"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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sexta-feira, 28 de junho de 2013

10 Maneiras de se Tomar um Banho para a Glória de Deus


A Bíblia, em resumo, nos fala de três coisas: quem é Deus, quem é o homem e como eles se relacionam. 

Sobre como eles se relacionam, o apóstolo Paulo já escreveu sobre o dever de fazermos todas as coisas, literalmente, para a glória de Deus.

Por vezes, neste blog, costumo escrever sobre "10 Maneiras" de se fazer alguma coisa para a glória de Deus (10 Maneiras de se Cortar a Grama para a Glória de Deus10 Maneiras de usar uma Arma para a Glória de Deus10 Maneiras de se Colher Acerola Para a Glória de Deus10 Maneiras de se fazer Sexo para a Glória de Deus!). São reflexões baseadas em situações reais e que buscam ajudar os demais cristãos a entenderem que devemos e é realmente possível buscar glorificar a Deus em todas as coisas.

Hoje, compartilho brevemente de algo que aconteceu no dia ontem.

Como de costume, me preparava para o tradicional banho após um dia de trabalho. Eis que, como não é incomum, minha esposa já havia colocado duas toalhas no "box" do banheiro, prontas para serem usadas. Acontece, todavia, que as toalhas estavam colocadas de modo "perigoso", pois estavam dobradas em cima do "box". Ou seja, não era necessário refletir muito sobre o perigo iminente das duas toalhas caírem no chão. Certamente minha esposa não as colocou daquela maneira pensando que fossem cair - intentava ela que eu as desdobrasse e pendurasse corretamente, quando da hora do banho.

Pois bem, o que aconteceu foi que, contrariamente ao que deveria ter feito, deixei as toalhas penduradas (leia-se, brincando com o perigo de caírem) e como era fato anunciado, durante o banho as duas vieram abaixo, molhando consideravelmente uma delas. Pensei, então, o porquê de eu não as ter pendurado da forma tradicional (correta?), a fim de evitar este deslize. Refleti, também, sobre a estupidez de crer que elas não cairiam, sendo que tudo cooperava para a queda. Ademais, me pus a pensar que brinquei e fiz um jogo de "vamos ver se vão cair" - e caíram. Resultado: de duas toalhas, antes limpas e secas, agora tinha uma molhada e suja.

É isso o que o pecado faz conosco, nos iludindo que é possível, nos dizeres das mães, "brincar sem se molhar". Percebi, portanto, outra vez, que é impossível "brincar e não se molhar".

Compartilho, então, 10 maneiras pelas quais podemos tomar um banho para a glória de Deus.

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).

1. Relembre de onde vem a água que está em seu chuveiro, o levando a meditar na grandiosa e perfeita criação de Deus (Gn 1.10);

2. Relembre que Deus deu capacidades para homens inventarem um chuveiro, um sistema de encanamento e aquecimento, e louve-O por isso (1Cr 22.15);

3. Relembre o fato de que se você pode tomar banho, isso demonstra a paciência em Deus o suportar em Sua presença, apesar de seus pecados (Rm 2.4);

4. Relembre que assim como você se limpa da sujeira corporal com a água, Cristo limpa os Seus de maneira abundante e perfeita, mediante Seu sangue (1Pe 1.18-19);

5. Relembre que os produtos utilizados na higiene pessoal, podem ser comparados aos meios de graça que Deus instituiu, a fim constantemente nos aperfeiçoar (Mt 28.20);

6. Relembre que sua toalha é fruto da benfeitoria de alguma empresa, o levando a entender que Deus usa muitos ímpios para o bem de Seu povo (Êx 12.35-36);

7. Relembre e medite sobre a necessidade de ser um bom mordomo do que Deus lhe deu, não sendo correto, portanto, um banho muito demorado (Lc 16.1-12);

8. Relembre da imperiosa necessidade de não reclamar se porventura não puder se banhar do jeito ou no tempo em que deseja; aprenda a viver contente com o que Deus lhe deu (Fp 4.12);

9. Relembre que, embora a água escoe pelo ralo e vá até os oceanos todas as vezes em que se toma banho, o sacrifício e regeneração cristã acontecem em um único ato, já predestinado antes da fundação do mundo (Ef 1.4);

10. Relembre que assim como um banho traz nova disposição, Cristo diariamente nos dá Sua Palavra, a Bíblia, para nosso fortalecimento (Is 40.29).

quinta-feira, 27 de junho de 2013

É Sempre Errado Mentir?


Será que é possível mentir não ser um pecado? Botando de uma forma mais direta, será que Deus pode te colocar em uma posição em que pecar é a coisa certa a se fazer?

Essa questão é tão complicada quanto constante. E quase sempre vem junto de uma situação hipotética: digamos que você vive na Alemanha Nazista, há alguns judeus escondidos no sótão da sua casa, e os guardas da Gestapo batem na porta e perguntam se você está escondendo judeus. O que você faz? Você mente?

Deixe-me te dar minha conclusão, e então tentamos caminhar até lá juntos. Em primeiro lugar: DEUS ODEIA MENTIRA. Então, sim, é sempre um pecado mentir e, não, nunca é possível mentir sem pecar. Provérbios 12.21-22 nos explica o porquê:

Nenhum agravo sobrevirá ao justo, mas os perversos, o mal os apanhará em cheio. Os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR, mas os que agem fielmente são o seu prazer.

Língua mentirosa está entre uma das sete coisas que Deus abomina (Provérbios 6.16-17). Cristãos são chamados a que seu sim seja sim, e mentir viola esse princípio básico (Tiago 5.12). E, enquanto Deus é um Deus de verdade (João 14.6-7), o diabo é o pai da mentira (João 8.44). Mentiras são afrontas à providência, pois implicam que o mundo seria melhor se Deus simplesmente agisse mais de acordo com nossas vontades. Assim, cada mentira é um ataque à soberania de Deus e essencialmente te coloca em oposição ao que é verdade. Ao invés de mentir, diga a verdade (Colossenses 3.9; Efésios 4.22-24).

É simples assim.

O problema filosófico

A questão de se é possível mentir surge de uma construção ética falha. Na ética cristã há basicamente duas correntes: a ética gradativa e a ética absoluta. A ética gradativa diz que há uma triagem nos mandamentos de Deus, e alguns são mais importantes que outros. Quando há uma contradição, sempre se atenha ao mais sério. Por exemplo, eles diriam que o seu dever para com os judeus escondidos no sótão é maior que os mandamentos contra mentir. Então é melhor mentir do que trair os refugiados.

Por outro lado, aqueles que afirmam a ética absoluta (como eu, Moisés e Jesus) dizem que todos os mandamentos de Deus são obrigatórios, e nunca é aceitável deixar qualquer um deles de lado. Deus não faz uma curva de gradação com seus mandamentos, então não deveríamos enxergá-los como tendo alguma ordem de importância.

Aqueles que afirmam a ética gradativa usam versículos como Marcos 12.30-31 (quando Jesus diz que amar ao Senhor teu Deus e amar seu próximo como a si mesmo são os dois maiores mandamentos) como evidência de que Deus eleva alguns de seus mandamentos acima de outros. Aqui, alguém que segue uma ética absoluta olha para Marcos 12 e diz que esses mandamentos são maiores porque todos os outros fluem deles – o que quer dizer que violar qualquer mandamento, de alguma forma, é uma ofensa a seu próximo ou a Deus, ou, mais provável, a ambos.

O simples problema da abordagem ética gradual é que isso não é ensinado na Bíblia – mesmo em passagens como a de Marcos 12. A primeira pessoa apedrejada até a morte no Antigo Testamento foi executada por carregar estacas no Sábado, o que, no mínimo, levanta algumas questões acerca do conceito de moralidade gradativa. Independente do debate entre ética absoluta vs gradual, as primeiras pessoas que Deus executa sumariamente no Novo Testamento são Ananias e Safira, por terem mentido ao Espírito Santo. A moral disso só pode ser: se você vai listar pecados segundo alguma ordem de seriedade, mentir deve estar bem perto do topo.

O problema hipotético

Mas isso nos leva de volta aos judeus escondidos no sótão. E aí? Bem, quando elaboramos dilemas éticos hipotéticos, devemos lembrar que hipóteses são literalmente problemáticas. Elas são complicadas precisamente porque expõe uma suposta fraqueza no argumento de alguém.

Se você vai jogar o jogo hipotético, lembre-se que Deus é soberano e, com isso, vem a promessa divina de que, para cada tentação, ele sempre provê um livramento (1 Coríntios 10.13), e essa saída NUNCA vai envolver pecar. Deus não abre uma porta de saída através de pecados. Na verdade, no contexto de 1 Coríntios 10, é exatamente do pecado que Deus quer te livrar.

