"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quarta-feira, 31 de julho de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

Como Deus age com Seu povo?


Muitos são ignorantes acerca dos diferentes caminhos e níveis com que Deus trabalha com Seu povo, e isso, assim, muito escurece seu conhecimento e reflete em seus atos concernentes aos interesses n’Ele. Essa ignorância consiste, principalmente, em três coisas:

1. Eles são ignorantes sobre os diferentes níveis e caminhos acerca do trabalho da lei, pelo qual Deus, ordinariamente, trata com os homens, e as diferentes maneiras com que o Senhor traz primeiramente as pessoas a Cristo. Eles não consideram que o carcereiro não foi guardado durante uma hora no cativeiro (At 16); que Paulo é mantido sob expectativa durante três dias (At 9); e Zaqueu em nenhum momento (Lc 19).

2. Eles são ignorantes, ao menos, quando não consideram quão diferentes são os níveis de santificação nos santos e aparências honráveis, mesmo diante de alguns homens, e os tristes defeitos em outros. Alguns são muito inocentes e mais livres de grosseiras revoltas, adornando suas profissões em muito, como Jó e Zacarias. Estes são considerados, "íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal" (Jó 1.8); "justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor" (Lc 1.6). Outros estão sujeitos a muitas grosserias e tristes males, como Salomão, Asa, etc.

3. Eles são ignorantes quanto às diferentes comunicações da face de Deus e expressões de Sua presença. Alguns andam muito na luz do semblante de Deus e estão em muito mais comunhão sensível com Ele, como Davi estava; outros são "os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão" (Hb 2.15). 

Certamente a ignorância a respeito das diferentes maneiras com que Deus trabalha e trata com Seu povo, pode escurecer muito o conhecimento de seus interesses por Ele, enquanto comumente se limita o Senhor a uma maneira de agir, o que Ele mesmo não sustém, conforme temos demonstrado nos exemplos anteriores.

- por William Guthrie (1620-1665)
Fonte: The Cristian´s Great Interest, The Banner of Truth Trust, pages 29-30  
Tradução: Filipe Luiz C. Machado

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Efésios 2.21 - Uma só Igreja - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 28.07.2013


Efésios 2.21 - Uma só Igreja em Cristo
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 28.07.2013

Veja a pregação em vídeo, realizada na Igreja Cristã Reformada de Blumenau.
Link: http://www.youtube.com/watch?v=6ZjAVmnDy8Q&feature=youtu.be

"No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor" (Ef 2.21).

A Escritura nos ensina que a salvação pertence ao Senhor (Jn 2.9). Esta salvação não vem por meio do mérito do homem - a fim de ninguém se gloriar por suas obras (Ef 2.9) -, e sim pela graça (Ef 2.8), de maneira que todo cristão reconhece ser feitura Sua (Ef 2.10) e por isso criado para as boas obras, no intento de testemunhar e confirmar genuinamente que o Espírito Santo nele habita.

Em nosso texto de hoje, o Deus soberano e artífice da criação, nos fala de maneira ímpar e também assustadora, pois afirma que em Cristo Sua Igreja está sendo edificada. É de maneira ímpar porque até o agora o apóstolo não havia discorrido da maneira como aqui enfatizado, ainda que anteriormente tenha pontuado (Ef 1.22-23). Igualmente, podemos dizer que é assustadora às nossas mentes finitas, porque afirma que em Cristo todo o edifício cresce bem ajustado, o que muito nos espanta, pois constantemente, quando olhamos para a situação daquilo que temos por Igreja, não é desta maneira que a enxergamos - em verdade, sequer conseguimos ver um edifício, muito mais nos parecendo haver diversos e inúmeros pequenos casebres, cada qual proclamando doutrinas diversas. Esta é uma razões, portanto, pelas quais o Senhor nos exorta a andar "por fé, e não por vista" (2Co 5.7), pois é mister que nos fixemos na santa promessa, lembrando constantemente que "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia" (2Pe 3.9).

Deste versículo imperioso, depreendem-se doutrinas preciosíssimas. Analisemos o que daqui podemos aprender, a saber, que há uma só Igreja, que esta Igreja é muito bem ajustada em unidade, que é crescente e por isso está em andamento e também que possui a finalidade de ser santa ao Senhor.

1. Uma só Igreja

O Senhor poderoso, Aquele que cria todas as coisas segundo o poder de Sua vontade, não necessitando de coisa alguma para trazer à lume fatos que ainda não existem, teve por bem estabelecer uma única, santa, pura e imaculada Igreja por sobre a terra (Ef 5.27). Deus é enfático em nos dizer: "No qual todo o edifício". Neste ponto, somos instados e examinar a Escritura com a Escritura, "comparando as coisas espirituais com as espirituais" (1Co 2.13). Somos chamados à recordar que Cristo é o cabeça da Igreja (Ef 1.22) e a Igreja é o Seu corpo (Ef 2.22). 

Com firmeza lemos que todo o edifício cresce para templo santo, e não somente parte do edifício, isto é, não somente uma parcela da Igreja verdadeira cresce em graça e pratica as boas obras para a qual foi destinada, e sim que a completude, a saber, a totalidade, todos os membros da santa e invisível Igreja de Cristo, praticam e crescem para a glória do Senhor. Igualmente lemos na terceira parte do versículo, que a Igreja é comparada ao "templo santo", corroborando ainda mais o precioso entendimento da Igreja ser una, tal qual o templo era único e santo ao povo do Senhor, enquanto durou sua dispensação.

Isto nos ajuda a remover duas falsas ideias acerca da Igreja.

1.1 Que a Igreja verdadeira está fragilizada

Enquanto o santo profeta Elias cria que havia ficado só meio ao esfriamento, dizendo, "os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada, e só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem" (1Rs 19.10 - grifo do autor), o Senhor lhe revela que ainda restava "em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou" (1Rs 19.18). O arauto de Deus não podia ver estes outros; de fato cria piamente que eles não existiam e que o Senhor tinha o deixado só, a mercê dos da idolatria. Entretanto, para que sua fé não desfalecesse, diz o Soberano, ainda restava uma significativa quantidade de homens justos e chamados por Ele.

Disto aprendemos que a santa e universal Igreja para sempre estará firme e atuante. Nunca houve e jamais haverá um momento onde a verdadeira Igreja esteja fragilizada. Muito verdadeiro é o fato de termos narrativas bíblicas e relatos históricos onde a Igreja do Senhor foi mais ou menos atuante por onde passou, todavia, isto não diminui o caráter puro da Igreja. E por que assim é? Quer dizer, como pode o Senhor preservar homens puros em Sua doutrina, mesmo diante de tantas adversidades que se soerguem de contínuo? A resposta é evidente: porque o Pai "sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja" (Ef 1.22); daí Cristo dizer: "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (Jo 6.38).

Porque a Igreja está sujeita a Cristo, tendo Ele como cabeça, ela jamais estará fragilizada. E quando ela assim aparentar estar aos nossos olhos turvos, devemos recordar de que o Senhor a sustém, ainda que de maneira sobrenatural e incompreensível aos nossos olhos naturais, para glorificar o Seu nome, conforme lemos: "Nós pecamos como os nossos pais, cometemos a iniquidade, andamos perversamente. Nossos pais não entenderam as tuas maravilhas no Egito; não se lembraram da multidão das tuas misericórdias; antes o provocaram no mar, sim no Mar Vermelho. Não obstante, ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder" (Sl 106.6-8 - grifo do autor).

Cristo salvou Sua Igreja, não obstante seus desvios e pecados. A razão para tê-la salvaguardado até aqui não se deu por qualquer mérito dela, mas, sim, tão somente porque Deus zela por Seu nome, porque o que prometeu fará. A Igreja do Senhor não está viva por causa de suas transgressões, e sim apesar delas, "porque fiel é o que prometeu" (Hb 10.23).

A Igreja não está fragilizada, mas forte, triunfante e atuante, pois "cresce para templo santo no Senhor".

1.2. Que a Igreja é a junção de muitas doutrinas opostas

Impossível tal declaração ser pautada pelas Escrituras, salvo se bestas selvagens torcerem o texto bíblico e dele fizerem um verdadeiro conjunto de retalhos que para nada servirá, exceto para esquentar por pouco tempo.

Os inimigos do evangelho, embora estejam vestidos com paramentos exteriores de piedade, asseveram que a Igreja do Senhor é a união de todo aquele que professa e teme a Cristo, simplesmente. Para estes, o Senhor registrou por meio de Seu servo Tiago: "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem" (Tg 2.19). A santíssima ironia do Senhor testifica contra os inimigos da verdade. Nada pode ser mais verdadeiro do que já disse o Senhor - "sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso" (Rm 3.4).

