"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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domingo, 31 de julho de 2011

Está chovendo lá fora, mas aqui dentro tem o sol...


"Está chovendo lá fora, mas aqui dentro tem o sol. E esse sol é Jesus, é Jesus o nosso sol! Esse sol é Jesus, é Jesus o nosso sol!"

*pequena música que minha mãe cantava quando éramos pequenos.

sábado, 30 de julho de 2011

Um cristianismo externo não é suficiente


Um cristianismo externo não é suficiente -
por João Calvino


1.
Perguntemos àqueles que não possuem nada mais do que a membresia de uma igreja e que apesar disso desejam ser chamados de cristãos, como podem glorificar o sagrado nome de Cristo.

Somente aquele que tem recebido o verdadeiro conheci­mento de Deus, por meio da Palavra do Evangelho, pode chegar a ter comunhão com Cristo.

O apóstolo disse que ninguém que não tenha posto de lado a velha natureza, com sua corrupção e concupiscências, pode dizer que tenha recebido o verdadeiro conhecimento de Cristo.

O conhecimento externo de Cristo é só uma crença perigo­sa, não importando quão eloqüentes possam ser as pessoas que o têm.

2. O evangelho não é uma doutrina do discurso, mas da vida. Não se pode assimilá-lo por meio da razão e da memória, única e exclusivamente, pois só se chega a compreendê-lo, total­mente, quando Ele possui toda a alma e penetra no mais profundo do coração.

Os cristãos nominais devem parar de insultar a Deus jac­tando-se de serem aquilo que não são.

Devemos ater-nos, em primeiro lugar, ao conhecimento da nossa fé, pois ela é o princípio da nossa salvação.

A menos que nossa fé ou religião causem uma mudança em nosso coração e em nossas atitudes nos transformando em no­vas criaturas, não nos serão muito proveito.

3. Os filósofos condenam e excluem de sua companhia to­dos aqueles que professam conhecer a arte de viver a vida, considerando-os apenas como crianças gaguejantes.

Com muito mais razão, os cristãos deveriam detestar aque­les que têm o Evangelho em seus lábios e não em seus corações.

Comparadas com as convicções, os afetos e a força sem limites dos verdadeiros crentes, as exortações dos filósofos são frias e sem vida (ver Ef 4.20 e ss)

Fonte: Eleitos de Deus

SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus


SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus -
Declaração de Cambridge

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Tese 5: Soli Deo Gloria

Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.

Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto- estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Fonte: Declaração de Cambridge
Em:
Os Cinco Solas da Reforma

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Carta a um Jovem Cristão que se diz Revolucionário


Carta a um Jovem Cristão que se diz Revolucionário -

por Filipe Luiz C. Machado

*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.
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Olá, Gerônimo.

Antes de mais nada, perdoe-me por meu estilo "velho" de escrever, pois há tempos já que assim escrevo e me é difícil escrever de outra forma.

Já temos conversado um pouco sobre o que é ser jovem no mundo atual e sobre o que significa ser um jovem cristão na atualidade. Mas penso que também seria benéfico que eu lhe colocasse alguns pormenores que talvez você não esteja a par.

É necessário notar que essa divisão entre recém-nascido, criança, pré-adolescente, adolescente, jovem e adulto é algo estranho às Escrituras. É estranho porque nos dias de hoje as atitudes das pessoas não são mais medidas pela coerência para com a bíblia, mas sim em sintonia com a sua faixa etária. Ou seja, o adolescente é rebelde, briga com os pais e é revoltado na escola não porque lhe falta leitura bíblica, oração e admoestação, mas porque é adolescente, faz parte da fase, é algo "natural".

Veja bem, Gerônimo. Essa divisão no crescimento do homem é muitas vezes perniciosa ao próprio homem, pois nos dá desculpas diante da falta de praticidade bíblica diária. Sim, concordo com o que você havia me dito que existem hormônios diferentes para cada fase da vida, contudo, isso não invalida o dever do homem crescer nos caminhos do Senhor. Certamente que ninguém conseguirá nascer e crescer sem pecar e sem errar, mas isso é bastante diferente do que vejo você e alguns amigos dizendo - que a rebeldia faz parte do jovem.

Entenda, meu amado, que na bíblia há apenas duas divisões: criança e adulto. Não há toda essa miscelânia de idades e tudo mais - mas por quê? Porque não é saudável para o cristão escusar-se de sua responsabilidade apenas porque disseram para ele [veja bem, nem ele sabe em que fase está - disseram para ele] que está na juventude e essa é uma fase difícil. Pois se fosse assim, como os jovens profetas da bíblia teriam se saído? Que dizer de Timóteo? Teriam sido eles jovens rebeldes?

Compreenda também que ser cristão já é ser um revolucionário. Amar pai e mãe, respeitar a professora, dar bom exemplo no trânsito, ser um bom empregado, pagar as contas em dia, viver uma vida de santidade, orar todos os dias, ler a bíblia regularmente, ir aos cultos sempre que possível, participar de atividades de caridade e outras coisas mais, são atos extremamente revolucionários.

Sei também de seu desejo de passar as madrugadas de sábado pela rua, conversando com seus amigos e ficando sentado na calçada tomando alguma coisa. Mas entenda, Gerônimo, que, embora essas coisas não sejam pecaminosas em si mesmas, revelam sua falta de maturidade e consciência do que é ser um homem cristão. Ora, você mesmo não se considera um jovem e advoga que está a cada dia mais próximo de se tornar um adulto? Como é então que você ainda vive como criança?

Lembro-me de você também ter comentado que sente dificuldade em participar dos cultos de sua igreja, pois para você eles parecem muito parados. Porém, eu conheço sua igreja e sei que ela tem seguido a sã doutrina. Concordo com você que em certas questões ela aparente ser um pouco "parada", mas o problema não está nela e sim em você. É necessário que você entenda que o culto não foi feito e jamais deverá ser feito para agradar você, seus amigos ou seja lá quem quer que for. O culto da igreja tem apenas um objetivo: glorificar a Deus. É por esse mesmo motivo que sua igreja não adere a tantas atividades modernas, pois compreende que o centro do culto é Deus e não o homem. Se você tem sentido difuldades para permanecer "acordado" durante o culto, sugiro que medite no que lhe escrevi acima.

Portanto, gostaria que você refletisse sobre essas pontos, pois não somente você, mas muitos ao seu redor são influenciados por essa maneira de viver. Se você deseja ser um cristão revolucionário, sossegue-se um pouco e guarde suas energias para o obra do Senhor. Quer sair nas madrugadas de sábado? Saia, mas utilize-a para a expansão do Reino de Deus. Leve as boas novas do evangelho aos seus amigos que se encontram perdidos por aí, utilize-se dessa "falta de sono" que você tem e compartilhe do evangelho com os seus. Apenas peço: não desperdiçe sua Vida.