Assim, em qualquer dilema moral hipotético, você precisa se lembrar que sempre há um contingente implícito – isso é, Deus sempre te dará um livramento que não envolve você pecar.

De volta aos guardas à porta

Voltando aos policiais batendo na porta e os judeus escondidos no sótão. As regras dizem que você não pode pecar, que mentir é pecado e que entregar pessoas à morte é falta de amor, o que quer dizer que também é pecado. O que resta fazer?

Bom, essa decisão, na verdade, foi tomada antes de esconder os judeus. Quando você deu abrigo a eles em sua casa, você o fez se tornando responsável pela segurança deles. Se você é valente o suficiente para escondê-los, então é melhor que seja valente o suficiente para protegê-los. Como você pode escondê-los mas não estar disposto a defendê-los fisicamente? Se os guardas batem na sua porta, responda dizendo que eles não tem o direito de entrar na sua casa, e o que eles estão fazendo é moralmente repreensível – mas que Jesus oferece perdão para os pecados deles, e que eles precisam se arrepender. Eles derrubam a porta, e aí a hipótese segue. A pessoa que é valente o suficiente para mentir mas não o suficiente para ser um mártir não é nem um pouco valente.

E sobre ética em tempos de guerra?

Por mais absolutista que isso soe, a Bíblia dá lugar em suas construções morais para ética de guerra. Deus usa países para levantar a espada e punir malfeitores. É esperado que guerras incluam dissimulações e violência. Um exército pode fingir ir para a esquerda e ir para a direita, porque estão levantando a espada para suprimir o mal. Mas isso é fundamentalmente diferente de uma pessoa – um civil, como queira – que mente porque tem uma agenda moral secreta. Mesmo que sua moralidade seja correta, ela é minada pela mentira porque (lembre-se) Deus nunca te põe em uma posição onde mentir é a coisa certa a se fazer.

E Raabe?

Nenhuma conversa sobre mentir estaria completa sem Raabe aparecer. “E Raabe?”, você pergunta. “Ela não mentiu? E aí?”. Bem, sim… mas isso está longe de ser o ponto da narrativa. Raabe tomou partido de Javé contra sua própria nação. Ela ouviu sobre as obras de Deus no deserto e, quando encontrou com os espias, foi claramente convertida pela fé, somente. Essa fé se manifestou imediatamente em sua devoção a Deus e ao povo (Tiago 2.25).

O ponto da narrativa de Raabe em Josué 2 é que uma prostituta idólatra foi radicalmente salva, e que Deus então usou-a para ajudar Israel a entrar na terra prometida. Ela mentiu? Sim. Ela era crente por não mais que dez minutos (...) Ela está na galeria da fé de Hebreus 11? Sim. Por mais chocante que seja, há alguns crentes que foram tanto mentirosos quanto prostitutas (e há Sansão, que foi um mentiroso enquanto estava com uma prostituta). Ainda assim, o evangelho é maior que o pecado, e a salvação vem pela fé, somente. Raabe sempre é tida como um exemplo de fé por ter se aliado ao povo de Deus, e nunca um exemplo por ter mentido para a glória de Deus.

- por Jesse Johnson
Fonte: iPródigo

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O Dever e os Benefícios de Perseverar em Oração


"...(1) Perseverança na oração é recomendada em todos os lugares e ordenada como sendo o nosso dever particular: “sede... na oração, perseverantes” (Rm 12.12); “com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança” (Ef 6.18); “Perseverai na oração” (Cl 4.2); “Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer” (Lc 18.1).

(2) Perseverança traz a alma a uma boa disposição. Primeiro, ela nos ensina a reconhecer melhor Deus como o livre Doador, que não tem nenhuma obrigação para conosco; que pode dar ou não; e se Ele dá, é somente devido à Sua bondade. Em segundo lugar, ela fará com que o suplicante seja mais humilde, visto que ele percebe que é indigno de todas as graças e bênçãos: “O pobre fala com súplicas” (Pv 18.23). Estimaremos uma bênção muito mais se a tivermos recebido sob muitas orações, e teremos mais alegria se percebermos em tudo isso que, Deus respondeu às nossas orações.

(3) A perseverança nos levará a receber. Sob longa luta, Jacó foi abençoado (Gn 32). Depois de uma longa busca, a mulher cananeia recebeu aquilo que desejava (Mt 15). Após a frequente repetição de sua oração, Elias recebeu chuva (1 Rs 18). Após a contínua oração da congregação, Pedro, de maneira maravilhosa, foi libertado da prisão (At 12). Mediante perseverança unânime em oração e súplica, o Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes (At 1 e 2). Visto que muitos oram, mas apenas uma vez por um assunto, e não perseveram, eles também não o recebem. Portanto, se abstenha de tudo aquilo que dificulte você de perseverar, como por exemplo: letargia, preguiça, descrença de que o assunto não será concedido, divergência entre os nossos desejos (estando parcialmente focado nas coisas espirituais e parcialmente nas terrenas), a instabilidade dos nossos desejos. Tais questões, e outras semelhantes, fazem com que o suplicante facilmente desista de orar e o impedem de orar com frequência. Desse modo, ele seguirá sem receber o cumprimento dos seus desejos. Portanto, restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos."...

- por Wilhelmus à Brakel (1635-1711)
Retirado no livro: The Christian's Reasonable Service. Vol. 3, Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 461-462

terça-feira, 25 de junho de 2013

Os Benefícios de Não Ignorar a Eleição em sua Bíblia


Muitas pessoas acham que a doutrina da eleição é inútil e talvez até mesmo perniciosa. Não é nada disso. Faz parte do ensino inspirado da Bíblia e é, portanto, "útil," como Paulo insistiu que toda a Bíblia é (2 Tm 3:16-17). Eis aqui uma rápida visão sobre como a eleição impacta coisas como o evangelismo e a adoração:

1. A Eleição nos torna humildes. Aqueles que não entendem a eleição freqüentemente supõem o oposto, e é verdade que aqueles que acreditam na eleição às vezes parecem ser orgulhosos ou presunçosos. Mas isso é uma aberração. Deus nos diz que ele escolheu alguns completamente pela graça e completamente à parte do mérito ou até mesmo de alguma habilidade de receber a graça. Ele fez assim precisamente para que orgulho fosse eliminado: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." (Ef 2:8-9).

"Quem pode admirar um Deus que é frustrado pela vontade rebelde dos seres humanos?"

2. A Eleição encoraja nosso amor a Deus. Se nós temos uma parte em nossa salvação, mesmo que pequena, então nosso amor a Deus é diminuído exatamente daquela quantia. Se, por outro lado, tudo vem de Deus, então nosso amor a Ele deve ser ilimitado. Tristemente, a igreja de hoje freqüentemente considera o amor de Deus como algo garantido. "É claro que Deus me ama”, nós dizemos. "Eu me amo; por que Deus também não me amaria?". É como a pequena menina que adorava o tema do dinossauro Barney na televisão ("eu te amo, você me ama; nós somos uma família feliz"). Mas ela acabou cantando assim: "Eu me amo, você me ama; nós somos uma família feliz." É assim que nós tendemos a pensar a respeito do amor de Deus. Nós achamos que merecemos o Seu amor. Entender que somos eleitos só pela graça arruína o nosso modo egocêntrico e presunçoso de pensar.

3. A Eleição enriquecerá nossa adoração. Quem pode admirar um Deus que é frustrado pela vontade rebelde dos seres humanos? Martinho Lutero escreveu, "não é irreligioso, ocioso, ou supérfluo, e sim saudável e necessário no mais alto grau para um Cristão saber se a sua vontade tem ou não qualquer coisa a ver com assuntos que pertencem à salvação... Porque se eu for ignorante quanto à natureza, extensão e limites do que eu posso e tenho que fazer com relação a Deus, eu também serei igualmente ignorante e inseguro quanto à natureza, extensão e limites do que Deus pode e deseja fazer em mim – ainda que Deus, na realidade, faça tudo em todos. Agora, se eu sou ignorante quanto às obras e o poder de Deus, eu sou ignorante do próprio Deus; e se eu não conheço a Deus, eu não posso adorá-lO, louvá-lO, dar-Lhe graças, ou servi-lO, porque eu não sei o quanto eu deveria atribuir a mim e o quanto a Ele. Portanto, nós precisamos ter em mente uma distinção clara entre o poder de Deus e o nosso, entre a obra de Deus e a nossa, se quisermos viver uma vida santa."

"Se Deus não chama eficazmente pecadores a Cristo, é certo que nós também não temos condições de fazê-lo."

