"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Todas as experiências Espirituais podem ser Falsificadas



Se alguém tem muitos tipos diferentes de inclinações espirituais, isso é outro sinal não confiável, que não pode ser usado para determinar se a sua espiritualidade é verdadeira ou falsa. Existem imitações de todas as afeições verdadeiras. A maioria de nós sabe que o amor, por exemplo, pode ser fingido facilmente. Namorados e namoradas que juraram amar-se de verdade mais tarde mostraram que seu 'amor" era paixão desenfreada ou interesse próprio grosseiro. Talvez nós mesmos tenhamos dito a outras pessoas que as amávamos, e só mais tarde percebemos que não sabíamos nem o mais elementar sobre o amor. A Bíblia está cheia dessas declarações de amor superficiais. Por exemplo, veio um mestre da lei que jurou a Jesus que o seguiria por onde quer que fosse. Mas quando Jesus replicou que nem sempre sabia se teria nem mesmo um quarto à noite, o homem foi embora (Mt 8.20). As multidões apregoaram sua devoção a Jesus, mas o abandonaram quando ele se tornou politicamente incorreto.

Arrependimento religioso do pecado também pode ser fingido. Faraó, por exemplo, parece ter-se arrependido sinceramente depois da sétima praga (granizo). Ele se lamentou diante de Moisés:"Esta vez pequei; o Senhor é justo, porém eu e o meu povo somos ímpios. Orai ao Senhor; pois já bastam estes grandes trovões e a chuva de pedras. Eu vos deixarei ir, e não ficareis mais aqui" (Êx 9.27-28). Assim que o granizo parou, porém, "tornou a pecar, e endureceu o seu coração" (Êx 9.34). Novamente recusou-se a deixar os israelitas sair do Egito.

Há relatos de adoração falsa na Bíblia. Lemos dos samaritanos no século VIII a.C, que "temiam o Senhor e, ao mesmo tempo, serviam aos seus próprios deuses" (2Rs 17.33). Gratidão e alegria também podem ser falsos. Pense nos ouvintes comparados ao solo pedregoso na parábola do semeador e da semente que Jesus contou. São pessoas que ouvem o evangelho e o recebem com gratidão e alegria, mas depois se desviam, quando vêm dificuldades e perseguição (Mt 13.20-21).Podemos dizer a mesma coisa de zelo e esperança. Os judeus do tempo de Paulo tinham "zelo por Deus, porém não com entendimento" (Rm 10.2). Os fariseus tinham a esperança convicta (a palavra expectativa está mais perto do significado do termo grego geralmente traduzido por "esperança") de que estavam indo para o céu, mas, de acordo com Jesus, eles estavam tristemente enganados (Mt 23.13-15).

Também é importante reconhecer que as afeições falsas geralmente andam juntas. Cada afeição falsa quase sempre faz parte de um conjunto. Veja as ações da multidão depois que Jesus ressuscitou Lázaro. Eles estavam cheios de várias afeições falsas. Eles se mostravam atraídos por Jesus, pois viajaram distâncias grandes para ouvi-lo, afirmaram amá-lo ao exclamar hosana, evidenciaram reverência ao colocar suas vestes exteriores no caminho para que ele pudesse pisar macio, cantaram cânticos de gratidão e louvor, e demonstraram ter zelo pelo reino de Deus quando exclamaram: "Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel!" (Jo 12.13). O ruído dos seus cânticos e exclamações encheu o ar com o que parecia ser um júbilo santo.
Por que as afeições falsas andam juntas? Porque, assim como o amor verdadeiro inspira várias outras afeições verdadeiras, o amor falso desperta muitas outras afeições falsas. Edwards definiu uma conversão falsa como uma constelação de afeições falsas. Em primeiro lugar, ele escreveu, a pessoa está aterrorizada e desesperada porque ouviu uma mensagem prometendo a condenação aos que não são convertidos. Imaginar os tormentos mentais e físicos do sofrimento eterno no inferno enche-a de horror. Em segundo lugar, Edwards acha que o diabo lhe envia uma visão ou voz prometendo-lhe salvação. "Você é um dos preferidos de Deus", sussurra o diabo. A pessoa imediatamente se enche de alegria e gratidão. Ela fica emocionada com a repentina suspensão da sentença e não consegue parar de falar aos outros sobre a misericórdia de Deus para com ela, insistindo com eles para que louvem a Deus. Ela reconhece que é indigna desse presente glorioso e fala abertamente de seu pecado.

Só que sua humildade recém-encontrada não é mais genuína que a do rei Saul. Ao ouvir que tinha sido escolhido como rei, ele protestou: "Porventura, não sou benjamita, da menor das tribos de Israel? E a minha família a menor de todas as famílias da tribo de Benjamim? Por que, pois, me falas com tais palavras?" (lSm 9.21). A falsa humildade tem uma semelhança esquisita com a humildade genuína que Davi mostrou quando foi escolhido para o trono: "Quem sou eu, Senhor Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?" (2Sm 7.18).

O novo "convertido" gosta de passar tempo com os que reconhecem sua conversão e sente o que ele imagina ser indignação justa por aqueles que não o fazem. Ele nega-se a si mesmo para promover sua nova causa e aqueles que o apóiam.

Infelizmente, diz Edwards, essa é uma conversão sem o verdadeiro arrependimento. Por isso ela é falsa. Muitas afeições religiosas são manifestas, mas elas são falsas, porque brotam do amor próprio, disfarçado de amor por Deus. Edwards diz que este padrão de experiência espiritual pode provir ou de influência demoníaca ou da natureza humana (dentro da tendência de aliviar o terror religioso e reforçar a auto-estima). João da Cruz, o grande escritor místico do século XVI, disse a mesma coisa. João escreveu que o diabo muitas vezes aumenta o fervor dos orgulhosos e transforma suas virtudes em vícios. Ao mesmo tempo João alertou que muitos desejos fortes em relação a Deus ou às coisas espirituais são simplesmente o resultado dos desejos humanos e naturais.

Erros a Respeito da Conversão - Joseph Alleine (1634 - 1668)




O diabo tem produzido muitas imitações de conversão, iludindo as pessoas, ora com isto, ora com aquilo. Ele possui tamanha habilidade e astúcia que, se possível fosse, enganaria até os próprios eleitos. Agora, para que eu possa curar o erro devastador de alguns que pensam que são convertidos quando não são, bem como remover as inquietações e os temores de outros que pensam que não são convertidos quando na verdade o são, mostrarei a natureza da conversão — tanto o que ela não é quanto o que ela é. Vamos começar com o aspecto negativo.

Conversão não é professar o cristianismo. O cristianismo é mais que um nome. Se dermos ouvidos a Paulo, veremos que o cristianismo não se fundamenta na palavra, mas no poder (I Coríntios 4:20). Se o fato de deixar de ser judeu ou pagão e professar o cristianismo significasse conversão verdadeira — visto que isso é tudo o que alguns dão a entender a respeito dela — quem poderia ser melhores cristãos senão os de Sardo ou Laodicéa? Eram todos cristãos professos, porém apenas de nome; e por serem cristãos só de nome, são condenados por Cristo e ameaçados de serem rejeitados (Apocalipse 3:14-16). Quantos há que invocam o nome do Senhor Jesus mas não se apartam da iniqüidade (II Timóteo 2:19), professando que conhecem a Deus, mas negando-o com suas obras? (Tito 1:16). Será que Deus vai recebê-los como verdadeiros convertidos? O quê? Convertidos do pecado enquanto eles ainda vivem em pecado? É uma visível contradição! É claro que se o óleo das lâmpadas da fé não houvesse faltado, as virgens loucas jamais teriam sido impedidas de entrar (Mateus 25:12). Encontramos não apenas cristãos professos rejeitados, mas inclusive pregadores de Cristo e milagreiros,  pois são maus obreiros  (Mateus 7:22-23).

Conversão não é revestir-se das insígnias de Cristo no batismo. Ananias, Safira e Simão Mago foram batizados, assim como as demais pessoas. Quantos caem em erro neste ponto, enganando e sendo enganado; imaginando que a graça eficaz está necessariamente ligada à administração externa do batismo, de modo que toda pessoa batizada é regenerada, não apenas por observar a ordenação, mas também no sentido real e literal da palavra. Assim, os homens imaginam que por haverem sido regenerados por ocasião do batismo, não necessitam de nenhuma outra obra. Mas se fosse assim, então todos os que tivessem sido batizados seriam, necessariamente, salvos, pois a promessa de perdão e salvação é feita em referência à conversão e à regeneração (Atos 3:19; Mateus 19:28). E, de fato, se a conversão e o batismo fossem idênticos, então seria conveniente que os homens levassem um certificado de seu batismo quando morressem, e mediante a apresentação dele não haveria dúvidas quanto à sua admissão no céu.

Em suma, se não há nada mais a acrescentar à salvação ou à regeneração, senão o fato da pessoa ser batizada, isto vai frontalmente contra o que dizem as Escrituras em Mateus 7:13-14, bem como contra muitas outras passagens. Se isto for verdade, não deveremos mais dizer: "Estreita é a porta, e apertado o caminho", porque se todos os que são batizados são salvos, a porta é excessivamente larga e nós, daqui em diante, deveremos dizer: "Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à vida". Se isto é verdade, milhares podem entrar lado a lado; e nós não ensinaremos mais que os justos dificilmente serão salvos ou que há necessidade de tanto empenho para apoderar-se do reino dos céus pela violência e de tanto esforço para entrar nele. (I Pedro 4:18; Mateus 11:12; Lucas 13:24). Sem dúvida alguma, se o caminho é tão fácil como muitos supõem, ou seja, que é necessário pouco mais que simplesmente ser batizado e clamar: "Senhor, tem misericórdia", não  precisamos nos empenhar em buscar, bater e lutar, como requer a Palavra de Deus, a fim de obtermos a salvação. Reafirmamos que se isto é verdadeiro, não diremos mais: "Poucos há que a encontram"; será melhor dizermos: "Poucos a perderão". Não diremos mais que, dos muitos que são chamados, "somente alguns são escolhidos" (Mateus 22:14), e que, mesmo do Israel professo, somente um remanescente será salvo (Romanos 9:27). Se esta doutrina é verdadeira, não mais faremos coro com os discípulos: "Quem, então, será salvo?", mas ao invés disso: "Quem, então, não será salvo?". Assim, se alguém for batizado — mesmo que seja um fornicário, ou escarnecedor, ou avarento, ou beberrão — herdará o reino de Deus! (I Corintios 5:11 e 6:9-10).

Alguns irão alegar: aqueles que pecaram depois de terem recebido a graça regeneradora no batismo precisam ser renovados; caso contrário não poderão ser salvos.

