"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Confessar ou Negar a Deus - Sermão pregado dia 20.02.2011


Confessar ou Negar a Deus - por Filipe Luiz C. Machado
Sermão pregado dia 20.02.2011


Nosso texto: Lucas 12.8,9

Semana passada havíamos visto as motivações e advertências que Jesus dera aos seus discípulos. Vimos que Lucas registrou e buscou perscrutar a veracidade dos fatos antes de relatar e escrever a Teófilo (Clique aqui para ler o sermão).

Lucas agora passa a registrar a sequência da fala de Jesus para seus discípulos. Após tê-los advertido e os motivado, Ele trata agora sobre como deveriam viver diante dos homens. Interessante notarmos que Jesus nesta passagem não se limita ou ao menos descreve o que seria confessar ou negá-lo diante dos homens. Jesus não traz uma série de regras e/ou lugares onde ele deva ser confessado ou ao menos diz onde os discípulos poderiam negá-lo. Mister também é atentarmos para o fato de que ambos os versículos trazem a sentença "diante dos homens".

v.8: "Quem me confessar diante dos homens"
v.9: "Aquele que me negar diante dos homens"

Observemos atentamente e percebamos algo ainda mais extraordinário neste texto. O texto relata que Jesus fala em confessar e O negar diante dos homens. Ele está lhes dizendo que há somente dois caminhos que podemos seguir. Jesus não lhes confere uma terceira opção como "as vezes você pode me negar" ou "não é em todo o lugar que você precisa me confessar". O ministério terreno de Jesus foi marcado por firmes propósitos, não se deixando levar e/ou se amoldar pela cultura, mas sempre proclamando as inabaláveis verdades de Seu reino.

Não encontramos na Bíblia 3 tipos de seres humanos, como querem muitos evangélicos. Dizem estes que existe o homem não-convertido, o crente carnal e o crente espiritual. Quando ouço tal blasfêmia, não posso deixar de me lembrar de 2Co 5.17 que diz: "Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram, eis que surgiram coisas novas". O próprio Jesus não abona tal perversão quando diz: "Aquele que não está comigo, está contra mim; e aquele que comigo não ajunta, espalha". Mt 12.30 Não há meio termo na vida cristã! Jesus nunca tratou os não-convertidos como sendo crentes ou "quase-crentes"!

Quão frequentemente (e tristemente) observamos a ótica que o evangélico tem do cristianismo ao definí-lo como sendo "uma religião de homens que vivem de maneira politicamenta correta". Se talvez não digam exatamente desse jeito, mas muitas vezes é assim que agem. Ser cristão para eles não é ser totalmente contrário às regras do mundo, não é viver uma vida de negação perante seu próprio eu, nem tampouco se dedicar com grande afinco e esmero a leitura diária da bíblia, mas tão somente ser "bonzinho", respeitar pai e mãe, não roubar, não matar e não se prostituir. Ora, quantos não-convertidos fazem isso também! Será que nosso Jesus morreu para que fossemos iguais ao mundo?! Convicto estou de que esse não foi o propósito de Sua morte.

Surge-nos agora uma pergunta: O que seria confessar ou negar Jesus diante dos homens? Estaria Jesus se referindo ao mero balbuciar de palavras? Confessá-lo significaria ficar mandando correntes de e-mail com mensagens (quase sempre) distorcidas do cristianismo? Ou ainda desejaria Ele dizer que o importante é ir a igreja todo domingo e todos saberem disso? Será que a morte do Filho amado do Pai foi tão fraca a ponto de que se não mandarmos uma corrente de e-mail estamos negando-O?

Amados, Jesus não está apenas falando de palavras, mas de atitude. Jesus não está dizendo que O negamos quando não repassamos uma corrente de e-mail, mas sim quando repassamos essa corrente mas não vivemos de maneira digna ao verdadeiro evangelho. Quantas pessoas que dizem professar a fé cristã vivem de maneira desordenada, dando mal testemunho e caluniando diariamente o nome do Senhor com suas atitudes, mas mesmo assim estão "convictas" de serem cristãs; afinal, repassaram a mensagem de e-mail ou colaram em seus cadernos e agendas uma figurinha de algum grupo de desenho animado cristão. Atentemos para o fato de que repassar boas correntes de e-mail não são erradas em si mesmo. Colar um adesivo no caderno ou no carro também não são erradas. O problema está em se achar que bastando fazer isso, se está confessando Deus diante dos homens.

Desista de ficar ostentando um pseudo-cristianismo de palavras ao vento que nada conferem de valor espiritual as outras pessoas e passe a viver um cristianismo de atitudes e condutas cristãs. As palavras de Jesus não me deixam suavizar a mensagem. Ele é enfático ao dizer que "aquele que me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus" (v.8).

Em Mt 12.36 lemos: "Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de cada palavra inútil que tiverem falado". Contrastando com tal advertência lemos anteriormente a esse versículo: "Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração" (Mt 12.34).

- Qual é o assunto de suas brincadeiras? Quão maliciosas são as suas palavras diante de seus amigos? Quantos versículos lhe vem à mente diariamente? Você tem experimentado o que é ter "satisfação na lei do Senhor e nela meditar dia e noite"? "Pois o Senhor aprova o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios leva à perdição" (Sl 1.2,6).

Também em Mc 8.34 lemos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me". Negar-se a si mesmo é o princípio chave para crescermos na comunhão com Deus e O conhecermos a cada dia mais. Negar-se a si mesmo é deixar de fazer tudo aquilo que nos furta o tempo e nos distancia da presença do Pai. Isso não se traduz em fazermos um voto de pobreza ou começarmos a achar que a criação de Deus é má e por isso não podemos usufruir dela, mas é fazermos o bom uso de tudo àquilo que Deus nos proporciona em vida. O puritano Richard Greenham sintetizou essa idea quando disse: "Os filhos de Deus buscam o uso espiritual daquelas coisas que as pessoas do mundo usam carnalmente".

Que possamos fazer coro e gravar em nossos corações as palavras de Paulo aos Efésios: "Vivam de maneira digna da vocação que receberam" (Ef 4.1).

Amém.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tadinha dela...

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Antes de dar prosseguimento, gostaria de dizer que de forma alguma estou insensível para com essa história e as pessoas nela envolvidas. Jamais desejaria que alguém lesse e interpretasse minhas palavras como sendo em tom de desprezo ou fazendo "pouco caso" da morte de um cônjuge. Minha breve reflexão visa apenas nos mostrar um lado que poucas vezes temos ciência de que possa existir.

Recentemente vi um vídeo de uma esposa que acabara de ficar viúva devido ao câncer de seu esposa. Ele tinha sido diagnosticado com câncer, mas havia sido curado. Porém, o câncer voltou tempos depois e nesse ínterim ele gravou um vídeo falando a respeito da sua confiança em Deus, tanto para curá-lo como para sustentá-lo enquanto vivesse. Fato é que ele veio a falecer, deixando sua esposa de 32 anos viúva e com 3 filhos para criar.

Nossa primeira reação diante de tal caso é pensar: "tadinho dele, queria tanto ter visto seus filhos crescerem" ou então, "tadinha dela, gostava tanto do marido". Não tenho dúvidas (ainda mais depois de ver os vídeos) de que aquele homem amava intensamente sua esposa e seus filhos. Também não titubeio acerca do real amor e comprometimento que ela tinha para com seu marido, tão fortemente demonstrado em fotos e vídeos em família. Mas há um dilema: embora a mulher se sentisse extremamente triste e vazia, se sentia forte e confiante de que o Senhor havia curado seu marido. Ao pensarmos atentamente sobre isso, vemos que ela discorre sobre a soberana mão protetora de Deus em tudo que acontece em nossa vida. Ela diz que Deus havia curado seu marido! Não era a cura que esperamos muitas em vida, mas a verdadeira cura, a saber, estar com Deus nos céus. Oh! Que grande confiança no Deus todo-poderoso!

Pergunto-me se realmente essa esposa é a "tadinha", coitadinha ou se somos nós, que temos tudo, mas não valorizamos nada! Muitos de nós temos esposas, esposos, filhos, filhas, pais e mães ainda vivos e não damos valor e não empenhamos esforços para levá-los aos caminhos do Senhor. Quantos em nossos dias observam a doença alheia e pensam "tadinha" dela, quando na verdade somos nós que padecemos diariamente de doenças pustulentas em nossas almas que nos estão matando sem percebermos! Essa mulher é forte (o Espírito Santo nela), nós é que somos fracos e "tadinhos".

Se tiver condições, veja o vídeo da referida esposa de quem falo. (no final do texto) Você verá uma mulher abalada, mas firme da fé. Crianças órfãs de seu pai, mas que guardam os ensinamentos que lhe foram proferidos. Uma mãe que pode dizer que Deus curou seu marido, apesar da morte ter o levado.