Em Cristo e para a progressão do Seu reino,
Filipe Luiz C. Machado

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Não há Casualidade em Deus


Não há Casualidade em Deus –
po Thomas Watson (1620-1686)

a.
A providência divina é predeterminada, mesmo que para nós pareça casualidade.

Uma segunda proposição é que essas providências, que para nós são eventuais e acidentais, são predeterminadas pelo Senhor. A queda de uma telha sobre a cabeça de alguém e o surgimento de um incêndio, o que nos parecem casuais, são, na verdade, ordenados pela providência de Deus. Tem-se um claro exemplo disso em 1 Reis 22.34: "Então, um homem entesou o arco e, atirando ao acaso, feriu o rei de Israel por entre as juntas da sua armadura". Esse acidente foi casual para o homem que entesou o arco, mas era divinamente ordenado pela providência de Deus. A providência de Deus dirigiu a flecha para que atingisse o alvo. As coisas que parecem acidentais, ou por acaso, são os canais dos decretos de Deus e a interpretação da sua vontade.

b. A providência divina deve ser considerada, mas não deve se tornar uma regra para nossas ações

Devemos considerar a providência de Deus em todos os aspectos de nossa vida, mas não devemos agir como que esperando apenas por ela. "Quem é sábio atente para essas cousas" (SI 107.43). É bom observar a providência, mas não devemos fazer dela nossa regra de vida. A providência é um diário do cristão, mas não sua Bíblia. As vezes, um motivo ruim predomina e se estabelece, porém, não deve ser apreciado por predominar. Não devemos pensar o melhor de algo que é pecado, simplesmente porque é bem-sucedido. Tais fatos não devem se tornar regra para o direcionamento de nossas ações.

c. A providência divina é irresistível, nada há que impeça sua realização.

Não há no caminho da providência de Deus nada que a embarace. Quando chegou o tempo da soltura de José, a prisão não mais pôde detê-lo. "O rei mandou soltá-lo" (SI 105.20). Quando Deus satisfez os judeus com liberdade de religião, Ciro, pela providência, baixou uma proclamação encorajando-os a irem a Jerusalém para construir o templo e adorar a Deus (Ed 1.2,3). Se Deus pretendia defender e proteger a pessoa de Jeremias no cativeiro, o próprio rei da Babilónia iria alimentar o profeta e dar ordens para que nada lhe faltasse (Jr 39.11,12).

d. A providência divina é plena de confiança, mesmo quando todas as circunstâncias parecem contrárias.

Deve-se confiar em Deus quando suas providências parecem contrárias às suas promessas. Deus prometeu dar a coroa a Davi, fazê-lo rei. Porém, a providência caminhava em direção contrária a essa promessa. Davi foi perseguido por Saul e ficou em perigo de morte, porém era dever de Davi confiar em Deus. Por favor, note que o Senhor, por intermédio das providências da cruz, sempre cumpre sua promessa. Deus prometeu a Paulo a vida de todos aqueles que estavam com ele no navio; mas, a providência de Deus parecia contrária a essa promessa, pois os ventos sopravam e o navio rachou e partiu-se em pedaços. E foi assim que o Senhor cumpriu sua promessa: boiando sobre os pedaços do navio, eles chegaram a salvo na praia. Confie em Deus quando as providências parecem contrárias às promessas.

e. As providências de Deus são um conjunto de vicissitudes, são entrelaçadas.

Na vida futura não haverá misturas: no inferno só haverá amargura, no céu, somente doçura. Porém, nesta vida, as providências de Deus são misturadas, há nelas tanto algo doce como algo amargo. As providências são como a coluna de nuvem de Israel, que conduzia o povo em sua marcha, que era escura de um lado e tinha luz do outro. Na arca estavam a vara e o maná, assim são as providências de Deus para seus filhos: há algo da vara e algo do maná. Dessa maneira, podemos falar, como Davi: "Cantarei a bondade e a justiça" (SI 101.1). Quando José estava na prisão, estava do lado escuro da nuvem; mas Deus estava com José, era o lado luminoso da nuvem. Os sapatos de Aser eram de bronze, mas seus pés eram banhados em azeite (Dt 33.24). Portanto, a aflição é o sapato de bronze que aperta, mas há graça misturada à aflição, por isso os pés estão banhados em azeite.

A mesma ação, se vier da providência de Deus, pode ser boa; mas se vier dos homens pode ser pecado Por exemplo, José vendido ao Egito por seus irmãos foi pecado, muito perverso, foi o fruto da inveja deles. Porém, como ato da providência de Deus foi bom porque, por causa disso, Jacó e toda a sua família foram preservados no Egito. Outro exemplo é a maldição de Simei sobre Davi. Simei amaldiçoou Davi, e isso foi perverso e pecaminoso, pois foi consequência de sua malícia. Porém, como sua maldição foi ordenada pela providência de Deus, foi um ato da justiça do Senhor para punir Davi e humilhá-lo por seu adultério e assassinato. A crucificação, como vinda dos judeus, foi um ato de ódio e de maldade contra Cristo. A traição de Judas foi um ato de cobiça. Porém, como cada um desses acontecimentos foi, também, um ato da providência de Cristo, então havia bondade neles. A morte de Cristo foi um ato do amor de Deus pelo mundo.

Fonte: Josemar Bessa

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Carta a um Pastor que se diz Calvinista


Carta a um Pastor que se diz Calvinista -
por Filipe Luiz C. Machado

*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.
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Boa noite, amado Amadeu.

Por já ser esse o nosso quarto e-mail, não me delongarei muito naqueles pontos que já conversamos, ok? Apenas comentarei sobre aqueles que creio serem mais importantes no momento.

Recentemente lembro-me de você ter comentando comigo acerca das dificuldades que tem tido para conciliar a doutrina calvinista com a geração de hoje. Lembro-me também de você ter expressado o profundo desejo de ser relevante para o mundo de hoje, na expectativa de que o reino de Deus seja proclamado com força e vigor. Permita-me, porém, reforçar aquilo que já havia conversado com você anteriormente.

Fico grato a Deus que tem levado-o a buscar a fé em nosso Senhor Jesus Cristo e que isso o tem motivado para um desejo ainda maior de cuidar dos que estão sob seu cuidado. O problema, meu caro Amadeu, é que tenho visto que esse seu desejo de conformar-se à fé calvinista na verdade está sendo deturpado por visões errôneas quanto ao que vem a ser o verdadeiro calvinismo. Sei que você tem lido alguns autores dessa fé, contudo, vejo que ainda resta-lhe um longo caminho para compreender as reais doutrinas da graça. Não que você não tenha conhecimento - pois disso todos nós carecemos - mas parece-me que há uma disparidade entre o calvinista sério e aquele que apenas simpatiza com ele.

