"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Carta ao Durvalino - um solteiro que reclama de seu amigo que casou


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Olá, Durvalino.

Desculpe-me pelo "tom" da carta e por sua brevidade, mas às vezes precisamos ser um pouco mais incisivos, a fim de que não permitir brechas ou condolências desnecessárias.

Amado, tenho visto que você reclama constantemente do Rivaldo, seu amigo que recentemente se casou. Em muitas ocasiões, pelo que fiquei sabendo, você tem andado chateado e cabisbaixo, pois, conforme li em seu próprio e-mail enviado a mim, "ele já não é aquele amigo para todo momento, não tem mais tempo para conversarmos...". Você também tem ficado bravo, muitas vezes, porque ele "tem que ficar" - expressão maldita, não a use mais - com a esposa.

Durval, permita-me lhe chamar assim, seu amigo Rivaldo está agindo perfeitamente. Ele, na verdade, não é mais solteiro e você precisa, urgentemente, compreender isso. Ele não pode e não deve continuar dando toda a atenção que anteriormente vocês tinham como melhores amigos. Agora ele é casado, tem esposa e precisa dedicar todo o tempo possível para ela - "o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher" (1Co 7.33). Certamente que Paulo não está dizendo que cuidar da esposa é cuidar do pecado, como se "mundo", aqui, tivesse essa conotação.

Você terá de achar, caso queira,  outro companheiro para sempre se reportar. Lembram dos jogos de futebol juntos? Esqueça, Rivaldo é agora casado e muitas vezes terá de abdicar dos jogos. Recorda daquelas caminhadas e trilhas pelo mato? Esqueça, também, pois seu amigo agora precisa cuidar e amar sua esposa - eventualmente ele irá, mas não conte mais com isso. Talvez você se lembre de como visitava a casa dele (na época, dos pais dele) e ficavam um final de semana todo juntos, certo? Igualmente, cesse com essa prática - você poderá visitá-lo e também, quando muito necessário, dormir na casa dele; mas lembre que agora, a casa dele, pertence a ele e sua mulher.

Sim, já sei o que você está pensando: que a Bíblia diz que há o amigo mais chegado que o irmão (Pv 18.24) e que é melhor andar em dois do que a sós (Ec 4.10). Mas é também verdade, Durval, que a Escritura afirma: "deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2.24; Mt 19.5; Mc 10.7; Ef 5.31). Seu amigo agora é um com a esposa dele, não contigo.

Note que é preciso que você compreenda qual seu papel como solteiro. Você não é solteiro para ficar saindo sem ter qualquer regra ou para gastar todo seu dinheiro quando e como quiser. Absolutamente não! Espero que nenhuma dessas ideias esteja em sua mente, porque estas ideias são vindas do diabo. Olhe o que Paulo diz, antes de ele escrever sobre os casados: "O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor" (1Co 7.32).

Como solteiro, seu papel é de buscar realizar as coisas do Senhor. Sim, sei que comumente os solteiros ficam um pouco "assim" quando seus amigos casam, pois parecem perdê-los. Mas lembre-se que há outros solteiros em sua igreja - busque uma maior amizade com estes.

Falando em igreja, certamente há muito trabalho na sua para fazer e, me dê esta liberdade de dizer: é você quem deve ser o primeiro a chegar e o último sair. Você, como solteiro, deveria sempre ajudar a limpar as cadeiras e as colocar no lugar depois do culto. Por que deixar todo o trabalho para os já casados? Por que isso, meu amado? Por que tenho lhe visto poucas vezes "pegando no batente" nos momentos necessários? Aliás, por que é que você ainda não começou a comprar livros, estudar firmemente a teologia bíblica e não cessou com suas fantasias de menino? Dir-me-ás que desejas ainda aprender a voar?

Você é solteiro e precisa compreender que seu papel é o de ser o mais ativo possível em sua igreja e família. Permita-me lhe perguntar ainda: por que seu pai é quem sempre tem que cortar a grama e quando pede sua ajuda, sua mãe se lembra das dores de parto, tamanha é a dificuldade para conseguir "seu favor"? Por que seu pai é quem faz os serviços pesados enquanto você fica horas e horas no computador? Como você dorme em paz, sabendo que sua mãe está com dores nas costas por ter esfregado o chão enquanto você assistia a seu programa favorito? Como pode ser que você tem se recusado a cuidar de sua irmã mais nova, quando ela precisa de um homem protetor ao seu lado?

Receio que não somente você esteja entendendo errado sua amizade com o Rivaldo, agora já casado, mas, igualmente, ainda não compreendestes o que é um verdadeiro homem.

Querendo, me escreva de volta.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Objeção: A Escritura requer fé e arrependimento antes do batismo



O argumento é, sem dúvida, o seguinte: como os infantes são incapazes de exercer tanto fé como arrependimento, eles não são sujeitos apropriados do batismo. Mas entendamos um pouco mais o argumento e vejamos que se trata de um sofisma. O que está na verdade implícito é o seguinte:
A Escritura requer fé e arrependimento de adultos para o batismo; mas como os infantes não podem exercer nenhum dos dois, eles não podem ser batizados. A falácia reside no fato que a premissa é sobre adultos, mas a conclusão é sobre infantes.
Isso ficará ainda mais claro analisando uma passagem da Escritura: “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mt 16.16). Dessa forma temos o seguinte: a Escritura requer fé e batismo de adultos para que sejam salvos; mas como os infantes não podem exercer essas coisas, eles serão condenados.
Novamente: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 3.10). Dessa forma temos o seguinte: a Escritura requer que os adultos trabalhem para que possam comer; mas como os infantes não podem trabalhar, eles não podem comer!
O sofisma, um argumento capcioso mas falacioso, sem dúvida ficou claro agora. Não cremos que todos os infantes estão condenados, nem cremos que eles não devam comer. O equívoco deriva-se simplesmente de aplicar aos infantes o que foi destinado aos adultos ― e claramente então esse argumento sobre o batismo cai por terra também.
- por Michael Kimmitt
Fonte: Monergismo.com

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Jesus e a Mulher Siro-Fenícia - "Não é bom... deitá-lo aos cachorrinhos"


"E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom. E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã" (Mateus 15.21-28).

O encontro de Jesus com a mulher Siro-Fenícia é um dos pontos mais complicados e intrigantes dentre todos os encontros registrados de Jesus. Leia o texto, Mateus 15.21-28 (Marcos 7.24-30).

O que está acontecendo aqui? Por que Jesus está interagindo com essa estrangeira? Ele não veio para os da casa de Israel? Por que ele a chama de cadela? E por que ela nem se ofende?