O ecumenismo é uma das marcas distintas de Satanás, pelo qual ele sugere aos verdadeiros cristãos, tal fez com Eva, que pode ser possível o erro conviver com a verdade, gerando falsas esperanças de que o amor a todos unirá, como se fosse plausível crer na existência do genuíno amor desvencilhado da soberana verdade!

Aprendemos que doutrinas destoantes não podem ser partícipes do mesmo evangelho e santa Igreja, porque a Escritura nos demonstra uma figura que não aceita objetos desconformes com o fundamento, a principal de pedra de esquina, que é Cristo (Ef 1.20): um edifício. A palavra inspirada ao apóstolo significa uma construção e edificação. Ora, é sabido que em construções, para se obter um perfeito e justo fim, é necessário que a fundação seja perfeita (Cristo) e também tudo que a ela se agrega (Sua Igreja) esteja no santo prumo. Não pode haver, então, qualquer razão para acreditarmos que doutrinas opostas, um dia, estarão unidas com Cristo, pois o que Ele determinou para nós pode ser, em primeiro lugar, claramente deduzido a partir das coisas criadas (Rm 1.20) e em segundo lugar, o Consolador ensinou e inspirou os santos homens (Jo 14.26), a fim de deixarem a todos nós uma Escritura divinamente proveitosa para o ensino, conforme lemos cristalinamente em 2Tm 3.16-17.

Não é crível e muito menos bíblico, advogar a ideia maligna de que doutrinas opostas, um dia, estarão unidas. Bem verdade é que enquanto por aqui estamos, nosso Senhor sustenta os Seus eleitos das mais variadas formas e nos mais diversos arraiais, havendo algumas divergências entre os homens mais piedosos. No entanto, no que concerne à genuína doutrina do Eterno, não possuímos qualquer razão para afirmar que as doutrinas opostas estarão unidas, por fim, pois um edifício, esta construção que é Sua Igreja, não somente tem como pedra angular e sustentadora o próprio Cristo, como também é construída por Ele mesmo! Ele é o cabeça, também chamado de construtor (Sl 127.1).

Assim, se a Igreja é um único e perfeito edifício criado pelo Senhor, urge a necessidade de compreendermos que, embora haja divergências entre os homens, isto não implica em dizer que a verdade possui múltiplas interpretações, se não que somente podemos afirmar como já dito: "Não obstante, ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder" (Sl 106.8).

2. Uma só Igreja bem ajustada em unidade 

Sobre existir uma única Igreja, é de grande necessidade a compreensão do modo como a Escritura revela o crescimento de Seu povo sob a égide do Novo Testamento. De modo algum devemos crer que existia apenas uma única igreja em cada região cuidada pelos apóstolos. É um erro grasso e demonstrativo fidedigno de falta de leitura bíblica, a afirmação de que em tempos pretéritos não havia diversas congregações, como se as reuniões e cultos se concentrarem em um único lugar, e como se a verdade de Deus fosse obtida através do esforço de homens para a todos unir.

Alguns são os versículos que nos confirmam o fato de sempre existirem várias igrejas (leia-se, congregações, não o sectarismo denominacional, já rejeitada historicamente, ainda que, tristemente, em voga em nossos dias).

- "Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo" (At 9.31). Todas as igrejas, de várias localidades, tinham paz e eram edificadas.
- "De sorte que as igrejas eram confirmadas na fé, e cada dia cresciam em número" (At 16.5). Este versículo demonstra evidentemente que mesmo nos primórdio da Igreja sob a nova aliança pelo sangue de Cristo, já existiam muitas igrejas por todos os lados; todas, porém, eram confirmadas na fé e andavam em unidade estrita.
- "E todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia" (Gl 1.2). Havia, portanto, algumas igrejas na Galácia, de modo que quando Paulo escreve, não se reporta à uma única reunião ou assembleia, e sim à coletividade de igrejas naquela região.
- "E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo" (Gl 1.22). Novamente aos gálatas, o apóstolo informa que havia múltiplas igrejas na Judéia.
- "Porque vós, irmãos, haveis sido feitos imitadores das igrejas de Deus que na Judéia estão em Jesus Cristo; porquanto também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles" (1Ts 2.14). O apóstolo demonstra aos tessalonicenses que de fato havia várias igrejas na Judéia.
- "Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia" (1Co 16.1). Notemos que Paulo confirma aos coríntios a situação de que havia várias igrejas na Galácia.
- "Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da macedônia" (2Co 8.1). Escrevendo às igreja em Coríntio, Paulo lhes fala sobre como o Senhor tinha alcançado e levantado várias igrejas na região da macedônia, e não somente uma igreja.
- "E com ele enviamos aquele irmão cujo louvor no evangelho está espalhado em todas as igrejas" (2Co 8.18). Falando acerca de Tito (v. 16), Paulo afirma aos coríntios que a obra está sendo realizada em todas as igrejas.

Falar em uma só Igreja é se reportar à coletividade de indivíduos que professam "Um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef 4.5), conforme nos ensinará adiante o Senhor. Esta Igreja universal é composta de inúmeras igrejas, porém e de modo incompreensível aos nossos olhos que veem a situação momentânea, que andam na mesmíssima doutrina, sendo, assim, grave erro se unir com falsos ensinamentos.

Podemos afirmar que elas andam segundo a doutrina bíblica, devido a expressão adjetiva usada: "bem ajustado". O edifício que é a Igreja do Senhor, não pode se satisfazer com algo menor que a justaposição da sã doutrina. Contentar-se com menos que isso, é se assemelhar ao povo rebelde de Israel, que em vez de obedecerem ao Senhor, trilharem o caminho rumo a Canaã e se contentarem com o santo e puro maná do deserto, ansiavam voltar à escravidão do Egito (Nm 14.1-4).

A expressão "bem ajustado" remete à ideia de emoldurado. Isso nos ensina que, pela graça e misericórdia do Senhor, dia e noite a Igreja de Cristo precisa buscar estar bem ajustada, levando cada cristão a verificar se sua vida assim está em conformidade com os méritos de Cristo. Doutra sorte, se assim não for, terrível coisa será professar um cristianismo pueril, pois "Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hb 10.31), "porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão" (Êx 20.7).

3. Uma Igreja crescente e em andamento

Notamos que a Igreja do Senhor, embora no plano espiritual e eterno já esteja completa com todos os Seus eleitos, ela ainda cresce e se desenvolve à medida em que Deus tem por bem continuar a Sua criação. Isto aprendemos a partir do tempo verbal usado por Paulo: "cresce", uma ação contínua e progressiva. A Igreja do Senhor cresce e não há nada que possa a deter, afinal, assim já testificou o Filho: "as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16.18).

Tal ponto é motivo de excelsa alegria para todos os filhos do Senhor, pois quantas vezes somos afligidos por não vermos o avanço do evangelho e com isso passamos a ter uma postura pessimista com relação ao evangelismo e futuro da Igreja? Quantas são as vezes em que nosso coração dobre insinua em nosso íntimo que a Igreja do Senhor chegou ao seu limite, que deste ponto não passará e resta tão somente a ruína? Aprendamos a sustentar um espírito constante, mediante a fé e esperança (1Pe 1.21), sabendo que fomos enxertados em "um reino que não pode ser abalado" (Hb 12.28).

Há ainda algo sumário para nossa edificação: o fato da Escritura prescrever uma ordem para o avanço acontecer. Primeiro lemos que há um edifício, mas se segue a necessidade desta construção estar bem ajustada, para somente depois crescer.

Quantas são as vezes em que buscamos crescer como Igreja, iniciando em nossos próprios corações, sem antes averiguarmos se estamos bem ajustados. Procuramos pelo germinar da semente e nada encontrarmos, exceto espinhos e cardos em nossa vida. Ansiamos pelo genuíno leite racional, aquele que fornece entendimento (1Pe 2.2), mas se avizinha somente a água física do poço junto à mulher samaritana (Jo 4). É preciso, como diz a inerrante Palavra, estarmos bem ajustados no Senhor.

Uma pergunta que nos salta à mente: como estar bem ajustado para crescer?

Em primeiro lugar, devemos crer que já estivemos, em algum tempo, afastados do evangelho salvífico (Ef 2.11), nos levando a glorificar ao Senhor por Seu agir em nós. Em segundo lugar, reconhecendo em quão grande miserabilidade se encontra o homem natural sem o Senhor, de maneira que d`Ele recebe ira sobre ira (Ef 2.3), porque não se encontra junto à rocha firme. Em terceiro lugar, buscando compreender que apesar de nossas mazelas e ainda os entraves que o pecado nos causa, em Cristo Jesus foi desfeita a inimizade natural que tínhamos para com Deus (Ef 2.15), de maneira que n`Ele as ordenanças foram cumpridas, bem como o castigo que a nós deveria ser imputado, por Ele foi levado (Is 53.4).

