"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Examinando Nosso Arrependimento - Thomas Watson


Se alguém diz que se arrependeu, desejo que examine-se a si mesmo, seriamente, por meio dos sete... efeitos do arrependimento delineados pelo apóstolo em 2 Coríntios 7.11.

1. Cuidado. A palavra grega significa uma diligência intensa ou um esquivar-se atento de todas as tentações ao pecado. O homem verdadeiramente arrependido foge do pecado como Moisés fugiu da serpente.

2. Defesa. A palavra grega é apologia. O sentido é este: embora tenhamos muito cuidado, podemos cair no pecado devido à força da tentação. Ora, nesse caso, o crente arrependido não deixa o pecado supurar em sua alma; antes, julga a si mesmo por causa de seu pecado. Derrama lágrimas perante o Senhor. Clama por misericórdia em nome de Cristo e não O deixa, enquanto não obtém o seu perdão. Assim, em sua consciência, ele é defendido da culpa e se torna capaz de criar uma apologia para si mesmo contra Satanás.

3. Indignação. Aquele que se arrepende levanta o seu espírito contra o pecado, assim como o sangue de alguém sobe quando ele vê um indivíduo a quem odeia mortalmente. A indignação significa ficar importunado no coração por causa do pecado. O penitente sente-se inquieto consigo mesmo. Davi chamou a si mesmo de “ignorante” e “irracional” (Sl 73.22). Agradamos mais a Deus quando arrazoamos com nossa alma por conta do pecado.

4. Temor. Um coração sensível é sempre um coração que teme. O penitente sentiu a amargura do pecado. Este vespa o ferrou, e agora, tendo esperança de que Deus está reconciliado, ele teme se aproximar novamente do pecado. A alma penitente está cheia de temor. Tem medo de perder o favor de Deus, que é melhor do que a vida, e receia que, por falta de diligência, fique aquém da salvação. A alma penitente teme que, depois de amolecido o seu coração, as águas do arrependimento sejam congeladas, e ela seja endurecida no pecado novamente. “Feliz o homem constante no temor de Deus” (Pv 28.14)... Uma pessoa que se arrependeu teme e não peca; uma pessoa que não tem a graça de Deus peca e não teme.

5. Desejo intenso. Assim como o bom tempero estimula o apetite, assim também as ervas amargas do arrependimento estimulam o desejo. O que o penitente deseja? Ele deseja mais poder contra o pecado, bem como ser livre deste. É verdade que ele está livre de Satanás; mas anda como um prisioneiro que escapou da prisão com algemas nas pernas. Ele não pode andar com liberdade e destreza nos caminhos de Deus. Deseja, portanto, que as algemas do pecado sejam removidas. Ele quer ser livre da corrupção. Clama nas mesmas palavras de Paulo: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). Em resumo, ele deseja estar com Cristo, assim como tudo deseja estar em seu devido lugar.

6. Zelo. Desejo e zelo são colocados lado a lado a fim de mostrar que o verdadeiro desejo se manifesta em esforço zeloso. Oh! como o crente arrependido se estimula nas coisas pertinentes à salvação! Como se empenha para tomar por esforço o reino de Deus (Mt 11.12)! O zelo incita a busca pela glória. Ao se deparar com dificuldades, o zelo é encorajado pela oposição e sobrepuja o perigo. O zelo faz o crente arrependido persistir na tristeza santa mesmo diante de todos os desencorajamentos e oposições. O zelo desprende o crente de si mesmo e leva-o a buscar a glória de Deus. Paulo, antes de sua conversão, era enfurecido contra os santos (At 26.11). Depois da conversão, ele foi considerado louco por amor a Cristo: “As muitas letras te fazem delirar!” (At 26.24). Paulo tinha zelo e não delírio. O zelo causa fervor na vida espiritual, que é como fogo para o sacrifício (Rm 12.11). O zelo é um estímulo para o dever, assim como o temor é um freio para o pecado.

7. Vindita [nota minha: Vingança, represália, retaliação]. Um crente verdadeiramente arrependido persegue os seus pecados com uma malignidade santa. Busca a morte dos pecados como Sansão queria vingar-se dos filisteus pelos seus dois olhos. O crente arrependido age com seus pecados da mesma maneira como os judeus agiram com Cristo. Ele lhes dá fel e vinagre para beberem. Crucifica as suas concupiscências (Gl 5.24). Um verdadeiro filho de Deus busca a ruína daqueles pecados que mais desonram a Deus... Com o pecado, Davi contaminou o seu leito; depois, pelo arrependimento, ele inundou seu leito com lágrimas. Os israelitas pecaram pela idolatria e, posteriormente, viram como desgraça os seus ídolos: “E terás por contaminados a prata que recobre as imagens esculpidas e o ouro que reveste as tuas imagens de fundição” (Is 30.22)... As mulheres israelitas que haviam se vestido à moda da época e, por orgulho, tinham abusado do uso de seus espelhos ofereceram-nos depois, tanto por zelo como por vingança, para o serviço do tabernáculo de Deus (Êx 38.8). Com o mesmo sentimento, os mágicos... quando se arrependeram, trouxeram seus livros e, por vindita, queimaram-nos (At 19.19).

Estes são os benditos frutos e resultados do arrependimento. Se os acharmos em nossa alma, chegamos àquele arrependimento do qual nos arrependeremos (2 Co 7.10).

Extraído de The Doctrine of Repetance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.
Traduzido por: Wellington Ferreira

Autor: Thomas Watson - Nascido em 1620, Thomas Watson estudou em Cambridge (Inglaterra). Em 1646, iniciou um pastorado de dezesseis anos em Londres. Entre suas principais obras, estão o seu famoso Body of Pratical Divinity (Compêndio de Teologia Prática), publicado postumamente em 1692.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Qual o Problema com o Teatro? Porque a Proclamação é o Método Bíblico!


Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus (1 Coríntios 1:18).

O meio escolhido e indicado por Deus de comunicar o evangelho glorioso é a proclamação, ou seja, por meio de palavras. Toda a evangelização do Novo Testamento foi através de palavras, seja pela pregação, testemunho pessoal, ou por escritos. O mundo daqueles dias era cheio de arte dramática e simbolismo cultual, mas os mensageiros do Calvário se mantiveram indiferentes a tudo isso e trabalharam com palavras.

“Como ouvirão”, pergunta o apóstolo Paulo em Romanos 10, “se não há quem pregue?” Ele não diz: “Como ouvirão” se não há um ator, ou uma banda de músicos, ou um grupo de debate? A comunicação do evangelho deve ser com palavras dirigidas à mente. Isto requer um discurso racional, quer seja proferido em um grande auditório ou numa reunião doméstica.

O método da proclamação – particularmente a pregação – está sob ataque hoje nos círculos evangélicos. Quase todos os últimos livros a respeito de crescimento da igreja lançam para longe a primazia da pregação, e quando é usada fazem um uso tênue da Palavra de Deus, como modelo e fonte providos por Ele. Os promotores dos assim chamados “cultos de libertação”, embora usem certa medida de pregação, tendem a vê-la apenas como um componente dentro de uma elaborada mistura de métodos.

Alguns escritores têm preparado listas de métodos a fim de mostrar a eficiência comparativa de diferentes meios, e a pregação sempre aparece em último lugar ou próximo dele. Eles dizem que, quando as pessoas são testadas a fim de se saber o quanto elas lembram da pregação, de um debate, de uma representação dramática, de peças, de uma apresentação de vídeo, a pregação recebe a menor pontuação no grau de eficiência. É dito que ela vem em último lugar em termos de compreensão, apreensão e força persuasiva. Esses “testes”, contudo, nunca são científicos e são realizados em circunstâncias onde a pregação é uma experiência pobre, e feita por autores que já têm resultados pré-concebidos. Todavia, a lama jogada na pregação tende a aderir.

A ruína da proclamação direta é extremamente perigosa num momento em que os servos de Deus lutam com resultados tão pequenos, devido à predominância do ateísmo e materialismo. Num tempo assim, é tentador achar que alguma outra coisa além da pregação possa ser feita. O que há de bom, podemos pensar, em pregar semana após semana quando não estamos atingindo as massas?
Estamos vulneráveis àqueles que dizem: “Vocês têm enfatizado demais a pregação. Vocês deveriam fazer outras coisas. Deveriam se juntar ao movimento contemporâneo de culto. Vocês deveriam trazer as baterias para a plataforma durante o culto evangelístico, introduzir dramatizações, usar jeans, reduzir o discurso a dez minutos e separarem-se em grupos de debate. Vocês deveriam fazer alguma coisa além de proclamar”.

A resistência ao evangelho é tão grande que a natureza humana começa a esmorecer, e os métodos tradicionais estão em perigo. Homens de boa vontade e totalmente comprometidos têm se dobrado ao clamor por métodos contemporâneos para alcançar os perdidos, por causa da dureza de nossos dias.

Um tempo para esclarecer

Este é um tempo para fortalecer nossa confiança nos métodos apontados por Deus. Se um método de propagar o evangelho não é através da proclamação, não é o que o Senhor ordena e deseja. Isso simplesmente não é bíblico e, certamente, obediência é o dever maior e mais sábio dos servos de Deus (I Sm 15:23) em qualquer época e, especialmente, numa época de crescente apostasia.

Por que deveríamos pensar que o discurso é relativamente inútil e inadequado, quando ele tem sido tão poderosamente usado e comprovado por vinte séculos de história da igreja? (Rm 10:17). Por que os advogados do rock e drama cristãos têm tal visão preconceituosa da palavra falada? Será, talvez (em muitos casos), porque eles não podem pregar – e não estão realmente equipados nem são chamados por Deus? Ou porque eles têm seguido um estilo de pregação impróprio? Ou será que estão revelando seus verdadeiros gostos como “cristãos” mundanos? Ou eles carecem de fé no poder da Palavra de Deus quando assistida pelo Espírito Santo? Eles não percebem que atrair as multidões e ensiná-las através de material utilizado para diversão acoplado a um arrependimento “light” apenas encherá as igrejas com pessoas que fazem profissão de fé superficiais e enganosas – a “madeira, feno e palha” da famosa advertência de Paulo aos edificadores de igrejas? (1 Co 3:12).

Palavras são tudo no evangelismo. Tome a Palavra de Deus. São palavras! É Deus falando a nós. O Velho Testamento certamente usa símbolos, e tem uma ou duas representações dramáticas em miniatura, mas o roteiro era todo escrito por Deus, as “representações” extremamente curtas, e pretendiam ser nada mais que ilustrações aos sermões ou profecias. Mesmo assim eram tremendamente sérias, nunca o tipo de esquete-comédia adotada pela brigada “seeker-sensitive”[1] de hoje, destinada a alcançar as pessoas pelo riso (fazendo-as morrer de rir).

É claro que nós acreditamos no uso de ilustrações em nossas mensagens e recursos visuais para os jovens, mas o veículo supremo da comunicação é a palavra dirigida de forma direta, pois este é o método exclusivo de Deus para fazer conhecida Sua graça (1 Co 2:4).

Por que não ter drama? O que há de errado com ele? Nós já enfatizamos que ele não faz parte do projeto do Novo Testamento e não é difícil ver por quê (Mt 28:20).

Conquanto o drama pode ser poderosamente cativante e influente no mundo secular, ele é, infelizmente um veículo inadequado e impróprio para a apresentação da verdade do evangelho, sendo primariamente entretenimento, e não um desafio direto e claro à mente. Ele apela principalmente às emoções e raramente por um longo período de tempo. Na mente do espectador ele está mais intimamente associado à ficção, ou faz-de-conta e esta característica prevalece quando é aplicado à obra do evangelho, flutuando como uma névoa perante os olhos de um auditório.

Se o drama apresenta um caso ou argumentação, deve fazê-lo numa situação artificialmente imaginada. Não pode facilmente comparar e contrastar pontos de vista ou discutir a questão e, tão logo tente fazê-lo, tornar-se-á mais enfadonho do que o falar direto jamais o será.

