"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Efésios 2.11 - Lembrai-vos dos Tempos Passados - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 18.11.2012




Efésios 2.11 - Lembrai-vos dos Tempos Passados
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 18.11.2012


"Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens" (Ef 2.11).

O santo apóstolo Paulo, agora passa a chamar a atenção dos crentes de Éfeso, pois uma vez que vinha expondo os feitos de Deus em suas vidas, agora, enfatiza a importância daquela igreja e dos respectivos irmãos em jamais se esquecerem de onde haviam vindo e o que Cristo havia feito em seu meio, através do Espírito Santo. É preciso que tenhamos excelso cuidado neste ponto e, também, buscarmos praticar esta ordenança de Paulo, de modo que lembremos continuamente de onde o Senhor nos tirou e para onde levará todos os Seus filhos.

O apóstolo inicia o presente versículo com uma conjunção, isto é, "Portanto" - uma palavra que está ligada a tudo que precede o presente versículo. Desta forma, uma vez que já delineou diversos ensinos importantíssimos aos cristãos de Éfeso, passa a fazer um acréscimo, a fim de que àqueles crentes não se esquecessem "de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens".

Olhemos para o primeiro ensinamento que este versículo nos traz: "lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne".

Amados irmãos, o que Deus registrou nesta sentença, é por demais valioso para todos nós. Naqueles tempos, antes da vinda de Cristo, com exceção de alguns que eram feitos escravos e eventualmente achavam clemência - mediante a soberania o e querer de Deus - em meio ao povo de Israel, ser gentil de natureza, não era uma boa situação. O Deus criador não estava ao seu lado; o Senhor dos Exércitos era contra eles; o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, não os abençoava; enquanto aos judeus devotos ao Senhor, era dito que, "Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda" (Sl 91.10), aos gentios era revelado por meio do salmista: "Caiam os ímpios nas suas próprias redes, até que eu tenha escapado inteiramente" (Sl 141.10) e também, "Mas tu, SENHOR, te rirás deles; zombarás de todos os gentios" (Sl 59.8); o prazer do judeu convertido era a lei de Deus (Sl 1), mas ao gentil, diz a Palavra, "O SENHOR desfaz o conselho dos gentios, quebranta os intentos dos povos" (Sl 33.10); "Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus" (Is 57.21; 48.22). Por estas e numerosas outras referências bíblicas, é que Paulo desejava relembrar os cristãos de Éfeso sobre quem eles eram por natureza: gentios, separados de Deus e afastados do Senhor.

Se assim eram aqueles gentios, que dir-se-á de nós? Quem somos, por natureza, diante do Senhor? Olhemos atentamente e percebamos, pela graça bendita do Altíssimo, que Paulo não está apenas falando daqueles gentios, mas de todos! "lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne" - é isto que Paulo diz! Ele não escreve sobre quão bem-aventurados eram os gentios, mas, sim, que haviam nascido debaixo da mão irada de Deus! Haviam vindo ao mundo para serem consumidos pelo pó da terra e viverem "segundo o curso deste mundo" (Ef 2.2)! Ora, os gentios não possuíam a Lei de Deus, não tinham os mandamentos, não conheciam Moisés, não lhes fora revelada a vontade do Senhor - nada! Humanamente falando, do ponto de vista judaico, os gentios eram inúteis e povo descredibilizado, segundo a Lei.

Precisamos, então, recobrar a lembrança de que somos semelhantes à igreja e povo de Éfeso. É mister atentar para o fato de necessitarmos entender que em nada diferimos do povo de Éfeso. Aquela cidade era grandiosamente importante e imponente no cenário de sua época. Era uma das cidades mais importantes da província romana na Ásia, ligando os dois lados do império romano (Europa e Ásia); era conhecida pela adoração à deusa Diana (At 19.28); tinha um importante porto que atraía grandes comerciantes; um grande teatro também possuía (At 19.29); em suma, Éfeso era como que uma metrópole, uma gigantesca cidade para os seus dias. Destarte, foi neste e para este cenário que Paulo escreveu.

Se o povo de Éfeso fosse deixado aos seus próprios prazeres, estaria completamente perdido - e não somos, neste quesito, em nada diferentes. Nascemos em meio a uma sociedade corrupta e mais do encharcada por causa do pecado; nossos dias clamam por mais e mais lascívia e toda sorte de promiscuidade sexual; a corrupção é latente; as propagandas e a mídia nos levam a decorar mais os slogans jingles, do que os dez mandamentos e os salmos. Não foi à toa, então, que Paulo, mais adiante escreveu: "Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus" (Ef 5.15-16 - ênfase minha).

