"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quarta-feira, 28 de março de 2012

Efésios 1.5 (parte 1) - Predestinação - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 25.03.2012


Efésios 1.5 (parte 1) - Predestinação
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 25.03.2012

"E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Ef 1.5).

Temos visto como o Senhor se mostrou de forma graciosa ao apóstolo Paulo, dando-lhe uma mudança de comportamento totalmente contrária àquela em que vivia em tempos pretéritos, mas não somente isso, vimos anteriormente como o Altíssimo havia eleito os crentes de Éfeso antes mesmo da fundação do mundo, de modo que tudo o que recebiam era fruto da grandiosa e maravilhosa graça de Deus. Agora, portanto, importa-nos notar sobre de que forma se dá a eleição na vida do cristão, isto é, se o verdadeiro crente é um eleito pelo Senhor, como entender as nuances que nos perpassam durante nossa vida? Tendo em vista que a eleição procede de Deus, é sustentada por Ele e redunda em glórias ao Seu trono, de que forma podemos analisar nossos feitos do presente e do passado e [tentar] entender como elas nos levam a Cristo? Para respondermos essas e outras perguntas, precisamos, primeiramente, fazer a distinção entre eleição e predestinação.

"E nos predestinou". A eleição é ato pelo qual o Senhor elege os seus filhos para a salvação eterna, por meio de Sua graça inefável e inalcançável pelo homem vil e pecador - aqui, se fazer necessário sempre recordar do versículo anterior que lemos, pois pontuamos que a eleição se deu "antes da fundação do mundo" e, por isso, o entendimento de que foi realizada até mesmo antes de qualquer um de nós ter feito alguma obra boa ou má. Sendo, pois, a eleição fruto do decreto bíblico de Deus, é preciso que de algum modo ela seja concretizada na vida dos Seus escolhidos, daí entendermos que a predestinação é o meio pelo qual Deus executa Sua eleição eterna, isto é, tendo uma vez eleito os Seus filhos, passou a predestinar como deveriam viver e por quais percalços terrenos deveriam passar, de forma "que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28).

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1.3). Quando já previamente analisamos essa sentença, visualizamos que nossas bênçãos não estão em lugares acessíveis, isto é, não há homem que consiga perscrutar a mente divina e entender os porquês de tudo o que acontece na terra, e, tendo também em vista que as bênçãos são de matéria espiritual (mas que muitíssimas vezes se demonstram de forma natural), é necessário que os homens compreendam que por diversas vezes se verão perplexos em meio à certas circunstâncias da vida, no entanto, sempre podendo confiar no Senhor e rogando para que Seu poder seja manifesto em suas vidas.

Na vida de Paulo, notamos como o Senhor havia-o preparado e o guiado conforme Sua eleição:

Em primeiro lugar, Deus havia-o preparado no estudo de Sua Lei e o havia feito crescer aos pés dos melhores mestres judeus e dos mais notáveis sábios daquele tempo, tudo para que quando chegasse o tempo de se tornar aquilo que deveria ser (isto é, ser cristão), pudesse (o apóstolo) se utilizar dos ensinamentos pretéritos e então ser um meio de graça para o restante dos judeus e também dos gentios. Em segundo lugar, tendo em vista que foi do agrado do Senhor elegê-lo também "antes da fundação do mundo", assim como os crentes de Éfeso, concluímos que todas as coisas que lhe ocorreram, desde as mais trágicas até as que lhe trouxeram maior regozijo, estavam se realizando segundo a boa vontade do Senhor, pois era de Seu agrado e por meio de Sua determinação que Paulo havia vivido tantos anos impenitente e perseguidor dos seguidores do Caminho. Em terceiro lugar, conforme já vimos, ainda que todas as coisas tenham se dado conforme o intento do Artífice da criação, Paulo pecou enquanto permaneceu contrário ao evangelho e por isso teve de carregar durante o restante de sua vida as consequência do seu pecado e até mesmo experimentar muitas provações em sua vida, a fim de que entendesse que se não fosse pela soberana graça do Altíssimo, seu destino certamente seria a morte eterna.