Se procedermos com esta mentalidade renovada, poderemos experimentar o que nos diz a Palavra:  "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente [...] Mas nós temos a mente de Cristo" (2Co 2.14, 16). Por meio do Espírito Santo de Deus seremos ensinados de "fé em fé" (Rm 1.17), "Guardando o mistério da fé numa consciência pura" (1Tm 3.9). Quando buscarmos de todo o coração ao Senhor, certamente o acharemos (Jr 29.13), porque "Nem lhes esconderei mais a minha face, pois derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor DEUS" (Ez 39.29).

4. Uma Igreja santa ao Senhor

De nada bastaria termos estas preposições, se a finalidade não fosse crescer "para o templo santo no Senhor". Deus criou os céus e terra para Sua glória (Is 6.3). O Supremo não necessita de coisa alguma, no entanto, teve por bem criar não somente os elementos naturais, mas também a eles dar o fôlego da verdadeira vida que somente pode existir segundo a vontade d`Aquele que é o doador da vida - Ele mesmo. No Seu grande, onisciente e perfeito saber, o Senhor quis criar uma Igreja e para isso designou um fim muito específico para ela: a santidade.

A santidade da Igreja de Deus é expressa continuamente pela Escritura: "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). Pedro, outrossim, exorta os fieis em Cristo com o que já estava escrito (Lv 20.26): "Sede santos, porque eu sou santo" (1Pe 1.16). 

Tal qual o templo do Senhor foi levantado e adornado conforme Deus ordenara a Moisés, tendo sido feitas todas as coisas nos mais preciosos e necessários detalhes, não devendo os obreiros omitir ou acrescentar coisa alguma (Dt 12.32), assim também o apóstolo é inspirado a escrever dizendo que a Igreja do Senhor somente pode subsistir estando em conformidade com as ordenanças dadas e reveladas na Escritura (2Tm 3.16-17).

Novamente o Senhor nos exorta por meio do apóstolo: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1Co 3.16). É um incomensurável dever cristão o zelar pela glória de Deus em cada ato da vida, pois todas as coisas devem ser realizadas para Sua glória (1Co 10.31). O Criador habita em Sua Igreja e a sustenta com Seu Espírito - que grande glória! Não somos os sustentadores desta obra, mas, sim, Cristo Jesus, a perfeita e única pedra capaz de sustentar tamanho edifício, gigante em obras e perpétuo sobre a terra!

Possa o Senhor, nesta manhã, mediante o Seu Espírito Santo, nos levar a crer nas promessas, exortações e admoestações do Evangelho. Dobremos nossos joelhos e roguemos por mais sabedoria, conscientes de que "se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á" (Tg 1.5).

Que Deus nos ensine a buscar a santa união por Sua Igreja, segundo a reta doutrina, a fim do reino de Deus ser promovido entre a terra. Que nos lembremos de assim como o santo templo representava grande glória ao povo judeu, e todos  lutavam para o defender, lamentando profundamente quando era profano e abalado, também a Igreja do Senhor possa assim zelar por si mesma, "Para que se conheça na terra o teu caminho, e entre todas as nações a tua salvação" (Sl 67.2).

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Até Onde Vai a União Cristã? Podemos Frequentar Todos os Tipos de Culto?


Que o pluralismo religioso é uma marca satânica, todos sabem. Que a multiformidade de pensamento é algo assombroso e digno do mais temível receio, todos sabem. Que a diversidade de entendimentos acerca de inúmeras doutrinas é algo que traz grandes malefícios para a Igreja, todos sabem. Que a discórdia é algo terrível e fruto do orgulho humano, todos sabem. Mas em algo mais todos concordam: que se deve buscar a união em vez da separação.

A questão, portanto é: visando a unidade da Igreja, o cristão pode participar de falsos cultos ao Senhor? Noutras palavras, até onde vai o limite em prol da união? Teríamos base bíblica aceitar a comunhão com determina doutrina e rejeitar outra?

No bojo desta busca por união, está o seguinte versículo: "Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união" (Sl 133.1). 

Para respondermos esta questão, precisamos analisar três coisas importantes: quem são os irmãos, o que é viver em união e se existe um falso culto.

1. Quem são os irmãos?

Os sujeitos da irmandade cristã não são todos os que professam a Cristo. Dizer-se cristão, afirmar um credo histórico e frequentar até mesmo uma igreja confessional, não translada ninguém ao reino dos céus. 

O Senhor nos alertou por meio de Seu Filho: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores" (Mt 7.15). Também: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus" (Mt 7.21 - grifo meu). Igualmente pelo apóstolo Paulo: "Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores [...] Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra" (Tt 1.10, 16 - grifo meu).

Irmão em Cristo é "quele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus". Esta é uma declaração ímpar e sublime, pois contém uma palavra de alta importância: "vontade". Entretanto, como saber qual é a vontade de Deus? Abaixo podemos entender.

1.1 Qual é a vontade de Deus? - "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (Jo 6.38). Cristo e as doutrinas por Ele ensinadas são a vontade de Deus.

1.2 Como podemos ter a certeza de que a doutrina de Cristo é a doutrina do Pai e, portanto, representa uma unidade? "Jesus lhes respondeu, e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo" (Jo 7.16-17). Toda a Escritura é a doutrina de Deus e Cristo a cumpriu.

1.2 O Antigo Testamento é a expressão da vontade de Deus? - "E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos" (Lc 24.44). Cristo estava representado em todo o Antigo Testamento e em toda a Sua Lei, portanto, é a vontade de Deus.

1.3. Qual a melhor maneira de saber o que é pecado, uma vez que isso é ir contra a vontade de Deus? - "Todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei; de fato, o pecado é a transgressão da Lei" (1Jo 3.4). Se não temos a Lei de Deus (do Antigo e Novo Testamento) como padrão de nossas vidas, pecamos, pois ficamos sem qualquer indicativo para averiguar o certo e errado.

1.4 Acaso realizar algo sem saber se é errado, é pecado? - "Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" (Hb 11.6). A fé é condição necessária para se aproximar de Deus e uma vez que a fé é dom de Deus (Ef 2.8), ela sempre virá condicionada ao padrão de Deus.

1.5 Isso significa que a fé deve estar unida à estrita palavra de Deus? - "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás" (Dt 12.32). Tudo que a Bíblia não comanda é pecaminoso; logo, se alguém realiza algum ato cúltico (e da vida cotidiana) não ordenado pelo Senhor, está em pecado.

A vontade de Deus é expressa somente em Sua Palavra e por toda ela. Não é crível buscar fundamentos unicamente em "textos prova", como se um único versículo pudesse invalidar todo o corpo de divindade que é a Escritura. Isto é, ou toda a Bíblia anda e corrobora com determinada doutrina, ou tal doutrina deve ser rejeitada, afinal, não podem haver contradições na Escritura.

Ainda há outro fato imperioso a se notar: os cristãos se chamam de irmãos porque Cristo chamou os Seus de irmãos! "Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos" (Hb 2.11 - grifo meu). Logo, se Cristo considera os Seus como irmãos, isso implica no grandioso dever de todos andarem segundo a mesma doutrina e prática.

"Mas", pode pensar alguém, "isso é impossível! tal coisa aconteceu somente no Antigo Testamento e no tempo dos apóstolos, quando todos eram uma só igreja e se reuniam no mesmo local". Vejamos se essa argumentação possui procedência.

Muitos versículos testificam que nunca existiu uma única reunião que contemplasse todas as pessoas de uma grandiosa região. Isto é, sempre existiram várias igrejas em todas as regiões, entretanto e sem qualquer receio de errar, todas praticavam as mesmas doutrinas e práticas.

Para exemplificar, quando o apóstolo Paulo prescreve aos irmãos em Corinto para que as mulheres cubram suas cabeças durante o culto público (capítulo 11 da primeira epístola - clique aqui para ler sobre isso), não devemos crer que era um mandamento somente para eles, pois assim o próprio apóstolo inicia sua carta: "Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes, À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso" (1Co 1.1-2 - grifo meu). Paulo vem em nome do Senhor e os saúda em nome de "todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo". Igualmente em sua segunda carta: "Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia" (2Co 1.1 - grifo meu). Notemos, novamente, que os santos estavam em "toda a Acaia". 

