"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Preocupe-se menos com a vontade de Deus para sua vida!

Texto por Francis Chan
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Uma vez exposto nosso coração à verdade, se recusamos ou rejeitamos a obediência aos impulsos que ela desperta, bloqueamos os movimentos da vida dentro de nó, e, se persistimos, entristecemos e calamos o Espírito Santo. A. W. Tozer
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Quantos vezes você já ouviu alguém dizer: "Eu só queria conhecer a vontade de Deus para a minha vida"? Sei que eu ansiava por isso antes, mas agora vejo essa atitude como uma forma equivocada de raciocínio e discurso.

Há bem poucas pessoas nas Escrituras que conheceram por antecipação o plano de Deus para sua vida (ou mesmo algo menor, como o plano divino para os cincos anos seguintes). Pense em Abraão, que foi orientado a pegar sua família, juntar todas as suas posses e começar a caminhar. Ele não sabia aonde estava indo. Não sabia se voltaria depois. Não conhecia nenhum dos detalhes que consideramos fundamentais (p. ex., seu destino, quanto tempo sua jornada levaria, quais seriam os custos e as recompensas ou mesmo se ele poderia contar com um plano de saúde). Deus o mandou ir, e ele foi; era tudo quanto ele sabia.

Acho que muitos de nós precisamos nos preocupar menos com essa história da "vontade de Deus para a minha vida". Deus se importa mais com nossa reação à orientação do Espírito Santo hoje, neste momento, do que com aquilo que pretendemos fazer no ano que vem. Na verdade, as decisões que daremos no ano que vem serão influenciadas, em grande medida, pelo nosso grau de submissão ao Espírito Santo neste momento, nas decisões de hoje.

É fácil usar a expressão "a vontade de Deus para a minha vida" como uma desculpa para a passividade ou mesmo para a desobediência. É muito mais simples pensar na vontade divina para o seu futuro do que perguntar a ele o que deseja que você faça nos próximo minutos. É mais seguro se comprometer a segui-lo um dia do que hoje mesmo.

Para ser sincero, acredito que parte do desejo de "conhecer a vontade de Deus para minha vida" nasce do medo e culmina em paralisia. Temos pavor de cometer erros, por isso nos afligimos, tentando imaginar a vontade divina. Tentamos saber como é viver segundo sua vontade. Esquecemos que nunca nos foi prometido um plano de ação para os próximos vinte anos; em vez disso, Deus promete, por diversas vezes nas Escrituras, nunca nos deixar ou abandonar.

Deus quer que ouçamos seu Espírito todos os dias, e mesmo ao longo do dia, à medida que surgem as dificuldades os os momentos de tensão, em meio às pressões do mundo. Minha esperança é que, em vez de buscar "a vontade de Deus para minha vida", cada pessoa aprenda a buscar "a orientação do Espírito Santo para minha vida hoje". Que possamos aprender a orar pedindo um coração aberto e disposto a servir. Que possamos nos render imediatamente à direção do Espírito ao lidar com aquele amigo, com o filho, com o cônjuge, com as circunstâncias ou com as decisões que temos que tomar na vida.

Dizer que não somos chamados para descobrir "a vontade de Deus para minha vida" não significa que o Senhor não tem propósitos e planos para cada pessoa nem que ele deixa de se importar com o que fazemos da nossa vida. Ele se importa. Tanto no Antigo quanto no Novo testamento, ele nos diz que isso é verdade. O segredo é que ele nunca prometeu revelar esses propósitos de uma vez, por antecipação. Sabemos o que é necessário para manter a sintonia com o Espírito Santo. Na carta de Paulo os Gálatas, lemos: "Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne [...] Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito." Gálatas 5.16,25

As expressões "manter a sintonia com o Espírito" e "caminhar em Espírito" provavelmente são familiares a você, mas será que afetam sua vida de uma maneira prática e significativa? Como já mencionei, acho que se concentrar no plano de Deus para o futuro geralmente serve como justificativa para não vivermos de maneira fiel e sacrificial agora mesmo. Isso tender a criar uma zona de segurança inferior, onde podemos sentar e bater papos "espirituais" sobre o que Deus "deve" ter planejado para nossa vida. Pensar, questionar e falar pode substituir a iniciativa de permitir que o Espírito Santo influencie nossas ações imediatamente de maneira radical.

Deus deseja que seus filhos fundamentem todas as coisas em seu poder e em sua presença.