4. A Eleição nos encoraja em nosso evangelismo. As pessoas costumam supor que se Deus vai salvar certos indivíduos, então Ele os salvará, e não há nenhum sentido em nós termos qualquer coisa a ver com isso. Mas não é assim que funciona. A Eleição não exclui o uso dos meios pelos quais Deus trabalha, e a proclamação do Evangelho é um desses meios (1 Co 1:21).

Além disso, é só a verdade da eleição que nos dá alguma esperança de sucesso quando proclamamos o Evangelho a homens e mulheres não-salvos. Se o coração de um pecador é tão oposto a Deus quanto a Bíblia declara ser, e se Deus não elege as pessoas para a salvação, então que esperança de sucesso poderíamos ter com o nosso testemunho? Se Deus não chama eficazmente pecadores a Cristo, é certo que nós também não temos condições de fazê-lo. Ainda mais, se o agente efetivo da salvação não é a escolha e o chamado de Deus - se a escolha depende do indivíduo ou de nós, por causa de nossa capacidade de persuadir outros para aceitar a Cristo - como nós poderíamos sequer ousar testemunhar? E se nós cometermos um erro? E se dermos uma resposta errada? E se nós formos insensíveis às reais perguntas da pessoa? Se isso acontecer, as pessoas não crerão. Elas podem no fim ir para o inferno, e o destino eterno delas será em parte culpa nossa, e como poderá qualquer cristão que pensa e sente, viver com algo assim?

Mas por outro lado, se Deus elegeu alguns para a salvação e se ele está chamando esses indivíduos eleitos a Cristo, então nós podemos ir em frente corajosamente, sabendo que o nosso testemunho não precisa ser perfeito, que Deus usa até mesmo testemunhos fracos e gaguejantes para derramar a sua graça e, melhor de tudo, que todos aqueles que Deus escolheu para a salvação serão salvos. Nós podemos ser destemidos, sabendo que todos os que são chamados por Deus certamente virão a Ele.

- por James Montgomery Boice
Fonte: Bereianos

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Pecados de Omissão, Comissão e Ignorância


Naturalmente, não preciso dizer, a qualquer um que lê a sua Bíblia com atenção, que um homem pode quebrar a lei de Deus em seu coração e em seus pensamentos, mesmo quando não há qualquer ato externo e visível de iniquidade  Nosso Senhor resolveu a questão sem deixar dúvidas, ao proferir o Sermão do Monte (Mt 5:21-28). Até mesmo um de nossos poetas disse, com toda a verdade: “Um homem pode sorrir, sorrir e ainda ser um vilão”.

Novamente, não preciso dizer a um estudante cuidadoso da Bíblia que há pecados de omissão tanto quanto de comissão, e que pecamos, tal como diz o nosso livro de oração, ao “deixarmos de fazer as coisas que deveríamos fazer” tanto quanto ao “fazermos aquilo que não deveríamos”. As solenes palavras do Mestre, no evangelho de Mateus, também deixam a questão sem sombras de dúvidas. Ali se acha escrito: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber” (Mt 25:41-42). Foi uma declaração profunda e bem pensada do santo arcebispo Usher, pouco antes de sua morte: “Senhor, perdoa-me de todos os meus pecados, sobretudo dos meus pecados de omissão”.

Porém, penso que é necessário relembrar aos leitores que um homem pode cometer um pecado e, no entanto, fazê-lo por ignorância, julgando-se inocente, quando na realidade é culpado. Não consigo perceber qualquer garantia bíblica para a moderna afirmativa de que “o pecado não é pecado, enquanto não o percebermos e tomarmos consciência dele”. Pelo contrário, nos capítulos quarto e quinto daquele livro muito negligenciado, Levítico, bem como em Números 15, vejo Israel sendo distintamente instruído de que havia pecados de ignorância que tornavam as pessoas imundas e que precisavam ser expiados (Lv 4:1-35Lv 5:14-19Nm 15:25-29). E também encontro o Senhor ensinando expressamente que o servo que não soube da vontade do seu senhor, e não agiu conforme essa vontade, não será desculpado pela sua ignorância, mas castigado (Lc 12:48). Faríamos bem em relembrar que, ao fazer de nosso conhecimento e de nossa consciência miseravelmente imperfeitos a medida de nossa pecaminosidade, estamos pisando em terreno perigoso. Um estudo mais profundo do livro de Levítico nos faria muito bem."...

- por J. C. Ryle (1816 - 1900) 
Extraído livro: Santidade – Sem a Qual Ninguém Verá o Senhor, Editora Fiel - p.28-29

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Protestos - Uma Visão Bíblica

*foto de minha cidade, no dia de ontem

Temos visto muitas opiniões sobre os protestos. Tanto cristãos como não cristãos têm esboçado críticas, sugestões, destilado teorias econômicas e os mais diversos motivos para se ser a favor ou contra os protestos.

Todavia, longe da Bíblia Sagrada nos deixar sem resposta, ela nos orienta de maneira clara, firme e objetiva.

Para iniciar, é preciso lembrar que não se deve ir a protestos que anseiam fatos contrários à Escritura, como por exemplo, a liberação do aborto ou a promoção do homossexualismo. Outros casos, porém, seria necessário verificar sob o prisma econômico, como é a reivindicação por "passe livre", o que muitos apoiam e outros tantos discordam.

Falando em "passe livre", afirmo que sou contra tal pedido no atual conjuntura de nosso país, pois em primeiro lugar, é impossível alguma coisa ser realmente gratuita - se é de graça para alguém, outrem está pagando. Em segundo lugar, poderíamos até conjecturar a possibilidade de algum governante instituir a tarifa zero sobre o transporte público, mas isso inviabilizaria outras obras (clique aqui). Em terceiro lugar, seria possível um transporte gratuito, mas não em nosso atual sistema político e tributário, pois em nosso país existem impostos municipais, estaduais e federais, ou seja, boa parte do que os municípios arrecadam vai para o estado e uma quantia significava do que o estado obtém vai para a União.

Por isso, se os protestos fossem somente por "passe livre", eu não iria e os motivos acima seriam minhas considerações. Entretanto, como grandemente noticiado, os protestos não se limitaram somente a isso, e sim foram ampliados, ganhando várias frentes. A dúvida, portanto, de muitos crentes sinceros, é se protestar junto com os ímpios é algo biblicamente correto.

Vejamos o que a Bíblia nos diz: 

1. Lutar por direitos não é pecado

Tenho sido interpelado por alguns cristãos genuínos sobre o fato de se lutar por direitos ao lado de pessoas não cristãs, configura ou não união com o descrente.

Essa pergunta se resolve com grande cristalinidade, bastando lembrar que o apóstolo Paulo, ao se ver na iminência de ser preso, se valeu de seu direito como cidadão romano e apelou para César, vez que estava sendo julgado contrariamente ao seu direito (At 25.11). A Bíblia nos diz que os governantes são instituídos por Deus (Rm 13.1 - não creia que é o voto quem faz isso; Deus é soberano e não a nação), mas isso não exclui o direito de reivindicação de direitos não cumpridos.

O que o apóstolo realizou é o mesmo que os protestos desejam (nas coisas legítimas, evidente). Nota-se que de modo algum é pecado exigir aquilo que o governo prometeu. Se protestar por direitos corretos fosse um pecado, então o cristão jamais deveria ir reclamar junto ao PROCON e nunca deveria procurar um advogado para ter seus direitos estabelecidos. 

Portanto, assim como nenhum cristão cogita ser pecaminoso ingressar com uma ação trabalhista, cível ou penal, quando tolhido de seus direitos (desde que, novamente, amparado pela Escritura e jamais mentindo), não há que se falar em proibição de protestar.

2. Protestar não inclui união com os ímpios

Outra pergunta se ergue no horizonte e esta diz respeito sobre ser ou não adequado se juntar em protestos com não cristãos.

É preciso notar que o fato de se estar no mesmo local e na mesma hora com um descrente, não significa que apoiamos todas as coisas que lá estão sendo feitos. Volto a falar do exemplo do PROCON e do JUDICIÁRIO.

Quem já foi ao PROCON sabe que muitas pessoas vão reclamar sobre os mais variados assuntos e isso inclui dizer que, por causa do pecado, muitas mentem para conseguir algum dinheiro (acredite, é verdade). Nos diversos FÓRUNS de nosso país, lamentavelmente, impera muita mentira, ardil e modos flagrantes de se deturpar e extorquir o próximo. Não é incomum se ler processos claramente forjados, petições solicitando coisas absurdas e advogados contribuindo para o mal estar da sociedade, bem com promovendo o pecado e devassidão. 

