segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tudo é sem sentido! - Será? Breve análise sobre o livro de Eclesiastes

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Ao conversarmos com alguns cristãos, vemos que alguns livros da bíblia têm mais aceitação do que outros (que grande pecado!). Enquanto Salmos e Provérbios são amplamente lidos e aceitos pela maioria, seu vizinho Eclesiastes é deixado de lado, afinal, ele aparenta ser um livro depressivo e sem sentido. Porém está longe de ser esta a verdadeira conotação, pois Eclesiastes é um livro onde o autor discorre sobre as coisas que acontecem na vida dos seres humanos e em como ele se vê perplexo perante grandes injustiças e inutilidades debaixo do sol, quando não analisadas à luz da soberania de Deus.

O ponto de partida de Eclesiastes se encontra no versículo 2.3: "eu queria saber o que vale a pena, debaixo do céu, nos poucos dias da vida humana". O autor está intrigado por não conseguir compreender certas ações de Deus em meio à natureza humana. Ele não entende o porquê de certas coisas acontecerem a determinadas pessoas, as injustiças da vida, o trabalho árduo debaixo do sol, os absurdos da vida, a futilidade do poder... O autor aparenta estar desolado e completamente confuso quanto ao motivo da vida existir.

Os versículos 4 até 10 do capítulo 2 nos mostram que o autor não negou coisa alguma que seus olhos e mãos desejassem. Ele se lançou rm projetos e teve tudo que seu coração desejou! Porém no versículo 11 ele conclui dizendo: "Contudo, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento; não há nenhum proveito no que se faz debaixo do sol". Vemos então um homem completamente arrasado! Um homem que teve tudo o que desejou, mas que não conseguiu perceber a verdadeira realidade da vida. O autor prosseguirá então até o final do capítulo 7 dizendo que "nada faz sentido debaixo do sol".

Depois de uma leitura cuidadosa no livro de Eclesiastes, percebemos que muitas das indagações ali contidas, refletem as mesmas dúvidas e questionamentos que temos. Por que Deus não finda com a injustiça terrena? Qual a vantagem em ser sábio se não se poder compreender a vida? De que adianta se esmerar em prol de algum serviço se ao final da vida todos teremos o mesmo destino que é a morte? Quantas vezes nós já nos deparamos com a mesma situação do autor, onde olhamos para nossa vida e pensamos, "que coisas inúteis tenho feito! É tudo sem sentido!".

Após muitas dúvidas, questionamentos e indagações sem fim, o autor nos diz que devemos obedecer ao Rei. No capítulo 8 versículo 4 lemos: "Pois a palavra do rei é soberana, e ninguém lhe pode perguntar: 'O que estás fazendo?'". Aqui, o autor expressa algo de profundo valor para nós cristãos, que é: Obedeça ao Rei! Porém ele deixa claro que esse obedecer não é precedido de uma conversa entre o rei e o servo, onde ambos fixam um acordo que lhes parece melhor e/ou que apraz ambas as partes. Pelo contrário, ele diz que ninguém pode indagar ao Rei sobre o que ele faz ou deixa de fazer, pois o Rei é soberano e faz aquilo que sua vontade bem entender. Se cremos verdadeiramente que nosso Rei é Jesus, filho do Pai, então devemos aceitar as palavras proferidas pelo autor. Se quisermos ser sábios, devemos atentar para os grandes ensinamentos da bíblia.

Um cristão maduro é aquele que acata as decisões de seu Rei e as segue sem questionamentos quanto à veracidade - não porque ele é um cristão sem vontade de questionar, mas sim porque sabe que aquilo que o seu Rei faz é o melhor para Seu povo. Não devemos ficar como que apontando as orações para os céus e dizer: "Por que tu fizeste isso, Senhor? Existiam milhares de outras maneiras para Tu realizares o teu propósito! Por que foi dessa maneira?!" Relembremos: "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria" (Provérbios 9.10).