Acima de tudo, ele distorce a realidade. A variedade de personagens inevitavelmente obscurece qualquer mensagem, pois suas próprias personalidades e habilidades agradarão ou repelirão os espectadores (At 1:8). Se estes forem atraídos pelos personagens, inconscientemente estarão dispostos a aprovar seu ponto de vista ou “mensagem”, o que é meramente uma forma sutil de manipulação emocional e não um apelo verdadeiro à mente (Rm 12:1).

Apenas um mínimo de informação real pode ser transmitido pelo drama, talvez no máximo dois ou três pontos significantes e simples. É ineficiente, inapropriado, corre-se o risco de fraude emocional, não pode efetivamente discutir a questão e não é o método que foi designado. Ele com certeza falha em direcionar o espectador, tanto em atraí-lo para Deus quanto em mantê-lo diante d’Ele em juízo (2Co 2:15-17).

O drama inevitavelmente esvaziará a mensagem da real convicção moral. Algumas pessoas vão ao cinema ou ao teatro para um bom choro e são impressionados visualmente por minutos, talvez mesmo uma ou duas horas, mas é a nível emocional e geralmente não tem nenhum efeito duradouro. Na Bíblia as “ilustrações” estão sempre à serviço da proclamação, e este é o método que devemos manter (2 Sm 12:1-7; Jo 10:11,14).

Ilustrações do Senhor

Quanto às representações dramáticas que incluem ilustrações de Jesus Cristo, o eterno Filho de Deus, alguém pode pensar que algum crente bíblico poderia prontamente entender que isso não pode ser feito sem desfigurar o Senhor. Como se pode ilustrar dignamente, senão com palavras, a Pessoa, a vida e o coração do Salvador do mundo? (Cl 1:15).

Alguém pode dizer: “Mas um filme sobre Jesus não é cheio de palavras?” Certamente tem palavras, mas também tem atores, espetáculo e impacto dramático, prendendo a atenção do espectador e suscitando solidariedade humana acima do entendimento espiritual. Um ator toma o lugar do Senhor (muito provavelmente violando o segundo mandamento) e os pontos vitais das doutrinas do evangelho não são ampliados, explicados e aplicados – sendo este o trabalho verdadeiramente representativo da comunicação compreensiva.

Vamos rever algumas das qualidades superiores da proclamação direta contrastando-a com alguns dos novos métodos e inovações.

Primeiro, com palavras diretas na pregação ou testemunho, o Deus Todo-Poderoso está sempre à vista. Ele está sempre lá. Há sempre referência a Ele. A mensagem é claramente sua, pois ela é trazida de sua Palavra, enquanto que nos métodos não-proclamativos de apresentação Deus é um tanto obscurecido, sejam discussões que se desviam tropeçando nos fragmentos da opinião humana, sejam músicas de estilo-entretenimento, seja o drama. Apenas com a proclamação direta Deus é sempre o objetivo e propósito supremo e a fonte inerrante da mensagem (Rm 1:16).

Este é o ponto por trás da tradição de se ter uma enorme Bíblia no púlpito. Nossos ancestrais tinham grandes Bíblias por princípio, para que todos pudessem ver a fonte da mensagem e a autoridade por trás dela. Nos tempos antigos o evangelista viajante alcançava o mesmo efeito ao segurar a Bíblia firmemente em sua mão, apontando seu dedo e dizendo: “A Bíblia diz! ... A Bíblia diz!”

Se o proclamador faz seu trabalho a partir de um púlpito grande ou de uma Bíblia de bolso, Deus é sempre a fonte, autoridade e objetivo.

Segundo, a proclamação, como nada mais, nos capacita a transmitir o espírito no qual Deus dá esta mensagem. Ele pode ser expresso com paixão, com comiseração, e com súplica urgente. O drama transmite e evoca sentimentos, mas o sentimento expresso entre os personagens ou evocado pelo impacto de uma situação, não a atitude e o coração de Deus para com pecadores. Apenas o discurso direto em Seu nome pode transmitir algum sentido disso. Não deixe ninguém denegrir a pregação direta ou o ensino da escola dominical, pois somente eles trazem o coração de Deus aos ouvintes.

Terceiro, apenas a proclamação direta persuade a mente livre, racional (2 Tm 3:16). É verdade que a pregação pode explorar a manipulação emocional. O orador pode contar dramalhões e fazer sua voz variar dos tons trêmulos a explosões de sons, agitando os sentimentos. Mas, se os truques teatrais excessivos forem evitados, o discurso direto direciona a responsável (embora decaída) faculdade pensante ao desafiá-la e persuadi-la.

O ouvinte não é influenciado por coisas estranhas. Ele não é hipnotizado sob o poder da coerção, de músicas rítmicas, ou projetado em um transe emocional por algo que o move a nível carnal. Ele ouve palavras claras e sua mente (do ponto de vista humano) não está sob qualquer coerção. Ele ouve uma mensagem clara, expressa com paixão mas sem manipulação e, conforme o mover do Espírito, sua resposta será genuína. Se ele rejeita essa mensagem direta, Deus será justo em julgá-lo.

Quarto, a proclamação permite para que o “tom” da comunicação seja correto de uma outra forma. Esta mensagem é séria. É uma questão de vida ou morte. Tem a ver com a eternidade. Como nada mais, a pregação pode conseguir o tom certo. A proclamação direta, embora possa ter momentos de humor, fornece autoridade intrínseca, reverência a Deus e seriedade (Hb 12:29).

Nós já observamos que o drama está associado com divertimento, e por isso não pode obter o tom certo. Com o drama o auditório é transportado à região da irrealidade desde o princípio. Com música estilo-entretenimento o ouvinte é o “consumidor”, e os cantores e instrumentistas os artistas cujo trabalho é agradar (Gl 1:10). No caso dos grupos de debate, a todo membro é erroneamente conferido o direito de determinar o que é Verdade pois eles são reunidos para ensinar uns aos outros, e para chegar à Verdade entre si. Eles são a fonte da Verdade. Eles estão todo-importantes. Onde está, aqui, a humildade necessária para ouvir o evangelho, e onde estão a autoridade e seriedade da Verdade? Apenas a proclamação possui a capacidade de nos preservá-las.

Quinto, (estendendo a questão anterior), nada tem poder convincente como a proclamação direta. Esta mensagem é acerca dos grandes assuntos da alma. Diz respeito ao reto juízo de Deus e a possibilidade de uma chance de escape através do Seu amor maravilhoso e perdão surpreendente. É sobre grande culpa e profunda necessidade. A proclamação direta, abençoada pelo Espírito, é o veículo exclusivo para prender e convencer a alma (1 Co 1:21). A metodologia de entretenimento, do tipo “pega leve”, e os círculos de cultos de libertação, jamais conhecem algo assim. No fim, eles têm que voltar aos truques carismáticos, tais como desabar no Espírito, induzidas por primitivas hipnoses de massa, como substituto para a convicção do coração.

APRENDENDO COM OS ARAUTOS DOS TEMPOS BÍBLICOS

Paulo diz duas vezes que ele foi ordenado um pregador, e isto é de grande importância.[2] No grego ele usa a palavra arauto. As características de um arauto nos tempos bíblicos são de um significado imenso. No mundo antigo não era permitido que um arauto fizesse qualquer coisa por sua própria iniciativa. Ele devia se manter estritamente no seu texto.

Os arautos eram freqüentemente enviados como mensageiros numa guerra a uma capital ou a um campo inimigo, mas eles nunca eram negociadores. Eles cumpriam suas ordens entregando sua mensagem e retornando com a resposta.

Paulo usa o termo “arauto” porque estes deveres refletem perfeitamente o ofício verdadeiramente limitado de um pregador cristão que não é chamado para inventar novos métodos de comunicação para cada época, mas para honrar e pôr em prática aqueles que foram estabelecidos no Novo Testamento (2 Co 5:20).

O termo arauto também descreve aquele que proclamava nas cidades qualquer mensagem que lhe fosse dada. Ele não podia mudar o anúncio nem a data. Similarmente, não é da nossa competência modificar a mensagem ou o método. Nós devemos trabalhar dentro dos limites que nos são indicados e é isto que está sendo esquecido hoje. Nossa energia e iniciativa devem ser empregados para levar as pessoas e os jovens da escola dominical a ouvir a proclamação, e não substituí-la com divertimento.

Paulo diz que ele não pregava o evangelho – “com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo” (1 Co 1:17). Ele não quer dizer que os pregadores não podem usar argumentos, pois ele mesmo os usava. Sua própria pregação era sabiamente dirigida, expondo a tolice de se dedicar a este mundo e estabelecendo a necessidade de se voltar para Cristo a fim de ser salvo. Contudo, ele nunca misturou evangelismo com sabedoria humana, empregando filosofia grega para deleitar os ouvidos dos intelectuais numa tentativa de fazer sua mensagem mais atrativa a eles. Ele nunca misturou a mensagem com o que eles queriam ouvir (2 Tm 4:3).

É inconcebível que o apóstolo, se estivesse vivo hoje, dissesse: “A proclamação do evangelho não é popular, por isso eu irei misturá-la não com filosofia grega, mas com a apresentação de uma banda de rock que recomendará a si mesma às pessoas. Então eu reduzirei a mensagem drasticamente para dar lugar às peças de drama, pois eles não querem ouvir nada sério”.

Se for filosofia grega ou som de bateria, é tudo a mesma coisa: a mistura da mensagem da Palavra com algo preferido pela sociedade perdida, de modo que possamos evitar a ofensa da cruz. Isto é o que Paulo, inspirado pelo Espírito, claramente condena (Cl 2:23).

Apenas as palavras podem confrontar

Quando nós proclamamos a cruz de Cristo, temos muito a fazer. Nós devemos apresentar a necessidade da cruz, a santidade de Deus, a Queda do homem, a Pessoa de Cristo e o que realmente aconteceu naquela cruz. Devemos também expor o vazio e a futilidade de uma vida sem Deus, os benefícios da salvação, os méritos salvíficos exclusivos da cruz e a tragédia de uma eternidade perdida (At 20:27). Mas apenas as palavras podem adequadamente explicar estes assuntos à mentes racionais, informando-as dos detalhes e atitudes desafiantes de modo que o Espírito Santo pode usar. Unicamente palavras podem comunicar, persuadir e advertir de um modo convincente, desafiador e que apela. Apenas as palavras têm o suporte das promessas das Escrituras de serem instrumento. Não é possível este trabalho tão elevado ser feito por meio de diversão musical ou através de peças teatrais (por intermédio da ficção).

Nós apelamos aos pregadores e líderes das igrejas que não se rendam às novas experiências da comunicação (1 Tm 4:6). Lembrem-se que as pessoas que começaram essas tendências são pessoas que apresentam uma noção mais fraca de conversão e da vida cristã a fim de reter um grau considerável de mundanismo.

Esses “evangelistas” buscam apenas um estilo de vida mediocremente são. O que eles promovem é um novo sincretismo (1 Re 12:28-33) – Deus e as riquezas; Cristo e o mundo – e eles têm provado que isto é extremamente popular. São essas pessoas que inventaram a síndrome da novidade, os métodos e inventos não-proclamativos.

Não imagine que isso é meramente uma coisa de geração. As tendências de hoje marcam uma divisão deliberada do cristianismo que chama as pessoas do pecado e mundanismo para uma conversão radical, forjada pelo Espírito Santo. Obreiros cristãos genuínos não devem cair num sistema projetado por obreiros duvidosos (1 Tm 4:16).

Encontramos, primeiro, essas alternativas para a proclamação (em grande escala) no fim dos anos 60, quando a Cruzada do Campo lançou seu original “Quatro Leis Espirituais”. Certamente, havia obreiros do Campo que eram pessoas piedosas e cujos esforços evangelísticos foram bem maiores do que seu roteiro oficial, mas o roteiro que eles deviam seguir encurtou lamentavelmente a mensagem do evangelho.