É preciso entender algumas coisas sobre o contexto do que vem se passando nesse ponto do evangelho e também algumas considerações sobre etnia para vermos bem o que esse texto ensina.  Após andar por toda a Galileia  Jesus estava para começar um período mais intenso de instrução aos Doze; isso envolveu ele se dirigir mais frequentemente a regiões gentílicas. Nesse evento Jesus vai para noroeste da Galileia  para a região de Tiro, onde fica hoje o Líbano. Note que este era terreno gentio: território de antigos inimigos e (às vezes) aliados de Israel; foram os de Tiro que introduziram a adoração a Baal para Israel. Foram eles que se aliaram a Davi e Salomão em certas ocasiões.  Isso é importante em nossa história, não é que uma mulher gentia aparece em território judeu – Jesus e seus discípulos é que estão indo, intencionalmente ao território dela.

Precisamos entender um pouco melhor biblicamente essa questão da diferença étnica, da identidade cultural.  O ideal de pureza racial é uma tolice, mas todos nós entramos um pouco nele. Todos temos uma origem comum em Adão e Eva, e depois, em  Noé,  a partir de três grandes ramos (Sem, Cam e Jafé). Deles vem toda a diversidade do mundo. Não percebemos, mas instintivamente achamos que na história bíblica os personagens ou são brancos caucasianos ou o que chamaríamos de árabes hoje em dia; Livros de histórias bíblicas infantis perpetuam estas ideias errôneas. Mas a realidade é muito mais complexa. Os Hebreus são apenas um de diversos grupos semitas;  e mesmo dentro desse grupo não há uma linhagem de pureza étnica. Vamos lembrar a origem destes: Abraão vem da Terra de Ur. Isaque voltou para conseguir uma esposa dentro os Arameus, assim o fez também Jacó (Israel). Mas os filhos de Jacó se casam com mulheres Cananeias e José se casa com uma Egípcia. Desta mistura vêm as tribos de Israel! Hoje talvez pensemos em judeus como um povo bem branquelo ( fãs de Big Bang Theory sabem disso…), porque mais tarde houve bastante mistura como povos europeus. Mas Jesus e seus discípulos não eram assim. No AT, temos exemplos de povos diversos como os oriundos da África negra, Egípcios, Fenícios, Assírios… Sabe quem eram os mais parecidos fisicamente com os caucasianos de hoje? Os Filisteus e os Hititas.

Com isso tudo em mente voltemos ao encontro de Jesus com essa gentia. Vale lembrar que você, distinto leitor(a), provavelmente tem mais  em comum com ela do que com Jesus e os discípulos – nós somos gentios.  Nascida gentia, com background pagão. Não uma filha de Abraão geneticamente… Ela sabe que não poderia vir até Jesus, mas ela foi assim mesmo; Tim Keller diz “Existem covardes, existem pessoas normais, existem corajosos e existem pais” – ela vai encarar o que for necessário pelo bem estar de sua filhinha.

Algo estranho se passa então, como é que aqueles que deveriam estar aprendendo de Jesus se ressentem da presença dessa gentia? Por quê? Por que é que eles não abraçam essa mulher e a acolhem ao pacto? Ela está voluntariamente vindo até Cristo e eles querem rejeitá-la. Se a diversidade étnico-cultural é algo criado por Deus, porque ressentimos tanto? Em nossa pecaminosidade nós não gostamos da diversidade criacional, preferimos a unidade e a segurança dos semelhantes.

Mas e Jesus? Ele a trata melhor que os fariseus ou os discípulos fariam. Como assim trata bem? Ele a chama de cadela! Vamos olhar com mais cuidado para estas palavras duras. Não é surpresa pra ninguém que há varias sugestões de interpretação dessa passagem. Creio que o que está acontecendo aqui é um teste elaborado por Jesus para examinar o coração dela e o coração dos discípulos.

Vejamos:

1 – O teste para a mulher

Havia desde o início uma prioridade pactual a Israel; mas o pacto com Abraão já deixava claro que a salvação estaria disponível a todas as nações da terra – prioridade nunca foi exclusividade. Tivemos exemplos como Rute e Raabe – que foram parar na genealogia do Senhor Jesus. A ideia era que primeiro se alimentam as crianças da casa e não os cães – os judeus sendo primeiro e depois os gentios. Mas lembre-se da historia do próprio Senhor Jesus e seu acolhimento frequente entre gentios quando mesmo os judeus não queriam nada com ele. Herodes tentou matá-lo quando ainda neném, ele foi se refugiar em terreno gentio com seus pais. Os fariseus e escribas queriam acabar com ele. As cidades o rejeitavam; mas os magos gentios do oriente vêm e o adoram. Israel era lugar perigoso; terrenos gentios eram seguros.

Curiosamente gentios em muitos casos eram mais abertos que os judeus. Ele elogia a fé de gentios como o centurião enquanto critica a falta de fé dos judeus. Parece que as crianças estão recusando a comida… devem achar que não precisam mais de pão. Jesus usa a percepção das separações étnicas para avaliar sua fé; talvez ele estivesse querendo ver se ela não estava no fundo apenas buscando um operador de milagres, ou se entendia que ele era algo mais.

A mulher não se ofende com as duras palavras de Cristo; ela sabe que não tem direitos diante de Deus. Se o que Deus tem pra ela são migalhas, ela as aceitará de bom grado. Quão diferente da atitude arrogante de tantos que se julgam merecedores! Ela demonstra uma medida de fé: note que ela chega ajoelhando, ela o chama de Senhor, ela sabe acerca de seu poder. Com o pouco de conhecimento acerca de Cristo que tem ela já é movida a ação. Note ainda que ela pega muito mais rápido a linguagem figurada do que os discípulos! Jesus não precisa ficar explicando as metáforas como tinha que fazer com os doze… Ele no fundo diz: você não é digna de se sentar à mesa. Mas ele deixa a porta aberta ao dizer primeiro se alimentam as crianças… quem sabe não sobra algo para você. É vital notarmos que ela aceita sua condição – ela reconhece que não é digna de ser ajudada por Cristo. Ela com fé diz: eu não mereço pão, não sou parte do povo escolhido, se pela tua bondade o que tem para mim são migalhas, quero as migalhas com alegria! Ela não declara ou exige pão, como se merecesse. Ela não é orgulhosa a ponto de não aceitar o que Cristo diz acerca dela! Mas nós somos muitas vezes. Nós odiamos a ideia de que somos depravados e impuros; afinal passamos a vida ouvindo comerciais de TV dizendo que merecemos tanto… aceitar o que a Bíblia fala a nosso respeito é difícil! À luz disso tudo, Jesus elogia sua fé; coisa que não vemos ele fazendo acerca dos discípulos! Logo antes tinham sido  repreendidos pela sua falta de entendimento. Ela passa no teste com louvor. E ela recebe mais que migalhas, não é verdade?

2 – Teste para os discípulos

Lembre-se que por vezes Jesus, o grande professor; lançava perguntas complicadas ou dizia coisas estranhas para fazer o povo pensar e agir. Lembre-se que às vezes ele falava um provérbio comum de sua época e logo virava ele de cabeça para baixo, mostrando que a sabedoria popular era muitas vezes tolice popular. Creio que isso está acontecendo aqui também.

