sexta-feira, 17 de agosto de 2012

10 Atitudes Que Você Precisa Ter Para Ser Um Falso Cristão



1. Leia a Bíblia - Todo cristão verdadeiro lê as Escrituras e nela "medita dia e noite" (Salmo 1). Contudo, para meramente se parecer com um cristão você simplesmente pode abrir sua Bíblia e decorar alguns versículos clássicos como Jo 3.16. Leve sua Bíblia para o culto e demonstre aos outros que você sabe a ordem dos livros, ainda que seu coração esteja muito distante. Tenha a certeza de que todos vejam você com sua Bíblia e procure ter ela sempre por perto, mesmo que você nunca tenha lido o Antigo Testamento, por exemplo.

2. Ore continuamente - Este ponto é importante, pois todo cristão sincero "ora sem cessar" (1Ts 5.17) e jamais esmorece em seu dever. Mas com você não precisa ser exatamente assim. Se contente com uma oração brevíssima pela manhã (não mais que um minuto na ida para o carro ou ao ponto de ônibus) e a noite apenas agradeça pelas coisas materiais que tem recebido. Em reuniões de oração com outras pessoas, pareça santo e use palavras teológicas para impressionar. Vale lembrar que você pode imitar uma voz de choro ou ainda soluçar durante as falsas palavras que profere.

3. Frequente uma igreja - Não há como sustentar um cristianismo eficaz se você não "congrega como é costume da igreja do Senhor" (Hb 10.25). Todavia, não se importe com o modelo de igreja, o importante é fazer parte do rol de membros. Não se esqueça também de ir quantas vezes puder até o prédio da igreja, pois é importante sempre demonstrar que você está ocupado com as "coisas do Reino". Seus amigos precisam reconhecer que você é um evangelista, um membro ativo e que nunca tem tempo para lhes falar do evangelho ou cuidar de sua família.

4. Cante louvores ao Senhor - Um cristão é alguém que frequentemente louva ao Senhor e rende graça pelo que Ele é (Sl 30.12). Entretanto, esteja certo de que o mais importante é apenas cantar e estar em dia com o mercado musical dito evangélico. Se previna e tenha alguns cd's desta natureza em seu carro e não se esqueça de ter "louvores" em seu mp3 portátil, afinal, você deseja ser continuamente santificado. Durante festas mundanas (das quais você está ávido por participar) ligue o som de seu carro em um volume considerável e passe lentamente pela multidão para que alguém possa ouvir o "louvor" e se converter.

5. Seja alegre no Senhor - Tendo em vista que os verdadeiros filhos de Deus são pessoas que se regozijam no Senhor, esteja preparado para isso. Na igreja, não seja como os demais que cantam com entendimento e ficam tranquilos durante este tempo. Quando começarem as músicas, preste atenção na melodia e haja conforme a batida da mesma - em músicas "alegres", fique pulando sem parar e estimule outros a fazerem o mesmo (não esqueça dos brados de vitória); nas mais "calmas", observe aquele crente piedoso a longe e busque imitar o seu semblante. Certifique-se de que nestes momentos você pareça alguém cujo coração é contrito diante de Deus.

6. Compre livros - Pessoas que professam o cristianismo genuíno geralmente compram livros e buscam se aprofundar no conhecimento do Senhor. Porém, você não precisa ser tão meticuloso em buscar os livros certos. Entre em alguma livraria - dê preferência àquelas com a placa que contenha algum slogan evangélico - e compre alguns livros que chamem a sua atenção e que contenham resumos e dicas sobre como conseguir alguma coisa de maneira fácil e ágil. Prefira os livros de "10 passos" ou "5 coisas" àqueles que falam contra o pecado e exaltam a soberania de Deus.

7. Defenda a santidade - Todo cristão sabe que "sem santidade ninguém verá ao Senhor" (Hb 12.14). A questão é que com você a santidade estará apenas em suas palavras e atos exteriores. Quando ir ao encontro de cristãos verdadeiros, cumprimento-os com "a paz do Senhor" e cite alguns versículos bíblicos importantes. Ao se deparar com alguma situação pecaminosa de outrem, ainda que você incorra em coisas parecidas, procure agir como Jesus no templo e finja ser alguém mais santo do que realmente é. Busque igualmente legislar um moralismo semelhante ao dos fariseus e se certificar de que embora fale, você não cumpre.

8. Fale sobre a liberdade cristã - Os sinceros regenerados compreendem que a liberdade cristã está pautada somente no que a Bíblia ordena e que esta liberdade é com relação ao pecado que antes escravizava. Apesar disto ser real, seja uma espécie de revolucionário em seu círculo de amigos e frequentemente diga que "foi para a liberdade que Cristo nos chamou", mesmo que você não saiba o que isso significa e nem onde está registrado na Bíblia. Defenda arduamente que cada cristão pode viver da maneira que bem entender - quando citarem alguma passagem bíblica que seja de difícil aplicação ou requeira muita renúncia, afirme que tal coisa não é válida, pois são obras da Lei.

9. Diga que a Bíblia é o seu padrão - Os autênticos professos da fé cristã sabem que a Bíblia não os tornam anormais ou bizarros neste mundo, mas sim faz com que seus corações e condutas se adequem ao Senhor. Como seu objetivo é apenas se parecer com os cristãos e granjear uma falsa esperança, afirme que a Bíblia é também o seu padrão, mas que quem deve se adequar a sua personalidade é o Senhor, e não você. Caso seu "estilo" seja de rockeiro, surfista, skatista, motoqueiros, da noite ou outra coisa do gênero, seja incisivo e sempre proclame que ou a Bíblia deixa você ser "quem você é" ou todos serão tratados como usurpadores de sua personalidade e que serão condenados por lhe julgarem.

10. Esteja em comunhão com os irmãos - Pessoas de coração transformado pelo evangelho frequentemente estão em comunhão umas com as outras. Aqui, então, está o segredo para você ser um autêntico apóstata: seja o mais ecumênico que puder ser. Enquanto todos os filhos de Deus buscam apenas a comunhão com outros filhos do Senhor que vivem a Verdade (embora preguem a Palavra aos demais não cristãos), você deve ser diferente e precisa afirmar que eles não devem se restringir somente aos cristãos, mas que é algo muito bom se ter passeatas, festas, feiras e acampamentos que afirmem que o mais importante é o amor em Jesus. Não seja igual aos Bereanos (At 17.11) que verificam toda doutrina nas Escrituras - diga que quem age assim não entende o que Cristo ensinou.

Assim, realizando estas breves diretrizes, penso que você poderá ter uma vida tranquila durante sua caminhada por esta terra e poderá desfrutar de uma grandiosa e falsa paz em seu coração - nada lhe será pesado e as dificuldades passarão longe de sua alma.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Bons pais aconselham os seus filhos a respeito de mulheres



Por natureza o filho não dá valor aos conselhos do pai. Ele engana a si mesmo ao ponto de acreditar que o seu pai está por fora, que o seu pai exagera com respeito ao perigo, que o seu pai quer lhe privar de prazeres, que o seu pai nunca encontrou uma mulher desejável, que o seu pai não provou das luxúrias sexuais, ou ainda, chega a acreditar que ele pode escapara das conseqüências descritas pelo seu pai. Tudo isso são mentiras condenáveis advindas de um coração jovem e do pai das mentiras.