Em fase de finalização, no capítulo 11, versículo 9 lemos: "Alegre-se, jovem, na sua mocidade! Seja feliz o seu coração nos dias da sua juventude! Siga por onde seu coração mandar, até onde a sua vista alcançar; mas saiba que por todas essas coisas Deus o trará a julgamento." Vemos, aqui, que embora o autor estivesse confuso quanto ao sentido da vida, ele não diz para deixarmos de viver e abandonarmos tudo; pelo contrário, nos exorta a irmos atrás de nossos sonhos, a vivermos por nossas ambições e desejos, indo o mais longe que pudermos! Mas ele nos salienta dizendo que por todas essas coisas Deus nos trará a julgamento.

Não há problema algum em termos grandes planos para nossa vida e desejarmos fazer grandes coisas. O problema está no porquê desejamos determinadas coisas. Não devemos viver como se nossa estadia na Terra fosse eterna! Não podemos viver achando que levaremos alguma coisa daqui da Terra para os céus! O autor também nos previne de acharmos que, independentemente daquilo que fizermos, Deus nos salvará! Ele diz que teremos julgamento por cada ato que praticarmos e se estivermos em Cristo, teremos a sentença absolutória.

Para concluir seu pensamento, no capítulo 12, versículo 13,14 ele escreve: "Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque isso é o essencial para o homem. Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mau." O autor finaliza dizendo que não devemos tentar entender tudo que acontece debaixo do sol, pois isso é inútil, é correr atrás do vento. Ele nos anima a obedecermos a Deus mesmo quando não entendemos aquilo que Ele faz ou deixa de fazer!

O cristão não deve obedecer a Deus porque conseguiu compreender Sua mente, mas, sim, porque confia que as ações de seu Rei são as melhores para seu povo, mesmo quando estas lhe causem grande e profunda tristeza.

Longe de ser um livro depressivo e sem sentido, o Eclesiastes nos mostra que podemos confiar em nosso Rei Jesus mesmo quando as situações nos parecem confusas e tudo parece ser sem sentido!

Deus nos abençoe!

terça-feira, 13 de abril de 2010

O que é viver pela fé?

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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O que é viver pela fé? Uma simples pergunta, mas que se respondida e entendida de maneira errada, pode acarretar em grandes problemas.
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Se pararmos e perguntarmos para um grande número de crentes o que eles entendem por fé, certamente a grande maioria responderá que fé é a certeza das coisas que não se vêem. Em Hb 11.1 lemos que "ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem". Seria então natural entendermos que pela fé podemos esperar e ter certeza daquilo que não podemos ver; sejam milagres, curas, pedidos ou qualquer outra coisa. Fé seria a plena certeza de que receberíamos tudo aquilo que ainda não podemos ver.

Agora, é mister notarmos que embora o texto diga-nos que fé é a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não vêem, ele não nos fala que coisas são essas, nem tão pouco quais são os fatos que não vemos. Por isso é importante atentarmos e analisarmos melhor essa questão.

O que é viver pela fé? Para respondermos essa pergunta é necessário que entendamos que nosso Deus é um Deus soberano e por ele ser soberano, não estamos livres para exercitarmos a fé que ele nos deu conforme nosso próprio beneplácito. A fé que ele nos deu serve para podermos confiar em seu poder capaz de nos livrar das mãos do inimigo e nos conduzir seguramente à vida eterna. A fé que recebemos não serve para barganharmos com Deus ou comprarmos o seu favor. Esta fé que nos foi concedida tem como propósito nos unir a Ele, caso contrário estaríamos destituídos da capacidade de usufruirmos de sua comunhão.

Viver pela fé é crer nas promessas que nos foram concedidas. É ter a total confiança de que "aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus." Fp 1.6. Viver pela fé é viver confiando naquilo que o Senhor já nos revelou. É compartilhar do mesmo sentimento que Paulo, quando disse que: "Estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor". Rm 8.38,39

O cristão que verdadeiramente vive pela fé, sabe que esta fé que ele tem não provém dele mesmo, "porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus" Ef 2.8. A bíblia deixa claro que não temos fé por nós mesmos. Não adianta clamarmos em alta voz para que o mundo inteiro tenha fé em Deus, sendo que eles só poderão ter a fé salvífica se Deus assim os conceder. O homem por si mesmo é incapaz de criar fé em Deus.