Em Mateus fica registrado que os discípulos pediram que Cristo se livrasse dela; eles não eram tão diferente dos fariseus em sua falta de compaixão. Mas o que eles tinham de ter feito era ter pedido a Cristo por ela! Talvez ao Jesus falar aquilo ele estivesse esperando pela ação dos discípulos. A essa altura, eles já deveriam ter aprendido misericórdia com Cristo – Pedro mesmo já clamara ao Senhor por ajuda como ela estava fazendo ali. Essa é a primeira falha.

Mas a outra falha dos discípulos é mais interessante. Note bem. Eles ouviram Jesus dizer algo como “não há pão suficiente…os cães só comem se sobrar… é um mundo de recursos limitados…não há pão para todos…alguém tem de ficar sem pão.” Agora, note na sua Bíblia o que acontece no capítulo anterior e o que acontece no capitulo seguinte. Percebeu? Essa história esta entre as duas ocasiões da multiplicação do pão!! Na economia do reino a surpreendente mensagem é que há pão para todos! Os discípulos ainda estão operando numa visão humana mui limitada do alcance da graça e do poder de Cristo. Eles deveriam ter tido:  “mas Senhor, tu és capaz de fazer pão se multiplicar – não há limites! Não é necessário que apenas as crianças comam!” Israel era culpado de usar a verdade de sua prioridade como desculpa para não ir aos gentios, para não fazer o que Cristo estava fazendo! Indo na terra de gentios e trazendo boas novas a estes!

O evangelho do reino é para todas as nações; as boas novas envolvem o fato de que Cristo morreu numa cruz para que cães de toda raça, língua e nação pudessem ser adotados na família e se sentarem à mesa, tornando-se criacinhas. Dá pra ver porque é que chamam de boas novas?

por Emilio Garofalo Neto
Fonte: iPródigo

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Incêndio na Boate de Santa Maria e a Soberania de Deus



Santa Maria, Rio Grande do Sul, 27 de janeiro de 2013.

O horror está estampado na cidade. Cada partícula de ar no universo campeiro parece respirar tristeza e agonia. O bom e velho mate perdeu o sabor; a flor murchou e a serra gaúcha já não faz mais frio. Todos sabiam que um dia a morte chegaria, mas não esperavam que fosse neste dia. Com sua foice fatal, registram os noticiários que a morte ceifou 231 vidas. Deixou que outras centenas seguissem seus caminhos, entretanto, deixou registrado na sela do cavalo: "Deus livrou [sua] alma de ir para a cova" (Jó 33.28).

Calamidades desta proporção sempre nos deixam atônicos. O coração muitas vezes parece bater mais rápido, ou lentamente, não sabemos discernir, talvez, pare, suspenda; realmente não entendemos - mas é certo que nos fazem perplexos. Como um estrondo profundo, ressoa nossa consciência: onde Deus estava? Se é soberano, por que não cuidou daqueles jovens?

Meus amados, apesar de todo lamento, a pergunta nunca deve ser, "onde Deus estava?", mas, sim, "onde estes jovens estavam?". Devemos ter todo o cuidado ao ponderarmos sobre estas questões, porém, não podemos ser levianos e crer, por um lado, que aqueles jovens eram mais perversos do que os demais que muitas vezes frequentam as igrejas, mas que possuem um coração afastado do Senhor. Por outro, não devemos crer que simplesmente foi um "acidente".

Não podemos crer que aquele incêndio foi um apenas mais um incêndio. Não podemos acreditar que foi apenas mais um "incidente terrível". Precisamos recobrar o entendimento de que tudo acontece com um propósito.

A palavra de Deus nos diz: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28). Não posso tecer juízos de valor sobre se haviam ou não pessoas que professavam a fé cristã na Boate Kiss, em Santa Maria. Tampouco posso precisar se no número de mortos havia algum eleito de Deus - realmente não sei e suspeitarei da fé de todo aquele que diz saber.

Todavia, Paulo é específico em dizer que absolutamente tudo coopera para o bem. Notemos que há um povo em específico para quem Paulo se dirige: "para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito". A indagação, desta forma, não deve ser sobre os porquês de Deus ter ordenado que tal catástrofe acontecesse, e sim acerca se cada uma daquelas vítimas estava em Cristo. Elas viviam para a glória de Deus (1Co 10.31)? Buscavam servi-Lo de maneira excelente? Tinham-O como Senhor de Suas vidas?

Novamente, não desejo afirmar ou negar qualquer uma destas questões, pois embora nunca tenha ido em uma "Boate" propriamente dita, já frequentei algumas casas de show - sim, enquanto eu professava ser da fé cristã. Eu estava olimpicamente errado em estar nestes lugares, pois ia para os deleites de minha carne - hoje percebo o erro e vejo que o Senhor me livrou de terríveis males, bem como salvou minha alma. Nada fiz para nunca ter sido consumido por chamas ou ter morrido por inalar fumaça tóxica. Não sou melhor do que qualquer um daqueles corpos gelados estendidos no ginásio.

Assim, não podemos afirmar que todos aqueles jovens que morreram pisoteados, outros tantos por ficarem sem oxigênio e terem respirado toda sorte de toxinas, muitos tendo se dirigido ao banheiro, crendo que era a saída, não eram eleitos. Noutro sentido, certamente, também não podemos dizer que cada um daqueles corpos, agora sendo velados e enterrados, está no seio do Senhor. É preciso ser prudente.

O profeta Jeremias, em seu livro onde relata suas lamentações, nos fornece uma resposta exemplar e nos dirige sobre o que pensar quando tais fatos acontecem: "Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem? De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados" (Lm 3.38-39).

Queridos irmãos, leitores e eventuais parentes e amigos das vítimas, que neste dia você possa refletir sobre se você tem estado no Senhor. Não possuo poder para acalentar seu coração, embora desejasse o ter. Nem mesmo que eu me deitasse três vezes sobre o corpo de cada vítima, tal qual fez Eliseu (1Rs 17.21), não poderia trazer os meninos e as meninas de volta à vida terrena. Mas desejo lhe perguntar: sua alma repousa segura no sacrifício de Cristo? Assim como aqueles jovens, com a mais absoluta certeza que podemos afirmar, pensavam que seria apenas mais uma "festa", mais uma descontração, mais um dia qualquer vivendo para o pecado, mas foram tragados, deixando famílias de luto eterno, seu dia também pode estar próximo - "e o que tens preparado, para quem será?" (Lc 12.20).

Aquele que foi, não mais voltará, caro leitor. Resta a ele e a ela, tão somente o julgamento. Quanto a nós, seres viventes nesta terra, possamos seguir a santa Palavra: "Assente-se solitário e fique em silêncio... Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança" (Lm 3.28-29). 

Se você encontra-se longe de Cristo, não tarde em buscá-Lo.