Filhos devem confiar em seus pais e apreciar os conselhos e avisos dele. Todo pai já foi um homem jovem com os mesmos desejos e tentações. Mas um pai sobreviveu à sua juventude e refletiu muito a respeito do que era melhor para o seu filho. Ele considera o sucesso a longo prazo, não prazeres de curto prazo que arruinarão a sua vida! Os pais amam os seus filhos mais do que qualquer mulher que os possam jamais amar, mesmo uma mulher virtuosa! Jovem, guarde os mandamentos do seu pai!

Os homens jovens devem resistir à atração e à tentação das prostitutas, tendo a sua mente firmemente estabelecida nos mandamentos do seu pai muito antes de se deparar com esta criatura muito perigosa. Uma vez cativados, mesmo que superficialmente, pelas aparências, adulações e ofertas da sedutora, torna-se quase impossível se lembrar de quaisquer avisos.

Mas o que é que o homem jovem fará, cujo pai não lhe ensinou nem lhe advertiu a respeito de tal mulher? Ele estará indefeso ante o poder de atração do corpo e das seduções dela.

Tais pais são cúmplices na destruição dos seus filhos! Mesmo que ele os tenha aconselhado e avisado a respeito de muitos perigos, ele negligenciou o mais danoso de todos eles. Pais, salvem os seus filhos!

Leitor! Deus, seu Pai, lhe deu os Seus mandamento e leis para você. Você os guarda como a menina dos seus olhos? Você os lê diariamente? Você medita sobre eles? Você treme ante os seus avisos e se regozija em suas instruções? Ou você engana a si mesmo dizendo que você pode esquecê-los e negligenciá-los e ainda sobreviver? Não seja um tolo!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Download De Todas As Pregações No Capítulo 1 de Efésios



Amados irmãos, segue abaixo o link (em .pdf) para download de todas as pregações feitas no primeiro capítulo de Efésios. Ao todo são 27 pregações.

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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Efésios 2.1 - Vida aos Pecadores Mortos - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 12.08.2012



Efésios 2.1 - Vida aos Pecadores Mortos
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 12.08.2012

"E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados" (Ef 2.1).

É sempre importante relembrar que as divisões de capítulos e versículos não são vindas desde o escrito original, pois uma vez que são divisões humanas para melhor localização e mais fácil manuseio da Palavra, devemos entender tais coisas como simples ajudas a nós leitores. Dizemos isto porque mesmo que estejamos iniciando o capítulo segundo desta epístola de Paulo, já a primeira sentença está plenamente ligada ao versículo anterior de nossa exposição. Recordemos também de que a Escritura é proveitosa e útil para instruir o homem nos caminhos do Senhor (2Tm 3.16-17), da onde se depreende que precisamos analisar todos os versículos não isoladamente, mas sempre em sua sequência natural e conforme deixada pelo santo e perfeito Artífice da criação.

O apóstolo continua, portanto, sua explanação do versículo anterior e de imediato acrescenta: "E". Esta pequena letra (conjunção coordenativa aditiva) ainda que pareça insignificante para nós, comunica grandiosa verdade - isto é, uma vez que a Igreja "é o seu corpo [de Cristo], a plenitude daquele que cumpre tudo em todos" (Ef 1.23), agora o apóstolo acrescenta que o Jesus Cristo não apenas é o cabeça da Igreja, mas sim que também executa ainda outro sem número de feitos na vida de Seu povo. É como se o apóstolo estivesse a comunicar a seus leitores que Cristo não apenas é Senhor sobre o mundo e a Igreja, mas que também faz muitíssimas outras coisas por todos os Seus filhos - daí ele acrescentar: "vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados".

É devido ao pecado que algumas partes da Escritura muitas vezes não são claras a nós, de modo que precisamos recorrer a comentários, interpretações e possíveis aplicações de certas passagens. Todavia, o leitor atencioso perceberá que não há nada de misterioso nestas palavras divinas em pauta. Paulo não é ambíguo ou titubeia ante certa característica do homem natural, mas sim enfatiza grandemente e explicitamente que o Senhor deu nova vida a todos os Seus filhos e herdeiros juntamente com Cristo. A Bíblia é cristalina em dizer que o homem nada fez, nada realizou, nada executou, nada planejou e nem nada quis a fim de ter nova vida - foi tão somente Cristo que "vivificou" os vis e pútridos pecadores que estavam nas mãos de um Deus irado.

Conseguimos imaginar tal descrição do homem diante de Deus? Um homem morto, deitado em sua tumba, cheirando a podridão e sendo lentamente consumido pelos vermes; o corpo em estado de decomposição, os líquidos internos da carne vazando e inundando o leito de morte; suas pernas já não andam, seus braços estão imóveis e seu coração já cessou de pulsar; este homem abandonado a própria sorte de todos os viventes (Jó 30.23); impotente diante da chuva que cai sobre a lápide e sobre os demais que vão sendo sepultados ao seu redor; lentamente o cemitério se enche deste tipo de cena e os homens esquecem-se de que são pó e nada possuem para que tornem a viver. Um pai de família que antes brincara com seu filho pequeno, agora pode apenas ser relembrado na memória e em fotos guardadas; a esposa amável e linda aos olhos do marido agora está num estado tão ruim quanto carniça fétida e em decomposição; o filho que brincava com seus colegas se tornou um amontoado de ossos e já não se diverte mais. Todavia, este é um cenário muito bom perto do que Paulo descreve, pois estes homens e mulheres descritos tiveram tempos e momentos para se alegrarem nesta vida. Se o homem nascesse puro e depois se corrompesse, seu estado de bondade poderia ser bem aproveitado e alguma alegria daquele tempo ele poderia verdadeiramente aproveitar - mas não é assim que as Escrituras relatam a vida do ser humano:

"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos" (Rm 3.10-18). Ainda testifica o salmista: "Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51.5).

Homens e mulheres neste mundo nascem mortos em seus delitos e pecados. Esta é uma cena horrível de se imaginar: bebês, crianças, jovens, adultos e idosos andando pelas cidades tal quais mortos vivos. Pessoas que não são guiadas por um propósito mais elevado e que não sustentam um espírito esperançoso em relação a si  mesmo e ao porvir. Pessoas mutiladas, defuntos que andam e pensam em empresas, carne morta executando os labores do cotidiano... Assim é o homem pecador por natureza - "Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis". O retrato construído por Paulo não é bom - nada há de agradável no homem para que o Senhor o ame ("Em seus caminhos há destruição e miséria"). O desenrolar de toda a Escritura demonstra que o homem tem apenas um pensamento: "E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente" (Gn 6.5). Notemos o tempo em que o homem se perverte em seus caminhos: "continuamente". Não é apenas em uma ou outra ocasião do dia, mas sim "continuamente". Não é somente em casos onde ele se vê sem saída e deseja achar uma solução, é "continuamente". Não é durante a guerra ilícita e onde ele pretende matar seus inimigos, e sim "continuamente". Sempre, o dia inteiro, desde o despontar do sol no horizonte até o ciclo solar tornar a demonstrar seus grandes e poderosos raios - o desejo humano é somente mau "continuamente".