Fonte: O Deus esquecido - Francis Chan com Danae Yankoski - Ed. Mundo Cristão

segunda-feira, 24 de maio de 2010

"Vocês são o sal da terra"

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Domingo após domingo, vamos ao culto)e nos assentamos para ouvir a palavra. Olhamos ao nosso redor e vemos várias pessoas, cada uma com seu jeito e maneira única de ser. Então pensamos: "Que maravilha! Olha quantos cristãos temos aqui nesta noite!". Embora por hora possamos ficar felizes, talvez a situação seja um pouco diferente. É necessário se ter um grande cuidado ao olhar para dentro da comunidade evangélica e considerar todas as pessoas como cristãs.
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"Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens." Mateus 5.13

Deste pequeno versículo, podemos observar 2 grandes preceitos:

1. Somos o sal da terra

Após Jesus discorrer sobre as bem-aventuranças, ele fala sobre como deve viver um bem-aventurado. Ele começa dizendo aos discípulos que "vocês são o sal da terra". É importante notarmos que Jesus emprega o tempo verbal no presente. Ele não diz que os discípulos outrora foram sal da terra, nem tão pouco que haveriam de ser sal na terra, mas sim que eles são o sal da terra. E essa afirmação nos leva a ponderar nossas qualidades de cristãos verdadeiros (ou não). É necessário que façamos uma análise de nossa vida e vejamos se fato temos sido sal nesta terra. Não podemos viver pensando que "um dia seremos sal", mas devemos levar nossos pensamentos no tempo presente; sabendo que, se dizemos que somos cristãos, devemos ser sal na terra.

Embora eu não entenda de química, sei que para um elemento ser chamado de sal, ele deve necessariamente conter todas as propriedades que dizem respeito ao seu "código genético". O sal só é sal, se estiver em conformidade com seu código, caso contrário apenas se parecerá e terá um gosto parecido com o verdadeiro sal, mas não o será. Ou seja, não há a possibilidade de querermos ser cristãos, se não andarmos em conformidade com toda a palavra de Deus. Assim como o sal não pode ser verdadeiramente sal se lhe faltar algum elemento molecular, o cristão também não pode ser chamado de verdadeiro cristão se não contiver os elementos moleculares necessários para que seja chamado de "cristão". Leitura da palavra, meditação nos princípios de Deus, oração, entendimento correto da graça de Deus... são inúmeros os pontos que constituem o verdadeiro DNA cristão.

2. Semi-cristãos não servem para nada.

Jesus agora faz uma pergunta que nós não gostamos de fazer: "Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo?" Em outras palavras, Jesus pergunta: "O que fazer quando alguém diz que é cristão e não vive como tal?" Essas palavras não nos são agradáveis e as vezes não gostamos de pensar no assunto. Não gostamos pois temos a tendência de achar que todos que dizem "eu amo Jesus", são de fato cristãos e sal na terra. Observe que Jesus primeiro coloca diante de seus discípulos uma condição para que sejam chamados de cristãos , e depois lhes acrescenta dizendo que, se alguém se diz sal, mas não é, "não servirá para nada, exceto para ser jogado e pisado pelos homens.". A analogia com a culinária é claríssima. O sal tem a função de temperar e conservar a comida. Uma vez perdida essa utilidade, não servirá absolutamente para nada, "exceto para ser jogado e pisado pelos homens".

É muito "amor" de nossa parte achar que todos dentro da igreja são verdadeiros cristãos e verdadeiros sais na terra. É extremamente perigoso fazermos vista grossa a esse grande problema que tem nos afligido: o eufemismo cristão. Nossos púlpitos estão vazios de pregadores ousados e que digam a verdade, por mais cruel que esta possa parecer. A onda da "boa vizinhança" não permite críticas (por mais idôneas e justas que sejam), pois crê que o melhor caminho para um cristianismo saudável é tapar os ouvidos e fechar os olhos para os falsos crentes que estão entre nós.