Eu respondo: em primeiro lugar, há uma conexão infalível entre regeneração e salvação, como já temos mostrado. Em segundo lugar, o homem precisa nascer de novo novamente — o que é um grande absurdo. Poderíamos, do mesmo modo, supor que o homem nascesse duas vezes fisicamente, bem como duas vezes espiritualmente. Mas, em terceiro lugar e acima de tudo, isso garante o que eu defendo, isto é, não importa o que os homens recebam ou aspirem receber no batismo, se depois disso forem considerados flagrantemente ignorantes, ou profanos, ou formais, ou destituídos de poder espiritual, "precisam nascer de novo" (João 3:7) ou, então, ficarão fora do reino de Deus. Assim, precisam ter mais a argumentar em seu favor do que simplesmente a regeneração batismal.

Bem, como podem ver, nisto todos concordam, isto é, seja o que for que se receba no batismo, se os homens não forem santificados precisam ser renovados por uma mudança total e poderosa ou não escaparão da condenação do inferno. "Não vos enganeis, Deus não se deixa escarnecer." Quer seja o seu batismo ou qua¬quer outra coisa que aspirem, digo-lhes, da parte de Deus, que se qualquer de vocês for uma pessoa ímpia, ou escarnecedora, ou amante de más companhias (Provérbios 13:20), em suma, se não for um cristão santo, cuidadoso, abnegado, não poderá ser salvo (Hebreus 12:14; Mateus 15:14).

A conversão não se fundamenta na justiça moral. Esta justiça não ultrapassa à dos escribas e fariseus, portanto, não pode conduzir-nos ao reino de Deus (Mateus 5:20). Antes de sua conversão, Paulo era irrepreensível segundo a justiça que há na lei (Filipenses 3:6). O fariseu poderia dizer: "Não sou roubador, injusto, adúltero" etc. (Lucas 18:11). Vocês precisam de alguma coisa além disso para apresentar, ou seja, como for que se justifiquem, Deus os condenará. Eu não condeno a moralidade; mas os aconselho a não descansarem nela. A piedade inclui a moralidade, assim como o cristianismo inclui a humanidade, e a graça inclui a razão; mas não devemos confundir as coisas.

A conversão não consiste numa conformidade exterior às normas de piedade. É certo que os homens podem ter uma aparência de piedade, mas sem eficácia (II Timóteo 3:5). Podem fazer longas orações (Mateus 23:14), jejuar freqüentemente (Lucas 18:12), ouvir de bom grado a Palavra de Deus (Marcos 6:20), e serem muito zelosos no serviço de Deus -— ainda que isso lhes seja caro e dispendioso (Isaías 1:11), e, mesmo assim, não serem convertidos. Devem ter alguma coisa a mais para argumentar em seu favor do que simplesmente o fato de ir à igreja, dar esmolas, e fazer uso da oração, para provar que são verdadeiramente convertidos. Não há serviço exterior que um hipócrita não possa fazer, até mesmo dar todos os seus bens para o sustento dos pobres e o seu corpo para ser queimado (I Coríntios 13:3).

A conversão não é apenas o aprisionamento da corrupção mediante a educação, mediante as leis humanas ou pela força da aflição. É comum e fácil confundir-se educação com graça; mas se isto fosse suficiente, que homem haveria melhor que Joás? Enquanto seu tio Jeoiada viveu, ele se mostrou muito dedicado ao serviço de Deus e tomou sobre si o encargo de reparar a casa do Senhor (II Reis 12:2, 7). Mas neste caso não foi nada mais senão o resultado de uma boa educação durante o tempo em que o seu bom tutor viveu, pois, quando ele morreu Joás revelou que era apenas um lobo enjaulado, logo depois caindo na idolatria.

Em suma, a conversão não consiste em iluminação, ou convicção, ou mudança superficial, ou reforma parcial. O apóstata pode ser um homem iluminado (Hebreus 6:4), e um Félix pode ficar espavorido sob condenação (Atos 24:25), e um Herodes pode fazer muitas coisas (Marcos 6:20). Uma coisa é alvoroçar o pecado somente por convicções; outra coisa é crucificá-lo pela graça da conversão. Pelo fato de terem a consciência atormentada pelos pecados, muitos têm em alta conta o seu caso, confundindo miseravelmente a convicção com a conversão. Entre estes inclui-se Caim, o qual poderia ter passado por convertido, andando pelo mundo, para cima e para baixo, como um homem enlouquecido, sob a fúria de uma consciência culpada, até que ele a sufocou, dedicando-se à construção e aos negócios. Outros imaginam que, devido haverem deixado seus caminhos devassos, as más companhias e alguns prazeres em particular, e havendo-se transformado em pessoas sóbrias e civilizadas, são agora verdadeiramente convertidos. Esquecem-se de que há uma enorme diferença entre ser santificado e civilizado. Esquecem-se de que muitos procuram entrar no reino dos céus — não estando longe dele e chegando bem perto do cristianismo — e, contudo, deixam finalmente de alcançá-lo. Enquanto são dominados pela consciência, muitos oram, ouvem, lêem e reprimem os pecados deleitáveis; mas tão logo que ela se aquieta eles voltam a pecar novamente. Quem poderia ser mais religioso que os judeus quando a mão do Senhor pesava sobre eles? No entanto, antes que passasse a aflição, já haviam se esquecido de Deus. Vocês podem ter abandonado um pecado incômodo e haver escapado da torpe corrupção do mundo, sem contudo haverem mudado a sua natureza carnal.

Vocês podem pegar uma massa grosseira de chumbo e moldá-la na mais graciosa forma de uma planta, depois na forma de um animal, e então na forma e feições de um homem, mas continuará sendo chumbo o tempo todo. Assim, um homem pode passar por várias transformações — da ignorância ao conhecimento, da irreverência à delicadeza, e finalmente a uma aparência de religião — e durante esse tempo todo ser carnal, irregenerado, e sua natureza permanecer a mesma.

Ouçam então, pecadores, ouçam para que vivam. Porque se iludirem, fundamentando suas esperanças sobre a areia? Sei que será tarefa difícil àquele que tentar arrancar as suas esperanças infundadas. Só pode ser desagradável para vocês, como também o é para mim. Faço isso como um cirurgião que, com o coração pesado, tem que cortar o membro gangrenado de seu querido amigo, porque é necessário fazê-lo. Mas, entendam-me, amados, estou apenas derrubando a casa arruinada (pois, caso contrário, ela vai desmoronar-se rapidamente e soterrá-los sob suas ruínas) para que eu possa construí-la bela, forte e firme para sempre. 

A esperança do ímpio perecerá (Provérbios 11:7). Não seria melhor, ó pecador, deixar que a Palavra de Deus o convença agora enquanto é tempo, deixando de lado suas falsas e enganadoras esperanças, ao invés de permitir que a morte abra seus olhos tarde demais e você se ache no inferno antes que possa arrepender-se? Eu seria um pastor falso e infiel se não advertisse a vocês que se não tiverem edificado suas esperanças sobre terreno melhor que aqueles já mencionados, então ainda estão em pecado. Deixem falar a consciência. O que querem apresentar em sua defesa? É que usam a vestimenta de Cristo; que ostentam o nome de Cristo; que são membros da igreja visível; que têm conhecimento dos princípios religiosos; que são civilizados; que cumprem as tarefas religiosas; que são justos em seu procedimento; que têm a consciência atormentada pelos pecados? Declaro-lhes, da parte do Senhor, que tais argumentos jamais serão aceitos no tribunal de Deus. Tudo isso, embora seja bom em si mesmo, não vai provar que são convertidos, e, portanto, não será suficiente para sua salvação. Oh, atentem para isso e tomem a decisão de voltarem rápida e completamente. Examinem seus corações, não descansem até que Deus tenha completado a obra em vocês, pois devem ser pessoas diferentes ou estarão perdidos. Mas se essas pessoas não são convertidas, o que dizer dos profanos? Estes, talvez, dificilmente leiam ou escutem este discurso, mas se há algum deles que o esteja lendo ou ouvindo, precisa saber — da parte do Senhor que o fez — que está longe do reino de Deus. 

Se é possível que aquele que faz companhia às virgens prudentes ainda pode ficar de fora, não será, então, muito mais provável que aquele que faz companhia às loucas seja destruído? É possível alguém ser sincero em sua conduta e não ser justificado diante de Deus? O que será de você, então, ó homem miserável, cuja consciência lhe diz que é falso nas suas transações e na sua palavra? Se os homens podem ser iluminados e levados à prática externa dos deveres sagrados, e ainda assim se perderem por não serem convertidos, o que será de vocês, ó famílias miseráveis, que vivem sem Deus neste mundo? O que será de vocês, miseráveis pecadores, em cujos pensamentos Deus raramente está — vocês que são tão ignorantes que não podem orar, ou tão descuidados que nem se preocupam com isso? Oh, arrependam-se e sejam convertidos, afastando-se dos seus pecados pela justificação. Refugiem-se em Cristo, a fim de obterem a graça perdoadora e renovadora. Entreguem-se a Ele, para andarem com Ele em santidade, caso contrário jamais verão a Deus. Oh, se dessem atenção aos conselhos de Deus! Em nome dEle, admoesto-lhes mais uma vez. Atentem para a minha repreensão. Abandonem a insensatez e vivam. Sejam sóbrios, justos e piedosos. Lavem as mãos, pecadores; purifiquem os seus corações, ó vocês de duplo ânimo. Cessem de fazer o mal, aprendem a fazer o bem (Provérbios 1:23 e 9:6; Tito 2:12; Tiago 4:8; Isaías 1:16-17). Mas se continuarem, morrerão.

Foto: Flickr

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Murmuração Irá te Destruir - Jeremiah Burroughs



A murmuração é prejudicial para nós, primeiramente, porque uma vez iniciada, ela vai piorando cada vez mais. Um espírito de murmuração é semelhante a uma ferida que se tornou pútrida. A carne infeccionada não pode receber tratamento; ela tem que ser cortada; caso contrário a infecção se espalhará por todo o corpo. E uma tendência à murmuração, se não for estancada, espalhará por toda nossa vida e arruinará tudo.

Por que é tão grave reclamar? Porque é pecado e isso é a nossa segunda observação. Em Judas, versículos 14-16, os "murmuradores" são colocados em primeiro lugar na lista de pessoas ímpias que Deus irá julgar. Murmurar é pecaminoso: Deus julgará quem faz isso. Que coisa horrível!