Estar aliançado em Deus é estar vivendo pela fé transformadora de vidas. O homem que vive pela fé sabe em quem está confiando e pode ter a certeza que será transformado. Não uma transformação de casa, carros, bênçãos e prosperidade se fim, mas a única e verdadeira transformação: a de seu ser! Ele não tem dúvidas de que o seu Senhor é soberano e está controlando a situação. Ele pode até titubear perante o aparente abandono de Deus, mas assim como Jó, ele também poderá dizer: "Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra." Jó 19.25

Viver pela fé é ler com expectativa e paixão as palavras do anjo que disse: "Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir." At 1.11

Vivamos pela fé!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Falar em línguas é auto-edificante?

por John Stott
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Ainda paira um ponto de interrogação sobre o fenômeno contemporâneo conhecido como falar em línguas, quanto a ele ser idêntico ao dom do Novo Testamento. Está claro que no dia de Pentecostes os crentes cheios do Espírito estavam falando "em outros línguas", isto é, em línguas estranhas, e "segundo o Espírito lhes concedia que falasse", e que todas estas línguas era compreensíveis a grupos da multidão (At 2.4-11).

A suposição teológica e linguistica é forte no sentido de que o fenômeno mencionado em 1Coríntios é o mesmo. Primeiro, porque as expressões no grego são praticamente as mesmas, e uma das primeiras regras da interpretação da Bíblia é que expressões idênticas têm o significado idêntico.

Em segundo lugar, porque o substantivo glōssa tem somente dois significados conhecidos, que são o órgão, ou seja, a língua e o idioma. A tradução "lhes concedia que falassem em êxtase" não tem base linguistica. Isto não é uma tradução, mas uma interpretação. De modo análogo, a expressão "interpretação de línguas" significa tradução de idiomas.

Em terceiro lugar, todo o empenho de 1Coríntios 14 é no sentido de desencorajar o culto de caráter ininteligível, como coisa de criança: "Irmãos, não sejais meninos no juízo; (...) sede homens amadurecidos" (v.20). O Deus da bíblia é um Deus racional, que não tem prazer em irracionalidade ou em ininteligibilidade.

A interpretação levanta algumas dificuldade exegéticas, que levaram algumas pessoas a distinguirem radicalmente entre "línguas" em Atos e "línguas" em 1Coríntios. Mas as dificuldades são pequenas em comparação com a força do argumento de que o fenômeno é o mesmo, não uma expressão extática ininteligível, mas um idioma inteligível - compreensível, é claro, a alguns poucos presentes (como no Dia de Pentecostes). Obviamente ela precisaria ser "interpretada" ou "traduzida" em um porto de Corinto, em que se falavam muitos idiomas, para benefício daqueles que falavam alguma língua estrangeira. (...) porque todos os dons de Deus são bons e desejáveis, mas o dom de línguas em si (isto é, à parte do conteúdo falado) não tem capacidade para edificar.

O que dizer, então, da prática atual e particular do falar em línguas, como ajuda à devoção pessoal? Muitos dizem estar descobrindo através disto um novo grau de fluência quando se achegam a Deus. Outros falam de um tipo de "liberação psíquica" que experimentam, e que ninguém quer lhes negar. Por outro lado, precisa ser dito (1Co 14) que Paulo, além de proibir completamente o falar em línguas em público sem interpretação, também desencoraja com insistência que se fale em línguas em particular, se a pessoa não entende o que está dizendo. Muitas vezes, as pessoas se esquecem do versículo 13: "O que fala em outra língua, ore para que a possa interpretar". De outra forma sua mente fica "infrutífera ou improdutiva. Mas, então, que ele deverá fazer? O próprio Paula faz a pergunta. E responde dizendo que irá orar e cantar "com o espírito", mas também "com a mente". Está claro que ele simplesmente não consegue imaginar oração e louvor dos cristãos em que a mente não esteja envolvida de modo ativo.