Fonte da foto: G1 - Globo.com

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Alegria de ser Mulher e a Armadilha Feminista



Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor excede o de rubis. O coração de seu marido confia nela, e a ele não falta riquezas.” Pv 31:10-11

A mulher segundo o coração de Deus era dedicada a família e submissa ao seu marido. E isso não significa que fosse "escrava", pois esta mulher do capítulo 31 do livro de Provérbios dava ordens às suas servas. No versículo 11 diz que “a ele não falta riquezas”.

E o coração de seu marido confia nela, porque ela é submissa a ele. E ser submissa a um homem, não significa ser inferior a ele, nem ser sua empregada ou capacho. E sim ser o suporte para a missão dele. Basta pensar no sentido literal da palavra – “sub-missão”. Por confiar nela, sabendo que ela está cuidando com esmero da casa e dos filhos, o marido tem segurança e tranquilidade para passar o tempo necessário fora, e produzir riquezas. Se as feministas entendessem isso, o que é de fato ser submissa ao homem, seria para elas uma grande alegria e plena realização.

Então estaria eu dizendo que uma mulher de verdade, feliz e realizada, é aquela que fica em casa cuidando dos filhos, enquanto o marido sai para ganhar dinheiro? Sim, é exatamente isso que eu estou dizendo.
Já imagino a reação das feministas, ou, se preferirem, das mulheres “modernas”, “inteligentes”, e bem sucedidas que ganham mais que seus maridos, e por isso os tratam como idiotas. E claro que não posso esquecer daquelas que dizem que não querem se casar, porque são muito focadas em suas carreiras. O que eu duvido.

A esta altura já devem também estar me chamando de antiquada. Que seja, eu não negocio valores para receber elogios de ninguém. Prefiro ser útil do que ser simpática.

A verdade é que mulher feliz, mulher realizada é sim, aquela que tem uma casa para cuidar, filhos para educar e marido para obedecer e amar.

Sendo assim, e em defesa das mulheres que ainda tem valores e princípios conservadores, não posso deixar de expressar aqui a minha indignação com a campanha pela destruição da família que vem sendo promovida por este governo socialista que se apoderou do nosso país.

Para destruir a família vale tudo: incentivar o homossexualismo, patrocinando paradas gays por todo país, distribuir “kit gay” nas escolas; descriminalizar e patrocinar o aborto. Como se isso tudo não bastasse, eles conseguem jogar ainda mais sujo, com uma emenda constitucional proposta pela senadora (licenciada) Marta Suplicy, com a qual se pretende tirar o nome da mãe e do pai dos documentos dos recém nascidos (daqueles que conseguirem sobreviver ao aborto, é claro). Me surpreende que Marta Suplicy, apesar de ter nascido mulher, ter se casado e ter sido mãe, hoje tem como um de seus objetivos destruir a família de outras mulheres. Obviamente, não devemos esperar outra coisa de uma petista.

Se esta emenda for aprovada, não existirão mais, juridicamente, as figuras do pai e da mãe. Mas e os filhos então? Seriam filhos de quem? Filhos da... meretriz? Por que essa “mulher” não começa tirando seu próprio nome e o de seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy, dos documentos daquele seu filho, o Supla?
Então fica a questão: se Marta é contra a família, por que ela tem uma? Eis uma bela resposta:

"Em últimas contas, se o patriarcalismo fosse coisa ruim os ricos não o guardariam ciumentamente para si mesmos, mas o distribuiriam aos pobres, preferindo, por seu lado, esfarelar-se em pequenas famílias nucleares. Se fazem precisamente o oposto, é porque sabem o que estão fazendo." É o que afirma Olavo de Carvalho observando a conduta da família Rockefeller no artigo 'A família em busca da extinção'.

Que as mulheres de bem deste país, aquelas que tem alguma reserva do que é verdadeiro e bom guardado em suas almas, tenham seus olhos abertos a tempo, e não se deixem enganar pela manipulação feminista promovida pelos partidos de esquerda e reverberada pela mídia.

Que consigam tocar suas vidas com sabedoria e princípios ensinados por Deus, valorizando a família e o privilégio de ter nascido mulher.

- por Elis Bobato
Fonte: Elis Bobato

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Dever de Pregar o Evangelho


Existem aqueles que representam erroneamente a doutrina da eleição desta maneira:

Aqui estou eu, sentado à mesa com minha família para o café. É uma noite fria de inverno e lá fora na rua estão alguns pobres mendigos famintos e crianças. Eles vêm, batem na porta e dizem:

- "Nós estamos com tanta fome Senhor. Oh, nós estamos com tanta fome e frio, estamos famintos, você não nos daria algo para comer?".
- "Dar à vocês algo para comer? Não! Vocês não pertencem a este lugar, saiam daqui".

Hoje em dia as pessoas dizem que isto é o que eleição significa. Deus serviu o banquete do evangelho e alguns pobres pecadores conscientes de sua profunda necessidade, vêm para Deus e dizem: "Tenha misericórdia de nós"; e o Senhor responde: "Não, vocês não estão entre os Meus eleitos".

Agora meus amigos, este não é o ensino da Escritura, nem sequer algo parecido com isso. Absolutamente, esta é uma falsa representação da verdade de Deus. Eu não acredito em nada semelhante meus amigos, e eu não os insultaria pedindo-lhes que viessem noite após noite para escutar algo similar a isto.

1. Compele-os a Entrar

Então agora, aqui está a verdade. Deus serviu o banquete, mas o fato é que ninguém está com fome, ninguém quer vir para o banquete e todos dão uma desculpa para se manterem longe do banquete. E quando eles são convidados a virem, eles dizem: "Não, nós não queremos" ou "Nós não estamos prontos ainda". Ora, Deus sabia disso desde o princípio, e se Deus não tivesse feito nada além de servir o banquete, cada cadeira à sua mesa ficaria vaga por toda eternidade!

Eu não tenho nenhuma hesitação em dizer que não há nenhum homem ou mulher nesta igreja hoje à noite, se não aqueles que deram desculpas, vez após vez, antes de se achegarem pela primeira vez a Cristo. Vocês são apenas como os outros. Vocês deram desculpas, assim como eu. E se Deus não tivesse feito nada além de servir o banquete, todas as cadeiras estariam vazias; por conta disto, o que vocês leem na parábola de Lucas 14? Porque o banquete não estava cheio de convidados, Deus enviou Seus "servos". Oh, coloquem seus óculos. Não diz "servos", diz Deus enviou Seu "servo" e ordenou-Lhe que os "compelisse" a entrar, a fim de que Seu banquete estivesse cheio de convidados. Não existe nenhum homem ou mulher nesta igreja nesta noite, ou em nenhuma outra igreja, que algum dia se assentaria às bodas do Cordeiro, a não ser que tenha sido compelido a entrar - compelido por Deus.

Bem - você dirá - o que você quer dizer por "compelir"?