O calvinista sério - e nesse ponto poder-se-ia ler também como cristão reformado - leva as doutrinas da graça no mais profundo esmero, tentando conformar-se àquilo que o Senhor nos delegou em sua santa palavra. É dever desse homem buscar fazer somente aquilo que encontra permissão nas sagradas escrituras. Sim, é lógico que há coisas que fazemos que não estão explicitadas nas escrituras (horário do culto, tipo de banco, quantidade de orações antes da palavra...), porém, todas elas devem ser norteadas pela Palavra. Para aquela sua dificuldade de entender o "Sola Scriptura", mais tarde lhe recomendarei alguns bons livros. Permita-me também dizer: o calvinista sério não é aquele que tenta ser relevante para esse mundo.

Meu querido, a igreja nunca será relevante para o mundo - pois odeia o que a igreja ama (a santidade, a injúria pelo pecado, a soberania total de Deus...). Sim, eu sei que você sabe disso, mas sua prática até aqui tem sido diferente daquilo que tem professado e conversado comigo. Sim, Amadeu, sei também que você tem lutado para introduzir a fé calvinista em sua igreja, mas você se lembra da última vez que fui visitar sua igreja e ao final do culto você perguntou-me: "O que achou da pregação?" ao passo que lhe respondi em amor: "Qual pregação, meu amado? Não ouvi pregação, apenas algumas historietas e seu testemunho, mas não ouvi pregação da palavra"? É disso que falo: enquanto o púlpito não for forte, a igreja será fraca.

Sei também que você não deseja dar comida sólida demais para os seus, mas é necessário compreender que muitas vezes aquilo que achamos ser sólido demais, na verdade é o leite espiritual (1Pe 2.2), muitíssmo necessário e porque não, indispensável para a fé cristã. Não caia no conto de homens que perverteram seus caminhos em busca de fábulas e engenhos humanistas e que dizem que os membros da igreja precisam apenas do superficial, do feijão com arroz e que os que quiserem aprender mais, que leiam muito e frequentem um seminário. Sim, concordo com você que devemos ter toda cautela necessária para que o entendimento do evangelho seja de forma gradual - para melhor assimilação e edificação pessoal- mas receio que você esteja indo devagar demais nessa caminhada.

É necessário que todo nós entendamos o que é ser igreja de Cristo nesse mundo. Ser igreja não é ser sequer um pouco parecido com o mundo. Novamente, lembro-me do seu desejo de expalhar o evangelho por esse geração incrédula, mas lembre-se - e nesse ponto gostaria que você meditasse e buscasse a Deus em oração - que apresentações musicais, danças, teatro, filmes "bíblicos" no lugar da pregação e coisas desse tipo, em nada diferem desse mundo e por isso são perniciosas para o evangelho de Cristo quando incorporadas no culto ao Senhor. Não que essas coisas sejam erradas em si - não me compreenda mal - mas elas tem o seu devido lugar; e com todo o respeito que lhe é devido, esse lugar não é a igreja.

Por fim, permita-me ainda insistir mais vez para que você leia os verdadeiros calvinistas: os puritanos. Ao contrário do que você tem me dito e do que se ouve por aí, os puritanos não eram gente retrógrada, ultrapassada e que não tinham amor pela criação de Deus - bem pelo contrário, eram homens e mulheres que tentavam viver e fazer tudo para a glória de Deus (1Co 10.31), a fim de que Cristo fosse exaltado em suas vidas e nas suas comunidades locais.

Que o Senhor possa conceder-lhe um avanço à verdadeira fé trilhada pelos grandes homens bíblicos que já pisaram por essa terra e que Ele conceda-lhe intrepidez para fazer as mudanças necessárias em sua vida e em sua igreja.

Em Cristo e para a progressão do Seu reino,
Filipe Luiz C. Machado

terça-feira, 26 de julho de 2011

O que os outros dizem de Você? - por Jonathan Edwards


O que os outros dizem de Você? - por Jonathan Edwards

Considere o que outros podem dizer sobre você. Embora as pessoas estejam cegas quando às suas próprias faltas, facilmente descobrem os erros dos outros — e consideram-se aptas o suficientes para falar deles. Algumas vezes, as pessoas vivem de maneiras que absolutamente não são adequadas, porém estão cegas para si mesmas. Não vêem seus próprios fracassos, embora os erros dos outros lhes sejam perfeitamente claros e evidentes. Elas mesmos não vêem suas falhas; quanto às dos outros, não podem fechar os olhos ou evitar ver em que falharam.

Alguns, por exemplo, são inconscientemente muito orgulhosos. Mas o problema aparece notório aos outros. Alguns são muito mundanos ainda que não sejam conscientes disso. Alguns são maliciosos e invejosos. Os outros vêem isso, e para eles lhes parecem verdadeiramente dignos de ódio. Porém, aqueles que têm esses problemas não refletem sobre eles. Não há verdade no seu coração e nem nos seus olhos em tais casos. Assim devemos ouvir o que os outros dizem de nós, observar sobre o que eles nos acusam, atentar para que erro encontram em nós, e com diligência verificar se há algum fundamento nisso.

Se outros nos acusam de orgulhosos, mundanos, maus ou maliciosos — ou nos acusam de qualquer outra condição ou prática maldosa — deveríamos honestamente nos questionar se isso é verdade. A acusação pode nos parecer completamente infundada, e podemos pensar que os motivos ou o espírito do acusador está errado. Porém, a pessoa perspicaz verá isso como uma ocasião para um auto-exame.

Deveríamos especialmente ouvir o que os nossos amigos dizem para nós e sobre nós. É imprudente, bem como não-cristão, tomar isso como ofensa e se ressentir quando os outros apontam nossas falhas. "Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos" (Pv 27.6). Deveríamos nos alegrar que nossas máculas foram identificadas.

Mas, também deveríamos atentar para as coisas sobre as quais os nossos inimigos nos acusam. Se eles nos difamam e nos insultam descaradamente — até mesmo com uma atitude incorreta — deveríamos considerar isso como um motivo para uma reflexão no íntimo, e nos perguntar se há alguma verdade no que está sendo dito. Mesmo se o que for dito é revelado de modo reprovável e injurioso, ainda pode ser que haja alguma verdade nisso. Quando as pessoas criticam outras, mesmo se seus motivos forem errados, provavelmente têm como alvo verdadeiros erros. Na verdade, nossos inimigos provavelmente nos atacam onde somos mais fracos e mais defeituosos; e onde demos mais abertura para a crítica. Tendem a nos atacar onde menos podemos nos defender. Aqueles que nos insultam — embora o façam com um espírito e modos não-cristãos — geralmente identificarão as genuínas áreas onde mais podemos ser achados culpados.

Assim, quando ouvirmos outros falando de nós nas nossas costas, não importa o espírito de crítica, a resposta certa é a auto-reflexão e uma avaliação quanto à verdade da culpa em relação aos erros de que nos acusam. Com certeza essa resposta é mais piedosa do que ficar furioso, revidar ou desprezá-los por terem falado maldosamente. Desse modo talvez tiremos o bem do mal, e esta é a maneira mais certa de derrotar o plano dos nossos inimigos, que nos injuriam e caluniam. Eles fazem isso com motivação errada, querendo nos injuriar. Mas, dessa maneira converteremos isso em nosso próprio favor.