Mas por que razão a murmuração é pecado? A nossa terceira observação é que ela envolve rebelião contra Deus. Quando os israelitas estavam no deserto reclamaram repetidas vezes; Deus os havia resgatado da servidão no Egito, mas eles não se sentiram felizes e gratos por muito tempo. E todas as vezes que eles murmuraram, Deus considerou aquilo como algo dirigido diretamente contra Ele (Números 14:26-29). Em Números, capítulo 16, o povo murmurou contra Moisés e Arão, mas Deus tratou do assunto como algo feito contra Si próprio, e um terrível castigo sobreveio aos rebeldes: murmurar é coisa grave e tem de ser tratada antes que tal espírito de murmuração se espalhe entre os outros.

Mas, em quarto lugar, reclamar é especialmente sério para os servos de Deus porque isso é uma contradição de tudo o que aconteceu quando Deus os converteu. Ele os fez ver seu pecado e admitir que eram culpados: e porventura tem eles o direito de permitir que algo tão insignificante os faça infelizes? Ele lhes mostrou o maravilhoso amor de Cristo, Sua disposição de deixar Seu Pai e a glória do céu, Sua paciência em aceitar as limitações de um corpo humano, Se humilhar em submissão, perfeita vida e morte sem pecado. Podem eles esquecer tudo isso, e se queixar de que Deus não foi bondoso para com eles? Ele os libertou da necessidade de coisas materiais para que fossem felizes e será que vão reclamar por causa disso? Cristo agora é o Senhor e Rei deles; será que vão rejeitar Sua liderança reclamando dEle? Deus os levou a se submeterem à Sua vontade; e se agora reclamarem, isso sugere que jamais se submeteram, e talvez nem sejam verdadeiros cristãos. Se os cristãos se lembrassem do que Deus tem feito para eles, Seu amor, Seu perdão, Seu dom de uma nova vida, e se se recordassem de que Ele os converteu exatamente com o propósito de viverem na luz de todas essas coisas até o dia de sua morte, eles não murmurariam; pelo contrário, iriam desejar se submeter a Jesus Cristo como seu Senhor, Salvador e Rei.

A quinta coisa que podemos dizer com relação à murmuração é que ela está aquém do padrão que Deus estabelece para os cristãos. Deus é o Pai deles: caso reclamem, isso implica que julgam que Ele não está disposto nem é capaz de zelar pelos melhores interesses deles. Cristo é o noivo; se eles murmuram, significa que eles não confiam no Seu amor. O Espírito Santo é o ajudador deles; se murmuram, querem dizer com isso que não crêem de fato que Ele pode ajudá-los.

Examinemos mais de perto os padrões que Deus estabelece para os cristãos. Ele os elevou a uma posição de grande honra, os fez senhores do céu e da terra; os trouxe para perto dEle mais do que os anjos, uniu-os a Cristo; os cristãos estão numa posição de grande privilégio. Mas Deus teve um propósito ao chamá-los a tal posição. A razão foi para que suas vidas pudessem mostrar o poder de Deus. Então, Ele tem o direito de esperar que aqueles a quem tanto honrou não murmurem.

Deus não é apenas o Salvador deles; Ele é também seu Pai. Os pais almejam ver irromper em seus filhos seus pontos fortes, e Deus deseja ver Seu Espírito operando em Seus filhos. Especialmente Ele quer vê-los se tornando semelhantes ao Seu Filho Jesus Cristo, que sofreu sobremaneira e jamais reclamou, pelo contrário orou "Não a minha vontade seja feita, mas a Tua". Deus tem o direito de esperar que Seus filhos não murmurem.

Se os cristãos dizem que Deus significa mais para eles do que as coisas deste mundo, eles devem prová-lo pela maneira como vivem. É melhor não afirmar ser um cristão do que ser inconsistente no comportamento. Deus tem o direito de esperar que aqueles que reivindicam ser cristãos vivam segundo os padrões cristãos.

Deus concede aos cristãos a fé, por isso têm certeza que tudo que Ele prometeu será deles por direito. A Bíblia afirma que eles devem "viver pela fé". Isso não significa que possam esperar viver sem problemas. Se isso fosse verdade, não haveria necessidade de fé! O que realmente quer dizer é que eles podem aceitar com alegria a vontade de Deus, porque sabem que Ele prometeu toda sorte de coisas boas para eles. Deus tem o direito de esperar que aqueles que foram ensinados a crer em Suas promessas não murmurem.

Em poucas palavras, Deus espera que os cristãos sejam pacientes em tempos de provas e se alegrem em tempos de dificuldade. Pela Sua graça muitos já alcançaram este alto padrão: Lemos sobre alguns deles em Hebreus, capítulo 11, pessoas simples que dependiam de Deus para sustentá-las em situações difíceis. Deus espera isso de nós; se outros fizeram isso, também nós podemos!

Voltando agora ao assunto da murmuração, uma sexta coisa que temos de observar é que ela faz com que nossas orações não tenham qualquer sentido. Não podemos dizer "Seja feita a tua vontade" e esperar que a nossa seja feita! Não podemos dizer "Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia", e esperar luxo amanhã! A oração é exatamente o reconhecimento de que tudo o que temos vem de Deus. Se começamos a murmurar sobre o que Deus nos dá, então, devemos deixar de orar.

Em sétimo lugar a murmuração só causa infelicidade. Ela é uma perda de tempo; nossas mentes ficam tão cheias de reclamações que deixamos de pensar em Deus e na Sua Palavra. Ela nos faz úteis para o serviço de Deus. Uma pessoa contente pode oferecer consolo aos outros em tempo de necessidade, mas um resmungão não tem nada a oferecer. Reclamar é o primeiro passo para se afastar de Deus, e como ocorreu com Jonas, para tentar frustrar o plano de Deus, ao invés de submeter-se a Ele. Pior que isso, a murmuração nos torna pessoas ingratas, e a Bíblia considera a ingratidão um pecado. Cristãos que resmungam não são gratos pelos muitos dons que eles têm; eles afirmam que desejam os melhores dons para poderem glorificar a Deus cada vez mais, porém na verdade não são gratos pelas coisas que já receberam. Os cristãos podem ser ingratos dessa maneira, tanto com os dons espirituais que Deus lhes dá quanto com as bênçãos materiais que possuem. Entretanto, Deus espera que os cristãos sejam gratos e O louvem por tudo o que Ele lhes deu. Lutero disse: "O método do Espírito de Deus é pensar menos nas coisas ruins e mais nas coisas boas; pensar que se a cruz vem, é apenas algo pequeno, mas se a misericórdia chega, é algo grandioso." Se vierem as provas, os cristãos deveriam agradecer a Deus por elas não serem tão severas como poderiam ser. O Espírito Santo os ensina como enaltecer ao máximo suas bênçãos e minimizar os seus problemas. O diabo faz o oposto; vejam os israelitas no deserto. Disseram a Moisés: "É pouco, porventura, que nos tenha feito subir de uma terra que mana leite e mel, para nos matares no deserto, para que queiras ainda fazer-te príncipe sobre nós?" (Números 16:13). O espírito de murmuração tinha entrado neles a ponto deles estarem desvirtuando a verdade. O Egito, terra de escravidão, trabalhos forçados, espancamento e mortandade dos filhos, não era "terra que mana leite e mel". A liderança de Moisés estava sendo questionada e seus motivos estavam sendo mal interpretados. Os cristãos podem se comportar do mesmo modo. Quando os problemas surgem, eles são tentados a pensar que antes eram mais felizes, e tal pensamento apenas os torna mais infelizes.

Por essa razão podemos acrescentar a oitava observação sobre a murmuração. Visto que ela só nos torna mais infelizes, ela não somente é pecado, mas também é tolice. Que adianta murmurar sobre algo que não temos? Isso facilita nosso aproveitamento das coisas que já temos? Acaso a criança que joga fora seu pedaço de pão vai satisfazer a sua fome por que não há mais bolo? A murmuração é algo fútil. Perguntou o Senhor Jesus: "Quem de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?" (Mateus 6:27). A resposta naturalmente é que ninguém pode. As pessoas podem se preocupar em demasia, mas a murmuração não lhes fará nenhum bem. Deus talvez retenha uma bênção até que eles estejam num estado adequado de mente para recebê-la. Ou se Deus concede a bênção, os cristãos podem descobrir que seu espírito está agora tão amargurado que não podem apreciar a bondade de Deus. O fato é que a murmuração é tolice, pois, ela torna as coisas ainda piores. Cristãos que reclamam são cristãos orgulhosos, que se recusam a se submeter à vontade de Deus para suas vidas. Eles são semelhantes aos marinheiros que reclamam da tempestade ao invés de preparem o navio para enfrentá-la. Marinheiros sensatos reconhecem a superioridade da tempestade e arriam as velas.

As últimas duas coisas que podemos observar com respeito à murmuração são muito sérias. A murmuração provoca a ira de Deus. Ele Se irou quando os israelitas murmuraram; Ele Se enfurece quando os cristãos reclamam. Os israelitas foram punidos por causa da murmuração; e os cristãos, portanto, deveriam tomar cuidado para não aumentar aos seus problemas por atrair sobre si o castigo de Deus. Um espírito intranqüilo e murmurador é o espírito de satanás. Ele foi o primeiro a se rebelar, o primeiro a se queixar, o primeiro a ser amaldiçoado por Deus. Toda rebelião é amaldiçoada, e os cristãos deveriam levar a sério o que a Bíblia diz sobre a murmuração.

A última coisa que vamos observar sobre este assunto é que Deus pode retirar Seu cuidado e proteção daqueles que reclamam dEle. Um empregado descontente pode ser demitido e mandado a procurar outro emprego; e Deus pode enviar Seu povo a procurar outro senhor se ele reclamar da forma como é tratado. Isso pode ser uma forma dEle disciplinar Seus servos e fazê-los confiar nEle, ou pode ser porque eles nunca foram cristãos verdadeiros.

Resmungar faz mal para você. É o primeiro passo numa estrada escorregadia e íngreme. Alguns dos israelitas que murmuraram no deserto jamais viram a terra prometida.

Fonte: MayFlower

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Hóstia - A Abominável Heresia do deus-pão



Até o ano 800 d.C. a doutrina da ceia do Senhor permaneceu pura, e tudo concernente a esse sacramento referia-se tão somente à sua administração, a relação entre o sinal e a matéria significada, e a eficácia de seu selo. Contudo, daquele tempo em diante, houve um gradual desvio da verdade, e os fundamentos para a mais abominável idolatria foram lançados.

Os papistas integralmente negaram a função da ceia do Senhor como selo, desde que começaram a considerar o pão e o vinho como corpo e sangue do Senhor, e assim o próprio Cristo. Além do mais, eles também defendem que cada participante, com sua boca física, participam do Cristo pleno em Sua carne ― quer dizer, Deus e homem, como foi nascido de Maria e crucificado no Gólgota — e digerem-no corporalmente.

