"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Efésios 2.9 - Não Vem das Obras, Para que Ninguém se Glorie - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 04.11.2012


Efésios 2.9 - Não Vem das Obras, Para que Ninguém se Glorie
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 04.11.2012


"Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.9).

O presente versículo tem como propósito duas finalidades especiais: humilhar o homem e exaltar a Cristo. O homem é humilhado na constância em que reconhece não ser merecedor de coisa alguma e que nada do que faz pode comprar a graça e salvação de Deus. Cristo é exaltado na medida em que homem rende glórias a Ele, pois mediante o Espírito Santo, é ensinado de que em Cristo e por Ele deve ser salvo, de modo que já não busca as boas obras como caminho para a salvação, mas o contrário: toda vez que se apercebe de alguma prática cristã em seu ser, eleva louvores ao Senhor, pois é cônscio de que por sua natureza pecaminosa, jamais poderia estar realizando tal feito.

Irmãos e irmãs, precisamos rasgar nossos corações (Jl 2.13) e colocarmos o pó da humildade sobre nossas cabeças. Preciso iniciar este sermão lhes dizendo que não pode haver coisa pior que o orgulho e o crer que colaboramos com o Senhor em algum de Seus feitos. O orgulho é de uma malignidade tal, que o apóstolo Paulo ao escrever a Timóteo, lhe exortou para que não colocasse algum neófito (novo na fé) para pregar e reger a igreja, "para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo" (1Tm 3.6). O sábio Salomão também já havia dito: "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda" (Pv 16.18). Outra vez lemos o apóstolo: "Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?" (1Co 5.6). De novo: "Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo" (Fp 2.3). O profeta Jeremias, ao alertar o povo de Israel sobre a idolatria e misticismo dos gentios, lhes declarou a vontade de Deus: "Todo o homem é embrutecido no seu conhecimento; envergonha-se todo o fundidor da sua imagem de escultura; porque sua imagem fundida é mentira, e nelas não há espírito. Vaidade são, obra de enganos: no tempo da sua visitação virão a perecer" (Jr 10.14-15 - grifo meu). Ainda haveriam muitíssimos versículos para citar, mas nos contentaremos com estes, pois a matéria já foi grandemente explicada nos versículos passados.

O intuito de Paulo escrever que "Não vem das obras", era para ensinar os crentes de Éfeso sobre que a salvação deles não havia sido por causa de algo intrínseco a eles mesmos ou à alguma boa obra que tinham realizado. Na verdade, isto sequer poderia ser real, pois no primeiro versículo do presente capítulo, fomos informados de que o Senhor havia os resgatado enquanto estavam "mortos em ofensas e pecados", o que também se patenteará com maior exposição no versículo décimo segundo. Desta forma, precisamos compreender que uma vez que a fé é um dom de Deus, segue-se logicamente que ela "Não vem das obras", conforme explicitamente e sem sombra de dúvidas lemos.

Todavia, muitos são os que pervertem esta sublime verdade e à semelhança dos imorais romanos, "mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador" (Rm 1.25). Vejamos alguns modos pelos quais os homens servem "mais a criatura do que o Criador":

1. Se deleitando na imundícia, em vez da santidade.
 
Já fomos informados de que o coração do homem natural é constantemente inclinado para os feitos das trevas (Gn 6.5) e que suas obras são como trapos de imundícia (Is 64.6). Porém, ainda assim o homem busca reverenciar e adorar esta criatura asquerosa. O profeta Jeremias registrou ser grande perigo o confiar no homem pecador: "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!" (Jr 17.5). A palavra de Deus é incisava ao dizer que é maldito o homem que faz da carne (coisas naturais) a sua força e para longe lança o seu coração do Senhor. O próprio Cristo testificou esta verdade: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom" (Mt 6.24; Lc 16.13).

Os homens servem "mais a criatura do que o Criador", quando vibram, pulam, exultam e choram mais pelas coisas terrenas, do que por seus pecados e pela graça de Deus que perdoa uma imensidão deles (Rm 5.20; 1Tm 1.14). Não é necessário construir qualquer estátua de homem ou mulher, para que o coração se desvie do Senhor - basta, tão somente, que os homens se alegrem mais no presente mundo e se dediquem mais a ele do que ao Senhor, "o Criador".
 
2. Estimando o finito acima do infinito.
 
Beira à loucura, mas é muitíssimo mais comum do que se possa imaginar: os homens preferem e amam as coisas passageiras, às celestiais e eternas. Ofereça ao homem um jantar de manjares na terra ou uma vida de bem-aventurança eterna com o Senhor nos céus e você perceberá que ele, sem titubeios, escolherá o prazer terreno, ínfimo e finito. Nosso Senhor e Salvador foi explícito ao dizer: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam" (Mt 6.19-20). Paulo também alertou o amado Timóteo contra este terrível perigo: "Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele" (1Tm 6.7).