Alguns leitores, sem dúvida, responderão que nos primeiros versículos de 1Coríntios 14 o apóstolo contrasta a profecia e o falar em línguas, afirma que o profeta "edifica a igreja", enquanto quem fala em línguas "edifica a si mesmo" e, portanto, está incentivando ativamente a prática de falar em línguas em particular. Questiono se podemos tirar esta conclusão legitimamente, devo confessar. Duas razões fazem-me hesitar.

A primeira é que, no Novo Testamento, a "edificação" invariavelmente é um ministério voltado para as outras pessoas. A palavra grega oikodomeō significa literalmente "construir" - cidades, casas, sinagogas etc. É aplicada figuradamente à igreja. Jesus disse: "Edificarei a minha igreja (Mt 16.18). O apóstolo Paulo escreveu: "Edifício de Deus sois vós" (1Co 3.9; v. Ef 2.20-21), e Pedro acrescentou: "Vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual" (1Pe 2.5). A partir deste significado básico, a palavra passou a ser usada no sentido de "fortalecer, estabelecer, fazer crescer em número e maturidade" cristãos e igrejas. Lucas escreve que a igreja na Palestina estava "edificando-se", e Paulo escreve que sua autoridade apostólica tinha-lhe sido dada "para edificação" (At 9.31; 2Co 10.8, 12.19, 13.10).

Além disso, os cristãos têm um ministério de "edificação de uns para com os outros" (Rm 14.19), também expresso na ordem: "Edificai-vos reciprocamente" (1Ts 5.11; v. Rm 15.2, Ef 4.29, Jd 20). E, se alguém perguntar o que mais edifica a igreja, Paulo responderia "a verdade" (At 20.32; v. Cl 2.7) e o "amor" (1Co 9.1; cf. também 10.23). A mesma ênfase em edificar os outros transparece em 1Coríntios 14: o profeta "edifica" com sua mensagem "(v. 3-4), e, no culto público, "tudo" deve ser feito "para edificação" (v. 26; veja também 17), e os cristãos devem procurar "progredir, para a edificação da igreja" (v. 12; v. também 5).

Agora, à luz desta ênfase consistente do Novo Testamento na edificação como ministério aos outros na igreja, o que faremos com a única exceção, que diz que quem fala em línguas "edifica a si mesmo"? Certamente deve existir pelo menos uma ponto de ironia no que Paulo escreve, porque a frase praticamente se contradiz em seus termos. A auto-edificação está completamente fora de cogitação quando o Novo Testamento fala de edificação.

Em segundo lugar, devemos entender a expressão à luz do ensino que já estudamos "para a utilidade de todos", para o serviço aos outros. Então como seria possível inverter este dom e usá-lo para proveito próprio, e não mais para o proveito de todos? Não devemos concluir que isto é um abuso do dom? O que pensar de um crente que recebeu um dom de ensino e que o usa somente para dar-se instrução particular, ou de alguém que recebeu um dom de curar e o usa somente para curar a si, e mais ninguém? É difícil justificar o uso egoísta de um dom concedido especificamente para o benefício dos outros.

Fonte: Stott, John. Batismo e Plenitude do Espírito Santo. Ed. Vida Nova. Páginas 117-120.

quarta-feira, 31 de março de 2010

No Dia da Mentira, pregue a verdade

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Como de costume e já marcado no calendário social, amanhã é o tradicional Dia da Mentira. Dia este em que você não pode afirmar nada, afinal, neste dia tudo que se fala é uma mentira em potencial. Com certeza essa data mentirosa não chega a atrapalhar o andamento das cidades nem dos círculos sociais, visto que já está arraigada (infelizmente) neste mundo vil - mas creio que mais do que brincadeiras, no Dia da Mentira as pessoas deveriam ouvir a verdade.

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Estamos vivendo em dias de uma pluralidade de ideias e pensamentos sem igual. Em todo lugar pode-se encontrar novos ensinamentos, filosofias para uma vida bem sucedida e diferentes rituais que trazem as mais inusitadas sensações. Todos dizendo que são "a verdade", ou pelo menos parte dela.