Não há qualquer pessoa que possa discordar desta posição bíblica, pois em primeiro lugar ela é extraída da própria Palavra de Deus; e, em segundo lugar, caso alguém objete contra ela, terá de reconhecer que Cristo foi alguém completamente inútil: "Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem" (1Co 15.21). O apóstolo é cirúrgico em dizer que assim como a morte veio por meio de um homem (a transgressão de Adão em Gn 3), a vida veio por meio de Cristo. Se alguém rejeita a sua podridão e deseja maquiar sua carne e pensamentos fétidos com o pó da vaidade e passar o perfume da ignorância, a estes nada podemos fazer, exceto rogar as sempiternas e ricas misericórdias do Senhor. Rejeitar o estado de podridão do homem natural é sinônimo imediato de exclusão do sacrifício de Cristo, pois se o homem não é tão ruim como querem os pelagianos e arminianos, então o sacrifício do Filho de Deus não tem motivo de ser, afinal, não haveria razão para Ele morrer por semi-pecadores ou pessoas de certa índole idônea.

Contudo, pela multiforme graça do Senhor, Ele não deixa todas as Suas criaturas viverem esta vida desprezível e cuja vontade é continuamente perversa. O Senhor, em Seu alto e sublime céu olha para os homens e a muitíssimos pronuncia como lemos: "Lázaro, sai para fora. E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir" (Jo 11.43-44). Dizemos que o Eterno faz isto a muitíssimos - em vez de a todos - porque em toda a Escritura nos é dito que nem todas as pessoas são salvas. Dos milhares de mortos que existiam no tempo de Jesus, Lázaro é quem foi retirado da morte, alguns cegos foram curados e outros tantos coxos passaram a andar. A maligna doutrina que afirma que o Senhor retira todos os homens da morte e os leva para a Vida é algo que não possui base bíblica alguma e cuja afirmação fraudulenta desta pseudo-verdade recairá com um peso de condenação extremamente forte sobre todos os que colocam palavras na boca do Senhor: "Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o SENHOR, e os contam, e fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com as suas leviandades; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e não trouxeram proveito algum a este povo, diz o SENHOR" (Jr 23.32).

Importa, então, compreenderemos três aplicações que o Senhor nos ensina por meio desta sublime verdade:

1. O homem natural é incapaz de se chegar a Deus - "E vos vivificou". 

Nosso Senhor foi bastante específico ao levar Paulo à escrita deste ponto. Observemos com grande espanto que não nos é dito que Cristo nos deu um banho ou simplesmente trocou nossa roupa; não somos informados de que Ele melhorou nossos caminhos ou endireitou nossas veredas; nem sequer fomos medicados levemente por Ele ou recebemos algum curativo para estancar o sangue que jorrava. O que Cristo fez por Seus filhos foi algo maravilhoso: Ele os trouxe da morte para a vida.

Amados irmãos, penso que nunca é demais nos relembrarmos que mortos não possuem vida, não comem, não bebem, não respiram, não pensam, não agem, não respondem, não projetam, não desejam... - por isto é que os chamamos de mortos, pessoas sem vida. É neste mesmo prisma, neste cenário de morte e cheiro de pessoas mortas que paira pelo ar que o apóstolo diz: Cristo trouxe-os para a vida. Vivificar não é dar uma arrumada na vida, mas unicamente inserir a verdadeira Vida no homem pecador. 

O que Paulo nos diz que é que Cristo tirou-nos do túmulo da morte, do ar sufocado da cova do pecado, daquele local de completa escuridão e nos trouxe vida; levantou-nos da terra e colocou-nos na Luz. "Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR vai nascendo sobre ti" (Is 60.1). Homens e mulheres encerrados com as algemas e presos nas cadeias infernais, são soltos pela força do Senhor como Paulo e Silas na prisão (At 16). Os cristãos foram libertos da morte que corroía seus interiores, que consumia seus órgãos internos e os levava em uma velocidade estupenda para a condenação eterna. Tal qual a grande luz que aparecera a Paulo e o mudou completamente, também o Senhor vai até Seus filhos e resplandece com Sua excelsa luz, desnudando o homem diante de si e sentenciando sobre ele a bênção da adoção por Cristo Jesus (Ef 1.5).

O motivo pelo qual o homem natural não pode se chegar a Deus é porque o pecado faz separação para com o Senhor - "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). O homem natural é pervertido, imundo, asqueroso e digno de toda maldição que possa vir do Senhor - não porque o Criador tenha feito o homem pecador, mas sim pelo dito do pregador: "Eis aqui, o que tão-somente achei: que Deus fez ao homem reto, porém eles buscaram muitas astúcias" (Ec 7.29). Embora "pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste" (Sl 8.5), os primeiros pais perverteram o caminho do Senhor e desejaram seguir a cobiça de suas paixões.

2. Sendo incapazes, estávamos fadados à condenação - "estando vós mortos". 

Uma vez que o homem natural é semelhante àquela criatura caída e sem vida nas profundezas da terra, só resta-lhe um destino: a morte eterna e condenação da ira de Deus. Sua natureza pervertida clama pela condenação, deseja incessantemente as chamas do calor infernal e espera ansiosamente pelo banquete à mesa dos demônios. Sim, este é o desejo do homem natural, pois "toda a imaginação dos pensamentos de seu coração [é] só má continuamente". O homem não regenerado deseja o momento do tormento, ele anseia sofrer, quer ser entregue às suas próprias paixões pecaminosas e regozija-se malignamente no dia de sua morte. Oh! Triste realidade! Abomináveis pensamentos que o homem natural possui! "Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4.4).

Não é necessário realizar coisa alguma para se constituir inimigo de Deus, basta somente "ser amigo do mundo". O fato do homem já nascer destituído da glória de Deus (Rm 3.23) já lhe sentencia à morte e tormento perpétuo. A mais bela criança ao nascer, caso venha a crescer e não seja agraciada pela rica e abundante misericórdia do Senhor, na verdade não nasceu bela, mas ímpia, desfigurada e dilacerada pelo fel que corrompe seu coração. Crianças que são deixadas em sua própria sorte, no tempo oportuno se inscreverão nas corporações de Satanás e passaram a trabalhar arduamente por esta causa maligna. Isto elas farão de bom coração, pois por terem mais amizade com o mundo são chamadas de "inimigo de Deus". Todas as hostes celestiais e seus cooperadores na terra serão postos sobre os Seus pés no dia do juízo final. Aqueles homens e aquelas mulheres que desejaram ter suas riquezas neste mundo terão a triste visão de que a perdição que desejaram não era exatamente o que pensavam. O inferno cheio de alegria, mulheres, prazeres e diversão que lhes fora prometido pelos demônios, na verdade será um tormento eterno, um lugar onde a lágrima não escorre do olho por tanto se alegrar, mas sim de tanto chorar. Um lugar horrendo; quente por causa do fogo, mas ao mesmo tempo frio por causa do afastamento e ira de Deus; um lugar comunitário por causa de milhares de miríades que lá estão, mas também um lugar solitário, pois não haverá companheirismo verdadeiro; um lugar onde não somente o corpo sofre as debilidades e dores mais agudas que se pode imaginar, mas igualmente um terrível tormento sobrevirá sobre a alma cativa e a levará a ter por desprezo o dia de seu nascimento.

Que sejamos mudados e temamos a santa presença do Senhor! Que reconheçamos que o homem natural nada pode fazer para transformar seu estado perverso em bem-aventuranças. Assim como Lázaro precisou da ordem de Cristo para que levantasse, semelhantemente todos os bilhões de homens e mulheres que habitam esta terra precisam ouvir do Senhor. Assim como o cego Bartimeu clamava pelo Senhor, mas durante certo tempo não teve sua prece ouvida, também nós estamos impotentes diante de Altíssimo. Ao menos que Ele nos diga, "Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama" (Mc 10.49), permaneceremos mendigando por este mundo.