Bem, se ir às ruas protestar fosse errado porque ali existem ímpios solicitando coisas semelhantes, então seria igualmente pecaminoso estar em uma sala de audiência junto com outras pessoas que também foram verdadeiramente enganadas. 

Se podemos ir ao PROCON e FÓRUM, podemos ir às ruas.

3. É possível protestar biblicamente

A Bíblia nos diz que devemos fazer todas as coisas para a glória de Deus; sim, literalmente todas as coisas para Sua glória (1Co 10.31). 

Escrevendo ao amado Timóteo, Paulo diz: "Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (2Tm 4.2). Que ligação tem isto com os protestos? Simples: "instes a tempo e fora de tempo".

Para ilustrar, ontem, dia 20 de junho de 2013, eu e mais alguns irmãos em Cristo aderimos ao protesto em minha cidade (Blumenau/SC) e levamos uma grande faixa (4 metros) com o seguinte versículo: "Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores" (Is 10.1). Também levamos um cartaz que dizia: "Diga não à sua própria corrupção". Além disso, gostaríamos de ter distribuídos alguns jornais cristãos que temos, mas devido à chuva não foi possível. Vejas as fotos.




Desta forma, se percebe que em todo e qualquer lugar se pode pregar o evangelho. Em vez de omissão, aproveitemos estes momentos para levar a Palavra.

4. Protestar não exclui a confiança em Deus

Diz o escritor de Hebreus: "Não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir" (Hb 13.14).

Durante todo e qualquer protesto, o cristão precisa sempre estar em oração (1Ts 5.17) e lembrar que mesmo recebendo a contrapartida de sua manifestação, isto é, conseguido o que pleiteia, ele não possui cidade permanente nesta terra. Os cristãos são peregrinos sobre esta terra (1Pe 2.11) e devem sempre se lembrar disso.

Protestar não significa dizer que não confiamos em Deus. Confiamos totalmente em Deus, mas quando dirigimos o carro pelas ruas, mantemos os olhos abertos; ao atravessarmos a faixa de segurança, olhamos detidamente para verificar se podemos prosseguir. 

O fato de um cristão protestar, então, não significa que ele não confie no Senhor. Pelo contrário: protesta, porque sabe que o Senhor pode efetuar tais mudanças. Protesta porque entende sua responsabilidade humana.

Por fim, é preciso deixar claro que "badernas" não são bem-vindas no seio cristão. Não que o cristão não deva estar apto a se defender e repelir a injusta agressão, mas não deve ser briguento. Assim lemos: "Não sejas companheiro do homem briguento nem andes com o colérico" (Pv 22.24). Uma das qualificações para se ser presbítero (e, obviamente, também, de todos os cristãos) é não ser espancador (Tt 1.7)

Que os cristãos possam sempre protestar por fatos legítimos, lembrando, porém, que somente no Senhor devem depositar sua confiança. "O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará" (Sl 23.1).

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A Mentira de que tudo é Verdade


“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” [Jo 17.17]

Este versículo derruba qualquer expectativa dos pós-modernistas de santificação. Também lança por terra as esperanças dos relativistas. Dos liberais. Dos mentirosos, e, sobretudo, daqueles que amam a mentira. Não há possibilidade de santificação fora da verdade; e sendo a palavra de Deus a verdade, fora dela o homem permanece morto em seus delitos.

A Escritura desmente as afirmações e tendências teológicas modernas de que é possível a salvação sem Cristo, sem a Palavra. Baseados no sentimentalismo suicida da alma natural eles creem não ser necessário nem um nem outro para se alcançar a intimidade com Deus. Na verdade, esse homem está depositando todas as suas fichas num prêmio que acredita ser capaz de obter por seus próprios meios, mas que o deixará exatamente no mesmo estado em que se encontra: condenado.

É interessante que as religiões, mesmo o “cristianismo” humanista, proclama que qualquer caminho pode levar a Deus. De que a importância está naquilo que o homem tem no seu íntimo, no seu desejo de encontrá-lo. Mais surpreendente ainda é que a cosmovisão desse mesmo homem o levará à destruição, pois o que há nele além do mal? “Porque não há retidão na boca deles; as suas entranhas são verdadeiras maldades, a sua garganta é um sepulcro aberto” [Sl 5.9].

A falácia de que se o homem for sincero Deus se apiedará dele, não passa de uma desculpa esfarrapada para a autopreservação do pecado. Não há garantia de que a sinceridade na mentira produzirá a santidade. Pelo contrário, a santidade é possível apenas na verdade. E se não houver santificação, não há salvação. Por toda a Escritura este conceito está delineado, podendo ser resumido da seguinte forma: “Como está escrito: Sede santo, porque eu sou santo” [1Pe 1.16]; e, “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” [Hb 12.14]. Cristãos professos, mas que acreditam possível manter uma vida impiedosa, sem arrependimento, sem frutos para a glória de Deus, estão esquentando os bancos das igrejas, enganam-se a si mesmos, pois sobre eles permanece a ira do Senhor [Jo 3.36].

Igualmente, os que não crêem na Bíblia como a fidedigna palavra de Deus, considerando-a um livro moral como outro qualquer; ou aqueles que a interpretam equivocadamente [guiados por suas mentes carnais e não pelo Espírito]; ou os que a negligenciam, relativizam, duvidando de sua historicidade; em suma, os que não a têm por fiel, inerrante, infalível e, portanto, verdadeira, jamais verão a Deus. Podem ser sinceros o quanto for. Podem ser eruditos o quanto for. Podem apresentar as mais plausíveis e convincentes argumentações para desacreditá-la. Podem mesmo tê-la à cabeceira da cama como um adorno, como um amuleto, ou como um livro de “máximas humanas”; podem admirá-la, e considerá-la com respeito; porém, se não for a verdade absoluta, o próprio Deus falando com o Seu povo, de nada servirá todo o seu esforço; porque está direcionado à mentira, à insensatez, de tal forma que manterá o pecado intocado, intacto, em seu efeito de produzir o homem morto para Deus.

Então, o ponto é: qualquer que seja o padrão da mentira, sua eficácia anula o conhecimento de Deus; e seus frutos permanecem latentes, à espera de se abrir as portas do Inferno.

Por isso, na oração, o Senhor não está a falar de todos os homens. O contexto de João 17 é delineado pelas palavras de Cristo: “para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste” [v.2]; “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste” [v.6]; “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” [v.9]; “Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu” [v.12]; e outras citações mais no texto sagrado. O que se evidencia e se torna patente na intercessão de Jesus é que não está a pedir por todos os homens, mas o Seu alvo é definido, claramente delimitado: os que foram predestinados eternamente para serem conforme a Sua imagem. O fato da oração acontecer imediatamente após falar com os discípulos [v.1], não deixa dúvidas de por quem pedia: os eleitos, os salvos.

Como os réprobos não podem e jamais poderão ser santificados [não depende deles, mas de Deus], ainda que ouvindo a palavra, o resultado será o oposto ao produzido nos eleitos: a rejeição à verdade. O Evangelho gera salvação no eleito, e condenação no réprobo porque a palavra “há de julgar no último dia” [Jo 12.48]. O fato é que, como verdade, ele condena a mentira; e todo aquele que não pratica a verdade, “não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” [Jo 3.21], já está condenado.

Dizer que tudo é verdade, é mentira. Acreditar nela, levará a uma verdade: a morte eterna.

Não se pode esquecer que Cristo é a verdade [Jo 14.6], e também a palavra [1Jo 5.7]. Logo a santificação somente é possível por Ele. E qualquer que diga o contrário é mentiroso, ainda que sincero; porque a mentira sincera é a mais extrema manifestação de estupidez e ignorância.

Sem entrar em todos os pormenores envolvidos na santificação, o que o verso introdutório está a dizer é muito claro: ninguém pode ser santificado no engano, no erro, na falácia. Apenas a palavra de Deus é a verdade; e nela, o novo-homem, o eleito, será santificado, em obediência a ela.

Sem nos esquecer de que a salvação e a santidade foram determinadas na eternidade, e ambas acontecerão infalivelmente, aos eleitos, pelo poder de Deus.

E isto é a mais pura verdade.