Quando vivemos para este mundo, para as diversões que nos proporcionam, nos afastamos de Cristo, pois julgamos ser o prazer momentâneo, maior do que a eterna estadia ao lado de Deus e de todos os Seus santos. Certamente que diversões são lícitas e mui importantes para a vida do homem, entretanto, tudo deve ser feito "decentemente e com ordem" (1Co 14.40). O culto não é lugar para apresentações infantis, bem como um encontro de jovens não deve ser feito para "festas à fantasia"; a casa da família não é um lugar para abrigar todo o tipo de tecnologia não necessária, assim como os filhos não devem possuir celulares para somente gastarem tempos absurdos em frivolidades e passatempos que não contribuem à piedade (1Tm 4.7).

Diretas e não brandas são as palavras: "Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4.4). Paulo Também registra um triste episódio: "Porque Demas me desamparou, amando o presente século" (2Tm 4.10).

3. Considerando que o homem deve salvar-se a si mesmo, sendo Deus apenas um auxiliador.
 
As vozes contrárias ao evangelho costumam afirmar que a salvação é sinérgica, isto é, compreende o dom de Deus e a condição de aceitação pela livre vontade do homem, de modo que se o homem não quiser, Cristo não pode salvá-lo. Para apoiar tal teoria de demônios, citam algumas passagens e afirmam que a Bíblia ensina uma salvação cooperativa entre Deus e o homem. Mas, longe de ser verdadeiro (não nos deteremos nesta falácia, nem buscaremos a refutar, afinal, é nítido que os tais ainda possuem os olhos do entendimento cegos para a verdade - Ef 1.18), as Escrituras enfatizam com magnífica clarividência: "converte-me, e converter-me-ei, porque tu és o SENHOR meu Deus" (Jr 31.18); "Do SENHOR vem a salvação" (Jn 2.9); todo o capítulo nono de Romanos, o versículo anterior que vimos: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8) e, com toda certeza, a Bíblia, de seu começo até o fim.

Se fosse Deus um mero auxiliador da salvação, em primeiro lugar, ele deixaria de ser chamado "Rei dos reis, e Senhor dos senhores" (Ap 19.16). Um rei não possui as mãos atadas para governar, pois quantas são as vezes que lemos: "Assim diz o SENHOR"? Quem seria o louco e desprovido de juízo, que afirmaria ser o Soberano um mero auxiliador? Em segundo lugar, se fosse simples auxiliador, a criação não existiria, pois lemos claramente no relato da criação: "E disse Deus: Haja luz; e houve luz" (Gn 1.3). Deus ordena e as coisas acontecem. Deus envia Seu Filho para morrer por Seus eleitos - e isto é eficaz.

Vistas estas nuances que levam o homem a afundar-se violentamente no pecado, olhemos as implicações piedosas do que significa dizer que a fé e, consequentemente, a salvação, não proveem das obras, a fim de ninguém se glorie.

1. Se viesse das obras, não seria pela graça.
 
Um homem prudente ao finalizar a construção de sua casa, não diz: "Olhem que grande feito tenho realizado! Olhem! Olhem todos! Que magnífica casa! Inabalável e indestrutível! Quem poderá intentar contra ela? Água? Fogo? Terremotos e turbulências? Guerras e mísseis poderiam derrubá-la? Oh! Contemplem esta obra-prima e que persistirá durante os séculos dos séculos e ninguém poderá destruí-la!" Pelo contrário, um homem sábio e cristão, diz: "Senhor, grato sou pela argila e barro que fizestes, a fim de que eu pudesse ter os tijolos. Louvo ao Senhor pela pura madeira que tu proporcionas naturalmente a mim, vil pecador. Agradeço-te pelos pernas e braços que me tem concedido, de modo que posso levar estes recursos vindos de Ti e ajeitá-los de maneira correta, surgindo, então, esta casa para Tua glória. Sei que se o Senhor quiser a derrubar, nada O impedirá, pois 'o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR' (Jó 1.21)."

Este simples, mas importante exemplo, demonstra a diferença entre o intentar salvar a si mesmo mediante os próprios feitos e o reconhecer e viver sabendo que a salvação é pela graça - "Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia" (1Co 10.12). O profeta Jeremias caçoou dos povos gentios e de suas vãs pretensões e costumes: "Porque os costumes dos povos são vaidade; pois corta-se do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice, feita com machado; Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e com martelos o firmam, para que não se mova. São como a palmeira, obra torneada, porém não podem falar; certamente são levados, porquanto não podem andar. Não tenhais receio deles, pois não podem fazer mal, nem tampouco têm poder de fazer bem" (Jr 10.3-5).

Meus queridos, afirmar que o homem vai até Deus e por isso é aceito por Ele, isto não é Bíblia. Talvez seja Nova Era, Budismo, Hinduísmo, Espiritismo ou algo outra seita - mas certamente não é o genuíno cristianismo. Se alguém afirma que o homem natural precisa ir até Cristo, como que indicando que é o homem quem toma a decisão (seja de ir ou de aceitar), então esta pessoa não crê na graça, mas sim nas obras. O cristianismo é a prática da humilhação, do negar a si mesmo (Mt 16.24; Mc 8.34; Lc 9.23) e do seguir a Cristo, sabendo que "todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições" (2Tm 3.12).