3. A causa do afastamento de Deus não era pequena - "em ofensas e pecados".

Paulo não nos fala que Cristo nos vivificou de pequenos deslizes e algumas coisas um pouco desagradáveis. Não somos informados de que o afastamento era porque havíamos rompido alguma regra moralmente aceita ou que não prestamos a devida atenção a alguma pequena parte da Lei - absolutamente nada disto é dito. O apóstolo proclama que a causa do afastamento eram os pecados cometidos pelo homem vil e pecador. Se por um lado o homem já nasce com o pecado, por outro, o restante de sua vida apenas confirma este e revela, então, seus "pecados".

Para entendermos o que são os pecados que nos afastavam do Senhor, é mister a compreensão de que: "Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos" (Tg 2.10). O homem não regenerado consegue cumprir os mandamentos assim como o sol consegue deixar de brilhar durante o dia - lhe é algo impossível. Para nossa completa tristeza, muitos são os que ainda pensam que a Lei de Deus não é boa e não deva ser seguida pelos cristãos. A estes, então, vem de encontro o dito de Paulo: "Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Rm 7.7). Em outras palavras, mas não menos brandas, o Senhor está dizendo por meio do apóstolo que se alguém rejeita a Lei, rejeita também o padrão de conduta para os filhos de Deus - e quando assim faz, fica sem qualquer indicativo do que o Senhor requer, levando tal homem a condenação e perversidade, pois quem delimita seus caminhos já não é mais o Senhor, e sim tão somente seus desejos malignos. "Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?" (Jo 5.46-47) - "E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras" (Lc 24.44-45).

Nossa afronta natural a Deus é algo que não podemos calcular. Nem mesmo o mais terrível serial-killer, o maior terrorista, a mais vil prostituta ou grandioso saqueador de bens alheios fez tanto mal à sociedade do que o pecado faz no ser humano em relação a Deus. O homem que adentra uma sala e sai desferindo tiros a todos quanto encontra em sua frente faz um bem inigualável quando comparado aos pecados que saem de nosso coração em direção ao Senhor. O estuprador é um bom homem em comparação com nossas vilezas diante do Santo Deus.

Que neste dia possamos ser agraciados pelo Eterno e reconhecermos Sua magnífica e beatífica luz que iluminou nossos olhos e nos trouxe à Vida - "E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna" (1Jo 2.25).

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Série: Homem e Mulher os criou - parte 20 - Homem e Mulher após a Queda - A Modéstia no Vestir - (O que é nudez para a Bíblia?) - Sermão pregado dia 12.08.2012


Série: Homem e Mulher os criou - parte 20 -
Homem e Mulher após a Queda – A Modéstia no Vestir 
(O que é nudez para a Bíblia?)
Sermão pregado dia 12.08.2012

Este estudo bíblico foi gravado em vídeo - para assistir, clique no link: 
http://twitcam.livestream.com/bixv8
(clique em Skip this ad now para pular a propaganda)

Conforme vimos, as vestes dadas pelo Senhor não foram fornecidas sob algum contexto cultural ou devido à alguma tendência da moda daqueles tempos, mas sim no Éden, no lugar onde homem e mulher haviam sido criados. Algo que é importante salientar é que falar em modéstia não significa dizer que o corpo humano é mau, maligno, como que fazendo eco ao antigo gnosticismo que dizia que a matéria era má e que o espírito era bom. Lemos nas Escrituras que "Justo é o SENHOR em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras" (Sl 145.17), todavia, precisamos sempre relembrar que apesar de toda beleza da criação, em todos os aspectos o pecado foi inserido - e, por óbvio, se aplica também ao modo de se vestir. Isto precisa ficar bastante claro para nós, pois não são poucos que nos chamam (e chamarão) de moralistas, legalistas, dizendo que afirmamos ser o corpo criado por Deus algo mal e perverso (lembremos de quantos antigamente também levaram este rótulo jocoso por não perverterem a Lei de Deus como os demais). Neste sentido, a própria Escritura testifica contra estes, pois se o corpo humano fosse tão desgraçado como querem afirmar que dizemos, então dever-se-ia excluir o livro de Cantares de Salomão, por exemplo, pois que outro livro da Bíblia retrata mais o corpo humano do que aquele? Assim, afirmamos que o corpo criado por Deus é bom e digno de ser apreciado, contudo, dentro dos limites estabelecidos pelo Deus Todo-Poderoso e criador dos céus e da terra, cuja excelência e sabedoria vão muitíssimo além de toda nossa razão e conhecimento.

Mas, embora o corpo humano seja bom, algo é muito, mas muito perverso diante do Senhor: a nudez. Entretanto, nem sempre a nudez foi má: "E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam" (Gn 2.25). Este entendimento de que a nudez é perversa é primeiramente extraído das vestes dada pelo Senhor - as túnicas de pele (veremos mais adiante alguns detalhes) -, donde lemos a diferença entre a roupa feita pelo homem e a feita por Deus. Entretanto, não é somente daí que aprendemos, mas de muitos outros versículos que ensinam cristalinamente que a nudez é algo afrontoso, blasfemo diante do Senhor e que representa a completa vergonha e desprezo.

- "E ele também despiu as suas vestes, e profetizou diante de Samuel, e esteve nu por terra todo aquele dia e toda aquela noite; por isso se diz: Está também Saul entre os profetas?" (1Sm 19.24);
- "Assim o rei da Assíria levará em cativeiro os presos do Egito, e os exilados da Etiópia, tanto moços como velhos, nus e descalços, e com as nádegas descobertas, para vergonha do Egito" (Is 20.4);
- "Portanto, ó meretriz, ouve a palavra do SENHOR. Assim diz o Senhor DEUS: Porquanto se derramou o teu dinheiro, e se descobriu a tua nudez nas tuas prostituições com os teus amantes, como também com todos os ídolos das tuas abominações, e do sangue de teus filhos que lhes deste" (Ez 16.35-36).
- "E eles te tratarão com ódio, e levarão todo o fruto do teu trabalho, e te deixarão nua e despida; e descobrir-se-á a vergonha da tua prostituição, e a tua perversidade, e as tuas devassidões" (Ez 23.29);
- "Ela, pois, não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o azeite, e que lhe multipliquei a prata e o ouro, que eles usaram para Baal. Portanto tornarei a tirar o meu grão a seu tempo e o meu mosto no seu tempo determinado; e arrebatarei a minha lã e o meu linho, com que cobriam a sua nudez" (Os 2.8-9).
- "Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar" (Jo 21.7);
- "Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu; Se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus" (2Co 5.1-3 - note o contraste entre estar revestido e nu, ainda que Paulo esteja falando figurativamente).

Olhemos ainda para a parábola dos talentos, onde lemos sobre esta diferença entre estar nu e vestido: "Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me... E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?... E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos... Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim" (Mt 25.34-36, 38, 40-41, 43-45 - grifo meu).

Que a nudez completa e diante dos outros (exceto, é claro, os pais que cuidam de seus filhos enquanto bebês e a relação entre homem e mulher casados entre si) é algo moralmente vulgar e absolutamente reprovável e indigno diante do Senhor é ponto pacífico e praticamente todos os cristão aceitam essa verdade - exceto alguns desvairados e falsos professos da fé em Cristo que creem que a nudez representa uma volta à antiga pureza do Éden. Porém, ponderemos por um momento em nosso coração e vejamos se muitas das vestimentas que existem hoje não são praticamente a mesma coisa como se a pessoa estivesse nua. Pois quem será o louco que dirá que nudez é estar completamente despido de roupa e que quando se acrescenta alguns poucos centímetros de pano por cima da pele isto já torna a pessoa vestida? Precisamos retornar à modéstia bíblica por amor de nosso Senhor Deus e também para não sermos pedra de tropeço para os demais.

