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Efésios 3.4 - Lendo Corretamente a Escritura - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 01.09.2013


Efésios 3.4 - Lendo Corretamente a Escritura
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 01.09.2013

Veja a pregação em vídeo, realizada na Igreja Cristã Reformada de Blumenau.
Link: http://www.youtube.com/watch?v=jOnmLUGol6Q&feature=c4-overview&list=UUspIjAquXPCcC8H8lM3F4uA

"Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo" (Ef 3.4).

Nosso texto de hoje possui íntima ligação com o versículo seguinte, o qual expressa: "O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas" (Ef 3.5). Devemos lembrar, como vimos anteriormente, que, originalmente, a Escritura não fora dividida em capítulos e versículos, de modo que usamos estas divisões simplesmente por facilitar a localização. Por isso, ninguém deve ler a Bíblia Sagrada como se fosse o intento de Deus nos deixar "fragmentos" ou versículos isolados, afinal, tal qual como costumeiramente encontramos em livros, a leitura deve ser completa e una, a fim de não entendermos erroneamente a mensagem registrada.

O apóstolo do Senhor registra para os crentes em Éfeso que ao lerem a presente carta, poderiam compreender que nela havia abundante conhecimento do mistério de Cristo. Vimos sobre este mistério em Ef 1.9, quando Paulo assevera que Deus teve por bem revelar as coisas que permaneceram ocultas nos tempos pretéritos. Este entendimento das coisas do Reino só poderia advir de uma grande revelação recebida por Paulo, conforme ele mesmo já testificou (Ef 1.17).

Há que se entender corretamente, porém, um precioso detalhe, a saber, qual é o mistério que devemos conhecer: "do mistério de Cristo". Tal mistério não diz respeito há algo indecifrável, e sim à revelação de Deus, que é o próprio Cristo. Paulo registra que ao lerem sua carta, os cristãos poderiam perceber que nela havia grande conhecimento da pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus e Salvador de todos os eleitos. Aqueles cristãos teriam uma carta repleta de abundante sabedoria vinda de Deus, a qual explicitava a pessoa de Cristo e tudo que Ele fizera pelos judeus e gentios, de forma que os gentios não deveriam a ler como sendo palavras de homens, mas, sim, buscando encontrar o Cristo nela contida.

Este precioso versículo precisa nos ensinar três coisas de vital importância: 1. Devemos ler a Escritura; 2. Devemos perceber algo divino; 3. A quem buscamos compreender.

1. Devemos ler a Escritura - "Por isso, quando ledes"

Amados irmãos, frequentemente temos visto como a leitura da Palavra de Deus tem sido negligenciada pelos cristãos. Muitíssimos têm preferido revelações além do que a Palavra prescreve. Encarando os fatos de modo sincero, podemos dizer que todo aquele que não se satisfaz com o que o Senhor nos deixou legado, ainda não amou a Cristo com completa inteireza de coração. Buscar uma revelação além da Escritura é ultrajar a Deus e afirmar que Ele nos deixou um conhecimento incompleto, de maneira que precisamos, supostamente, ir a homens para obter uma maior graça. Certamente que não estamos a invalidar os ensinamentos e dons que o Senhor distribuiu aos cristãos, como no caso de mestres e presbíteros, os quais "velam por vossas almas" (Hb 13.17). Jamais podemos, entretanto, advogar novas revelações aos homens no que tange à administração da Palavra e em matéria de salvação, pois firmemente lemos que só é lícito praticar e ordenar as coisas prescritas (Dt 12.32). Reforçamos, ainda, que o Espírito Santo é livre para agir da maneira como lhe convém (Jo 3.8), de maneira que não estamos afirmando que o Ele não mais age em nosso meio; pelo contrário, afirmamos que Ele está firmemente presente em Sua Igreja e é plenamente ativo, se limitando, apenas, a agir de acordo com o que foi revelado em Sua Palavra, isto é, porque o Senhor não pode mentir e nem se contradizer (Tg 1.17), jamais agirá contrariamente ao que nos deixou para o ensino (2Tm 3.16-17).