Vejamos ainda outros versículos que falam de muitas igrejas:

- "Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo" (At 9.31). Todas as igrejas, de várias localidades, tinham paz e eram edificadas.
- "De sorte que as igrejas eram confirmadas na fé, e cada dia cresciam em número" (At 16.5). Este versículo demonstra evidentemente que mesmo nos primórdio da Igreja sob a nova aliança pelo sangue de Cristo, já existiam muitas igrejas por todos os lados; todas, porém, eram confirmadas na fé e andavam em unidade estrita.
- "E todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia" (Gl 1.2). Havia, portanto, algumas igrejas na Galácia, de modo que quando Paulo escreve, não se reporta à uma única reunião ou assembleia, e sim à coletividade de igrejas naquela região.
- "E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo" (Gl 1.22). Novamente aos gálatas, o apóstolo informa que havia múltiplas igrejas na Judéia.
- "Porque vós, irmãos, haveis sido feitos imitadores das igrejas de Deus que na Judéia estão em Jesus Cristo; porquanto também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles" (1Ts 2.14). O apóstolo demonstra aos tessalonicenses que de fato havia várias igrejas na Judéia.
- "Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia" (1Co 16.1). Notemos que Paulo confirma aos coríntios a situação de que havia várias igrejas na Galácia.
- "Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da macedônia" (2Co 8.1). Escrevendo às igreja em Coríntio, Paulo lhes fala sobre como o Senhor tinha alcançado e levantado várias igrejas na região da macedônia, e não somente uma igreja.
- "E com ele enviamos aquele irmão cujo louvor no evangelho está espalhado em todas as igrejas" (2Co 8.18). Falando acerca de Tito (v. 16), Paulo afirma aos coríntios que a obra está sendo realizada em todas as igrejas.

Diante disso, percebemos que é uma completa falácia a ideia de se acreditar que, por exemplo, em Jerusalém houvesse apenas uma reunião com todos os crentes da cidade ou que na Judéia e Galiléia somente, também, se cultuasse ao Senhor num mesmo local. A Bíblia, portanto, demonstra que sempre existiram diversas igrejas locais, todas andando no mesmo espírito, doutrina e fé.

Alguém pode se questionar: "Como seria possível termos a mesma unidade nos dias de hoje?". Certamente que a resposta não é fácil, mas há uma saída.

Algo que pode nos fornecer luz é nos lembrarmos da história da conhecida Assembleia de Westminster.

"Em primeiro de julho de 1643, 121 pastores e mestres - 'instruídos, piedosos e judiciosos Teólogos', segundo consta em descrição da época - dentre os quais muitos homens renomados em todo o mundo por sua erudição bíblica, fervor e sinceridade de fé e vida cristã irrepreensível; aos quais somavam-se ainda 30 homens de valor na Inglaterra, sendo 10 da 'casa dos Lordes' e 20 da 'casa dos Comuns'. O objetivo da reunião da assembleia foi prover sábios conselhos sobre a forma correta, bíblica, de adorar, conhecer e servir ao nosso Senhor e Deus, tanto individualmente, quanto em família, e sobre como estabelecer a igreja na Inglaterra, inclusive disciplinar institucionalmente, conforme semelhantes parâmetros." [1] Para produzir todos os documentos que visando a destruição das heresias e união em torno da Escritura, foram demandas 1163 reuniões no plenário e muitas outras centenas de comissões e subcomissões. Ao todo o trabalho durou  em torno de 5 anos.

Esta foi uma assembleia como nenhuma outra até os dias de hoje e segundo homens piedosos, foi a união mais próxima entre igrejas após o advento de Cristo e os primeiros tempos da igreja primitiva. O pacto (clique aqui para o ler) entre as igrejas reunidas foi de tal solenidade e seriedade em prol da união em torno de Cristo, que toda a nação da Inglaterra, Escócia e Irlanda ratificaram os documentos produzidos em Westminster. Tal grandiosa assembleia tinha por base o fato de todos concordarem que a falta de unidade e uniformidade é responsável pelo crescimento do ateísmo - os levando a rejeitar, por exemplo, após refutações bíblicas, a teoria do "denominacionalismo" (infelizmente em vigor em nossos dias), proposta por determinado teólogo. Não somente do ateísmo, mas toda divisão é fragmentação e isto, a médio e longo prazo, só tende a enfraquecer a Igreja, agindo contrariamente ao que Cristo nos disse: "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17.21).

Todavia, não pense o leitor que foi trabalho fácil. As atas da assembleia estão disponíveis para nós e lá podemos encontrar registros preciosos de todo o labor realizado. O leitor pode verificar, por exemplo, que nem todos os teólogos eram adeptos da forma de governo por presbíteros (presbiterianismo), nem todos concordavam em cantar exclusivamente os salmos e sem o uso de instrumentos, assim como muitos não concordavam com o batismo infantil. Como, então, estes homens puderam se unir, sendo que discordavam de coisas que hoje levam a tantas divisões? A resposta é que eles eram perfeitamente unidos na base, que é Cristo, na soberania de Deus, na depravação pecaminosa do homem, na necessidade do homem ser regenerado, na confiança no Espírito Santo e na suficiência das Escritura. Uma vez unidos no principal e não se demovendo da ideia até que a Escritura os forçasse a isso, naquilo em que não havia consenso, debatiam profundamente (tudo com piedade - há registros de orações iniciais que duravam mais de duas horas) e depois faziam votações - a doutrina com votação com maior número, era estabelecida, o que significa dizer que os que não concordavam inicialmente com o governo bíblico com base em presbítero (episcopais, congregacionais, independentes...), se conformaram a este modelo, a fim de visar o crescimento e unidade da Igreja; os que desejam cantar outros cânticos além dos salmos, passaram a somente cantar os salmos da Escritura, pois assim havia sido votado; os que acreditavam que somente adultos deveriam ser batizados, passaram a batizar crianças, porque desta forma haviam determinado por meio da votação.

Naquele tempo os mais diferentes teólogos chegaram à conclusão de que o culto ao Senhor (trataram também do restante da vida) deve ser regulado por Sua Escritura que é suficiente para nós (Dt 12.32; 2Tm 3.16-17), sendo grave pecado instituir algo ou alguma coisa que não seja ordenada pela Escritura (procure por aqueles documentos e comprove você mesmo).

Portanto, para dar uma resposta satisfatória sobre "Quem são os irmãos", poderíamos dizer que irmãos em Cristo são todos aqueles que professam a genuína crença em Cristo Jesus, que creem na plena e irrestrita soberania de Deus, visualizam e buscam uma vida de completa santidade e piedade, assim como professam uma doutrina historicamente saudável e já firmemente estabelecida ao longo dos séculos. Isso se traduz em dizer que toda e qualquer doutrina "nova", no sentido temporal, deve ser rejeitada. Alguns movimentos supostamente evangélicos precisam ser prontamente rejeitados, como o pentecostalismo, neopentecostalismo e falsas igrejas históricas que apenas professam uma confissão de fé, mas na prática vivem de modo desvirtuado.

2. O que é viver em união?

Uma ressalva fazemos: estamos tratando de doutrinas, e não de pessoas.

Quando elencamos estas três categorias doutrinárias acima, de forma alguma estamos anatemizando as pessoas que lá congregam, pois assim como muitos pentecostais poderão ser salvos, inúmeros "reformados e calvinistas" poderão ser condenados, haja vista que o Senhor não atenta para a confissão de fé escrita na folha de papel, e sim à simplicidade e pureza no coração (que inevitavelmente será expressa em atitudes). Não desejamos, de forma alguma, criticar pessoas (embora seja impossível desassociar o erro do homem), mas, sim, alertar para o perigo em que muitos se encontram.

Ressalvamos, outrossim, que todo este artigo tem como finalidade a glória do Senhor (1Co 10.31) e a promoção do reino de Deus, pois não há qualquer mérito no homem, pois todos nós, invariavelmente, um dia já andamos "como ovelhas que não têm pastor" (Mt 9.36).

Podemos, desta forma, entender que viver em união inclui entender que há diferença entre comunhão pessoal e participação em cultos. Sabemos, pela Escritura, que o culto, embora não seja mais santo do que o restante da vida, é o momento onde o Senhor se revela com maior poder, graça e misericórdia, pois nenhum homem é digno de se achegar aos pés do santo monte. Nada impede a comunhão pessoal entre cristãos que professam a Cristo, mas que possuem entendimentos diferentes sobre certas doutrinas. Todavia, por ocasião do que diz a Escritura, por causa da "consciência pura" (1Tm 3.9) que cada crente deve buscar, o tal não deve se frequentar cultos públicos que desonrem ao Senhor e/ou que vão de encontro ao que ele professa crer.

Isso significa dizer que se alguém entende, mediante as Escrituras, que o culto público não ordena termos instrumentos musicais, então tal pessoa, por questão de consciência, não deve frequentar cultos que violem este ponto, ainda que isto não implique em dizer que os membros de determinada igreja não sejam cristãos.

Resumindo, não se deve frequentar cultos públicos por causa do que diz a Escritura. E ainda mais: ao se fazer isso, não se deve emitir juízos de valor sobre o próximo. Deve-se, então, conversar em particular com cada qual (ou num outro momento que não o culto público), a fim de expor a sã doutrina ou levar alguma palavra. Em realidade prática, se alguém é convidado para pregar em alguma igreja fora dos padrões bíblicos, deve ir, desde que não seja para pregar durante o culto público.