Pode-se dizer que por a Igreja estar envolvida na sociedade, infelizmente acaba sendo afetada pelos modismos e diferentes pensamentos provenientes da pluralidade social e religiosa. É triste olharmos para dentro de nós (Igreja) e vermos que muitos há muito tempo já se desviaram da sã doutrina; tudo em nome do crescimento e do reconhecimento alheio, afinal, vale tudo para alcançar as multidões.

Parece não haver mais absolutos para a igreja cristã atual. Tudo pode ser relativizado, até mesmo o mais objetivo e claro ensinamento escriturístico bíblico. Não mais a chamam de Sagradas Escrituras, agora é apenas Palavra de Homens que viveram com Jesus. Esqueceram-se do sagrado, profanaram o ensinamento e apartaram-se de Deus. A Bíblia parece ter sido repensada e remodelada para o século 21, um tempo onde absolutos não tem mais créditos, nem valor.

É necessário que preguemos a sã e correta doutrina; que sejamos arautos do Senhor em meio a um mundo que está indo de mau a pior. Mas qual é a doutrina correta? Poderíamos resumir dizendo que a correta doutrina é aquela que coloca Deus em seu devido lugar, dando-lhe total e absoluto controle sobre tudo e todos que criou e que nós, criaturas feitas a sua imagem e semelhança, carecemos de sua total graça e misericórdia para nos mantermos vivos e alcançarmos a salvação. E é por isso que devemos lutar. Não por nome de pessoas ou tipos de pensamentos, mas sim pela verdade revelada através da bíblia.

Aproveite que neste dia não "existem" absolutos e fale a verdade. Afirme que Jesus ressuscitou para nos trazer vida, que padeceu pelos pecados de todos os Seus, que Sua graça é tão maravilhosa que torna-se irresistível. Seja de fato um(a) cristão(ã) e mostre que você confia no único Deus, cuja sabedoria e poderes são insondáveis e inimagináveis. Exponha a bíblia e diga ás pessoas que há um Deus absoluto, imutável e que n'Ele reside toda a verdade.

No Dia da Mentira, pregue a verdade.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Devolve-me a alegria da Tua salvação

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Sl 51.12 "Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a te obedecer."

Foram com essas palavras que Davi ser achegou até Deus após ter cometido o adultério com Bate-Seba. São palavras bonitas e animadoras. Porém mais do que apenas palavras bonitas, elas são palavras que expressam profundas e necessárias verdades para nossas vidas.

Antes de analisarmos mais a fundo, é prudente que façamos um breve resumo acerca da ocasião anterior que levou Davi a escrever este Salmo. Embora Davi houvesse escrito o Salmo 51 naquela ocasião e todo este seja importante para nós, gostaria de hoje me ater apenas ao versículo 12.

Davi era Rei de Israel. Governava o povo de Deus e era tido como homem de batalha perante seus inimigos. Deus era com ele em suas batalhas e sua vida mostrava profunda devoção ao Senhor dos Exércitos, o Senhor que livrava o povo de seus inimigos. Em 2Samuel 11 vemos o relato do adultério cometido por Davi. Diz o texto que Davi havia se levantado, ido passear pelo terraço do palácio e lá avistara uma mulher muito bonita tomando banho. Mandou então que alguém perguntasse por seu nome e ficou sabendo que se tratava de Bate-Seba, esposa de Urias, o hitita. Por fim, Davi adultera com ela, engravida-a e planeja e conclui o assassinato de Urias, marido de Bate-Seba. E diz a palavra de Deus que isso "desagradou ao Senhor"(v. 21) . No cap. 12 lemos então que o profeta Natã é enviado pelo Senhor (cap. 12) até Davi, para que lhe diga o que haveria de suceder com ele dali por diante. Davi então entristecido, arrependido e profundamente abalado, escreve o Salmo 51.

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Conforme vimos na trajetória de Davi, podemos resumir os fatos em:

1. Davi desejou a mulher do próximo (1Samuel 11.3);
2. Planejou a morte do marido de Bate-Seba (1Samuel 11.15);
3. Se arrependeu (1Samuel 12.13);
4. Pediu para que Deus renovasse sua alegria (Salmo 51.12).