Eu quero dizer que Deus teve que subjugar a resistência da sua vontade. Deus teve que vencer a relutância de seu coração. Deus teve que sobrepujar seu amor pelos prazeres, os quais você amava mais do que a Deus, e seu amor pelas coisas deste mundo, as quais você amava mais do que a Cristo. Eu quero dizer que Deus teve que usar o Seu poder e trazer você.

Se qualquer um de vocês sabe alguma coisa de grego ou tem uma concordância Strong¹, observe o verbo no grego para "trazer" em João 6 verso 44: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia", isto significa "usar violência". Isto significa arrastar à força. Não existe um erudito em grego na face da terra, que possa contestar esta definição - no sentido de sustentá-la com provas. Essa é a mesma palavra do grego que é usada em João 21 quando eles arrastaram a rede para a praia quando cheia de peixes (v. 11). Eles tiveram de puxar com toda a força que tinham porque a rede estava cheia de peixes. Eles tiveram que arrastá-la, sim, meu amigo, e é assim que você foi trazido para Cristo.

Você pode não ter se conscientizado disto. Você pode não ter entendido dentro de si mesmo o que estava acontecendo. Mas cada um de nós era um rebelde contra Deus, lutando contra Cristo e resistindo a Seu Espírito Santo. Deus teve de aplicar força e derrotar esta resistência para trazer-nos aos nossos joelhos. E se qualquer um de vocês contestar esta forte linguagem, então eu estou aqui para te dizer que você não acredita no ensino da Escritura sobre a absoluta depravação do homem.

O homem está perdido, e o homem está morto em delitos e pecados, por natureza. Ouçam, não é simplesmente que o homem está doente e precisa de um pouco de medicamento. Não é simplesmente que o homem é ignorante e precisa de  um pouco de ensino. Não é simplesmente que o homem está fraco e precisa de um pouco de esperança. O homem está morto, morto em seus delitos e pecados, e somente um imenso poder vindo do céu, poderá ressuscitá-lo e trazê-lo da morte para a vida. Este é o evangelho em que eu creio, e eu não prego o evangelho porque eu creio que o pecador tem poder em si mesmo para responder à ele.

Bem - você dirá - então qual é a utilidade da pregação do evangelho se o homem está morto? Qual é a utilidade em pregá-lo?

Eu lhes contarei. Ouçam! Aqui estava um homem com uma mão mirrada, paralisada, e Cristo disse: "Estende a tua mão" - Lc 6.10. Esta era a única coisa que ele não poderia fazer! Cristo disse para ele fazer uma coisa que era impossível em si mesma.

Bem - então você dirá - por que Cristo falou para ele estender a mão?

Porque o poder divino acompanhou a própria palavra que ordenou-lhe fazer isto! O poder divino tornou isso possível. O homem não poderia ter feito isto por si mesmo. Se você pensa que ele poderia, você está prestes a ir parar no hospício. Eu não me importo quem você seja. Qualquer homem ou mulher aqui, que pensa que este homem era capaz de esticar seu braço paralisado pelo esforço de sua própria vontade, está prestes a ir parar no hospício!

Como pode o paralítico mover-se?

Bem, eu lhes darei algo mais forte do que isto. Vocês precisam de algo forte hoje, vocês precisam mais do que um leite fraco. Vocês necessitam de um alimento forte, um alimento sólido, se de alguma forma vocês querem ser edificados, crescerem e se tornarem fortes no Senhor e na força de Seu poder.

Aqui está um homem que está morto e enterrado, seu corpo já está em decomposição de modo que está cheirando mal. Lá estava ele na sepultura e então alguém veio na entrada da cova e disse: "Lázaro, sai para fora" - Jo 11.43. Se aquela pessoa fosse qualquer outra a não ser o próprio Deus manifestado em carne, ela provavelmente estaria lá até agora chamando: "Sai para fora". Qual, na face da terra, seria a utilidade de falar para um homem morto vir para fora? Nenhuma, a não ser que Aquele que proferisse esta palavra, tivesse o poder para fazer dela uma palavra útil.

Neste momento então meus amigos, eu prego o evangelho para pecadores, não porque o pecador tem algum poder em si mesmo para responder. Até mesmo porque, eu não acredito que algum pecador tenha capacidade em si mesmo. Mas Cristo disse: "As palavras que eu lhes disse são espírito e vida" - Jo 6.63. Pela graça de Deus, eu vou adiante pregando esta Palavra, porque esta é uma palavra de poder, uma palavra do Espírito, uma palavra de vida. O poder não está no pecador, está na Palavra, quando Deus, o Espírito Santo, deseja usá-la. E meus amigos, eu lhes digo com toda a reverência, se Deus me falasse neste Livro para ir e pregar para árvores - Sim Senhor; eu iria!

Deus uma vez disse a um de seus servos para ir e pregar para ossos, e ele foi. Eu me pergunto se você teria ido! Sim, este ato teve uma aplicação local como também uma futura interpretação profética.

2. Pregue o Evangelho a Toda Criatura

Neste momento a questão surge novamente: Por que nós devemos pregar o evangelho para toda criatura, se Deus elegeu apenas um determinado número para ser salvo?

A razão é porque Deus nos ordenou que o fizesse. Bem - você dirá - mas isto não me parece sensato visto que não tenho nada a ver com isso. Sua obrigação é obedecer a Deus e não discutir com Ele. Deus nos ordenou que pregássemos o evangelho a toda criatura, isto significa o que diz - Toda criatura -  e isto é algo sério.

Cada cristão nesta sala hoje à noite, ainda terá que responder a Cristo, o porquê de não ter feito tudo o que estava ao seu alcance para transmitir este evangelho a toda criatura! Sim, eu acredito em missões - provavelmente mais do que a maioria de vocês - e se eu pregasse para vocês sobre missões, provavelmente eu os acertaria com mais força do que eu os acertei até aqui.

A grande maioria do povo de Deus que professa acreditar em missões, está apenas brincando. Eu ouso dizer de nossas denominações evangélicas de hoje em dia, que nós estamos apenas brincando de missões - essa é a verdade. Pense nisto, neste séc. XX, quando viajar é tão fácil e barato, existem bíblias impressas em quase todas as línguas debaixo do céu; por que meus amigos - enquanto nós estamos sentados aqui nesta noite - quase metade da raça humana, nunca ouviu falar de Cristo? E nós teremos que responder a Cristo por isso também²!

Você terá que responder e eu também. Oh sim, eu acredito na responsabilidade do homem. Eu não acredito no “livre-arbítrio” do homem, mas eu acredito na responsabilidade humana, e na responsabilidade dos cristãos em dobro. Creio que cada um de nós nesta noite, terá de encarar Cristo e olhar para seus olhos como uma chama flamejante e Ele nos dirá: "Eu confiei a você Meu evangelho. Este lhe foi confiado como uma 'responsabilidade' - v. 1 Ts 2.4 - É exigido dos mordomos que cada um se encontre fiel.