"lembrai-vos" - isto precisa ecoar em nossas mentes por todo este dia. Roguemos que o Espírito Santo nos faça compreender, outra vez, que somos grandes pecadores! Terríveis criaturas! Gentios! Por natureza, fora do pacto da aliança; fora das promessas; fora das benesses divinas; fora da benevolência e do bem querer de Deus; fora da providência; fora da graça; fora da misericórdia; fora de tudo! Isto é o que temos por nascença! Certamente que o apóstolo falará da grandiosa obra de Cristo - no versículo 13 - mas, necessitamos aprender estas verdades. Precisamos acordar amanhã pela manhã e termos três pensamentos  bíblicos piedosos: quão terrível somos por natureza; quão horrível e infestado de pecado é este mundo; qual superabundante é a Tua graça sobre nós. Se fizermos menos que isso, é possível que não tenhamos conhecido e sido impactados por nosso estado diante do Senhor.

segundo ensinamento que nos é transmitido é: "e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão"


Devemos ter em mente que Paulo era judeu (At 22.3) e certamente sabia a forma ríspida como o seu povo tratava os gentios. O próprio Cristo, algumas vezes referia-se aos samaritanos (que eram gentios), demonstrando aos judeus o quanto eles (os judeus) eram errantes e precisavam aprender com os estrangeiros (Lc 10.33; 17.16; Jo 8.48). Assim sendo, Paulo era devidamente gabaritado pelo Espírito Santo para ensinar os crentes de Éfeso acerca de quem eles eram por si mesmos e o que representavam para o povo judeu. Notemos que ele diz que todos do povo de Éfeso eram "chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão". Quer dizer, por uma questão natural, os judeus não tinham qualquer pessoa de fora de sua etnia, como valiosa e muito menos amada por Deus - Paulo, na verdade, confirmará isso no próximo versículo (v. 12).

Quando o povo de Israel estava sendo desafiado pelo gigante Golias e ninguém se apresentava para a batalha, perguntou Davi: "Que farão àquele homem, que ferir a este filisteu, e tirar a afronta de sobre Israel? Quem é, pois, este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?" (1Sm 17.26 - ênfase). Quando o ímpio e atual rei Saul, quis persuadi-lo a não ir à batalha, ouviu: "Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; e quando vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho, Eu saia após ele e o feria, e livrava-a da sua boca; e, quando ele se levantava contra mim, lançava-lhe mão da barba, e o feria e o matava. Assim feria o teu servo o leão, como o urso; assim será este incircunciso filisteu como um deles; porquanto afrontou os exércitos do Deus vivo" (1Sm 17.34-36 - ênfase minha). Adiante, quando Golias se aproximou de Davi, disse: "Sou eu algum cão, para tu vires a mim com paus? E o filisteu pelos seus deuses amaldiçoou a Davi. Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas do campo" (1Sm 17.43-44). Porém, pelo poder do Senhor e sendo um tipo de Cristo, afirmou Davi: "Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo o SENHOR te entregará na minha mão, e ferir-te-ei, e tirar-te-ei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e às feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel; E saberá toda esta congregação que o SENHOR salva, não com espada, nem com lança; porque do SENHOR é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão" (1Sm 17.45-47).

Também lemos no profeta Isaías: "Desperta, desperta, veste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-te das tuas roupas formosas, ó Jerusalém, cidade santa, porque nunca mais entrará em ti nem incircunciso nem imundo"  (Is 52.1 - ênfase minha). Ezequiel registra: "Porque introduzistes estrangeiros, incircuncisos de coração e incircuncisos de carne, para estarem no meu santuário, para o profanarem em minha casa, quando ofereceis o meu pão, a gordura, e o sangue; e eles invalidaram a minha aliança, por causa de todas as vossas abominações" (Ez 44.7 - ênfase minha). Igualmente, Habacuque revela: "Serás farto de ignomínia em lugar de honra; bebe tu também, e sê como um incircunciso; o cálice da mão direita do SENHOR voltará a ti, e ignomínia cairá sobre a tua glória" (Hc 2.16 - ênfase minha)

Muitas outras passagens poderiam ser citadas, mas considero que estas sejam suficientemente claras para nos mostrar que o fato dos judeus chamarem os gentios de incircuncisos, estava de total acordo com a forma pela qual haviam sido ensinados pelo Senhor. Por nascimento, os agora cristãos de Éfeso, eram "estranhos às alianças da promessa" (Ef 2.12) e por isso levavam corretamente sobre si a designação de incircuncisos. Os judeus erravam por muitas vezes desejarem impor seus costumes aos gentios (At 15.5, 24), mas estavam certos, até a dispensação da graça ter sido conferida aos gentios, em os chamarem assim.

terceiro e último ensino, nos vem do fim do versículo: "feita pela mão dos homens".