- por Jorge Fernandes Isah
Fonte: Bereianos

terça-feira, 18 de junho de 2013

A Transubstanciação e a Blasfêmia da Missa


“E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”. (Hebreus 9.27-28)

Paulo escreveu aos Filipenses: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Mas, se o viver na carne resultar para mim em fruto do meu trabalho, não sei então o que hei de escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor”. (Fp 1.21-23) Ele estava dividido entre dois desejos. Por um lado, ele desejava partir desta vida para estar com Cristo. Por outro lado, sabia que se continuasse vivo, poderia ainda dar muitos frutos para a Igreja. Apesar disso, o mesmo Paulo escreveu aos Colossenses: “o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória”. (Cl 1.26-27) E antes de subir aos céus, Jesus prometeu: “Eis que eu estou convosco todos os dias…” (Mateus 28.20) Isso nos leva à seguinte questão: Por qual motivo Paulo desejava partir para estar em Cristo se o próprio Jesus havia prometido que estaria conosco todos os dias? Se Jesus já está conosco, por qual motivo seria preciso Paulo partir para que estivesse com ele? O próprio Paulo não havia falado de Cristo como já estando em nós? E se Cristo já está conosco, por qual motivo as Escrituras falam de uma vinda futura de Jesus Cristo?

Não há qualquer contradição. Na última conversa que teve com os discípulos, Jesus anunciou: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros”.(Jo 14.16-18) O Espírito Santo é o meio pelo qual Jesus está conosco todos os dias. O Espírito Santo é o Espírito de Deus e o Espírito de Cristo: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. (Rm 8.9) “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”. (Gl 4.6) “Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo”. (Fp 1.19) Quando Paulo falou que queria partir para estar com Cristo, Ele estava falando na presença corporal de Cristo. Jesus não está corporalmente entre nós. Somente por meio de Seu Espírito.

Jesus não estará para sempre ausente corporalmente. “Esse Jesus, que dentre vós foi elevado para o céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir”. (At 1.11) “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém! Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso”. (Ap 1.7-8) No sermão profético (Mt 24, Mc 13, Lc 21), Ele avisou que no decorrer da história, antes da segunda vinda, muitos diriam: “Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo ali!”(Mc 13.21)

“Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí! não acrediteis… E farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os eleitos”. (Mateus 24.23-24)

“Dir-vos-ão: Ei-lo ali! ou: Ei-lo aqui! Não vades, nem os sigais; pois, assim como o relâmpago, fuzilando em uma extremidade. do céu, ilumina até a outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia.”(Lucas 17.23-24)

“Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém”. (Apocalipse 1.7)

Cristo já está presente na terra por meio do Espírito Santo, mas corporalmente permanecerá no céu até a segunda vinda. Quando Ele voltar, todo olho o verá, isto é, será uma manifestação universalmente visível, de forma que não haverá nenhuma dúvida sobre o que estará acontecendo. Por conta disso, Jesus avisou que quando Ele viesse, não seria necessário dizer: “Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí!” Se a vinda de Jesus Cristo será uma manifestação universalmente visível, não haverá nenhuma dúvida sobre o que estará acontecendo de forma que seja necessário alguém demonstrar.

Isto, por si só, mostra que o dogma católico romano da transubstanciação não pode ser verdadeiro. Este dogma foi definido pelo Concílio de Trento na Sessão XIII, com as seguintes palavras:

Cap. 3. — A excelência da Eucaristia sobre os outros sacramentos

A Santíssima Eucaristia tem de comum com os demais sacramentos o ser o símbolo de uma coisa sagrada e a forma visível da graça invisível. A sua excelência e singularidade está em que os outros sacramentos só têm a virtude de santificar, quando alguém faz uso deles, ao passo que na Eucaristia está o próprio autor da santidade, antes de qualquer uso [cân. 4]. Pois, não haviam ainda os Apóstolos recebido das mãos do Senhor a Eucaristia (Mt 26, 26; Mc 14, 22) , quando ele afirmava ser na verdade o seu corpo aquilo que lhes dava. Foi também sempre esta a fé na Igreja de Deus: que logo depois da consagração estão o verdadeiro corpo de Nosso Senhor e seu verdadeiro sangue conjuntamente com sua alma e sua divindade, sob as espécies de pão e de vinho, isto é, seu corpo sob a espécie de pão e seu sangue sob a espécie de vinho, por força das palavras mesmas; mas o mesmo corpo também está sob a espécie de vinho, e o sangue sob a espécie de pão, e a alma sob uma e outra, por força daquela natural conexão e concomitância, com que as partes de Cristo Nosso Senhor, que já ressuscitou dos mortos para nunca mais morrer (Rom 6,9) , estão unidas entre si; e a divindade por causa daquela sua admirável união hipostática com o corpo e a alma [cân. l e3]. Assim, é bem verdade que tanto uma como outra espécie contêm tanto quanto as duas espécies juntas. Pois o Cristo todo inteiro está sob a espécie de pão e sob a mínima parte desta espécie, bem como sob a espécie de vinho e sob qualquer das partes desta espécie.

Cânones sobre a Santíssima Eucaristia

883. Cân. l. Se alguém negar que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia está contido verdadeira, real e substancialmente o corpo e sangue juntamente com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por conseguinte o Cristo todo, e disser que somente está nele como sinal, figura ou virtude — seja excomungado [cfr. n° 874 e 876].

O catolicismo romano defende que Jesus Cristo já está na terra, não somente por Seu Espírito, mas corporalmente também. A cada missa, a hóstia e o vinho deixam de ser o que eram e se transformam no corpo e sangue de Cristo. A aparência de hóstia e vinho continua, mas não é verdadeiramente hóstia e vinho. É o próprio Cristo corporalmente. E, segundo o Concílio “irreformável” de Trento, quem negar tal coisa é anátema e excomungado. Jesus avisou: “Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí! não acrediteis… E farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os eleitos”. (Mt 24.23-24) No decorrer da história, o catolicismo buscou confirmar que Cristo está corporalmente na Eucaristia por meio de sinais e prodígios. Um dos mais famosos foi o milagre eucarístico de Lanciano ocorrido no século VIII, na cidade italiana de Lanciano. Foi a inexplicável e extraordinária transformação da hóstia em carne humana e do vinho em sangue humano, durante uma missa, sendo reconhecido como milagre pela Igreja Romana em 1574 e por diversos estudos científicos. Este é considerado um dos mais famosos, porém não é o único: aproximadamente 130 milagres eucarísticos já foram relatados.

A transubstanciação é um dogma importante do romanismo, pois é o fundamento de outro dogma, o sacrifício propiciatório da missa. Este dogma foi definido pelo Concílio de Trento, na Sessão XXII, com as seguintes palavras:

Cap. 2. — O sacrifício visível é propiciatório pelos vivos e defuntos

E como neste divino sacrifício, que se realiza na Missa, se encerra e é sacrificado incruentamente aquele mesmo Cristo que uma só vez cruentamente no altar da cruz se ofereceu a si mesmo (Heb 9,27), ensina o santo Concilio que este sacrifício é verdadeiramente propiciatório [cân. 3], e que, se com coração sincero e fé verdadeira, com temor e reverência, contritos e penitentes nos achegarmos a Deus, conseguiremos misericórdia e acharemos graça no auxilio oportuno (Heb 14,16). Porquanto, aplacado o Senhor com a oblação dele e concedendo o dom da graça e da penitência, perdoa os maiores delitos e pecados. Pois uma e mesma é a vítima: e aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que, outrora, se ofereceu na Cruz, divergindo, apenas, o modo de oferecer. Os frutos da oblação cruenta se recebem abundantemente por meio desta oblação incruenta, nem tão pouco esta derroga aquela [cân. 4]. Por isso, com razão se oferece, consoante a Tradição apostólica, este sacrifício incruento, não só pelos pecados, pelas penas, pelas satisfações e por outras necessidades dos fiéis vivos, mas também pelos que morreram em Cristo, e que não estão plenamente purificados [cân. 3].

Cân. 3. Se alguém disser que o sacrifício da Missa é somente de louvor e ação de graças, ou mera comemoração do sacrifício consumado na cruz, mas que não é propiciatório, ou que só aproveita ao que comunga, e que não se deve oferecer pelos vivos e defuntos, pelos pecados, penas, satisfações e outras necessidades — seja excomungado.

Cân. 4. Se alguém disser que o santo sacrifício da Missa é uma blasfêmia contra o santíssimo sacrifício que Cristo realizou na Cruz, ou que aquele derroga este — seja excomungado.

Cân. 6. Se alguém disser que o Cânon da Missa contém erros e por isso se deve ab-rogar – seja excomungado.