3. Existem falsos cultos ao Senhor?

Muitas vezes os cristãos, no afã de buscarem o bem comum, sem, contudo, negligenciar a Escritura, afirmam que existem falsos cultos, mas que esses são difíceis de encontrar na Igreja do Senhor. Noutras palavras, insinuam que o falso culto é somente o do candomblé, por exemplo, mas o candomblé não tem o Senhor e a Bíblia como padrões. Afirmam, que seria o espiritismo, mas este também não tem a Sagrada Escritura genuína, pois usam uma versão distorcida e "psicografada". Depois, dizem que o falso culto são todos aqueles que pregam a prosperidade financeira e curas sem fim, entretanto, os que lá congregam dirão que são justamente os que os acusam os que possuem um falso culto. Resultado: não se chega a um senso comum.

Para ser mais objetivo, então, eis alguns pontos que caracterizam um falso culto público (baseado nas Escrituras e no testemunho histórico). Novamente: não se traduz em dizer que as pessoas que participam e são membros de tais congregações seja heréticas - não é isso que estamos dizendo. Estamos ressaltando a doutrina bíblica e ela somente, pois assim como Cristo não esmaga a cana quebrada, nem apaga o pavio que fumega (Mt 12.20; Is 42.3) - nos ensinando a buscar a renovação, em vez da destruição -, de igual modo é nosso intento.

- adoração e veneração à qualquer deidade que não seja o Senhor das Escrituras (Êx 20.2-3);
- cultos distintos, como um culto "especial ao Espírito Santo" (Jo 14.6);
- pregação sem base hermenêutica correta e exegese sadia (2Tm 4.2);
- elementos estranhos e não prescritos pela Bíblia, como moças dançando no palco, mulheres orando/pregando/dando avisos, uso de teatro ou filmes, crianças dançando... (Dt 12.32);
- ênfase em dons sobrenaturais como "línguas", "previsão do futuro", "curas" por meio de suposta unção de homens e exortações sem lastro escriturístico (tais dons cessaram com a morte dos apóstolos, porque somente os tais [e alguns outros] possuíam - clique aqui e aqui para ler dois pequenos estudos);
- perversão dos sacramentos, em especial a ceia, como no caso de ela ser ministrada a todos que simplesmente dizem "ser do Senhor", sem qualquer avaliação prévia (1Co 11.24 com Hb 13.17);
- uso de instrumentos musicais para "conduzir" a congregação no louvor (por favor, leia este estudo e veja este vídeo antes de criticar; teremos enorme prazer em lhe ajudar a compreender esta doutrina).

Após este breve artigo, podemos, em síntese, concluir:

Devemos buscar a união somente segundo o que diz a Escritura; no que não houver união, os professos da fé cristã devem conversar e dialogar, não devendo, porém, frequentarem o mesmo culto público, sob pena de violarem as ordenanças do Senhor; existem falsos cultos e para isso devemos atentar, todavia, isso não significa que tais pessoas lá presentes já estejam condenadas ou que sejam hereges.

Se eu me considero o dono da verdade? De modo algum. O Senhor é a verdade e ela está revelada em Sua Palavra.

"A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém" (Ef 6.24).

______
**neste mês de Julho/2013 tivemos a 1ª Conferência Reforma Hoje na cidade de Blumenau/SC e alguns dos temas esboçados neste artigo foram abordados. Caso o leitor tenha interesse, abaixo o link dos vídeos:

- A Família e a Igreja (apenas áudio)
A Igreja e as diferentes igrejas
- A Igreja e o culto segundo as Escrituras
- A Igreja e o dever dos membros em aplicar a mensagem
A Igreja e a pureza na doutrina

Nota:
[1] Introdução à Confissão de Fé de Westminster (1647), traduzida e organizada pela Igreja Puritana Reformada no Brasil - clique aqui para ler

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A influência negativa do feminismo na vida da mulher


Não é bom quando sabes que algo irresponsável está a acontecer mas tu não tens poder para alterar o curso dos eventos. Era nesta situação que me encontrava quando, a meio da década 90, tinha cerca de 20-25 anos. Por essa altura, as mulheres com quem eu socializava tinham o desejo de fazer do casamento algo com reduzida prioridade nas suas vidas; era algo para ser empurrado até cerca dos 30 anos, e até mais para os finais dos 30. Supostamente a década dos 20 era para se usufruir dum estilo de vida feminino e independente, cheio de romances sem continuidade com o tipo de homem errado.

Por essa altura eu pensava que essas mulheres eram malucas uma vez que davam pouca prioridade a algo que era central para a sua futura felicidade. Elas estavam a colocar para o fim algo que deveria ser a primeira das suas prioridades. Era fácil prever que mais tarde existiriam muitos arrependimentos.

Hoje, chegamos à fase dos arrependimentos. A minha geração de mulheres encontra-se agora no final dos 30 e princípios dos 40, e elas estão a criar um gênero de literatura confessional - uma que consiste em descrever o seu falhanço em formar famílias quando tiveram essa possibilidade (quando se encontravam na casa dos 20).

Tudo isto era mais do que previsível. Porque é que mulheres da classe média, inteligentes e bem formadas, não se aperceberam do que iria acontecer? Aparentemente muitas acreditavam que os homens se alinhariam com o que quer que elas quisessem, quando elas o quisessem. Elas ficaram surpreendidas quando isso não aconteceu.

Para ser honesto, este tipo de pensamento mágico não é fora do comum na nossa sociedade moderna liberal. Estou-me a lembrar do comentário de Kristor que já citei várias vezes:

A cultura moderna é um furacão com vários ciclos, todos eles com origem numa pretensão gnóstica: Vamos fingir que a natureza inerente das coisas não existe, de modo a que possamos baralhar ad libitum as noções de família, sexo, economia e cultura, sem qualquer tipo de consequências. Hey, Presto! Aprovem uma lei! Façam isto acontecer!

O liberalismo [esquerdismo] funciona de melhor forma se as coisas não têm limites, se podemos fazer as coisas da forma como nós bem entendermos. Uma vez que, para os liberais, esta é uma forma conveniente de pensar, muitos adoptam esta atitude olhando para ela como uma forma "esperançosa" de ver o mundo.

Mas a realidade tem um forma de se afirmar a ela mesma. Tomemos como exemplo os casos de Bibi Lynch e Rachael Lloyd, ambas mulheres inglesas atraentes que acabaram sozinhas e sem filhos.

Rachael passou a sua juventude a ter casos românticos com os homens "mauzões":

Os relacionamentos nunca foram o meu ponto forte. Historicamente, eu escolhi vilões com boa aparência e com personalidades viciantes. Diverti-me imenso com muitas experiências apaixonantes, mas nada suficientemente funcional que pudesse gerar um futuro a longo prazo, ou suficientemente normal para apresentar aos pais.

Agora que ela está no final dos 30, não é fácil encontrar um homem.

Descobri que os encontros modernos são uma desilusão e muito cansativos. Naveguem por qualquer site de encontros e vão encontrar todo o tipo de homens. Mas muitos ou estão obcecados com o sexo, ou são divorciados amargos com "bagagem", ou são simplesmente doidos.

Embora ela enquadre a sua vida de solteira de forma positiva, ela admite:

Sou realista. No que toca a ter filhos provavelmente perdi o barco, e isso é uma pena. . . . Não posso deixar de concordar com Lisa Snowdon, que afirma que os homens mais velhos apenas querem sair com mulheres mais novas. Com 38 anos, estou longe de estar acabada; sou considerada "mulher com uma certa idade."

Sim, a vida que levo hoje não é a que eu tinha imaginado há 20 anos atrás, quando era uma jovem mulher. Quando olhava para o meu futuro, via uma carreira satisfatória lado a lado com 2/4 filhos e um marido atraente.

Temos também a Bibi, hoje [2010] com 44 anos. Ela conta a sua história desta forma:

Estou a olhar para dentro do longo barril dum futuro solitário sem marido, abandonada, sozinha e sem filhos. Como é que eu me meti nesta posição tão delicada? Um dos motivos é o facto dos homens gostarem das mulheres mais novas. Sim, eu também já fui jovem e tudo o mais.

Quando estava na casa dos 20 e dos 30, eu não era propriamente uma super-modelo, mas estava constantemente rodeada de homens. O problema é que na altura eu não queria "assentar". Agora que quero, há poucos homens disponíveis por aí, e os que existem, estão mais interessados nas minhas sobrinhas adolescentes do que em mim.

Pena é que ela não tenha "assentado" quando ela o poderia ter feito de forma vantajosa. Ela agora busca a atenção masculina ao mesmo tempo que tem que competir com mulheres muito mais novas:

Por favor, não me sugiram sites de encontros. Aquele encontro choroso que tive veio a existir através da internet. E mesmo assim, tive que mentir em torno da minha idade para que ele ao menos olhasse para mim. Qualquer mulher que já visitou o inferno dos encontros via internet dirá que teve que retirar pelo menos 5 anos à sua idade para poder estar no "grupo certo".