Ao ponderarmos este ponto, devemos ter cuidado para não cairmos em um moralismo religioso. Jesus ao falar sobre ser sal na terra, não excluiu os momentos de dificuldades, pecados e tentações, ele apenas estava dizendo que o cristão é sal na terra, e por esse motivo é que deve se esmerar na luta contra este mundo pecaminoso. Ninguém se torna um cristão nato da noite para o dia, sabemos que há uma caminhada processual; contudo, esta caminhada não nos dá a liberdade para escolhermos quando queremos ser, e quando não queremos ser sal. Com isso não quero ser moralista ou juiz (pois se há alguém que deva ser condenado, este alguém sou eu), mas devemos aprender a exortar essas pessoas que semanas à fio ficam apenas esquentando os bancos das igrejas! É necessário que entendamos que o cristianismo nunca foi construído em cima de números, mas sim, em cima de qualidade e entendimento correto dos preceitos de Deus.

Que as propriedades de um verdadeiro discípulo possam habitar em nós, para que possamos refletir a glória de Deus em meio a este mundo corrompido e insípido.

Deus abençoe!

terça-feira, 18 de maio de 2010

"Concedeste porque tu ordenaste, e ordenaste o que tu desejaste"

Texto por John Piper
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A oração de Agostinho -- "Concedeste porque tu ordenaste, e ordenaste o que tu desejaste" -- ofendeu profundamente Pelágio, seu adversário. Isso implicava que Deus não apenas disse ao ser humano o que ele devia fazer, em que crer e a quem obedecer, mas também concedeu-nos a habilidade para fazer o que ele ordena. Isso parecia, para Pelágio, minar a responsabilidade humana e dar diretamente a Deus a decisão prévia de quem creria e não creria.

Em 2Crônicas 30.1-12, temos um exemplo marcante do tipo de Escritura que formou a visão de Agostinho sobre como Deus opera. Ezequias se tornara rei num trono que fora ocupado por muitos outros reis perversos. "Fez ele o que era reto perante o Senhor" (2Cr 29.2). A restituição da Páscoa for um exemplo disso. Ela deixara de ser celebrada muito tempo. No capítulo 30, Ezequias envia mensageiros "por todo o Israel e Judá", incluindo Efraim e Manassés, conclamando o povo a ir ao Tempo do Senhor, em Jerusalém, para comemorar a Páscoa (30.1). Nas cartas que Ezequias enviou às tribos, a bênção de Deus está estritamente condicionada a como as pessoas respondem. Aqui está o que as cartas dizem:

"Partiram os correios com as cartas do rei e dos seus príncipes, por todo o Israel e Judá, segundo o mandado do rei, dizendo: Filhos de Israel, voltai-vos ao Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, para que ele se volte para o restante que escapou do poder dos reis da Assíria. Não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, que prevaricaram contra o Senhor, Deus de seus pais, pelo que os entregou à desolação, como estais vendo. Não endureçais, agora, a vossa cerviz, como vossos pais; confiai-vos ao Senhor, e vindo ao seu santuário que ele santificou para sempre, e servi ao Senhor, vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós. Porque, se vós vos converterdes ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos e tornarão a esta terra; porque o Senhor, vosso Deus, é misericordioso e compassivo e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele" 2Crônicas 30.6-9 (grifo do autor)

Observe cuidadosamente como as palavras em itálico dessa passagem condicionam a bênção de Deus à resposta humana: "se vós vos converterdes ao Senhor... Se vos converterdes a ele". Muitas pessoas lêem esse tipo de exigência divina e concluem claramente que Deus condiciona as bênçãos a nossa autodeterminação. Alguns admitirão que Deus pode oferecer-nos alguma ajuda para nos encorajar a obedecer-lhe, uma medida de "graça preventiva" (graça que precede nossa obediência). Elas dizem: "Essas condições nos versículo 9 (se vós vos converterdes ao Senhor, Se vos converterdes a ele), não podem ser reais, já que decididamente o próprio Deus gera as condições que devem ser cumpridas" (alguns, como os teístas abertos, diriam que as condições não são reais, se o próprio Deus sabe previamente o que vamos fazer).

