"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O falso convite do Evangelho atual - parte 2

Texto por
John MacArthur
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Um Convite Falsificado


Sei que isso choca algumas pessoas, porque ouvimos o tempo todo que é fácil obter a salvação. "Apenas assine este folheto." "É só levantar sua mão!" "Venha à frente enquanto o coro canta mais uma estrofe!" "Apenas repita esta oração." "Convide Jesus a entrar em seu coração." Tudo soa muito simples. O único problema é que nenhuma dessas atitudes tem qualquer relação com a verdadeira salvação ou com atravessar o portão estreito. Esses tipos de convites sugerem que Jesus é um tipo de Salvador pobre e lamentável, esperando que tomemos a iniciativa de permitir que ele aja em nós. Isso subentende que a salvação depende da decisão humana, como se o poder que nos salva fosse o poder do "livre-arbítrio" humano.

Essa ênfase é um fenômeno caracteristicamente americano que teve início no século 19 com um advogado de Nova York transformado em evangelista, chamado Charles Finney. Ele foi o principal anticalvinista americano, insistindo em que as pessoas são salvas por um ato de pura força de vontade. Portanto, qualquer estratagema necessário para manipular essa vontade constitui num método essencial, porque qualquer coisa capaz de convencê-los a se decidirem ser salvos é legítima. Os fins justificam os meios. E, nesse caso, o manipulador "convite do altar" transformou-se no foco principal do seu evangelismo.

Até então, os evangelistas americanos eram, em sua maioria, calvinistas, isto é, criam que os pecadores são salvos por ouvir a mensagem do evangelho enquanto Deus o Espírito Santo os desperta de sua morte espiritual. Mas Finney escolheu um caminho diferente. Ele recorreu a apelos emocionais e ensinou que a salvação não exigia uma regeneração soberana por parte de Deus, mas apenas um ato de vontade humana. As pessoas iam à frente numa torrente sob a força de sua habilidade. Na grande maioria dos casos não havia uma conversão real; de fato, Finney mais tarde admitiu que seu ministério havia produzido em sua maior parte semiconvertidos ou "convertidos" temporários. Mas o espetáculo das multidões avolumando-se em direção ao púlpito era muito convincente.

Dwight Moody adotou a técnica de Finney e passou-a adiante para uma geração de evangelistas de estádio e líderes de ministério que ainda algumas vezes promovem fantásticos eventos públicos e manipulam as pessoas para que vão à frente.

De acordo com Jesus, é muito, muito difícil ser salvo. No final de Mateus 7.14, ele diz o seguinte sobre a porta estreita: "...são poucos os que acertam com ela". Não creio que ninguém jamais tenha escorregado e caído no reino de Deus. Isso é graça barata, crença fácil, Cristianismo dietético, uma abordagem superficial, emocional, avivalista: "Eu creio em Jesus!" "Ótimo, você é da família, entre!" Não. Os poucos que acham a porta estreita precisam procurar muito por ela e, então, atravessá-la sozinhos. É difícil encontrar uma igreja ou um pastor ou mesmo um cristão que possa nos orientar até ela. O reino é para aqueles que agonizam para entrar, cujos corações estão despedaçados pelo pecado, que lamentam humildemente, que estão com fome e com sede e esperam ansiosamente que Deus mude sua vida. É difícil porque você tem o inferno todo contra você. Uma das mentiras mais perversas de Satanás no mundo de hoje é a noção de que é fácil se tornar cristão. Não é fácil de modo algum. A porta que você precisa encontrar é muito estreita e você passa por ela sozinho, angustiado pelos seus pecados e ansiando ardentemente pelo perdão.

Alguém pode dizer que isso se parece com a religião do desempenho humano. Não é. Quando você chega a se sentir quebrado, ao reconhecimento de que, por você mesmo não conseguirá passar pela porta estreita, então Cristo derrama em você graça sobre graça para fortalecê-lo nessa entrada. Ao ser quebrado, seu poder torna-se o seu recurso. Nossa parte é admitir nosso pecado e incapacidade e rogar por misericórdia e poder do alto.