Os homens estão programados para buscar mulheres com quem eles podem gerar filhos e, independentemente da idade que eles tenham, elem terão sempre este desejo subconsciente. Mal tu conheces alguém, começas a enviar centenas de sinais sobre ti e estes sinais ditam se és desejável ou não aos olhos desta nova pessoa. Portanto, se não estás a enviar sinais de seres "jovem" (que significa, fértil), vais para casa sozinha.

Atenção que não estou a culpar os homens. Tal como disse, isto está embutido neles.

Para além disso, e em menor escala, temos o que tu sentes quando ficas mais velha. Se eu vou para um bar e o mesmo está cheio de mulheres jovens, sinto-me a encolher. Isto não é propriamente apelativo para o sexo oposto.

Bibi tem muitas amigas exactamente no mesmo barco que ela:

No meu círculo de amigas, existem 8 que são solteiras e sem filhos. Isto é um fenómeno geracional - todas temos idades compreendidas entre os 37 e os 45. Quando as nossas mães tinham a nossa idade, tais números seriam inimagináveis.

Tal como muitas mulheres que escrevem este tipo de literatura [confissões de arrependimento], quando ela olha para trás, ela reconhece a negativa influência que o feminismo exerceu na sua geração de mulheres:

Acho que os ensinamentos feministas dos anos 60 e 70 entraram nos nossos cérebros. A minha mãe não poderia ser chamada de feminista, mas também eu cresci a pensar que poderíamos ser tudo o que quiséssemos, e ter uma carreira profissional satisfatória, uma vida e ter um relacionamento. Nós não atrasamos a maternidade deliberadamente, mas na altura sentíamos que havia muito mais para alcançar antes disso.

O que nós não sabíamos é que os homens não permaneceriam interessados quando nós estivéssemos prontas. A minha geração foi mimada - de modo irrealista, até - e nós queríamos que tudo fosse maximizado e fabuloso. E isso foi a nossa desgraça.

O que ela está a tentar dizer aqui é que o feminismo empurrou o casamento e a maternidade para baixo, na lista de prioridades ("havia muito mais para alcançar antes disso"). Ela admite que foi levada a pensar da forma mágica que descrevi no princípio do post - onde não existe nada na realidade que limite as coisas da maneira que tu queres que elas sejam ("não sabíamos é que os homens não permaneceriam interessados quando nós estivéssemos prontas. . . . a minha geração foi mimada - de modo irrealista")

Portanto, a Bibi, que estava "constantemente rodeada" de homens quando estava na casa dos 20, acabou sozinha e infeliz, ("Sinto que passei de independente e vibrante para solteirona triste").

Certamente que alguns homens dirão "Bem feito", mas existem actualmente milhares de mulheres ocidentais que nunca irão ter filhos. O facto delas terem sido incapazes de formar famílias é detrimental para todos nós.

Como se não fosse suficientemente mau, durante o seu percurso, estas mulheres causaram uma quantidade incontável de danos. Elas ajudaram a desmoralizar a cultura do homem de família entre os homens, dificultando ainda mais a vida para a próxima geração de mulheres - mesmo aquelas com pensamento mais tradicional.

E ao esbanjarem anos da sua vida, esbanjaram anos da vida de muitos homens.

A liderança feminista sabia que isto iria acontecer, tal como o sabiam o governo e a elite esquerdista. Estas três instituições [elite feminista, governo e elite esquerdista] sabiam que isto iria acontecer e esperavam que isto acontecesse. Quanto menos mulheres houver a gerar filhos, mais fácil é desestabilizar a sociedade, e quanto mais desgovernada a sociedade estiver, mais a população "pede" uma intervenção do governo para "repor a ordem" (ignorando o facto de muita dessa desordem ter sido causada pelo próprio governo a quem eles recorrem com pedidos de ajuda).

As únicas mulheres que aparentemente não estavam cientes de que 1) a fertilidade feminina é temporária e que 2) os homens preferem as mulheres mais jovens (isto é, mais próximas do auge da sua fertilidade), são as mesmas mulheres que andam pelas ruas a atacar o "machismo" e o "patriarcado", ao mesmo tempo que adiam a formação de família e a maternidade.

Ou seja, a feminista comum é sua própria inimiga.

O que dizer dum movimento social cujas militantes fazem campanha por medidas e comportamentos que fragilizam a sua própria estabilidade emocional, física e social, ao mesmo tempo que pavimentam o caminho para uma vida de solidão e arrependimento?

"Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão" (Salmo 127:3).

Fonte: Marxismo Cultural [nota do autor deste blog: não concordo e afirmo ser execrável qualquer pensamento de cunho socialista/comunista. A presente postagem fui publicada devido ao seu conteúdo, somente.]

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Eu Durmo com a Minha Melhor Amiga


O titulo pode parecer estranho, mas não deveria ser. Algures por onde moro, quando alguém casado, diz que tem uma amiga ou dormiu com a amiga, é sinal de traição. Amiga é aquela que não mora com ele, mas encontra-se com ele às escondidas, enquanto a esposa dedicada fica a cuidar da casa.

Infelizmente muitos estão olhando para sua esposa/o, como um adversário, um alvo a abater; não como um amigo/a.

Somos incentivados pelas Escrituras Sagradas, a Bíblia, a alegrar-nos e a deliciarmo-nos com o nosso cônjuge. E como isso poderia ser possível, sem uma base de amizade? Impossível, certamente! Muitos casamentos estão falhando exatamente nesta parte. Deverá haver antes de mais nada, uma sólida amizade antes de se chegar a contrair matrimônio. Não admira que depois, ao longo da relação, descubra-se tantas coisas que fazem esfriar a mesma.

Nenhum casamento está por natureza 100% garantido. No entanto, há passos que se nós dermos, se tivermos algum cuidado e paciência, poderemos evitar grandes transtornos e desgraças futuras.

Amizades são uma parte importante da nossa vida. Desde a criação do primeiro casal, Deus mostrou a necessidade do companheirismo na vida humana. Precisamos compartilhar a vida com outras pessoas. Deus criou-nos não para vivermos apenas para nós mesmos, mas também para vivermos para as outras pessoas. Na amizade podemos encontrar isso. Uma verdadeira amizade entre um casal é uma das coisas mais bonitas que existem. 

No entanto, não se esqueça do seguinte :

a) Amigos têm muita influência em nossas vidas

O ser humano é alguém que influencia e sofre influências. "O justo serve de guia para o seu companheiro, mas o caminho dos perversos os faz errar" (Pv 12:26). 

A escolha de uma amizade é um assunto de grande importância "Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau" (Pv 13:20). 

Nossas escolhas não envolvem apenas pessoas, mas decidem a nossa direção na vida e até mesmo, quem sabe, nossa eternidade. O difícil não é ter amigos, o difícil é ter um bom amigo que seja também nosso cônjuge.

b) Amigos dizem a verdade; não o que gostamos de ouvir

Alguns dos amigos mais perigosos são aqueles que sempre concordam connosco, apoiando-nos mesmo nas coisas erradas. Uma boa esposa, um bom esposo, porém, não fará isso. "Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato" (Ec 7:5).

O amigo verdadeiro nos corrige e a pessoa sábia procura ter uma amigo com coragem e convicção para a repreender quando for necessário. Isso deve ser primordial para um casamento duradouro. “O escarnecedor não ama àquele que o repreende, nem se chegará para os sábios [...] O coração sábio procura o conhecimento, mas a boca dos insensatos se apascenta de estultícia” (Pv 15:12,14). 

Ninguém gosta de ser corrigido (eu também não), mas todos nós precisamos de um amigo que nos ame tanto que é capaz de mostrar nossos erros: "Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos" (Pv 27:5-6).

Embora nosso amigo/cônjuge nos dirija palavras de elogio ele também não hesitará em indicar-nos uma séria falta. Um amigo diz-nos sempre a verdade, mesmo que haja uma falha dele para connosco. "Não mintais uns aos outros [...] revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente" (Cl 3.9, 12-13).

"Amigo mesmo é aquele que sabe o pior a teu respeito e assim mesmo continua a gostar de ti" (Ditado americano).

c) Os amigos são para todas as ocasiões 

Amigos verdadeiros não são interesseiros, mas ficam ao nosso lado nos bons e maus momentos da nossa vida. "Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão" (Pv 17:17). Um amigo está connosco nos momentos difíceis, mesmo que não diga nada. Um amigo sente as nossas dores e nossa aflição.

Quando estamos tristes precisamos de um amigo que olhe para nós e nos ajude a levantar a cabeça. "O olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos" (Pv 15:30).