Mesmo que a ordem dos fatos tenha sido essa, creio que não foi assim que se sucedeu no coração de Davi. Embora, a ordem das ações de Davi tenha sido a apresentada, alguns fatores nos levam a pensar que em seu coração foi diferente.

Davi era humano, e como humano era propenso ao erro e ao pecado. Se formos analisar nossa vida, veremos que as vezes em que pecamos mais "grosseiramente"(que levam a maiores consequencias morais e sociais), foram as vezes em que estávamos menos próximos do Senhor. Geralmente pecamos de maneira distinta quando já vínhamos de um período de afastamento de Deus. Desconheço alguém que tenha afirmado que seu relacionamento com Deus estava ótimo (se é que podemos dizer assim) e após tal afirmação, sai e adultera com outra pessoa. De um modo geral, quando viramos as costas para Deus e decidimos pecar livremente, isso nada mais é do que um reflexo de como andava nosso relacionamento com o Senhor.

Isso significa que se estamos junto do Senhor não pecaremos? Em hipótese alguma! Porém, assim como diz Pv 16.6, "pelo temor do Senhor, os homens se desviam no mal". Ou seja, estar com Deus não é garantia de não pecar, mas é garantia de temer a Deus e se desviar do mal.

No momento em que Davi executava o ato do adultério, ele estava sem o devido temor do Senhor no seu coração. Ele havia deixado de lado a lei do Senhor e seus preceitos morais. Com isso, após concluir o adultério e o assassinato, Davi estava repleto de culpa. E podemos ter a certeza de que não era apenas uma culpa como a que nós muitas vezes sentimos, como sendo um simples "eu sei que errei, me Jesus perdoa". O Salmo 51 nos mostra um homem profundamente amargurado e angustiado por ter desagradado ao Senhor. Sua culpa e remorso eram tão grandes que conseguiram tirar a "alegria da salvação" de seu coração.

Como anda sua consciência hoje? Será que assim como Davi, você também precisa resgatar a alegria da sua salvação? Talvez os pecados que o rodeiam sejam tão grandes que você se veja envolto de tamanha culpa, parecendo impossível aos seus olhos voltar e ter novamente a alegria pelas coisas do Senhor. Se essa é sua situação, gostaria de lhe citar 4 pontos que o ajudarão a resgatar essa alegria.

1. Devolve-me Senhor!

Devolve-me Senhor! Não consigo me livrar desse sentimento de culpa e pecado que me afligem! Necessito que o Senhor venha até mim, pois eu não consigo ir até o Senhor, afinal, perdi a alegria e estou sem forças. Essas deveriam ser nossas palavras diante do abismo que o pecado cria em nós e que nos afastam de Deus.

O primeiro passo é reconhecer que perdeu a alegria pela salvação e que ela só voltará caso Deus haja com misericórdia sobre a sua vida.

2. Mas devolve-me o que? A alegria da tua salvação!

Davi estava terrivelmente despedaçado em sua moral. Havia adulterado, assassinado, desagradado ao Senhor e seu filho havia morrido em virtude de seu pecado. Sua culpa era gigantesca e sua vida se encontrava em completa ruína!

É de igual modo que eu e você nos encontramos sem Deus, totalmente consumidos pela culpa e incapazes de recuperar a alegria pela salvação. O pecado deveria criar em nós um sentimento de remorso monstruoso, capaz de sugar todas nossas forças e possíveis virtudes. Mas infelizmente não é assim que acontece, e se hoje você faz coisas que sabe que desagradam ao Senhor e não sente nenhum remorso por isso, gostaria de lhe dizer: algo está muito errado com você! Assim como Davi, você também precisa renovar a alegria pela salvação.

3. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me.

Somente Deus pode fazer com que nós estejamos firmes e prontos para lhe obedecer. Davi não pediria a Deus para sustentá-lo se ele achasse que por suas próprias forças conseguiria se manter de pé. Assim também o homem pecador (e todos nós somos) não tem nenhuma condição em si mesmo de se achegar até Deus e n'Ele permanecer firme. Em Rm 3.18 lemos que "aos seus olhos é inútil temer a Deus".