Para dar aparência de veracidade, eles sustentam que, o padre, ao realizar a missa — resmungando sob sua respiração as palavras, "Isto é o meu corpo”, transforma o pão e o vinho na própria essência natural do corpo e do sangue de Cristo, (Sua alma e Sua divindade inclusas), e assim criam um deus a partir daquele pedaço de pão. Conseqüentemente, serão trazidos à existência tantos Cristos quanto houver hóstias sobre as quais se resmunguem aquelas palavras.

Ainda não satisfeitos com isto, eles transformam a ceia do Senhor em um sacrifício, não de louvor ou gratidão, mas como um sacrifício expiatório no sentido literal da palavra. Assim, ninguém tem o perdão dos pecados pelo sofrimento de Cristo a menos que o corpo de Cristo seja diariamente partido e sacrificado por eles. Eles não ousam dizer que o sangue de Cristo é derramado diariamente; mas, desde que o corpo de Cristo está sendo partido, é necessário que Seu sangue seja também derramado. Eles partem a hóstia — que para eles é Cristo ― sem que Cristo em Si mesmo seja partido. Como pode a hóstia ser partida, contudo sem que o corpo de Cristo seja partido, se a hóstia é o próprio Cristo? A isto eles chamam missa, na qual o celebrante (a quem eles chamam padre) permanece ante uma mesa (que eles chamam de altar) decorada com prata, ouro e outras ostentações físicas, e com imagens, cruzes, e velas acesas (até mesmo em plena luz do dia). Além do mais, o padre realiza muitas cerimônias grotescas e cômicas como remover um livro de um lugar para outro, ajoelhar-se, emborcar pedras repetidas vezes, fazer barulhos com sinos, e um resmungo por trás de suas vestes que ele levanta de trás de si. Ao fim de tudo, ele faz originar de sua hóstia um Cristo, que é um deus, o qual ele levanta acima de sua cabeça e mostra para todos os presentes com o propósito de ser adorado. Isto ele faz enquanto dobra os joelhos e sussurra baixinho, palavras com grande reverência. Depois que o deus-pão tem sido adorado, o padre o parte em pedaços, com uma simulação de membros trêmulos ― como se estivesse aterrorizado. Depois ele o come, sobre o qual esvazia a taça com uma só golada, tendo transformado o vinho no sangue de seu deus. Isto é um sacrifício para o perdão dos pecados, seja para os vivos ou para as almas no purgatório, as quais são fortalecidas por isto. Depois de concluído, ele declara ita missa est.

Eles sempre têm em suas mãos um suprimento do tal criado deus-pão. Esses mini deuses comestíveis são enclausurados em um vidro, e ocasionalmente carregados pelas ruas com grande pompa, sendo todo mundo obrigado a se ajoelhar diante desses deuses e adorá-los. Eles carregam diariamente esses deuses, tendo sido adorado pelo caminho, entregando aos enfermos os quais engolem o deus-pão como sua última refeição, ou, incapazes de fazer isso, o vomitam dentro de uma bacia com água, e ali jaz o seu deus.
Eles pronunciam o anátema ― uma maldição tão poderosa que deve ser temida tanto quanto o seu deus-pão ― sobre aqueles que não acreditam nisso, e que nunca se curvarão diante do tal deus nem o honrará de nenhuma forma. Ainda não satisfeitos em pronunciar o anátema, eles matam e, por meio de milhares de diferentes métodos de tortura, trazem ao seu fim todos os que não desejaram honrar a este deus-pão, nem se juntaram à comissão dessa abominável idolatria. Assim, a grande prostituta da Babilônia com todos os seus canibais e ébrios de sangue têm se embriagado com o sangue dos santos mártires.

Esta é a abominação do anti-Cristianismo. A grande ilusão de acreditar em mentiras, a qual Deus envia a todos aqueles que não acolheram o amor da verdade para serem salvos, (II Ts 2:10-11).

Aqueles que não querem ser eternamente condenados devem se abster dessa terrível forma de idolatria, e deveriam morrer mil mortes, a negar a Cristo e ser um participante da sua idolatria ― para ir com eles para o lago de fogo preparado para os idólatras.... “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras, e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. (Ap 21:8)
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Extraído do livro “The Christian’s Reasonable Service”, Wilhelmus à Brakel, vol.2, p. 535, 536, Soli Deo Glória, Ligonier-PA,USA,1993.

"Porventura não há Deus em Israel?" - Sermão pregado dia 25.09.2011

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Duração: 1h e 36min




"Porventura não há Deus em Israel?" -
Sermão pregado dia 25.09.2011

Nosso texto: "E Acazias, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no ano dezessete de Jeosafá, rei de Judá; e reinou dois anos sobre Israel. E fez o que era mau aos olhos do SENHOR; porque andou no caminho de seu pai, como também no caminho de sua mãe, e no caminho de Jeroboão, filho de Nebate, que fez pecar a Israel. E serviu a Baal, e adorou-o, e provocou a ira do SENHOR Deus de Israel, conforme a tudo quanto fizera seu pai" (1 Reis 22:52-54).

"E depois da morte de Acabe, Moabe se rebelou contra Israel. E caiu Acazias pelas grades de um quarto alto, que tinha em Samaria, e adoeceu; e enviou mensageiros, e disse-lhes: Ide, e perguntai a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se sararei desta doença. Mas o anjo do SENHOR disse a Elias, o tisbita: Levanta-te, sobe para te encontrares com os mensageiros do rei de Samaria, e dize-lhes: Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? E por isso assim diz o SENHOR: Da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás. Então Elias partiu" (2 Reis 1:1-4).


A Bíblia nos relata que Acazias era filho de Acabe e que reinava sobre Israel (reino do Norte) naquele tempo. Os livros de 1 e 2Reis constituem uma unidade dentro de um grupo maior de livros - Josué, Juízes, 1 e 2Samuel. Uma vez que esses livros apresentam uma sequencia natural, o reconhecimento de uma unidade essencial é justificado. [1]

Amados irmãos, nosso texto de hoje revela um quadro extremamente grave que foi vivido por inúmeros reis que governaram o povo do Senhor. A leitura do livro de Reis por muitas vezes mostra-se como um desafio à perseverança do crente, pois devido à tantas apostasias e feitos contrários às ordenanças do Senhor, questionamos: será que não estamos vivendo tal qual aquele do Senhor viveu? Graças a Deus que não ficamos sem resposta, e sim somos constantemente exortados a permanecer na sã doutrina, única fonte de santificação (1Pe 1.22).

Nosso texto de hoje fala-nos acerca de um rei que perpetuou o caminho errôneo que seu pai e seus antepassados haviam seguido - "E fez o que era mau aos olhos do SENHOR; porque andou no caminho de seu pai, como também no caminho de sua mãe, e no caminho de Jeroboão, filho de Nebate, que fez pecar a Israel" (1Rs 22.53). Lemos também que esse rei não desviou-se levemente do caminho do Senhor, mas sim que "serviu a Baal, e adorou-o, e provocou a ira do SENHOR Deus de Israel" (1Rs 22.54).

A Bíblia não nos relata sobre o porquê de Acazias ter caído daquele quarto alto, mas dize-nos sobre o que aconteceu àquele homem após ter sido caído e adoecido.

Diferentemente do que muitos fazem quando são feridos pelo Senhor - tal qual o faraó quando "arrependeu-se" e disse: "Esta vez pequei; o SENHOR é justo, mas eu e o meu povo ímpios" (Êx 9.27) - o rei Acazias não procurou o Senhor na hora da angústia e da adversidade, mas "enviou mensageiros, e disse-lhes: Ide, e perguntai a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se sararei desta doença" (2Rs 1.2). Eis então que o Senhor - mais uma vez - revela sua soberania e diz para que Elias se encontrasse com os mensageiros do rei e lhes advertisse sobre o grande erro em que estavam incorrendo. "Mas o anjo do SENHOR disse a Elias, o tisbita: Levanta-te, sobe para te encontrares com os mensageiros do rei de Samaria, e dize-lhes: Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?" (2Rs 1.3).

Finalmente, o Senhor diz a Elias que Sua mão não aliviaria a justiça em face da apostasia e rebelião daquele rei e que "por isso assim diz o SENHOR: Da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás. Então Elias partiu" (2Rs 1.4).

Certamente que a palavra de Deus não volta vazia, conforme lemos em Isaías 55.11: "Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei." - e é justo por esse motivo que devemos avançar com todo o cuidado diante das coisas do Senhor, "Porque o SENHOR teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso" (Dt 4.24).

O relato que temos diante de nós revela uma grande e necessária mudança que precisa acontecer em nosso evangelicalismo atual: buscarmos aprovação bíblica para TUDO o que fazemos. Tenho certeza de que encontraríamos poucas pessoas que negariam tal necessidade, mas o problema não diz respeito a quantas pessoas professam a fé em Jesus Cristo e dizem que somente a Bíblia é sua regra de fé, mas sim qual o percentual dessas pessoas que verdadeiramente busca nas Sagradas Escrituras o aval para sua vida cristã. Assim como o rei Acazias poderia aparentar ser um rei de acordo com a palavra de Deus (para o seu povo), mas suas atitudes não correspondiam à teoria, também hoje devemos ter a certeza de que o mero professar da crença em Jesus não implica em hipótese alguma de que isso torne alguém cristão - "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos" (Tg 1.22).

É preciso que entendamos que uma boa teologia leva SEMPRE à uma boa adoração, à uma boa piedade, à uma boa vida cristã, a um bom companheirismo cristão... isto é, uma boa teologia, uma teologia bíblica, deve necessariamente abranger TODAS as áreas da vida do crente. Não é possível sustentarmos um grande entendimento bíblico se ele não se traduzir de forma prática em nossas vidas. Não que as obras nos salvem, mas elas são a expressão da salvação operada em nossos corações, conforme lemos em Tiago.

Nosso texto de hoje convida-nos a perguntarmos a nós mesmos: qual a fonte que temos para fazer o que fazermos e deixar de fazer o que fazemos? Assim como um exímio atirador de elite precisa justificar ao seu superior o porquê de necessitar de determina arma e o porquê de não poder se esconder em determinada área, assim também o cristão deve ter toda a sua vida pautada pelas Escrituras.

Na Confissão de Fé de Westminster, capítulo XXI, Do Culto Religioso e do Domingo, lemos: I. A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras. Rom. 1:20; Sal. 119:68, e 31:33; At. 14:17; Deut. 12:32; Mat. I5:9, e 4:9, 10; João 4:3, 24; Exo. 20:4-6 (itálico meu). De acordo com esse ponto, deixe-me listar XXXX fatos que contribuíram para o pecado de Acazias.