Fonte: Jonathan Edwards

Pode um cristão casar com um incrédulo?


Pode um cristão casar com um incrédulo? -
por Jorge Fernandes Isah


Alguém pode pensar que este é um assunto morto. Tanto quanto o defunto mais velho enterrado no cemitério da sua cidade. Porém, isso me parece muito mais uma atitude para se afastar do assunto, rejeitá-lo ou negligenciá-lo, do que propriamente conhecê-lo à luz da Escritura.

Há muitos que consideram normal o casamento misto. Afinal, o marido crente abençoa a mulher não-crente, e vice-versa. Mas esquecem-se de que o contexto para esta afirmação não se encontra antes do casamento, quando um(a) crente poderia casar com uma(um) incrédula(o) e assim obter de mais tempo e empenho para convertê-la(o). Paulo nos diz que isso acontece quando dois incrédulos se casam, e no decorrer do casamento, um deles se converte a Cristo. Como o casamento é indissolúvel, não há porque o recém-convertido se separar da outra parte, a menos que esta não queira viver com ele.

Não há garantias de que um crente, casando-se com uma incrédulo, poderá levá-la a Cristo. Ora, como Paulo disse: "Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?" [1Co 7.16]. A salvação é divina, e somente Deus poderá salvar ou não; mas o crente é chamado à obediência; e a Escritura é clara em fazer separação entre o fiel e o infiel. Portanto, considero essa posição [e há pastores, líderes e muitos de nós que a defendem] como um conselho temerário, senão, vejamos:

1) Como crentes, desaprovamos a desobediência a Deus;
2) Segundo os defensores do casamento misto, a desobediência tem um elemento que justifica a rebeldia, ou seja, o altruísmo de se levar o futuro cônjuge a Cristo, valendo-se da piedade por sua alma. Mas isso nada mais é que enganar-se, achando que o erro pode se converter em acerto pelo simples desejo do nosso coração de que assim ele seja.
3) Levando-nos à conclusão de que o crente, mesmo em rebeldia, deve buscar por uma bênção por seus próprios meios e esforços, à parte do preceito divino de que lhe devemos, sobretudo, obediência.

A coisa toda fica pior quando se utiliza do exemplo de Salomão, o qual se entregou aos casamentos mistos, para ratificar esse pecado. É evidente que a Bíblia nos revela os erros de Salomão não para serem seguidos, mas exatamente como um preventivo para que não incorramos neles; ao nos mostrar os efeitos danosos que sobrevieram ao povo de Israel [a idolatria, p. ex.], mas para o próprio Salomão, que também se tornou idólatra, e queimou incenso para outros "deuses", e teve o seu reino dividido, ainda que Deus o poupasse desse desgosto, por amor ao seu pai Davi; mas assegurando-lhe de que sob o reinado do seu filho Roboão, Israel se esfacelaria.

O argumento do casamento misto, nada mais é do que o desejo do desobediente de convencer-se a si mesmo de que existem motivos nobres e piedosos para se aventurar a uma empreitada que significará rebelião e pecado. É isso mesmo! Quem age deliberadamente assim não comente nada além do que pecado! E o pecado é o desprezo ao próprio Deus.

Muitos também alegam que Deus pode abençoar o crente na desobediência. É possível? Sim, claro! O que, contudo, não absolve o crente em sua desobediência, ao rejeitar o princípio tão claramente exposto na Escritura, a separação que Deus estabeleceu para o seu povo. Fato é que o desobediente será disciplinado por isso, caso seja realmente um filho de Deus. Do contrário, a ira do Senhor estará sobre ele, para todo o sempre.

Então, poLinkde-se perguntar: o que o(a) crente deve fazer caso tenha se casado com uma(um) incrédula(o), e reconhece que pecou? Meu conselho é: arrependa-se! E dê o melhor testemunho cristão para que o(a) cônjuge também se arrependa de seus pecados, reconheça Cristo como Senhor e Salvador pessoal, e assim, formem um lar santo, em que a obediência aos preceitos divinos traga frutos de glória para o bom Deus.

Fonte: O Cotidiano Cristão

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Exposição no Salmo 100 - Sermão pregado dia 24.07.2011


Exposição no Salmo 100 -
Sermão pregado dia 24.07.2011


Nosso texto: Salmo 100.

Amados, novamente estamos diante de um salmo de extraordinária beleza e ampla doxologia ao nosso Senhor. Como bem sabemos, os salmos eram o "hinário" do povo de Israel e por esse motivo devemos atentar para o fato de que qualquer letra inventada pelo homem que não seja totalmente coerente com o que o povo de Deus cantava, deve ser eliminada e rejeitada com não bíblica.

Dentro desse prisma, nós não lemos que algum salmista dizia que o seu "deus sonhava", "que só depende de você", "que basta uma oração para as montanhas ruírem" ou qualquer coisa nesse sentido. Muitíssimo pelo contrário, vemos os salmistas escrevendo e expressando a glória de Deus sobre tudo o que aconteceu, acontece e acontecerá. Os salmos nos descrevem a amplitude do conhecimento e magnificência de Deus.

O salmo de hoje é um salmo de louvor ao Senhor. Diferentemente de outros salmos que eram feitos em ocasiões especiais ou por causa de determinada circunstância, o presente salmo não nos indica qualquer situação em particular, o que leva-nos a apreciá-lo como um cântico que expressava aquilo que o salmista era desejoso de viver.

"Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras" (v.1).

O salmista começa seu louvor ao Senhor dizendo para celebrarem com júbilo todos os habitantes da terra. Conforme comenta Calvino, "E desde que ele convida todos os habitantes da terra indiscriminadamente para louvar a Jeová, ele o faz como que em profecia, se referindo ao período de quando toda a Igreja - de diferentes nações - seria reunida". [1]

Observemos atentamente que o salmista orienta a si mesmo - e também ao seu povo - a celebrarem ao Senhor não pelo mero dever de agradecer pelas bênçãos recebidas. Certamente que a vontade do escritor não era que seu povo se alegrasse com o Senhor simplesmente porque teria de ser assim, mas que deveriam celebrar com grande alegria, pois o Senhor é bom! O salmista fala-nos sobre a importância de vivermos uma vida onde nossa alegria é vivermos para celebrar ao Senhor e sua glória.

Homem algum deve buscar uma vida cristã feita por obrigação. Ninguém deveria estar aqui nessa noite por obrigação. É certo que muitas vezes somos forçados a fazer determinadas coisas, mas isso se dá porque ainda relutamos em aceitá-las - por causa de nosso pecado. Contudo, não devemos nos escusar de buscar a alegria em fazer as coisas do Senhor.

O salmista também escreve dizendo que não somente uma parcela do seu povo deveria exultar em grande alegria, mas "todas as terras" deveriam dar brados de júbilo proclamando que o Senhor é maravilhoso.

