"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

Se inscreva no meu canal do YouTube!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nem neste monte, nem em Jerusalém, mas em todo o tempo!

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
-----

Ao visualizarmos e analisarmos o cenário cristão atual, vemos que existem diferentes tipos de reuniões, músicas, ministérios e outras coisas mais que diferenciam uma comunidade da outra. Embora haja uma pluralidade de estilos e gostos (o que não é ruim), há algo em comum (que é muito ruim e perigoso) em quase todos: o misticismo travestido de cristianismo.
---

Desde os tempos dos relatos bíblicos, vemos que o povo não gosta de quebrar paradigmas e repensar suas ideias e práticas. Insistem em praticar as mesmas coisas ao longo do tempo, apenas porque seus pais faziam e diziam que assim era a maneira correta de se proceder, e portanto, agora assim eles o fazem. O povo hebreu tinha grandes dificuldades com mudanças, não gostava de ser exigido e confrontado, preferia a monotonia em vez da mudança. Igualmente , o povo judeu teve dificuldades para entender o que Jesus veio fazer e que mudanças promoveria.

No cenário atual, vemos uma crescente busca pelo misticismo bíblico. Mas que misticismo? Poderíamos falar de inúmeras práticas ditas "espirituais", que na verdade nada mais são do que misticismos travestidos de cristianismo, porém, quero me ater a apenas uma: o local de adoração.

Em João capítulo 4, versículos 1 a 26, vemos Jesus conversando com uma mulher samaritana, uma história cheia de grandes detalhes e riquezas, porém quero dar atenção aos últimos momentos da conversa. São nestes últimos momentos que Jesus quebra a religiosidade daquela mulher e de todo o seu povo. Nos versículos 20,21, lemos: "Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Jesus declarou: 'Creia em mim, mulher: está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém'." Não bastasse o fato de Jesus passar por Samaria (local que os judeus evitavam), conversar com uma mulher e pedir-lhe algo, ele vai em frente e diz a mulher que em breve ela perderá o seu local de culto e adoração. A mulher que estava acostumada a sempre se dirigir a um determinado monte, como sendo ali o seu local de adoração, agora se vê perplexa diante da breve remoção de seu local sagrado.

Algum tempo depois de o reino do Norte cair sob a Assíria (721 a.C.), uma ruptura surgiu entre os judeus, em Jerusalém, e os israelitas que viviam em Samaria. Estes samaritanos, posteriormente, construíram um templo no Monte Gerizim, que foi destruído em cerca de 130 a.C. Nota de rodapé - Bíblia de Estudo de Genebra

Após a mulher ser avisada de que perderia seu local de adoração, no versículo 23, lemos Jesus dizendo: "No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura." É mister notarmos que Jesus quebra com toda a esperança que ainda pudesse haver no coração daquela mulher. Talvez ela pensasse que pudesse continuar escolhendo adorar apenas naquele monte, mas as palavras de Jesus não permitiam tal pensamento, pois ele havia dito que somente aqueles que adoram em espírito e em verdade são os que o Pai procura. Não há lugar para a religiosidade nas palavras de Jesus!

No versículo 24, Jesus diz a mulher: "Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". Jesus não diz a mulher que ela tem a opção de ir regularmente ao monte, prestar sua adoração, voltar para casa, continuar seus afazeres, cuidar das crianças, dar atenção ao marido e esperar o próximo dia para ir ao monte. Não! Jesus diz que é necessário adorar em espírito e em verdade. Algo necessário não é algo que pode vir a ser útil, mas sim que precisa acontecer, precisar ser realizado, precisa fazer parte do cotidiano e da vida como um todo. J. I. Paker comenta dizendo: "Espírito contrasta com carne. A ideia central de Cristo era que o homem, sendo 'carne' só pode estar presente em um lugar de cada vez. Deus porém, sendo espírito, não é assim limitado. Deus não é material, não tem corpo, portanto, não fica confinado a um lugar."

Diante desta conversa entre Jesus e a mulher Samaritana, fico me perguntando o que ainda leva milhares de evangélicos a "Cidade Santa". Ora, não podemos negar que uma visita a cidade e região onde Jesus viveu nos traga uma melhor visualização geográfica e certamente apazigua nossa curiosidade quanto a questões sociais, estruturais e tantas outras; mas é apenas isso! Quão errados estão aqueles que vão até lá para se batizarem no Rio Jordão, comerem pães asmos e verem o monte das Oliveiras, achando que sairão mais puros, santificados e espirituais do que aqueles que ficam em suas cidades!

Tão errado quanto estes que gastam fortunas indo a Jerusalém, somos nós quando dizemos que "domingos a noite vamos ao culto". É claro que é a força do hábito que nos fazer dizer isso, mas quão infeliz é essa expressão! Acaso estamos querendo prender a presença de Deus em um espaço físico e limitado por tempo? Será que tal qual a mulher Samaritana, nós ainda achamos que nos domingos a noite há alguma magia especial, uma presença maior de Deus e uma necessidade maior de O adorar?

Ao contrário do que muitos pensam, não há nada de mais especial na cidade de Jerusalém, no Monte Gerizim ou em qualquer local que você se reúna com frequencia nos domingos a noite, do que o local em que você está agora. Sei que é necessário que congreguemos e disso também não abro mão, porém não podemos achar que pelo fato de termos um dia específico para nos reunirmos é que este deve ser o único momento ou talvez o maior momento de adoração; caso contrário nos assemelharemos a mulher Samaritana e ouviremos de Jesus: Nem neste monte, nem Jerusalém, mas em todo o tempo!

Deus abençoe!

Comente com o Facebook:

5 comentários :

  1. Ótimo texto, Filipão!
    Bom tema, boa abordagem e excelentes colocações. Que Deus continue levantando pessoas com uma profunda convicção bíblica, da qual você faz parte.
    Abraços.
    Alberto Oliveira
    www.ecclesiareformanda.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. É isso a "cabelo"! A verdadeira adoração acontece na vida, e a vida é a verdadeira adoração. Vivemos em culto! Não vamos ao culto! Somos chamados para adorar em todo tempo, lugar e de todas as forma possíveis. Essa compreensão nos liberta do escravismo religioso, da formas humanas e da institucionalização do sagrado. Assim adoramos "em espírito e em verdade". Aleluiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!

    ResponderExcluir
  3. Amei, amém. Sair destes cegos
    Por dinheiro alheios sistema
    Que só favorece aos cães gulosos
    Obreiros fraudulentos.

    ResponderExcluir
  4. Ótima interpretação, concordo, as maiores e profundas mensagens de Jesus não foram dentro de templos, mas nos lugares mais simples . e o véu foi rasgado temos livre acesso em qualquer lugar podemos o adora-lo. As igrejas tem mania de dizer que temos que estar na igreja todos os dias de culto. E se não vamos e pq estamos se desviando. E a maioria vai por costume,não com proposito de adorar. É muita hipocrisia nesse meio.

    ResponderExcluir
  5. Ótima interpretação, concordo, as maiores e profundas mensagens de Jesus não foram dentro de templos, mas nos lugares mais simples . e o véu foi rasgado temos livre acesso em qualquer lugar podemos o adora-lo. As igrejas tem mania de dizer que temos que estar na igreja todos os dias de culto. E se não vamos e pq estamos se desviando. E a maioria vai por costume,não com proposito de adorar. É muita hipocrisia nesse meio.

    ResponderExcluir

Por favor, comente este texto. Suas críticas e sugestões serão úteis para o crescimento e amadurecimendo dos assuntos aqui propostos.

Compartilhe

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

pop-up LIKE

Plugin