Portanto, a predestinação ensina-nos que tendo sido uma vez eleitos (ou para a vida eterna ou para a morte eterna - vide Rm 9.22; 2 Tm 2.20), tudo o que acontece é ou para nossa glorificação em Cristo Jesus ou para nossa condenação - daí entendermos o versículo já anteriormente citado (Rm 8.28), pois se de fato todas as coisas contribuem para o nosso bem, até mesmo nossa vida passada e destituída de amor a Deus, estava dentro dos propósitos divinos e não fizemos nada que o Senhor não houvesse intentado para nossas vidas; da onde começamos, então, a perceber que a soberania de Deus é plena sobre todos os nossos atos, sejam eles bons ou ruins. Todavia, para que nenhum homem se insurja contra o Senhor e o acuse de ser o autor do pecado, a palavra do Senhor nos diz que "Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta" (Tg 1.13) - mas, então pelo que somos tentados? "Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência" (Tg 1.14). Ou seja, de um lado temos a eleição e predestinação de Deus quanto aos Seus propósitos divino; do outro, temos a responsabilidade humana que nos ensina que apesar de fazermos tudo conforme a determinação divina ordenou, precisamos reconhecer que somos responsáveis - ainda que possa haver um aparente paradoxo; mas, entre ficar com o aparente paradoxo e afirmar uma doutrina maligna - isto é, o livre arbítrio -, certamente precisamos nos agarrar à essas duas verdades bíblicas que nos são claramente demonstradas durante toda a narrativa bíblica.

"para filhos de adoção". Após ter afirmado todas as coisas decorrentes da eleição, ou seja, que ocorrem pelos meios predestinados por Deus, competem exclusivamente ao Senhor e somente Ele é quem detém todo o poder para ordenar e orquestrar todos os fatos da vida humana, agora o apóstolo nos diz que a finalidade de tais atos concretizados na vida dos crentes eleitos são para que fossem adotados por Jesus Cristo. Nesse ponto, notamos 3 importantes distinções que devem ser feitas com relação à adoção em face da predestinação:

1. A adoção humana não é o padrão para entendermos as Escrituras. Não foram poucos os escritores bíblicos que nos legaram o entendimento de que, a exemplo do escrito de Paulo, "Não há um justo, nem um sequer" (Rm 3.10), isto é, não há homem algum que possa achegar-se diante de Deus com alguma oferenda e por isso Lhe ser agradável. As Escrituras constantemente nos alertam sobre o perigo de nos orgulharmos acerca de nossa própria condição humana; tanto é verdade que o autor de provérbios nos diz: "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda" (Pv 16.18).

Em nossos dias, a adoção de uma criança não pode ser o guia para que entendamos o porquê de Cristo ter escolhido e adotado os Seus filhos. Não é incomum o pensamento do casal que adotará um filho e que intenta escolher aquela criança "linda, maravilhosa, de cabelos cacheados e olhos azuis". A adoção humana é - quase - sempre baseada em certos pressupostos de beleza e/ou afinidade que temos em nossa família. Muitíssimo infelizmente, não são raros os casos em que uma família de pessoas brancas deixa de adotar uma criança negra, apenas porque soará "estranho" e tal indivíduo poderá crescer como a ovelha negra da família. Também não é incomum visualizarmos o contrário, ou seja, famílias negras que não adotam indivíduos de outra cor, pois também - muitas vezes - não desejam se misturar. Certamente que ambos os lados estão errados e pecando gravemente contra o Senhor, e por isso, por detrás de tal escolha, está um princípio que aos poucos vai minando nosso entendimento acerca da adoção que os crentes têm em Cristo Jesus, a saber, que somos escolhidos porque havia algo de bom em nós. Na prática, isso seria como afirmar que o Senhor elegeu e predestinou Noé para a vida eterna, porque sabia que ele era exímio construtor e poderia salvar sua família ao colocá-la em barco; teve por bem escolher Moisés, pois esse haveria de crescer no seio de Faraó e poderia ser homem influente naquele meio; escolheu para Si o rei Davi, pois sabia que ele era grande em batalhas e poderoso em feitos notáveis... Entretanto, não é assim que a Bíblia relata nossa eleição e predestinação.