"Servi ao SENHOR com alegria; e entrai diante dele com canto" (v.2).

Constantemente nós vemos que o povo de Israel alegrava-se em servir ao Senhor com grande alegria (2Cr 30.21; Ne 8.17; Sl 4.7; 45.15; At 2.46; 11.23; 14.17). Em especial, o salmo 4 nos diz: "Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho" (v.7). Com grande entusiasmo também lemos muitíssimas passagens bíblicas que nos mostram o povo de Deus entoando em alta voz canções que exaltavam o nome do Senhor (Sl 81.1; 95.1; Is 30.29; 1Co 14.15; Ef 5.19; Tg 5.13).

Nos é interessante observar que a segunda parte desse versículo é essencial para o entendimento da primeira. Primeiro o salmista escreve "Servi ao SENHOR com alegria" e nos perguntamos: qual a consequência de servir ao Senhor com alegria? E o salmista nos responde: "entrai diante dele com canto". Quando servimos ao Senhor com alegria, nada mais lógico de que vivermos na presença de Deus de maneira alegre, exultante e transbordando de alegria. Por isso é dever de todo o cristão se alegrar no Senhor e servi-lo com grande alegria.

Porém, surge-nos uma grande dúvida nesse ponto: como conseguimos ter essa alegria em servir ao Senhor? É muito fácil falarmos da alegria de ser cristão quando nossas finanças estão em dia, quando nossa família está vivendo de maneira harmoniosa e quando estamos conseguindo ter bons relacionamentos com os demais; mas quando tudo isso não está sendo vivido em nossas vidas, tal conselho do salmista parece ser absurdo e sem sentido. Mas, louvado seja o Senhor que não nos deixa sem resposta.

"Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Fp 4.11). Ao comentar sobre essa passagem, Spurgeon disse: “Essas palavras nos mostram que antes ele não sabia viver dessa maneira, custou-lhe algum esforço para alcançar o mistério dessa grande verdade. Sem dúvida, as vezes ele pensava que já havia aprendido mas falhava. E, quando, finalmente a alcançou e pôde afirmar: ‘Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação’, já era um homem velho, de cabelos grisalhos, às portas da morte - um miserável prisioneiro encarcerado por Nero, em Roma. Se queremos chegar onde Paulo chegou, também devemos suportar as enfermidades dele e compartilhar com ele da sua prisão. Não alimente a ideia de que você pode viver contente sem aprender, ou aprender sem disciplina. Viver contente não é uma virtude que pode ser praticada naturalmente, e sim uma arte a ser obtida gradualmente. Sabemos disto por experiência. Silencia a murmuração, embora ela seja natural, e continue sendo um aluno diligente na Palavra”. [2]

"Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pastor" (v.3).

Aqui o salmista responde à pergunta que fizemos. Ele começa dizendo que somente poderemos ter alegria em servir ao Senhor e viver para a sua glória se soubermos quem Ele é.

Quando Moisés é chamado pelo Senhor para libertar o seu povo do Egito, ele pergunta ao Senhor qual o seu nome. "Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós" (Êx 3.13,14). Moisés precisava de uma referência sobre quem era Deus, para que então pudesse fazer aquilo que Ele lhe ordenava.

O Breve Catecismo de Westminster nos ajuda nesse ponto.

Pergunta 4. Quem é Deus? Resposta: Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade. Ref. Jo 4.24; Ex 3.14; Sl 145.3; 90.2; Tg 1.17; Rm 11.33; Gn 17.1, Ap 4.8; Ex 34.6-7.

Queridos, essa afirmativa - "Sabei que o SENHOR é Deus" deve vibrar em nossos corações e ressoar de maneira profunda, tal qual um grito ecoa pelas montanhas rochosas.

Essa afirmativa deveria bater em nossos corações e nos indagar: "Eu sei que o Senhor é Deus"? E ainda mais, ela deveria forçar-nos contra a parede do pecado e nos perguntar: "Você sabe quem é Deus?", "Você sabe quem você está adorando?", "Você tem consciência que está diante de um Deus três vezes santos?".

Dever-nos-ia causar medo, angústia, aflição, contrição e EXTREMO DESESPERO caso não estejamos conscientes de quem é Deus.

Meus amados, bem sabemos que "O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância" (Jo 10.10). Sim, é fato de que esse ladrão - de acordo com o contexto - são os falsos mestres e profetas que se introduzem em meio ao rebanho de Deus, contudo, devemos lembrar que esses ladrões são ministros de satanás, usados com a finalidade de enganar os seus.

Em Apocalipse 4.8 lemos: "E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir." Na literatura bíblica, quando se diz três vezes a mesma coisa é porque esse fato é extremamente importante e não deve de maneira alguma ser negligenciado, portanto, fazemos bem em atentar para esse quesito.

Muitos já ouviram falar de Deus, reconheceram-no perante os homens e professaram sua fé publicamente, mas nunca, nunca, nunca conheceram o verdadeiro Senhor três vezes santo. Tais homens e mulheres vivem suas vidas como se Deus fosse humano, falho, que se esquece de suas promessas e não é tão santo assim como dizem que Ele é.

A segunda parte do versículo demonstra que o salmista conhecia o Senhor não somente no nível das ideias, mas também reconhecia que "foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos;". O escritor tinha a certeza - veja bem, a certeza - de que o Senhor havia-os criado.

O centro da vida cristã - como sugerem muitos teólogos - é Gn 1.1: "No princípio... Deus", o único "Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém" (1Tm 1.17).

Receio que muitos hoje vivam diante de Deus como se vivessem diante de um atirador de elite que está pronto para atirar, que nunca errou um tiro sequer e mesmo assim tais homens fazem gracinhas, piadas e vivem a vida de qualquer maneira, achando que aquele atirador nunca os acertará.

Meus amados, não devemos brincar de ser cristãos. Nossas brincadeiras não devem nos levar a esquecer de que estamos diante do Deus zeloso. Nossos trabalhos não devem nos distrair a ponto de nos esquecermos de quem Ele é. Nossas famílias não podem ser maiores do que o Senhor. Nós mesmos não devemos nos achar dignos de coisa alguma - "Porque o SENHOR teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso" (Dt 4.24)

O salmista termina então o presente versículo dizendo: "somos povo seu e ovelhas do seu pastor", levando-nos a compreender a necessidade de vivermos em conformidade com aquilo que ele mesmo prescreveu para nós.

"Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome" (v.4).

Aqui, o escritor do salmo escreve quase que de maneira semelhante ao versículo dois.

Ao comentar esse versículo, Calvino diz: "Entrai pelas portas. A conclusão do salmo é quase a mesma do começo dele, exceto que ele adota um modelo de discurso que relaciona a adoração a Deus que é obtida debaixo da lei, e também nos lembra de que o fato dos crentes renderem graças a Deus não descarta seu dever de O adorarem corretamente e isso não pode-se dar a menos que continuem praticando regularmente sua devoção sincera. Entretanto, significa também que Deus não pode ser adorado se isso não estiver sendo feito de acordo com a estrita maneira que ele mesmo prescreveu em sua lei." [3]

O salmista também deseja mostrar o quão importante era o templo do Senhor para o seu povo. Davi expressou sua alegria no Salmo 122.1 quando disse: "Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do SENHOR."

"Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração" (v.5)

Por fim, o salmista então chega ao final de seu louvor, mas de maneira diferente do que muitas vezes estamos habituados.

Observemos que o salmista primeiro coloca aquilo que se sucede à vida debaixo do poder do Senhor e por fim coloca qual que é a premissa ou o ponto de partida para que isso seja verdade: "Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração"

Diante do exposto podemos finalizar dizendo que:

1. "Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração" (v.5), devem "Celebrar com júbilo ao SENHOR, todas as terras" (v.1), porque é nosso dever "Servir ao SENHOR com alegria; e entrar diante dele com canto" (v.2), pois "Sabemos que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pastor" (v.3) e por isso mesmo devemos "Entrar pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvá-lo, e bendizer o seu nome" (v.4).

Amém.

Notas:
[1] Tradução livre. O original é: "And since he invites the whole of the inhabitants of the earth indiscriminately to praise Jehovah, he seems, in the spirit of prophecy, to refer to the period when the Church would be gathered out of different nations." Comentário em Salmos, volume 4. Fonte: http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom11.html


[3] Tradução livre. O original é: "Enter his gates. The conclusion of the psalm is almost the same as the beginning of it, excepting that he adopts a mode of speech which relates to the worship of God which obtained under the law; in which, however, he merely reminds us that believers, in rendering thanks to God, do not discharge their duty aright, unless they also continue in the practice of a steady profession of piety. Meanwhile, under the name of the temple, he signifies that God cannot be otherwise worshipped than in strict accordance with the manner prescribed in his law." Comentário em Salmos, volume 4. Fonte: Ibid

domingo, 24 de julho de 2011

[VÍDEO] Albert N. Martin - A Verdade!

Albert N. Martin - A Verdade!


O Cativeiro de Satanás


O Cativeiro de Satanás -
por J. I. Packer


Satanás não tem qualquer poder independentemente de Deus. Satanás (ainda que, sem dúvida, ele nunca o tenha admitido) é uma ferramenta de Deus. Ao conceder a Satanás tanto poder, Deus se utiliza dele para executar o juízo divino sobre um mundo rebelde. Assim como um homem pode fazer uso de um cão bravo que o odeia, para desviar de sua propriedade os invasores, assim Deus faz uso de Satanás para punir aqueles que têm pecado. Satanás e os demônios estão num estado de aprisionamento, e isso desde a sua queda; eles estão guardados "sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande dia" (Jd 6; Mt 25.41; Ap 20.10). Todos estão em cadeias. Não possuem maior liberdade de ação do que aquela que Deus lhes concede; e, em tudo quanto fazem, como disse Calvino, arrastam consigo as suas cadeias. Satanás gosta de pensar e quer que outros pensem que ele é o verdadeiro governante deste mundo (cf. Lc 4.6). Mas, a verdade é que ele não pode exercer qualquer poder além dos limites colocados pelo Senhor (cf. Jó 1.12; 2.6). Deus o mantém acorrentado; talvez se trate de uma corrente muito longa, mas é uma corrente real.

Quando o Filho de Deus veio a este mundo "para destruir as obras do diabo" (1 Jo 3.8), Satanás empregou todos os meios para frustrá-Lo, mas falhou. Em tudo, Cristo foi vencedor. Não só no início do seu ministério (Mt 4.1 ss.), mas ao longo do mesmo (Lc 4.13; 22.28), Satanás tentou-0 para desviá-Lo, de uma maneira ou de outra, da vontade do Pai (cf. Mt 16.22, 23). Jesus, porém, jamais caiu nas armadilhas de Satanás; nem uma vez Ele pecou (Hb 4.15; 1 Pe 2.22). Ele repeliu todos os ataques do inimigo e prosseguiu triunfantemente para tirar de Satanás uma grande parte do domínio que ele até então havia gozado. Jesus fez isso, primeiro mediante suas curas e exorcismos (Lc 11.17-22; 13.16), e, finalmente, por meio de suas orações (Lc 22.31, 32; Jo 17.15) e de sua morte expiatória. Isso garantiu a salvação de todo aquele imenso grupo de pessoas a quem Ele veio redimir (Jo 12.31, 32). Assim, pois, o Calvário foi uma vitória decisiva sobre Satanás e suas hostes (Cl 2.15), o que, em consequência, garantiu o destronamento do diabo sobre inúmeras vidas. A cruz garantiu que um número incalculável de pessoas seria libertado, conforme lemos em Colossenses 1.13-14: "Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados". Isso vem a acontecer por meio da pregação do evangelho, que convida os homens a voltarem-se de Satanás para Deus (At 26.18), e por meio da obra cooperante de Cristo no céu, pela qual Ele move os homens à resposta da fé e ao arrependimento (At 5.31). Satanás resiste o tempo todo e a cada passo do caminho, mas não pode impedir esses acontecimentos. Ele é, sem dúvida, um inimigo derrotado.

A Guerra Santa

O homem não-crente é um cativo de Satanás, que o domina como quer. Porém, se esse homem tornar-se crente, o diabo passará a vê-lo como um prisioneiro que fugiu; e, o diabo luta contra ele, procurando recapturá-lo. Ele tenta (submete a provas) o crente com intuitos maliciosos, esperando descobrir uma fraqueza e induzi-lo a um curso de ação que, finalmente, o reconduzirá à prisão da qual Cristo o libertou. Satanás busca "entrar" no crente, tal como entrou em Judas Iscariotes (Lc 22.3; Jo 13.27), isto é, procura recuperar o controle sobre o crente, para assim torná-lo, uma vez mais, um "filho do diabo" (At 13.10; 1 Jo 3.10). Todas as tentações de Satanás têm, ao final, isto em mira — elas são numerosas placas que dizem "bem-vindo", colocadas ao longo do caminho largo, que conduz à perdição.

