"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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domingo, 25 de julho de 2010

Ministérios: as muletas da igreja

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Lembro-me da aula onde o professor Valmir nos disse: "Os ministérios são as muletas da igreja". Fantástico! Guardei-a comigo! A frase foi extremamente redundante para nossos dias.
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Diante de uma gama imensa de igrejas/comunidades espalhadas por este Brasil e mundo afora, vemos que em sua maioria, todas se esforçam para ter o maior número de ministérios possíveis. É ministério de crianças, ministério de evangelismo, ministério de abrir a igreja (acredite, existe!), ministério de ligar as luzes, ministério de arrumar as cadeiras, ministério de encher a água do batistério, a lista não tem fim e a criatividade ultrapassa muitos limites.

Em Marcos 16.15, lemos: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." Este ide é o que chamamos de A Grande Comissão da Igreja. O grande e central ministério da igreja é pregar as boas novas de Cristo ao mundo e apresentar-lhe a salvação em Cristo Jesus. O ide é a mensagem central da bíblia para nós cristãos. Esta pequena palavra resume o verdadeiro ministério cristão.

Porém, o que aparenta, é que alguns acham que não basta apenas o ide, é necessário (dizem eles) criarmos mais ministérios dentro da igreja, pois as pessoas precisam estar envolvidas! Precisam ter alguma coisa para fazer dentro da comunidade, caso contrário, sairão e procurarão outro lugar onde possam trabalhar e exercer seus dons e ministérios. E eu concordo com tal afirmação. Creio firmemente que as pessoas precisem estar engajadas em algum serviço em prol do reino de Deus na Terra; porém, acho que devemos tratar com muito cuidado essa questão de ministérios.

A situação da igreja atual, nos mostra um quadro onde os ministérios criados dentro da comunidade, em vez de serem úteis para servirem ao reino de Deus, muitas vezes são usados como artifício para que as pessoas permaneçam dentro da comunidade. Dizem eles, "vamos dar um ministério a fulano de tal, porque aí ele se sente útil, não sai da igreja e não deixa de contribuir financeiramente." Ora, amados, é de ficarmos espantados com que grande petulância tais pessoas fazem isso! Devemos concordar que esta é uma atitude assás errada e que deve ser corrigida dentro da vida eclesiástica.

Ministérios não devem servir para segurar ninguém na igreja; não devem servir para aumentar a fé do crentes; não devem servir para entreter as pessoas dentro da igreja. Muitas comunidades tem criado diversos ministérios, pois ao olharem para dentro de si, vêem que estão em estado terminal e já não sabem mais o que fazer para se erguerem; os ministérios então, se tornam a muleta que permite (aparentemente) que a igreja ande a passos de doente rumo a um futuro melhor.

A vida do cristão deve estar centrada na palavra de Deus; esse é o seu ministério! Há algo mais estranho e desconfortável do que dizer que "30% de nossa igreja participa do ministério de evangelismo"? Ora, não seriam todos os crentes responsáveis pela evangelização? Por que criar um ministério de evangelismo sendo que esse é dever de cada crente? A muleta então toma novamente o seu lugar e faz com que o resto da comunidade que não participa do "ministério de evangelismo" se sinta à vontade, afinal, "ela não participa do ministério de evangelismo".

Sei que todos nós fomos chamados para trabalhar e testemunhar sobre a importância da palavra de Deus. Vemos que há pessoas que tem facilidade para compartilhar do evangelho. Outros uma enorme facilidade para ensinar. Ainda outros, a notável capacidade de animar e fortalecer o abatido (embora isso seja dever de todo cristão). Tais coisas são notáveis - dado à graça de Deus - e precisam ser aplicadas. Contudo, isso não autoriza a Igreja há sectarizar a comunidade e começar a dividi-la em pedaços como se isso fosse aumentar o fervor dos crentes ali inseridos. Os ministérios, quando muito, devem servir para organizar a vida da comunidade e facilitar algumas coisas que dizem respeito à atuação da igreja em seu contexto; porém, jamais deve ser aquilo que faz com que os crentes permaneçam fiéis e devotos a Cristo.

Mais do que nunca, urge a grande necessidade de restaurarmos o verdadeiro ministério cristão. Ministério esse que não é voltado para aquilo que as pessoas querem ou desejam, mas para aquilo que Deus já nos ordenou para que fizéssemos. Com isso, não defendo uma igreja sem ministérios ou sem nenhuma área onde os crentes possam realizar algum tipo de trabalho, mas sim, que entendamos o que de fato é um ministério; porque ao que me parece, ministério esta sendo confundido com muleta.

Que Deus nos ilumine!

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3 comentários :

  1. Rapaz. Se tirar os 'ministérios organizados hierarquizados' dos crentes, é pouco provável que sobre alguém na 'igreja'. Infelismente, é como é.

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  2. Filipe, estou acompanhando seu blog... em breve o indicarei nas minhas "anotações virtuais".

    Soli Deo Gloria

    ResponderExcluir

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