Divertimento com grandes bandas de música brigava com testemunhos do tipo “show-bizz” e mensagens ultra-curtas apontando para um desafio a um evangelho tragicamente diminuído. Os leitores podem lembrar a linha geral: “Deus tem um plano maravilhoso para sua vida”. “Deus está cheio de sorrisos e pronto para abençoar, mas”, diz o roteiro (de fato), “há apenas um pequeno problema no caminho. Antes que você possa ser abençoado, você precisa tirar do caminho esta pequena questão do arrependimento. Felizmente, isto pode ser feito com uma frase curta, e então você pode seguir adiante para o passo seguinte, que é mais legal” (1 Re 22:5-8).

Nós estamos, claro, parodiando a fórmula do Campo, mas ele certamente minimizava as questões, não alcançando qualquer convicção real. Isto é precisamente o que está acontecendo com a maioria daqueles que agora promovem o drama e o divertimento como uma alternativa para o desafio direto da proclamação. Eles não querem o caráter convincente e o poder da mensagem autêntica.

Apesar de tudo o que temos dito sobre a superioridade da proclamação direta, o poder não é inerente, mas é obra do Espírito. O fato de pregarmos não é garantia de bênção e o apóstolo expressa isso francamente: “A palavra da cruz é loucura para os que perecem” (1 Co 1:18). Incontáveis pessoas irão reagir com escárnio. Elas entenderão, mas acharão que é ridículo e loucura fazer-lhes essas propostas.

Eles dirão a si mesmos: “Eu não aceito que eu seja um pecador condenado. E se eu me voltar para este Salvador, eu vou perder meu direito de dirigir minha própria vida e fazer o que eu quero. Terei que me conformar a novos padrões, e muitas coisas com as quais estou comprometido e gosto, terão que ser abandonadas. É ridículo me pedir que faça isso” (Mt 19:22).

Uma resposta não-autêntica

Adoçar o remédio diluindo o evangelho e disfarçando-o com divertimento não o fará mais aceitável, apenas menos compreensível. As pessoas ouvirão um evangelho modificado, enfraquecido, e suas respostas não serão autênticas.

O apóstolo adverte que a proclamação funciona apenas porque Deus a faz operar nos corações do seu povo.

Quando as pessoas nos dizem: “Vocês são apenas tradicionalistas, firmemente presos ao passado e querem que tudo seja feito como se fazia no século dezenove”, eles nos entendem de forma errada. Nós queremos usar a proclamação direta porque é o que Deus nos diz exclusivamente para fazer. Seja no ensino da escola dominical, testemunho pessoal, pregação no púlpito ou livros e folhetos impressos, o método das Escrituras é apresentar o evangelho em palavras racionais, a mentes racionais, apoiadas por oração fervorosa.

Muitos evangélicos hoje entendem que o público quer grupos de rock, informalidade, convivência, teatro e outros divertimentos e, enquanto o apóstolo Paulo não tinha qualquer intenção de condescender com os desejos da carne, seja de gregos ou judeus, os “modernosos” de hoje saem para dar aos profanos exatamente aquilo que pensam que irá agradá-los.

Vamos focalizar toda a nossa energia nas formas da proclamação direta e atividades que mantenham as pessoas sob esta influência. Estes são os dois únicos aspectos legítimos do evangelismo: proclamação e esforços para apoiá-la.

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Dr. Peter Master é o editor da revista Sword & Trowel, The Metropolitan Tabernacle, Londres

[1] Culto que procura satisfazer aos desejos das pessoas que adoram.
[2] 1 Tm 2:7 e 2 Tm.1:11

Fonte: Revista Os Puritanos. Ano XI, n.01, Jan/Fev/Mar, 2003, p. 3 - 7
Postado com Autorização do Dr. Pb. Manoel Canuto.

Por Dr. Peter Master

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Qual o propósito da morte de Cristo? Ele morreu por todos os homens?


Nós já dissemos, resumidamente, o que as Escrituras ensinam sobre o porquê da morte de Cristo (Primeira Parte, capítulo um). Agora que já exploramos todo o assunto, de modo geral, precisamos examinar em maiores detalhes aquelas passagens que falam sobre o que foi realizado através da morte de Cristo. Farei isso, examinando três grupos de versículos bíblicos.  

Primeiro, há aquelas passagens que mostram qual o propósito de Deus na morte de Cristo. Escolhi oito versículos para examinarmos, embora muitos outros pudessem ser usados.  

1.  Lucas 19: 10. "Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido." - Portanto, está claro que Deus pretendia realmente salvar os pecadores perdidos mediante a morte de Cristo.  

2.  Mateus 1 :21. " ... e chamarás o seu nome Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados." - Portanto, tudo que fosse realmente necessário para salvar os pecadores deveria ser feito por Jesus Cristo. 

3. I Timóteo 1: 15. " ... que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores." - Isso não nos permite supor que Cristo veio simplesmente para possibilitar a salvação dos pecadores; pelo contrário, insiste no fato de que Ele veio realmente para salvá-las.  

4. Hebreus 2:14-15. " ... para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos os que ... estavam ... sujeitos à servidão." - O que poderia ser mais claro que isto? Cristo veio realmente para salvar os pecadores.  

5. Efésios 5:25-27. ". " como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar ... para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa ... " - Penso que não é possível dizê-lo mais claramente do que o Espírito Santo o fez nesta passagem; Cristo morreu para purificar, santificar e glorificar a Igreja.  

6. João 17:19. " ... me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade." - Será que aí não estamos ouvindo o próprio Salvador declarar o propósito de Sua morte? Ele morreu a fim de que alguns (não o mundo todo, visto que Ele não orou por isso - versículo 9) fossem realmente santificados (ou feitos santos).  

7. Gálatas 1:4. "O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar ...” - Afirma aqui, outra vez, o propósito da morte de Cristo como sendo realmente para nos libertar.  

8. II Coríntios 5:21. "Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." - Portanto, entendemos que Cristo veio para que os pecadores pudessem tornar-se justos.  

A partir de todos esses versículos, é evidente que o propósito da morte de Cristo era salvar, libertar, santificar e justificar aqueles pelos quais Ele morreu. Pergunto: todos os homens são salvos, libertados, santificados e justificados? Ou será que Cristo falhou em cumprir o Seu propósito? Julguem, então, por si mesmos, se Cristo morreu por todos os homens ou somente por aqueles que são realmente salvos e justificados!  

Segundo, há aquelas passagens que não só falam do propósito da morte de Cristo, mas, também, do que foi realmente alcançado através dela. Seleciono aqui seis passagens:  

1. Hebreus 9: 12, 14. " ... mas por seu próprio sangue '" havendo efetuado uma eterna redenção ... purificará as vossas consciências das obras mortas ... " - Aqui são mencionados dois resultados imediatos da morte de Cristo - a redenção eterna e consciências purificadas. Qualquer um que tenha esses resultados, é um daqueles por quem Cristo morreu.  

2. Hebreus 1:3. "... havendo feito por si mesmo a purificação de nossos pecados, assentou-se à destra da majestade".- Portanto, há uma purificação espiritual obtida para aqueles por quem Cristo morreu.  

3. I Pedro 2:24. "Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados..." - Aqui temos a afirmação daquilo que Cristo fez - Ele carregou nossos pecados na cruz.  

4. Colossenses 1:21-22. " ... vos reconciliou ... " - Assim, um verdadeiro estado de paz foi estabelecido entre aqueles por quem Ele morreu e Deus, o Pai.  

5. Apocalipse 5:9-10. " ... porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus, ... de toda ... nação; ... os fizestes reis e sacerdotes..." - É claro que isto não é verdadeiro com relação a todos os homens, mas descreve o que é verdadeiro sobre todos aqueles por quem Cristo morreu.  

6. João 10:28. "E dou-lhes a vida eterna... " - O próprio Cristo explica que a vida é dada a "suas ovelhas" (versículo 27). A vida espiritual que os crentes desfrutam é-lhes obtida pela morte de Cristo.  

Com base nesses seis versículos (e muitos outros poderiam ser usados), podemos dizer o seguinte: se a morte de Cristo realmente obtém redenção, lavagem, purificação, libertação dos pecados, reconciliação, vida eterna e cidadania num reino, então Ele deve ter morrido somente por aqueles que recebem tais coisas. Está bastante claro que nem todos os homens possuem tais coisas! Portanto, a salvação de todos os homens não pode ter sido o propósito da morte de Cristo. Terceiro, há também um grupo de versículos bíblicos que descrevem aqueles pelos quais Cristo morreu. Estes são geralmente descritos como "muitos", por exemplo: Isaías 53: 11; Marcos 10:45; Hebreus 2:10. Mas estes "muitos" são descritos em outros lugares como:  

- as ovelhas de Cristo (Jo. 10:15);
- os filhos de Deus (Jo. 11:52);
- os filhos que Deus Lhe deus (Jo. 17:11; Hb. 2:13);
- Seus escolhidos (Rm. 8:33);
- o povo que Ele antes conheceu (Rm. 11:2); 
- Sua igreja (At. 20:28);
- aqueles cujos pecados Ele levou (Hb. 9:28). 

Indubitavelmente tais descrições não são verdadeiras com relação a todos os homens. Assim, vemos que o propósito da morte de Cristo, conforme nos é apresentado nas Escrituras, não pode ter sido a salvação de todos os homens. 

Por John Owen (1648)
Citado via FaceBook - texto completo AQUI

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Não participem dos Dias de Baal - do Puritano Holanês Jacobus Koelman


Não permita que seus filhos comemorem aqueles dias nas quais a incredulidade e a superstição estão sendo dispensadas. Eles são, reconhecidamente, inclinados para querer isso, porque eles vêem os filhos dos pais Romanistas observando estes dias. Não permita que eles freqüentem carnavais, Terça-Feira Gorda (Mardi Gras), busquem o Papai Noel, ou observem a Duodécima Noite, porque todas estas coisas são restos de um papado idólatra. Você não deve deixar seus filhos longe dos estudos nestes dias, ou longe do trabalho, nem deve deixá-lo brincar lá fora ou participar da diversão. O Senhor disse, "Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos." (Lev. 18:3). O Senhor punirá os Reformados por causa dos dias de Baal (Oséias 2:12-13), e Ele também observa o que as crianças tem feito nos dias de tal idolatria (Jer. 17:18). Portanto, não deixe seus filhos receberem presentes do Papai Noel, nem os deixe sortear bilhetes de rifa e estas coisas semelhantes. Dê aquilo que lhes agrada em outros dias que não estes, e, uma vez que os dias de Natal, Páscoa e Pentecostes têm ainda este mesmo caráter, o povo Reformado deve manter suas crianças afastadas destes assim chamados “dias santos” e “festividades”.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

À Lei e ao Testemunho - Livro do Profeta Isaías 8:20


"Os judeus incrédulos eram propensos a buscar conselho, quando em dificuldades, em diferentes adivinhos, cujas tolas e pecaminosas cerimônias são aqui aludidas.

Será que sabemos como podemos buscar ao nosso Deus, e cheguar ao pleno conhecimento da Sua mente? À lei e ao testemunho, porque lá você poderá ver o bem, e conhecer o que o Senhor exige.

Devemos falar das coisas de Deus, segundo as palavras que o Espírito Santo ensina, e sermos governados por estas palavras".

Por Matthew Henry
Fonte: Igreja Puritana

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Porquês de não celebrar o Natal - Respostas comuns dadas por cristãos para a celebração do Natal


I. O texto de Romanos 14.5,6 não permite aos cristãos a celebração do Natal?

“Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor não o faz" (Rm 14.5,6a).