É interessante notar que o Concílio cita Hebreus 9 neste capítulo. O fato é que o nono capítulo de Hebreus contradiz o que o Concílio de Trento diz sobre o sacrifício propiciatório de Jesus Cristo na missa:

“Ora, também o primeiro pacto tinha ordenanças de serviço sagrado, e um santuário terrestre. Pois foi preparada uma tenda, a primeira, na qual estavam o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; a essa se chama o santo lugar; mas depois do segundo véu estava a tenda que se chama o santo dos santos, que tinha o incensário de ouro, e a arca do pacto, toda coberta de ouro em redor; na qual estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha brotado, e as tábuas do pacto; e sobre a arca os querubins da glória, que cobriam o propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente. Ora, estando estas coisas assim preparadas, entram continuamente na primeira tenda os sacerdotes, celebrando os serviços sagrados; mas na segunda só o sumo sacerdote, uma vez por ano, não sem sangue, o qual ele oferece por si mesmo e pelos erros do povo; dando o Espírito Santo a entender com isso, que o caminho do santuário não está descoberto, enquanto subsiste a primeira tenda, que é uma parábola para o tempo presente, conforme a qual se oferecem tando dons como sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que presta o culto; sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma. Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção. Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo? E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna. Pois onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador. Porque um testamento não tem torça senão pela morte, visto que nunca tem valor enquanto o testador vive. Pelo que nem o primeiro pacto foi consagrado sem sangue; porque, havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue dos novilhos e dos bodes, com água, lã purpúrea e hissopo e aspergiu tanto o próprio livro como todo o povo, dizendo: este é o sangue do pacto que Deus ordenou para vós. Semelhantemente aspergiu com sangue também o tabernáculo e todos os vasos do serviço sagrado. E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão no céu fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe seria padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”. (Hebreus 9.1-28)

Aqui o texto compara o Antigo Pacto, estabelecido por Moisés, com o Novo Pacto, estabelecido por Jesus. Ele diz que o sistema cerimonial do Antigo Pacto era uma “parábola para o tempo presente”. A Lei continha diversos mandamentos, ritos, costumes e cerimônias que eram somente sombras que se cumpriram em Jesus Cristo. As sombras foram abolidas, mas a substância e realidade significadas pelas sombras continuam de pé. Tais coisas apontavam para Cristo, o perfeito sacrifício. O Antigo Pacto contem a mesma substância do Novo Pacto, mas em sombras e figuras. No capítulo seguinte, ele continua:

“Porque a lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus. Doutra maneira, não teriam deixado de ser oferecidos? (Hebreus 10.1-2)

Aqui ele reforça que os sacrifícios de animais eram somente sombras (ou como ele havia dito no capítulo anterior, “parábolas”) daquilo que haveria de vir, o sacrifício de Jesus Cristo. Em seguida, ele prova a ineficácia destes sacrifícios lembrando que tais sacrifícios eram oferecidos continuamente. Ele explica que o fato de serem oferecidos continuamente significava que eram ineficazes. “Doutra maneira, não teriam deixado de ser oferecidos?” Ele continua:

“Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus, daí por diante esperando, até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados”. (Hebreus 10.11-14)

Isto deixa claro que o sacrifício único de Jesus é suficiente para cumprir tudo o que precisa ser cumprido naqueles que serão santificados. Os múltiplos sacrifícios dos animais demonstram a ineficácia destes sacrifícios. A eficácia do sacrifício de Jesus é demonstrado pelo fato dele acontecer uma única vez, em contraste com os sacrifícios de animais que eram múltiplos. Se o apóstolo e os cristãos cressem e ensinassem que Jesus está corporalmente nas mãos do padre sendo sacrificado a cada missa, este argumento não faria qualquer sentido.

O Concílio de Trento, cita Hebreus 9 com a intenção de se esquivar dessa conclusão inevitável e diz: “E como neste divino sacrifício, que se realiza na Missa, se encerra e é sacrificado incruentamente aquele mesmo Cristo que uma só vez cruentamente no altar da cruz se ofereceu a si mesmo (Hb 9,27)…” O Concílio de Trento, para se esquivar da conclusão óbvia de Hebreus, argumenta que os sacrifícios múltiplos são feitos incruentemente enquanto o sacrifício do qual o livro de Hebreus se refere como sendo único é o sacrifício feito cruentamente. “Cruentamente” significa “com derramamento de sangue”. “Incruentamente” significa “sem derramamento de sangue”. Mas essa distinção não é de qualquer forma satisfatória. Primeiro, se o sacrifício da missa é feito incruentamente, então ele não pode ser de forma alguma propiciatório ou eficaz. Pois o apóstolo diz claramente que “sem derramamento de sangue não há remissão”. ( Hebreus 9.22) Segundo, se Jesus Cristo é sacrificado incruentamente em cada missa, continua de pé o argumento de que a repetição de sacrifícios demonstram a sua ineficácia e, portanto, o sacrifício da missa é ineficaz.

Um dos textos bases usado pelo catolicismo romano para defender a necessidade da transubstanciação e do sacrifício da missa está no Evangelho de João:

“Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos”. (João 6.53)

O catolicismo romano defende que este texto se cumpre no sacramento na missa quando o pão e o vinho literalmente se transformam no corpo e no sangue de Jesus, estando presente também a sua alma e a sua Divindade, de forma que seja possível Jesus ser literalmente sacrificado e literalmente ingerido pelos fiéis. Como já foi demonstrado, isto contradiz o ensino bíblico de que Cristo permanecerá corporalmente ausente da terra até a segunda vinda. Contradiz também o ensino bíblico de que o sacrifício de Cristo é único e não pode ser repetido. De que maneira, então, as palavras de João 6 devem ser compreendidas?

Em qualquer texto que lemos e desejamos entender, seja da Bíblia ou não, devemos estar atentos tanto para o contexto imediato quanto para o contexto geral no qual o texto está inserido. A linguagem de Jesus em João 6 é muito frequente por todo o Evangelho de João. No começo de seu discurso, Jesus disse: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede”. (Jo 6.35) A expressão “Eu sou” seguida de alguma comparação aparece sete vezes no Evangelho de João:

1) Eu sou o pão vivo que desceu do céu. (6.51)
2) Eu sou a luz do mundo. (8.12)
3) Eu sou a porta das das ovelhas. (10.7)
4) Eu sou o bom pastor. (10.11)
5) Eu sou a ressurreição e a vida. (11.25)
6) Eu sou o caminho, a verdade e a vida. (15.1)
7) Eu sou a videira. (15.5)

Um dos maiores objetivos de João com seu Evangelho foi identificar Jesus como Deus (coisa que ele enfatiza já no primeiro verso do livro). “Então, disse Moisés a Deus: Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós”. (Êx 3.13-14 ) “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, EU SOU”.(Jo 8.58)

O número sete na numerologia bíblica indica plenitude, consumação, perfeição. No Apocalipse, escrito pelo mesmo Apóstolo, há sete igrejas, sete selos, sete trombetas, sete cálices e sete anjos. Gênesis fala dos sete dias na criação. Os sacerdotes do Antigo Testamento aspergiam sete vezes o sangue do sacrifício. Quando Israel herdou a terra prometida, Deus mandou que destruíssem sete nações. Antes da destruição de Jericó por meio de Josué, os soldados deram sete voltas na cidade e sete sacerdotes que tocaram sete buzinas.

No Evangelho de João há sete sinais e Jesus faz sete comparações começando com “Eu sou”. Em nenhuma destas comparações, o que ele diz pode ser entendido literalmente. João 6 não é exceção. Jesus disse:

“Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo”. ( João 6.49-51)

O significado do que Jesus disse aí é idêntico ao que ele havia dito para a mulher samaritana:

“Veio uma mulher de Sumária tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida. Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana ( porque os judeus não se comunicam com os samaritanos)? Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? És tu maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado? Jesus respondeu e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna. Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede e não venha aqui tirála”. (Jo 4.7-15)

Todos os principais elementos do discurso de Jesus em João 6 na sinagoga de Cafarnaum estão presentes na conversa de João 4 com a mulher samaritana:

1) Nas duas ocasiões os ouvintes ficam confusos porque pensam que Ele está falando literalmente e Ele não está. Essa confusão existiu também na conversa que Jesus teve com Nicodemos: “Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?” (Jo 3.4) No caso da mulher samaritana, ela pensa que Jesus está falando de água literal de beber: “Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?”. Mas Jesus deixou claro que a água não poderia ser entendida literalmente: “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”. Em outra ocasião ele deixa claro que esta água é o Espírito Santo: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isso disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado”. (Jo 7.38-39) A mesma confusão que existiu em Sua conversa com Nicodemos, existiu na conversa com a mulher samaritana e também no discurso de João 6: “Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?” (João 6.52) Nas três ocasiões, os ouvintes entenderam que Jesus estava falando literalmente quando ele não estava.