Isso parece razoável para muitas pessoas. Quando Deus diz: "Se você fizer isso, então eu o abençoarei", parece razoável que ele espere ver o que faremos através de nosso poder de decisão. Assim, ele poderá agir baseado não no que ele faz, mas naquilo que fazemos independentemente de seu controle decisivo. Entretanto, o problema com essa conclusão aparentemente "razoável" é que ela contradiz os versículos seguintes. Quando a carta de Ezequias chega ao povo de Israel e Judá, eis o que acontece:

"Os correios foram passando de cidade em cidade, pela terra de Efraim e Manassés até Zebulom; porém riram-se e zombaram deles. Todavia, alguns de Aser, de Manassés e de Sebulom se humilharam e foram a Jerusalém. Também em Judá se fez sentir a mão de Deus, dando-lhes um só coração, para cumprirem o mandado do rei e dos príncipes, segundo a palavra do Senhor" 1Crônicas 30.10-12

O versículo 12 é chocante para a mente "razoável" que conclui dos versículos 6 a 9 que as condições dadas por Deus implicam que ele esperaria e observaria se as pessoas satisfazem tais condições por seu poder de decisão. O versículo 12 diz que a mão de Deus está sobre Judá para lhes dar um coração que fizesse o que o rei Ezequias estava ordenando pelo Senhor. A palavra "também", na frase "Também em Judá se fez sentir a mão de Deus", implica que a obediência humilde de Aser, Manassés e Zebulom (e não apenas Judá) se devia também à mão do Senhor. O interessante aqui é que o escritor bíblico não sente nenhuma inconsistência ou contradição em dizer que a obediência é uma condição que as pessoas devem cumprir e que essa obediência é uma obra que Deus produz no coração delas.

Isso é o tipo de coisa que Agostinho viu em muitos lugares da Bíblia, e por que ele orou: "Concedeste porque tu ordenaste, e ordenaste o que tu desejaste". Significa que você não pode simplesmente tomar todas as condições da Bíblia, juntá-las e usá-las como argumento de que cabe apenas ao homem, através de seu poder de autodeterminação, dar um veto definitivo à vontade soberana de Deus. Devemos afirmar as condições expressas na Palavra tão veemente quanto a Bíblia o faz (se você retornar ao Senhor, então ele o salvará). Entretanto, devemos também nos recusar a admitir a aparente conclusão de que a pessoa tem total auto-suficiência para cumprir tais condições. A Bíblia ensina duas coisas: muitas das bênçãos de Deus dependem de nossa resposta de fé; e o próprio Deus é que finalmente nos capacita a responder com fé e obediência.

Oramos a Deus, portanto, para obter capacitação naquilo que ele nos chama, e a outros, a fazer. De fato, eis exatamente por que a oração é necessária. Somente Deus pode fazer realizar o necessário. Somos tão pecadores e rebeldes, tão difíceis e relutantes, que se deixarmos tais coisas por nossa conta, cairemos exatamente no mesmo erro das pessoas de 2Crônicas 30.10: "riram-se e zombaram" deles. É sabido que devemos operar nossa salvação com tais esforços, e isso é dom da graça de Deus, que nos mantém constantes em nosso clamor pela graça capacitadora e vigorosos em nossa obra (Fp 2.12,13). Quanto mais poderíamos dizer com o apóstolo Paulo:

"Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo" (1Co 15.10). Trabalhei duro, mas não eu. É isso que 2Crônicas e Agostinho têm a nos ensinar.

Fonte: A vida é como a neblina - meditações para revigorar a fé - por John Piper

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nem neste monte, nem em Jerusalém, mas em todo o tempo!

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Ao visualizarmos e analisarmos o cenário cristão atual, vemos que existem diferentes tipos de reuniões, músicas, ministérios e outras coisas mais que diferenciam uma comunidade da outra. Embora haja uma pluralidade de estilos e gostos (o que não é ruim), há algo em comum (que é muito ruim e perigoso) em quase todos: o misticismo travestido de cristianismo.
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Desde os tempos dos relatos bíblicos, vemos que o povo não gosta de quebrar paradigmas e repensar suas ideias e práticas. Insistem em praticar as mesmas coisas ao longo do tempo, apenas porque seus pais faziam e diziam que assim era a maneira correta de se proceder, e portanto, agora assim eles o fazem. O povo hebreu tinha grandes dificuldades com mudanças, não gostava de ser exigido e confrontado, preferia a monotonia em vez da mudança. Igualmente , o povo judeu teve dificuldades para entender o que Jesus veio fazer e que mudanças promoveria.

No cenário atual, vemos uma crescente busca pelo misticismo bíblico. Mas que misticismo? Poderíamos falar de inúmeras práticas ditas "espirituais", que na verdade nada mais são do que misticismos travestidos de cristianismo, porém, quero me ater a apenas uma: o local de adoração.

