"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Efésios 2.12 - Estáveis sem Cristo e Sem Deus no mundo - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 02.12.2012


Efésios 2.12 - Estáveis sem Cristo e Sem Deus no mundo
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 02.12.2012


"Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo" (Ef 2.12).

No intento de lançar maior luz e compreensão de onde haviam sido tirados pelo Senhor, o apóstolo Paulo passa a expandir em maior grau a vileza em que os cristãos em Éfeso estavam noutro tempo. Observemos que não aprouve ao Senhor inspirar o apóstolo para lhes dizer que tão somente fossem cônscios de sua malignidade natural, mas, também, agora lhes instiga ainda outra vez afirmando que não somente eram "chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão" (Ef 2.11), e sim que "estáveis sem Cristo"; ademais, "separados da comunidade de Israel"; promessas? "estranhos às alianças da promessa"; sua esperança era vã, "não tendo esperança"; viviam para suas próprias paixões, porque estavam "sem Deus no mundo".

Preciosos irmãos, é preciso estabelecer estes fatos em nosso entendimento. Uma vez que o Senhor abre os olhos de todos os Seus eleitos para que vejam a Verdade (Ef 1.18), os filhos do Altíssimo irão olhar para a sua vida passada e verão que não fato estavam "sem Cristo... e sem Deus no mundo". Todavia, será que temos considerado suficientemente bem esta maravilhosa graça que nos atingiu? Será que temos meditado sobre o estado natural de nosso coração e de onde ele nos tirou? Acaso há em nossas vidas uma ira santa contra os dias de nosso passado, no qual estávamos "separados da comunidade de Israel"? A pergunta que devemos fazer nesta manhã é: reconhecemos que já estivemos sem Cristo?

Antes de avançarmos em direção às benesses do amor paternal de Deus (mais enfatizadas no próximo versículo), precisamos pontuar o que acontece (e nos acontecia) com aqueles que estão sem Cristo.

Deus é seu inimigo e, portanto, está irado contra os tais

A Palavra de Deus nos ensina que Deus é amor (1Jo 4.16), mas ele também é justiça e verdade, sendo, então, justamente um Deus irado: "Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias. Se o homem não se converter, Deus afiará a sua espada; já tem armado o seu arco, e está aparelhado. E já para ele preparou armas mortais; e porá em ação as suas setas inflamadas contra os perseguidores" (Sl 7.11-13). Davi compreendeu corretamente este ensinamento bíblico. Nos versículos anteriores ele suplica para que o Senhor venha o livrar de Seus inimigos; agora, declara que Deus "é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias".

Precisamos recordar que a ira de Deus está sobre o pecador e não somente contra o pecado. Não vemos em qualquer lugar das Escrituras, em qualquer versículo ou em qualquer inferência lógica, que Deus "ama o pecador, mas odeia o pecado". Se isto fosse verdade, o Eterno não seria descrito como tendo afiada "a sua espada; já tem armado o seu arco, e está aparelhado". Nossas Bíblias possuem inúmeros relatos de Deus destruindo os povos gentios, pois eles eram contrários à Sua Lei e também ao Seu domínio (Salmo 2). Tamanha era a ira de Deus que, não somente os gentios sofriam as repreensões e morte do Senhor, mas muitos judeus padeceram no deserto, bem como outros foram seriamente repreendidos por Cristo: "Mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus. Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis" (Jo 5.42-43). Jesus é sublime e sem rodeios ao afirmar que tais pessoas não criam n'Ele, mas se "se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis", mostrando o que inúteis eram e a grandiosidade de sua cegueira. 

Entrementes ao conclamar do povo ao arrependimento, diz o profeta Zacarias: "E o anjo que falava comigo disse-me: Clama, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Com grande zelo estou zelando por Jerusalém e por Sião. E com grande indignação estou irado contra os gentios em descanso; porque eu estava pouco indignado, mas eles agravaram o mal" (Zc 1.14-15 - grifo meu). Deus não se mostrou irado somente com o pecado dos gentios, mas também com os próprios gentios! Assim como um homem que odeia e abomina a pornografia, jamais receberá em sua casa algum ímpio que seja dominado por estas coisas, também o Senhor não pode suportar o pecado aonde quer que ele seja visto.

Novamente, Davi é cirúrgico: "Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem contigo habitará o mal. Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade" (Sl 5.4-5 - grifo meu). Também o profeta Isaías diz: "Sião será remida com juízo, e os que voltam para ela com justiça. Mas os transgressores e os pecadores serão juntamente destruídos; e os que deixarem o SENHOR serão consumidos" (Is 1.27-28).