Oh meus amigos, nós estamos brincando com as coisas. Nós não temos levado a religião a sério, nenhum de nós. Nós professamos acreditar na vinda de Cristo e professamos acreditar que a razão do porquê Cristo não voltou ainda, é porque Sua igreja, Seu corpo, ainda não está completo. Acreditamos que quando Seu corpo estiver completo Ele voltará. Meus amigos, Seu “corpo” nunca, nunca estará completo até que o último de Seus eleitos seja chamado, e Seus eleitos são chamados por meio da pregação do evangelho, pelo poder do Espírito Santo. Se você verdadeiramente anseia que Cristo volte logo, então você deveria estar mais atento às suas responsabilidades em relação a levar ou transmitir o evangelho aos pagãos!

A palavra de Cristo - e esta é a palavra de Cristo para nós - é “'Ide' por todo o mundo e pregai o evangelho”. Ele não diz: “Envie”. Ele diz: “Ide”. E você terá que responder a Cristo também, o porquê você não foi!

Bem - você dirá - você quer dizer que todos nós aqui, nesta noite, deveríamos ir para o campo missionário?

Eu não disse isso, eu não sou o juiz dos homens. Muitos de vocês aqui, nesta noite, tem uma boa razão que satisfará a Cristo do porquê vocês não foram. Ele lhes deu um trabalho para fazerem aqui. Ele os colocou em uma posição aqui. Ele os deu responsabilidades para serem executadas aqui. Mas cada cristão que é livre para ir, mas não vai, terá que responder à Cristo por isto também.

Ide por todo o mundo”.

Bem - então você dirá - onde eu devo ir?
- "Oh, isto é muito fácil".
- "Você disse fácil?"
- "Sim, eu quis dizer que é muito fácil!"

Nada é mais fácil no mundo do que saber onde você deve iniciar o trabalho missionário. Você tem esta resposta em Atos 1 verso 8: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, - que é a cidade onde eles estavam - em toda a Judéia - que é o estado onde a cidade se encontrava - e Samaria, - que é o estado vizinho - e até os confins da terra".

Se vocês desejam começar o trabalho missionário, vocês precisam começar em sua cidade³. Meus amigos, se vocês não estão interessados na salvação dos chineses em Sidney, então vocês realmente não estão interessados na salvação dos chineses na China. E estão apenas enganando a si mesmos se pensam estar! Oh, eu estou dando nome aos bois esta noite.

Se vocês estão aflitos com relação as almas dos chineses na China, então vocês estarão igualmente aflitos com relação aos chineses aqui em Sidney. E eu me pergunto quantos neste prédio hoje, já fizeram algum esforço real para alcançar a China em Sidney com o evangelho.

Então eu me pergunto... Eu me pergunto quantos aqui, nesta noite, tem ido à Casa da Bíblia em Sidney e dito ao gerente: "Você tem algum Novo Testamento em chinês?" ou, "Você tem alguns evangelhos de João em chinês?" "Quanto custa a dúzia? E o cento?" Eu me pergunto quantos de vocês compraram mil ou cem, e então foram até as casas do bairro chinês e disseram: "Meu amigo, este é um pequeno presente que fará bem a sua alma se você lê-lo".

Ah, meus amigos, nós estamos brincando de missões, isso não passa de uma farsa, isso sim!

"Ide" é a primeira ordem.
- "Ir onde?"
- "Àqueles ao meu redor."
- "Ir com o quê?"
- "O evangelho!"

Bem - você dirá - mas por que eu deveria ir?
- "Porque Deus lhe ordenou!"

Bem - você dirá - qual é a utilidade de fazer isso se Ele escolheu apenas alguns?
- "Porque o evangelho é o meio que Deus usa para chamar Seus próprios eleitos. Este é o porquê!"

Você não sabe, eu não sei, ninguém na terra sabe quais são os eleitos de Deus e quais não são. Eles estão espalhados pelo mundo, portanto nós devemos pregar o evangelho para toda criatura, para que o evangelho alcance aqueles que Deus selecionou entre suas criaturas.

- por Arthur W. Pink (1886-1952)
Fonte: FireLandMissions

* De um sermão pregado em Sidney durante seu ministério na Austrália na década de 1920.
1. James Strong. Concordância Exaustiva - Léxico Aramaico Hebraico e Grego.
2. Este parágrafo foi reorganizado devido a uma digressão do pregador, porém seu sentido foi preservado.
3. Embora a ordem seja definitiva, seu desenvolvimento geográfico não o é. E.g. Bairro, cidade, estado e nação.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Lei de Deus


"Ao resumirmos o que constitui o verdadeiro conhecimento de Deus, mostramos que não podemos formar qualquer concepção justa do caráter de Deus, sem nos sentirmos intimidados por Sua majestade e compelidos a servi-Lo." - ​​João Calvino​​​

Ontem, um homem que eu encontrei pela primeira vez perguntou-me. “E o que o Senhor está fazendo na sua vida?” (Algo na maneira como ele fez a pergunta, o tom da sua voz, e o seu jeito, incomodou-me.) A maneira de perguntar foi um pouco casual demais, como se a expressão fosse mecânica. Eu ignorei o meu incômodo e respondi a questão como se ela fosse sincera. Eu disse: “Ele tem me impressionado com a beleza e a doçura da Sua Lei”. Obviamente, o homem não estava preparado para minha resposta. Ele me olhou como se eu fosse de outro planeta. Visivelmente ele reagiu as minhas palavras como se eu fosse estranho apenas por tê-las proferido.

Nós estamos vivendo em uma era na qual não se tem dado muita atenção a Lei de Deus, nem secularistas nem Cristãos. A lei, nós assumimos, é uma relíquia do passado, parte da história do cristianismo judaico, para ser mais exato, mas sem relevância duradoura para a vida Cristã. Estamos vivendo, na prática, a heresia antinominiana.

Uma pesquisa recente feita pela George Gallup Jr. revelou uma tendência surpreendente em nossa cultura. De acordo com a Gallup a evidência parece indicar que não existem padrões de comportamento que distinguam os Cristãos dos não-Cristãos em nossa sociedade. Parece que estamos todos marchando na mesma bateria, olhando para os padrões de mudança da cultura contemporânea baseados no que é conduta aceitável. O que todo mundo está fazendo parece ser nossa única regra ética.

Este padrão somente pode emergir em uma sociedade ou em uma igreja em que a Lei de Deus está eclipsada. A própria palavra lei parecer ter um elo desagradável em nossos círculos evangélicos.

Vamos fazer uma experiência. Eu vou citar algumas passagens do Salmo 119 para nossa reflexão. Eu peço que você os leia experimentalmente, no sentido de sentir na pele e identificar-se de modo a compreender o autor. Tente sentir o que ele sentiu quando escreveu essas linhas milhares de anos atrás. 

"Oh! quanto amo a tua lei! ela é a minha meditação o dia todo" - v. 97.

"Os teus testemunhos são a minha herança para sempre, pois são eles o gozo do meu coração.
Inclino o meu coração a cumprir os teus estatutos, para sempre, até o fim" - v. 111-112.