Em João capítulo 4, versículos 1 a 26, vemos Jesus conversando com uma mulher samaritana, uma história cheia de grandes detalhes e riquezas, porém quero dar atenção aos últimos momentos da conversa. São nestes últimos momentos que Jesus quebra a religiosidade daquela mulher e de todo o seu povo. Nos versículos 20,21, lemos: "Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Jesus declarou: 'Creia em mim, mulher: está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém'." Não bastasse o fato de Jesus passar por Samaria (local que os judeus evitavam), conversar com uma mulher e pedir-lhe algo, ele vai em frente e diz a mulher que em breve ela perderá o seu local de culto e adoração. A mulher que estava acostumada a sempre se dirigir a um determinado monte, como sendo ali o seu local de adoração, agora se vê perplexa diante da breve remoção de seu local sagrado.

Algum tempo depois de o reino do Norte cair sob a Assíria (721 a.C.), uma ruptura surgiu entre os judeus, em Jerusalém, e os israelitas que viviam em Samaria. Estes samaritanos, posteriormente, construíram um templo no Monte Gerizim, que foi destruído em cerca de 130 a.C. Nota de rodapé - Bíblia de Estudo de Genebra

Após a mulher ser avisada de que perderia seu local de adoração, no versículo 23, lemos Jesus dizendo: "No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura." É mister notarmos que Jesus quebra com toda a esperança que ainda pudesse haver no coração daquela mulher. Talvez ela pensasse que pudesse continuar escolhendo adorar apenas naquele monte, mas as palavras de Jesus não permitiam tal pensamento, pois ele havia dito que somente aqueles que adoram em espírito e em verdade são os que o Pai procura. Não há lugar para a religiosidade nas palavras de Jesus!

No versículo 24, Jesus diz a mulher: "Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". Jesus não diz a mulher que ela tem a opção de ir regularmente ao monte, prestar sua adoração, voltar para casa, continuar seus afazeres, cuidar das crianças, dar atenção ao marido e esperar o próximo dia para ir ao monte. Não! Jesus diz que é necessário adorar em espírito e em verdade. Algo necessário não é algo que pode vir a ser útil, mas sim que precisa acontecer, precisar ser realizado, precisa fazer parte do cotidiano e da vida como um todo. J. I. Paker comenta dizendo: "Espírito contrasta com carne. A ideia central de Cristo era que o homem, sendo 'carne' só pode estar presente em um lugar de cada vez. Deus porém, sendo espírito, não é assim limitado. Deus não é material, não tem corpo, portanto, não fica confinado a um lugar."

Diante desta conversa entre Jesus e a mulher Samaritana, fico me perguntando o que ainda leva milhares de evangélicos a "Cidade Santa". Ora, não podemos negar que uma visita a cidade e região onde Jesus viveu nos traga uma melhor visualização geográfica e certamente apazigua nossa curiosidade quanto a questões sociais, estruturais e tantas outras; mas é apenas isso! Quão errados estão aqueles que vão até lá para se batizarem no Rio Jordão, comerem pães asmos e verem o monte das Oliveiras, achando que sairão mais puros, santificados e espirituais do que aqueles que ficam em suas cidades!

Tão errado quanto estes que gastam fortunas indo a Jerusalém, somos nós quando dizemos que "domingos a noite vamos ao culto". É claro que é a força do hábito que nos fazer dizer isso, mas quão infeliz é essa expressão! Acaso estamos querendo prender a presença de Deus em um espaço físico e limitado por tempo? Será que tal qual a mulher Samaritana, nós ainda achamos que nos domingos a noite há alguma magia especial, uma presença maior de Deus e uma necessidade maior de O adorar?

Ao contrário do que muitos pensam, não há nada de mais especial na cidade de Jerusalém, no Monte Gerizim ou em qualquer local que você se reúna com frequencia nos domingos a noite, do que o local em que você está agora. Sei que é necessário que congreguemos e disso também não abro mão, porém não podemos achar que pelo fato de termos um dia específico para nos reunirmos é que este deve ser o único momento ou talvez o maior momento de adoração; caso contrário nos assemelharemos a mulher Samaritana e ouviremos de Jesus: Nem neste monte, nem Jerusalém, mas em todo o tempo!

Deus abençoe!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nenhum dos Teus planos pode ser frustrado

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Talvez uma das histórias mais conhecidas pelo povo cristão, seja a história da fornalha em chamas, onde milagrosamente Sadraque, Mesaque e Abede-Nego escaparam ilesos da morte eminente. Certamente este é um relato que nos deixa perplexos diante de tamanho livramento da parte de Deus para com seus filhos. Um ótimo relato da onde devemos tirar ricas lições para nossas vidas.