1. Paulo, em sua epístola aos Romanos, lidava com uma situação única na igreja primitiva. Havia judeus crentes que “consideravam os dias santos da economia mosaica como dotados de santidade permanente". Os “dias" mencionados em Romanos eram dias ordenados por Deus na antiga economia. Paulo menciona “os dias santos e cerimoniais da instituição levítica". Quase todos os comentaristas concordam com essa interpretação. Paulo permite a diversidade na Igreja a respeito desses dias santos judeus por causa de circunstâncias histórias exclusivos. Quando Jesus Cristo morreu na cruz, os aspectos cerimoniais da lei (p.ex., sacrifícios de animais, dias santos, circuncisão etc.) foram cumpridos. Entretanto, antes da destruição de Jerusalém e do templo no ano 70 d.C., os  apóstolos permitiram certas práticas por parte dos cristãos de origem judaica desde que se  não lhes atribuísse a justificação. Em Atos 21.26, encontramos o apóstolo Paulo indo ao templo “anuncia[r] serem já cumpridos os dias da purificação". Aos judeus crentes acostumados a manter certos dias santos da economia mosaica foi permitida a continuação  dessas práticas durante certo tempo. Porém, destruído o templo, completado o cânon das  Escrituras, e a existência da Igreja durante uma geração completa, essas circunstâncias  históricas únicas findaram. E mesmo que essa passagem posse aplicável à situação presente, ela não poderia ser utilizada para justificar o Natal, porque os dias mencionados por Paulo não foram “cristianizados" a partir de dias santos pagãos nem de dias santos arbitrariamente estabelecidos por seres humanos. Portanto, se essa passagem ainda fosse aplicável em nossos dias, ela seria usada apenas para justificar a celebração privada dos dias santos judaicos por crentes judeus “fracos" na fé. Ela não pode ser usada como justificativa para dias estabelecidos por seres humanos ou dias pagãos não ordenados por Deus.

2. Essa passagem não apenas não permite aos cristãos celebrar o Natal, mas ela também proíbe a celebração de cultos de Natal de qualquer tipo, bem como festas natalinas. Paulo permite a diversidade na Igreja a respeito deste assunto (i.e., os dias santos dos judeus). Ambos os grupos devem se aceitar mutuamente em busca de paz e unidade na Igreja. Os dois lados crêem obedecer a Palavra de Deus. “A conformidade forçada ou a pressão exercida com o objetivo de assegurar a conformidade anula os objetivos aos quais as exortações e reprimendas são dirigidas." Dessa forma, seria errado que os crentes judeus fracos levassem a Igreja a ter um culto de adoração em honra de um dia santo cerimonial, porque os crentes gentios fortes não se sentiriam compelidos a estarem presentes nesse culto público a Deus. Portanto, aqueles que celebravam os dias santos judaicos faziam-no em particular para o Senhor. Quem usa essa passagem para justificar a celebração do Natal deveria, da mesma forma, sentir-se forçado pela injunção de Paulo a manter o dia em caráter privado. Então, cultos natalinos e festas de Natal na Igreja deveriam cessar pela violação da liberdade cristã de não celebrar essa data. É claro que pelo fato de o Natal não ser ordenado por Deus e constituir um monumento à idolatria, sua celebração é proibida[1].

Pastores e presbíteros que autorizam a celebração do Natal abusam de seu ofício. O pastor e os líderes de uma igreja recebem sua autoridade de Deus. Eles são responsáveis por reger a igreja de acordo com a Palavra de Deus. Quando pastores e presbíteros autorizam o culto especial de Natal, eles o fazem por conta própria, pois não há garantia da Palavra de Deus para proceder assim. Portanto, neste ponto ele não age de modo diferente de um papa ou bispo, introduzindo invenções humanas na Igreja. As pessoas na igreja que se recusam a tomar parte no dia festivo pagão-papal, que se recusam a adorar a Deus de acordo com a imaginação humana, que se recusam a adorar a Deus sem autorização divina, são forçadas pela liderança local a permanecer em casa em vez de estarem presentes ao culto público a Deus. Portanto, neste ponto, muitos presbíteros atuam como papas, prelados e tiranos em detrimento do rebanho de Deus por tirarem a liberdade que temos em Cristo para adorar a Deus como corpo “em espírito e verdade", publicamente, no dia do Senhor.

II. Os judeus nos dias da rainha Ester não estabeleceram um dia santo não autorizado pela lei de Moisés? Este exemplo não permite que a Igreja estabeleça dias santos (p.ex., Natal) não autorizados pela Bíblia?

1. Quase não há semelhanças entre o Natal e Purim. Purim consiste em dois dias de ação de graças. Os acontecimentos do Purim são: “alegria e gozo, banquetes e dias de folguedo [...] e [o envio de] presentes uns aos outros e dádivas aos pobres" (Et 8.17; 9.22). Não havia culto público, atividades dos levitas e nem cerimônias. Os dois dias de Purim têm mais em comum com o dia de ação de graças e com jantares de família que com o Natal. Essa data certamente não é a justificativa para os cultos natalinos. Sua celebração é mais parecida com os dias de ação de graças, que ainda são permitidos, e não com os dias santos cerimoniais do sistema levítico. De fato, os teólogos de Westminster usaram a celebração de Purim como texto-prova para a autorização de dias de ação de graça (Et 9.22)[2].

2. Purim foi um acontecimento histórico único na história da salvação de Israel. O festival foi decretado por autoridades civis: pelo primeiro ministro Mardoqueu e pela rainha Ester. O povo concordou de forma unânime. A ocasião e autorização de Purim estão escritas na Palavra de Deus e foram aprovadas pelo Espírito Santo. O imperativo bíblico de não adicionar nem subtrair aplica-se às leis e adoração estabelecidas por seres humanos. Ela certamente não proíbe o Espírito Santo de completar o cânon da Escritura e instituir novas regulamentações.

3. O Natal é intrinsecamente imoral por ter sido estabelecido sobre monumentos da idolatria pagã. Não há nada errado um país manter um dia de ação de graças por um ato especial de libertação divina. Contudo, há algo muito errado quando uma igreja corrupta tenta dar características cristãs a vestimentas pagãs; e algo muito errado quando protestantes conspiram com a Igreja corrupta de Roma e usam o piedoso Mardoqueu como desculpa.

III. Não se questiona que o Natal não tenha lugar no culto público a Deus, mas não seria correto celebrá-lo em particular?

O problema com esse conceito é o pressuposto de que o Princípio Regulador do Culto seja restrito apenas ao culto público. Não existe evidência bíblica para apoiar o uso do Princípio Regulador apenas nessa ocasião. De fato, a Bíblia apóia o conceito oposto. Caim foi condenado por uma inovação no culto particular (Gn 4.2-8). Noé, em um culto familiar, ofereceu animais limpos a Deus (Gn 8.20,21). Deus se agradou e aceitou a oferta de Noé a favor de si mesmo e de sua família. Abraão, Jacó e Jó ofereceram sacrifícios a Deus em cultos particulares ou familiares de acordo com a Palavra de Deus. Deus aceitou essas ofertas legais. A idéia de permissibilidade de inovações no culto em família ou particular não é bíblica; é totalmente arbitrária por não se basear na revelação divina. Se uma novidade desagrada a Deus no culto público, como ela poderia agradá-lo no culto particular. Se fosse assim, de acordo com essas premissas, poderíamos possuir em casa pequenas capelas onde queimaríamos incenso, vestiríamos sobrepelizes, mitras, evitando apenas o uso dessas coisas em cultos públicos.

Existem algumas diferenças entre o culto público e o particular (p.ex., o culto particular pode ser feito duas ou três vezes por dia, ao passo que o culto público deve ser realizado pelo menos uma vez a cada dia do Senhor). Indivíduos nas denominações reformadas que trouxeram inovações não bíblicas como o Natal, mulheres ensinando Bíblia e teologia para homens em estudos bíblicos e aulas de escola dominical, a introdução de hinos e melodias de Natal etc., não procuram justificar essas práticas mediante a Escritura. Em vez disso, elas arbitrariamente regulamentam essas atividades sem consultar o Princípio Regulador do Culto ao dizer que elas se encontram na esfera do culto particular. Pastores e rebanhos se encontram tão apaixonados por essas inovações que partem para a mistificação. Agem como se pastores, papas ou bispos possuíssem autoridade para transformar o culto particular (no qual presumem a permissão da autonomia humana) em culto público (onde a Palavra reina suprema) ao dizer: “Agora tem início o culto público a Deus". Em que parte da Bíblia o culto público é relegado a poucas horas no dia do Senhor. Jesus Cristo disse: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles" (Mt 18.20)[3]. Como pode uma mulher ensinar homens em particular no domingo. Como poderiam cinqüenta pessoas cantar canções natalinas no culto particular. Não presuma a permissão divina para inovações e autonomia humana no culto particular. Tente prová-las pela Palavra de Deus. Você não conseguirá. Não declare arbitrariamente que suas práticas se referem ao culto particular quando são próprias do culto público. Os rabinos do passado justificavam todo tipo de coisas sem sentido com o mesmo raciocínio.

A Bíblia diz: “um pouco de fermento faz levedar toda a massa" (1Co 5.6; Gl 5.9). Quando presbíteros e pastores presbiterianos pararam de disciplinar membros da igreja por causa da celebração doméstica do Natal nos séculos XIX e XX, praticamente permitiram que o fermento pagão-papista do Natal se espalhasse. De fato, foi o que aconteceu. Deve-se procurar bastante para encontrar um lar de presbiterianos onde a invenção papista não seja celebrada[4].

IV. Nós não celebramos o Natal. Para nós o dia é apenas um dia comum em família. O que poderia haver de errado nisso?

Há 365 dias no ano. É interessante que o dia anual da reunião da família ocorra exatamente em 25 de dezembro. Por acaso vocês não estariam imitando seus vizinhos pagãos e sua cultura. Vocês não estariam celebrando o dia, como os demais e apenas declarando o secular como justificativa ou desculpa. Se você estiver passando um dia agradável em família, você encherá sua sala com monumentos e lembranças da idolatria passada e presente. Você diz ser apenas um dia secular em família, mas você tem uma árvore de Natal, sempre verde, visco, presentes, velas e cantigas. É óbvio que vocês celebram o Natal da mesma forma que os papistas. A verdade é que se vocês eliminarem toda a parafernália pagã do Natal, então provavelmente não se incomodarão em celebrá-lo. O dia pagão perderia seu fulgor, charme e atração emocional. Como cristãos devemos nos dedicar à família. Devemos nos reunir com nossos parentes e usufruir mutuamente de sua companhia. Mas não precisamos de um dia de festa pagã para fazê-lo.

Conclusão

Se a Igreja de Jesus Cristo deve ser sal e luz para nossa cultura degenerada, ela deve purificar a própria casa. Mais e mais cristãos têm tentado impactar positivamente nossa cultura pagã. Eles tentam resgatar a data do humanismo secular e do estadismo. Esse novo envolvimento é necessário, mas ele não será bem-sucedido até que a Igreja retorne à pureza doutrinária e do culto alcançada pela ala calvinista da Reforma. O Estado romano pagão com todo o seu poder não conseguiu destruir a Igreja cristã. A Igreja prosperou a despeito da tirania e da opressão do Império Romano. O que causou o colapso da Igreja foi a decadência interna. A corrupção da doutrina e do culto na Igreja a tornaram uma fonte de heresia, superstição, idolatria e tirania.

O evangelicalismo moderno se encontra em um sério estado de declínio. O movimento de crescimento da igreja, o movimento ecumênico, o pragmatismo e a manutenção da paz têm precedência sobre a integridade doutrinária e o culto puro. Como resultado, o evangelicalismo moderno é frouxo, comprometido, impotente e morno. Não é simples coincidência que a Igreja tenha tido um impacto mais positivo sobre a sociedade e a cultura quando sua doutrina e culto eram mais puros (p.ex., o segundo período da Reforma na Escócia, 1638). Só quando retornarmos ao culto bíblico rejeitaremos a autonomia humana.

