"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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domingo, 8 de junho de 2014

A Luta do Pecador e Quando Deus Abre os Seus Olhos


As coisas que dizem respeito à minha não conversão ao Senhor passaram a ser mais perceptíveis para mim no dia em que eu estava, com outros irmãos, em uma reunião de oração na casa do meu irmão de sangue. Um após o outro, orávamos daquilo que sentíamos necessidade e conforme o Senhor nos falava. Após alguns termos orado, um outro amigo meu também ali presente, começou a orar. E aquela oração me incomodou muito. Eu sentia como se ele de fato estivesse orando a Deus, muito diferentemente de mim que buscava em meu intelecto ou em belas palavras, algum assunto que eu julgava que deveria ser orado - e nisso tudo, eu pequei; pequei porque enquanto ouvia a oração, a cobiça de querer orar igual queimava em mim e pensamentos maus vinham à mente, tentando afundar essa cobiça. Era um erro tentando apagar o outro. Eu pensava: "como pode ele querer se atrever a orar desta forma?" Eu pensava então nos pecados, os que eu tinha conhecimento, que este meu amigo cometia e dizia dentro de mim: "viu só, ele não é digno de orar! Ele faz isso, e aquilo, e aquele outro!" Mas, eu via que ele orava ao Senhor e eu não.

Voltei para casa, extremamente incomodado – pensamentos diversos, mas ainda na mesma linha, me enchiam a mente. Mas eu tinha uma aliada na minha luta: a hipocrisia. Com ela eu podia facilmente aparentar que estava tudo bem, tudo natural e dentro dos padrões. Além disso, tinha por companheira a justiça própria, que me defendia em tantos momentos oportunos a mim mesmo.

Esses sentimentos continuaram ainda por um bom tempo, talvez uns dois meses, mas já vinham de muito antes deste evento na reunião de oraçã - lá eles apenas ficaram mais visíveis a mim, pela graça de Deus. O tempo se passou e eu oscilava entre uma experiência espiritual aqui, um senso de justiça própria ali e uma outra hipocrisia, pro caso de nenhum das anteriores funcionar. Contudo, eu achava que as coisas corriam bem.

No dia primeiro de março deste mesmo ano, 2014, fui pela primeira vez na vida levado a crer que Cristo também é Deus – digo crer, porque antes tinha mero conhecimento. Lendo a passagem de Atos 9 com irmãos, o Senhor me tocou para a verdade de que Cristo também é Deus. Quando Paulo perguntou: "quem és, Senhor?" Cristo respondeu: "eu sou a Jesus, a quem tu persegues". Essa citação brilhou tão profundamente em mim, que durante aquela semana compartilhei com algumas pessoas, irmão, amigos, pai e mãe, o que Deus havia feito em mim e como tinha me mostrado meu Salvador. No entanto, eu tinha algum conhecimento, sabia quem era Cristo, mas ainda não havia me arrependido completamente.

Durante todo aquele mês, eu oscilava em alegres meditações no Senhor, novas “velhas verdades” que eu agora compreendia e a velha hipocrisia, seguida da justiça própria, e por vezes, o desamparo de Deus (em minha visão). Não foram poucos os dias nesse mês que eu me sentia completamente abandonado pelo Senhor, como se Ele fosse um Deus longe e já não me escutasse mais; como se fosse inútil clamar a Ele, pois não me ouviria. Que sensação horrível! Embora sem saber o que fazer, eu caminhava e tentava, geralmente por minhas próprias forças, algum modo de me achegar a Deus. Eu agora conhecia quem era Cristo, mas eu não estava disposto a largar totalmente a mim mesmo para segui-lo. Eu o queria, mas não intentava abrir mão de tudo. Algumas coisas eu ainda desejava, pois elas me protegiam. Ah, se alguém soubesse da minha hipocrisia, o que seria de mim? Se alguém me apontasse um erro? Ah, provavelmente eu tentaria ganhar esta pessoa no carisma ou diria algo bonito, mesmo bíblico e estaria tudo certo. Contudo, haveria grande probabilidade de eu estar irado interiormente com esta pessoa. Mas, quem ligaria? Se estivesse passando uma boa imagem, estaria tudo certo. Não, não estaria!

