a Palavra, "serviram de advertência".

Aprendemos, assim, a cumprir, pela graça e vida de Cristo, o décimo mandamento: "Não cobiçarás [...] coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17), porque a raiz da cobiça é a ingratidão. Toda vez que olhamos para algum santo e notável homem de Deus, desejando ter os dons a eles distribuídos e subjetivamente reclamando dos que recebemos, então é genuíno o veredicto de que não estamos olhando para Cristo. Como a serpente levantada no deserto - que era uma prefiguração de Cristo -, devemos olhar para Ele: "será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela" (Nm 21.8). Quando não olhamos para o Filho, fazemos como a mulher de Ló: "E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal" (Gn 19.26).

Que o Senhor nos ajude, segundo Suas misericórdias que se renovam a cada manhã (Lm 3.22-23), a sustermos um espírito sempre confiante no Senhor - "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se" (2Pe 3.9). Que possamos ser levado a uma confiança bendita na Sua santa e eterna palavra, a qual não pode falar. E que, igualmente, creiamos na boa disposição dos dons para Sua Igreja, "No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor" (Ef 2.21)

Nota:
[1] Leia este importante estudo sobre a música na igreja - clique aqui.

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