Não podemos desejar entender a eleição divina de acordo com os padrões que temos para a adoção atual. Enquanto os homens - por diversas vezes - buscam escolher a "melhor" criancinha que puderem (como se se tratassem de mera mercadoria), o Senhor projetou a humanidade e determinou que um dia todos seriam corrompidos e manchados pelo pecado; nenhum homem, então, poderia ser livre das cadeias infernais e certamente seria condenado à morte eterna. Porém, em Seu excelso e sublime amor, teve por bem também o adotar para Si uma miríade de homens, mulheres e crianças, não pelos seus "adoráveis cabelos cacheados", mas tão somente por amor de Seu nome, conforme lemos: "Não obstante, ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder" (Sl 106.8).

Enquanto os homens buscam ter para si os mais "lindos e belos", o Senhor, sabendo que nenhum de nós possui beleza alguma, nos escolhe por amor de Seu nome, ou seja, por ter uma vez determinado que um número certo de pessoas seriam salvas, Ele assim o fez ser verdadeiro e eficaz a Sua própria eleição e predestinação, pois sendo já sabido que não pode negar a Si mesmo, cumpriu todo o seu propósito por amor de Seu próprio nome, isto é, por prezar da sua própria glória, honra e poder, a fim de realizar tudo o que deseja.

2. A adoção em Cristo não é porque o homem chamou Sua atenção. Sabendo que a adoção divina diverge em muito da adoção humana, é preciso que tenhamos sempre fixo em nossos corações que não pode haver - e não haverá - coisa alguma que faça com que Deus olhe para Suas criaturas e deseje tê-las por algum suposto bem que elas podem fazer ao Seu reino.

Em nossos dias, a proliferação de livros e cânticos malignos tem sido de tamanha expoência, que nem sequer conseguimos ficar sabendo de todos os "lançamentos gospeis" que surgem a cada dia. Um exemplo clássico desse tipo de canção pervertida é a "Faz um milagre em mim", onde o autor coloca o pobre, mísero, nu e podre homem Zaqueu, na mais alta posição de destaque, dizendo que esse chefe dos publicanos desejou "chamar sua atenção para mim", isto é, que ele, o homem desgraçado e destituído da glória de Deus, supostamente teria conseguido abanar, assoviar e se colocar em destaque, tudo para conseguir com que o Senhor olhasse para ele tivesse clemência de sua alma. Pela graça de Deus, essa música já não toca com tanta frequência nos dias atuais, mas ainda é bastante "viva" na mente de muitas pessoas e causa toda sorte de heresias e perversidades dentro das "igrejas" do Senhor. Uma canção que exalte ao homem e faça de Deus seu capacho, deve ser completamente desprezada e abominada por todos os crentes - sem falar que tal "louvor" não é sequer semelhante ao relato bíblico.

"E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra" (Gn 6.12). Também a conhecida história do dilúvio tem muito a nos acrescentar e ensinar, pois mostra-nos o quão pervertida era a terra antes daquele grandioso acontecimento, mas, também, que ninguém pense que a perversidade cessou após o dilúvio, pois, afinal, se assim tivesse sido, os homens começariam a ser salvos por meio de obras e não pela fé em Cristo Jesus - além de contrariarem a descrição bíblica e esquecerem-se de resgatar à lembrança que Noé, sua mulher e filhos continuaram sendo pecadores quando desceram da arca. Não houve coisa alguma em Noé para que Deus o usasse a fim de cumprir Seus propósitos; o Senhor também somente havia feito com que Noé fosse homem "justo e perfeito em suas gerações", porque "Noé andava com Deus" (Gn 6.9). Ou seja, o motivo de Noé e sua família ter sido salva não foi devido à alguma atribuição humana ou a algum grande feito terreno, mas porque ele "andava com Deus". Se assim se deu e foi esse o motivo da salvação de seus queridos, temos uma grande razão para rejeitarmos também certos filmes "bíblicos" sobre a vida de Noé, onde é bastante comum vermos que ele e sua família construíam o barco e ao mesmo tempo chamavam os habitantes daquela região para que se arrependessem e entrassem na arca - mas esse não é o relato bíblico: "E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR" (Gn 6.7-8 - grifo meu).

