"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 21 de março de 2016

Relato dos 23km na Ultra Trail Rota das Águas!


Hoje é segunda-feira. Estou um pouco dolorido. O corpo reclama em algumas partes, mas a mente está renovada. Nada melhor que muita trilha e barro para começar bem a semana!

Todo indivíduo, ao prestar algum serviço, deveria ter em mente o claro objetivo: proporcionar felicidade, segurança, descontração, resolução de problemas ou seja lá o que for. Não importa qual o serviço prestado - quem compra, quer ficar satisfeito. E eu fiquei satisfeito com o serviço recebido! Satisfeito com a presteza em responder dúvidas via Facebook e por proporcionarem uma solução para um problema financeiro que tive. Registro aqui os parabéns ao Maicon Cellarius, Débora Wanderck, Maurício Pamplona e Márcio Maciel

Vamos ao relato. 

Lá pela metade de janeiro deste ano, fiquei sabendo da primeira edição da Ultra Trail Rota das Águas (nas modalidades de 8km, 23km e 50km), que aconteceria na cidade de Gaspar/SC. Como prefiro correr aos sábados, fui logo conferindo se ela cairia neste dia e para minha felicidade, deu tudo certo. Assim, era tempo de treinar e focar nesta prova. Não, eu não sou profissional - mas até os mais mega-bancarés-amadores também precisam treinar, não é mesmo?

Chegando perto da data da prova (19/03/2016), me dou conta de que minha mochila de hidratação não vai muito longe e resolvo comprar outra. O sacrifício foi grande para comprar - ou achava coisa de péssima qualidade, ou custava 600 reais. Foi difícil, mas encontrei essa Mormaii por R$ 129,00 e em princípio, fiquei muito satisfeito.


Como a prova escolhida tinha a sido na distância de 23km e com um desnível positivo acima dos 1.100m, o jeito foi treinar subida de morro e fortalecimento no barro e em tudo quanto pudesse simular o dia da prova (veja aqui um vídeo).



No dia anterior da prova, aconteceu o tradicional congresso técnico, onde os atletas puderam escutar algumas particularidades da prova e retirar suas dúvidas. Foi bacana ver a preocupação da organização, especialmente por se tratar de um trajeto bastante alternativo e com muitas chances do atleta se perder. Creio que a explicação das fitas e do cal no chão foram valiosas (encontrei gente durante a corrida que não sabia disso - e se não tivesse dito a eles, alguns seguiriam reto nas marcações com cal).


Finalmente chega o dia da prova e o relógio toca: 05:15. A largada ficava a mais de 20km de minha casa e além disso, eu gostaria de ver o pessoal-monstro-indivíduos-diferenciados saindo às 07:00 - enquanto a minha seria às 08:00. Levanto, faço café, como as coisas de costume (nunca invente moda no dia da prova!), reviso a mochila nova e parto para o local! 


*Não, eu não levei todas essas bisnaguinhas, ok? 
No fim das contas nem precisaria ter levado.

Aqui, registro meus agradecimentos especiais à Capacitar - Gestão Empresarial, onde tenho orgulho e alegria de trabalhar! Uma empresa voltada à gestão de empresas e que tem prestado um excelente serviço na área de Consultoria Empresarial (nos mais variados ramos - gestão organizacional, administração financeira, análises, custos...). Se quiser entrar em contato, pode escrever nos comentários ou ligar para (47) 8476-3385 (meu número). E eles até forneceram uma camiseta personalizada para mim. :)


Após ver o pessoal dos 50km largando, já bateu aquela ansiedade por logo passar pelo pórtico e começar a corrida!


O bom de se chegar antes nas provas (e em qualquer lugar, na verdade) é que você pode se "ambientar" e bater um papo com o pessoal que vai correr com você. Não sei nos outros esportes, mas o companheirismo é fundamental na corrida e sem ele você está completamente perdido. Então passei aquela uma hora restante conversando com algumas pessoas, trocando experiências e se preparando para a prova. Ouvi vários indivíduos mais velhos e foi muito bom ver pessoas já com seus 50 anos (ou mais) começando a participar de provas em trilhas e morros!