A vontade natural do ser humano é fugir de Deus, voltar-se para o pecado, para as coisas que dão prazer à carne. A não ser que Deus sustente sua vida e a guarde, com toda a certeza você se afastará d'Ele, afinal "aos seus olhos é inútil temer a Deus".

4. Sustenta-me com um espírito pronto a obedecer.

Obedecer ao Senhor é o reflexo de um espírito que é sustentado por Ele. Mas como que muitos de nós ainda tentam obedecer a Deus sem sequer se preocupar com aquilo que Deus quer? Queremos obedecer, mas não sabemos por onde começar; porque não lemos a bíblia, não nos dedicamos a meditação da palavra e não conhecemos verdadeiramente a Deus. Ninguém poderá dizer "devolve-me a alegria da salvação" se não tiver compreendido o que é a salvação e o que ela realmente significa em sua vida.

Só aprenderemos e entenderemos o que Deus quer de nós se meditarmos na lei do Senhor de dia e de noite (Sl 1.2). Uma leitura superficial da bíblia torna-nos superficiais e faz-nos cristãos anões na fé. Já uma leitura profunda e dada a meditação, torna-nos profundos e faz-nos conhecedores da verdade revelada em Deus.

Meu desejo é que assim como Davi, possamos olhar para dentro de nós e avaliarmos nossa situação. Se estivermos bem, que demos graças a Deus e continuemos louvando a sua santa misericórdia que nos sustenta. Caso contrário, repetiremos as palavras de Davi e diremos: "Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a te obedecer."

Que Deus nos abençoe!

quarta-feira, 24 de março de 2010

A salvação depende da liberdade?

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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A questão da liberdade humana sempre causou confusão e discórdia entre os pensadores. Podemos pensar que liberdade é a ausência de deveres e obrigações ou também pensarmos que é a livre vontade de escolher em não cumprir determinadas regras. Mas afinal, o que vem a ser liberdade?

De acordo com o Dicionário Aurélio, "faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação. Estado ou condição de homem livre." Liberdade portanto significa ser livre de tudo e de todos.

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Frequentemente tem se falado dentro de nossas igrejas que o homem é livre para decidir e tomar suas decisões. Tal afirmação não deixa de ser verdadeira até certo ponto, porém no tocante à salvação, tal afirmação torna-se uma faca de dois gumes. Afirmar que o homem é livre para decidir sobre sua salvação é ferir e tratar com desdém a necessidade do Espírito Santo na vida do crente. Afinal, se o homem é livre, pode muito bem escolher se achegar até Deus por sua livre e espontânea vontade. Neste pensamento, o Espírito Santo estaria apenas observando a atitude do possível crente a sua frente, morrendo de vontade de entrar em sua vida e de transformá-la para a glória de Deus, mas ainda isso não lhe é possível, pois o indivíduo ainda não pronunciou o "sim" de sua permissão a Deus.
Vamos agora pensar como cristãos. Se somos de fato livres, estamos isentos de toda e qualquer influência externa, passando assim a agir conforme nossa própria vontade e determinação. Nada nos guia, nos controla ou exerce poder; apenas o eu interior é que comanda o que iremos ou não fazer. Seguindo este pensamento, surge-nos uma dúvida que não podemos deixar passar: como conheceremos a Deus se ele não se mostrar a nós? Há chance de imaginarmos por nós mesmos o Deus real e então o seguirmos? Há possibilidade do ser humano encontrar Deus em seu trono por suas próprias forças? Aqueles que defendem a liberdade humana para a salvação, incorrem no infeliz veredicto: o Espírito Santo deixa de ser necessário. Afinal, decretar a liberdade humana é descartar a necessidade de uma nova vida mediante o sangue de Cristo e o seu Espírito Santo.

"Mas pera aí!" alguns podem dizer, "não estamos excluindo Cristo e seu Espírito de nossas vidas, apenas dizemos que podemos nos achegar até ele se assim desejarmos". Porém como veremos a seguir, nem desejar tal coisa é possível para os que estão afastados de Deus.