Sei que tal história não pode se igualar a Jó, pois este era homem "justo e íntegro", mas não posso deixar de pensar que a verdadeira compreensão da Vida Plena e do amor de Deus são encontrados em meio aos sofrimentos. Não que eu deseje o mal para alguém (longe de mim tal coisa), mas vejo que é somente quando passamos por "lutas e aflições" que podemos compreender o quão miserável somos e o quanto somos dependentes de Deus.

Certo estou de que essa esposa e seus filhos podem proclamar com firmeza: "Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram". Jó 42.5

Que possamos experimentar a verdadeira confiança em Deus a cada dia.

*Vídeo parte 1 (testemunho do marido enquanto vivo)
*Vídeo parte 2 (testemunho da esposa depois da morte do marido)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Crentes de Cristal!


Crentes de Cristal! -
Por Edmilson Mendes

Cuidado, frágil! Olhe atentamente, observe, procure. Na maioria dos crentes você encontrará o aviso alertando para a fragilidade dos mesmos. Nunca viu? Talvez não tenha olhado para a causa, focando apenas os sintomas. Beicinhos, birrinhas, manhazinhas, ciumezinhos, enfim, uma série de sintomas que caracterizam os crentes notadamente melindrosos, sintomas que podem ter a seguinte leitura: Cuidado, frágil!

Lembre do dia em que entrou numa loja de cristais. Lembre dos pais com seus filhos pequenos. As recomendações eram insistentes: Cuidado! Não toque! Não pegue! Cristal é caro! Se cair, quebra! Não chegue perto, cuidado! Quando pequeno, ouvi tudo isso dos meus pais. Agora sou pai, já disse tudo isso para os meus filhos.

Crentes de cristal funcionam exatamente assim. Não se pode tocar, seja com gestos, intenções ou palavras. Por qualquer coisa desistem. A intensidade espiritual dos relacionamentos com toda a carga de verdade, sinceridade, emoção e amadurecimento que se almeja em todo grupo de comunhão, é insuportável para os crentes de cristal, pois diante de uma justa e amorosa exortação eles não crescem, ao contrário, quebram.

Crentes de cristal se sentem intocáveis. Querem ficar expostos na cristaleira, sendo admirados, jamais usados. A lógica dos crentes de cristal diz: Não venha querer corrigir meus filhos, não critique o excesso de vaidade da minha esposa, não censure a altivez do meu marido, somos exemplos, aliás, somos os melhores exemplos, se mexerem com a nossa família esqueçam nossas ofertas, esqueçam da gente, acharemos uma igreja melhor, e ponto.

Que coisa! Tocou, caiu, quebrou. Uma antiga música afirmava: Eu sou como um cristal bonito, que se quebra quando cai. Frágeis todos somos. Mas as políticas do não-me-rele e não-me-toque não se aplicam para os filhos de Deus. O caminho estreito não ilude, é apertado. Os desertos da falta de dinheiro, de saúde, de alegria, de amigos, de horizonte, são desertos pelos quais todos passamos. Caímos, é verdade, mas pela graça dEle não ficamos prostrados. Prateleira adornada por vaidades que nos fazem sentir superiores, não é o nosso lugar. Nosso lugar é lavando pés, distribuindo pão, oferecendo a outra face, caminhando a segunda milha, aguardando com a comunidade dos santos a vinda do Cordeiro.

Na Bíblia, existia uma igreja repleta de crentes de cristal. Se julgavam puros, brilhantes, perfeitos, belos, intocáveis. Jesus, para trazê-los a realidade não economizou nas palavras, com toda ênfase denunciou o que eles pensavam de si mesmos e revelou o que de fato eram: Como dizem: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu. Apocalipse 3.17, nos versículos seguintes Jesus dá um conselho. Meu conselho? Pegue sua Bíblia e saboreie este texto. Seguir o conselho deixado por Cristo terá o poder de transformar cristal em ouro, o metal que resiste as mais duras provas. Que tal? Vamos lá, afinal cristaleira não é o nosso lugar.

Paz!

Fonte: PCamaral

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Quem Devemos Temer? Sermão pregado dia 13.02.2011


A Quem Devemos Temer? - por Filipe Luiz C. Machado
Sermão pregado dia 13.02.2011


Nosso texto: Lucas 12.1-7

Amados, como já havíamos visto anteriormente, Lucas escrevera para seu amigo Teófilo. Também vimos que o próprio Lucas se dera o trabalho de investigar "tudo cuidadosamente, desde o começo, e decidi escrever-te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo" (Lc 1.3) Lucas não reproduziu apenas algum relato, mas verificou para ter certeza da veracidade dos fatos que estaria para relatar.

Nos versículos anteriores à nossa passagem, Lucas descreve uma conversa que Jesus teve na casa de um fariseu. Jesus criticou a esses por "limparem o exterior, mas não o interior", porque "amam os lugares de honra" e "sobrecarregam os homens com fardos difíceis" - os fariseus então estavam "esperando apanhá-lo em algo que dissesse".

Nosso texto de hoje começa dizendo que, como de costume, uma multidão seguia Jesus. Lucas então nos relata o que Jesus falou especificamente aos seus discípulos. Notemos que Jesus profere tanto advertências como motivações para os seus.

Suas advertências começam com:

1. "Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é hipocrisia" (v.1). Vejamos que anteriormente Jesus havia censurado os fariseus pelo mesmo motivo. Em Mt 16.5-12 Jesus fala e explica aos discípulos que esse fermento é o ensino dos fariseus. Lhes explica que esse ensinamento que os fariseus proferiam, era válido apenas para os ouvintes, pois eles próprios não praticavam aquilo que diziam, apenas acumulavam conhecimento que não transformava suas vidas. Em 1Co 5.6 Paulo diz: "O orgulho de vocês não é bom. Vocês não sabem que um pouco de fermente faz toda a massa ficar fermentada?"

2. "Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido" (v.2) Os fariseus se vangloriavam de ostentarem exteriormente uma aparência de piedade e devoção, mas eram como lobos em forma de cordeiro. Jesus sabia que, embora os fariseus aparentassem ser uma coisa quando na realidade eram outra, um dia tudo seria descoberto e revelado (dia do juízo). Jesus exorta seus discípulos dizendo-lhes que nada está oculto aos olhos de Deus. Nós que vivemos no século XXI, jamais deveríamos nos esquecer de tal seriedade!

3. "O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia, e o que vocês sussurraram aos ouvidos dentro de casa, será proclamado dos telhados". (v.3) Tal advertência é semelhante a anterior, mas difere no sentido que Jesus está querendo dar. Ele alerta-lhes para que não pensem que mesmo em suas casas, na noite escura ou em qualquer outro lugar onde "ninguém está vendo", podem estar livres dos olhos do Senhor. Nada escapa-Lhe aos olhos!

Jesus então parte para a segunda parte da narrativa.

Suas motivações começam com:

1. "Eu lhes digo, meus amigos: 'Não tenham medo dos que matam o corpo e depois nada mais podem fazer'"(v.4) Jesus está lhes dizendo que, embora fossem sofrer fisicamente por amor ao evangelho, apenas os seus corpos sofreriam. Jesus queria lhes incutir na mente de que homens maldosos e perseguidores do evangelho, nada mais podem fazer além de matar o corpo. Amados, ladrões, assassinos, caluniadores, zombadores, amigos e colegas do trabalho e da faculdade que escarnecem de você e de seu cristianismo, eles nada podem fazer com sua alma! Não há motivo para temermos o mal, pois Cristo nos deixou a promessa de que homens matam apenas o corpo.

Mais adiante, no livro de Atos dos Apóstolos lemos que "Eles foram convencidos pelo discurso de Gamaliel. Chamaram os apóstolos e mandaram açoitá-los. Depois, ordenaram-lhes que não falassem em nome de Jesus e os deixaram sair em liberdade. Os apóstolos saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome." (At 5.40-42) Como seria diferente nossa geração e nossas vidas se lembrássemos disso todos o dias! Se a cada manhã nos viesse à memória de que o homem nada pode fazer conosco, exceto acabar com o corpo e nos enterrar, certamente viveríamos e proclamaríamos a Cristo com mais ousadia.

2. "Mas eu lhes mostrarei a quem vocês devem temer: temam aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, eu lhes digo, esse vocês devem temer". (v.5) O pentecostalismo e suas vertentes, constantemente dão ênfase em demasia para o mal (aliás, não é preciso estar imerso no arraial pentecostal, basta se desviar das Sagradas Escrituras). O Diabo e seus demônios são tão presentes nas pregações e na literatura, que os envolvidos nesse sistema acabam tendo mais medo do Diabo e seus demônios do que de Deus. Nas conversas de acampamento (tanto de jovens como de adultos), o medo do demônio em meio a fogueira é sempre certo. Histórias de eventos sobrenaturais são constantes nesse recinto. Ouvimos e vemos pessoas que dizem passar bem longe de cemitérios e de casas de benzimento com medo dos demônios, dos espíritos maus. Pessoas que relatam visões estranhas e tremem só em pensar nelas. Outras ainda são tão fascinadas pelo sobrenatural, que vão para além da Bíblia e passam a nomear os espíritos demoníacos e a classificá-los por maldade, coisa que a Bíblia nem menciona ou incentiva.