"Abro a minha boca e arquejo, pois estou anelante pelos teus mandamentos" - v.131.

"Tribulação e angústia se apoderaram de mim; mas os teus mandamentos são o meu prazer" - v. 143.

Por acaso isso se parece como o cristianismo moderno? Acaso nós temos ouvido falar sobre pessoas que tem ânsiado apaixonadamente pela Lei de Deus? Nós temos ouvido nossos amigos expressando alegria e deleite nos mandamentos de Deus?

Estes sentimentos são estranhos para nossa cultura. Alguns certamente diriam: “Mas isto é coisa do Velho Testamento. Nós fomos redimidos da lei, agora nosso foco está no evangelho, não na lei”.

Vamos continuar a experiência. Vamos ler alguns trechos de outro escritor bíblico, mas desta vez do Novo Testamento. Vamos ouvir de um homem que amava o Evangelho, pregou-o e ensinou-o mais do que qualquer mortal. Vamos ouvir Paulo:

"Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para
que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra" - Rm 7v6.

"Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupesciência;
porquanto sem a lei estava morto o pecado" - Rm 7v8.

"E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom" - Rm 7v12.

"E porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus" - Rm 7.22.

Isto parece vir de um homem que acreditava não haver lugar para a lei de Deus na vida cristã? Leia Paulo cuidadosamente e você irá encontrar um homem cujo coração ansiava pela lei de Deus tanto quanto Davi ansiava.

A história da igreja testemunha que em períodos de avivamento e reforma existe um profundo despertamento pela doçura da Lei de Deus que pode facilmente transformar-se em legalismo, o qual comumente motiva uma reação antinominiana. Nem o legalismo nem o antinomianismo é bíblico. A lei nos conduz ao evangelho. O evangelho nos salva da maldição da lei, mas por sua vez nos leva de volta à lei para alcançar o espírito, a bondade e a beleza da lei. A lei de Deus é ainda uma lâmpada para os nossos pés. Sem ela nós tropeçamos na viagem e tateamos na escuridão.

Para o cristão o maior benefício da lei de Deus é seu caráter revelatório. A lei nos revela o legislador. Ela nos ensina o que é agradável ao Seus olhos. Nós precisamos buscar a lei de Deus - desejando-a - e deleitar-nos nela. Algo menor do que isto é uma ofensa contra o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

- por R. C. Sproul

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

10 Maneiras de usar uma Arma para a Glória de Deus



"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31)

1. Tenha-a dentro da legalidade, pois precisamos obedecer aos magistrados (Rm 13.1-2);

2. Saiba manuseá-la e guardá-la de forma segura, pois somos responsáveis por isso (1Tm 5.8);

3. Não a use como instrumento de vingança pessoal, pois esta pertence ao Senhor (Rm 12.19);

4. Não haja precipitadamente com ela, pois esta é a atitude dos tolos (Pv 25.8);

5. Use-a para defender sua esposa, pois se for necessário, devemos até mesmo dar nossa vida por elas (Ef 5.25);

6. Não tenha prazer na morte, pois se Deus assim não tem, nós também não devemos (Ez 33.11);

7. Pratique tiros ao alvo, a fim de ser corretamente instruído e preparado (1Sm 17.33-37);

8. Fale com os outros sobre como, biblicamente, é lícito defender-se (Êx 22.2-4);

9. Faça manutenções regulares em sua arma, pois é necessário cuidar dos bens dados pelo Senhor, pois são como que emprestados a nós (2Rs 6.5);

10. Não confie em sua arma, mas no Senhor (Sl 20.7).

*nota: em breve será lançado o livro "Armas, Defesa Pessoal e Bíblia". Por favor, não pense que esta postagem é uma apologia à morte ou para se atirar sem qualquer motivo. A única coisa biblicamente defensável é a legítima defesa.
[Editado]: o livro já foi lançado. Você pode o adquirir aqui: www.livro.reformahoje.com.br

Assim lemos claramente: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira [de Deus], porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Rm 12.19-21). Paulo é preciso em suas palavras e ensina todos os cristãos a não serem "justiceiros particulares", de modo a não violarem a ordem do Senhor ao Estado (falaremos sobre isso no decorrer do livro). O apóstolo coloca um ponto sumário para nosso entendimento; isto é, o motivo pelo qual o cristão não deve ser vingativo é porque "Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor". Desta forma, o cristão não precisa desesperar-se ao ver a impunidade crescente em nossos dias – embora tenha de lutar contra ela –, afinal, é o Todo Poderoso quem está no controle de Sua criação e Ele a julgará com justiça no dia estabelecido: "Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder, se apressam a chegar" (Dt 32.35).

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Glória de Deus - por John Owen (1616–1683)


A glória do nosso Senhor Jesus Cristo é por demais grande para que as nossas pequenas mentes a possam entender. Desta forma, nunca poderemos dar a Ele o louvor que Lhe é devido. No entanto, através da fé podemos ter algum conhecimento de Cristo e Sua glória, e esse conhecimento é melhor que qualquer outra forma de sabedoria ou entendimento. O apóstolo Paulo disse: "E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor" (Filipenses 3:8). Se a nossa felicidade futura significa estar onde Cristo está e ver a Sua glória, não há melhor preparação para isso que encher os nossos pensamentos com ela desde agora. Assim, estaremos gradualmente sendo transformados naquela glória.

É apenas de Cristo que podemos nos ufanar e nos gloriar, pelas seguintes razões:

1. A nossa natureza humana foi no princípio feita em Adão e Eva à imagem de Deus, cheia de beleza e glória. Todavia, o pecado derrubou essa glória no pó e a natureza humana tornou-se completamente diferente de Deus, cuja imagem ela havia perdido. Satanás assumiu o controle e, se as coisas fossem deixadas dessa forma, a humanidade teria perecido eternamente. Mas, o Senhor Jesus, o Filho de Deus, curvou-Se em grande perdão e amor para assumir a natureza humana. Assim, a nossa natureza humana, após ter mergulhado nas maiores profundezas da miséria, agora foi erguida acima de toda a criação de Deus, pois Deus exaltou a Cristo “... pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro" (Efésios 1:20-21). Aqueles que receberam fé e graça para entenderem corretamente o propósito da natureza humana, devem se regozijar porque ela foi elevada das profundezas do pecado para a glória que agora recebeu mediante a honra concedida a Cristo.

2. Em Cristo, o relacionamento da nossa natureza com Deus é sempre o mesmo. Contudo, a nossa amizade original com Deus, na criação, foi rompida pela queda do homem. Os seres humanos se tornaram inimigos de Deus. Mas a sabedoria e a graça de Deus planejaram restabelecer novamente a nossa natureza à semelhança da Sua, e fazê-lo de tal forma que tornasse qualquer separação entre nós e Ele impossível. Não podemos deixar de nos admirar que a nossa natureza possa participar da vida gloriosa de Deus. A sabedoria onipotente, poder e bondade tornaram isso possível através de Cristo. Esta obra de Deus é parte do mistério da piedade que os anjos desejam perscrutar. (I Pedro 1:12). Quão pecaminosos e tolos seremos nós se pensarmos muito em outras coisas e não O suficiente nisso. O grande amor de Deus para com a humanidade é demonstrado pelo fato de o Filho de Deus não ter vindo à terra como um anjo, e sim como homem — o homem Cristo Jesus — tendo natureza humana como a nossa.