Estes momentos em que o Espírito Santo me incomodava sobre algo que eu fazia – agora não mais somente questões morais, mas sim bíblicas também – começavam a aumentar em frequência. Eu me perguntava: "Senhor, por que não consigo me sentir bem na presença de outros irmãos? Eu te sirvo, gosto dos meus irmãos, mas essas coisas não parecem compatíveis entre si!"

E o tempo passou, e as ocorrências aumentavam. Era Deus começando a acordar minha mente cauterizada.
Os dias se passavam, a angústia aumentava e eu ainda sem resposta à minha pergunta: "por que não me sinto bem quando estou em comunhão com meus irmãos?" Eu me abrigava no fato de que, embora muitas fraquezas, Deus já havia despertado em mim um desejo maior por conhecê-lo, desejo que veio após o dia em que Ele me mostrou a Cristo. Mas eu ainda falhava tanto! Como podia o desejo de aprender mais sobre Cristo, habitar na mesma semana em que eu me sentia totalmente desamparado por Deus? Eu não entendia, mas, por Deus, clamava a Ele que me respondesse.

Os dias se iam, e as angústias e oscilações cresciam, até que o Senhor começou a me mostrar que eu não estava totalmente convertido a Ele. Eu apreciava a forma e as meditações sobre Deus, mas meu coração ainda não estava totalmente entregue a Ele. Neste momento Satanás começou a me tentar fortemente com tentações que até então estavam adormecidas, como um vulcão fora de atividade. E quando estas tentações vinham, eu pensava: "mas Senhor, por que isto?" E pensamentos como: "há tempos que eu não sou tentado assim"; e "eu não sou tão mal assim para abrigar esses pensamentos perversos em mim!". Escusando-me de que necessitava claramente de Deus e que SIM, eu era (e sou) tão mal, e abrigava em mim esses pensamentos.

As lutas continuaram e em um dia, hoje (25 de março), caminhando e conversando com amigos até a universidade, tive novamente a angústia de estar com os irmãos. Era bom estar com eles, mas não era. Era bom falar sobre Deus, mas não era. Agora sei o porquê me fazia bem citar os versículos bíblicos ou compartilhar e fazer conhecidas a eles a minha opnião, mas a verdade é que meus lábios estavam ali, mas não meu coração. Eu era orgulhoso. Eu sentia vergonha de falar alto sobre as coisas que anunciassem que estávamos falando sobre Deus, com medo de que alguém ouvisse.

Nossa caminhada até à universidade se concluiu e estes amigos, assim como eu, foram às suas salas. Lá, eu alternava entre a cobiça a outras mulheres, o medo de falar de Cristo, e o senso de que algo estava terrivelmente errado. Fui ao intervalo, coincidentemente, à reunião de cristãos na universidade (grupo da A.B.U.), e lemos Tiago 1:5-7, e falamos sobre a sabedoria de Deus e o sermos inconstantes como as ondas, além de pedirmos a Deus sabedoria que Ele nos concederia, se pedíssemos de acordo com a Sua vontade. Nesse estudo, Deus já havia me tocado para que eu ficasse mais calado e buscasse falar menos e ouvir mais. Ser menos eu comentando aquilo que era minha sabedoria – embora bíblica, recitada pela minha própria vontade e não pelo amor ao Senhor. Ao chegar em casa, Deus me fez também lembrar do versículo 6 de Tiago 1: "em nada duvidando".

Já descrente da minha própria força, orei a Deus, confiando que de fato ele poderia suprir meu coração e me moldar conforme a Sua justiça. Orei então para que Ele mudasse a disposição do meu coração e me fizesse amá-lo. Orei que, se fosse preciso, Ele me tirasse todo o conhecimento bíblico que eu tinha até então, para crer desde o início, de que Deus enviou seu Filho, que morreu por um pecador como eu e colocou em mim o Seu Espírito Santo. E eu estava então, por Deus, decidido a começar a caminhar com Ele, ainda que e isso me trouxesse vergonha diante dos homens, eu a preferiria, para ter a Cristo como meu Salvador.


Louvado seja Deus!

- escrito por um cristão e grande amigo do autor deste blog.

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