Mas ninguém! Absolutamente ninguém que está cercado dessa doutrina e literatura teme em ir ao culto de maneira desordenada e sem refletir acerca de sua própria consciência! As pessoas temem ao Diabo, mas não temem a Deus! Temem entrar numa casa espírita, mas não temem entrar em oração com o coração totalmente alheio à vontade do Senhor. Temem ficar falando muito sobre o Diabo, mas ferem constantemente o 3º mandamento que diz: "Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão" Ex 20.7 Amado, se você tem agido de tal forma, você tem temido a pessoa errada!

Reflita por um momento: Qual a imagem de inferno que lhe vem a mente? Creio que possivelmente você já se deparou com alguém ou algum filme e/ou literatura que expresse o inferno mais ou menos desse jeito: 1. pecadores não redimidos sofrendo; 2. os demônios sofrendo e trabalhando; 3. o Diabo sofrendo, mas reinando no inferno. Se você tem pensado assim, esqueça isso!

Trema e tema ao falar e brincar sobre Deus! Se você tem brincado de ser cristão, acorde pois o juízo bate já bate à porta. Hoje somos jovens, mas num abrir e fechar de olhos seremos idosos. Infelizmente em nossos dias está se proliferando filmes "evangélicos" onde a figura do Diabo é tão forte quanto nosso Deus. Tão triste quanto, é saber que cristãos tem visto, lido e indicado tal doutrina alheia à palavra de Deus como se não fossem prestar conta por "cada palavra inútil que tiverem proferido" Mt 12.36

Ap 20.10 nos diz: "O diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre." Não há sequer uma única menção na Bíblia que nos leve a entender que o Diabo reinará sobre o inferno. Não! Ele sofrerá sua impenitência assim como todos os demônios e os pecadores não regenerados. Nosso Deus é soberano até mesmo no inferno.

3. "Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? Contudo, nenhum deles é esquecido por Deus. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais!" (v. 6,7) Após essa segunda grande motivação (e em certo ponto também advertência) de Jesus, ele lhes traz novo alento aos corações. Diz-lhes Jesus que nada lhes aconteceria sem que Deus permitisse e estivesse no controle. O versículo "não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais!", deveria ser grifado em nossa vida.

Amados, Deus jamais abandona os seus. Jamais labutaremos em vão se estivermos firmes na santa palavra de Deus. Aqueles que vivem e se esforçam na caminhada cristã, podem confiantemente entoar e falarem em alta voz: "O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta. Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranquilas; restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem. Preparas um banquete para mim à vista dos meus inimigos. Tu me honras, ungindo a minha cabeça com óleo e fazendo transbordar o meu cálice. Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver." Salmo 23

Amém.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Pastores ou Psicólogos: Do que a Igreja precisa?

Pastores ou Psicólogos: Do que a Igreja precisa? -
por Heitor Alves

Muita gente poderia achar o título deste post uma coisa óbvia. É claro que a igreja precisa de pastores, afinal de contas, quem é que se forma em um seminário? O pastor ou um psicólogo?

Mesmo sendo bastante óbvio, não é exatamente isso que têm acontecido em muitas de nossas igrejas. O que temos visto é uma série de atitudes de pastores ignorando o aconselhamento paltado nas Escrituras e assumindo uma filosofia de aconselhamento mundano e antibíblico. O avanço da psicologia é tão alarmante que ela se agregou em todos os segmentos da sociedade, chegando ao ponto de seduzir pastores e líderes. A penetração no meio evangélico se destaca nas mais diversificadas formas: através dos púlpitos, com mensagens psicologizadas, e no aconselhamento "pastoral", onde a Bíblia é colocada em pé de igualdade com a psicologia.

Os pastores e líderes estão procurando respostas para o problema humano e em particular de suas ovelhas, fora da Palavra de Deus. O consolo que esses pastores têm a oferecer em suas igrejas está na filosofia humanista da psicologia. Os aconselhamentos "bíblicos" não passam de mensagens de motivação ou de auto-ajuda.

Renato Vargens, em um de seus artigos, afirmou:
No entanto, em virtude do relativismo de nosso tempo, onde o que mais se enfatiza é a satisfação pessoal, inúmeros lideres cristãos, das mais diversas denominações, tem abandonado o estudo sistemático da Palavra de Deus para dedicar-se ao estudo do comportamento humano, proporcionando com isso a "adequação" do evangelho de Cristo aos padrões humanistas deste tempo pós-moderno.

Fico a questionar qual o propósito desses pastores. Será que querem aprender como lidar com o ser humano em suas sucessivas etapas de desenvolvimento? Ou querem aprender como ajudar pessoas no relacionamento interpessoal? Ou pretendem psicanalizar? Ou acham que através da psicanálise eles serão habilitados para a tarefa pastoral do aconselhamento? Em suma, creio que estão procurando entender o ser humano e suas angústias. Talvez acham que a Bíblia tem pouco a fornecer sobre a constituição moral, ética e espiritual do homem, ou que, talvez, Deus deixou com os humanistas parte de tudo que precisamos para termos um vida equilibrada, cheia de paz, feliz e segura. Isso demanda o quão raso é o conhecimento e a aplicação da teologia bíblica em nosso meio. Ah, sim, a aplicação da teologia bíblica é a base para um verdadeiro aconselhamento bíblico. Mais uma vez cito Renato Vargens que declarou que acredita que "tanto o pastor como o teólogo deveriam priorizar exclusivamente o estudo das Sagradas Escrituras, como também da Teologia". Mas, como aconselharão se não tiverem teologia?

Essa busca mostra o quão desqualificados são para uma tarefa tão nobre que é o aconselhamento bíblico. A fonte do autêntico conselheiro bíblico é imensurável, rica, inesgotável, incomparável, insubstituível, imprescindível, indispensável, inequívoca, indiscutível, infalível, etc. A Bíblia, a Santa Palavra de Deus é o nosso maior e melhor manual de aconselhamento. O pastor não pode ficar no campo da superficialidade, ou trocando a Bíblia por recursos desprovidos de Deus. A conseqüência inevitável é a digressão do rebanho com raquitismo espiritual gerando muita infidelidade a Deus.

Por que igrejas que antes eram cheias, hoje se conta nos dedos o número do que freqüentam os cultos? Será que a fraqueza espiritual está tomando conta da igreja? Pode ser que sim, Deus constituiu pastores para pastorearem a sua igreja. Bom, o que os pastores têm feito para manter a espiritualidade de sua igreja em alta?

E quando eles não aconselham utilizando-se da psicologia, indicam um. É o caso de uma igreja cujo pastor se ofereceu para indicar um psicólogo bastante conhecido para uma irmã se consultar. A irmã precisava sim de uma orientação bíblica para sua angústia, visto que há muito tempo esta irmã andava angustiada com o que acontecia em sua vida. E o máximo que ela ouviu do pastor foi: "irmã, vou indicar um psicólogo pra você procurar". Por que um psicólogo? O pastor não tem condições de aconselhar a irmã? O pastor não sabe aconselhar? Onde está o aconselhamento bíblico? Porque entregar um membro da igreja a um psicólogo, se é o pastor quem deveria tratar com o membro?

Em outro caso, tenho o exemplo de um rapaz que procurou o pastor para falar sobre problemas que ele estava enfrentando em seu casamento. O máximo que ele ouviu foi: "irmão, isso acontece com todas as pessoas. Isso é normal". Quer dizer que o aconselhamento "bíblico" se resume em apenas "isso é normal" ou "acontece com qualquer um"? Onde está o aconselhamento bíblico? Onde está a iniciativa do líder em reunir o casal e falar sobre problemas no casamento? Acredito que é a falta de conteúdo teológico que irá determinar um fraco aconselhamento ou, o que é mais grave, a ausência do aconselhamento.

É assim que o pastor acha que sua igreja vai crescer? É com esse tipo de aconselhamento que o pastor acha que sua igreja vai crescer na fé? É com esse tipo de abordagem que o pastor acha que estará formando uma igreja sólida e firme para enfrentar as adversidades da vida? É com esse tipo de "conselhos" que o pastor acha que os casais solidificarão seus casamentos? É com esse tipo de aconselhamento que o pastor acha que suas ovelhas farão dele uma imagem de um pastor bíblico, dedicado com suas almas, preocupado com suas angústias, pronto a ajudar, sempre dedicado no ensino da Palavra com um alto teor de teologia? Acho que não. Eu estou plenamente convencido de que se um pastor não tem uma boa teologia, não terá condições alguma de prestar um aconselhamento bíblico o suficiente para consolar o afito, estabilizar relacionamentos e matar pecados e vícios de suas ovelhas.

