"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Liberdade? Não, o povo não gosta de liberdade.


É costumeiro ouvirmos que "o povo quer liberdade", que "quer ser livre para pensar, expressar e viver sua própria opinião". Todavia, este sentimento é gerado por uma ilusão, pois, não raro, as pessoas que esboçam tais ideias, ainda não entenderam no que implica a liberdade, a saber: em responsabilidade.

Responsabilidade é uma palavra totalmente atrelada à liberdade, mas que muitos insistem em não entender. Não é exatamente que não entendem, e sim que não desejam aceitar, afinal, a ideia de "liberdade" parece querer expressar um ideal aonde não será cobrado coisa alguma do indivíduo, afinal, ele é livre.

Para tentar ilustrar, pense no primeiro exemplo: que coisa maravilhosa seria andar de motocicleta sem capacete - já pensou? O vento no rosto e a sensação de frescor aumentada exponencialmente. Quem não gostaria? Ouso dizer que a maioria teria tal desejo (ao menos para pequenas distâncias). Suponhamos, então, que isto seja possível em nossa legislação, entretanto, com o seguinte requisito: quem se acidentar e não estiver usando capacete, não será atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Refletindo sobre a ideia acima, muitos dos defensores da liberdade de andar sem capacete, certamente reveriam seus posicionamentos, pois do que adianta a liberdade para dirigir como quiser, sendo que o Estado não lhe dará o amparo "necessário"? Ou seja, a pergunta que se faria é: o risco da liberdade, valeria a responsabilidade atribuída?

Tentando clarear, permitam-me um segundo exemplo: que seja possível, em nosso Brasil, beber e dirigir alcoolizado. Sim, suponha que alguém possa ir para uma festa, "beber todas" e depois pegar seu carro, passar por policiais/agentes de trânsito e tudo isso sem qualquer receio de ser pego em alguma fiscalização, porque tal coisa não existiria. Todavia, caso acontecesse algum acidente - em especial com morte - o motorista seria severamente punido e no caso de morte, nunca mais poderia dirigir e/ou alguma outra sanção severa (o ideal seria a pena de morte, mas... estamos no Brasil).

Tal qual no primeiro exemplo, os mesmos indivíduos que outrora rogavam por maior liberdade, teriam grandioso receio em beber e dirigir - não porque "não se garantem", e sim pelo medo da responsabilidade que a liberdade lhes colocou. A pergunta que fariam é: alguma bebida e "felicidade", valeriam o peso da responsabilidade e uma sanção para toda uma vida?

Desta forma e com muitos outros exemplos que poderiam ser citados, se verifica que o povo fica "confortável" com as leis impostas pelo governo. Ficam confortáveis porque seja lá que barbaridade cometerem no trânsito, o SUS lhes assistirá e proporcionará todos os mantimentos necessários; ficam confortáveis porque poderão beber, dirigir e a sanção não será "lá aquelas coisas".

O resultado, então, é simples: o povo clama por liberdade, mas não sabe no que ela implica. E enquanto vivermos em uma sociedade com este tipo de mentalidade, sempre haverão mais legisladores prontos para dar "segurança" ao indivíduo, tudo em troca de lhes retirar a responsabilidade. Noutras palavras, o Estado continuará a dizer: "não seja livre; seja meu escravo e eu lhe tiro a responsabilidade".

Tristes dias.

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