"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quinta-feira, 15 de maio de 2014

"E Viu Deus que era Bom" - Uma Breve Análise Sobre a Beleza Pessoal


Quando separou a porção seca das águas, Deus viu que era bom (Gn 1.10); quando a terra produziu ervas e arvores frutíferas, Deus viu que era bom (Gn 1.12); quando os luminares foram postos, viu Deus que era bom (1.18); quando os animais marinhos e os que voam foram criados, viu Deus que era bom (Gn 1.21); quando os animais terrestres foram criados, viu Deus que era bom (Gn 1.25); quando finalmente criou homem e mulher e contemplou toda a criação, viu Deus que era muito bom (Gn 1.31).

A Escritura nos ensina que a criação de Deus é boa, pois ela foi feita e esculpida pelo perfeito Ser. A criação é um grande reflexo da magnitude e sabedoria excelsa do Senhor. A razão para lermos sobre que Deus viu ser bom o que fazia, demonstra que Ele se deleitou em toda a Sua criação, vendo nela as características de Seu perfeito querer.

Veio, todavia, o pecado e este manchou a criação de Deus - homens e mulheres agora carregam a semente da corrupção e a natureza geme em dores de parto, aguardando a redenção (Rm 8.22). Mas isso não significa que as coisas deixaram de ter a sua beleza, e sim que por causa do desvio do homem diante de Deus, ele tem dificuldade para enxergar a verdadeira beleza; seu senso de "belo" e "feio" foi terrivelmente pervertido, pois ao comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 3.6), o homem percebeu que, conquanto fosse perfeito, sua perfeição não era tal como a de Deus, a ponto de que ele pudesse lidar com o mal sem com ele se enredar; quis ser como Deus e incorreu na condenação.

E o que isso tem a ver com "Uma Análise Sobre a Beleza Pessoal"? Certamente não é qualquer ensaio filosófico, entretanto, a reflexão que precisamos ter é sobre o quão erradas são as nossas atitudes diante de coisas saudáveis e belas que o Senhor criou. Vejamos um clássico exemplo.

Você está andando pelas ruas de sua cidade e como que "de repente", uma pessoa muito bela surge em seu campo de visão - aquela pessoa com os cabelos "perfeitos", olhar belo e um corpo bem cuidado. Qual é, geralmente, nossa reação posterior quando isso acontece? "Senhor, me perdoe! Eis que cobicei a mulher (ou homem) do próximo". Notemos, porém, que isso pode revelar um mal entendimento sobre a Palavra de Deus, pois o pecado estabelecido não é ver alguém e achar esta pessoa bonita, e sim o "ir além", ter outros pensamentos com ela - ou como diria um alguém, ainda que em forte tom, "é ver a pessoa além da roupa".

Observamos que "achar alguém bonito" não é qualquer pecado. Quando Jacó foi à casa de Labão, "aconteceu que, vendo Jacó a Raquel [...] era de formoso semblante e formosa à vista" (Gn 29.10, 17). Certamente que Jacó não cometera qualquer pecado em achar Raquel uma pessoa "formosa à vista" - o pecado estaria em como ele "processaria" essa informação e que atitudes tomaria com relação a ela. Isto é o que deve estar claro em nossas mentes: os seres humanos possuem suas belezas e características que nos chamam a atenção - "e viu Deus que era bom".

Muitos irmãos em Cristo, porém, têm tido dificuldades com isso - talvez pelo excessivo rigor sobre que "tudo é pecado", talvez pela extrema fraqueza nesta área específica. Seja como for, é preciso lhes lembrar que se não conseguirem ver "beleza" em qualquer pessoa, correm um sério risco de se enganarem, crendo que serão "santos" quando somente, no caso de solteiros, forem conversar com alguém que "não seja bonito". Este certamente é um grande erro, assim como aqueles que somente conversam com pessoas que exteriormente são "belas", não valorizando o interior.

Em minha experiência de casado, algumas vezes já disse, em tom respeitoso à minha esposa, como determinada pessoa é bonita - e ela já fez o mesmo comigo. Tentamos estabelecer uma relação de transparência, deixando a hipocrisia de lado, como se nenhum de nós passasse por tentações ou fosse alguém de outro planeta que depois de casado "não acha ninguém mais bonito". Neste mister, recomendo ao leitor este texto - O quão sincero você é com seu cônjuge? -, a fim de que possa, segundo a graça de Deus, buscar uma relação fiel e genuína com seu cônjuge (ou futuro).

Por isso, da próxima vez que você enxergar alguém formoso à vista, rogue ao Senhor para lhe dê um espírito de gratidão e que consiga perceber na beleza alheia um retrato da criação de Deus; que você obtenha graça suficiente para ver quantas coisas excelentes o Eterno criou, as quais se manifestam na vida de cada ser humano, cada qual com sua beleza peculiar. Procure perceber, também, o quão "irreais" são determinadas pessoas "belas", as quais buscam somente enganar os olhos, pois nada mais são do que uma modificação corporal e que atende às concupiscências da carne.

Que o Artífice da criação nos remova do excesso de desejo de ver pecado em todas as coisas que Ele disse ser bom, mas que também nos livre do mal (Mt 6.13), nos dê o escape no momento da angústia (1 Co.10-13), nos leve a fugir da aparência do verdadeiro mal (Tg 4.7) e nos ensine que sem Ele nada podemos fazer (Jo 15.5).

"A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade" (Ef 6.24).

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