Quero deixar algo bem claro para pastores, presbíteros, seminaristas e membros de igrejas. Creio ser de fundamental importância que os pastores busquem aprofundamento bíblico. Bacharelado, mestrado, cursos de capacitação ministerial etc. O conhecer nosso Deus e a sua Palavra não é algo limitado, "E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber" (1Co 8.2). Não procure ajudar suas ovelhas com teorias humanistas, quando você tem a pura expressão da vontade soberana do nosso Deus através da sua Palavra. A ovelha precisa de pastor e não de psicólogo.

Fonte: Eleitos de Deus

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Jesus era contra o "sistema"?

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Alguns cristãos na tentativa desenfreada de serem revolucionários, acabam distorcendo ou apresentando pela metade a mensagem do evangelho (sabemos que meia verdade também é meia mentira, tomemos cuidado!). Tais cristãos, motivados pelo desejo de mudança do "sistema" do "mundo", unem-se ao máximo para argariarem o maior número possível de adeptos ao cristianismo, sob o pressuposto de que assim como Jesus foi contra o sistema, os (ainda) não cristãos (e revoltados contra o "sistema") também devem ser assim, não precisando deixar sua "revolta" para seguirem a Cristo. Dizem eles que assim é uma boa oportunidade de evangelismo, principalmente para as tribos urbanas "revoltadas". Não nego tal afirmação, mas saliento que Jesus tem muito mais para oferecer além de um mero caráter revolucionário.

Não poderíamos dizer que Jesus não foi um revolucionário, mas se o limitarmos a esfera social e política, teremos apenas um mero homem; talvez um precursor dos grandes ativistas que tivemos no restante da história. Tal qual livros que falam sobre o estilo de liderança de Jesus, a dieta de Jesus e como Jesus persuadia os seus, essa visão parcial de Jesus tira totalmente o âmago do cristianismo que é de que Ele é o salvador do mundo! Se reduzirmos o Cristo crucificado a um ativista, o igualaremos a outros grandes revolucionários, tornando-o um mero homem da Galiléia. Contudo, estou certo também de que Jesus nos disse para "não nos conformarmos com este mundo, mas nos renovarmos pela transformação na nossa mente". Rm 12.2 Tal versículo dá margens para um Jesus que ia contra o sistema, mas essa é apenas metade da história e metade não nos serve, precisamos do todo.

Enquanto Jesus era um revolucionário e ia contra o "sistema", também se submetia as leis que as autoridades haviam posto (Mc 12.17). Paulo, de igual modo disse que: "Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos.". Rm 13.1,2 Tal versículo não quer dizer que não devemos lutar por um governo justo e sábio, mas isso é muito diferente de dizer que Jesus e Paulo odiavam e eram totalmente contra o "sistema".

Portanto, assim como de certa forma Jesus veio para ser contra o "sistema", semelhantemente ele não veio para anulá-lo (era isso que os judeus esperavam de Jesus, um messias de cunho político, que viria instaurar a paz a justiça entre eles), nos dizendo então que devemos nos submeter as autoridades, mas tendo a certeza de que antes nos importa que nos submetamos a Ele.

Deus nos abençoe.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O que a Predestinação faz com o Evangelismo?


O que a Predestinação faz com o Evangelismo? -
por R. C. Sproul

Esta pergunta levanta graves preocupações a respeito da missão da Igreja. É particularmente pesada para cristãos evangélicos. Se a salvação pessoal é decidida anteriormente, por um imutável decreto divino, qual é o sentido ou urgência do trabalho de evangelismo?Fonte:

Nunca me esquecerei da terrível experiência de ser interrogado neste ponto pelo Dr. John Gerstner numa aula de seminário. Havia cerca de vinte de nós sentados em semicírculo numa sala de aula. Ele formulou a pergunta: “Muito bem, cavalheiros, se Deus soberanamente decretou a eleição e a reprovação desde toda a eternidade, por que estaríamos preocupados a respeito do evangelismo?”

Dei um suspiro de alívio quando Gerstner começou seu interrogatório pela ponta esquerda do semicírculo, uma vez que eu estava sentado na última cadeira à direita. Confortei-me com a esperança de que a pergunta nunca chegaria perto de mim.

O conforto foi de curta duração. O primeiro aluno replicou à pergunta de Gerstner: “Não sei, senhor. Essa pergunta sempre me perturbou”. O segundo estudante disse: “Desisto”. O terceiro estudante somente moveu a cabeça e baixou seu olhar para o chão. Em rápida sucessão, os estudantes todos passaram adiante a questão. Os dominós estavam caindo em minha direção.

“Bem, Sr. Sproul, como você responderia?” Eu queria desaparecer no ar, ou encontrar um lugar para me esconder nas tábuas do chão, mas não havia escapatória. Hesitei e balbuciei uma resposta. O Dr. Gerstner disse: “Fale!”“Bem, Dr. Gerstner, sei que esta não é a resposta que o senhor está procurando, mas uma pequena razão pela qual devemos ainda estar preocupados com o evangelismo é que, bem, o senhor sabe, apesar de tudo, Jesus nos ordena que evangelizemos." Tentando me exprimir, eu disse:

Os olhos de Gerstner começaram a inflamar-se. Ele disse: “Ah, entendo, Sr. Sproul! Uma pequena razão é que o seu Salvador, o Senhor da Glória, o Rei dos reis, ordenou isso. Uma pequena razão, Sr. Sproul? É quase insignificante para você que o mesmo Deus soberano, que soberanamente decreta sua eleição, também ordena soberanamente seu envolvimento na tarefa do evangelismo?” Como eu desejaria nunca ter usado a palavra pequena! Entendi o ponto de Gerstner.

Evangelismo é nosso dever. Deus ordenou. Isso deveria ser suficiente para encerrar a questão. Mas há mais. Evangelismo não é somente um dever; é também um privilégio. Deus nos permite participar da maior obra da história humana, a obra da redenção. Ouça o que Paulo diz sobre isso. Ele acrescenta o capítulo 10 ao seu famoso capítulo 9 de Romanos.

“Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? E como pregarão se não foram enviados? Como está escrito: Quão formosos sãos os pés dos que anunciam coisas boas!” (Rm 10.13-15).

Notamos a lógica da progressão de Paulo aqui. Ele lista uma série de condições necessárias para as pessoas serem salvas. Sem que se enviem, não há pregadores. Sem pregadores, não há pregação. Sem pregação, ninguém ouve o Evangelho. Sem ouvir o Evangelho, ninguém crê no Evangelho. Sem crer no Evangelho, ninguém invocará a Deus por salvação. Sem invocar a Deus por salvação, não há salvação.

Deus não somente preordena o fim da salvação para os eleitos, Ele também preordena o meio para aquele fim. Deus escolheu a loucura da pregação como o meio para obter a redenção. Suponho que Ele poderia ter estabelecido seu propósito divino sem nós. Ele poderia ter publicado seu Evangelho nas nuvens, usando seu santo dedo para escrever no céu. Poderia, Ele mesmo, pregar o Evangelho, com sua própria voz, gritando do céu. Mas essa não é sua escolha.

É um privilégio maravilhoso ser usado por Deus em seu plano de redenção. Paulo apela para uma passagem do Antigo Testamento, em que fala da beleza dos pés que trazem boas-novas e publicam a paz.

“Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! Eis o grito dos teus atalaias! Eles erguem a voz, juntamente exultam; porque com seus próprios olhos distintamente vêem o retorno do Senhor a Sião. Rompei em júbilo, exultai a uma, ó ruínas de Jerusalém; porque o Senhor consolou o seu povo, remiu a Jerusalém”. (Is 52.7-9).

No mundo antigo, noticias de batalhas e outros acontecimentos cruciais eram levados por corredores. A maratona moderna deve seu nome à Batalha de Maratona, por causa da resistência do mensageiro que levou as notícias do resultado para seu povo, na cidade natal.

Vigias eram colocados para observar os mensageiros que se aproximavam. Seus olhos eram aguçados e treinados para distinguir as sutis nuanças dos passos dos corredores que se aproximavam. Os que traziam más noticias aproximavam-se com pés pesados. Os corredores que traziam boas notícias aproximavam-se velozmente, com pés ligeiros na areia. Seus passos revelavam sua excitação. Para o vigia, a visão de um corredor aproximando-se a distância com seus pés voando sobre as montanhas era uma visão esplêndida de se contemplar.

Assim, a Bíblia nos fala da beleza dos pés daqueles que nos trazem as boas-novas. Quando minha filha nasceu, e o médico veio até a sala de espera para anunciar, eu queria abraçá-lo. Somos favoravelmente inclinados àqueles que nos trazem boas noticias. Sempre terei um lugar especial nas minhas afeições para o homem que primeiro me falou de Cristo. Eu sei que foi Deus quem me salvou, e não aquele homem, mas ainda assim aprecio o papel daquele homem na minha salvação.

Levar pessoas a Cristo é uma das maiores bênçãos pessoais que desfrutamos. Ser um calvinista não tira a alegria dessa experiência. Historicamente, os calvinistas têm sido fortemente ativos no evangelismo e nas missões mundiais. Temos somente que mencionar Edwards e Whitefield e o Grande Avivamento para ilustrar este ponto.