Aqui está o grande trunfo e preciosa pérola das boas-novas à igreja em Éfeso. Não que a circuncisão não tivesse tido valor noutro tempo, afinal, o próprio Deus havia ordenado que assim se fizesse (Gn 17.12); mas, com relação à eficácia da circuncisão no presente tempo. O apóstolo não está menosprezando a circuncisão, e sim, afirmando ser ela parte do tempo em que o evangelho era segregado dos gentios. Noutras palavras, a circuncisão era ordenada ao povo judeu como marca de sua aliança com Deus (Gn 17.11). Entretanto, nos dias em que escreve àqueles irmãos, a circuncisão física já não tinha mais valor, pois  a circuncisão dera lugar ao batismo. Ele mesmo testifica desta preciosa e ímpar verdade, quando escreve: "É alguém chamado, estando circuncidado? fique circuncidado. É alguém chamado estando incircuncidado? não se circuncide" (1Co 7.18); "Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos" (Cl 3.11); "Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor" (Gl 5.6).

Assim lemos e de sobremaneira, exultamos: "E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz" (Cl 2.10-14).

Aleluias, meus irmãos! Cristo perdoou todos os Seus eleitos e destinados à vida eterna! Glorificado seja o Senhor misericordioso! "quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas"! "Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças"! "e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz"! Aquela bendita e preciosa cruz, nos livrou da ira vindoura (1Ts 1.10)! Embora tenhamos nascidos em meio aos gentios, aprouve ao Senhor, mediante Seu filho "que foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8), expandir o Seu reino: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações" (Mt 28.19 - ênfase minha).

Por estas razões diz o apóstolo: "lembrai-vos". Não podemos nos esquecer destas verdades; não devemos nos furtar a memória e voltar a seguir o caminho que outrora trilhamos. Sim, cada um de nós, durante muitos anos de nossa vida, vivemos "segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamento" (Ef 2.2-3). Que jamais esqueçamos disto. Que nunca nos falte esta bendita lembrança; jamais, pela graça e misericórdia do Eterno, nos esqueçamos de nossa fragilidade e completa impotência diante do Soberano.

"lembrai-vos de que vós noutro tempo". O motivo que tem levado muitos a perecerem e se encontrarem em profundo desânimo, é porque não buscam relembrar dos seus tempos passados. Preferem "esquecer", "não comentar", esquivar-se do assunto, como se isto melhorasse suas vidas. É verdade que não devemos remoer o passado, pois "se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2Co 5.17); contudo, assim como um povo que desconhece sua história, é um povo fadado a repetir os mesmos erros, um cristão que se esquece do lamaçal de onde foi tirado, pode ser seriamente tentado a crer que, no lugar do pecado, o que lhe acompanhou com o nascimento, foram ouro e pedras preciosas - com grande urgência o Senhor precisa despertar-nos para esta verdade e profundo ensinamento.

"gentios na carne". Miserável situação em que nascemos! Oremos ao Senhor para que fixe isto em nossas mentes, irmãos! "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23). Se os judeus, tendo nascido no berço do cristianismo (ainda que muitos não eram realmente filhos do Senhor - Rm 9.6), sofriam as penalidades de suas desobediências, que se diria dos gentios? Haveria alguma coisa que pudessem fazer? Somente uma coisa lhes era certa: "e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também" (Ef 2.3).

Nesta manhã, supliquemos ao Senhor, a fim de que Ele, por meio de Seu santo e precioso Espírito Santo, nos relembre de nossas malignidades e nos alegre pelo sangue de Cristo vertido em favor de Seus filhos. E para o caso de alguns ainda estarem impenitentes e não verem o seu passado com grande tristeza e angústia, assim também lemos: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça" (1Jo 1.9), sabendo que, "Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida" (At 11.18).

Louvado seja o nome do Senhor.

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