Ao longo da vida descobrimos e aprendemos que os AMIGOS são bem poucos. Se queremos conhecer um amigo, temos que passar por problemas e dificuldades, pois é aí que fazemos o teste da verdadeira amizade. Em relação ao nosso cônjuge o mesmo acontece. Lembra-se do juramento: "Na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença?" Pois bem. Isso deveria ser verdade.

d) Uma verdadeira amizade tem benefícios mútuos

O motivo que une os verdadeiros e grandes amigos vai além de interesses pessoais. A amizade verdadeira traz benefícios mútuos: “Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo” (Pv 27:17).

Há pessoas que só olham os outros como amigos porque precisam de alguma coisa  destes. Alguns, às vezes, travam amizades ou tentam passar por amizade, induzidos por coisas tais como a riqueza, a fama ou maior influência.

Ensina a Bíblia: “A riqueza aumenta o número de amigos [...] O homem generoso possui muito lisonjeiros, todo mundo se torna amigo de quem dá” (Pv 19:4,6). O verdadeiro amigo não é assim; ele nos ama, nos aprecia, deseja estar connosco apesar daquilo que somos, temos e possamos dar-lhe ou não. Tudo o que um amigo deseja do outro é: Amor e atenção.

Já ouvi o testemunho da moça mais rica, que dizia que a maior dificuldade é saber se aqueles que sãos seus amigos, são amigos pela pessoa ou por aquilo que ela  possui. Logicamente que isso é muito triste. Chegam mesmo a desconfiar até das pessoas com quem casam.

Deve-se escolher um amigo pelo que ele é, não pelo que ele tem. A base para qualquer relação de amizade é o amor e não coisas ou bens materiais. "Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal"  (1Co 13:5).

Só tenho a agradecer a Deus pela grande amiga que Deus me deu: minha esposa.

- por Duarte Rego

terça-feira, 23 de julho de 2013

Uma Mulher na Presidência?


Estamos há pouco mais de um ano da próxima eleição presidencial. As mídias têm divulgado a "corrida presidencial" e na linha de frente encontram-se duas mulheres: Dilma Rousseff e Marina da Silva. Diante disso, nos perguntamos: é lícito à mulher exercer tal função? Ainda mais: biblicamente falando, a mulher pode exercer papeis de autoridade?

Pela graça do Senhor, como sempre ocorre, temos uma firme e objetiva resposta vinda da Escritura inspirada por Deus (2Tm 3.16-17).

É preciso, porém e antes de tudo, deixar algo grifado, a fim de que nenhum leitor distorça a visão bíblica: homem e mulher são igualmente amados e queridos por Deus. Em matéria de salvação e providência, ambos os sexos são agraciados pelo Senhor e não há qualquer preeminência ou vantagem. Homem e mulher foram criados por Deus (Gn 1.27) e ambos foram alvos da graça soberana do Eterno (clique aqui para ler um estudo mais aprofundado sobre isso).

Entretanto, embora homem e mulher sejam iguais perante Deus, possuem funções diferentes. Existem algumas razões para isso ser desta forma. Antes, porém, notemos o que nos diz a Escritura em Rm 1.20, "Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas". 

Notemos que a Bíblia nos diz que as coisas criadas revelam "tanto o seu eterno poder, como a sua divindade", de modo que ninguém na face da terra pode contender com o Senhor, alegando não o ter conhecido - "para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu" (Rm 1.20-21). Assim, se patenteia o fato de que devemos olhar, também, para as coisas naturais, a fim de obtermos instrução.

Analisemos os meios pelos quais percebemos as diferentes funções entre homem e mulher.

1. Por meio da ordem da criação de Deus

Muitos não creem ser suficiente (contrariando 2Tm 3.16-17) o fato da Escritura revelar motivos simples para haver uma diferença de funções. Por exemplo, na criação do mundo, lemos: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gn 1.26). Em 1Co 11 o Senhor ordena que as mulheres cubram suas cabeças durante o culto público (clique aqui para ler um estudo sobre isso) e a razão dada é "Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem" (1Co 11.8). Escrevendo a Timóteo, Paulo diz que não permite "que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio" (1Tm 2.12) e o motivo é "Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva" (1Tm 2.13).

Tais pontos nos ensinam que para Deus a sequência da criação foi importante. Houve um motivo supremo para que o homem fosse criado primeiro. Deus em Sua soberania e sabedoria, não escolheu arbitrariamente nos deixar Sua palavra com esta relação de primazia. Houve e há um motivo especialíssimo para que o homem tenha sido criado primeiro. Entretanto, tal motivo não é uma regalia do ser masculino, e sim um peso que ele deve carregar: "e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra" (Gn 1.26). O homem tem um dever ímpar de dominar, guardar, proteger, sustentar e zelar pela vida humana - um peso que à mulher não foi dado (a ela cabe o que veremos adiante).

2. Por meio do corpo humano

A Escritura nos diz: "Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a" (Gn 1.28). Homem e mulher deveriam (e ainda devem - leia o primeiro estudo no link) ter filhos, a fim de que a terra do Senhor fosse habitada. Não, nossa terra não tem pessoas demais, pois 7 bilhões de pessoas (número aproximado de habitantes humanos na terra) caberiam, folgadamente - com espaço de quase 2 metros entre elas -, no estado de Sergipe (clique aqui para verificar).

O fato é que precisamos ler a Escritura corretamente. Se Deus ordenou a multiplicação, logo, Ele concedeu os meios para que isso fosse feito (o que já é um tremendo argumento contra o homossexualismo). Homem e mulher foram dotados de meios naturais para que a reprodução acontecesse. Isso significa dizer que as atividades laborais de cada um dos sexos são distinta do outro - não inferior, apenas diferente.

Sem desejar soar pretensioso, mas fato ímpar é recordarmos de que homens não podem menstruar; não podem conceber crianças em seu ventre, pois não possuem o sistema apto para isso; não podem amamentar... Mulheres não suportam carregar o mesmo peso dos homens; não possuem a mesma estrutura óssea para tamanhos esforços...  

Isso tudo, então, possui um motivo bíblico e firmemente estabelecido pela vontade Deus e é com base nestes argumentos que a Bíblia nos estabelece os princípios para a vida em sociedade.

O que Deus requer do homem?

1. Amar a esposa e a ela se entregar - assim como Cristo o fez por Sua Igreja. "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" (Ef 5.25).

2. A santidade da esposa depende - também - das atitudes e ensino do marido. "Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra" (Ef 5.26).

3. Deve cuidar de sua esposa assim como cuida de si mesmo. "Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo" (Ef 5.28).

4. Não busca mais seus próprios interesses, pois vive para sua esposa. "Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja" (Ef 5.29).

5. Não deve se afastar de sua esposa, exceto por necessidade. "Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos" (Ef 5.30).

O que Deus requer da mulher?

1. Sua conduta é sempre amorosa para com seu marido. "Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis. O coração do seu marido está nela confiado; assim ele não necessitará de despojo. Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida" (Pv 31.10-12).

2. É uma mulher dedicada à sua casa e aos afazeres nele envolvidos. "Busca lã e linho, e trabalha de boa vontade com suas mãos. Como o navio mercante, ela traz de longe o seu pão. Levanta-se, mesmo à noite, para dar de comer aos da casa, e distribuir a tarefa das servas. Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com o fruto de suas mãos. Cinge os seus lombos de força, e fortalece os seus braços. Vê que é boa a sua mercadoria; e a sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as suas mãos ao fuso, e suas mãos pegam na roca. Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado. Não teme a neve na sua casa, porque toda a sua família está vestida de escarlata. Faz para si cobertas de tapeçaria; seu vestido é de seda e de púrpura" (Pv 31.13-22).

3. Por suas atitudes o seu marido é tido em boa reputação. "Seu marido é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra. Faz panos de linho fino e vende-os, e entrega cintos aos mercadores. A força e a honra são seu vestido, e se alegrará com o dia futuro. Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua" (Pv 31.23-26).

4. Não é preguiçosa. "Está atenta ao andamento da casa, e não come o pão da preguiça. Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva" (Pv 31:27-28).

5. Seu agir testifica sua beleza. "Muitas filhas têm procedido virtuosamente, mas tu és, de todas, a mais excelente! Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada. Dai-lhe do fruto das suas mãos, e deixe o seu próprio trabalho louvá-la nas portas" (Pv 31.29-31).

6. Deve ser boa dona de casa e cuidar dos filhos, em vez de se lançar em carreiras de autoridade: "Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não dêem ocasião ao adversário de maldizer" (1 Tm 5.14). "As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem; Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada" (Tt 2.3-5).