_________________________
Notas:
[1] Em Gl 4.10,11 e Cl 2.16,17 a guarda de dias é concenada por Paulo por sua conexão nesses casos com heresias. A situação em Roma era diferente. Os dias eram guardados por causa de má-compreensã. Não havia o envolvimento de heresias e aplicação de justiça derivada de obras.
[2] Confissão de fé de Wetminster, (1647), cap. XXI, seção 5, texto-prova (a).
[3] O povo de Deus é a Igreja; quer se reúnam em edifício próprio, celeiro, estacionamento ou casa. Quando os cristãos se juntam para ouvir a Palavra de Deus, há uma reunião da igreja. Trata-se de culto público quer ele comece às 7h ou às 23h. O culto público deve ocorrer no dia do Senhor, mais isto não significa que o culto público esteja limitado a um dia apenas.
[4] Como demonstramos antes, o Natal é um monumento à idolatria passada e presente; portanto, mesmo sem a intervenção do Princípio Regulador do Culto é errado celebrá-lo no lar, no escritório, na igreja, no clube etc.

Por Brian Schwertley

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sexto elemento constitutivo do culto público: Reunião no Dia do Senhor (parte 2) - Sermão pregado dia 18.12.2011



Sexto elemento constitutivo do culto público: 
Reunião no Dia do Senhor (parte 2) - 
Sermão pregado dia 18.12.2011  

Dando prosseguimento com nosso estudo acerca do Dia do Senhor (clique aqui para ler a parte 1), hoje veremos o porquê do dia de Sábado ter sido alterado para o primeiro dia da semana, isto é, o Domingo e algumas consequências necessárias dessa troca. Na próxima parte (parte 3) veremos quais as práticas autorizadas e que podem ser feitas nesse dia.

É sempre importante levarmos cativo que o sábado era um dia de extrema importância para o judeu, pois conforme vimos, Deus havia instituído um dia em cada sete para que o povo cessasse de todas as suas atividades e se dedica-se ao Senhor, contudo, Deus não os deixou sem promessa, e sim afirmou: "Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, Então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse" (Is 58.13-14). 

O dia de sábado não era um dia de ociosidade - como pensam alguns - mas um dia em sete para que o Senhor fosse magnificado por meio do cessar das obras; não porque em si elas eram más, mas porque havia algo de muitíssimo mais agradável e proveitoso para se fazer: o buscar ao Senhor. Sobre o sentido da palavra sábado (o substantivo hebraico - Shabbãt), temos a seguinte definição: "Um lexicógrafo [1] menciona os seguintes sentidos: repousar, fazer cessar, descartar, fazer fracassar, celebrar, guardar o sábado, afastar-se, sofrer necessidade, guardar, tirar, acalmar ou aquietar... Todavia, a maioria dos estudiosos concorda que não é descanso, pois, como veremos, existem outros termos que são usados para expressar essa ideia. O peso da opinião favorece a ideia de cessar, parar, fazer uma pausa. Deve-se dizer, no entanto, que em alguns casos a ideia de descanso físico não está ausente. Todavia, quando usado como relação ao sábado, significa guardar, celebrar o dia... A nossa conclusão é que o termo deve ser entendido como tendo um sentido geral de intervalo, um tempo entre outros, separado para propósitos religiosos específicos. Em suma, sábado significa um dia santo". [2]

Ouso afirmar que - muitíssimo infelizmente - a maioria dos cristãos nunca foi ensinado acerca do quarto mandamento (eu fui um deles), pois creem que hoje estamos na graça e não mais na lei, mas conforme já temos visto domingo após domingo, a lei de Deus é boa e continua válida para o crente atual - não como meio de salvação (pois somos salvos por Cristo) nem de condenação (pois não é por obras que somos salvos, mas pela fé operada pelo Espírito Santo em nós), mas como o único meio de se expressar nossa devoção ao Senhor.

Outro erro comum dos cristãos é atribuir a observância de um dia específico como se fosse algo semelhante ao Adventismo, no entanto, devemos ter em mente que essas duas crenças (cristianismo e adventismo) são completamente diferentes. Vejamos o que diz certo adventista acerca do sábado: “Seja enfatizado que, mesmo se fosse encontrado apoio apostólico para o domingo, ainda o cristão bíblico não o poderia aceitar. Nem mesmo um apóstolo poderia mudar a lei de Deus”.[3] Ao que o Dr. Joseph A. Pipa refuta dizendo: “Uma abordagem tão soberba ao Novo Testamento se deve principalmente a seu compromisso com as profecias de Ellen G. White. Na visão deles, essas profecias têm autoridade divina e têm precedência sobre a prática apostólica. No entanto, o ensino da Bíblia é que o sétimo dia foi revogado". [4]

Notemos que os adventistas afirmam a possibilidade dos apóstolos da igreja primitiva haverem instituído algo contrário à própria Escritura do Senhor. Certamente que os apóstolos foram homens pecadores e que por isso mesmo eram falhos, porém não podemos crer que as bases por eles lançadas foram erradas, pois se assim foi, estamos vivendo há mais de dois mil uma crença que já "prolongou-se" errada! O próprio apóstolo  Paulo contradiz os adventistas quando sanciona dizendo que o ensino deles era verdadeiro: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema" (Gl 1.8 - grifo meu). A partir desse ponto, sigamos rumo à verificação do porquê do dia de sábado ter sido transferido para o domingo e algumas breves implicações necessárias.

Em primeiro lugar, o dia de descanso (shabbath cristão) tem como ponto de partida uma memoração do dia em que todos os crentes estarão juntos com o Senhor no céu. Deus instituiu o sábado como sendo uma prefiguração da redenção eterna que aguarda todos os santos: "Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o SENHOR teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt 5:15). Assim como o povo havia sido liberto da mão opressora do faraó e levado para uma terra que "mana leite e mel" (Êx 3.8), nós também aguardamos o dia em que seremos libertos do corpo dessa morte e do mundo, para então entrarmos na Jerusalém celestial. Tal qual um raio dá uma pequena demonstração da grande tempestade que se aproxima, assim também o sábado cristão nos lembra semanalmente que um dia estaremos no descanso eterno.

Em segundo lugar, os principais eventos da era cristã aconteceram num domingo:
- Jesus ressuscitou (Jo 20.1);
- Jesus apareceu aos dez discípulos (Jo 20.19);
- Jesus apareceu aos onze discípulos (Jo 20.26);
- O Espírito Santo desceu no dia de pentecostes, que era um domingo  (Lv 23.15,16 - o dia imediato ao sábado), e nesse momento o primeiro sermão sobre a morte e ressurreição de Cristo foi pregado por Pedro (At 2.14) com 3000 novos convertidos;
- Em Trôade os crentes se juntaram para adorar (At 20.7);
- Paulo instruiu aos crentes para trazerem as suas contribuições (1 Co 16.2);
- João estava em Patmos e recebeu a visão do Senhor (Ap 1.10). [5]

Em terceiro lugar, a objeção levantada por alguns crentes de que "todos os dias são do Senhor" é em parte verdadeira (1 Co 10.31 - tudo deve ser feito visando a glória de Deus), porém devemos entender - conforme vimos semana passada - que o Dia do Senhor não foi instituído baseado em algum contexto do povo de Israel, mas sim que foi positivado por Deus já em sua criação, demonstrando aos crentes que não importa a época em que viverem, todos, sem exceção, devem buscar se conformar a esse mandamento. O Catecismo Maior de Westminster nos auxilia nessa questão sobre a importância e benefício desse dia. Pergunta 121: Por que se acha a palavra “lembra-te”, colocada no princípio do quarto mandamento? Resposta: A palavra “lembra-te” acha-se colocada no princípio do quarto mandamento (Êx 20.8) , em parte pelo grande benefício que há em nos lembrarmos dele, sendo nós assim ajudados na nossa preparação para guardá-lo (Êx 16.23; Lc 23.54,56; Ne 13.19); e porque em o guardar somos ajudados a guardar todos os demais mandamentos (Ez 20.12,20), e a continuar uma grata recordação dos dois grandes benefícios da criação e da redenção, que contêm em si um breve compêndio da religião (Gn 2.2,3; Sl 118.22,24; Hb 4.9); e em parte porque somos propensos a esquecer-nos deste mandamento (Êx 34.21) , visto haver menos luz da natureza para ele e restringir a nossa liberdade natural quanto a cousas permitidas em outros dias (Êx 34. 21); porque este dia vem somente uma vez em cada sete, e muitos negócios seculares intervêm e muitas vezes nos impedem de pensar nesse dia, seja para nos prepararmos, seja para santificá-lo (Nm 15.38,40), e porque Satanás, com os seus instrumentos, se esforça para apagar a glória e até a memória desse dia, para introduzir a irreligião e a impiedade (Lm 1.7; Ne 13.15-23; Jr 17.21-23). [6]

Ainda outro escritor nos mostra o quão miseráveis somos: "... Se ao menos vocês estivessem dispostos a obter o conhecimento de Deus e das realidades celestes, assim como estais dispostos a conhecer as artes de seus negócios, você já teriam começado há muito tempo não poupando esforços nem dores para obter esse conhecimento. Mas vocês pensam que sete anos é pouco para aprender sua profissão e, no entanto, não querem dedicar um dia, em cada sete, para aprenderem com diligência as questões atinentes à salvação de suas almas. Se o céu é elevado demais para vocês pensarem nele e se prepararem para ele, então ele é elevado demais para vocês chegarem a possuí-lo". [7]

É imprescindível que nós compreendamos que o domingo foi o substituto do sábado judeu. Assim como o batismo veio para ser instituído no lugar na circuncisão, também o domingo se faz presente hoje, não porque temos um versículo específico que nos diga que o dia foi mudado, mas sim que o testemunho dos apóstolos nos mostra que seus costumes eram de se reunir no primeiro dia da semana e não mais no último. Sobre isso, Brian Schwertley comenta: "Embora não haja nenhum mandamento ou declaração direta com respeito à mudança do dia, isso não significa que não exista garantia bíblica suficiente para observar o primeiro dia da semana; há evidência abundante! Observe que há várias doutrinas cristãs cruciais que não são baseadas numa declaração direta, mas num estudo cuidadoso da Escritura e no uso correto da dedução: a trindade, a união hipostática [nota minha: que forma uma só pessoa] das duas naturezas de Cristo, o batismo infantil, etc. Portanto, uma doutrina que é ‘deduzida por boa e necessária conseqüência’ da Escritura, não é menos verdadeira ou importante que uma declaração direta da Escritura". [8]

Em quarto lugar, a Bíblia nos mostra que o dia de observância foi mudado, mas não a obrigação. Joseph A. Pipa comenta: "No segundo século, um herege chamado Marcião ensinou uma forma de gnosticismo cristão. Ele distinguia entre o Deus do Antigo Testamento e o Deus revelado em Jesus Cristo... Hoje, um grande número de cristãos está editando suas próprias Bíblias. Mesmo que teoricamente aceitem o Antigo Testamento como parte da Bíblia, basicamente ignoram seu ensino ético. Creem na sua história, apontam para suas profecias que foram cumpridas em Cristo, mas insistem que suas doutrinas e regras devem estar repetidas no Novo Testamento para que sejam imperativas para a igreja de hoje... Em resposta, os teólogos pactuais reformados afirmam a unidade da Bíblia: tudo que o Novo Testamento não revoga permanece efetivo. Por exemplo, muito daquilo que os cristãos creem e ensinam sobre o casamento e a família está revelado no Antigo Testamento... De modo semelhante, os alicerces da doutrina do sábado como instituição cristã foram construídos nas Escrituras do Antigos (sic) Testamento... Portanto, a não ser que o Novo Testamento revogue essa ordenança, ela permanece em vigor. Alguns sugerem que Jesus anulou a observância do sábado em Mateus 12.1-14; já vimos, entretanto, que Jesus restaurou o sábado e nos deu diretrizes de grande auxílio pelas quais devemos examinar nosso comportamento nesse dia". [9]