1. O rei Acazias seguiu a sua tradição sem questionar sua veracidade.

"Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós, também, o mandamento de Deus pela vossa tradição? Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe, E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus. (Mt 15:1-6) (grifo meu).

A palavra de Deus constantemente nos mostra que perpetuar uma prática "cristã" simplesmente porque achamos que "sempre foi assim", é incorrer em erro gravíssimo e pecar contra a santidade do Senhor. São muitos os casos bíblicos em que lemos "e seguiu os passos de seu pai...", mas isso não significa que é errado seguir uma tradição, e sim que é pecado continuar uma tradição sem questionar-se se o que vem se fazendo a tanto tempo pode ser biblicamente sustentando e amparado pelas Escrituras.

O rei Acazias andou no mesmíssimo caminho que seu pai e isso lhe foi motivo de grande ruína diante do Senhor. Embora Acazias tenha reinado apenas durante dois anos, "fez o que era mau aos olhos do SENHOR" (1Rs 22.53). Eu não saberia dizer quantas vezes essa frase é repetida na história bíblica, mas sei que ela é suficientemente exposta de forma que nenhum suposto cristão possa vir a desculpar-se diante da ignorância em que vive e a vida que leva rumo ao precipício da morte.

Como é triste olharmos para um número incontável de pessoas que professam a fé cristã, mas que em suas vidas diárias seguem o jeito de viver de seus pais. É uma raça em extinção os pais que educam os filhos para que sejam bons maridos e boas esposas no futuro e que enquanto isso não aconteça devem continuar obedecendo e prestando honra a eles (essa parte se entende até o final de seus vidas), os filhos por sua vez não buscam na Bíblia o modo agradável e aceitável de viver diante dessa modernidade que não tem limites, mas vão ao mundo - à literatura, à internet, à revistas, aos amigos... - para saber como devem viver diante do Senhor.

Muitos desculpam-se de sua ignorância bíblica dizendo que "os tempos são outros, não podemos mais viver como os puritanos, estamos no século XXI!", mas se isso é verdade, seria também verdadeiro que hoje em dia a salvação se dá de modo diferente? Isto é, quer dizer então que Deus mudou o Seu jeito de ser porque viu que um dia se chegaria ao século XXI e lá seria muito difícil levar a Bíblia como fonte inspiradora e coordenadora para os afazeres diários e por isso resolveu que num determinado momento não seria mais necessário achegar-se diariamente as Santas e ricas palavras do Senhor para obter conhecimento, mas sim que o mundo ditaria a forma de ser Igreja?

"Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos" (Os 6:6). Assim como o Senhor falou por meio de Oséias de que o mero ritualismo sem consentimento de coração era inútil, também nós devemos atentar para tal grande exortação.

2. O rei Acazias tentou vingar-se da palavra de Deus.

Os versículos seguintes ao texto de hoje nos revelam que o rei Acazias nem ao menos arrependeu-se do seu pecado ao ouvir que morreria devido ao seu pecado. Esse obstinado rei não prostrou-se diante do Senhor e reconheceu o seu pecado - mesmo sabendo que morreria - mas quis acabar com o homem que preferiu tais palavras contra ele.

A Bíblia nos relata que quando Acazias ouviu de seus mensageiros a descrição do homem que profetizou sobre sua vida, imediatamente reconheceu que era Elias, o tisbita (2Rs 1.8). Acazias pensou que eliminando o profeta do Senhor também eliminaria a Sua palavra, como se pensasse: "Eliminando o porta voz, eliminarei a mensagem", mas acabou por descobrir que não pôde eliminar o porta voz e nem tampouco eliminar a mensagem, mas a palavra do Senhor agiu para o propósito que havia sido determinada (conforme lemos anteriormente em Isaías 55.11).

Muitos professos da fé cristã acham que o simples fato de não guiarem-se pela palavra de Deus torna-os cristãos, mas como se fossem uma espécie de "cristãos alternativos", isto é, cristãos que não se pautam pelo estrito ensino bíblico. Não é necessário nos alongarmos nesse pormenor para visualizarmos que tal feito é diabólico e não consegue ter respaldo bíblico algum (mas que diferença isso faz para eles?).

O ofício de profeta no Antigo Testamento é algo completamente diferente do vemos em homens e mulheres de nossos dias que se auto intitulam profetas e profetizas. O ofício de profeta veterotestamentário foi marcado pela perseguição, zombaria, escárnio e rejeição por parte da sociedade. O profeta de Deus era aquele que falava o deveria ser falando, pouco importando se agradaria ou não os homens, seu dever era de ser fiel à palavra que lhe tinha sido confiada. "Então o rei de Israel disse a Jeosafá: Ainda há um homem por quem podemos consultar ao SENHOR; porém eu o odeio, porque nunca profetiza de mim o que é bom, senão sempre o mal; este é Micaías, filho de Inlá". (2Cr 18:7). Em boa parte dos casos, o profeta do Senhor era odiado pela maioria, pois constantemente dizia a verdade, e como sabemos, muitas vezes a verdade dói, machuca e não nos é agradável.

O dever do cristão não deve ser o de buscar fazer o culto da maneira que o agrade, tocar e cantar as músicas que o agradem, usar os instrumentos musicais que o agradem, vender quinquilharias "de Jesus" antes e depois do culto porque isso o agrada, criar grupos de aconselhamento da forma que o agradam, mas deve ser tão somente buscar compreender qual é o decreto do Senhor. "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2).

3. O rei Acazias buscou um "deus alternativo" para seguir.

Quando os mensageiros do rei Acazias saíram para irem consultar a Baal-Zebube, o profeta de Deus foi levado a se interpor no caminho deles e questionar: "Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?".

Imaginemos por um momento a indignação que sobreveio à vida do profeta Elias naquele momento. Um homem que buscava viver os decretos de Deus, que fôra chamado para pregar e exortar o povo de Deus e que de repente se vê compelido a ir aos mensageiros do rei Acazias e percebe que aqueles homens não estão indo até algum profeta ou buscando conhecer o que Deus lhes requer, mas sim que estão indo consultar um deus estranho (Baal-Zebube ou Belzebu - Dono/Príncipe das Moscas) na cidade de Ecrom! Certamente que a indignação de Elias deve ter sido extremamente grande, pois rogou ao Senhor para que - posteriormente - descesse fogo dos céus e consumisse os homens que estavam à sua caça (2Rs 1.10-12) (também demonstrando que a palavra de Deus estava com ele e quem vinha da parte do Senhor).

Não muitos diferente, em nossos dias os "cristãos" estão indo às "cidades vizinhas" em busca de conhecimento e entendimento acerca do porquê de certas coisas acontecerem. A psicologia tem tido mais destaque nas igrejas do a palavra regeneradora do Espírito Santo de Deus. O jeito de se criar a "atmosfera do culto" é baseada em pesquisas que comprovam que um solo musical é capaz de "elevar os corações" e transmitir uma nova forma de achegar-se a Deus. O pecado foi substituído por doença e já não é tratado com oração, leitura da palavra e comunhão, mas com remédios e reuniões "terapêuticas" que na maioria das vezes são oriundas do reino das trevas e das profundezas de Satanás.

Devo confessar a vocês que tenho sentido nojo do meio evangélico em que vivemos, pois não faltam argumentos dirigidos ao homem ("mas não toque no ungido, olhe quantas obras eles fazem, nem todos estão tão errados assim..."), mas lhes falta muita, mas muita Bíblia em seus corações. Quando a leio a Bíblia minha mente capta as letras, meu espírito é ensinado mediante elas e meu coração e instruído acerca de que existem falsos profetas e homens que labutam em erro. Mas quando converso com alguém ou leio algum texto - infeliz - sobre o cristianismo, percebo que a maioria das pessoas não considera haver falsos profetas e falsos mestres, e se é que existem alguns, são os que não são da sua denominação.

Em vez de ouvirmos e lermos pregações sobre a ira de Deus, a justiça de Deus, a soberania de Deus, a imutabilidade de Deus e outros atributos, ouvimos - quase que sempre - apenas sermões dirigidos ao ego do homem, a fim de satisfazer a vontade pecadora de sentir-se feliz e realizado em tudo o que faz. Muitos tem se esquecido de que a visão mundana de que "é necessário ter uma auto estima muito elevada" é contrária à palavra de Deus. O Senhor nunca me ordenou para que ao acordar eu abrisse a janela e dissesse: "Meu nome é Filipe Luiz C. Machado e eu sou um vencedor! Eu consigo tudo o que quero, pois sou guerreiro, lutador e nada vai me impedir!" como dizem os psicólogos e pseudo pastores atuais. "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer" (Lc 17.10). Somos servos inúteis? Sim, nós somos. Mas também somos amados de Deus e isso deveria nos levar a mais alta condição de humildade, em vez de ficarmos ditando ordens ao Senhor.

É ainda importante notarmos que não são somente os grandes erros teológicos que contribuem para o mau da Igreja de Cristo, mas constantemente as "pequenas heresias" - isto é, aqueles erros teológicos não tão absurdos assim como pensam alguns, como ter verdadeiros shows de música na igreja, fazer a duração da pregação de acordo com a vontade dos membros (10min? 15min? 30min? Poucos passam dessa marca) - servem como estopim para desencadear uma grande tragédia. 

Charles Haddon Spurgeon, pregador do século XIX (1834 - 1892), ao pregar sobre qual era a função da igreja nos dias atuais, disse: Se Cristo introduzisse mais brilho e elementos agradáveis em Sua missão, ele teria sido mais popular quando O abandonaram por causa da natureza inquiridora de Seus ensinos. Eu não O ouvi dizer: "Corra atrás destas pessoas, Pedro, e diga-lhes que nós teremos um estilo diferente de culto amanhã, um pouco mais curto e atraente, com pouca pregação. Nós teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que certamente se agradarão. Seja rápido Pedro, nós devemos ganhar estas pessoas de qualquer forma." Jesus se compadeceu dos pecadores, suspirou e chorou por eles, mas nunca procurou entretê-los. [2]

O rei Acazias não queria entretenimento naquele momento, porém buscou a sabedoria em artifícios diabólicos e não prescritos pelo Senhor. Não é somente o entretenimento na casa do Senhor que é contrário à palavra de Deus, mas todo e qualquer acréscimo que não recebe aval bíblico para que seja executado. Há vários registros bíblicos que nos exortam a não fazermos àquilo que o Senhor não nos ordenou para fazer. Um exemplo disso está em Jeremias 7.31: "E edificaram os altos de Tofete, que está no Vale do Filho de Hinom, para queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas, o que nunca ordenei, nem me subiu ao coração" (grifo meu).

