"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cristo: A Mortificação do Pecado


Toda lascívia (desejo mau) é um hábito depravado, que continuamente inclina o coração para o mal. Em Gênesis 6:5, temos uma descrição de um coração no qual o pecado não foi mortificado: "era continuamente mau todo desígnio do seu coração". Em todo homem não convertido, há um coração que não foi mortificado e que está cheio de uma variedade de desejos ímpios, e cada um desses desejos está continuamente clamando por satisfação.

Concentrar-nos-emos apenas na mortificação de um desses desejos. Este desejo (pense no pecado que mais lhe atrai) é uma disposição forte, habitual, e profundamente enraizada, que inclina a vontade e os sentimentos para certo pecado em particular. Uma das grandes evidências de tal desejo mau é a tendência para se pensar nas diversas maneiras de gratificá-lo (veja Rom. 13:14). Este hábito pecaminoso (ou seja, a lascívia ou desejo mau) opera violentamente. "Fazem guerra contra a alma" (1 Ped. 2:11) e buscam tornar a pessoa um "prisioneiro da lei do pecado" (Rom. 7:23). Ora, a primeira coisa que a mortificação efetua é o enfraquecimento deste desejo mau, de modo que se torna cada vez menos violento nos seus esforços para provocar e seduzir a pecar (veja Tiago 1:14,15).

A esta altura, é preciso que se faça uma advertência. Todos os desejos maus têm o poder de seduzir e provocar alguém a pecar, porém parece que não têm, todos eles, o mesmo poder. Há pelo menos duas razões pelas quais alguns desejos maus parecem ser muito mais fortes do que outros:

a)      Um desejo mau pode ser mais forte do que outros na mesma pessoa e também mais forte do que o desejo numa outra pessoa. Há muitas maneiras pelas quais este poder e vida extras são dados, mas especialmente isso ocorre por meio da tentação.

b)      A ação violenta de alguns desejos maus é mais óbvia do que a de outros. Paulo sublinha uma diferença entre impureza e todos os outros pecados. "Fugi da impureza! Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer, é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo" (1 Cor. 6:18). Isso significa que pecados dessa natureza são mais facilmente discerníveis do que outros. Contudo, uma pessoa com um amor desordenado pelo mundo pode estar debaixo do poder desse desejo mau (embora esse poder não seja tão óbvio) tanto quanto outro homem que é cativado por um desejo mau ou por uma imoralidade sexual.

A primeira coisa, então, que a mortificação efetua é um enfraquecimento gradual dos atos violentos do desejo mau, de modo que seu poder para impelir, despertar, perturbar e deixar a alma perplexa seja diminuído. Isso é chamado de crucificar "a carne, com as suas paixões e concupiscências" (Gál. 5:24). Esta linguagem é muito gráfica, como se pode ver na seguinte ilustração:

Pense num homem pregado numa cruz. A princípio o homem se esforçará, lutará e clamará com grande intensidade e poder. Depois de certo tempo, à medida em que vai perdendo sangue, seus esforços se tornam fracos e seus gritos baixos e roucos. Da mesma maneira, quando um homem se propõe a cumprir seu dever de mortificar o pecado, há uma luta violenta; todavia à medida em que a força e a energia do desejo mau se esvai, seus esforços e gritos diminuem. A mortificação radical e inicial do pecado é descrita em Romanos, capítulo 6, e especialmente no versículo 6:

"Sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem" - para qual propósito? - "para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos ao pecado como escravos".

Sem esta mortificação inicial e radical, realizada mediante união com Jesus Cristo, como descrita em Romanos, capítulo 6 (no próximo capítulo diremos mais sobre isto), uma pessoa não pode fazer progresso na mortificação de um único desejo mau. Uma pessoa pode dar pauladas no mau fruto de uma árvore má até ficar esgotada, porém enquanto a raiz permanecer forte e vigorosa nenhum grau de espancamento impedirá que a raiz produza mais frutos maus. Esta é a tolice que muitas pessoas praticam quando se dispõem com todo fervor a quebrar o poder de qualquer pecado em particular, sem realmente atacar e ferir a raiz do pecado (como acontece quando um cristão é unido a Jesus Cristo).

- por John Owen (1616-1683)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O Perigo da Fé Presumida


Por trás de todas essas falsas esperanças está o pecado da soberba. A pessoa que tem uma forma de religião presume que seu cumprimento de obrigações religiosas o colocará nas boas graças de Deus. A pessoa supersticiosa presume que é do seu interesse praticar certos ritos e gestos religiosos, e a pessoa farisaica presume que ela é boa o suficiente para ir ao céu pelos seus próprios méritos.

Uma pessoa presunçosa é aquela que toma as coisas por certo. Em questões de religião, ela é uma pessoa que pensa que pode confiar nas suas próprias ideias não averiguadas sobre Deus. Ela baseia sua "fé" em vagas noções sobre a bondade de Deus. Ela faz as pazes consigo mesma ao ignorar a evidência das Escrituras e reprimindo sua consciência. A presunção não tem limites. Ela pode se desfazer do inferno simplesmente ao considerá-lo como uma ideia pouco atraente e consegue transformar o céu num lugar onde os ímpios descansam em paz. A esperança que a presunção oferece é tão real quanto o pote de ouro no fim do arco-íris, isto é, esperança nenhuma.

Ao enfrentar decisões importantes na vida, a maioria das pessoas é sábia o bastante para não presumir nada. Quando elas estão doente, consultam o médico; quando estão comprando uma casa, chamam uma avaliador; quando estão comprando um carro usado; pedem para um bom mecânico examiná-lo. No entanto, quando se diz respeito à questão mais importante de todas - o destino eterno delas - muitas pessoas estão preparadas para confiar nas suas próprias presunções e não fazem nenhum esforço para descobrir a verdade. A explicação para esse comportamento tolo não é difícil de encontrar. Não é preciso engolir o orgulho para consultar o médico, o avaliador ou o mecânico. Todavia, o cristianismo lida com questões de pecado e culpa. E visto que a pessoa presunçosa se considera tão bem-informada como qualquer outra pessoa, ela não admitirá sua necessidade de orientação sobre a salvação. Seu próprio bom senso, pensa ela, é tão bom quanto o de qualquer outra pessoa e é só isso que importa.

O pecado da presunção impediu que os israelitas entrassem na terra prometida. Quando chegou a hora de capturar a terra, eles se recusaram a confiar em Deus; em vez disso, confiaram em seu próprio discernimento. Entretanto, quando ouviram qual seria seu castigo (nem um deles jamais veria a terra), mudaram de ideia e decidiram atacar. "Por que transgredis o mandado do Senhor?" indagou Moisés. "Pois isso não prosperará. Não subais, pois o Senhor não estará no meio de vós, para que não sejais feridos diante dos vossos inimigos." Contudo, persistiram e sua presunção levou a uma derrota humilhante (Números, capítulo 14). Essas coisas foram escritas para o nosso conhecimento - nossa "terra prometida" não será ganha ao seguirmos nossos próprios planos presunçosos, e sim ao confiarmos na Palavra de Deus (Hebreus 4.1-3).

- por Frank Allred
Fonte: Como Posso Eu ter Certeza? Ed. PES, págs. 77 e 78.

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