A palavra "vergonha" na Bíblia (como vimos em vários versículos no estudo passado), geralmente tem conotação geral, isto é, as Escrituras não chegam a especificar qual parte é ou não vergonhosa mostrar (quer dizer, não temos uma sequência de versículos que nos digam explicitamente). Contudo, as Escrituras também não nos deixam sem bases para serem lançadas.

Para a parte de cima do corpo temos alguns importantes versículos: "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente. E porque, filho meu, te deixarias atrair por outra mulher, e te abraçarias ao peito de uma estranha?" (Pv 5.18-20). A palavra de Deus nos ensina primariamente três coisas: Em primeiro lugar, que o homem deve se alegrar somente com sua esposa. Homens que interagem demasiadamente com outras mulheres podem incorrer em graves perigos e darem razão à carnalidade. Em segundo lugar, que o corpo de sua amada (o inverso também é verdadeiro) é fonte de prazer para ele - "os seus seios te saciem todo o tempo". E, em terceiro lugar, que o homem não deve se deixar ser levado por outra mulher e se enredar com a estranha. Destas premissas se conclui que a mulher deve se vestir de forma que seu colo/peito não seja visível a outros homens, mulheres e crianças (tanto em pé, com ao se abaixar - em todo o tempo). Isto inclui tanto a proibição para se ver a pele (que é algo que causa grandiosos problemas para o homem) como para se usar vestes que contornem excessivamente esta região, afinal, esta é a função da roupa (como vimos anteriormente - esconder a forma do corpo) e também as demais pessoas não devem ter uma aula de anatomia ao olharem para a mulher (assim como é verdade no tocante ao corpo do homem). Este entendimento é plenamente verdadeiro, pois se bastasse apenas esconder a pele, por que apenas não borrifaríamos um pouco de tinta sobre a mesma?

É uma mentira perniciosa e forjada por Satanás o brado de certas pessoas que ressoam as seguintes palavras: "O corpo é meu! Eu faço o que eu quiser com ele!" Contra estes o veredicto da Palavra lhes deixa sem fôlego: "E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens" (Cl 3.23). As Escrituras são firmes em dizer que tudo, absolutamente tudo deve ser feito como se estivéssemos realizando ao Senhor e Ele estivesse diante de nós, além de precisarmos buscar realizar todas as coisas para Seu louvor e glória (1Co 10.31). Tudo tendo que ser feito "como ao Senhor", então todo aquele que busca se vestir para mostrar suas "curvas" e aparecer diante dos homens, erra em seu dever cristão.

O problema e toda discussão surge, então, sobre quais são as partes do corpo que devem ser cobertas. Que a nudez plena é ilícito, é algo tranquilo e aceito pela grande maioria, mas poderiam as Escrituras nos fornecer um padrão de modéstia? Afirmo positivamente e veremos claramente isto.

Partimos do princípio de que se anteriormente à queda a nudez era lícita diante dos homens e de Deus (Gn 2.25), posteriormente a nudez passou a representar vergonha e algo completamente ilícito diante de Deus: "E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?" (Gn 3.9-11). Não precisamos ir muito longe para provar isto na prática, pois basta olhar os filmes, por exemplo, e notar que toda a vez que aparece algo que personifica o mal ou tem a intenção de demonstrar algo diabólico, na maciça maioria das vezes o que aparece é uma mulher vestindo roupas sensuais e falando exatamente como Provérbios descreve a mulher imoral. Cartazes de apresentações e eventos frequentemente também personificam a devassidão e "liberdade" com pessoas com poucas roupas.

É preciso deixar registrado que cobrir o corpo não é sinônimo de legalismo e igualmente não significa que uma pessoa seja "santa" somente porque está devidamente coberta, afinal, já pontuamos que o problema se inicia no coração. Contudo, cobrir o corpo é a expressão visível de quem somos interiormente. Não é assim que diferenciamos alguém em sã consciência e algum lunático? Um jovem de um idoso? Como sabemos quem são os prostitutos e meretrizes quando andamos pelas estradas? Acaso não é pelas roupas que vestem? Uma pessoa reservada geralmente não descobre muito o seu corpo, não é mesmo? Assim como homens muito fortes (e orgulhosos) geralmente usam camisetas mais apertadas para todos notarem que seus músculos, também as mulheres (orgulhosas) geralmente se vestem com toda sorte de brilho e pompa para chamarem a atenção. Digo isto para inicialmente provar que a própria natureza nos ensina que o vestir indica quem nós somos ou quais são nossos desejos e impressões que intentamos passar quando nos vestimos.

É triste ter de falar sobre isto, mas quantos são os homens e mulheres de nossos dias (e dentro das igrejas - para nossa vergonha!) que vivem tão somente para aparecem, muitas vezes colocando seus corpos à exposição do mundo e pensando interiormente: "Com esta roupa eu vou ser notado, os homens olharão para mim e me desejarão" (o inverso vale para os homens). Meus amados, é certo que não conseguiremos extirpar todos os maus pensamentos de nosso coração e continuamente teremos de lutar contra este tipo de pensamento, mas uma coisa é certa: nós devemos ser diferentes do mundo! A santidade do cristão deve estar imediatamente refletida em suas roupas. Tal qual a meretriz se diferencia do restante da sociedade por suas roupas, assim também o crente deve buscar ter uma distinção e modéstia no seu vestir.

Observemos em Marcos 5.1-15 e notemos a diferença daquele endemoniado. Como ele era antes da libertação? "E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras" (Mc 5.5). Eis, então, como foi encontrado após ter sido liberto: "E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram" (Mc 5.15). Ainda que o texto não diga que anteriormente ele estava nu ou com poucas roupas, basta ver que havia sido acorrentado várias vezes, constantemente se cortava com as pedras e as roupas não eram abundantes naquele tempo e não eram compradas em qualquer lugar (agora sim é importante verificar o contexto). Mas, independente disto, a inferência lógica por meio de como foi encontrado posteriormente - "vestido e em perfeito juízo" -, nos leva a entender que anteriormente, no mínimo, ele não andava corretamente vestido (o mais provável é que andasse sem roupa ou com ela toda rasgada e aparecendo livremente partes indevidas de seu corpo).

Outro texto muito evidente é este: "Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel" (Dt 23.17). Sabemos muito bem que este versículo não está falando de roupas, contudo, o paralelo que fazemos é sobre as roupas que hoje temos e que podem levar outros a se prostituírem (ou a própria pessoa que usa se torna alguém que vende a imagem de seu corpo) ou ainda as pessoas que não se prostituem diretamente, mas andam pelas ruas e igrejas causando a prostituição e adultério visual no próximo. Seria isto uma atitude aceitável diante do Senhor? Lembremos do santo provérbio que diz: "Pois quando a sabedoria entrar no teu coração, e o conhecimento for agradável à tua alma, O bom siso te guardará e a inteligência te conservará; Para te afastar do mau caminho, e do homem que fala coisas perversas... Para te afastar da mulher estranha, sim da estranha que lisonjeia com suas palavras; Que deixa o guia da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus; Porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas para os mortos" (Pv 2.10-12; 16-18). Ora, se as palavras do homem mau e da mulher estranha (meretriz - vide contexto e demais versículos) já devem ser evitadas pelo cristão, quanto mais o utilizar-se de roupas que levam o próximo (e a si mesmo) a se esquecer "da aliança do seu Deus"!