Enfim. dada a largada em minha distância, já morro acima, resolvi passar alguns atletas que estavam à minha frente (eram 153 inscritos para os 23km), para não pegar o "trânsito" que logo iniciaria na primeira subida (já para matar) da prova.

Conforme avancávamos, uma coisa era certa: ainda bem que eu havia escolhido os 23km. A todo momento eu me agradecia por não estar nos 50km. rsrs As subidas eram íngremes demais, a ponto dos atletas subirem andando "em passos de lesma", respirando fundo e só olhando pra baixo. Foi realmente desafiador, mas foi tudo muito excelente. Abaixo, fotos feitas pela Foco Radical.




Chegando perto dos 8km de prova, bem fisicamente, mas "cansado" de ver e passar por tantas subidas, coloco a mão embaixo da mochila (que havia comprado dois dias antes da prova!) e constato: estou carregando uma piscina nas costas. No compartimento para água simplesmente abriu um pequeno furo e tudo que entrava, vazava. Resultado: mais de meia prova carregando uma mochila por causa das barras de cereais, chave do carro e celular - do contrário, não tinha serventia alguma! Foi uma grande decepção com a Mormaii e essa mochila (estou indo trocar a mochila daqui a pouco - se obter êxito e eu me lembrar, volto pra atualizar essa postagem. Editado 1: a loja ficou com a mochila e ficou de trocar ela. Editado 2: depois de 2,5 semanas, recebi outra e até melhor que a primeira - vídeo sobre ela).

Como disse acima, a corrida é feita de companheirismo. Creio que para quem disputa o pódio, existe uma rivalidade bem maior e não hajam tantas conversas pelo caminho, todavia, para quem estava correndo no mesmo ritmo que eu, o importante era fazer companhia pelo caminho e ir se ajudando mutuamente. Fiz várias "breves amizades" pelo trajeto. Constantes "vamos lá" ao próximo, "a piscina está chegando", "na chegada tem comida e cerveja" e outras palhaçadas eram ditas, a fim de minimizar o sofrimento e dar novo ânimo. Várias pessoas passaram por mim e perguntaram se eu estava bem, na hora em que parei para tentar colocar um esparadrapo no dedo que acabou ficando machucado. Foi uma prova "sozinha", mas cheia de pessoas, conversas e fraternidade.


Quando estava perto do fim da prova, pude ver o parque de longe (a prova teve o início e chegada na Cascata Carolina) e bateu uma forte dose de animação. Se eu vi o parque e a chegada era nele, estava muito perto. Ou não! Mal sabia que lá se iriam quase mais uma hora de prova. E para "piorar" a sensação de "quase lá", um tempo depois de avistar o parque, passei correndo pela frente da linha de chegada e vi os meus familiares sorrindo, incentivando e desejando bom fim de prova! Esposa, filho, irmão, pais e até a vó veio estimular! Com tanta animação e tão perto da chegada, achei, realmente, que era só dar mais "uma voltinha" e em questão de minutos estaria abraçando eles!


Por algum motivo que eu não sei explicar, os corredores pagam pra participar deste tipo de prova. Ou traduzindo, pagam para sofrer. rs Meus "minutinhos" que supostamente faltariam para a chegada, na verdade eram ainda pouco mais de meia hora, pois resolveram colocar uma baita subida e descida, justamente quando o atleta já está só no mental, porque o corpo quer parar há muito tempo!

Entretanto, dane-se a última subida! Dane-se a bolha no pé! Dane-se a mochila sem água! Dane-se tudo! Quando enxerguei a linha de chegada e percebi que estava há poucos segundos de encerrar o sofrimento e ao mesmo tempo explodir de alegria, tudo compensou! Foi aquele momento de "acabou! mas que pena que acabou! tem como começar de novo?!"




Não corro pela medalha, troféu ou suco ao final. Não corro porque uma hora o sofrimento acaba. Não corro só para manter o corpo "em dia". Nem corro só porque sempre fiz exercícios. Corro pela experiência que o esporte proporciona e pelas virtudes que ele agrega aos que se dedicam a ele. 