Temos um papel significativo a desempenhar no evangelismo. Pregamos e proclamamos o Evangelho. Esse é nosso dever e nosso privilégio. Mas é Deus quem traz o crescimento. Ele não precisa de nós para cumprir seu propósito, mas Ele se agrada de nos usar nessa tarefa.

Uma vez encontrei um evangelista viajante que me disse: “Dê-me um homem sozinho por quinze minutos, e eu conseguirei uma decisão por Cristo.” Tristemente, o homem cria realmente em suas próprias palavras. Ele estava convencido de que o poder da conversão estava somente em seus poderes de persuasão.

Não duvido de que o homem estava baseando sua alegação em seu registro do passado. Ele era tão arrogante que estou certo de que houve multidões que fizeram decisão por Cristo nos quinze minutos que ficaram sozinhos com ele. É claro, ele podia cumprir sua promessa de produzir uma decisão em quinze minutos. O que ele não podia garantir era uma conversão em quinze minutos. As pessoas faziam decisão só para ficarem livres dele.

Nunca devemos subestimar a importância de nosso papel no evangelismo. Também não podemos superestimá-lo. Nós pregamos. Damos testemunho. Fornecemos o chamado exterior. Mas só Deus tem o poder de chamar uma pessoa para si mesmo interiormente. Não me sinto traído por isso. Ao contrário, sinto-me confortado. Precisamos fazer nosso trabalho confiando que Deus fará o dele.

Fonte: Monergismo

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quem Pode nos Justificar?

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Lembro-me claramente dos momentos do Ensino Fundamental e Médio em que quando não se podia comparecer a escola por algum motivo de força maior, logicamente não se ia até ela. Mas não era apenas isso, ganhava-se uma "falta" no boletim da professora por não ter ido. Por mais que pudéssemos retrucar, argumentar e nos espernear no dia seguinte, nada que falássemos ou prometêssemos tiraria aquele "F" do boletim. Nenhum bilhete na agenda escrito por nós mesmos poderia nos livrar da falta, tampouco faria diferença alguma se recorrêssemos ao diretor e expuséssemos a real situação. Porém, nem tudo estava perdido! Havia um caminho para se justificar essa falta e ele não estava baseado em nós! Aliás, havia um único caminho, e era este: a justificativa assinada pela mãe ou pai e/ou responsável. Tendo a justificativa assinada por algum de nossos responsáveis, a nossa falta estava justificada! A justificativa de nosso responsável mostrava a professora que, embora tivéssemos faltado, havia uma justificativa a ser dada. O temeroso "F" não sumia do boletim, mas o asterisco revelava: "Falta justificada". Já não seriamos mais tidos como malandros ou alunos incompetentes, pois estávamos justificados.

É interessante como tal exemplo¹ (não criado por mim, ouvi-o certa vez) nos traz luz para assuntos pertinentes à vida cristã. Muitas pessoas na tentativa de se justificarem diante de Deus, fazem autocomiseração, "pagam promessa", distribuem tudo o que tem aos pobres, se refugiam em cidades isoladas onde o "pecado" não habita e vez por outra, movidas em grande ímpeto de desespero, doam tudo o que tem a uma "igreja". Ainda há outros que pensam que a justificação que Jesus imputou em nós, significa que agora somos sem pecado, criaturas capazes de viver uma vida inteira sem sequer pensar ou cometer algo pecaminoso. Tal doutrina encontra grande expoente em John Wesley e sua doutrina sinergista, onde o homem coopera com Deus em suas atividades.

Tais tentativas não são apenas de "meros mortais". Grandes homens como Lutero também já tentaram "comprar" sua justificação e se viram impotentes. Antes de descobrir a justificação por meio da fé, ele disse: "Minha situação era que, apesar de ser um monge impecável, estava diante de Deus como um pecador com a consciência perturbada, e não tinha confiança em que meu mérito podia apaziguá-lo. Portanto, eu não amava a um Deus justo, irado, mas o odiava e murmurava contra ele."² (grifo meu)

Mister é notarmos que quando entendemos erroneamente (tal qual Lutero em primeira instância) e não abraçamos as palavras de Paulo que dizem, "tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;" Rm 5.1, corremos grande perigo de tentarmos nos achegarmos a Deus e fazermos as pazes por nossas próprias forças. Somos capazes de nos esforçarmos ao máximo para demonstrar a Ele que somos dignos de alguma misericórdia, de que não somos tão maus assim, de que porque regularmente vamos aos cultos de domingo e lemos vez por outra a bíblia, deveríamos ser justificados por seu Filho. Porém, jamais devemos nos esquecer das palavras de Jesus: "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer." Lc 17.10

A corrente filosófica humanista não gosta desse tipo de versículo supracitado, pois dizem eles que o homem na verdade é bom, é justo. Em outras ocasiões eles também podem objetar que talvez o homem não seja nem bom nem mau, mas pronto para desenvolver sua própria razão em meio a uma sociedade já presente antes mesmo de seu nascimento. Certo estou de que tais humanistas, embora tenham uma boa motivação para não denegrir a imagem do ser humano (que é sustentado por Deus), pecam gravemente, pois não se baseiam nas Escrituras.

Sabemos bem que é apenas a Santa Escritura que é "inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra." 2Tm 3.16, 17 Nada além da bíblia deve nortear nossa fé. Se as Escrituras nos dizem que "não há um justo, nem um sequer", Rm 3.10, "desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um" Sl 14.3 e também "porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" Rm 3,23, devemos atentar para quão grande perigo é tentarmos nos auto-justificar perante Deus.

Ao comentar Rm 4.2-3, Calvino escreve: "Se Abraão foi justificado em razão de haver abraçado a munificência divina, mediante a fé, segue-se que ele não tem por que gloriar-se, visto que não traz nada propriamente seu exceto o reconhecimento de sua própria miséria que clama por misericórdia. O apóstolo está pressupondo que a justiça procedente da fé é o referencial de obras. Se houvesse alguma justiça procedente da lei ou das obras, então ela residiria no próprio homem. Todavia, este busca na fé o que não encontra em nenhum outro lugar. Por esta razão é que corretamente se intitula: justiça imputada pela fé."³

Que jamais tentemos nos justificar perante Deus, pois não há como um pecador se justificar perante o Deus Santo e imutável. Como pois ousaríamos nos defender perante o reto juiz que já sabe de antemão tudo aquilo que faremos e deixaremos de fazer? Como nos justificarmos perante o criador dos céus e da terra e que faz tudo "segundo o conselho da sua vontade" Ef 1.11? Há apenas um que pode nos justificar perante o Pai: Jesus Cristo.

Que possamos em uníssono recitar e nos apegarmos às palavras de Paulo que dizem: "E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé." Gl 3.11

Deus nos abençoe

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[¹]Importante é lembrar que tal exemplo é apenas a título de ilustração leiga, pois não reflete a totalidade e complexidade do assunto.
[²]http://www.monergismo.com/textos/justificacao/faltava_lutero_sproul.pdf
[³]http://www.monergismo.com/textos/jcalvino/romanos_cap4_vs2e3_calvino.htm

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Nova Perspectiva Sobre Paulo


A Nova Perspectiva Sobre Paulo -
por Augustus Nicodemus Lopes


Quando a gente pensa que já viu de tudo nos círculos acadêmicos de estudos bíblicos é surpreendido com a chegada de uma abordagem potencialmente revolucionária sobre o apóstolo Paulo. Essa abordagem acaba trazendo um profundo impacto em uma das doutrinas mais preciosas para os evangélicos, especialmente aqueles que se identificam com a Reforma protestante do séc. XVI.

Estou falando da “Nova Perspectiva sobre Paulo,” um movimento que tem cerca de 20 anos de existência e que somente mais recentemente chegou ao Brasil, especialmente através dos escritos N. T. Wright, de quem falaremos mais adiante. A NPP (“Nova Perspectiva sobre Paulo”) desde cedo caiu sob fogo cerrado de estudiosos dentro do campo Reformado. Homens do calibre de John Piper, D. A. Carson, Lingon Duncan, Sinclair Ferguson, e muitos outros têm escrito livros e artigos e feito palestras manifestando preocupação com as implicações deste movimento (veja aqui um estudo meu em português).

O que é, então, a NPP? Quais as suas propostas e por que elas têm causado furor entre os estudiosos evangélicos reformados? De maneira sucinta, a NPP defende que desde a Reforma protestante nós temos lido as cartas de Paulo de maneira errada. Pensávamos que o centro da pregação dele era a justificação pela fé sem as obras da lei, quando na verdade Paulo estava polemizando contra aqueles pregadores judeus cristãos que não queriam a presença dos gentios na nascente igreja judaico-cristã. É preciso, então, abandonar a “velha” perspectiva, que teve origem em Lutero e demais Reformadores, e adotar uma nova, que faça justiça aos fatos da época do apóstolo.

