"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O mito do "nem tudo me convém" - explicando a passagem bíblica



Observe a imagem desta postagem - ela tem circulado pelo Facebook através de perfis de cristãos, todos compartilhando o seguinte sentimento: "os cristãos, como todas as pessoas, podem fazer tudo, mas algumas coisas não convêm ao cristianismo". É verdade ser bem provável que a conversa tenha sido criada em um dos tantos programas para simular conversas via WhatsApp, mas aqui o foco é outro: será esta abordagem correta?

Temos duas ocasiões na Bíblia onde nos é relatado o proposto na imagem: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma" (1Co 6.12); "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam" (1Co 10.23).

Quando abrimos nos respectivos capítulos bíblicos, notamos que o primeiro caso, (1Co 6.12) é precedido de uma série de admoestações do apóstolo (vs. 1-9), mostrando que em vez dos cristãos buscarem rapidamente a justiça do Estado, isto é, a humana, como bons crentes deveriam tentar chegar a acordos justos, de maneira que não precisem litigar um contra o outro; depois, lhes relembra de que os que deliberadamente continuam em diversos pecados (vs. 10-11), precisam compreender de que foram lavados pelo sangue de Cristo e agora são nova criatura, devendo deixar estes pecados para trás. 

Então quando ele inicia o versículo 12, se formos entender que Deus está usando o apóstolo Paulo para dizer, conforme a imagem acima, que uma moça pode "ficar com vários meninos", estaremos contradizendo a própria Bíblia, pois a Escritura diz logo em seguida que "o corpo não é para a fornicação, senão para o Senhor, e o Senhor para o corpo" (1Co 6.13). Tal coisa não é lícita ao cristão, assim como adulterar não o é, roubar, assassinar, se prostituir, dissimular mentiras: nada disso é lícito ao cristão! Assim é que o intento da Escritura é demonstrar que dentre muitas coisas lícitas, existem aquelas (lícitas!) que não convém por algumas razões

Este foi o ensino de Paulo logo adiante: "Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize" (1Co 8.13). Comer é algo lícito e necessário, mas se determinada prática, novamente, lícita, fizer meu irmão cair da fé, então é prudente se abster dela. É impossível pensarmos que a Bíblia nos ensinar a dizer que tudo quanto é bobagem é lícito ao cristão, mas que algumas não convém. Ora, convém é derivado de conveniência, isto é, alguma coisa ou ato com o qual concordamos, anuímos e damos nosso aval como sendo correto - e para um cristão isso poderia incluir todas as coisas pecaminosas que conhecemos? É claro que não.

No segundo caso este ensino fica mais claro (1Co 10.23). O versículo 23 é seguido com esta declaração: "Ninguém busque o proveito próprio; antes cada um o que é de outrem" (1Co 10.24). Daí o apóstolo explica que aqueles crentes poderiam comer carnes sacrificadas aos ídolos - "Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência" (1Co 10.25). E por que isto? "Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude" (1Co 10.26), não podendo qualquer oferenda, "magia", "macumba" ou nome semelhante, contaminar aquilo que Deus criou. Todavia, "se alguém vos disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; porque a terra é do Senhor, e toda a sua plenitude" (1Co 10.28 - grifado). É nítida a explicação: se você entende que tudo é criado por Deus, pouco importa se o açougue da esquina é de alguém incrédulo, pois o que ele vende vem da terra e tudo pertence ao Senhor; mas se algum irmão mais fraco que você tiver problemas em entender esta questão, então "não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência".

Desta forma, de maneira simples e objetiva, entendemos que quando a Bíblia nos diz que tudo nos é lícito, isto representa somente todas as coisas que Deus aprova, mas que mesmo estas coisas, algumas vezes, merecem ser deixadas de lado por um bem maior, que é o dar bom testemunho e não escandalizar - como, por exemplo, mesmo o crente sabendo que pode ingerir bebidas alcoólicas (clique aqui para ler).

Por isso, sempre leia a Bíblia como sendo um único livro, nunca se apegando a passagens isoladas e nem propagando quaisquer ensinos que nos são transmitidos.

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