"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Existe diferença entre "Heresia" e "Erro teológico"?


Este blog já foi de textos mais longos - hoje, porém, sigo a linha "curto e direto", até porque são poucos que dediquem alguns minutos à leitura. Assim sendo, o texto a seguir será breve.

Recentemente me perguntaram se existe diferença entre "heresia" e "erro teológico". O questionador, creio, tinha a intenção de verificar se é possível dizer que algumas coisas são frontalmente contrárias à palavra de Deus e Suas verdades essenciais, enquanto outras se enquadrariam, penso, em algum desvio da verdade, mas sem comprometer os sustentáculos do Reino.

Respondendo à pergunta, sim, acredito que exista, no nível humano da compreensão, diferença entre estas duas coisas. Digo "humano", porque para Deus não existe "meia verdade" ou "pequena distorção da verdade", pois não vemos em Sua palavra, qualquer resquício de sombra de variação (Tg 1.17), não podendo, qualquer indivíduo, supor que o Senhor tolere máculas a Sua vontade.

Por "heresia", entendo aquele ensino pecaminoso e frontal ao se dissimular, enganar, ludibriar e ensinar o que é flagrantemente falso e viole doutrinas claríssimas da Escritura. Exemplos não faltam: soberania plena de Deus, depravação do homem, necessidade da fé em Cristo, um único mediador... Todas doutrinas inegociáveis da fé cristã. A lista não tem fim e é composta de doutrinas que, quando negadas/distorcidas, correspondem a rejeitar o próprio Deus e Sua Palavra.

Já por "erro teológico", muito embora, novamente, para Deus, não exista diferença, na vida pós-pecado, todos os homens, por mais puros que sejam, erraram e erram em algum ponto. Presbiterianos e batistas discordam sobre vários pontos, mas nem por isso se consideram inimigos da fé, desde que concordem nos pontos básicos da salvação; alguns cristãos pensam que o culto pode conter alguns elementos (banda, apresentação de crianças...), enquanto outros entendem que o culto do Novo Testamento deve ser mais singelo e simples; questões sobre como será a vida no porvir, então, não cansam de render bons debates e suscitar as mais diversas interpretações. Seja como for, são possíveis erros na teologia, isto é, na interpretação de quem Deus é e o que nos ensina, erros de interpretação, mas que não interferem na comunhão direta e plena com o Senhor, bem como com os irmãos.

É evidente que alguém poderá argumentar, por exemplo, que um "culto bagunçado" fere a comunhão com o Senhor e nisto sou obrigado a concordar. Todavia, não posso anuir com a ideia de que somente um "tipo" de culto seja aceitável diante de Deus. Sim, Deus tem apenas um tipo de culto em Sua Palavra e Ele deixou exemplos claríssimos de que abomina outras variações - mas, se nem mesmo os teólogos reunidos em Westminster conseguiram unanimidade em todos os assuntos, que razões haveríamos para crer que iríamos chegar a tal patamar?

Friso: creio que o culto deve ser da maneira "x", mas conquanto eu creia que estou acertando "deste lado", com certeza erro em tantos outros, razão pela qual posso enxergar a multiforme graça e misericórdia de nosso Senhor, o qual escolheu salvar tão terríveis pecadores e que em tantos pontos discordam entre si, além de precisar ter sempre em mente que o tipo de culto que julgo ser correto, pode, no fundo, conter algum erro.

Desta forma, concluo que existe diferença: a primeira (heresia) é uma afronta direta ao evangelho e compromete a união entre igrejas/indivíduos, enquanto a segunda (erro teológico), uma divergência entre assuntos que, se comparados ao essencial, são secundários e, portanto, passíveis de discussão e pontos de vista diferentes.

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