Deixe-me tentar explicar melhor como tudo isto começou, se é que é possível fazê-lo num espaço curto e mais ou menos informal como este.

1) Primeiro, é necessário entender que antes de ser uma nova perspectiva sobre Paulo, esta abordagem é uma nova perspectiva sobre o Judaísmo da Palestina nos tempos de Paulo. Estudiosos como E. P. Sanders (Paul and Palestinian Judaism, 1977) conseguiram convencer a muitos que o Judaísmo do primeiro século não era uma religião legalista de busca de méritos para a salvação. Os judeus já se consideravam salvos e faziam as obras da lei para permanecer no povo de Deus. Os fariseus, apesar do seu apego às leis de Moisés, sabiam que a salvação não era pela obediência a estas leis, mas pela fidelidade de Deus à aliança feita com Abraão. Portanto, quando Paulo dizia que a salvação era pela fé sem as obras da lei ele não estava combatendo o legalismo ou a tentativa de salvação pelas obras. Ele estava simplesmente condenando a ênfase que os judeus davam a estas obras a ponto de não permitir que não-judeus convertidos ao Cristianismo fossem considerados parte do povo de Deus.

Apesar de sua importância, há vários problemas com a obra de Sanders. Um deles é que ele usou fontes do século III e IV (Talmude, Mishna, midrashes) para reconstruir o pensamento judaico do século I, algo que chamamos de anacronismo.

2) A nova perspectiva de Sanders sobre o Judaísmo trouxe uma nova perspectiva sobre a Reforma. Para os defensores da NPP, Lutero leu Paulo à luz da sua própria experiência e assim desviou as igrejas reformadas da correta interpretação do que o apóstolo havia escrito sobre salvação, justificação e obras da lei. Já em 1963 o luterano Krister Stendhal havia escrito um artigo influente (“Paulo e a Consciência Introspectiva do Ocidente”) em que ele acusava Lutero de ter imposto a Paulo o seu próprio drama existencial quanto à salvação. Paulo nunca teve problemas de consciência antes de sua salvação, disse Stendhal, nem qualquer outro judeu daquela época. Ninguém estava perguntando “o que posso fazer para ser salvo” – essa foi a pergunta de Lutero, mas não era a pergunta de Paulo e nem dos judaizantes com quem ele discutiu em Gálatas. Além disto, as Confissões de Agostinho também influenciaram em demasia a igreja no Ocidente, levando-a à introspecção e à busca individual da salvação. Isso fez Lutero ver na polêmica de Paulo contra as “obras da lei” em Gálatas e Romanos a sua própria luta em busca de salvação dentro da igreja católica – o que foi um erro. Os defensores da NPP criticam os reformados por terem defendido durante tanto tempo que o centro da pregação de Paulo, bem como do Novo Testamento, era a doutrina da justificação pela fé, quando esta, na verdade, era a agenda de Lutero e não de Paulo.

Todavia, como tem sido observado, não foram somente os luteranos que tiveram este entendimento – o protestantismo em geral, inclusive aquele não influenciado diretamente pelas obras de Lutero e demais reformadores, sempre entendeu, lendo sua Bíblia, que ela trata essencialmente deste assunto: de que maneira o homem pode ser justificado diante de um Deus santo e justo?

3) Na seqüencia, veio uma nova perspectiva sobre as “obras da lei”. A Reforma sempre entendeu que “obras da lei” em Gálatas e Romanos, contra as quais Paulo escreve, eram aqueles atos praticados pelos judeus em obediência aos mais estritos preceitos da lei de Moisés. Eles procuravam guardar tais preceitos visando acumular méritos diante de Deus. Foi contra tais obras que Paulo asseverou aos gálatas e aos romanos que a salvação é pela fé em Jesus Cristo, somente. Mas, James G. Dunn, em especial, argumentou que as “obras da lei” a que Paulo se refere em Gálatas e Romanos eram a circuncisão, a guarda do calendário religioso e as leis dietárias de Moisés – sinais identificadores da identidade judaica no século I. Paulo era contra aquelas coisas porque elas separavam judeus dos gentios e impediam que gentios convertidos se sentassem à mesa com judeus convertidos. Em outras palavras, a polêmica de Paulo não era contra o legalismo dos judaizantes, mas contra a insistência deles em manter os gentios distantes. A questão não era soteriológica, mas eclesiástica. A Reforma havia perdido este ponto de vista por causa de Lutero e Agostinho.

Mas, cabe aqui a observação, se as obras da lei não eram esforços meritórios fica muito difícil entender não somente Gálatas e Romanos, mas inclusive passagens de Atos, como esta: “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (At 15:1). No fim tenho de escolher se acredito em Atos ou no que Dunn está dizendo.

4) Tudo isto trouxe o que James Dunn chamou de uma “nova perspectiva” sobre Paulo. Esse movimento se dividiu em duas linhas gerais. (a) Os mais radicais, que acham, como H-J Schoeps, que Paulo, por ser um judeu da Dispersão, não entendeu e portanto torceu inadvertidamente a soteriologia do Judaísmo da Palestina, atacando-o por julgar que era uma religião baseada em méritos, quando, na verdade, não era. Outros, como H. Räisänen, alegaram que Paulo era judeu por fora e gentio por dentro, o que lhe causava uma ambigüidade nunca vencida, que o levava a falar mal da lei em Gálatas e bem dela em Romanos. Nesta vertente, o problema é Paulo, que passou uma visão distorcida dos judeus e fariseus do primeiro século. Esta linha dentro da “nova perspectiva” não tem muitos defensores. A que ganhou mais aceitação foi a segunda, (2) aqueles que afirmam que o problema não é Paulo, mas os reformados que o leram com os óculos de Lutero. É preciso olhar Paulo de uma nova perspectiva, que leve em conta as descobertas de Sanders (Judaísmo não era legalista), Stendhal (Paulo era um fariseu sem problemas com a lei), Dunn (obras da lei são apenas marcadores de identidade judaicos). É preciso reler Gálatas e Romanos deste novo ponto de vista e tentar descobrir qual era realmente a polêmica de Paulo com os judeus, judaizantes e fariseus de sua época. Tem que ser outra coisa, mas não este assunto de salvação pela fé sem as obras da lei.

A pergunta que não quer calar é como a Igreja toda, mesmo contando com exegetas e teólogos do maior calibre, conseguiu se enganar por tanto tempo, do sécuilo XVI até hoje, em um assunto tão básico?

5) E por fim, tudo isto trouxe uma nova perspectiva sobre a justificação proposta pelos defensores da NPP. Os reformados sempre afirmaram, com base em Gálatas, Romanos e demais livros do Novo Testamento, que a mensagem central das cartas de Paulo é que os pecadores podem ser justificados de seus pecados mediante a fé em Jesus Cristo, sem obras pessoais e meritórias. E que esta justificação consiste em Deus nos imputar – isto é, atribuir – a própria justiça de Cristo. Lutero dizia que somos justificados com uma justiça alheia, a de Cristo, e não com uma justiça nossa, que procede de nossa obediência à lei de Deus (obras da lei). Lutero e demais reformadores entenderam que esse era exatamente o ponto de discussão entre Paulo e os judaizantes, que à sua época queriam exigir que os crentes não judeus guardassem a lei de Moisés para poderem ser salvos.

É aqui que entra em cena Nicholas Thomas Wright, bispo anglicano de Durham, Inglaterra, provavelmente hoje o estudioso mais conhecido e destacado que defende a “nova perspectiva” sobre Paulo. Ele ganhou a simpatia de muitos evangélicos por suas posições firmes contra o aborto e a eutanásia e as uniões civis de homossexuais dentro da Igreja Anglicana.

O ponto mais controverso da posição de Wright sobre Paulo é sua tentativa de redefinir a doutrina da justificação pela fé. Wright abraça a “nova perspectiva”, seguindo Stendahl, Sanders e Dunn. A principal obra de Wright, que o marcou como um defensor da “nova perspectiva” é What St. Paul Really Said (1997). Segundo ele, para Paulo a justificação não significa que Deus transfere a sua própria justiça ao pecador, como ensina a doutrina da imputação; Deus, à semelhança do que se faz num tribunal, considera vindicado o pecador, sem, todavia, imputar-lhe a sua própria justiça. Segundo Wright, é esse o caso nos tribunais gregos – nenhum juiz imputa ao acusado a sua própria justiça pessoal, simplesmente o absolve. A conclusão é que Paulo nunca ensinou a doutrina da imputação da justiça. Não é isso o que Paulo entende por justificação, justificar e justificado. Deus absolve o pecador por causa de sua fidelidade ao pacto, à aliança. É isso que significa a sua justiça.