O Dr. Charles Hodge (1797 - 1878) comenta: "Essa mudança do Sábado do sétimo para o primeiro dia da semana foi feita não só por uma razão plausível, mas também por autoridade competente. É um fato histórico simples que os cristãos da era apostólica deixaram de observar o sétimo, e passaram a observar o primeiro dia da semana como o dia para o culto religioso. Por isso desde a criação, em sucessão ininterrupta, o povo de Deus tem, em obediência ao mandamento original, dedicado um dia em sete para o culto ao único Deus vivo e verdadeiro. É difícil imaginar um argumento mais forte que este em prol da obrigação perpétua do Sábado como a instituição divina... Nada, senão a autoridade divina e o poder divino, pode explicar a observância contínua dessa sacra instituição desde o princípio até hoje". [10]

Outro ponto importante também: "Essa compreensão fornece um paralelo entre a obra da criação e a obra da redenção. Concluída a criação, Deus descansou no sétimo dia para declarar sua obra completada, para se deleitar nessa obra, e para prometer o descanso eterno já prometido a Adão no Pacto das Obras. Quando Adão violou o pacto, Deus renovou a oferta do descaso eterno por meio de um Redentor. O sábado do sétimo dia antevê esse descanso. Deus o Filho descansou de sua obra da redenção no primeiro dia da semana como sinal de que sua obra tinha sido realizada objetivamente e que nada restava para ser feito. Na ressurreição ele entrou no gozo de sua obra e confirmou que a vida eterna tinha sido comprada (Is 53.10,11; Hb 12.2). Pelo seu exemplo, o dia foi mudado... À medida que os apóstolos entenderam essa teologia por inspiração, mudaram o dia de celebrar o descanso eterno do sétimo dia para o primeiro. O povo da Antiga Aliança olhava em direção do futuro para o cumprimento da redenção, e por isso guardava o sábado no final da semana. Depois que o doador do Descanso realizou sua obra, a Igreja do Novo Testamento guardava o sábado dele no dia em que ele entrou no seu descanso, significando que, embora esperemos pela consumação, já começamos a participar desse descanso". [11]

Matthew Henry (citado por J. I. Packer) diz: "Guardar o domingo significa ação, e não inércia. O dia do Senhor não é um dia de ociosidade. 'A ociosidade é um pecado em qualquer dia, e muito mais no dia do Senhor'. Não se guarda o domingo ficando atirado em algum lugar, sem fazer nada. Convém que descansemos das atividades de nossos afazeres diários, ocupando-nos nas atividades próprias à nossa vocação celestial. Se não passarmos o dia ocupados nestas atividades, não o estaremos santificando". [12]

Por fim, bem sabemos que constantemente os puritanos chamavam esse dia de "O Dia da Feira da Alma", isto é, enquanto nos outros dias ia-se à feira para se comprar o sustento para o corpo e para a necessidade, no domingo buscava-se encher a alma e não as sacolas. O puritano Thomas Brooks (1608 - 1680) nos diz: "Para terminar, lembremo-nos que não há crentes, em todo o mundo, que se comparem, quanto ao poder da piedade e quanto à excelência nos terrenos da graça, da santidade e da comunhão com Deus, como aqueles que se mostram mais estritos, sérios, estudiosos e meticulosos na santificação do dia do Senhor... A verdadeira razão pela qual o poder da piedade tem caído a níveis tão baixos, tanto nesse [nota minha: Inglaterra] como em outro países, é que o domingo não está mais sendo observado de forma estrita e consciente... Oh! que esses simples conselhos fossem tão abençoados pelo céu que nos impulsionassem a uma santificação mais constante, séria e meticulosa do dia do Senhor...". [13]

A partir do exposto acima, creio que não restar muitas dúvidas acerca do testemunho das Escrituras e da Igreja quanto à observância desse dia. Muitos cristão têm negligenciado essa doutrina - quer pode não terem sido ensinados, quer por rebeldia - pois por vezes acham-a severa demais ou ainda porquê creem ser ela difícil demais para ser aplicada em nossos dias, contudo, o testemunho da igreja nos mostra que desde sempre os cristãos buscaram observar (praticar) esse dia, mas não somente isso, que essa observância muitas vezes lhes custava a ignomínia diante do povo:

"Nos fins do século XVI, era costume dos ingleses, depois de terminado o culto na igreja [nota minha: nessa época a igreja era ligada ao Estado, ou seja, o não comparecimento a ela implicava em advertência, multa e quem sabe até mesmo prisão, no entanto deve-se ter em mente que a igreja aqui mencionada não é a igreja santa do Senhor, mas a idólatra e apóstata Igreja Católica Romana - certamente que por um breve tempo os puritanos estiveram no governo e regeram o Estado segundo as Leis bíblicas, mas de um modo geral o Estado sempre esteve sujeito à igreja romanista], passar o resto do domingo frequentado peças teatrais obscenas... jogos e bebidas alcoólicas, festas e comemorações; ou então fumando cachimbo, dançando, jogando dados, jogando baralho, boliche, tênis, açulando cães contra ursos acorrentados, brigas de galo, falcoaria [nota minha:  criar e treinar falcões e aves de rapina para a caça], caçadas, e coisas semelhantes; ou então frequentando feiras e mercados... ou indo a partidas de futebol e outros passatempos diabólicos... A Declaração de Esportes, do rei Tiago I (1618), estabeleceu que, à parte dos esportes com touros e ursos e do boliche, todos os jogos populares podiam ser efetuados aos domingos, terminada a reunião na igreja... Em 1633, Carlos I republicou-a e ordenou que os bispos determinassem que todo o clero a lesse em seus púlpitos; alguns recusaram-se a fazê-lo e como resultado perderam seus rendimentos. Podemos ver através destas palavras de Baxter, como transcorriam as coisas no país, naquela época: 'Em minha juventude... um dos inquilinos de meu pai era flautista da cidade, e o lugar das danças ficava a menos de cem metros de nossa porta; assim, no dia do Senhor, não podíamos ler um capítulo da Bíblia, ou orar, ou entoar um hino, ou catequizar, ou instruir um servo, senão com o barulho da flauta, do tamborim e dos gritos que, da rua, chegava continuamente aos nossos ouvidos; e... éramos alvos das zombarias de todos, sendo apelidados de puritanos, rigoristas ou hipócritas, porque preferíamos ler as Escrituras do que fazer o que eles faziam... E quando o povo, de acordo com o livro [isto é, a Declaração de 1633], recebeu permissão de folgar e dançar, exceto no horário do culto público, eles tinha tanta dificuldade em interromper suas diversões que, por muitas vezes, o leitor preferia esperar até que a flauta e os folgazões cessassem. Algumas vezes, os dançarinos folclóricos entravam nos templos, com todas as suas roupas, cachecóis e vestimentas extravagantes, com folclóricas sinetas sonindo, penduradas em suas pernas, e, assim que terminava a leitura da oração, eles se precipitavam de novo para as suas danças. Seria isso uma conduta celestial?'" (grifo meu). [14]

Assim como os puritanos - e muitos antes e após eles! - lutaram por observar esse dia, independentemente da época e circunstância em que viviam, também nós devemos nos esmerar na busca pela santificação do mesmo. Certamente que o Senhor continua - assim como fez em tempos pretéritos - a derramar suas bênçãos sobre aqueles que o buscam ardentemente nesse dia. Que possamos ter nossos hábitos renovados e que passemos a buscar com diligência o Eterno, Imutável e Invisível Deus, que mui se agrada se ser louvado, criado e exaltado nesse santo dia.

Amém.

Notas:
[1] Léxico pode ser definido como o acervo de palavras de um determinado idioma: todo o universo de palavras que as pessoas de uma determinada língua têm à sua disposição para expressar-se, oralmente ou por escrito. Fonte: Wikipédia
[2] GRONINGEN, Gerard Van. O Sábado no Antigo Testamento: Tempo para o Senhor, Tempo de Alegria Nele. In: Fides Reformata, 3/2 (1998), Pg. 156.
[3] PIPA, Joseph A. O Dia do Senhor, São Paulo: Ed. Os Puritanos, 2002, pág. 114.
[4] PIPA, Op. Cit; Pág. 114.
[5] PORTELA, Solano. A Lei de Deus hoje: Ed. Os Puritanos, 2000, pág. 88 - tomei a liberdade de arrumar a digitação desse último ponto, pois creio que houve erro na hora de editar o livro. O original é "Jesus apareceu e João, em Patmos (Ap 1.10)".
[6] Disponível em diversos Websites.
[7] BAXTER, Richard. Citado em Entre os Gigantes de Deus, Ed. FIEL, págs. 75 e 76.
[8] SCHWERTLEY, Brian. Disponível em http://www.monergismo.com/textos/dez_mandamentos/Sabbath-obrigatorio-eraNT_Schwertley.pdf (acessado dia 17.11.2011 às 21:40).
[9] PIPA, apud; Págs. 101 e 102.
[10] Citado em: Eleitos de Deus
[11] PIPA, apud; Pág. 129 e 132
[12] HENRY, Matthew. Citado em Entre os Gigantes de Deus, Ed. FIEL, pág. 260
[13] BROOKS, Thomas. Citado em Entre os Gigantes de Deus, Ed. FIEL, pág. 264
[14] Citado em Entre os Gigantes de Deus, Ed. FIEL, págs. 255 e 256.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Coreografia na Igreja - A Dança da Ignorância!


A ignorância dança na minha frente! Colorida, maquiada, e iluminada, ela se contorce feita serpente, mas não entendo o que ela quer dizer! 

Trevas medievais se abatem sobre o culto de igrejas modernas. Novamente os ministros do evangelho estão buscando roupas, cores, luzes, sons, gestos mudos, e centralidade em mulheres que, sem saber, roubam a glória de Cristo nos cultos dessas igrejas. Dessa forma, a velha igreja Católica Romana com seu culto colorido tem sido lembrada no meio evangélico. 

Estive pregando em um congresso para jovens presbiterianos, e fiquei decepcionado ao ver que, o culto desses jovens nada tinha a ver com o presbiterianismo histórico, nem com o sistema calvinista de adoração. Não sei quem é o culpado por tantos descaminhos dentro de nossas igrejas; o que sei é que o culto presbiteriano está aleijado em muitas igrejas; precisa de muletas para andar. O princípio que subjaz esta enfermidade é o fato dos líderes acharem que só a Palavra de Deus e os sacramentos já não podem mais ter tanta graça, e para isso insistem em trazer algo com mais engraçado. O que pude observar naquele congresso não posso chamar de culto. Não tive impressão de que as pessoas ali estivessem com suas mentes voltadas para Deus. Palco com muitas luzes pondo seus holofotes em moças maquiadas, brilhando à luz dos reflexos de sapatilhas prateadas, com vestidos multicoloridos, contorcendo seus corpos como serpentes, e até, sensualmente mostrando o contorno de seus corpos, dançando e sinalizando com os membros superiores e inferiores, gestos obscuros que ninguém entendia o que queriam dizer com aqueles movimentos. 

Quando sento num banco de igreja e vejo aquelas mocinhas dançando na minha frente, nada mais consigo além da ignorância dançante de seus líderes. Como dançam ao som de músicas, entendo a letra da música, mas não sei o que elas pretendem dizer com seus braços e pernas que sobem e descem sincronizadamente, repetindo cansativamente os mesmos movimentos. Será que somente eu não compreendo a linguagem daqueles corpos coloridos, brilhantes e emudecidos, que se contorcem sobre o palco querendo dizer algo? Será que terei que aprender um alfabeto dos movimentos coreográficos para decodificar a mensagem dançada? 

Foi-me dito que elas estão louvando a Deus. Estranho! Parece que esse louvor nunca poderá ser congregacional; ou imaginaremos os anciãos da igreja coreografando sincronizadamente? Por que essa modalidade de louvor só pode ser praticada por moças novas? 