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Em Daniel 3 lemos sobre a imagem de ouro que Nabucodonosor mandara erguer. A imagem foi feita após Daniel interpretar o sonho ao rei, que após isso, mandou erguer uma grande imagem de ouro, para que ao som da trombeta e de toda espécie da música, o povo se curvasse perante a imagem erguida. Havia um decreto severo sobre o povo. Todo aquele que não se prostrasse em terra ao som da trombeta, seria "imediatamente atirado numa fornalha de chamas" (3.6). Lemos então, que, após o primeiro toque da trombeta, todo o povo curvou-se e adorou a imagem feita pelo rei. Porém, achou-se alguns judeus que não se prostraram perante a imagem, e estes homens eram Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, todos nomeados administradores da província. (para maior entendimento, leia os capítulos 1-3). Visto que eles não adoraram a imagem, foram condenados a fornalha em chamas.

É importante atentarmos para alguns detalhes desta passagem. Nos versículos 13-15, vemos Nabucodonosor dando uma chance os 3 homens, para que se voltassem a imagem e a adorassem, pois segundo o rei, assim seria melhor para eles e não teriam de ser mortos na fornalha. Aqui vemos que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego tiveram nova oportunidade para apostatar da fé e negar sua fidelidade ao Deus de Israel, tudo em troca da mordomia e regalia que usufruíam como administradores da Babilônia.

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, ao contrário de todo incentivo e expectativa do rei, não se prostraram perante a imagem. Disseram eles: "Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das tuas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandantes erguer." (3.16-18) Eles ousaram confiar que Deus poderia livrá-los, se assim desejasse! Mas entenderam que, caso esse não fosse o propósito divino, eles continuariam firmes e não se curvariam diante da imagem. É notório observarmos que os 3 homens não abusaram de suas credenciais como "filhos do Deus altíssimo" para decretar o livramento da condenação e receberem a benção do livramento, apenas confiaram que Deus poderia livrá-los.

"Nabucodonosor ficou tão furioso com Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que o seu semblante mudou. Deu ordens para que a fornalha fosse aquecida sete vezes mais do que de costume." (3.19) Talvez nesta hora os homens de Deus pensassem que ali se encerrava toda esperança de um possível livramento. Poderiam ter pensado, "certamente Deus poderia livrar-nos da fornalha, mas agora ela está sete vezes mais quente, isso é impossível!". Podemos imaginar o terror que transpassava seus corações nesse momento, a aflição e angústia de verem a fornalha sendo aquecida muito além da condição normal, que já era terrível e mortal! O destino parecia certo e seus corpos seriam entregues a morte.

Entretanto, contrariando toda a lógica e possibilidades de saírem vivos, lemos que ao saírem da fornalha, "os sátrapas, os prefeitos, os governadores e os conselheiros do rei se ajuntaram em torno deles e comprovaram que o fogo não tinha ferido o corpo deles. Nem um só fio de cabelo tinha sido chamuscado, os seus mantos não estavam queimados, e não havia cheiro de fogo neles." (3.27) A glória de Deus estava sobre aqueles homens! Nada poderia matá-los enquanto Deus assim não desejasse! Não havia possibilidade de a fornalha matar aqueles homens, pois Deus havia determinado que naquele momento, ao passarem pela fornalha sete vezes mais quente, eles não deveriam morrer. O tempo deles não havia chegado, e nada atrapalharia os planos de Deus!

Nada pode impedir que aquilo que Deus determinou que aconteça, deixe de acontecer por obra ou ambição humana. As Escrituras nos mostram o relato de um Deus fiel, que cumpre e realiza todos os seus propósitos, independentemente das condições, por mais adversas que possam parecer. A soberania de Deus não entra em conflito com as atitudes humanas, pois é ele quem as controla e as tem sob seu domínio. Nem Nabucodonosor, nem fornalha sete vezes mais quente, nem nada neste mundo poderia abreviar o tempo e vida de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na Terra! Estes homens gozavam de um relacionamento com o Todo-Poderoso e por isso podiam confiar que, quer morressem, quer vivessem, estariam debaixo da mão soberana de Deus.

Que assim como Jó, nós também possamos dizer: "Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado." Jó 42.2

Louvado seja o nosso Deus!

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