2) Tanto na conversa com a mulher samaritana quanto no discurso de João 6, Jesus usou um acontecimento da história de Israel para transmitir uma realidade espiritual presente: “És tu maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado? Jesus respondeu e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”. (Jo 4.12-14) Esse argumento é substancialmente o mesmo de João 6, “Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra”. (Jo 6.49-50) Nos dois casos, Jesus usa um evento importante da história de Israel para ilustrar como ele trazia algo espiritualmente superior. O verdadeiro sentido de comer e beber tanto em João 6 quanto em João 4 é explicado pelo próprio Jesus: “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede”. (Jo 6.35)

O Apóstolo Paulo também falou sobre “vossos pais que comeram o maná no deserto e morreram”: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar… Todos eles comeram de um só manjar espiritual… Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto… Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles… caíram, num só dia, vinte e três mil”. (I Co 10.1-8) O manjar espiritual aqui é o maná. Como Jesus havia explicado, Paulo argumentou que o fato deles terem comido do maná não foi suficiente para garantir a vida eterna. Vinte e três mil morreram condenados por Deus como idolatras. Diferente do maná, Jesus explicou que quem comesse de sua carne, teria a garantia de não ser condenado. “Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram… Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre”. A diferença crucial entre os que comeram do maná e os que comem do pão da vida é que os que comiam do maná tinham a garantia de alimentação corporal, mas continuavam sob a possibilidade de condenação espiritual (o que ocorreu com vinte e três mil). Mas aqueles que comem do pão da vida, não estão sob o mesmo risco, mas tem a garantia que “viverá para sempre”.

Se em João 6 Jesus estivesse se referindo à hóstia e vinho da missa, então todos que jamais participaram da Eucaristia poderiam ter certeza infalível que nada poderia impedi-los de receberem a vida eterna. Para ser salvo, seria necessário somente participar da Eucaristia, pois Jesus deixou claro que “se alguém comer desse pão, viverá para sempre”. Se fosse possível alguém comer desse pão e posteriormente ser condenado, então a comparação que Jesus faz com o maná não faria qualquer sentido. A comparação dele é justamente que com o maná, muitos comeram e ainda assim foram condenados, mas que com o pão da vida, não há essa possibilidade. Sendo assim, comer e beber em João 6 não pode ser outra coisa se não “crer no Evangelho”.

“Porque preparas tu os dentes e o ventre? Crê, e tu o comeste”. (Agostinho de Hipona)

- por Frank Brito
Fonte: Resistir e Construir

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Socialismo/Comunismo e o Mito da Mula Sem Cabeça


Preciso, antes de iniciar, estabelecer que as críticas aqui expostas possuem como base alguns trechos de obras do pensador Karl Marx. Deixo este fato evidente, a fim de que ninguém ouse pensar que estou a tecer comentários sobre obra desconhecida ou que jamais li algo sobre o feito. As citações que trago foram retiradas destes artigos.

Em apertada síntese, o objetivo deste breve escrito é apontar alguns acertos de Marx. Todavia, evidenciar que certos acertos não o favorecem no escopo geral, de maneira que defender o comunismo é algo terrível e pernicioso, tanto diante da sociedade como à luz da Escritura.

1. Breves Pontos positivos de Marx

Ao se ler os manuscritos de Marx, vê-se que não é de todo recusável, pois há algumas críticas interessantes, como:

Ao falar do Trabalho Alienado, afirma que "a atividade do trabalhador não é sua própria atividade espontânea. É atividade de outrem e uma perda de sua própria espontaneidade", desejando iluminar o fato de que o trabalhador não trabalha para si mesmo, e sim para outrem.

Igualmente, discorrendo sobre A Relação da Propriedade Privada, reitera o teor do trabalhador ter "o infortúnio de ser um capital vivo, um capital com necessidades, que se deixa privar de seus interesses e, conseqüentemente, seu ganha-pão, todo momento em que não se acha trabalhando", ensinando que o trabalhador, não possuindo capital, mas precisando dele, já não haje com liberdade para "fazer o que quiser", mas, sim, se sujeita a outrem que possui a propriedade.

Escrevendo sobre a Propriedade Privada e Trabalho, comenta com propriedade que nos moldes que tomou, "ela aplica o golpe de morte à renda da terra, aquela última forma individual e natural da propriedade privada e fonte de riqueza existente independentemente do movimento do trabalho que foi a expressão da propriedade feudal, mas tornou-se inteiramente sua expressão econômica", isto é, a propriedade privada deixou de ser um meio de subsistência, para ser uma expressão de quão "rico" alguém é.

Sobre A Relação da Propriedade Privada, pontuou grande verdade: "a propriedade privada perdeu sua qualidade natural e social".

Analisemos, agora, o que a Bíblia sobre estes temas.

2. O que a Bíblia fala sobre a propriedade privada

Pouco importaria discorrer sobre Marx, Engels ou qualquer outro teórico, seja para que lado desejássemos tender, se não avaliarmos o que diz a Escritura. Marx pode ter proferido belas e fascinantes ideias - ademais, é possível que, humanamente, suas conjecturas pareçam até mais belas que muitas outras teorias; todavia, o brado cristão sempre será: "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (At 5.29).

A Bíblia Sagrada nos fala a respeito de propriedade privada. Inúmeras passagens enumeram esta questão. Alguns exemplos conhecidos são: a divisão de terra entre as 12 tribos; a licitude para se afugentar e, se necessário, tirar a vida do agressor que invade a propriedade; os cristãos, após a festa de Pentecostes, vendem suas propriedades... Entretanto, a propriedade privada também possuía um lastro social, isto é, o conhecido "ano do jubileu", por exemplo, onde caso alguém houvesse arrematado alguma propriedade de outrem, oriundo de dívida não paga ou impossibilidade de se quitar a mesma, no sétimo ano haveria de restituir o propriedade dono primário (Lv 258-10).

Notamos, assim, em resumo, que a propriedade privada é um instituição bíblica. Todo e qualquer governo que deseje extirpar tal direito de seus cidadãos, certamente está indo contra firme diretriz escriturística. 

3. O que a Bíblia fala sobre o trabalho

O trabalho faz parte da vida, é inerente a ela. Após a criação, nos diz a Palavra: "E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Gn 2.15 - grifo meu). Trabalhar nunca foi, portanto, fruto do pecado. Aqueles que reclamam de precisar trabalhar, deveriam atentar para as palavras do apóstolo: "se alguém não quiser trabalhar, não coma também" (2Ts 3.10).

O trabalho dignifica o homem. É impossível imaginar uma sociedade sem trabalho. Ainda que a natureza criada por Deus seja a grande sustentadora da vida material, o homem precisa ir até ela para ter seu alimento. Não há como defender qualquer ideia, portanto, de um assistencialismo exacerbado, onde poucos trabalham para que muitos tenham tudo gratuitamente - lembremos das palavras de Paulo.

Acontece, porém, que muitas pessoas, em virtude das mais diferentes circunstâncias, não podem trabalhar. A mensagem bíblica é evidente e fornece cristalina resposta para esta dificuldade: "Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas" (1Tm 5.16). 

Recordemos que Paulo não está escrevendo de sua torre de marfim. O apóstolo era cônscio do que era uma vida de extrema necessidade e dificuldade: "em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas" (2Co 11.23-28). Ele ainda fazia, ocasionalmente, tendas para se sustentar (At 18.1-3).

Desta forma, quando instrui o amado Timóteo sobre o cuidado acerca das viúvas, afirma 3 pontos essenciais sobre o trabalho:

1. Quem pode trabalhar deve sustentar, primeiramente, sua família - "Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as";
2. A Igreja de Cristo, com seus membros trabalhadores, também deve ajudar - "não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar";
3. Não devem ser ajudadas as pessoas que, podendo trabalhar, mas o fazem - "para que se possam sustentar as que deveras são viúvas" (grifo meu).

Havia um motivo de extrema relevância para se ter este cuidado: mulheres, salvo para ajudar o pai/marido (leia Provérbios 31) e desde que não comprometesse seus deveres essenciais como boa dona de casa, mãe e fiel esposa de seu marido (veja Tito 2.5), não trabalhavam "fora de casa". Desta forma, as mulheres precisavam de especial cuidado social, visto que o "mercado de trabalho" não lhes era amplo como hoje [1].

4. O erro socialista/comunista

Diante do exposto, convém apontar os erros do socialismo/comunismo. Não convém entrar em minúcias sobre a diferença deste dois tipos de gerência populacional. Tal desnecessidade se valida pelo fato de ambas serem contra o capitalismo. Em resumo, ambas apregoam melhores condições aos menos favorecidos da sociedade - nisto estão plenamente corretos. Entretanto, sobre o nome "capitalismo",  importa fazer ressalva.