Agora, pois, o amor de Deus

Tendo considerado a ira de Deus, precisamos investigar a dúvida que se levanta em meio ao pó da iniquidade: em que diferimos destes a quem o Senhor está irado? Certamente que alguém pode objetar: "Mas eu sou um justo e por isso Deus não está mais irado comigo!". Isto é plenamente verdadeiro, porém, jamais devemos nos esquecer de que "éramos por natureza filhos da ira" (Ef 2.3). Terrível condição em que nos encontrávamos! Quantas foram as inúmeras vezes que Deus esteve com sua espada afiada e seu arco apontado para nós, e poderia ter nos matado?! Quantas vezes? Há alguém que possa contar? De quantas mil mortes o Senhor já nos livrou! Por isso devemos glorificá-lo nesta manhã.

É bastante a declaração bíblica: "separados da comunidade de Israel". "Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou" (Ef 2.4), "viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas" (Mc 6.34). Isto precisa ser simplesmente estarrecedor em nossos corações. De condenados à morte, à vida e sustento em Cristo; de rejeitados por causa do pecado, à concidadãos dos céus; de obras imundas e perversas, à mãos santas e puras; de ovelhas sem pastor, ao pastoreio e guarida em Cristo!

"Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se" (Lc 15.24) - esta era a situação natural em que vivíamos. Notemos que num primeiro momento a narrativa contém uma aparente imprecisão, pois diz que "este meu filho estava morto", quando na verdade ele jamais morrera fisicamente. Entretanto, devemos recobrar à memória que as Escrituras tratam, muitas vezes, de coisas físicas, a fim de exemplificar o espiritual. Ainda que o filho pródigo não tivesse morrido literalmente, sua alma estava morta, como explicita o apóstolo: "estando vós mortos em ofensas e pecados" (Ef 2.1). Lemos também que ele "e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado", o que está em completo acordo com os ditos de Paulo: "nos vivificou juntamente com Cristo" (Ef 2.5).

A santa e inerrante Palavra, também nos diz que por natureza os gentios eram "estranhos às alianças da promessa". Talvez um dos piores sentimentos que o homem possa ter é aquele que concerne ao sentir-se inútil diante de alguém. Por nossa natureza pecaminosa, desejamos ser amados, estimados e que tudo convirja em nós. Isto é plenamente verdadeiro e verificável, bastando que relembremos as vezes em que ficamos abatidos, chateados, angustiados e perplexos diante das injustiças contra nós cometidas. Pensamos: acaso ninguém irá me reconhecer pelo esforço? A esposa se indaga se o marido elogiará a casa bem arrumada; o marido é esperançoso de que a esposa goste do presente e do carinho; o trabalhador deseja ser reconhecido em sua empresa; até mesmo o pastor preza pelo esmero de sua congregação e pelos seus afazeres - todos nós desejamos ser amados e queridos por todos. Mas, por natureza, éramos "estranhos às alianças da promessa".

Devido ao pecado, no tempo em que estávamos sem Cristo, todo e qualquer amor que recebíamos, era falso - pois o mundo é falso! Aquele menino que deu atenção à garota, aquela jovem que foi ajudada pelo moço que levou as pesadas caixas, o empregador que reconheceu o trabalho de seu serviçal, o empresário que conquistou honras por seu esforço... tudo isto, na verdade, era em vão, pois não serviam para coisa alguma, exceto para massagear nosso ego e nos afastar das promessas.

Entretanto, o apóstolo vai além e diz sermos não somente estranhos às promessas, mas também "não tendo esperança". 

Em primeiro lugar, isto se prova mediante a análise sociológica, pois enquanto estávamos perdidos e sob a ira de Deus, na primeira oportunidade que tivéssemos para saciarmos nossa ansiedade por esperança, desenfreadamente nos jogaríamos e gastaríamos todas as nossas riquezas - tal qual fez o filho pródigo. Nos tempos pretéritos, qual quantia em dinheiro já gastamos com superficialidades, roupas e coisas para nos darem status em meio aos demais? Que tudo isso significa? Que procurávamos no mundo, aqui nesta terra perecível, alguma razão de viver, algo que nos motivasse - mas não encontramos. Em segundo lugar, notamos que os não convertidos, embora não tenham esperança, na verdade pensam que a possuem. Eles rejeitam o evangelho e não optam por seguir a Cristo; falar-lhes do inferno é loucura e conversar sobre arrependimento não surte efeito. Por que tudo isso? Porque eles enganam a si mesmos e querem ter neste mundo alguma razão de viver - suas mentes são finitas e devido ao pecado, não enxergam nada além do terreno. Em terceiro lugar, o mundo sugere aos homens que eles podem ter esperança nos bens transitórios. Observemos a grande enxurrada de tecnologia que se fabrica todos os dias e sejamos sinceros: boa parte é inútil ou com muitíssimo pouco proveito real e necessário. Todavia, o homem natural é seduzido pelos prazeres deste mundo e cai no engodo de Satanás. O jovem é estimulado a ter músculos fortes e sua recompensa é que as demais mulheres olhem para ele; a mulher, por sua vez, vive muitas vezes para comprar roupas, sob a perspectiva de que muitos homens olharão para ela e a desejarão. Que é isto, senão um viver semelhante aos animais? As Escrituras, todavia, prescrevem quais devem ser as atitudes completamente diferenciadas do crente: "Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda. Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras" (1Tm 2.8-10).