Segundo o relato da queda do homem descrito em Gn 3, vemos que o homem após pecar foi condenado a morte. O Senhor havia dito anteriormente, "Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão". Como sabemos pela narrativa bíblica, homem e mulher comeram e juntos morreram; não apenas fisicamente, mas também espiritualmente. Paulo compreendeu muito bem essa questão quando relatou em Ef 2.1 "Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados".

Desde o começo das Sagradas Escrituras até o seu fim (se é que podemos chamar de fim), o homem é descrito como sendo uma criatura caída e destituída de boas obras. É descrito como alguém enredado pelo pecado e que não tem a mínima vontade em si mesmo de se voltar para Deus. A narrativa nos mostra que para tais indivíduos, Deus é algo tão distante e aparentemente inútil, que ele sequer pensa nisso. O simples pensar em Seu nome Santo e em Sua santidade já causa repulsa e horror. O pecado cega o entendimento e faz com que o pecador seja destituído de qualquer ato de aproximação para com Deus. "Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" Rm 3.23

Conforme Paulo escrevia acerca de nossas transgressões e pecados, é compreensível que ele continuasse seu pensamento dizendo "Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos a vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões - pela graça sois salvos" (grifo do autor). O homem que defende que o ser humano é totalmente livre de Deus, deve ter um pouco de trabalho para desmentir o ensino de Paulo. Afinal, como iríamos viver se não houvesse quem nos ressuscitase? A menos que tal pessoa creia que a queda do homem não foi total, fica difícil refutar tal pensamento paulino e bíblico.

Mas lá vem eles de novo, "veja bem, Deus nos ressuscita e agora cabe a nós respondermos a essa ressurreição". É justo dizermos que naquilo que diz respeito ao nosso viver e andar nesse mundo, somos nós que vamos até Jesus. Eu estou aqui escrevendo porque vim até o computador. Mas de nada adiantaria ter vindo para escrever se eu não tivesse um computador para escrever! Eu não pensaria em escrever se não estivesse pré-disposto (por Deus) a isso. Seria inútil tentar escrever se não fossem me dadas mãos para digitar e cérebro para pensar. Portanto, se formos trabalhar com a ideia de que a resposta para a nossa salvação depende única e exclusivamente de nós, veríamos que o trabalho de Deus foi em vão. Ora, por que Ele iria ressuscitar pessoas que depois de ressurretas iriam querer voltar ao túmulo? Se Deus é de fato soberano, não seria mais prudente ressuscitar apenas os que iriam viver de fato? Não há lógica em dizer que Deus é soberano e ao mesmo tempo que depende da resposta humana para realizar o Seu propósito.

Para finalizar, A. W. Pink ilustra com maestria a liberdade do homem sem Deus:

"Tenho na mão um livro. Solto-o. O que acontece? Ele cai. Em que direção? Para baixo; sempre para baixo. Por quê? Porque obedecendo à lei da gravidade, seu próprio peso o leva para baixo. Imaginemos, porém que eu deseje que o livro fique um metro para cima. Então, o que fazer? Preciso erguê-lo. Uma força externa precisa fazê-lo subir. Esta é a relação entre o homem caído e Deus. Enquanto o poder divino o sustenta, ele é impedido de afundar cada vez mais no pecado; retirado esse poder, o homem cai - seu próprio pecado (qual peso) o afunda. Deus não o empurra para baixo, como eu também não empurrei o livro para baixo. Removidas todas as restrições divinas, todo homem seria capaz de tornar-se e se tornaria um Caim, um Faraó, um Judas. Como, pois, pode o pecador subir em direção aos céus? Por um ato de sua própria vontade? Não. Um poder externo precisa dominá-lo, para então erguê-lo a cada centímetro em sua subida. O pecador é livre, mas em uma só direção - livre para cair, livre para pecar ". (grifo do autor) (1)

Resta-nos apenas crêr que Deus é o autor da salvação e que "isso não depende do desejo ou esforço humano, mas da misericórdia de Deus." Rm 9.16.

Que Deus nos ilumine!

(1) Pink, A. W. - Deus é soberano - Ed. Fiel - pág. 112

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...