3. Cristo mostrou que é possível para a nossa natureza humana morar no céu. As nossas mentes não podem entender o número e as distâncias das estrelas no céu. Como, então, supomos que os seres humanos podem morar num céu mais glorioso que o firmamento? Todavia, a nossa natureza, no homem Cristo Jesus foi para o céu eterno de luz e glória e Ele prometeu que onde estivesse ali estaríamos com Ele para sempre.
Tentações, provações, tristezas, temores, medos e doenças são parte desta vida presente. Todas as nossas ocupações têm problemas e tristezas nelas. Se considerarmos porém, a glória de Cristo que iremos compartilhar, podemos obter alívio de todos esses males e ganhar a vitória sobre eles. "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos mas não destruídos. Por isso não desfalecemos: mas ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia, porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; não atentando nós nas coisas que se vêem mas nas que não se vêem; porque as que se vêem são temporárias, e as que não se vêem são eternas" (11 Coríntios 4:8-9,16-18). O que são todas as coisas desta vida, quer sejam boas ou más, comparadas com o benefício a nós da excelente glória de Cristo?

A condição em que as nossas mentes se encontram é o que geralmente nos causa os maiores problemas. O salmista perguntava a si mesmo: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei na salvação da sua presença" (Salmo 42:5,11).

A centralização de nossos pensamentos, pela fé na glória de Cristo, trará paz e calma à mente perturbada e desordenada. É através de Cristo que “... temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus... porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Romanos 5:2-5).

Podemos até pensar com alegria na morte quando fixamos nossos pensamentos na glória de Cristo. Muitos vivem com receio da morte todos os seus dias. Como podemos vencer estes temores?

1. Devemos deliberadamente entregar as nossas almas, ao partirmos deste mundo, nas mãos dAquele que pode recebê-las e guardá-las. A alma, sozinha e por si mesma, tem que ir para a eternidade. Ela deixa para trás, para sempre, tudo o que conheceu anteriormente pelas suas faculdades próprias e naturais.

Deve haver, portanto, um ato de fé ao entregar a alma à disposição de Deus, como Paulo foi capaz de fazer. “... eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (11 Timóteo 1:12).

O Senhor Jesus Cristo é o nosso grande exemplo. Quando Ele despediu o Seu espírito, Ele entregou a Sua alma nas mãos de Deus o Pai, em total confiança que ela não sofreria nenhum mal. "Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória: também a minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção" (Salmo 16:9-10). O último e vitorioso ato de fé acontece .na morte. A alma poderá, então, dizer para si mesma: "Você está agora deixando o tempo e entrando naquelas coisas eternas que o olho natural não viu, nem o ouvido ouviu, nem o coração do homem tem sido capaz de imaginar. Desta forma, em silêncio e confiança entregue-se à soberana graça, verdade e fidelidade de Deus, c encontrarás descanso e paz". Jesus Cristo imediatamente recebe a alma daqueles que crêem nEle, como no caso de Estevão.

Quando morria, ele disse: "Senhor Jesus, receba o meu espírito" (Atos 7:59). O que poderia ser de maior encorajamento para entregar as nossas almas nas mãos de Cristo, na hora da morte, do que conhecer em cada dia de nossas vidas alguma coisa de Sua glória, do Seu poder e da Sua graça?

2. Como seres humanos, não somos semelhantes aos anjos que são apenas espírito e não podem morrer. Nem somos semelhantes aos animais que não possuem alma eterna. Mas Deus designou para nós uma ressurreição gloriosa do corpo que não mais terá uma natureza física; seremos mais semelhantes aos anjos. Nesta vida há uma relação tão íntima entre alma e corpo que nós tentamos tirar da cabeça qualquer pensamento sobre a sua separação. Como é possível, então, ter tal disposição de morrer, a exemplo do apóstolo Paulo quando disse: "mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, por que isto é ainda muito melhor" (Filipenses 1:23)? Essa disposição só pode ser encontrada se olharmos pela fé para Cristo e Sua glória, tendo a certeza que estar com Ele é melhor do que tudo quanto esta vida possa oferecer.

Se quisermos morrer alegremente, devemos pensar em como Deus nos chamará do túmulo na ressurreição. Então, pelo Seu grandioso poder, Ele não apenas nos restaurará à glória de Adão e Eva na criação, como também nos acrescentará ricas bênçãos além da nossa imaginação. Devemos, também, nos lembrar que apesar do corpo e da alma do nosso glorioso Salvador terem sido separados na morte (à semelhança que os nossos também o serão), Ele agora possui grande glória. O Seu exemplo pode nos dar esperança.

3. Deve haver uma disposição nossa em aceitar o tempo de Deus para morrermos. Podemos, à semelhança de Moisés, desejar ver mais da gloriosa obra de Deus em favor do Seu povo na terra. Ou, à semelhança de Paulo, podemos sentir que seja necessário, para o benefício de outros, que vivamos um pouco mais. Pode ser que desejemos ver as nossas famílias e as nossas coisas numa condição melhor e mais estabelecidas.
Mas não podemos ter paz neste mundo, a não ser que estejamos dispostos a nos submeter à vontade de Deus com respeito à morte. Os nossos dias estão em Suas mãos, à Sua soberana disposição. Devemos aceitar isso como sendo o melhor.

4. Alguns podem não temer a morte, porém podem temer a maneira como morrerão. Uma longa doença, grandes dores, ou alguma forma de violência poderiam ser uma maneira de trazer a nossa vida terrena a um fim. Devemos ser sábios, como se estivéssemos sempre prontos para passar por qualquer experiência que Deus nos permita passar. Não seria correto que Ele fizesse o que deseja com o que Lhe pertence? Acaso a vontade dEle não é infinitamente santa, sábia, justa e boa em todas as coisas? Ele não sabe o que é melhor para nós e o que trará maior glória para Si mesmo? Muitas pessoas descobriram que são capazes de suportar as coisas que mais temiam porque receberam maior força e paz do que podiam imaginar que lhes fosse dado.
No entanto, nenhuma dessas quatro coisas podemos fazer, a não ser que acreditemos na excelente glória de Cristo e desfrutemos dela.
Muitas outras vantagens de se meditar na glória de Cristo ainda poderiam ser ditas, porém a minha fraqueza e a proximidade da morte me impedem que eu escreva aqui com maiores detalhes.

- por John Owen (1616–1683)
Extraído do livro: A Glória de Cristo de John Owen, Editora PES, págs.7-10

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