O que é nudez para a Bíblia?

Primeiramente temos a passagem de Isaías 47. O texto diz: "Desce, e assenta-te no pó, ó virgem filha de babilônia; assenta-te no chão; já não há trono, ó filha dos caldeus, porque nunca mais serás chamada a tenra nem a delicada. Toma a mó, e mói a farinha; remove o teu véu, descalça os pés, descobre as pernas e passa os rios. A tua vergonha se descobrirá, e ver-se-á o teu opróbrio; tomarei vingança, e não pouparei a homem algum" (Isaías 47:1-3).

Aqui, a Bíblia trata da Babilônia como sendo uma mulher envergonhada e castigada pelo Senhor - já não sentaria mais no "trono", mas sim "no chão", mostrando a ira de Deus sobre tal reino. No hebraico a palavra para "pernas" é "Showq" (qwX), que significa "perna, coxa" [1] - a versão King James traduz por "coxa", enquanto a Almeida Corrigida Fiel traduz por "perna". Assim, quando o Senhor profere a maldição sobre a Babilônia, Ele diz que ela teria sua perna/coxa descoberta e sua vergonha seria vista por todos - nos dando um primeiro padrão de que roupas acima da linha dos joelhos significam vergonha, isto é, algo não lícito e que traz vexame para quem as veste (além de ir contra a Lei de Deus). Na verdade, a própria natureza nos mostra que a sociedade tem por "modesta" um roupa que vá até a linha dos joelhos. Embora o texto se dirija especificamente à mulher, por implicação e boa dedução é também aplicado ao homem (inclusive quando se realizam esportes e divertimentos informais). Este entendimento precisa ficar bastante latente para nós, pois nem sempre a palavra nudez, nas Escrituras, significa alguém completamente sem roupa. O padrão bíblico para determinar que alguém está nu é simplesmente ter suas coxas aparecendo ou estar sem camisa, por exemplo (vide que Adão e Eva usavam aventais/tangas e depois tiveram todo o seu corpo coberto).

Também temos o texto de 1Timóteo 2.9: "Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos".

A palavra "traje" (na King James - "roupa/vestuário") no grego é "Katastole" (katastole) que significa "deixado para baixo, uma peça de roupa deixada para baixo, vestido/vestuário". [2] Assim, entendemos que a roupa que a mulher deve buscar usar é sempre "para baixo" do corpo. Mas quanto "para baixo" deve ser? Ora, se para acima da coxa é vergonhoso (versículos anteriores), então necessariamente deve tampar o corpo desde o peito/colo (vide Provérbios, acima citado) até acima da linha da coxa. Este entendimento é reforçado ao nos recordarmos de que Adão e Eva tiveram todo o seu corpo coberto – não nos é dito que Eva, por exemplo, deixava parte de seu abdômen (ou costas) aparecendo ou que Adão dividiu a túnica ao meio para apenas usar a parte de baixo e ficar sem camisa em outros momentos (veremos melhor sobre este ponto posteriormente).

Lemos também em Gênesis 3.21: "E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu". Como vimos no estudo passado, a palavra "túnicas" em hebraico é "Kethoneth" (tntk) e significa "túnica, uma longa veste'. [3

Uma vez que as Escrituras não podem conter variação e os cristãos prezam, portanto, por Sua unidade, então esta palavra "túnica/longa veste", aliada à "traje" e relacionada à "coxa", nos dá o entendimento de que a roupa feminina consiste em cobrir a parte superior, ser relativamente larga (em contraposição aos aventais feitos pelo homem e mulher - Gn 3.7) a ponto de não revelar a forma do corpo (pois é isto que uma túnica também faz) e longa o suficiente para cobrir, no mínimo as coxas - tanto estando de pé, como se inclinando e sentando (em todas as ocasiões em público, em família, com amigos - exceto, é claro, na intimidade do casamento) - veremos posteriormente sobre a túnica também utilizada pelos homens.

Jeff Polard comenta: "Embora não tenhamos qualquer imagem das vestes de Adão e Eva, a palavra traduzida por vestimenta é usada em todo o Antigo Testamento para expressar a ideia de uma veste semelhante a uma túnica... Esta vestimenta semelhante a uma camisa, geralmente tinha mangas longas e se estendia até o tornozelo, quando usado como veste formal."

Algumas fontes fornecem este entendimento:

Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible: "Os trabalhadores comuns, escravos e prisioneiros usavam uma túnica mais curta – às vezes, até aos joelhos, sem mangas."
The New Brown-Drives-Brigg-Genesius Hebrew-English Lexicon: "Era a roupa mais comum usada por um homem e uma mulher, próxima ao corpo."
James Strong, Exaustive Concordance of the Bible: "Era uma vestimenta comprida, semelhante a uma camisa, feita geralmente de linho."
The International Standard Bible Encyclipedia: "Se assemelha a uma 'túnica' romana, correspondendo quase que ao nosso 'blusão', indo sempre abaixo dos joelhos e, quando feita para ocasiões que exigiam vestes formais, chegavam quase até o chão".
Wycliffe Bible Encyclopedia: "...enquanto o modelo mais simples não tinha mangas, indo somente aos joelhos."
New Bible Encyclopedia: "Era feita de linho ou lã, chegando até os joelhos ou aos tornozelos."

Pollard conclui: "Todas essas fontes concordam neste fato... ela [a túnica] cobria o corpo desde, pelo menos, o pescoço até aos joelhos, enquanto, às vezes, alcançava o meio da panturrilha ou ia até aos pés." [4]

Certamente que algumas pessoas irão discordar de nossa abordagem, pois dirão - o que já prevemos anteriormente - que isto é especulação humana e nada tem a ver com nossa cultura, afinal, não temos um único versículo que diga qual deve ser o tamanho da roupa do homem e da mulher. Porém, sequer perderemos tempo buscando refutar esta esdrúxula objeção, por que se a Bíblia, o santo manual dos filhos de Deus, não fala sobre isto, onde buscaremos os limites para nossas vestimentas? Em Hollywood? Na moda atual, nos atores e atrizes, no gosto pessoal, na tradição familiar? Se assim fosse, então ninguém poderia dizer que tal roupa e tal comprimento é ilícito, pois se não há uma regra, tudo é relativo e necessariamente deve ser permitido - coisa que só de pensar já causa nojo e respulsa.

A visão de João da revelação de Deus, descreve: "E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir" (Ap 4.8). O que os animais cantavam? "Mau, mau, mau, é o Senhor Deus"? É claro que não! Se assim será quando aprouver ao Eterno, por que ainda alguns insistem em dizer que o padrão de modéstia determinado por Deus é mal? Acaso se julgam melhores do que aqueles seres divinos?

A Bíblia revela que a Palavra de Deus é justa e correta em tudo que ordena e prescreve:

- "Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é" (Dt 32.4);
- "A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices" (Sl 19.7);
- "Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito" (Tg 1.25).

Também nos prescreve que precisamos buscar seguir estas ordenanças:

- "Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus" (Mt 5.48);
- "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (Jo 14.15);
- "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor... Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando" (Jo 15.10, 14).