Capitalismo não significa satanismo ou ocultismo. Acertadamente comentou, certa vez, um professor: "capitalismo não é uma 'coisa', mas, sim, um sistema. No capitalismo você adquire a matéria, a beneficia (melhora), vende, obtêm lucro e se utiliza do lucro para comprar mais matéria prima, para beneficiar ainda mais, para vender mais e para lucrar mais. É como uma grande roda que se auto gira." [2

Esta explicação é essencial, pois o capital, em si mesmo, não pode cometer mal algum - ele não mata, não rouba, não extorque e não torna qualquer ser humano rico ou pobre. Tal qual uma arma de fogo não atua sozinha e conforme é usada tende ao bem ou mal, assim também é o sistema capitalista.

4.1 O erro dos comunistas atuais

Quando o comunista atual invoca princípios como os listados anteriormente e com lastro em Marx, palmas. Mas erram grandemente por se esquecerem que, em especial no Brasil (mas no mundo como um todo), já existe a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. Qualquer jurista ou estudante de Direito sabe que, infelizmente, se anteriormente a balança pendia para o lado do empregador, hoje está, se não totalmente, mas excessivamente voltada ao trabalhador. Por quê? Justamente devido as exageros do passado, onde o trabalhador era tratado, agora sim, como muitas vezes elencado por Marx.

Os comunistas atuais erram por desconhecerem princípios constitucionais, ignorarem e legislação trabalhista e fecharem os olhos para a atual situação, o qual é totalmente outra - tendo pouca ligação com a visão que Marx tinha em sua época. 

Verdade, porém, que muitas mazelas persistem - a cada dia o maior capital se concentra na mão de poucas pessoas. Ou seja, muitos trabalhando para poucos. Mas isso é em si errado?

4.2 O erro de crer que todo empregador deve dividir seus lucros

Somente uma criança imatura suplica para seu pai vender a casa da família e doar o dinheiro entre os vizinhos, o jardineiro e a empregada doméstica. Ainda que a atitude juvenil possa parecer "majestosa", em sua infantilidade (no melhor sentido da palavra) carece de entendimento, pois se o pai vender a casa, eles não terão onde morar.

Este exemplo se aplica a qualquer empresário: ele precisa de lucro e precisa ter dinheiro "guardado". Somente quem já empreendeu certo negócio sabe das vicissitudes da vida econômica. O mercado possui seus "altos e baixos" e é preciso ter "dinheiro em caixa" para se manter nos momentos de crise. Advogar a ideia de que o "patrão" deve dividir todo ou boa parte do lucro com os empregados, é completa utopia - maravilhoso para os empregados (ou com seu nome pomposo, "colaboradores"), mas uma cena de terror ao empreendedor.

Imaginemos, por brevíssimo momento, que tal feito fosse possível: o empregador distribui 50% do lucro de sua empresa - sensacional, tal feito estaria estampado nos jornais. Acontece, porém, que no dias das "vacas magras", a quem ele recorreria? Pediria o dinheiro de volta? Faria empréstimos bancários? Dano moral? Lucro cessante? Apenas para extravasar. 

O motivo pelo qual muitos defendem esta ideia irreal é devido ao fato de verem "patrões" viverem de modo luxuoso e empregados relharem à migalha. Notemos, em tempo, que o problema não está no empregador ter dinheiro, mas em se valer do trabalho do próximo para enriquecer. Mas, que mal há nisso? Os israelitas trabalharam como escravos no Egito e até mesmo eram vendidos uns aos outros quando não possuíam meios de se sustentar. O problema, por fim, não é o dinheiro, o capitalismo, e sim o homem, a criatura que não sabe medir as consequências.

4.3 O erro de desejar excluir a propriedade privada

Marx, falando em Propriedade Privada e Comunismo, assim escreve: "o comunismo é a expressão positiva da abolição da propriedade privada e, em primeiro lugar, da propriedade privada universal" (grifo meu).

Por certo que Marx não defendia que todos devem morar em um gigantesco casarão - mas ele estabelece a função social em primeiro plano, quando comparado ao direito adquirido. Este é o grande estandarte do Movimento dos Trabalhadores sem Terra - MST. Este grupo afirma que se uma fazenda, apenas para ilustrar, está "parada" e não gerando renda, deve ser desapropriada, a fim de dar lugar àqueles que desejam torná-la útil. Parece genial, não? Mas é infame. 

Muitíssimo melhor seria, e aqui fica a sugestão, que tal movimento se propusesse a trabalhar para o dono da terra. Se a terra está parada, "não dando lucro" (ainda que o tal possa ser lugar para o sossego da vida urbana), nada mais que, havendo trabalhador, se ponham enxadas, pás e todo maquinário para revirar a terra - havendo a anuência do proprietário, evidente. Se isto acontecesse, ambos estariam agraciados - os "sem terra" e sem trabalho teriam sustento e o dono das terras teria lucros e ajudaria as pessoas a terem seu ganha-pão.

Mas os tais "Trabalhadores sem Terra" (notemos a ironia) não querem trabalhar, e sim querem a terra. Isto mesmo - não querem trabalhar como o restante do mundo faz diariamente. Aliás, friso: querem trabalhar, mas sendo donos do próprio pedaço debaixo do céu. Quem não quer?! Não que não existam integrantes genuinamente necessitados, mas qual seria o fim deste mundo caso nossos pais, avós e bisavós, geralmente advindos de famílias necessitadas, começassem a pular cerca e reivindicar "posse" ou uma espécie de usucapião imediato?

4.4 O erro de acreditar no Estado "Papai Noel"

É absolutamente verdadeiro que em certo sentido, todos dependem do Estado. Mas o Estado (leia-se, país) tem apenas uma função essencial: punir o malfeitor e promover uma paz nacional de acordo com as leis bíblicas (confira o Salmo 2 e Romanos 13). Tudo que fugir à regra pode ser benéfico e bem vindo, mas não seria essencial. É maravilhoso termos assistência médica gratuita, mas, acredite: não é uma obrigação do Estado. Leia algum livro sobre a forma de governo bíblico e se perceberá que os responsáveis pela saúde, organização social e melhorias na qualidade de vida, sempre foram legadas à Igreja de Deus. O Estado, então, cuida em punir o delinquente, extirpando-o para melhor segurança e bem estar do cidadão de bem.

Mas não é isso que desejam os comunistas. Eles querem o comum e desejam que o Estado faça isso. Querem que o governo "tire dos ricos e dê aos pobres" - isso porque eles não são os ricos! Querem andar gratuitamente de ônibus, quando, em verdade, deveria ir às ruas pedindo maior concorrência para outras empresas adentrarem o rumo, o que inevitavelmente geraria maiores retornos e serviços melhores.

Ademais, é preciso registrar que o perigo das riquezas tomarem a vez do coração, não somente alcança o bem abastado, mas igualmente o "pobre", pois este, no afã de querer ter "mais e mais", pode correr o mesmíssimo erro de viver para as riquezas temporárias - portanto, cuidado! Isso significa que ele deve se conformar à miséria? Não, evidente - mas não a deve ter como sinônimo de maldição. Jamais a "teologia da libertação" será uma possibilidade bíblica.

5. A Mula Sem Cabeça

Segundo o site Brasil Escola, tal lenda consiste em: "qualquer mulher que namorasse um padre seria transformada em um monstro. Dessa forma, as mulheres deveriam ver os padres como uma espécie de 'santo' e não como homem, se cometessem qualquer pecado com o pensamento em um padre, acabariam se transformando em mula sem cabeça. Segundo a lenda, o encanto somente pode ser quebrado se alguém tirar o freio de ferro que a mula sem cabeça carrega, assim surgirá uma mulher arrependida pelos seus 'pecados'." [3]

Não faz qualquer sentido, certo? Da mesma forma é o comunismo, porque apregoa uma irrealidade; levanta o brasão da hipocrisia, pois defende que "pimenta nos olhos do outro é refresco". O comunista se deleita em falar sobre a desapropriação, mas nunca cogita a possibilidade de, naquilo que pode, "dar um espaço" ao necessitado.

Recomendo que os comunistas comecem abrindo suas casas, se dirijam ao respectivo registro de imóveis de sua localidade e comecem a desmembrar suas terras e as doar. Não esperem pelo governo, comecem a mudança em vocês mesmos.

Nota:
[1] Para entender mais sobre este assunto, leia a Série: Homem e Mulher os Criou
[2] A citação é de acordo com o que tenho de lembrança. Meu professor se chamava Sidney.
[3] http://www.brasilescola.com/folclore/mula-sem-cabeca.htm

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