"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 5 de maio de 2015

O cristão e a Ecologia


O presente tema é de bastante importância para os cristãos, uma vez que sendo a Bíblia nossa regra de fé e prática, bem como sendo totalmente útil para nos habilitar às boas obras (2Tm 3.16-17), precisamos compreender o que o Senhor nos ensina sobre a ecologia.

Por ecologia, me refiro à natureza criada pelo Senhor. Sim, tudo aquilo que o Senhor "viu que era bom" e que posteriormente foi manchado pelo pecado. Por ecologia, quero pontuar sobre as coisas que também são fruto da criação de Deus por meio de dons dados aos homens, como a manipulação de espécies e outras coisas mais. Ainda: por ecologia, enfatizo todo o sistema natural que nos cerca, desde as águas até às menores criaturas.

A Bíblia é bem clara em registrar que o homem (gênero) é responsável pela criação de Deus. Vemos isso já no início do relato: "E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Gn 2.15 - grifado). Aqui temos a evidência cabal quanto à necessidade de Adão e Eva cuidarem daquilo que o Senhor havia feito. Este mandato cultural não era somente para eles, evidente, e sim se estendia para todos os seus descendentes.

Não é o propósito desta breve reflexão, mas pontuo sobre que Adão e Eva não andavam ociosos antes do pecado, antes, tinham todo um mundo para cuidar! O primeiro casal precisava plantar, regar, colher, mexer a terra e tudo quanto envolve o cuidado com a natureza, tendo, porém, a certeza de que tudo ainda não era manchado pelo pecado (não haviam "espinhos e cardos" - Gn 3.18). Desta forma, quando lemos que "toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Rm 8.22) e acerca de Cristo ser o novo Adão (1Co 15.22; 45) e, assim, redimir todos os Seus, podemos ter a certeza de que o porvir não nos espera com uma vida de ócio, andando pelas nuvens à toa e sentados em baixo de uma figueira gloriosa, e sim uma vida de trabalho, mas um trabalho magnífico, sem choro, lágrimas, tristezas e tudo quanto o mais inunda esta presente vida. Em resumo, voltaremos à excelência do Éden.

Voltando ao tratado, não devemos pensar que o pecado aboliu tal mandato cultural, pois mesmo após a desobediência e sentença de morte, lemos claramente: "O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado" (Gn 3.23 - grifado). Ou seja, mesmo estando fora do Éden e sujeito às paixões pecaminosas, o homem deveria cuidar da natureza.

Frise-se que "cuidar da natureza" não é sinônimo de se evitar a alimentação carnívora, por exemplo, porque o próprio Senhor destinou os animais para o consumo (Gn 9.3 - sim, devemos ser contra a crueldade com animais, é óbvio, mas não vamos além da Palavra, assim como a Escritura não diz quais animais são ou não apropriados para nós; biblicamente, ainda que contrário à nossa cultura, um gato é um animal comestível); também não significa que devemos pecar pelo excesso de "pureza" e proibirmos avanços que trarão benefícios a todos, como a construção de uma hidrelétrica. "Cuidar da natureza", aqui, tenho por preservar a criação de Deus, de modo que sirva aos interesses atuais e preserve os futuros, criando um sistema sustentável e que louve ao Senhor.

A Bíblia nos dá um motivo claro pelo qual devemos cuidar da natureza: "E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente" (Gn 2.16). A natureza "será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde" (Gn 9.3). Isso quer dizer que quando oramos ao Senhor pelo "pão nosso de cada" (Mt 6.11), estamos rogando a Ele para quem nos sustente e desde já podemos O agradecer, pois tudo o que temos vem, de alguma maneira (direta ou indiretamente) da natureza criada por Ele. A natureza, portanto, tem papel essencial ao homem, pois é dela que retiramos nosso mantimento. Devemos zelar por ela, pois é criada por Deus e o Ele mesmo disse que tudo o que criou é "muito bom".

Temos outro bom exemplo da importância de cuidarmos da natureza: "Quando sitiares uma cidade por muitos dias, pelejando contra ela para a tomar, não destruirás o seu arvoredo, colocando nele o machado, porque dele comerás; pois que não o cortarás (pois o arvoredo do campo é mantimento para o homem), para empregar no cerco. Mas as árvores que souberes que não são árvores de alimento, destruí-las-ás e cortá-las-ás; e contra a cidade que guerrear contra ti edificarás baluartes, até que esta seja vencida" (Dt. 20.19-20 - grifado). Havia esta lei para o povo de Deus, a fim de que ao sitiarem uma cidade (fazer o cerco, a rodearem no intuito de atacar ou impedir a fuga), não destruíssem tudo o que vissem pela frente, pois a natureza serviria para a alimentação do Seu povo. Veja-se que, igualmente, "as árvores que souberes que não são árvores de alimento, destruí-las-ás e cortá-las-ás", demonstrando que derrubar árvorer, por óbvio, não é pecado - desde que não prejudique o mantimento e outras coisas mais.

Mais uma vez podemos ler sobre como o Senhor arquiteta e organiza a natureza de tal modo que "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28): "Também enviarei vespões adiante de ti, que lancem fora os heveus, os cananeus, e os heteus de diante de ti. Não os lançarei fora de diante de ti num só ano, para que a terra não se torne em deserto, e as feras do campo não se multipliquem contra ti". (Êx 23.28-29). Quando o povo do Altíssimo estava conquistando a terra prometida, o Eterno Deus deixou explícito que iria dissipar aos poucos o povo inimigo, caso contrário a terra estaria desabitada por homens e as feras do campo se multiplicariam contra os filhos de Deus (pois não haveria homem para domar e/ou matar tais animais selvagens), demonstrando a necessidade de entendermos que toda a natureza trabalha segundo o bom propósito de Deus e que cabe a nós zelar por ela.

Desta forma, querido leitor, ainda que ligeiramente, penso ter ficado clara a mensagem: a natureza é criação de Deus e precisamos zelar por ela. Não serei atrevido a ponto de elencar tudo o que deveríamos fazer, até porque seria impossível, mas certamente você conhece alguns bons modos que podemos testemunhar do bom proceder cristão, tais como economizar água, reciclar o lixo, não jogar comida fora (não é porque você paga por ela que tem esse direito; seja prudente e pegue somente o necessário) e tantos outros atos "simples", mas que revelam um cuidado pelas coisas do Senhor.

Ninguém pense, porém, que estou exaltando a fauna e flora acima dos seres humanos, como se o cuidado com os "cachorrinhos" (Mt 15.26) fosse mais importante que o zelo pela família. Lembre-se: cuidar da natureza é importante, porque a natureza serve ao homem.

Que Deus nos abençoe e nos leve a um maior cuidado com Sua criação, "para que nos suceda bem, obedecendo à voz do Senhor nosso Deus" (Jr 42.6).

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