Notas:
[1] Fonte: http://www.biblestudytools.com/lexicons/hebrew/kjv/showq.html  - acessado dia 10.07.2012.
[2] Fonte: http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/katastole.html - acessado dia 10.07.2012
[3] Fonte: http://www.biblestudytools.com/lexicons/hebrew/kjv/kethoneth.html - acessado dia 10.07.2012
[4Todas as citações foram extraídas do livro do autor, "Deus o Estilista", Ed. FIEL, págs. 20-21 - http://issuu.com/editorafiel/docs/deus_o_estilista (acessado dia 29.07.2012)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Há Algo Mais Importante do que a Verdadeira Adoração?


Qual a importância de respondermos esta questão? Vamos colocar desta maneira: Que importância tem a adoração? Você precisa parar para pensar nisso por um instante, comparando a adoração com outras várias atividades da vida. E mesmo se fizermos uma consideração superficial, iremos chegar, indubitavelmente à conclusão de que, nada do que fazemos é tão importante quanto a adoração. Não, nada de natureza secular, como trabalho, diversão, ou mesmo a vida familiar, nem mesmo as atividades de cunho religioso, como evangelismo, comunhão, caridade ou qualquer disciplina espiritual particular é tão importante. Não há, portanto, pergunta mais importante a ser respondida que essa!

No texto básico que iremos examinar, Jesus diz que o Pai “procura” verdadeiros adoradores (Jo 4:23). É dessa forma que Jesus resume a atividade salvífica do Pai. Qual o interesse do Pai na pregação do evangelho? O que Ele intenta fazer por meio do seu Filho? Qual é o fim último da encarnação, da expiação e de toda a redenção? É o Pai buscando adoradores! Que forma inusitada e não habitual de Deus se dirigir a pecadores! No entanto, é assim. Robert G. Rayburn ressalta que “Em nenhum lugar nas Escrituras lemos que Deus tenha buscado qualquer coisa dos pecadores”. A Bíblia não nos diz que Deus busca testemunhas, servos ou contribuintes. Ele busca adoradores. Rayburn continua, “não é sem motivo que a única vez na Escritura onde a palavra buscar é usada como atividade de Deus, é em conexão com a busca de verdadeiros adoradores”.1

Há, então, um sentido verdadeiro em que o Evangelho Cristão trata da adoração. O “evangelho eterno” que pregamos é resumido pelo anjo em Apocalipse 14:7, como: “Temei a Deus e dai-lhe glória (…) e adorai aquele que fez o céu (…)” Como já vimos, a vida cristã é apresentada pelo apóstolo Paulo como um ato de adoração quando “apresentamos” a Deus o nosso corpo como um “sacrifício vivo e santo”. Esse é um “culto racional” (Rm 12:1). A finalidade do evangelho é tornar pecadores santos, a fim de serem adoradores. Note como o Senhor Jesus passa do tópico adoração para o de salvação no verso 22, “Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus” (Jo 4:22). Ser salvo é ser liberto da ignorância e da opressão da idolatria. Para os judeus, “saber” como adorar, é possuir a “salvação”, nada menos. Talvez não estejamos acostumados a ver a coisa dessa forma, como estou apresentando agora, mas esse é o ensino do Novo Testamento. A finalidade ou o propósito do evangelismo e de missões é criar um povo para adorar a Deus. Os discípulos de Cristo são “pedras vivas”, “edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus” (1Pd 2:5; Ef 2:18-22). Deus criou “um povo para si mesmo” para que “proclamassem as virtudes dAquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pd 2:9). Nisso se constitui a obra missionária da igreja, a vida cristã e a vida de adoração. John Piper resume bem nosso ponto,

Missões não é o objetivo principal da igreja, mas sim a adoração. Missões existem porque Deus é o alvo e não o homem. Quando esta era passar e os incontáveis milhões de redimidos caírem com o rosto em terra diante do trono de Deus, não haverá mais missões. Trata-se de uma necessidade temporária, mas a adoração existirá para sempre.2

A adoração é a nossa “prioridade máxima”, como o título de um recente livro declara. Cada Filho de Deus deveria saber disso.

Não é apenas a Bíblia que enfatiza a importância da adoração; a herança Presbiteriana e Reformada faz o mesmo. Muitos historiadores modernos do período da Reforma, têm feito com que a personalidade marcante de Lutero, na sua luta pela fé, acabe obscurecendo o coração da Reforma Suíça e Calvinista. Para Lutero e os luteranos, o foco principal era a Justificação pela Fé. “Como pode um homem ser justo diante de Deus?” era a questão fundamental. Mas para Zuínglio, Calvino e a “nata dos Reformadores”, o tema principal não era a justificação, conquanto reconhecessem sua importância. O foco deles era a adoração. “Como Deus deveria ser adorado?” constituía a pergunta crucial. Para os luteranos, o inimigo da fé eram as “obras”. Para os Reformados, a “idolatria”.

Carlos M. N. Eire, em seu aclamado War Against the Idols (Guerra contra os ídolos), relembra à nossa geração aquilo que os antigos historiadores já haviam percebido. “O foco central do Protestantismo Reformado foi a interpretação da adoração (…)”. Distinguindo os luteranos dos zuinglianos, ele diz:

A diferença principal é que, para os zuinglianos, a proposta Reformada não era encontrar um Deus justo, mas em voltar-se da idolatria para o Deus verdadeiro.3

O mesmo pode ser dito das obras de Heinrich Bullinger (sucessor de Zuínglio em Zurique), Martin Bucer em Estrasburgo, William Farel em Neuchatel, e mais tarde João Calvino em Genebra. A Reforma se espalhou com esses homens pregando contra a adoração medieval idólatra, e o povo respondeu com sua fúria iconoclasta. Vitrais eram quebrados, relíquias eram profanadas, estátuas despedaçadas, altares danificados e igrejas lavadas e caiadas novamente. Farel, diz Eire, “usava as imagens e a missa como tema dos seus sermões para dar curso à Reforma”.4 Em Genebra durante os primeiros anos da Reforma, “o foco da atenção não era o assunto da justificação, mas as missas e as imagens e tudo que dizia respeito aos seus abusos”.5 Ambos, Farel e Calvino descreveram suas conversões, não como sendo salvos das obras de injustiça prioritariamente, mas da idolatria. Como os tessalonissences, eles tinham “deixado os ídolos para servirem ao Deus vivo” (1Ts 1:9).

Em 1543, um folheto intitulado On the Necessity of Reforming the Church (Sobre a necessidade de Reformar a Igreja), Calvino lista os dois elementos que definem o Cristianismo, os quais, em suas palavras, constituem “o todo da substância do Cristianismo”. Esses dois elementos são primeiro “um conhecimento de qual é a maneira certa de se adorar a Deus; e o segundo é a fonte de onde emana a salvação”.6 W. Robert Godfrey comenta, “De forma enfática Calvino coloca a adoração à frente da salvação em sua lista dos dois elementos mais importantes do Cristianismo bíblico”.7 Eire comenta mais adiante,

Calvino define o lugar da adoração como nenhum dos seus predecessores tinha feito antes (…) Adoração, ele diz, deve ser o interesse central dos cristãos. Não é uma questão periférica, mas a “substância última” da Fé Cristã (…) alguém já disse que esta se tornou a definição fundamental que caracteriza o Calvinismo.8

Qual é o ponto central do estudo bíblico e teológico do evangelismo e de missões, do conhecimento de Deus e de toda a religião cristã? A resposta é: a adoração. O verdadeiro conhecimento de Deus leva à adoração correta, que por sua vez, leva ao viver correto. Os teólogos da Reforma pregaram Soli Deo Gloria em todas as áreas da vida, porque eles tinham em vista a adoração.