Cristo Jesus, exemplificando aos discípulos a entrada no reino dos céus, após ter dito que os judeus foram convidados, mas não puderam entrar, devido ao amor que tinham por este mundo (um havia comprado um campo [Lc 14.18], outro cinco juntas de boi [Lc 14.19] e um terceiro havia casado e se dava por impedido [Lc 14.20]), "disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha" (Lc 14.23). Observemos o precioso cristal neste versículo: "força-os a entrar". Depois de haver chamado os convidados e estes terem recusado, chamou os "pobres, e aleijados, e mancos e cegos" (Lc 14.21), os que pela Lei de Moisés eram impuros diante do Senhor. Assim, Cristo afirma que os tais devem ser forçados a entrar em seu banquete, pois naturalmente sabem que não são dignos de entrar no santuário do Senhor.

É desta forma que o evangelho trata os homens: forçando-os a entrar no reino de Deus. Contudo, primeiramente transformando os seus corações e tornando-os dispostos a isso, conforme lemos: "E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne" (Ez 36.26).

2. É impossível que o homem seja salvo por suas obras.
 
Ser salvo pelas obras é o mesmo que dizer que o homem pode comprar sua salvação. Ora, se o homem pudesse comprar a salvação, então ele teria alguma coisa para oferecer ao Senhor - algum talento, algum benefício que ele pudesse doar ao Soberano e criador de todas as coisas. Se o homem pudesse ser salvo por suas obras, então, Cristo não precisaria ter morrido por Seus filhos, afinal, bastando que cada um oferecesse a si mesmo como propiciação por seus pecados que, por - supostamente - possuir uma santidade inerente ao seu ser, seria ressuscitado e, aqui mesmo, passaria da corruptibilidade à incorruptibilidade. Contra os que assim pensam, diz o salmista: "Ó SENHOR Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, SENHOR, com a tua fidelidade ao redor de ti?" (Sl 89.8). Também Moisés havia dito: "Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas?" (Êx 15.11).

Desta maneira, se o homem não pode ser salvo pelas obras, eis o motivo de Paulo dizer, "para que ninguém se glorie". O mendigo que vai até a cidade em busca de esmolas, poderia orgulhar-se de seu esforço em sair de debaixo da ponte e ir até a movimentação maciça de pessoas; o aleijado que sob muito sacrifício suplica e consegue ser levado até alguma esquina, no intento de angariar algumas moedas, poderia jactar-se de si mesmo, pois grande esforço empreendeu por seu mísero sustento. Mas, o cristão não se assemelha a estes homens, e sim ao cego Bartimeu: "Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando" (Mc 10.46). Bartimeu estava sentado, como de costume, e mendigava. Ele não se posicionou em local estratégico ou procurou fazer como Zaqueu, subindo nalguma árvore, a fim de ver o Senhor (Lc 19.3-4) - tão somente mendigava, quem sabe, há muitos anos. Até que, pela graça e misericórdia de Deus, ouviu de Seus discípulos: "levanta-te, que ele te chama" (Mc 10.49).

Assim como este cego, o homem não pode ser salvo por suas obras, pois está morto em seus pecados, afastado do Senhor e naturalmente sob à mira da ira de Deus (Ef 2.1-3).

3. A única esperança reside em Cristo Jesus. 

A razão da proclamação vinda tão somente da graça de Deus, é que este é o único meio de glorificar e magnificar Cristo Jesus. Nas Escrituras somos informados de que Ele "esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Fp 2.7). Porque Cristo esvaziou-se a si mesmo e não fez caso da glória que possuía junto ao Pai (Jo 17.5), nossa esperança reside n'Ele, porque é o único plenamente capaz de aplacar a ira de Deus, devido aos pecados de todos os Seus filhos. Cristo é o unigênito do Pai, de modo que n'Ele somos adotados (Ef 1.5) e somos considerados "concidadãos dos santos, e da família de Deus" (Ef 2.19).

As Sagradas Escrituras registram cristalinamente: "Aquele que se gloria glorie-se no Senhor" (1Co 1.31; 2Co 10.17). O homem que se gloria por ter "aceitado Jesus", por ir à casa de oração, por frequentar regularmente os cultos, por ter livros cristãos e ler diariamente a Palavra de Deus, certamente se encontra em caminho tortuoso e muito pouco conhece sobre a graça. Devemos nos gloriar no Senhor porque somos comparados ao "natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira" (Rm 11.24); à família de Deus, "Eis aqui minha mãe e meus irmãos.Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe" (Mc 3.34-35); parte do edifício que tem como base o próprio Cristo, "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina" (Ef 2.20). Não há qualquer base para o homem buscar o mérito próprio: "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer" (Lc 17.10).

Que o Senhor nos farte de um coração piedoso e nos leve a diariamente a ter um coração sincero e contrito diante do Senhor. "O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado" (Lc 18.11-14).

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