Os Instrumentos de Satanás

Como é que Satanás tenta? Mediante a sua "astúcia", isto é, seu "engano" (Ef 6.11; cf. 2 Co 11.3). Normalmente, ele se mantém fora de vista, manipulando "o mundo" (estímulos externos) e "a carne" (desejos desordenados dentro de nós) como seus instrumentos de sedução. Algumas vezes, ele opera através de desejos e necessidades aparentemente inocentes (cf. Gn 3.6; Lc 4.2, 3), ou de conselhos bem intencionados de nossos amigos (cf. Mt 16.22,23). Não há limites para a sutileza de Satanás. Ele tem seus próprios servos, até mesmo na igreja (Mt 13.38), que fazem o papel de pastores e teólogos (2 Co 11.13-15). Claro, eles nem suspeitam que seu ensino e liderança são perversões satânicas do cristianismo, mas é isso que eles fazem, e Satanás faz intenso uso deles.' 'Quando Satanás sobe a um púlpito, ou a uma cadeira de teologia, e pretende ensinar cristianismo, quando, na realidade, o está corrompendo... pretende ensinar Introdução Bíblica, quando na realidade está deixando a impressão que a Bíblia é um livro que nem é digno de ser exposto — cuidado com ele; ele está na mais perigosa de suas obras" (R. A. Torrey, What the Bible Teaches — O que a Bíblia Ensina — p. 517). Crenças erradas acerca de Deus (por exemplo, ressentimento e desespero, cf. 2 Co 12.7), conduta condenável aos olhos do Senhor (cf. 1 Co 7.5) — essas são as finalidades táticas pelas quais Satanás trabalha, e ele dispõe de muitas maneiras de nos conduzir a elas.

Sejamos claros quanto a isso. Satanás não tem propósitos construtivos; suas táticas são simplesmente para contrariar a Deus e destruir os homens. Da mesma forma que o lema de David Livingstone era: "Para qualquer lugar, contanto que seja para a frente", assim o lema de Satanás é: "Qualquer coisa, contanto que seja contra Deus". O diabo está sempre procurando produzir incredulidade, orgulho, irrealidade, falsas esperanças, confusão mental e desobediência, como fez no jardim do Éden. E, se ele não puder fazer isso diretamente, então ele se aplica em fazê-lo indiretamente, fomentando o desequilíbrio e a parcialidade. Viver a vida cristã é como tocar uma peça musical ao piano': se alguém toca nas teclas erradas, fracassa; se alguém toca nas teclas certas, mas erra quanto ao tempo, ritmo, volume ou interpretação, também fracassa; somente quando as notas e o estilo estão corretos é que a execução é bem-sucedida.

Satanás tanto procura prender-nos na armadilha, levando-nos a fazer aquilo que é formalmente errado, como procura distorcer aquilo que é formalmente correto, em nossos aros e em nossos hábitos, até ao ponto de torná-los errados em seus efeitos. Alguns exemplos dessa forma de distorção são os seguintes: pensamento sem ação, amor sem sabedoria, amor à verdade sem amor ao próximo, ou vice-versa, zelo em meio ao erro, ortodoxia junto com injustiça, atitude conscienciosa junto com morbidade e desespero, seletividade nos interesses pessoais em lugar daquilo que é certo ou errado. Se formos vigilantes contra Satanás em um ponto da muralha de nosso viver, ele tentará rompê-la em outro ponto, esperando por um momento quando nos sentiremos seguros e felizes, e quando, provavelmente, nossas defesas estarão fracas. Assim prosseguem os seus ataques, o dia inteiro e todos os dias.
As Nossas Armas

Que segurança temos contra os seus ataques? Como podemos evitar cair vitimados diante deles? Conforme Paulo efetivamente diz, a única esperança consiste em tomarmos "toda a armadura de Deus": o cinto da verdade (o evangelho bíblico); a couraça da justiça (a integridade de uma consciência honesta); a firmeza da postura, provida pelo evangelho da paz (a certeza de que estamos reconciliados com Deus); o escudo da fé (a confiança ativa em Cristo e em suas promessas); o capacete da salvação (a confiança no poder guardador ou conservador de Cristo, agora e para sempre); e também "a espada do Espírito, que é a palavra de Deus", a arma com a qual nosso Senhor derrotou Satanás no deserto. Tomemos essas armas, diz Paulo, "com toda oração e súplica, orando em todo o tempo, no Espírito", e não precisaremos temer os ataques do diabo. Seremos capazes de reconhecê-los e de resistir-lhes (Ef 6.11-18).

Não precisamos temer o resultado deste conflito. Pois, em primeiro lugar, Deus está sempre invalidando as tentações de Satanás. Deus nunca permitirá que sejamos tentados acima das nossas forças (1 Co 10.13). De fato, Deus nos expõe à tentação somente a fim de nos fortalecer (1 Pe 5.6-10). E, Ele tem prometido esmagar a Satanás, sob os pés dos seus servos, no devido tempo (Rm 16.20).

Então, em segundo lugar, Satanás sempre foge quando lhe resistimos. "Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tg 4.7). Oremos e lutemos; peçamos ao Senhor que se poste ao nosso lado e digamos a Satanás que se afaste. E, pelo menos naquele momento, ele terá de afastar-se. É notável que, na armadura cristã, Paulo nada tenha incluído para nos proteger as costas! [1] Não temos promessa de proteção, se fugirmos. A vitória nos é garantida sempre que ficarmos firmes. Satanás é um adversário derrotado e condenado; portanto, resisti-lhe firmes na fé...
Link
Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, Ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar. A Ele seja o domínio, pelos séculos dos séculos. Amém" (1 Pe 5.9-11)

Fonte: Josemar Bessa

Nota:
[1] O autor desse blog não conseguiu encontrar uma fonte segura dessa afirmação, mas de qualquer modo, fica a aplicação do princípio de que qualquer armadura é feita logicamente se pensando em batalhas frente a frente, lenvando-nos a pensar sobre a importância de não retrocedermos durante a batalha.

sábado, 23 de julho de 2011

A Disposição Interna do Evangelista Puritano


A Disposição Interna do Evangelista Puritano -
por Dr. Joel Beeke

Um ingrediente muito importante na evangelização puritana era a disposição interna do evangelista.

1) Em primeiro lugar, ele vivia com um sentimento de dependência do Espírito Santo. O pregador puritano estava plenamente consciente da sua incapacidade de salvar uma alma e da grandeza da conversão. Ao mesmo tempo, ele estava convicto que é agradável a Deus usar a pregação como o meio principal para salvar os eleitos. O pastor puritano trabalhava no espírito de dependência do Senhor, convicto de que não podia fazer nada por suas próprias forças e que o seu trabalho no Senhor não era vão.

2) Em segundo lugar, o puritano tinha uma constante disposição interior de orar. Eram grandes pregadores porque em primeiro lugar eram grandes suplicantes. Eram pessoas que lutavam com Deus e sabiam muito bem o que significava "agonizar" pedindo a bênção divina sobre a palavra que eles acabavam de pregar. Quero dar uma ilustração com a vida de Robert Murray McCheyne. Ele veio depois dos puritanos, mas em essência era um puritano. Certa vez chegou à igreja onde McCheyne havia pastoreado um visitante admirando o edifício, que era muito bonito. O zelador perguntou-lhe se podia ajudá-lo em alguma coisa. Ele respondeu que sim, pois tinha vindo de longe até àquela igreja, para ver se conseguia descobrir o grande segredo do ministério de McCheyne (McCheyne foi um pregador escocês que morreu com 29 anos, mas Deus o usou para a conversão de centenas de pessoas). O zelador convidou o visitante para ir com ele, pois lhe mostraria o "segredo". Levou-o para o escritório de McCheyne, onde, no passado ele costumava ficar. Disse-lhe: "Amigo, sente-se atrás daquela escrivaninha e ponha sua cabeça em cima dela; ponha sua mão na sua cabeça e chore... depois venha comigo...”. Posteriormente, os dois voltaram ao templo e foram ao púlpito. O zelador disse ao visitante: "Agora incline-se sobre este púlpito ... estire bem os seus braços ... ore ... chore ... agora você sabe qual era o segredo de Robert Murray McCheyne". Não é nenhum choro provocado pelo homem, não é um emocionalismo sem as Escrituras; é, antes, um mover do coração, bíblico, pelo Espírito Santo de Deus. É disso que precisamos hoje, da ênfase dos puritano em uma mente e um coração voltados para Deus. Reunindo estas duas coisas teremos uma vida que agrada a Deus.