Tem coisa boa na NPP? Tem, sim. O movimento nos desperta para estudarmos o contexto de Paulo mais profundamente. Os estudos de Sanders nos trouxeram muitas informações sobre o pensamento rabínico dos séculos III e IV quanto à salvação. As observações de Stendhal nos ajudam a ter uma visão mais correta sobre a relação pessoal de Paulo para com a lei – ele realmente não era um fariseu em crise existencial antes de se converter. E Dunn chama nossa atenção para o aspecto missiológico e social da polêmica de Paulo contra as obras da lei. Todavia, estes aspectos positivos não anulam as sérias implicações do movimento, especialmente quanto à doutrina da justificação.

Isso pode soar como mais uma daquelas questiúnculas irrelevantes que ocupam os teólogos a maior parte do tempo. Todavia, não é. O que a NPP coloca em jogo são duas das mais importantes doutrinas da fé cristã, que são a morte substitutiva de Cristo e a imputação da sua justiça aos que crêem. Mesmo que Wright fale que os crentes terão seus pecados perdoados, fica a pergunta: com base em que, se a morte de Cristo não é substitutiva e nem seus méritos são transferíveis?

Prefiro a velha perspectiva. Nem sempre o vinho novo é o melhor.

Fonte: O Tempora, O Mores

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Bem depressa vocês se desviaram do caminho"

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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"E vi que vocês tinham pecado contra o Senhor, o Deus de vocês. Fizeram para si um ídolo de metal em forma de bezerro. Bem depressa vocês se desviaram do caminho que o Senhor, o Deus de vocês, lhes tinha ordenado." Dt 9.16

Ao olharmos para o livro de Deuteronômio, vemos Moisés lembrando o povo daquilo que havia lhes acontecido nos últimos 40 anos que vagaram pelo deserto. Constantemente os lembrava da benignidade que Deus havia tido para com eles, de como os sustentara até o presente momento e também de como seus antepassados haviam pago com seu próprio sangue a desobediência dos preceitos que tinham recebido.

Apenas alguém (Moisés) revestido com o poder de Deus poderia aguentar um povo tão obstinado como aquele Israel pós-exílio. Durante 40 anos o Senhor havia lhes proporcionado o maná (Êx 16:35), reclamaram e murmuraram pedindo carne ao Senhor e Ele lhes concedeu (Êx 16.13), em todos esses anos suas roupas e sandálias nunca se desgastaram (Dt 29:5) e mesmo assim eram constantes suas reclamações contra Deus. Frequentemente diziam que Moisés os havia tirado do Egito para fazer com que eles morressem no deserto (Nm 16:13; Nm 20.4; Ex 14.11; Ex 16.13), também prefeririam a escravidão dos egípcios sobre eles do que morrerem no deserto (Ex 14.12).

Moisés por inúmeras vezes recorreu ao Senhor em profunda angústia, pedindo-lhe sabedoria e que tivesse misericórdia de seu povo. Aparenta-nos que a misericórdia que Moisés pedia não era tanto pelo povo em si (pois sabia que estavam em desobediência a Deus), mas porque a morte do povo poderia resultar na perda da glória de Deus diante dos demais povos. "Lembra-te de teus servos Abraão, Isaque e Jacó. Não leves em conta a obstinação deste povo, a sua maldade e o seu pecado, se não os habitantes da terra de onde nos tiraste dirão: 'Como o Senhor não conseguiu levá-los à terra que lhes havia prometido, e como ele os odiava, tirou-os para fazê-los morrer no deserto'." Dt 9.27-29 Moisés se importava com a glória e a imagem de Deus que seria vista pelos outros povos. Ele desejava que o seu Senhor fosse temido por todas as nações. Não poderia conceber a ridicularização do nome do Senhor perante as nações.

Exceto o caso de Moisés e seu zelo para com a glória de Deus em meios aos povos, como nos é familiar o restante tal história! Trocando o deserto por cidades e as nações por países, temos um relato perfeito de nossa história (leia-se, toda a história)! Sabemos que hoje somos o Israel de Deus, "porque nem todos os que são de Israel são israelitas" Rm 9.6, que fomos enxertados na videira verdadeira, "porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!" Rm 11.24. Se agora somos o Israel de Deus (não que não existam judeus verdadeiramente convertidos, mas que agora todo aquele que professa e vive a fé no Filho de Deus é considerado parte de seu povo, a limitação à etnia judaica foi abolida), então também temos de reconhecer que assim como o povo judeu, que tantas vezes por nós é criticado a ponto de lermos os relatos do AT e pensarmos, "Puxa vida! Será que não conseguiam manter uma conduta pura? Olha como Deus lhes supria a necessidade, livrava-os dos seus inimigos, lhes sustentava constantemente e mesmo assim se rebelavam contra Ele!", nós também caímos na murmuração e reclamação para com o Senhor. É importante sempre nos lembrarmos das palavras de Jesus: "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?" Mt 7.3

Se faz necessário atentarmos para que a história do povo de Israel tem se repetido ao longo das eras. Com isso não quero insinuar que o verdadeiro povo de Deus e seus filhos ficam sendo "levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro." Ef 4.14, mas que nem todo aquele que se diz fazer parte do povo de Deus, de fato o é verdadeiramente! O único motivo de podermos pertencer a Cristo é que as "misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;" Lm 3.22 Lembrando sempre também do importantíssimo ensino: "Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta." Tg 2.26

Que não transformemos a graça em libertinagem, "porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amo" Gl 5.13, tampouco nos esqueçamos de que "horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo." Hb 10.21, mas que possamos estar certos de nosso futuro, que "como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação." 2Co 1.7 , e sabendo também que "o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e nosso Deus e Pai, que nos amou, e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança." 2Ts 2.16

Que possamos seguir as diretrizes bíblias, não porque por elas é que seremos justificados, pois sabemos "o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele." Hb 10.38, mas porque amamos ao Senhor e reconhecemos que assim como o amado Timóteo, nós também precisamos fugir "destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. "1Tm 6.11

Atentemos para tão grande perigo que nos cerca (a rebelião contra Deus e seus preceitos) e percebamos o quão importante é fazer "todas as coisas sem murmurações nem contendas." Fp 2.14

Que Deus nos abençoe.

Os Pastores devem ser Teólogos?


Os Pastores devem ser Teólogos? -
por Tom Ascol


Cristo tenciona que suas igrejas sejam guiadas por homens que preenchem certas qualidades. Em suas cartas a Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo escreveu com muita clareza a respeito do que os presbíteros de uma igreja devem ser. A principal preocupação é o caráter. Eles devem ser homens cujas vidas são exemplo de santidade.

Além disso, os homens que devem pastorear o rebanho de Deus têm de ser doutrinariamente corretos. Precisam crer sinceramente na verdade e ser capazes de ensiná-la com clareza. Paulo estabeleceu esse fato em Tito 1.9, depois de ressaltar as qualificações morais que todo presbítero tem de possuir. Um presbítero, ele escreveu, deve ser "apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem".

As igrejas devem ser assistidas pelo ministério de pastores que são teólogos. Essa idéia parece bastante estranha em nossos dias porque nos últimos cem anos testemunhamos uma separação desses ofícios. Pastores estavam ligados às igrejas, enquanto os teólogos, fomos levados a crer, estavam vinculados a universidades e seminários.

No entanto, a instrução de Paulo a Tito nos força a admitir que todo pastor é chamado a ser um teólogo. A verdade que Deus revelou em sua Palavra tem de ser explorada, entendida, crida, ensinada e defendida. Isso descreve a obra de um teólogo, e o ministério pastoral não pode ser realizado eficazmente por um homem que não se engaja nesse tipo de esforço.

As igrejas devem ser governadas pela Palavra de Deus. Os homens que têm a responsabilidade de liderar uma igreja não têm outra alternativa, senão a de serem bem alicerçados nas Escrituras.

Um pastor deve ser firme em sua compreensão da Palavra, "que é segundo a doutrina". Paulo estava se referindo ao que, naquele tempo, havia se tornado um corpo reconhecido de ensino doutrinário. Antes de um homem ser qualificado para servir na função de pastor em uma igreja, ele deve "apegar-se" às doutrinas da Palavra de Deus; ou seja, ele tem de compreender essas doutrinas e crer nelas. Nem o pensamento superficial, nem um compromisso indiferente com os ensinos das Escrituras será suficiente para o homem que deseja ser um pastor na igreja de Jesus Cristo. Isso significa que os pastores devem ser homens que se dedicam com diligência ao estudo e cultivam constantemente fé humilde.

Paulo menciona duas razões por que um pastor tem de ser um teólogo diligente. A primeira diz respeito à sua responsabilidade de nutrir e cuidar do rebanho ao qual ele serve. Pastores têm de alimentar as ovelhas, e a única dieta que Deus prescreveu para seu povo é a sua Palavra (Hb 5.12-14; 1 Pe 2.2). Um presbítero de igreja deve ser "apto para ensinar" (1 Tm 3.2), pois é por meio do ministério da Palavra que os crentes são alimentados. Como David Wells sugere corretamente, um pastor é um agente da verdade, cuja responsabilidade primária é estudar, proclamar e aplicar a Palavra de Deus, para que o "caráter moral seja formado e a sabedoria cristã se manifeste" no povo de Deus. Essa é a primeira razão por que um pastor tem de ser um teólogo – para que possa instruir na "sã doutrina".

