"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Bem depressa vocês se desviaram do caminho"

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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"E vi que vocês tinham pecado contra o Senhor, o Deus de vocês. Fizeram para si um ídolo de metal em forma de bezerro. Bem depressa vocês se desviaram do caminho que o Senhor, o Deus de vocês, lhes tinha ordenado." Dt 9.16

Ao olharmos para o livro de Deuteronômio, vemos Moisés lembrando o povo daquilo que havia lhes acontecido nos últimos 40 anos que vagaram pelo deserto. Constantemente os lembrava da benignidade que Deus havia tido para com eles, de como os sustentara até o presente momento e também de como seus antepassados haviam pago com seu próprio sangue a desobediência dos preceitos que tinham recebido.

Apenas alguém (Moisés) revestido com o poder de Deus poderia aguentar um povo tão obstinado como aquele Israel pós-exílio. Durante 40 anos o Senhor havia lhes proporcionado o maná (Êx 16:35), reclamaram e murmuraram pedindo carne ao Senhor e Ele lhes concedeu (Êx 16.13), em todos esses anos suas roupas e sandálias nunca se desgastaram (Dt 29:5) e mesmo assim eram constantes suas reclamações contra Deus. Frequentemente diziam que Moisés os havia tirado do Egito para fazer com que eles morressem no deserto (Nm 16:13; Nm 20.4; Ex 14.11; Ex 16.13), também prefeririam a escravidão dos egípcios sobre eles do que morrerem no deserto (Ex 14.12).

Moisés por inúmeras vezes recorreu ao Senhor em profunda angústia, pedindo-lhe sabedoria e que tivesse misericórdia de seu povo. Aparenta-nos que a misericórdia que Moisés pedia não era tanto pelo povo em si (pois sabia que estavam em desobediência a Deus), mas porque a morte do povo poderia resultar na perda da glória de Deus diante dos demais povos. "Lembra-te de teus servos Abraão, Isaque e Jacó. Não leves em conta a obstinação deste povo, a sua maldade e o seu pecado, se não os habitantes da terra de onde nos tiraste dirão: 'Como o Senhor não conseguiu levá-los à terra que lhes havia prometido, e como ele os odiava, tirou-os para fazê-los morrer no deserto'." Dt 9.27-29 Moisés se importava com a glória e a imagem de Deus que seria vista pelos outros povos. Ele desejava que o seu Senhor fosse temido por todas as nações. Não poderia conceber a ridicularização do nome do Senhor perante as nações.

Exceto o caso de Moisés e seu zelo para com a glória de Deus em meios aos povos, como nos é familiar o restante tal história! Trocando o deserto por cidades e as nações por países, temos um relato perfeito de nossa história (leia-se, toda a história)! Sabemos que hoje somos o Israel de Deus, "porque nem todos os que são de Israel são israelitas" Rm 9.6, que fomos enxertados na videira verdadeira, "porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!" Rm 11.24. Se agora somos o Israel de Deus (não que não existam judeus verdadeiramente convertidos, mas que agora todo aquele que professa e vive a fé no Filho de Deus é considerado parte de seu povo, a limitação à etnia judaica foi abolida), então também temos de reconhecer que assim como o povo judeu, que tantas vezes por nós é criticado a ponto de lermos os relatos do AT e pensarmos, "Puxa vida! Será que não conseguiam manter uma conduta pura? Olha como Deus lhes supria a necessidade, livrava-os dos seus inimigos, lhes sustentava constantemente e mesmo assim se rebelavam contra Ele!", nós também caímos na murmuração e reclamação para com o Senhor. É importante sempre nos lembrarmos das palavras de Jesus: "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?" Mt 7.3

Se faz necessário atentarmos para que a história do povo de Israel tem se repetido ao longo das eras. Com isso não quero insinuar que o verdadeiro povo de Deus e seus filhos ficam sendo "levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro." Ef 4.14, mas que nem todo aquele que se diz fazer parte do povo de Deus, de fato o é verdadeiramente! O único motivo de podermos pertencer a Cristo é que as "misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;" Lm 3.22 Lembrando sempre também do importantíssimo ensino: "Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta." Tg 2.26

Que não transformemos a graça em libertinagem, "porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amo" Gl 5.13, tampouco nos esqueçamos de que "horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo." Hb 10.21, mas que possamos estar certos de nosso futuro, que "como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação." 2Co 1.7 , e sabendo também que "o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e nosso Deus e Pai, que nos amou, e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança." 2Ts 2.16

Que possamos seguir as diretrizes bíblias, não porque por elas é que seremos justificados, pois sabemos "o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele." Hb 10.38, mas porque amamos ao Senhor e reconhecemos que assim como o amado Timóteo, nós também precisamos fugir "destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. "1Tm 6.11

Atentemos para tão grande perigo que nos cerca (a rebelião contra Deus e seus preceitos) e percebamos o quão importante é fazer "todas as coisas sem murmurações nem contendas." Fp 2.14

Que Deus nos abençoe.

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