O que aprendemos diante destes versículos? Que o homem deve ser o governante de sua casa (em amor, sempre) e a mulher tem funções domésticas (de extrema importância! ou você consegue imaginar um lar sadio sem uma mãe e esposa cuidando e ajeitando todas as coisas?), não devendo exercer qualquer autoridade, pois foi criada para ser boa dona de casa, mãe de filhos e submissa ao marido (por favor, leia o primeiro estudo postado, para que possa compreender corretamente esta doutrina).

De onde mais aprendemos que a mulher deve ser submissa e mãe de filhos? Novamente, da criação de Deus, pois se anteriormente à queda a submissão era graciosa e sem qualquer peso, assim como o nascimento seria algo belo e possivelmente sem dores, devido ao pecado tornou-se uma obrigação e ao parto foi imputado o sofrimento (assim como ao homem foi imposto sustentar sua casa com o suor do seu rosto - Gn 3.19): "Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" (Gn 3.16).

O que tudo isso significa?

Alguma leitora pode estar se perguntando, então: "Quer dizer que a mulher deve ficar em casa, cuidando dos filhos e não deve ter uma carreira promissora em grandes empresas?" É exatamente isso. O motivo? Vimos anteriormente: "a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada" (Tt 2.5). Se você tem tido dificuldades com essa doutrina, ore ao Senhor por mais sabedoria (Tg 1.5).

O homem, igualmente, pode estar se questionando: "Isso significa que cabe a mim o sustentar a casa, filhos, prover segurança e pagar as contas?" É exatamente isso. O motivo? Vemos claramente, quando o Senhor diz que o homem deve ser o sustentador de sua casa: "Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2.24).

O que dizer sobre a juíza Débora?

Creio que o comentário piedoso de João Calvino (1509-1564) clareie a questão. Comentando sobre 1Tm 2.12, escreveu o reformador:

"12. Não permito, porém, que a mulher ensine. Paulo não está tirando das mulheres os seus deveres de instruírem suas famílias, mas sim as retirando do ofício do ensino que Deus deu exclusivamente aos homens... Se alguém apresenta, por meio de objeção, Débora (Juízes 4.4) e outras do mesmo tipo, de quem se lê que por um tempo foram destinadas ao comando do povo de Deus, a resposta é fácil. Atos extraordinários de Deus não anulam as regras ordinárias do governo, pelas quais ele intenta que sejamos obrigados. Portanto, se as mulheres uma vez realizaram o ofício de profetas e mestres e a isto foram levadas sobrenaturalmente pelo Espírito de Deus, Ele é acima de toda a lei [para fazer isto]. Assim, sendo um caso peculiar, isto não se opõe ao constante e ordinário sistema de governo." [1]

O resumo, portanto, da resposta concernente a nossa pergunta - Uma Mulher na Presidência? -, é bastante simples e objetivo: mulheres ocupam-se no lar, engrandecendo o matrimônio, adornando suas casas com belas obras e construindo moradas abençoadas e onde impera a graça, bondade, harmonia e júbilo constante. Deus não criou a mulher para suportar este peso de autoridade sobre qualquer homem e é, portanto, grave pecado intentar subverter a ordem bíblica (como, por exemplo, se o homem quisesse ficar em casa e ordenasse que sua mulher saísse para trabalhar - tal coisa seria horrenda aos olhos do Senhor).

Por que temos, hoje, uma mulher na presidência? Para juízo, castigo e punição de nossa nação! A base para isso? Muito é o alerta e lamento de Isaías: "Os opressores do meu povo são crianças, e mulheres dominam sobre ele; ah, povo meu! Os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas" (Is 3.12). Por que o Senhor assim faz? "Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça" (Rm 1.18).

Roguemos ao Senhor para que Ele leve esta nação ao arrependimento. Que nas próximas eleições, nenhuma mulher suba ao poder (assim como em todos os outros postos de autoridade nas demais funções sociais). Que um homem se levante e assuma o firme ideal bíblico de ser um "instrumento servidor" da Lei de Deus na terra, conforme lemos cristalinamente no Salmo 2.

Que Deus nos abençoe.

Nota:
[1] CALVIN, JOHN. Commentaries on the epistles to Timothy, Titus and Philemon, Baker Book House, pág. 67 - tradução livre.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Meu Credo Como uma Mulher Cristã - Rebecca Jones


Creio que Deus me criou, uma mulher, à Sua imagem.

Creio que Deus tem autoridade, como meu Criador, para definir toda minha pessoa: corpo, alma, mente e emoções.

Creio que Deus escolheu se revelar pela criação do mundo onde habito, e na encarnação de Seu Filho, Jesus Cristo. Aprendo estas revelações em Sua Palavra, a Bíblia, a qual é esclarecida pelo poder de Jesus Cristo, cujo Espírito trabalha em meu coração e em meu entendimento.

Creio que Deus existe como um, em três pessoas iguais, e que estas pessoas têm entre si relações e funções que são reveladas nas Escrituras.

Creio que todo companheirismo humano é uma reflexo daquele companheirismo perfeito, definido e experimentado desde toda eternidade por Deus em suas relações trinitárias.

Creio que Deus fez a Sua imagem tanto ao homem quanto à mulher.

Creio que Deus deu ao homem um papel federal (representativo) na humanidade em geral (visto tanto em Adão como em Cristo) e que Ele também deu a todo homem o papel representativo e autoritário como cabeça tanto de sua esposa como de sua família.

Creio que Deus criou o matrimônio e a família como a entidade fundamental da sociedade.

Creio que Deus criou o matrimônio (como criou todas as instituições humanas) para revelar Seu caráter de Suas relações com os homens.

Creio que Deus me criou para ser uma ajudante a meu marido e que ao servi-lo e obedecê-lo, também sirvo e obedeço a Deus.

Creio que meu marido foi criado, sobretudo, para amar a Deus, mas que em suas relações humanas, ele deve refletir a natureza de Deus ao cumprir seu papel de protetor, defensor, guia, líder, professor, provedor e pai.

Creio que fui criada, sobretudo, para amar a Deus,e, visto que Deus não me escolheu para uma vida de solteira, também fui criada para criar meus filhos, apoiar meu marido, e ser a Deus e a Sua igreja, principalmente, ainda que não exclusivamente, no exercício destas funções.

Creio que devo considerar meu lar como a prioridade principal de meu ministério a Deus e que ao fazer isto, não irei trazer nenhuma vergonha para o evangelho.

Creio que devo desenvolver uma atração sexual, uma honestidade intelectual, e um fervor espiritual em meu papel como esposa.

Creio que meu marido dará contas a Deus por sua parte em meu desenvolvimento espiritual, mas quando estiver diante do trono do juízo de Deus, serei justificada, não pela justiça de meu marido, mas pela justiça de Cristo.

Creio que a Bíblia me ensina, como uma mulher, a sustentar a autoridade de meu marido em meu matrimônio e em minha casa; respeitá-la, incentivá-la, deseja-la, apreciá-la, trabalhar para seu aumento e incentivar a meus filhos a fazerem o mesmo.

Creio que as Escrituras impedem-me de exercer uma autoridade espiritual final na igreja. Devo evitar a usurpação dos papeis de autoridade exercitados pelos homens no ensino e na disciplina eclesiástica. Especificamente, tenho que evitar o ensino aos homens ou o juízo contra a liderança masculina.

Creio que sou livre para expressar-me verbalmente dentro da igreja para incentivar, louvar, testificar, aconselhar, orar, cantar hinos e canções [nota do autor deste blog: clique aqui para ler um bom estudo sobre este tema] , e instruir sem violar as estruturas de autoridade já mencionadas. Sou especialmente responsável pelo treinamento e ensino das mulheres mais jovens, com a meta de incentivá-las para amar seus maridos e filhos, para se ocuparem em casa, e para não trazer nenhuma vergonha ao evangelho.

Creio que também devo exercer meus dons particulares e pessoais na igreja sem ignorar a hospitalidade, o serviço humilde, a disponibilidade nas emergências, e toda boa obra.

Creio que o pecado afeta todos os aspectos da minha vida. Então, não estou surpreendida que minha natureza pecaminosa rebele-se contra algumas das verdades que confesso. Que Deus, em Sua misericórdia, amoleça meu coração para se conformar a Sua vontade perfeita!

Visto que creio e tento colocar em prática tais crenças, não tenho muita voz pública. Alguém perguntou-me, uma vez, “onde estão as mulheres cristãs que estão dispostas a reproduzir e defender estes assuntos? Se os homens falam disto, não haverá ninguém que os escutará”. A resposta, claro, é que as mulheres cristãs estão obedecendo o mandamento bíblico de “se ocupar em casa”, e por esta razão não têm a oportunidade de expressar sua voz. Agrada-me o privilégio de compartilhar este credo com qualquer pessoa que achar benéfico. Se quiser dialogar comigo sobre seu conteúdo, você pode escrever-me por meio de nosso site: http:www.spirit-wars.com

Humildemente, Rebeca Jones

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