"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Carta ao Durvalino - um solteiro que reclama de seu amigo que casou


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Olá, Durvalino.

Desculpe-me pelo "tom" da carta e por sua brevidade, mas às vezes precisamos ser um pouco mais incisivos, a fim de que não permitir brechas ou condolências desnecessárias.

Amado, tenho visto que você reclama constantemente do Rivaldo, seu amigo que recentemente se casou. Em muitas ocasiões, pelo que fiquei sabendo, você tem andado chateado e cabisbaixo, pois, conforme li em seu próprio e-mail enviado a mim, "ele já não é aquele amigo para todo momento, não tem mais tempo para conversarmos...". Você também tem ficado bravo, muitas vezes, porque ele "tem que ficar" - expressão maldita, não a use mais - com a esposa.

Durval, permita-me lhe chamar assim, seu amigo Rivaldo está agindo perfeitamente. Ele, na verdade, não é mais solteiro e você precisa, urgentemente, compreender isso. Ele não pode e não deve continuar dando toda a atenção que anteriormente vocês tinham como melhores amigos. Agora ele é casado, tem esposa e precisa dedicar todo o tempo possível para ela - "o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher" (1Co 7.33). Certamente que Paulo não está dizendo que cuidar da esposa é cuidar do pecado, como se "mundo", aqui, tivesse essa conotação.

Você terá de achar, caso queira,  outro companheiro para sempre se reportar. Lembram dos jogos de futebol juntos? Esqueça, Rivaldo é agora casado e muitas vezes terá de abdicar dos jogos. Recorda daquelas caminhadas e trilhas pelo mato? Esqueça, também, pois seu amigo agora precisa cuidar e amar sua esposa - eventualmente ele irá, mas não conte mais com isso. Talvez você se lembre de como visitava a casa dele (na época, dos pais dele) e ficavam um final de semana todo juntos, certo? Igualmente, cesse com essa prática - você poderá visitá-lo e também, quando muito necessário, dormir na casa dele; mas lembre que agora, a casa dele, pertence a ele e sua mulher.

Sim, já sei o que você está pensando: que a Bíblia diz que há o amigo mais chegado que o irmão (Pv 18.24) e que é melhor andar em dois do que a sós (Ec 4.10). Mas é também verdade, Durval, que a Escritura afirma: "deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2.24; Mt 19.5; Mc 10.7; Ef 5.31). Seu amigo agora é um com a esposa dele, não contigo.

Note que é preciso que você compreenda qual seu papel como solteiro. Você não é solteiro para ficar saindo sem ter qualquer regra ou para gastar todo seu dinheiro quando e como quiser. Absolutamente não! Espero que nenhuma dessas ideias esteja em sua mente, porque estas ideias são vindas do diabo. Olhe o que Paulo diz, antes de ele escrever sobre os casados: "O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor" (1Co 7.32).

Como solteiro, seu papel é de buscar realizar as coisas do Senhor. Sim, sei que comumente os solteiros ficam um pouco "assim" quando seus amigos casam, pois parecem perdê-los. Mas lembre-se que há outros solteiros em sua igreja - busque uma maior amizade com estes.

Falando em igreja, certamente há muito trabalho na sua para fazer e, me dê esta liberdade de dizer: é você quem deve ser o primeiro a chegar e o último sair. Você, como solteiro, deveria sempre ajudar a limpar as cadeiras e as colocar no lugar depois do culto. Por que deixar todo o trabalho para os já casados? Por que isso, meu amado? Por que tenho lhe visto poucas vezes "pegando no batente" nos momentos necessários? Aliás, por que é que você ainda não começou a comprar livros, estudar firmemente a teologia bíblica e não cessou com suas fantasias de menino? Dir-me-ás que desejas ainda aprender a voar?

Você é solteiro e precisa compreender que seu papel é o de ser o mais ativo possível em sua igreja e família. Permita-me lhe perguntar ainda: por que seu pai é quem sempre tem que cortar a grama e quando pede sua ajuda, sua mãe se lembra das dores de parto, tamanha é a dificuldade para conseguir "seu favor"? Por que seu pai é quem faz os serviços pesados enquanto você fica horas e horas no computador? Como você dorme em paz, sabendo que sua mãe está com dores nas costas por ter esfregado o chão enquanto você assistia a seu programa favorito? Como pode ser que você tem se recusado a cuidar de sua irmã mais nova, quando ela precisa de um homem protetor ao seu lado?

Receio que não somente você esteja entendendo errado sua amizade com o Rivaldo, agora já casado, mas, igualmente, ainda não compreendestes o que é um verdadeiro homem.

Querendo, me escreva de volta.

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