Assim como não é bíblico nem seguro destronar o Senhor de Sua soberania, também é antibíblico afirmarmos que o Senhor olha para o homem e supostamente vê nele um "grande potencial" para Seu reino. Para que ninguém intentasse refutar tal ensinamento bíblico, o próprio apóstolo Paulo, inspirado pelo Senhor, relata que o Ele "compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer" (Rm 9.18). Portanto, tanto Noé, como todos os outros homens que até hoje vão sendo salvos pelo Senhor, são resgatados pela graça, poder do Senhor e tão somente porque aprouve ao Eterno compadecer-se de nós - "Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor" (1 Co 1.31).

3. A adoção tem como finalidade a glória do Senhor. Embora o apóstolo Paulo aborde melhor essa questão em sua próxima fala ("por Jesus Cristo, para si mesmo"), é necessário que pontuemos o porquê de termos sido adotados pelo Senhor, ou seja, se há uma eleição que se estende por vias predestinadas e que redunda na adoção graciosa pelo Senhor, é mister que entendamos que todas as coisas acontecem para a glória do Seu santo nome. "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1 Co 10.31). Esse certamente é um daqueles versículos que devem estar sempre sendo fixado em nossos corações, pois dele depreende-se uma vastíssima gama de entendimentos concernentes à vida do homem pecador diante do Senhor e de como ele deve analisar todos os seus feitos à luz da palavra de Deus, a saber, se estão ou não sendo feitos com o intuito de render glórias ao Seu nome.

Todos os crentes em Cristo Jesus são adotados baseado no pacto que o Senhor havia feito com Seus verdadeiros filhos - ainda no tempo dos israelitas: "E andarei no meio de vós, e eu vos serei por Deus, e vós me sereis por povo" (Lv 26.12; Jr 32.28; Ez 37.27). O pacto que o Senhor havia firmado com eles não tinha limitação espacial ou temporal, pois era fruto da promessa feita a Abraão: "E multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e darei à tua descendência todas estas terras; e por meio dela serão benditas todas as nações da terra" (Gn 26.4). Sendo o pacto o fruto da promessa da graça (já em evidência naquela época), o Senhor outorga para Si o direito de abençoar todos aqueles a quem intenta salvar, de modo que todas as coisas, boas ou más, redundam em glórias ao Seu nome, pois tendo em vista que todas as coisas advém d'Ele, por Ele e para Ele (Rm 11.36), logo, entendemos que a adoção leva todos os homens, crentes e ímpios, a glorificarem ao Senhor pela Sua grande destra estendida sobre a terra; para uns, com finalidade salvífica; para outros, no intuito de demonstrar o Seu poder, justiça e ira sobre o homem pecador (Rm 9.22).

Portanto, que ninguém ouse imaginar ser salvo mediante qualquer coisa boa e inerente ao ser humano decaído, mas que em tudo reconheça ser o Senhor o autor, eleitor, predestinador e consumador de todas as coisas, conforme lemos: "Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus" (Hb 12.1-2 - grifo meu).

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2 comentários :

  1. Parabéns Filipe!!! Que o Senhor continue a te dar sabedoria e revelação da palavra, pois está difícil encontrar na net, um site tão bom como este!!! Obrigado por você se empenhar em divulgar o seu conhecimento bíblico!!!

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