Deus não havia ordenado a Acazias para que seguisse as tradições demoníacas de seus antepassados; não havia ordenado para que enviasse mensageiros até Ecrom e consultasse a Baal-Zebube se seria ou não curado; não havia lhe dito para que enviasse um capitão e seus cinquenta homens para capturasse a Elias (e - também - por isso duas vezes seus soldados foram mortos); não havia recebido ordem alguma do Senhor para fazer o que havia feito!

Meus amados irmãos, que nessa noite possamos rogar a Deus as suas misericórdia, pois somos vis e pecadores do mais alto nível. Muitas vezes nos assemelhamos às palavras de Deus ao povo do tempo de Jeremias: "eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela" (Jeremias 6:10). Que nessa noite possamos nos lembrar de não somos nada diante do Senhor e por isso devemos seguir somente à sua Santa e reta palavra. Que nos lembremos constantemente que "Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hb 10:31), mas que não nos deixemos esmorecer pela falta de capacidade que há em nós, mas que juntos busquemos "a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14).

Amém.

Notas:
[1] Bíblia de Estudo de Genebra

domingo, 25 de setembro de 2011

Sugestões para se evitar o pecado do adultério



1) Cultivar um senso habitual da presença divina, percebendo que "os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons" (Pv 15.3).

2) Manter uma estrita vigilância sobre os sentidos; pois, com muita frequência, esses são as avenidas que ao invés de permitir a entrada de correntes agradáveis para refrescar, em geral deixam entrar barro e lama para poluir a alma. Faça um pacto com seus olhos (Jó 31.1). Feche os seus ouvidos contra qualquer conversa obscena. Não leia nada que contamine. Vigie os seus pensamentos, e trabalhe prontamente para expelir os que forem perversos.

3) Pratique a sobriedade e a a temperança (1Co 9.27). Aqueles que indulgem em glutonaria e bebedice geralmente descobrem que seus excessos levam à cobiça.

4) Exercite-se numa ocupação honesta e legal; está provado que a ociosidade é tão fatal a muitos como a intemperança a outros. Evite a companhia do perverso.

5) Dedique-se muito à oração fervorosa, implorando a Deus que limpe o seu coração (Sl 119.37).

Extraído do livro "Os Dez Mandamentos - Uma Exposição Bíblica" - Publicações Monergismo -www.monergismo.com - pg. 64

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sem vencer o pecado todo o resto é inútil


Outros deveres da fé cristã não podem ser executados sem a realização deste dever. É nosso dever estar "aperfeiçoando a santificação no temor de Deus" (2 Cor. 7:1), para estar "crescendo na graça" (2 Ped. 3:18). Entretanto, estes deveres não podem ser cumpridos sem a mortificação diária do pecado. O pecado põe sua força contra cada ato de santidade.

Antes de passarmos para o próximo capítulo deste estudo será bom fazermos duas coisas:

a) Resumiremos o primeiro ponto geral que temos apresentado neste capítulo. O ponto é este: muito embora a morte do cristão para o pecado (veja Rom. 6:2) tenha sido comprada para ele pela morte de Cristo, constitui-se ainda dever de cada cristão mortificar diariamente o pecado. Mesmo tendo recebido a promessa de vitória completa (pela convicção do pecado, a humilhação pelo pecado, e a implantação de um novo princípio de vida oposto ao pecado e destruidor dele) quando somos convertidos, o pecado ainda permanece no cristão. O pecado está ativo em todos os cristãos, até mesmo nos melhores, enquanto vivem neste mundo. É por isso que a mortificação diária do pecado é vital durante toda nossa vida.

b) Notaremos dois males que todo cristão enfrenta quando deixa de mortificar o pecado. O primeiro afeta o cristão; o segundo, os outros.

I) O cristão. O grande mal por não levarmos a sério o pecado. Uma pessoa pode falar sobre o pecado e dizer quão mau ele é, todavia se essa pessoa não está diariamente mortificando seu próprio pecado ela realmente não o está levando a sério. A causa principal pelo fracasso de mortificar o pecado é algo que está presente e se processando sem que a pessoa perceba. Alguém que tenha a ideia de que a graça e a misericórdia de Deus nos permitem ignorar os pecados do dia a dia, está muito próximo de transformar a graça de Deus numa desculpa para continuar pecando e ser endurecido pelo engano do pecado. Não há maior evidência de um coração falso e corrompido do que esta. Leitor, tenha cuidado com esse tipo de rebelião. Ela só pode levar ao enfraquecimento da sua força espiritual se não a algo pior, ou seja, a apostasia e ao inferno. O sangue de Jesus é para purificar-nos (1 João 1:7; Tito 2:14), e não para nos confortar numa vida de pecado! A exaltação de Cristo é destinada a levar-nos ao arrependimento (Atos 5:31). E a graça de Deus nos ensina "para que reneguemos a impiedade" (Tito 2:11,12). A Bíblia fala de pessoas que abandonam a igreja porque de fato jamais pertenceram a ela (1 João 2:19). O modo como isso acontece a muitas pessoas é algo como o seguinte:

Estiveram debaixo de convicção do pecado durante certo tempo, e isso as levou a praticar certas boas obras e a professar fé em Cristo. Escaparam das "contaminações do mundo  mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Ped. 2:20), mas depois que conheceram o evangelho se cansaram dos seus deveres. Visto que seus corações nunca tinham  sido realmente transformados, elas se permitiram negligenciar vários aspectos do ensino bíblico sobre a graça. Uma vez que este mal cativara seus corações, foi tão-somente uma questão de tempo até que se lançaram no caminho do inferno.

II) Outras pessoas. Uma pessoa que não mortifica o pecado pode, de fato, ser preservada da apostasia; todavia, ao mesmo tempo, pode exercer uma dupla influência nos outros:

a) Uma influência que endurece os outros. Quando os outros vêem tão pequena diferença entre suas próprias vidas e a vida de uma pessoa que falha na mortificação do pecado na sua vida, não vêem nenhuma necessidade de se tornarem cristãos. Eles observam o zelo dessa pessoa pela religião porém também notam sua impaciência para com aqueles que não concordam com ela. Observam suas várias inconsistências. Vêem sua separação do mundo, mas, além disso, seu egoísmo e sua falta de esforço para ajudar os outros. Eles ouvem seu linguajar espiritual, suas reivindicações à comunhão com Deus, no entanto, essas são contraditórias devido sua conformidade com os caminhos do mundo. Ouvem suas expressões de vanglória por ter sido perdoada, mas observam seu fracasso em perdoar os outros. Observando a baixa qualidade da vida dessa pessoa, endurecem seus corações contra o cristianismo, concluindo que suas vidas são tão boas quanto a de qualquer cristão.

b) Uma influência que engana os outros. Outros podem tomar essa pessoa como seu exemplo do que seja um cristão e presumir que porque podem seguir seu exemplo, ou até mesmo aperfeiçoá-lo, devem eles também ser cristãos. Dessa maneira, tais pessoas são enganadas e levadas a pensar que são cristãos, muito embora não tenham a vida eterna.

Fonte: Josemar Bessa.com

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Os profetas profetizam falsamente no meu nome


"Então disse eu: Ah! Senhor DEUS, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz verdadeira neste lugar. E disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam. Portanto assim diz o SENHOR acerca dos profetas que profetizam no meu nome, sem que eu os tenha mandado, e que dizem: Nem espada, nem fome haverá nesta terra: A espada e à fome, serão consumidos esses profetas. E o povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepultem, tanto a eles, como as suas mulheres, e os seus filhos e as suas filhas; porque derramarei sobre eles a sua maldade." Jeremias 14:13-16

E saber que desde sempre foi assim...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um Cristianismo Inútil


Ninguém se engane quanto ao sentido das minhas declarações. Não estou examinando quanto custa salvar uma alma cristã. Sei muito bem que isso custa nada menos do que o sangue do próprio Filho de Deus, que proveu expiação e remiu homens da condenação ao inferno. O preço pago pela nossa redenção foi nada menos do que a morte de Jesus Cristo, no Calvário. "Porque fostes comprados por preço!' "...Cristo Jesus, homem. O qual a si mesmo se deu em resgate por todos..." (I Co. 6:20; I Tm. 2:5,6). Tudo isso, entretanto, desvia-se inteiramente da nossa questão central. O ponto que desejo considerar é inteiramente diferente. Falo sobre o que um homem deve estar pronto a abandonar, se quiser ser salvo. Está em pauta o montante de sacrifício a que um homem precisa submeter-se, se realmente tenciona servir a Cristo. É nesse sentido que levanto a indagação: "Qual é o preço?" E acredito firmemente que essa indagação é importantíssima.

Admito prontamente que custa pouco alguém manter a aparência de um cristão. Uma pessoa que apenas frequente algum lugar de adoração duas vezes a cada domingo, e mostre-se razoavelmente moral durante os dias da semana, já terá feito o que milhares de outras pessoas ao seu redor fazem com o cristianismo. Tudo isso é trabalho fácil e barato; não requer qualquer autonegação ou auto-sacrifício. Se isso é o cristianismo que salva e que nos conduzirá ao céu quando morrermos, então, convém que alteremos a descrição sobre o caminho da vida, escrevendo: "Larga é a porta e espaçoso é o caminho que conduz ao céu!"

Não obstante, custa bastante ser um crente verdadeiro, se os padrões da Bíblia tiverem de ser seguidos. Há inimigos que terão de ser vencidos, batalhas que terão de ser travadas, sacrifícios que terão de ser feitos, um Egito que precisará ser esquecido, um deserto que precisará ser atravessado, uma cruz que deverá ser carregada, uma carreira que terá de ser corrida. A conversão não se assemelha a colocar um homem em uma poltrona, levando-o assim, em conforto, para o céu. Quando alguém torna-se crente, dá início a um imenso conflito pelo qual custa muito obter a vitória. Daí origina-se a indizível importância de "calcular o preço".

Permita-me tentar mostrar precisa e particularmente quanto custa ser um crente autêntico. Suponhamos que um homem se disponha a servir a Cristo, sentindo-se atraído e inclinado a segui-Lo. Suponhamos também que alguma aflição, ou uma morte repentina, ou um sermão abalador lhe venha despertar a consciência, fazendo-o sentir o valor da sua própria alma e levando-o a desejar ser um verdadeiro crente. Sem dúvida, muito coisa haverá para encorajá-lo. Os seus pecados poderão ser gratuitamente perdoados, por muitos e grandes que eles sejam. O seu coração poderá ser totalmente modificado, sem importar quão frio e duro ele seja. Cristo e o Espírito Santo, a misericórdia e a graça, estão todos à sua disposição. Apesar de tudo, convém que ele calcule o preço.

Examinemos particularmente, uma por uma, as coisas que a sua religião cristã haverá de custar-lhe.