Fazendo da adoração o componente existencial necessário do conhecimento, Calvino a torna o elo entre pensamento e ação, entre a teologia e a sua aplicação prática. Foi uma teologia eminentemente prática que Calvino desenvolveu como resultado disso. Religião não é meramente um conjunto de doutrinas, mas antes, uma forma de adorar, um estilo de vida.9

Não somente no continente Europeu, mas também na Grã-Bretanha, o coração da batalha entre os seguidores de Calvino e os da Igreja Anglicana oficial era a questão da adoração. Por cem anos os Puritanos lutaram para reformar o Livro Comum de Orações de acordo com os padrões de Genebra, culminando com a Guerra Civil, a convocação da Assembléia de Westminster e a aprovação por parte do Parlamento do Diretory for the Public Worship of God (Diretório do Culto Público de Deus)10 para os reinos da Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda.

Não, de fato não estamos acostumados a pensar na adoração dessa forma hoje. A situação presente não poderia ser mais irônica, mesmo onde encontramos igrejas que se identificam como herdeiras da Reforma, como a PCA, a qual, em nome da liberdade, falha em prover diretórios para a adoração. Poucos têm disposição para pensar com cuidado a respeito da adoração. Um número menor ainda vê a necessidade disso. Não somente muitos não vêem nenhuma conexão entre doutrina e vida prática, como também não vêem conexão entre adoração e vida prática. Assim, para que regularmos a adoração, quando geralmente se presume que isso só serviria para dividir e é algo que não tem valor prioritário? Nós tendemos a ser como os detratores de Calvino, que o acusaram de fraturar a unidade da igreja com futilidades. Como esses detratores, no entanto, estamos errados acerca disso. Questões acerca de como devemos adorar a Deus são as mais importantes de todas, por direito próprio e por suas aplicações abrangentes.

__________________________
1 O Come Let Us Worship, pp. 15, 16.
2 Let The Nations Be Glad, the Supremacy of God in Missions, Grand Rapids: Baker Books, 1993.
3 Carlos M. N. Eire, War Against the Idols (Cambridge: Cambridge University Press, 1986), pp. 2, 85.
4 Ibid., p.119.
5 Ibid., p.143.
6 Ibid., p.126; (também encontrado na Selected Works of John Calvin, vol. 1, p.126)
7 Robert W. Godfrey, “Calvin and the Worship of God” (manuscrito não publicado, s.d.).
8 Carlos M. N. Eire, War Agaisnt the Idols, pp. 232, 233.
9 Ibid., p. 232.
10 Publicado pela Editora Os Puritanos – Diretório de Culto de Westminster

texto por Terry Johnson

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Poligamia era Pecado no Antigo Testamento?


Entendo que o ponto de partida não está no AT, mas no NT - mais especificamente em Mateus 19. Vemos que os fariseus estão questionando Jesus sobre a licitude de se dar carta divórcio em toda e qualquer situação; isto é, eles desejavam "saber" se o Mestre era de acordo com repudir a esposa por qualquer motivo (v. 3). Jesus então lhes responde: "Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (vs. 4-6).

Jesus proclama o primeiro pressuposto: uma vez unidos, não se separem; uma vez casados, o homem não deve se apartar de sua mulher. Porém, vai mais além, diz também que os dois serão "uma só carne". Aqui, visualiza-se, então, uma pequena luz quanto ao entendimento, pois se 2 serão 1, então não é possível que 3, 4 ou 5 sejam também 1. 

Talvez, abismados quanto a isso, os judeus perguntam a Cristo: "Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?" (v. 7). O Messias então responde: "Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim" (v. 8).

Notemos, portanto, que a causa de poder haver divórcio era devido "a dureza dos vossos corações", no entanto, em outras palavras, nem sempre foi assim (ou: não foi esse o mandamento do Senhor - no que concerne à responsabilidade humana). 

O resumo ficaria assim:

1. Jesus afirma que o Senhor criou macho e fêmea (v. 4);
2. Jesus afirma que o homem, isto é, ainda que falasse do gênero, da passagem claramente se deduz que refere-se a também o singular, deve sair de sua casa (deixar de ser sustentado) e se unir a sua mulher (passar a ser o sustentador) (v. 5);
3. Uma vez unidos, esses dois já não são duas pessoas solteiras vivendo debaixo de um novo teto, mas sim apenas um (v. 6a)
4. Tendo uma vez duas pessoas (e tão somente duas! - um homem e uma mulher) se ajuntado e constituído família, não devem se apartar um do outro - exceto pelas cláusulas "permissivas" para o divórcio (mas que não entra no escopo do presente tópico) (v. 6b).

Se, então, é um homem e uma mulher que devem se ajuntar e nos tempos antigos se dava carta de divórcio por qualquer motivo (v. 3) e Jesus repudiou tal atitude, compreendemos que a união com mais de um cônjuge também foi fruto "da dureza dos vossos corações" (v. 8). Uma vez, por fim, que Cristo veio restaurar e lhes ensinar sobre a licitude e o correto relacionamento entre homem e mulher, cessa-se essa prática que desde sempre foi errada, pois o próprio Cristo a sanciona de uma vez por todas. Se Moisés anteriormente assim permitiu (com a devida permissão do Senhor - para suas vergonhas), agora Cristo restaura todas as coisas aos primórdios de como intentara o Senhor.

- "Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido" (Ef 5.33).
- "Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas" (1Tm 3.12).
- "Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes" (Tt 1.6).

O puritano Matthew Henry comenta: "A poligamia dos patriarcas era, em certa medida, perdoável a eles, pois, embora não houvesse uma razão [declaração] tão antiga como o casamento de Adão (Malaquias 2.15), ainda não havia ordem expressa contra ela; era-lhes um pecado de ignorância. Não era produto de qualquer desejo pecaminoso, mas sim para o crescimento da igreja, que foi o bem que a providência trouxe; mas isso não tem mais como ser justificado agora, quando a vontade de Deus é plenamente conhecida, que somente um homem e uma mulher devem se unir juntos, 1 Coríntios 7.2."

Nesse sentido, porém, importa-nos recordar as palavras de Moisés: "E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele... Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2.18, 24).

Assim, juntando o visto até aqui, vemos que foi um pecado de ignorância, isto é, não tinham uma proibição expressa condenando a poligamia. Entretanto, continuava sendo um pecado e uma ofensa contra o Senhor, pois haja vista que as Escrituras - em especial a narrativa de Moisés - eram conhecidas do povo veterotestamentário (no mínimo o pentateuco) e, portanto, sabiam que o Senhor havia criado homem e mulher e os feito um para o outro (e tão somente), não tinham escusas para a não obediência.

João Calvino, ao comentar sobre Gn 1.27 ("E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou"), corrobora com o que eu disse. Ele comenta: "Para ele há um tratar de fidelidade conjugal, que os judeus estavam a violar por sua poligamia. Com a finalidade de corrigir esse falta, ele chama esse par, consistindo de homem e mulher que Deus, no início, havia unido concomitantemente, um homem, a fim de que cada um possa aprender a se contentar com sua própria esposa."

*minha resposta à pergunta feita em um grupo do Facebook no dia 15.05.2012

O culto online e a tentação do Diabo

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