As consequências de não se conhecer a Bíblia são graves e os homens constantemente a distorcem por não a conhecerem. O Senhor afirma que o desconhecimento de Sua Palavra é a causa de entendimentos errôneos. Por exemplo, quando o Mestre foi inquirido acerca de quem estaria eternamente unido com a viúva que se casou com seus cunhados, respondeu aos saduceus, os quais não criam na ressurreição (Mt 22.23): "Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus" (Mt 22.29). Noutro lugar, afirmou sobre a acusação de Seus discípulos não lavarem as mãos antes das refeições (Mt 15.2), demonstrando cristalinamente que a adoração daqueles escribas e fariseus (Mt 15.1) era falsa e não recebida por Deus: "Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens" (Mt 15.8-9).

Observemos como o Senhor usa de uma expressão precisa para aqueles que com sua boca o professam, mas na realidade sequer o conhecem: "em vão me adoram". A palavra traduzida por "vão" é deveras incisiva, significando uma ideia através da tentativa de manipulação, ou seja, uma busca sem sucesso, ou então de punição. O que Cristo diz é que se alguém se achega a Ele simplesmente dizendo fazer parte de Sua família, quando não possui o correto conhecimento de Deus, pois o "seu coração está longe de mim", acaba por adorar sem qualquer sucesso em ter acesso a Deus, pois o que estão a realizar "são preceitos dos homens".

Tal ensinamento deve nos levar à reflexão se o que temos pensado acerca de Deus e de tudo o que foi criado, é de fato vindo da Palavra de Deus. Noutras palavras, devemos olhar para nossos pressupostos internos e refletir sobre como temos encarado o mundo, a fim de verificar se estamos como que olhando com as lentes de Deus. Isto foi dito pelo apóstolo, quando afirmou: "nós temos a mente de Cristo" (1Co 2.16).

Como alguns professos da fé cristã podem afirmar ter a mente de Cristo, ou seja, enxergarem o mundo e nele viverem como o próprio Cristo, se os tais não meditam dia e noite nas Escrituras (Sl 1.2)? Para agravar ainda mais a situação destes miseráveis homens, quando afirmam ser cristãos, mas não leem a Escritura e sequer se deleitam na Lei de Deus, acabam por ferir o terceiro mandamento: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão" (Êx 20.7). Tal mandamento possui, dentre outras nuances, o condão de levar os homens a não professarem terem o Senhor como seu Salvador, se assim não vivem; também faz com que os homens refreiem suas atitudes, afinal, carregam o bom nome de Cristo consigo - "vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas" (Pv 22.1).

A única maneira de entendermos a vida cristã será mediante a firme leitura. Poderíamos exemplificar com a falsa noção de céu que por vezes acabamos nutrindo. Ora, no que consiste o céu? Quer dizer, o que haverá no céu de mais excelso? Não há qualquer erro em dizer que ele será um lugar de bem aventuranças eternas, onde "Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor" (Ap 21.4). Todavia, notemos qual o fundamento da vida eterna: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17.3). A exclusão das lágrimas, choro e dores, não é o a essência do céu; a essência será o conhecer o único e verdadeiro Deus, de maneira infinitamente mais bela e perfeita do que o podemos conhecer nesta terra!

2. Devemos perceber algo divino - "podeis perceber"

Quando lemos a Escritura é preciso ter um senso do que estamos lendo. A expressão bíblica "podeis perceber", poder-se-ia se traduzir, para nós, em forma de pergunta: o que temos percebido? Ou: temos percebido que ela transcende a humanidade? Ao abrirmos a Escritura, buscamos enxergar algo além da casca da letra? Quando lemos o pentateuco, isto é, os cinco primeiros livros da Bíblia, o "compêndio da Lei de Deus", enxergamos a bondade, beleza, suavidade e misericórdia de Deus em Jesus Cristo? Quando lemos os provérbios escritos por Salomão, entendemos que a sabedoria é como que o próprio Cristo personificado?