1. Antes de mais nada, isso lhe custará a sua justiça própria. Ele terá de desfazer-se de todo o orgulho, de todos os pensamentos altivos e de toda a presunção acerca de sua própria bondade. Terá de contentar-se em ir para o céu como um pobre pecador, salvo exclusivamente pela graça gratuita, devendo tudo aos méritos e à retidão de Outrem. Cumpre-lhe realmente sentir aquilo que diz o livro de oração de nossa igreja: ele tem "errado e se desviado como uma ovelha perdida", tendo deixado de fazer "o que lhe competia, e tendo feito o que não lhe competia fazer, não havendo nele qualquer saúde espiritual". Ele terá de dispor-se a desistir de toda a confiança em sua própria moralidade, respeitabilidade, orações, leituras da Bíblia, frequência à igreja, participação nas ordenanças, não confiando em outra coisa e em outra pessoa senão em Jesus Cristo.

Ora, para alguns isso poderá parecer difícil. E não me admiro disso. Disse um piedoso lavrador ao bem conhecido James Hervey: "Senhor, é mais difícil negar o orgulho próprio do que negar o próprio pecado. Mas isso é algo absolutamente necessário". Em nosso cálculo do custo, que esse seja o nosso primeiro item. Para que um homem seja um verdadeiro crente, ele terá de desistir de sua justiça-própria.

2. Em segundo lugar, um homem terá de desistir dos seus pecados Ele deverá estar disposto a abandonar cada hábito e prática errados aos olhos de Deus. Terá de voltar o rosto contra tais práticas, lutando contra elas, rompendo com elas, crucificando-se para elas e esforçando-se por mantê-las sob o seu controle, sem importar o que o mundo ao seu redor possa pensar ou dizer a respeito. Ele terá de fazer isso de maneira honesta e justa. Não poderá haver tréguas com qualquer pecado especial que ele ame. Ele terá de considerar todos os pecados como seus inimigos mortais, odiando cada caminho de iniquidade. Sem importar se pequenos ou grandes, públicos ou secretos, ele terá de renunciar terminantemente a todos os seus pecados. Talvez esses pecados lutem diariamente contra ele, e as vezes quase haverão de derrotá-lo. Porém, ele nunca poderá ceder diante deles. Cumpre-lhe manter uma guerra perpétua contra os seus pecados. Está escrito: "Lançai de vós todas as vossas transgressões..." "...põe termo em teus pecados pela justiça, e às tuas iniquidades.." "...cessai de fazer o mal" (Ez. 18:31; Dn. 4:27; Is. 1:16).

Isso também parece difícil, e não me admiro. Geralmente os nossos pecados são tão queridos por nós como os nossos filhos: nós os amamos, abraçamos, apegamo-nos a eles, deleitamo-nos neles. Romper com eles é algo tão difícil quanto decepar a mão direita ou arrancar da órbita o olho direito. Mas isso tem de ser feito. O rompimento é inevitável. "Ainda que o mal lhe seja doce na boca, e ele o esconda debaixo da língua, e o saboreie, e o não deixe...", contudo, o pecado terá de ser abandonado, se ele quiser ser salvo. (Jó 20:12,13). O crente e o pecado têm de estar em luta, se o crente e Deus tiverem de ser amigos. Cristo está disposto a acolher a qualquer pecador. Mas Ele não receberá a quem não se disponha a separar-se dos seus pecados. Anotemos esse item em segundo lugar, em nosso cálculo do custo. Ser crente é algo que custará a um homem os seus pecados.

3. Em último lugar, ser crente custará a um homem a aprovação do mundo. Se um crente quiser agradar a Deus, terá de contentar-se em ser mal acolhido pelos homens. Não deverá considerar estranho se for vilipendiado, ridicularizado, caluniado, perseguido e até mesmo odiado. Não poderá ficar surpreendido se as suas opiniões e práticas religiosas forem consideradas com desprezo. Terá de aceitar que muitos o tomem por insensato, entusiasta ou fanático — de tal maneira que as suas palavras sejam pervertidas e as suas ações sejam mal interpretadas. De fato, não terá de maravilhar-se se alguém vier a chamá-lo de louco. Disse o Senhor: "Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa" (João 15:20).

Ouso dizer que essa condição também parece muito difícil. Naturalmente, somos avessos a um tratamento injusto e a falsas acusações, e julgamos ser muito difícil tolerar as acusações sem causa. Não seríamos feitos de carne e sangue, se não desejássemos contar com a boa opinião das pessoas ao nosso redor. Sempre será desagradável ser alvo de calúnias, de mentiras, e viver solitário e incompreendido. Porém, não há como evitar. O cálice que nosso Senhor bebeu também deve ser sorvido pelos Seus discípulos. Cristo "era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens" (Is. 53:3), e outro tanto acontecerá a eles. Que esse item também seja alistado. Ser um crente custará a um homem a aprovação do mundo. Esse é o cálculo do que custa a uma pessoa ser um crente verdadeiro. Admito que essa lista é pesada. Mas, qual desses diversos itens pode ser removido? Temerário seria, realmente, o homem que ousasse dizer que podemos conservar a nossa justiça-própria, a nossa preguiça e o nosso amor ao mundo, e, ainda sermos salvos!

Reconheço que custa muito ser um verdadeiro crente. Porém, quem, em seu bom juízo, poderia duvidar que vale a pena pagar qualquer preço, contanto que a sua alma seja salva? Quando um navio corre o risco de naufragar, a tripulação não pensa que é um sacrifício muito grande lançar borda fora qualquer carga, por mais preciosa que seja. Quando um membro do corpo chega a grangrenar, um homem submete-se a qualquer operação, até mesmo a amputação daquele membro, contanto que a sua vida seja salva. Não há dúvida que um crente deve estar disposto a desistir de qualquer coisa que se interponha entre ele e o céu. Uma religião que nada custa, nada vale! Um cristianismo barato, destituído de cruz, mostrará ser um cristianismo inútil, que não pode obter a coroa.

Por J. C. Ryle

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Soberania, a Bênção e a Advertência de Deus - Sermão pregado dia 18.09.2011

A Soberania, a Bênção e a Advertência de Deus -
Sermão pregado dia 18.09.2011

Nosso texto: "Quando, pois, o SENHOR teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, que te daria, com grandes e boas cidades, que tu não edificaste, E casas cheias de todo o bem, que tu não encheste, e poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste, e comeres, e te fartares, Guarda-te, que não te esqueças do SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão" (Dt 6.10-12).

Amados irmãos, como é bom nos reunirmos nessa manhã para magnificarmos o nome do Senhor e aprendermos mais sobre Sua santa e agradável palavra.

Nos versículos de hoje veremos como Deus guia de forma soberana, abençoa de sobremaneira e adverte o seu povo para que não se desvie do reto Caminho.

Como já vimos em algumas ocasiões anteriores, o Antigo Testamento não é um conjunto de regras caducadas pelo tempo ou pelo Novo Testamento, mas sim que ali é encontrado a história de um povo que viveu pelas promessas que lhe foram propostas mediante a ação do Senhor em meio ao Seu povo. Os livros do Antigo Testamento - especialmente os do Pentateuco - contrariam a visão de muitos libertinos que ousam dizer que não devemos mais observar a Lei Moral de Deus (isto é, resumida nos dez mandamentos) ou ainda qualquer outro pormenor, pois - segundo eles - vivemos no Novo Testamento, e por ser novo, tudo o que é "Antigo" deve ser [quase que] descartado. Essa é a triste e lamentável visão que os dispensacionalistas tem, isto é, que há uma divisão entre o Antigo e o Novo Testamento. Para esses, o Antigo e o Novo Testamento não são parte de uma mesma estrutura, mas vivem separados e devem se muito pouco se comunicar.

1. Deus guia o Seu povo de forma soberana: "Quando, pois, o SENHOR teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó" (v.10).

O povo de Israel que estava ouvindo essas palavras de Moisés era um povo que sabia da onde tinha vindo e para onde estava indo. "Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas" (Dt 6.4-9).

Na época do povo de Israel, os pais sempre deveriam ensinar aos seus filhos sobre o porquê deles viverem do jeito que viviam, sobre o porquê de não fazer determinadas coisas e também lhes contavam a história de seu povo, pois era importante que os filhos soubessem de onde seus antepassados haviam vindo e para onde estavam indo, afinal eram um povo que estava caminhando rumo à promessa da terra prometida.

É importante notarmos que a soberania de Deus é [mais uma vez] muito explícita nesse versículo - "Quando, pois, o SENHOR teu Deus te introduzir na terra" (grifo meu). Moisés fala ao povo acerca da soberania do Senhor e de que era o Senhor quem os iria guiar e introduzir até a terra prometida. Moisés descreve ao povo que somente o Senhor era quem iria os guiar até a terra prometida, não devendo homem algum achar que por suas próprias forças chegaria até lá. 

Notório é também que tenhamos em mente que Deus comunicava-se - e ainda se comunica - sempre com o seu povo. Como vimos algum tempo atrás, a ideia de que o Espírito Santo habita em indivíduos de forma isolada é estranha às Escrituras, pois elas sempre nos revelam que Deus atua no meio do Seu povo. De forma não diferente acontece em nosso texto. Para quem Moisés escreve? Ao povo de Deus. É ao povo de Deus que essas palavras são dirigidas e isso deve ser levado em conta.

Esse ato de Deus guiar o seu povo faz parte do pacto de Deus. Deus instituiu para Si mesmo que seria o Deus de uma nação e eles seriam o Seu povo. Portanto, o Senhor dos israelitas necessariamente iria conduzir os seus até a terra prometida. O Senhor não individualizou a entrada na terra prometida, mas falou a todo o povo acerca da promessa que iria em breve se concretizar. Certamente que esse pacto de Deus com o Seu povo não deve nos levar a achar que o Espírito Santo não habita nos seus filhos - como se apenas pairasse feito nuvem sobre eles - mas leva-nos a compreender que não há preferência ou favoritismo no Senhor, pois n'Ele temos a certeza de que todos aqueles que estiverem incluídos no livro da vida (conforme lemos em Apocalipse), certamente fazem parte do Seu povo.

Pelo que as Escrituras indicam, Deus não escolhe um, depois outro, depois mais um e assim por diante e de repente diz para si mesmo: "Puxa vida! Veja só! Eis que tenho um povo!". Muito pelo contrário: "E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna" (At 13.48). A narrativa de Atos nos diz que TODOS quanto estavam ordenados para a vida eterna foram batizados e glorificavam a Deus em suas vidas, ou seja, Deus é o Senhor de TODO o seu povo e não de indivíduos isolados, como se o Espírito Santo pudesse ser fracionado e não guiasse todos os homens rumo à um só caminho - tal ponto também nos lembra da importância de vivermos juntos de uma congregação, para que juntos (não separados), todos possam louvá-Lo e glorificar o Seu nome.