POR QUE A COREOGRAFIA NÃO É A VONTADE DE DEUS PARA O CULTO CRISTÃO? 

1) PORQUE É UM MEIO ATRASADO E PRIMITIVO DE COMUNICAÇÃO QUE COMPROMETE O CULTO À OBSCURIDADE E AO ERRO. 

O meio mais direto, perfeito e objetivo de nos comunicarmos com Deus é por meio da palavra inteligível. Os movimentos corporais podem representar simbolismos nas muitas religiões pagãs e de mistérios pelo mundo afora; mas só o culto revelado a Israel (Rm 9:4) contém os verdadeiros elementos que agradam a Deus. Nada há no culto de Israel que lembre o culto pagão das nações vizinhas, que era recheado de danças folclóricas. O louvor de Israel sempre foi por meio de palavras inteligíveis, e não por expressões corporais. Além disso, teria que haver uma codificação dos movimentos, para que a igreja pudesse ler e decodificar o significado de cada movimento, o que é impossível, pois como é uma dança ao som de músicas, as letras das músicas confundiriam as letras expressas pela linguagem corporal. Ainda assim, a expressão corporal seria inviável para o culto porque o corpo é mudo e seus movimentos limitados, tendo-se que repetir as mesmas coisas significadas, e caindo no erro das vãs repetições. 

A coreografia é proibida pelo apóstolo Paulo por representar uma forma muda de expressão que nada expressa. Nenhuma formalidade sem sentido deveria fazer parte do culto cristão, (I Co 14:8-9). A própria palavra louvar (do lat. Laudare) sempre está relacionada a “dizer algo inteligível à mente”, “bendizer”; assim sendo nunca poderia ser empregada para gestos ou expressões corporais. O Salmo 150:4 emprega o termo para “adulfes e danças” porque está citando a expressão de Êxodo 15:20-21, que é acompanhada de bendições em alta voz por Miriam e as mulheres que acompanharam o coro. 

Todo meio obscuro de cultuar a Deus é proibido em sua Palavra, pois a igreja tem entender a mensagem para dar o amém, (I Co 14:16). Toda forma de culto que não comunica a mensagem inteligívelmente, é semelhante a falar ao ar, (I Co 14:9). Além do mais, o apóstolo Paulo ensina que o culto cristão é racional, pertencente ao entendimento, (Rm 12:1). Cultos em que não se entende a mensagem ou o louvor, são caracteristicamente pagãos em sua essência. 

Usar exemplos de Miriam ou Davi é cometer sério erro hemenêutico. Eles dançaram porque quiseram; não estavam obedecendo a nenhum mandamento da lei, nem seu exemplo ficou para ser seguido. O povo de Deus não segue exemplos, e sim ordens. * 

2) PORQUE NÃO É PARTE INTEGRANTE DE NENHUM DOS MEIOS DE GRAÇA, E, PORTANTO NÃO PODE FAZER PARTE DO CULTO. 

Além dos sacramentos e da palavra, Cristo e os apóstolos não instituíram nada mais como meio de graça para o povo de Deus. Todos os elementos do culto cristão são, necessariamente, meios de graça. Mas fica difícil explicar como um grupo de mulheres fantasiadas e dançantes se tornariam um meio de graça para a igreja de Cristo. O que coreografia tem a ver com a história da redenção? O que as danças comunicariam à mente dos crentes? A música cantada é ordenada nas epístolas paulinas, e foi usada por Cristo ao término da ceia; nada há, porém, quanto à dança. 

3) PORQUE NÃO FAZ PARTE DE NUNHUMA ORDEM LITÚRGICA ENCONTRADA NO VELHO OU NOVO TESTAMENTO. 

A própria expressão “dança litúrgica” é precária, pois não há nenhuma liturgia de culto onde haja danças no Velho ou Novo Testamento. 

O culto foi uma das dádivas pactuais dadas ao povo de Israel, e sobre o qual a nova aliança é inspirada. Não há nenhum registro do culto no Antigo Testamento que danças fizeram parte do culto israelita no templo. O culto de Israel era santíssimo, e jamais seria profanado por elementos de cultos pagãos. Os povos vizinhos de Israel adoravam o sol, as estrelas, gatos, serpentes, jacarés, deusas, e deuses, dançando religiosamente para eles. Esse culto dançante era originado da própria vontade humana, mas o culto do Deus de Israel tinha origem divina, e foi revelado pelo próprio Deus ao seu povo, (Rm 9:4); em nenhum lugar da revelação Deus requereu danças; elas eram exatamente o elemento mudo das religiões pagãs daqueles tempos. O mesmo pode-se entender no Novo Testamento. Nenhuma evidência há para uma tradição pagã entre os crentes da igreja primitiva. 

4) PORQUE NÃO HÁ MODELO NEM MANDAMENTO APOSTÓLICO PARA ISTO. 

As ordens apostólicas do conteúdo do culto no que se refere a louvor é salmo, (I Co 14:26); salmos, hinos e cânticos espirituais, (Ef 5:19)**. Em nenhum lugar da tradição apostólica foi incluída coreografia, sendo, portanto, uma tradição humana acrescentada ao culto cristão. 

5) PORQUE ROUBA A GLÓRIA DE CRISTO E MACULA O CULTO DIVINO. 

O movimento moderno secular de coreografia na igreja apresenta-se como um show, bem ensaiado, e que, impecavelmente pretende agradar à expectativa de quem assiste. A atenção dos expectadores está em acompanhar os movimentos dos corpos brilhantes e coloridos e conferir as falhas e os acertos para depois atribuir-lhes elogios. Nada há na coreografia que leve a mente dos crentes a glorificar a Cristo, pois os corpos dançantes não falam à mente. Se nada comunicam, acabam distraindo a mente dos crentes e desviando o foco das atenções do verdadeiro culto que é Cristo. 

Nenhuma dançarina vai a um palco querendo dar glória a outrem, pois ela está ali para “demonstrar” e não para levar a mente das pessoas cativas a outro lugar que não sua própria pessoa. Assim, as dançantes amaldiçoam-se por roubar a centralidade da adoração a Deus, (Atos 12:21-23), por receber honras e elogios que deveriam ser de Cristo, e por tornar a adoração a Deus em show, culto profano e pagão. 

6) PORQUE A COREOGRAFIA SEMPRE ESTÁ ENVOLVIDA COM CARNALIDADE. 

Na coreografia, os movimentos dançantes são voltados para demonstrações dos corpos de quem dança. A mente de quem assiste é eficazmente desviada para contemplar movimentos, e não para pensar em Deus ou em Cristo. As moças fantasiam-se sensualmente, - exatamente como procedem as dançarinas mundanas para atrair olhares, e provocar impressões sensoriais fortes em quem assiste. Quando dizem que estão imitando a profetisa Miriam, com coreografias modernas, tais coreógrafos esquecem-se de que uma profetisa judia nunca vestiria trajes tão pecaminosos como as atuais fantasias que circulam nos palcos eclesiásticos dos nossos dias. Pelo efeito que produz, a coreografia é uma obra de sensualidade, voltada para o pecado da carne; e o pendor da carne é morte, (Rm 8:6). 

7) PORQUE É PECAMINOSO POR ENALTECER A NATUREZA HUMANA. 

Nada pode ocupar o centro da adoração cristã senão a Palavra de Deus, por meio do pregador. As danças, os conjuntos, cantores e corais são terminantemente proibidos de ocupar o lugar central da Palavra de Deus no verdadeiro culto cristológico. Todas essas pretensiosas formas de expressões de louvor são individuais e particularizadas, devendo apenas ser para uso de cada um em ambiente privado, não na igreja. Na igreja o culto é público, e o louvor sempre é congregacional. O apóstolo Paulo foi incisivo contra os coríntios com seus individualismos em detrimento da igreja como corpo. A visão de cantor A, conjunto B, coral C, que se apresentam sozinhos, segregando-se do louvor congregacional, nada mais é do que uma visão de fama, e isto é pecaminoso aos olhos de Deus. 

Uma expressão absurda que se usa muito nas liturgias seculares é o termo “participação especial” para designar um cantor que vai cantar na frente da igreja. Sem perceber, o liturgo anuncia que o culto vai parar porque alguém mais especial vai cantar. 

Sempre que houver o incentivo à manifestações particulares de louvor, a tendência é à segregação, individualismo, fama, elogios, e exaltação à pessoa que canta ou grupo que se apresenta. Assim sendo, tais modelos são carnais, (Gl 5:20-21) e devem ser evitados na igreja de Cristo. Todos esses modelos são seculares, trazidos do mundo pagão para dentro da igreja, sem nenhuma base bíblica. No céu toda a igreja cantará em um coral universal; lá não haverá participação especial de A ou B. Se a igreja de Cristo quer agradar a Deus, então, deverá copiar o modelo das coisas celestiais, e não das terrenas, (Cl 3:2). 

8) PORQUE É AFÔNICA E DENUNCIA-SE DESNECESSÁRIA.

A mais absurda idéia que podemos ouvir dos defensores da coreografia na igreja é que ela é uma maneira de louvar a Deus. Usam os textos dos Salmos 150 e o exemplo de Miriam (“Se ela dança, eu danço!”), e o exemplo de Davi – textos que tratarei mais adiante – para fundamentar uma teologia contraditória, por desconhecerem a verdadeira idéia do salmo 150 e do exemplo de Miriam. 

A grande contradição da coreografia é que ela precisa da música para louvar. Ora, como pode um corpo dançante louvar, se louvar é bendizer, e o corpo nada diz? 

Ao olharmos para o Salmo 150:4 (“Louvai ao Senhor com adulfes e danças”), o termo hebraico mahol “dança”, é um termo usado como símbolo de alegria após uma vitória. Normalmente uma mahol era acompanhada de adufes (tof); por isso o salmista usa o conjunto “adulfes e danças”. A expressão hebraica do Salmo 150:4 é exatamente a mesma encontrada em referência à dança de Miriam em Êxodo 15:20, em sua forma verbal (“tocaram adulfes e dançaram”). Algo muito importante que muitos deixam de esclarecer é que a dança de Miriam nada tem a ver com o moderna coreografia praticada nas igrejas. Vejamos as diferenças: 1) A dança de Miriam foi resultado de uma alegria de vitória do povo de Israel sobre os egípcios; 2) Foi acompanhada por um instrumental próprio; 3) Constituiu parte do ato de louvor a Deus pela vitória, que compunha-se de repertório, som, e dança. Daí podemos concluir: a) que Miriam não coreografou apenas gestos mudos; b) Que é errado referir-se a Miriam apenas à sua dança, pois ela tocou, cantou, e dançou; c) Que a parte mais importante do seu ato não foi a dança, e sim a letra da música que ela proferiu; d) Que o que louvou a Deus não foi o movimento do seu corpo, e sim as palavras que proferiu para engrandecer e bendizer a Deus; e) Que a dança de Miriam não foi uma parte integrante do louvor, e sim o resultado da alegria que sentiu, sendo apenas uma manifestação contingente. 

Uma segunda abordagem importante é lembrar que aquele ato de Miriam foi um ato profético extraordinário e inspirado, no qual, ela como profetisa inspirada, estava profetizando Palavras de Deus que ficaram registradas no cânon das Escrituras do Antigo Testamento. Portanto ninguém pode querer dançar como Miriam dançou, porque sua dança foi um mover inspirado do Espírito de Deus no profetismo do Antigo Testamento, que tinha fins de escrituração da Palavra de Deus; Miriam não dançou porque quis, e sim porque o Espírito quis. Quando as pessoas querem imitar Miriam, estão assumindo a postura do falso profeta, pois não têm credenciais para isto. 

Quanto ao Salmo 150, estaria dando ordens para louvar a Deus com danças? Absolutamente não! O salmista não está se referindo apenas à “dança”, separadamente de adulfe, pois ele está se referindo ao ato de Miriam. “Adulfes e danças” é a expressão do louvor profético da profetisa Miriam, que foi inclusa no livro dos salmos para ser lembrada continuamente no cântico de Israel, porque continha os elementos da redenção de Israel. 

