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A importância da liberdade entre os cônjuges


Noutro pequeno artigo, já tivemos a oportunidade de falar sobre a importância da sinceridade e transparência entre os cônjuges (clique aqui para ler), mas precisamos ir além e expormos a necessidade de os cônjuges terem a liberdade para tratarem dos mais variados assuntos e isso com naturalidade.

Para não ser superficial, trarei alguns pequenos exemplos de meu casamento, buscando ajudar o leitor a compreender que a realidade pode, com a graça de Deus, ser bem diferente do que muitas vezes é.

Pela bondade e misericórdia de Deus, casei com uma esposa muito linda :) e isto significa que eu gosto de quem e como ela é. Sim, eu escolhi casar com quem preenchesse certas "preferências" e nisto não há mal algum (não é o essencial, todavia, tem importância - vide os inúmeros exemplos bíblicos). Minha esposa, portanto, segundo meus desejos, é magra, branca e loira. Sendo assim, sempre procurei dizer a ela (com muito amor e delicadeza) que não gostaria de que ela fosse gorda (não usarei eufemismos, ok?), mas se algo acontecesse, continuaria a amando - mas mesmo assim, não gostaria que se tornasse gorda.

Agora, pela magnífica graça de Deus, minha esposa está grávida e como em toda a gravidez, ela tende a engordar um pouco, de modo que eu possuo a liberdade de dizer a ela quando está comendo "demais" e quando acho, apenas acho, que não deve comer determinada coisa/quantidade. Pelo amor de Deus por nós, até aqui tem dado tudo certo.

De minha esposa para comigo funciona da mesma forma. Tendo em vista que estou correndo e me exercitando mais do que fazia, ela diz que "não quer um marido magrelo". Evidente que assim como eu, fala em tom gentil - mas em verdade. Embora hoje esteja mais magro, já estive mais "pesado" e ela também conversava sobre isso.

Noutro tom, como toda mulher, minha esposa corta o cabelo, faz as unhas e outras coisas inerentes ao ser feminino. Acontece, porém, que existem certos tipos/comprimento de cabelo que eu realmente não aprecio e ela sabe disso. Isto se traduz, então, que antes de ir ao cabeleireiro, ela me pergunta sobre se eu iria gostar se ela cortasse o cabelo da forma "x" ou "y" e se eu apreciaria a cor do esmalte usado, por exemplo - tudo visando o bem comum.

Dela para comigo, houve um tempo em que eu deixei a barba crescer por uns 10 meses e o resultado não agradou minha esposa (na maioria das vezes). Ela me dizia, então, que não gostava de minha barba comprida e que se fosse possível eu deveria cortar. Por fim, cortei.

Falei destas breves coisas para demonstrar que o casal precisa (sim, precisa - não é uma opção) ter a liberdade de conversar sobre os mais variados assuntos. Por que esconder desejos e preferências para o cônjuge? Por que eu não poderia dizer à minha esposa que a prefiro loira, em vez de ruiva, e magra, em vez de gorda? Por que ela não pode ter a liberdade de dizer que me deseja "não tão magrelo"? Por que muitos casais não tem essas e outras liberdades? Por que tanto "mimimi"?!

As Escrituras são claras em dizer que a união matrimonial deve ser uma demonstração do firme e indissolúvel laço entre Cristo e sua Igreja: "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" (Ef 5.25). Assim, não é sem motivo que o apóstolo tenha escrito: "A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher" (1Co 7.4).

Não há sombra de dúvidas, portanto, de que se no casamento entre cristãos não está havendo liberdade para falar sobre os mais variados assuntos (preferências corporais, estéticas, culinárias, sexuais...), algo está muito errado, pois os cônjuges já não são mais dois, e sim um - "e serão dois numa carne" (Ef 5.31). Se são um, devem conversar, dialogar e não esconder coisa alguma do outro, de maneira que possam, com a graça de Deus, demonstrar a poderosa, perfeita e saudável união de Cristo com Sua Igreja.

Que o Senhor nos abençoe e conceda casamentos graciosos a todos os Seus filhos! "Quão formosa, e quão aprazível és, ó amor em delícias!" (Ct 7.6).

*minha esposa leu este texto e teve a liberdade de fazer críticas e sugestões;
**não pense, querido leitor, nem por um minuto, que somos um casal perfeito - longe de nós qualquer pretensão de passar esta imagem!

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