Vemos também que não somente o Senhor iria os guiar e levar até a terra prometida, mas que também Ele faria isso porque "o SENHOR teu Deus... jurou a teus pais" (grifo meu). O Senhor havia prometido que um dia o povo habitaria numa região onde manam leite e mel. Eles não estavam vivendo um desejo momentâneo de Deus, como se Esse estivesse nos céus e dissesse, "Bom, acho que esse povo já passou por bons bocados e eis que resolvo os introduzir em uma terra melhor do que eles vivem", mas estavam vivendo uma promessa que há muito havia sido predestinada. Reconheço que tal exemplo de Deus nos céus pode soar um tanto infantil, contudo, ainda mais infantil é quando não compreendemos a soberania de Deus. É necessário que todo cristão compreenda que se não entender a completa soberania e determinação de Deus sobre TUDO o que acontece, invariavelmente verá os feitos de Deus como se fossem fruto da Sua imaginação ociosa nos céus, em vez de contemplá-los como sendo parte de seus santos, eternos e imutáveis decretos.

Moisés também diz ao povo que a promessa feita primeiramente a seu pai Abraão (Gn 12.7), posteriormente a Isaque (Gn 26.3) e também a Jacó, estava para se cumprir nas suas vidas. Aqueles israelitas que desde pequenos haviam escutado acerca da promessa feita aos seus antepassados, agora estavam [quase] diante do cumprimento dessa promessa. Para o povo da aliança, a ligação com seus antepassados era muito forte. Mas por que? Porque eles sabiam que vivam debaixo de uma aliança - um pacto - firmado por Deus e estabelecido por Ele mesmo. O povo de Israel sabia que sua presença na terra não era por acaso, mas sim porque eram filhos de Abraão, Isaque e Jacó.

Portanto, temos aqui nessa primeira parte um pequeno vislumbre de como Deus guia de forma soberana o Seu povo. Primeiro dizendo que é Ele - o Senhor - quem guia e leva o Seu povo à terra prometida. Em segundo lugar, Sua soberania é demonstrada no fato de que Ele mesmo é quem jura/promete e cumpre o que diz. E por fim, vemos que mesmo depois de tanto tempo e tantos corações obstinados, ainda sim o Senhor mantém um povo para si, um remanescente fiel.

2. Deus abençoa seu povo de sobremaneira: "Quando, pois, o SENHOR teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, que te daria, com grandes e boas cidades, que tu não edificaste, E casas cheias de todo o bem, que tu não encheste, e poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste, e comeres, e te fartares" (vs.10,11). 

Vemos aqui que após Moisés declarar a soberania de Deus ao povo de Israel, ele declara que junto com a promessa viriam também inúmeras bênçãos. O texto nos mostra que as promessas de Deus para o Seu povo, não são promessas vazias, sem sentido, que não acompanham bênção alguma, mas sim que a promessa não é o fim em si mesmo, mas o que ela revela e traz ao Seu povo - a bênção, o livramento, a renovação...

Então, temos aqui um povo escutando que em breve iria morar em "grandes e boas cidades", porém não eram cidades que teriam de construir, despender enormes esforços, trabalhar de sol a sol para a construírem, e sim cidades que não haviam edificado. Aquele povo que outrora havia sido escravizado no Egito e construído a cidade para o seu inimigo e opressor, agora se vê diante da promessa de que passaria a habitar em um local que não fora construído por eles, mas que estava a seu dispor uma terra pronta, grande, agradável e desejável.

O Senhor também lhes diz que suas casas estariam " cheias de todo o bem, que tu não encheste". Oh, quão agradável deve ter sido àquele povo escutar tão grandes notícias! Como se isso não fosse bom o suficiente, ainda lhes é dito que teriam "poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste". Aqui, é impossível não notarmos uma pequena amostra do que nos espera na terra prometida, a Jerusalém celestial. Enquanto o povo de Israel ansiava por uma terra física - e por isso sujeita à depravação do homem e a todo o mal que se faz debaixo do sol, conforme lemos em Eclesiastes - nós podemos e devemos ansiar pela terra prometida, onde "Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap 21.4).

Tenho visto poucos cristãos ansiarem pelo céu. Tenho notado que poucos levam cativo em seus corações as palavras de Jesus que dizem: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam" (Mt 6.19,20). Muitos tem trabalhado e despendido grandiosos esforços para quase que literalmente acumularem lixo em suas casas. O "sonho americano" da vida tranquila, cheia de riquezas e com todo o conforto que um homem pode ter está enraizado em muitos corações nos dias de hoje. Sobre esse ponto quero apenas salientar uma questão.

Fazer voto de pobreza é algo estranho às Escrituras, pois em momento algum o Senhor declarou que se fazer pobre é se fazer um cristão melhor. É fato que o nosso Senhor Jesus alertou sobre os perigos da riqueza, porém também falou que sempre existirão os ricos e os pobres. Assim como o pobre tem o seu papel importante na sociedade, o rico também têm: "E, vinda já a tarde, chegou um homem rico, de Arimatéia, por nome José, que também era discípulo de Jesus. Este foi ter com Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse dado. E José, tomando o corpo, envolveu-o num fino e limpo lençol, E o pôs no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha, e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se" (Mt 27.57-60, grifo meu). Portanto, vemos que a riqueza é boa e deve ser usada para a glória de Deus e não para o mero enriquecimento humano, "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (1Tm 6.10).

Voltando às grandes bênçãos que aguardam os cristãos nos céus, vemos que assim como os israelitas não construíram suas cidades, casas, poços, vinhas e olivais e por isso não tinham no que se gloriar em si mesmos quando estivessem na terra prometida, nós também não temos qualquer suficiência em nós mesmos para que possamos "ajeitar nosso lugar no céu", construir nossas moradias ou determinar como será nossa morada eterna. Já é mais do que sabido - ou deveria ser - que os cristãos não são salvos pela sua própria vontade, assim como os israelitas não estavam recebendo a terra prometida porque eram pessoas de bom proceder. Essa falácia de que tanto arminianos quanto calvinistas estão certos - ou como preferem alguns: "cada um trabalha com a luz que tem" - é totalmente equivocada e absurdamente fora dos padrões bíblicos, pois como pode ser possível sustentar a soberania de Deus e ao mesmo tempo dizer que é o homem quem salva a si mesmo pela sua própria vontade - os arminianos dizem que Espírito Santo ajuda, o resto é com o homem - e nada pode impedi-lo? Como pode ser possível vermos tantas pessoas achando que é uma "bênção" Deus ter dado o [suposto] livre arbítrio às pessoas, numa demonstração de generosidade, pois ele "não força ninguém a ir para o céu"?

Amados irmãos, Deus não força ninguém a ir para o céu. Os que forem para o céu serão aqueles a quem o Senhor escolheu e por isso mesmo que eles irão para lá para a glória de Deus e O glorificarão eternamente. Não é possível crer - mediante as Escrituras - que qualquer pessoa chegue ao céu contra a sua vontade, porque todos que até lá chegarão gostarão de estar desfrutando daquele momento eterno, pois tiveram seus corações regenerados e transformados pelo poder do Espírito Santo. Se Deus desse ao homem a oportunidade de escolher entre ir para o céu e ir para o inferno, TODOS - sem exceção - escolheriam o inferno, pois o coração do homem não regenerado é mau e hostil contra as coisas do Reino. É por isso que digo que ninguém pode construir cidades, casas, cavar poços, plantar vinhas e olivais na Jerusalém celestial, porque se isso fosse possível, seria o homem quem determinaria como seriam as coisas e não o Senhor.

Assim como nós, aqueles israelitas precisavam reconhecer que as bênção advindas eram somente porque o "...SENHOR... é bom; porque a sua benignidade dura para sempre" (Sl 136.1), nada restando para que o homem se glorie em si mesmo.

3. Deus adverte os Seus para que não se desviem: "Guarda-te, que não te esqueças do SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão" (v.12).

O Senhor não advertiu o povo para se precaver e não ter um povo obstinado - pois Ele é soberano e sabia o que iria acontecer - mas exortou-os para que não se esquecessem d'Ee, pois já havia dito aos seus antepassados: "E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente" (Gn 6.5). Como já vimos, o apóstolo Paulo também tratou dessa questão quando escreveu: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (1Tm 6.10).

Bem podemos imaginar que o povo de Israel seria enormemente tentado por suas paixões carnais a se entregar à falsa segurança que a terra prometida lhes causaria. Numa terra onde receberiam de tudo e não precisariam despender grandes esforços - como fizeram no Egito -, certamente que o pecado bateria à porta e caberia a eles dominá-lo - "o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar" (Gn 4.7).

Quando nosso coração é transformado e depositamos nossa confiança no Senhor, ele certamente nos guia por veredas retas e justas conforme o Seu caminho. Assim como aquele povo deveria viver sem esquecer-se de que haviam sido escravos no Egito e tinham sido libertados pela mão poderosa de Deus, nós também devemos levar a nossa salvação com grande regozijo e temor diante de Deus que nos predestinou e nos salvou para a vida eterna. Contudo, é necessário que SEMPRE investiguemos nossos corações à luz da palavra, a fim de verificarmos se estamos vivendo e não estamos nos esquecendo do Senhor. Certamente que isso não significa que a salvação pode ser perdida, mas sim que pode-se viver sendo simpatizante do evangelho, alguém que gosta da companhia de pessoas de boa índole, mas que na verdade NUNCA teve o seu coração verdadeiramente transformado.

É também maravilhoso notarmos o contraste entre nós e os israelitas do Antigo Testamento e a grande bênção que nos espera nos céus. Enquanto os israelitas estavam para entrar na terra prometida e precisariam lutar e permanecer firmes diante de todas as ciladas do maligno, nós, quando estivermos nos céus - com todos os santos reunidos -, não precisaremos mais enfrentar as hostes celestes nem enfrentarmos a lei do pecado que atua dentro de nós, mas tão somente desfrutaremos da doce e agradável presença do Senhor.

Que possamos levar junto aos nossos corações esses três pontos: Que Deus certamente guia e conduz os Seus de forma soberana e eficaz, que Ele abençoa grandemente todo o seu povo e que também adverte-nos sobre o perigo de nos afastarmos do Senhor quando recebemos Sua bênção. Que nosso amado Senhor e Mestre Jesus Cristo, possa nos conceder a cada dia um coração mais disposto a lhe obedecer e cumprir todo o seu desígnio para que possamos glorificar o Seu nome por toda a terra.

"Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará" (Sl 37.5). 

Amém.

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