Meus sinceros agradecimentos, mais uma vez, ao pessoal da organização, os quais proporcionaram um excelente sábado, com uma significativa experiência a todos e certamente contribuíram para o amadurecimento mental e pessoal de muita gente! Muito obrigado!



segunda-feira, 7 de março de 2016

A curva da felicidade e o número de filhos


A melhor surpresa do mundo chegou-me em forma de vida: quando estava de “assunto despachado” (já ninguém sequer ousava perguntar quando é que vem o quarto, naquele jeito tão português de se meter na vida alheia), nada de fraldas ou chuchas pela casa, três filhos crescidos e respetiva parafernália infantil oferecida a perder de vista, eis que fiquei grávida outra vez. Faz hoje dois anos que a minha vida voltou ao rebuliço das noites mal dormidas, fraldas sujas, choros e febres. A melhor coisa do mundo.

Ter filhos faz mal à carteira (sobretudo em Portugal) mas tão bem à alma. Sei, por experiência própria, que os filhos multiplicam as alegrias e dividem as tristezas. Fazem disparar os decibéis, mas encolher as angústias. Subtraem-nos tempo, mas acrescentam capacidade de organização e superação. Fazem aumentar a carga de trabalhos mas relativizar as preocupações com o trabalho. Causam estrias, dores de costas, rugas e cabelos brancos, mas fazem-nos descobrir melhores versões de nós próprios, mais completas, mais generosas, mais bondosas.

Que me perdoe Pitágoras, mas tenho a certeza que em matéria de número de filhos, a soma das partes não é aritmética linear. A cada nova adição, a felicidade cresce mais do que o produto que lhe foi somado. Um mais um não é igual a dois. Dois mais um não é igual a três. E então três mais um não é mesmo igual a quatro. É muito mais, é muito melhor.

Os filhos são, de longe, os melhores ansiolíticos e anti-depressivos. Não sou só eu que o digo. No relatório sobre a satisfação de vida dos europeus do Eurostat - onde Portugal figura como sempre bastante abaixo da média europeia, apenas atrás da Bulgária e ao lado de países como Grécia, Hungria e Chipre – uma evidência ressalta: as famílias com três ou mais filhos são as mais felizes. Numa escala de 0 a 10, em que zero é o máximo da infelicidade e o 10 um êxtase, os homens sozinhos com menos de 65 anos foram os que se disseram menos satisfeitos com a vida (6,6 pontos), enquanto os agregados familiares com dois adultos e pelo menos três filhos estão no topo no ranking da alegria, com 7,4 pontos. Muitos outros trabalhos científicos conduzidos em países desenvolvidos apontam no mesmo sentido. A curva de felicidade entre os casais é sui generis - o segredo é não ter filhos, ou ter muitos, concluiu um estudo mais antigo (de 2011) da The State of Our Union (um observatório sobre o estado do casamento na América, bastante conservador, note-se). Um estudo da universidade Edith Cowan, em Perth (Austrália), divulgado no ano passado, conduzido por psicólogos durante cinco anos, concluiu que famílias com quarto ou mais crianças têm mais satisfação com a vida.

O quarto filho é em tudo igual ao primeiro. O mesmo entusiasmo pateta com as primeiras conquistas, a mesma alegria irracional a cada etapa normal do seu crescimento. Só que ao quarto filho já nos esquecemos das fraldas e das chuchas quando saímos, não metemos gorros em dias de vento e não ligamos nenhuma à introdução alimentar faseada nem às tosses com expetoração ou às febres abaixo dos 40ºC.

Perguntam-nos frequentemente, como é que damos conta do recado, se ambos trabalhamos. Dando, pois então. Com a enorme vantagem de termos emprego e uma vida confortável – quantos não têm a mesma sorte? E falhando, é certo, muitas vezes. Falhamos grandiosamente em todas as frentes – não somos os pais mais presentes do mundo, não somos os trabalhadores mais workhalic de Portugal, não somos os filhos e netos mais fantásticos, não somos os amigos mais divertidos para os copos. Mas falhamos o melhor que conseguimos. Procurando fazer a cada dia um bocadinho melhor, com a certeza que amanhã vamos descabelar-nos na mesma, berrar e violar muitas das bonitas regras dos livros de psicologia infantil.

- por Mafalda Anjos
Fonte: Visão

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