A falta de esperança leva à loucura e insensatez: "Os insensatos zombam do pecado" (Pv 14.9). A mulher que se encontra nos braços de um sequestrador e avista uma arma apontada para seu crânio, certamente não brinca com seus pensamentos e muito menos zomba daquele que a capturou; um homem que sabe estar em jura de morte não vacila em seus passos e não dorme sob a luz do luar; entretanto, o homem pecaminoso faz exatamente isto - na verdade, ainda pior.

"Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas" (Sl 2.2-3). Você consegue imaginar isto? De um lado da batalha, os gentios com suas espadas, arcos, carros de guerra, estudados quanto à milícia, buscando cercar os flancos e proteger a linha de frete e a retaguarda; do outro, o povo de Israel, também com suas espadas e apetrechos de guerra. Levanta-se, então, deste lado de Israel, alguém que brada em alta voz: "Rendam-se, ó gentios, sob a mão do Senhor! Temos ao nosso lado o Criador, o Sustentador, o Deus que se ira todos os dias e que é chamado de Senhor dos Exércitos! Não levemos esta batalha adiante, pois se o Senhor é por nós, ninguém será contra nós!". Do outro lado, um homem gentio sobe a colina e exclama: "Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas! Obedecer ao Deus de Israel? Jamais! Reverenciá-lo? Nunca! Desistir? Somente sob nosso cadáver!"

Pareceria-nos uma cena digna de futura boa batalha, não fosse a continuação do Salmo: "Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles. Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os turbará" (Sl 2.4-5). A ironia com que o Senhor trata o povo que intenta se insurgir contra Ele, é mortal. Por meio do salmista Ele registra que Sua ira não procede da terra, mas dos "céus". Não há qualquer menção de temor por parte de Deus; pelo contrário: "o Senhor zombará deles". Chegará, assim, a hora do terrível juízo, onde "lhes falará na sua ira, e no seu furor os turbará". No dia do Senhor será tão grande o juízo, que "Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro" (Sl 2.9).

Assim, a falta de esperança deste mundo, tem levado muitos à insanidade, fazendo com que se encha rapidamente a medida de sua iniquidade (Gn 15.16).

Por fim, Paulo acrescenta que estes mesmos crentes em Éfeso, outrora gentios, quando estavam naquela terrível situação, não obstante todas as mazelas que sofriam, ainda lhes é acrescido que estavam "sem Deus no mundo". Será possível entendermos a gravidade disto? Tentemos, nem que seja por um momento, imaginarmos as nossas vidas sem Cristo - onde estaríamos? em que vala teríamos sido assassinados? Quantos filhos perdidos teríamos pelo mundo? Que enormidade de doenças teriam nos afligido? Mas isto são fatores naturais - pensemos mais alto.

Pensemos nas aflições da alma, nos choros angustiantes da noite, nas madrugadas em claro com grande pesar no coração e tristeza mortal, no desejo de ver algo melhor acontecendo... mas, nada acontece,  porque estamos "sem Deus no mundo". Imaginemos o que é perder um pai do qual dependemos completamente! De uma mãe que nos aconchega com seu carinho! Dos amigos que tanto nos alegram e nos sustém nos momentos de angústia! Conseguimos imaginar o que seria perder tudo isso? Se sim, multipliquemos a dor e desgraça em um número infinito, pois assim é a vida daqueles que não possuem Deus.

Ainda que alguém objete e diga que os não cristãos são felizes e não sofrem nada disso, que se relembre das palavras do salmista: "Certamente tu os puseste em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição. Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores... Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu tens destruído todos aqueles que se desviam de ti" (Sl 73.18-19, 27).

Possa o Altíssimo, neste Dia do Senhor, encher-nos da alegria de Sua salvação (Sl 51.12) e nos fortalecer, a fim de que vivamos segundo o Seu querer, pois fomos libertos do poder do morte, a fim de "que não sirvamos mais ao pecado" (Rm 6.6)

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