Nenhuma Bagagem

Não é possível passar por uma catraca com bagagem. Para atravessar a porta estreita que leva ao céu, você deixa para trás todas as posses e passa com as mãos vazias. Não é a porta dos auto-satisfeitos, que desejam carregar todas as suas posses consigo, é a porta dos que renunciam a si mesmos, que abandonam toda justiça própria e autoconfiança. Rejeitando tudo o que já foram, deixam para trás o passado. De outra maneira, não poderiam atravessar a porta. Nem ninguém mais poderia.

O jovem líder rico chegou até a porta e perguntou a Jesus o que deveria fazer para entrar no reino. O Senhor disse-lhe para abandonar seu conjunto de malas Gucci e passar. Ele havia encontrado a porta que poucos jamais encontram, mas recusou-se a entrar porque era muito egoísta e egocêntrico para fazer o sacrifício que Jesus lhe pediu.

O ponto importante aqui é maravilhosamente expresso em Mateus 18.3, em que Jesus diz: "...se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus". A marca distintiva das crianças é fato de que são absolutamente dependentes dos outros e não alcançaram nenhum mérito próprio. Como afirma o escritor do hino: "Nada trago em minhas mãos, apenas à tua cruz me apego". Fé salvadora é mais do que um ato mental; é um desdém pelo próprio ser pecador, uma admissão de desmerecimento, um apelo desarmado: "Senhor, sê misericordioso para comigo, um pecador!" Não há nada de errado em levantar as mãos ou recitar uma pequena oração, mas à parte de uma verdadeira fé em Cristo, isso não traz real salvação. Jesus exigiu uma estrita, difícil, radical, dramática admissão de pecaminosidade; um reconhecimento de que não somos nada e não temos nada que nos recomende diante de Deus. A fé começa quando nos lançamos à sua misericórdia para receber o perdão.

Arrependimento e Submissão

Para atravessar a porta estreita, devemos entrar com o coração arrependido pelo pecado, prontos a deixar o amor pelo pecado em favor pelo amor do Senhor. Quando João Batista preparava um povo para receber o Messias, eles iam para ser batizados porque queriam ter seus pecados perdoados. Para qualquer judeu, a preparação para a vinda do Messias e a prontidão para seu reino significavam purificar o coração de todo pecado.

Nós também devemos entrar pela porta estreita em absoluta submissão a Cristo. Ninguém pode ser regenerado, como Cristo indicou em Mateus 7, simplesmente acrescentando Jesus Cristo às suas atividades mundanas. A salvação não é um acréscimo, é uma transformação que leva a uma voluntária submissão à sua Palavra. Toda a mensagem de 1João resume-se em que, se somos verdadeiramente redimidos, isso se manifestará numa vida transformada na qual confessamos os pecados, obedecemos ao Senhor e manifestamos amor por ele e pelos outros. O milagre divino de uma vida transformada revela verdadeira salvação, resultando num coração que deseja obedecer ao Senhor. Como afirmou Jesus: "...Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos" (Jo 8.31).

Se alguém que se denomina cristão não pensa nem age como cristão, este não está no caminho que pensa estar. Provavelmente juntou-se ao bando que atravessa rapidamente a porta larga da falsa religião. Não demonstra nenhuma auto-renúncia: "Ei, traga toda a sua bagagem, toda a sua ambição pessoal, sua vontade, todos os seus desejos egoístas, sua imoralidade, sua falta de arrependimento e até sua relutância em submeter-se inteiramente à liderança de Cristo. Podem passar sem problema pela porta do amor à própria vida!" Muitos alegam ser cristãos, mas ainda são absolutamente indulgentes consigo mesmos. Estes nunca passarão pela porta estreita com toda essa bagagem. Embora talvez não saibam, estão na estrada larga da destruição.

Fonte: Josemar Bessa

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