Mas um pastor não tem apenas de ensinar os filhos de Deus. Ele precisa também defendê-los. Ele tem de afirmar a verdade e refutar o erro. E ambas as tarefas exigem discernimento resultante de estudo cuidadoso. A igreja de Cristo sempre esteve impregnada de pessoas que "contradizem" a sã doutrina. A tarefa dos pastores consiste de repreender essas pessoas, de modo que o erro delas não se espalhe, como um câncer, na igreja (2 Tm 2.15-18).

O pastor tem de ser "bem instruído", escreveu Calvino, "no conhecimento da sã doutrina; a segunda é que tenha inabalável firmeza de coragem... e a terceira é que ele faça a sua maneira de ensinar tender à edificação".

Os maiores teólogos na história da igreja foram pastores fiéis. E os maiores pastores na história da igreja foram teólogos dedicados. É óbvio que os nomes em ambas as listas (com raras exceções) são os mesmos.

Agostinho, Lutero, Calvino, Gill, Edwards, Fuller, Spurgeon e Lloyd-Jones eram pastores-teólogos. Eram homens que levavam bem a sério as qualificações apostólicas quanto a um presbítero e, no cumprimento de sua chamada para pastorear o rebanho de Deus, dedicaram-se fielmente à obra de teologia.

J. I. Packer observou sabiamente: "Para ser um bom expositor... um homem tem de ser, primeiramente, um bom teólogo. Teologia é aquilo que Deus colocou nos textos da Escritura, e teologia é aquilo que os pregadores devem extrair desses textos".

Se anelamos ver renovada vitalidade espiritual enchendo as nossas igrejas, temos de insistir com aqueles que servem como pastores para que reconheçam estar inerente em sua vocação a responsabilidade de serem teólogos sãos. Somente assim o povo de Deus será instruído apropriadamente no caminho de Cristo e protegido, com eficácia, de erros e heresias que corroem a saúde espiritual.

Fonte: Editora Fiel

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Investimento Espiritual? E Eu preciso Disto?


Investimento Espiritual? E Eu preciso Disto? -
por Carlos Moreira

O executivo chegou ao restaurante esbaforido... Olhou o garçom e disse: “estou com pressa hoje... vou no self service”. Deslocou-se rapidamente e começou a servi-se das saladas...

A certa altura, chegou a uma bandeja onde estava exposto algo muito esquisito. Era uma pasta, uma espécie de suflê, mas com uma coloração marrom.

-Garçom, por favor... O que é isto?
-Comida pré-mastigada senhor.
-O que?!
-Sim, nós mastigamos antes de vocês chegarem e cuspimos de volta na bandeja.
-Que absurdo?! E tem gente que como esta porcaria?!
-Sim senhor, muita gente...
-Mas quem?
-Gente como o senhor, gente apressada, gente que não tem tempo para mastigar...

Que mundo maravilhoso este que vivemos! Tudo é muito prático, rápido. O mundo dos "instantâneos". Clica-se em um botão e algo liga; clica-se novamente e desliga! O controle remoto executa funções, o leite é integral, a comida congelada esquenta no microondas, o cappuccino dissolve na água quente, um toque e estamos na internet, a máquina libera o dinheiro da conta, o telefone nos conecta com qualquer um em qualquer lugar. Wonderful World!

Você sabia que todas estas coisas foram feitas para você economizar tempo? Sim, tempo é artigo de luxo, cada vez mais escasso, cada vez mais espaço. Horas “correndo”, minutos se passando, eles “roubam” o que deveria está sendo dedicado a coisas realmente “importantes”: reuniões, negócios pendentes, e-mai, conference call, aula do MBA, curso de inglês, malhar, namorar, twittar, se bronzear, pedalar... Puxa! Quantas coisas “imprescindíveis” que podem ser seqüestradas da nossa vida se não administrarmos bem nosso precioso tempo!

1,2,3, Aterrissando... Que tragédia! Essa é a sociedade na qual vivemos... Pessoas em busca de ser gigantes profissionais, não obstante pigmeus espirituais. Preocupam-se com a carreira, o sucesso, o apartamento, o carro, as contas, a aparência, o status quo. Satisfazem-se em crescer “para fora”, materialmente, socialmente, emocionalmente, profissionalmente, existencialmente, mas estão totalmente desconexas quanto ao crescimento de suas dimensões e percepções espirituais. E com isso não estou dizendo que crescer espiritualmente não seja também “subproduto” do avanço de outras áreas de nossas vidas, mas que isto, por si só, é totalmente insuficiente para produzir “musculatura espiritual”, significação emocional, propósito social, sustentabilidade existencial.

Não sei se você já se apercebeu, mas na vida não há processo de estagnação: o que não cresce, morre! Isso significa que há muitos que já morreram espiritualmente e não se deram conta disto. São cadáveres se arrastando pela existência, centenas de milhares de “zumbis” enchendo igrejas e achando que o fato de serem membros da “confraria”, ou de seguirem meia dúzia de “regras”, dogmas e liturgias já os habilita ao céu, com translado de 1ª classe ao paraíso e passaporte para a eternidade, ou seja, estão aptos a usufruir das benesses da vida eterna. Vai nessa...

Quando olho para as Escrituras, vejo algo totalmente diferente, pois é imperioso que aquele que nasceu de novo desenvolva a nova vida na esperança da salvação. Ora, isso não acontece de forma espontânea, mas requer investimento, aperfeiçoamento, esforço, perseverança, disciplina. Talvez, e infelizmente, nossa herança “protestante e reformada” nos legou um equívoco teológico gravíssimo: a falta de entendimento sobre a afirmação de Paulo aos Efésios de que somos salvos apenas pela fé. Isso é um fato incontestável, como também o é o que diz Tiago em sua epístola sobre um tipo de fé que não tem desdobramentos e, por conta disso, é inoperante e inconseqüente.

Depositar todas as fichas neste tipo de fé nos coloca numa perigosa zona de conforto. Aí o sujeito diz: “o sangue de Jesus já me lavou dos meus pecados e eu tenho a certeza da salvação”. Neste contexto, esta afirmação revela duas coisas: a presunção de alguém que ainda não entendeu que foi salvo pela fé, mas chamado para as obras e a clássica acomodação que se instaurou no coração de muitos entre o Povo de Deus. A vida cristã não termina quando eu digo sim a Jesus, apenas começa! Da mesma forma, dogma não é ponto de chegada, mas de partida...

Só para clarear um pouquinho nossa consciência entorpecida e, não raro, cauterizada, de que é necessário investimento espiritual para podermos avançar na vida cristã, dá uma olhadela nos textos abaixo:

Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais. 1ª Co. 14:1
Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Mt. 22:29
Apresenta-te a Deus aprovado, como obreiro que... maneja bem a palavra.... 2ª Tm. 2:15
Sejam estes... experimentados; e, mostrando-se irrepreensíveis, exerçam o diaconato. 1ª Tm. 3:10
Todo atleta em tudo se domina... para alcançar uma coroa corruptível; nós... a incorruptível. 1ª Co. 9:25
Finalmente, irmãos, nós vos rogamos e exortamos... que continueis progredindo cada vez mais. 1ª Ts. 4:1
Até que todos cheguemos... à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. Ef. 4:13
Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça... Mt. 6:33
Assim, pois, amados meus... desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor. Fp. 2:12
Tendo... tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza... aperfeiçoando a nossa santidade. 2ª Co. 7:1
Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa... o homem interior se renova de dia em dia. 2ª Co. 4:16
Também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir... 1ª Co. 14:12
Desejai ardentemente... o genuíno leite espiritual... para crescimento da vossa salvação. 1ª. Pe. 2:2

Como pastor ouço todos os dias pessoas que reclamam de não conseguir progresso na vida; muitos vivem de fazer “barganhas com o sagrado”. Outros tantos, que estão conseguindo algum “sucesso”, afirmam estarem insatisfeitos, incompletos, ansiosos, inquietos. Tem ainda os que chegaram ao “topo da pirâmide”, os “bem sucedidos” mas, curiosamente, sentem-se vazios, dessignificados. Eu os olho e lhes digo com todo o amor, com respeito e reverência “o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”.

Quanto você tem investido em sua vida espiritual? Quanto tempo gasta com as Escrituras? Ainda ora? Está envolvido com alguma atividade que promova o Reino de Deus? Está sendo discipulado, pastoreado, aconselhado? Quantos livros leu no ano que passou que lhe acrescentou conhecimento bíblico/teológico?

Agora me responda, sinceramente, você acha que, sem fazer nada, absolutamente nada, irá aprofundar sua vida com Deus? Me desculpe a sinceridade, não sei nem se você cresceu para o “lado de fora”, mas cabe-me perguntar-lhe: você cresceu algum centímetro para o “lado de dentro”?

Fonte: Genizah

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