Grande parte do erro da coreografia deve-se à visão errada que as pessoas têm dos Salmos. A maioria acha que os salmos são mandamentos; e quando lêem o Salmo 150:4, acham que o salmista está ordenando ao povo de Deus a dança como louvor. Os salmos são poemas musicais compostos pelos israelitas da antiguidade para serem usados como hinos na adoração. Ao invés de dançarem por causa da expressão do salmo, eles apenas cantavam o salmo; não há nenhum indício de que os israelitas dançassem no templo. Na verdade, o Salmo 150:4 não foi dado para imitar Miriam, mas para cantar a vitória redentiva que ela celebrou. Portanto, o Salmo 150:4 não é para ser dançado, e sim cantado. Bater tambores e movimentar o corpo nada diz acerca das grandezas de Deus; portanto, não é à dança ao que o salmista está se referindo, e sim ao que foi dito por Miriam quando dançou. 

O caso da dança de Davi em I Crônicas 15:29 tem sido usado como modelo ou mandamento para justificar coreografia. Isto consiste muito mais em ignorância do que exegese. Davi não deu ordens a ninguém para dançar, nem instituiu em seu reinado a “dança litúrgica”. Mais uma vez, somente o rei se empolgou porque estava vindo de uma vitória contra os filisteus, e apenas ele dançou. Davi dançou e se alegrou, mas depois é que adorou ao Senhor com cânticos dos Salmos de sua autoria, (I Cr 16:7-36). Isto é prova de que as danças do Antigo Testamento estão relacionadas com a história das vitórias de Israel, e nunca com a adoração. Danças no Antigo Testamento é uma expressão de alegria, e não de louvor. 

A dança celebra alegria, festa; a única festa a qual somos ordenados celebrar é a ceia do Senhor no dia do Senhor, (I Co 5:7,8). 

9) PORQUE ROUPAS, CORES, FORMAS, LUZES E SONS SEMPRE CARACTERIZAM O VELHO CULTO CATÓLICO ROMANO. 

O culto reluzente e colorido é o culto que não agrada a Deus. No Antigo Testamento havia muitas figuras, cores, formas e ritos, mas tudo tinha um significado tipológico. Com a vinda de Cristo, toda expressão profética do antigo culto cumpriu-se. Agora, somente os aspectos da nova aliança devem interessar à igreja de Cristo. Nada há Novo Testamento que nos dê a entender que o culto da Nova Aliança seja recheado de cores, luzes e sons. Ao contrário, a recomendação apostólica, quanto ao culto cristão, é de simplicidade e humildade. A igreja neotestamentária que mais deu trabalho ao apóstolo Paulo quanto à humildade do culto foi Corinto. Loucos por extravagâncias, os coríntios foram duramente repreendidos pelo apóstolo. 

Antigamente, antes das missões protestantes alcançarem as Américas, a roupa comum dos crentes era, naturalmente, o paletó. O pregador usava paletó porque era a roupa de todos os homens presentes na igreja; não havia destaque do pregador pela roupa ou qualquer outro utensílio. Hoje as igrejas buscam destacar cada vez mais o pregador da multidão. Contrariamente aos reformadores do passado, o Catolicismo procurou enaltecer infinitamente seu clérigo, pondo sobre ele roupas, cores, e objetos, que o tornam o centro da missa. O papa católico, com seus grandiosos palácios e fortunas, com tantos aparatos, ouro, e finíssimas roupas sobre si, nunca poderia ser o representante de Cristo na terra; Cristo morreu nu, desprezado, sem riqueza, e abandonado numa cruz. Por este motivo, o verdadeiro culto cristão é aquele que melhor representa a humildade do nosso Senhor. Implementar o culto com tantas paramentas é voltar à ostentação do culto católico romano, culto abominável a Deus. 

10) PORQUE IMPEDE QUE A PRÓPRIA MENSAGEM PRETENDIDA CHEGUE A MENTE, POR APRISIONAR-SE AOS OLHOS. 

Deus nunca estabeleceria coreografias para o seu culto porque seria uma contradição de propósitos. Seria a coreografia para os olhos ou para mente? Até agora nunca vi nada diferente do que as tais danças proporcionam para quem as assiste, além de novidades para os olhos. Nada diz ao coração, nem à mente. Ninguém entende nada que se faz com o corpo. É mero lazer para quem pratica, e confusão para quem vê. Dessa forma, a coreografia constitui um elemento proibido pela literatura apostólica. Nela não há mensagem de louvor, palavras de gratidão ou qualquer coisa parecida. Como poderia algo tão inócuo e irracional fazer parte do culto racional dos cristãos, (Rm 12:1)? 

11) PORQUE DESOBEDECE AO MANDAMENTO DA MODÉSTIA DA MULHER NO CULTO. 

As dançarinas produzidas em vestes, cores e arranjos ferem a ordem apostólica dos trajes modestos que Paulo dá em I Timóteo 2: 9 para o culto cristão. O culto não é lugar para demonstrações de fantasias de danças femininas. Certamente isto constitui um pecado grave para com Deus: a profanação do seu santo culto. 

12) PORQUE FAZ PERDER A SIMPLICIDADE DO CULTO A DEUS. 

O culto cristão é um momento onde todos os crentes devem estar quebrantados de espírito, arrependidos de seu mal, perdoado o próximo, e na mais total dependência de Deus. O sentimento de igualdade e dependência mútua como partes de um corpo deve permear o ambiente sagrado, fazendo de todos um único organismo. Quando o culto é recheado de destaques, privilégios, participações “especiais”, apresentações e representações individuais, (cores, movimentos, sons, personalidades centralizadas no palco, concorrências, etc.) elementos chamativos da atenção da congregação para um único indivíduo ou grupo, perde-se então, a verdadeira natureza de culto a Deus; a adoração é transformada em relações psico-sociais e antropológicas. Personagens se tornam o foco das atenções, as mentes são desviadas de Cristo, e o interesse aumentado em direção aos talentos, cores, sons, gestos e aplausos. 

Para a maioria das pessoas o culto não tem graça quando o único atrativo é Deus. Haverá sempre muito mais adeptos do falso culto, porque, além de tal culto não exigir pré-requisitos espirituais, ainda garante um relaxamento e lazer para os participantes. 

13) PORQUE CONTRARIA OS PRINCÍPIOS DE LITURGIA DO CALVINISMO, CARACTERIZANDO OS USUÁRIOS COMO NÃO CALVINISTAS. 

Calvinismo é um sistema de culto e vida. Incrivelmente, podemos encontrar coreografia em igrejas que vêm de origens calvinistas; até mesmo alguns pastores coreógrafos querem ser identificados como calvinistas. Com toda certeza esses movimentos coreográficos seriam taxados por Calvino e seus sucessores como movimentos pagãos. O culto do calvinismo clássico está muito longe das caricaturas modernas do culto protestante. Os praticantes da coreografia evangélica desconhecem o verdadeiro culto calvinista, e não partilham da tradição reformada deixada pelos gigantes do calvinismo clássico. 

A ênfase dada pelos calvinistas ao culto cristão condena qualquer representação visível (CONFISSÃO DE WESTMINSTER, cap. 1, seção 1), seja de danças, de teatro, ou de qualquer outra coisa. Pastores que afirmam serem presbiterianos, ou que adotam a Confissão de Westminster como símbolo de fé, jamais deveriam estar envolvidos em práticas coreográficas no culto reformado, pois isso é negar o voto ministerial, e incorrer numa infidelidade para com a Igreja Presbiteriana do Brasil. 

14) PORQUE A ORDEM É LOUVAR COM A BOCA, E NÃO COM DANÇAS. 

“Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome.” (Hebreus 13:15) 

A palavra “sacrifício” da expressão “sacrifício de louvor”, representa a adoração a Deus no Antigo Testamento. O autor está citando a mesma idéia contida em Oséias 14:2 (“sacrifícios de nossos lábios) para afirmar a verdade comparativa com o Antigo Testamento: enquanto a adoração da Antiga Aliança era por meio de sacrifícios de animais, a adoração da Nova Aliança é por meio de um outro tipo de sacrifício,“o sacrifício que procede dos lábios”. O autor desta epístola é unânime com a doutrina apostólica, quando fundamenta toda a adoração do Novo Testamento sobre o louvor dos lábios dos crentes. Indiscutivelmente, quando alguém tem dúvida sobre a adoração do Novo Testamento, podemos dizer-lhe que aquilo que era para o antigo culto de Israel, é hoje o louvor dos lábios dos crentes. Esse é o modelo neotestamentário de adoração da Nova Aliança, não havendo nenhuma outra forma de adorar a Deus, além de nossos lábios. 

15) PORQUE NO CÉU O CORAL É DE VOZES E NÃO DE DANÇARINAS. 

“Era necessário que, as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores.” (Hebreus 9: 23) 

O culto terreno, instituído por Cristo e pelos apóstolos, é figura do que há no céu, e lá não há grupos de dançarinas, apenas um imenso coral de vozes dos redimidos, (Apocalipse 7 e 19). O texto de Hebreus está intimamente relacionado com o sacrifício de louvor dos lábios dos crentes. Não há nenhuma margem para cultos dançantes no céu. A adoração a Deus que acontece na terra é uma cópia da adoração celestial. Por isso João tem a visão apocalíptica de um grande coral, e não de dançarinas. 

16) PORQUE DENUNCIA A IGNORÂNCIA TEOLÓGICA DOS LÍDERES QUE APOIAM ESTE PECADO NA IGREJA. 

Como já vimos anteriormente, a prática da coreografia na igreja é uma prática mundana que entrou no culto dos mais desinformados. A liderança que compartilha de tais “expressões de louvor” desconhece a história do Calvinismo, ignora os símbolos de fé reformados, não tem raciocínio teologicamente preciso, e nunca aprenderam teologia reformada. Cansam-se de dizer que são reformados, quando na verdade só acreditam, com reservas, no sistema de governo e na doutrina da predestinação. Se olharmos para o presbiterianismo histórico, veremos que os antigos líderes eram homens mais conscientes da doutrina reformada, e detinham certa cultura teológica; essa é razão porque nunca encontramos coreografia na igreja quando recuamos um pouco na história. A maioria da liderança perdida com coreografia representa um pessoal que nada lê ou estuda; ignora a teologia, as letras, e o conhecimento. Assim, perecem no paganismo de sua própria ignorância. 

Quando corpos se contorcem feitos serpentes na frente de uma igreja, a única coisa que representam com aquelas danças é a materialização dançante da ignorância de seu pastor. 

***

Por Moisés C. Bezerril

*Nota do autor do blog: É necessário que entendamos que na verdade seguimos muitos exemplos apostólicos - como por exemplo a troca do sábado para o domingo. Mas concordo com o autor do texto também, pois devemos ter todo o cuidado em seguir exemplos, pois há inúmeros exemplos de erros cometidos pelos personagens bíblicos - devendo todo cristão ser prudente ao analisar cada exemplo para ver se é para o bem ou para o mau.
**Nota do autor do blog: Esse é um ponto controverso da doutrina calvinista/reformada. Alguns entendem que "salmos, hinos e cânticos espirituais" sejam coisas diferentes entre si. Já outra compreendem que sejam como que tópicos da literatura hebraica que caracteriza os tópicos do livro que conhecemos como Salmos - visão dos reformados clássicos e da grande maioria dos puritanos (salmos, hinos e cânticos espirituais seriam "tipos" de músicas que estão inclusos no livro completo que hoje chamamos de Salmos).
***Nota do autor do blog: exclui o último tópico, pois diz respeito exclusiva à igreja Presbiteriana - como não sou filiado à essa denominação, não vi o porquê de colocar essa parte. Qualquer dúvida, basta seguir o link e ver o que o escritor colocou

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