Como cristãos, é necessário averiguar o que diz a Escritura: "podeis perceber". O tempo da sentença não diz respeito a "poderão" ou "poderiam", mas, sim, "podeis". Compreender a divindade das palavras registradas (2Tm 3.16-17) é algo possível e deve ser buscado por todos os filhos do Senhor. Em nossa responsabilidade, devemos rogar ao Senhor para que nos agracie com o correto entendimento de Sua Palavra, pois quantas são as vezes que nos achegamos à Escritura de modo leviano, displicente, sem praticarmos o nosso culto racional (Rm 12.1), isto é, com entendimento do que estamos realizando?

Precisamos ler a Escritura e termos nossos corações impactados. A leitura bíblica individual deve transformar a vida interior e as atitudes exteriores. Quando isto acontece, não raro é fruto de nossa má compreensão sobre a que as palavras de Deus são a verdadeira comida e bebida. A necessidade imperiosa é buscarmos ler Escritura de modo a poder a manejar corretamente. Porque vivemos em uma época de facilidades e automatismos, lamentavelmente transpomos este conceito para a vida de cristã, como se a leitura bíblica, por si só, como um dever, fosse trazer todos os benefícios do Espírito Santo.

3. A quem buscamos compreender - "a minha compreensão do mistério de Cristo"

Devemos buscar somente a Cristo. Ele é o princípio e o fim. A Escritura sem Cristo não possui valor: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" (Jo 5.39 - grifo meu). Se não buscamos encontrar Cristo em cada pormenor da revelação de Deus, então estamos a lendo somente para proveito egoísta, como se fora uma livro de agradáveis pensamentos e norteador de boas ações. Se Cristo não estiver não estiver em preeminência em nossa vida cristã e em especial quando lemos a Palavra, então há de muito errado conosco.

É mister recordar que Ele é a fonte da água da vida: "aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna" (Jo 4.14). Não homem que vá com sede à Palavra e retorne dela sem ter sido saciado. Não obstante esta realidade, devido ao pecado, inúmeras vezes os cristãos se dirigem à Escritura e em vez de voltarem "com alegria, trazendo consigo os seus molhos" (Sl 126.6), não se visualizam qualquer mudança em suas mentes e corações. Isto acontece porque não a lemos de maneira convicta e olhando para o trono da graça. Somos ávidos por Suas bênçãos, mas não desejamos Suas admoestações; cremos em Seu poder salvífico, mas não em sua santificação; O louvamos pelo poder criador, mas nos esquecemos da mão sustentadora.

Não fosse Cristo, nada existiria, pois a Escritura também atribui a criação ao Filho: "Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez" (Jo 1.3). Tão grandiosa é a obra de Cristo, que o Reino é comparado ao mais excelente tesouro: "Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo" (Mt 13.44). Anotemos a importância de vender tudo o que se tem, para comprar o preciso campo - assim devemos ir até a Escritura, deixando, como o homem que fora curado e que abandonou a sua capa que o impedia de correr (Mc 10.50), todo o embaraço e passando a procurar por Cristo Jesus, porque temos a promessa: "E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração" (Jr 29.13).

Se formos para a Escritura buscando encontrar qualquer coisa que não seja Cristo (moralidade, civilidade, bons costumes, preceitos, conselhos, narrativas interessantes), então estamos errando em nosso o alvo. Devemos fazer como prescreve a Palavra de Deus: "prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus" (Fp 3.12).

Sejamos agraciados, segundo a boa medida com que o Senhor intenta nos abençoar, a buscarmos ao Senhor somente em Sua palavra, de maneira que possamos nos achegar ao Criador e Soberano, e dizer: "Senhor, bom é estarmos aqui" (Mt 17.4).

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