Vida Coerente
Os puritanos buscavam uma vida coerente com a Palavra de Deus em qualquer lugar que estivessem. Um pastor puritano escreveu o seguinte: "A minha oração diária é que eu possa ser tão santo na minha família, e nos momentos que eu passo sozinho com Deus, como eu pareço ser quando eu estou em frente ao meu povo, no púlpito da minha igreja". Os puritanos buscavam santidade em todas as áreas da sua vida, todavia uma santidade que não era baseada em méritos pessoais. Eles sabiam que não possuíam tais méritos. Eles buscavam, uma santidade que era fruto daquilo que Deus fizera por eles. Por isso se destacaram na história da Igreja como inigualáveis na vida particular de oração, na perseverança em manter o culto doméstico, nas orações em público, e na pregação.

Perguntamos: será que costumamos orar individualmente como McCheyne e os puritanos? Será que nós, de forma zelosa, até ciumenta, cuidamos de nossa vida de comunhão com Deus? Será que estamos convictos que parar de vigiar e de orar é estar esperando um desastre espiritual na nossa vida? Será que estamos submissos com nosso coração e mente à disciplina da Palavra de Deus? Será que temos em nossa vida diária aquele mesmo espírito dos puritanos que os tirou do mundo, colocando seus corações nas coisas eternas, especialmente no próprio Deus? Será que estamos movidos, como os puritanos, com aquela paixão que eles tinham de glorificar a Deus e magnificar o nome de Jesus Cristo, falando contra o pecado e buscando a santidade? Será que temos sede da glória de Deus? Não é suficiente ter livros puritanos nas nossas prateleiras, nem mesmo é suficiente lê-los, espero que sejam lidos, pois são amigos maravilhosos e grandes mentores espirituais. São aquilo que Lutero disse: "Alguns dos meus melhores amigos já morreram há muito tempo. mas eles ainda falam comigo através da página impressa".

Eu sei pessoalmente o que isso significa, pois comecei a ler os puritanos quando tinha nove anos de idade. Costumava ficar até tarde da noite lendo-os. Frequentemente minha mãe determinava que eu parasse de ler para dormir. Eu desligava a luz do meu quarto, porém ia para a escada para observar a luz que saia por baixo da porta do quarto dos meus pais. Quando ela se apagava, eu voltava ao meu quarto e continuava a ler! Lia com um livro dos puritanos aberto diante de mim e a Bíblia aberta, ao lado. Lia devagar, fazendo cinco ou seis orações por cada página que lia. Conferi nas Escrituras cada texto que eles citavam. Os puritanos acabavam me levando sempre de volta à Bíblia — e ela sempre me levava aos puritanos. Muitas vezes estava chorando enquanto lia, um choro de alegria pela salvação plena que se acha em Jesus, mesmo um pecador como eu era e ainda sou. Eu chorava com aquele desejo imenso de ser mais santo, de ser mais parecido com Cristo e de ter mais daquela disposição internados puritanos. Precisamos desta religião vivenciada por eles. Eles tinham suas falhas, e seus escritos não são a Bíblia, mas eles nos ajudam a entender a Bíblia, e a sua piedade vital é um grande exemplo para nós.

Dessa forma vamos nos desafiar uns aos outros para crermos no Deus dos puritanos. Quem tem a coragem de ir além de uma simples leitura dos escritos dos puritanos? De ir além de uma apreciação das idéias dos puritanos e viver uma vida como eles viveram, levando avante a obediência e a santidade a Deus? Embora amemos a Cristo, como os puritanos O amaram, será que estamos servindo a Deus como eles O serviram? O Senhor nos fala em Jeremias 6: 16: "Assim diz o Senhor: ponde-vos àmargem no caminho e vêde, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para as vossas almas".

Fonte: Os Puritanos

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Reformar é também voltar


Reformar é também voltar -
por Filipe Luiz C. Machado

O grande lema da reforma - "Ecclesia reformata et semper refomanda est" [1] - deve ser restaurado em nossos dias, porém, não da maneira como muitos pensam que deva ser feito.

Talvez o grande erro dessa visão seja que partamos do pressuposto errado, isto é, que reformar alguma coisa é torná-la nova, mais bonita, diferente daquilo que era anteriormente. Ora, não é isso quando temos em mente quando reformamos nossas casas? Acaso alguém pensa em destruir uma construção de tijolos para enguer uma de madeira no lugar? Certamente que não, mas muitas vezes é isso que precisamos fazer.

Não desejaria que alguém entendesse de maneira errada o que estou dizendo, mas é necessário atentarmos para o fato de que ser uma cristão reformado, em outras palavras, é ser um cristão à moda antiga. Com moda antiga, não desejo expressar que devamos viver com trajes do século XVI e XVII ou termos o mesmo sistema político que eles. O problema na verdade encontra-se que muitos cristãos que se dizem reformados, querem ser reformados para o que eles bem entendem por serem reformados. Deixe-me dar um exemplo.

Certa vez estava akgumentando com um pastor sobre a importância da reforma para os nosso dias, de como é necessário que nossos igrejas busquem aquele ideal puritano de vida e tudo mais, ao passo que ele me respondeu: "Mas veja bem, a cultura deles era diferente, os puritanos europeus eram frios, rídigos, tinham uma vida muito disciplinada. Já nós do Brasil somos diferentes, não devemos buscar esse modo de vida para nós". Basta uma pequena e superficial análise dessa fala para que vejamos que esse pastor coloca a "honra" e o cristianismo daqueles puritanos como sendo fruto da sua cultura e do seu jeito de ser, quando deveria-se na verdade reconhecer como aqueles homens foram grandes em seu tempo!

Ora, nada importa se eles eram europeus - pois, o que dizer dos puritanos americanos? - chineses, africanos, canadenses ou de qualquer outra região, o que realmente é válido é que eles tentaram viver seus vidas da melhor maneira possível, para que pudessem glorificar a Deus em tudo!

Resumindo: Ser reformado não é ser novo (para se parecer com a sociedade), não é ser relevante para a sociedade (para chamar a atenção) - pois a igreja nunca será relevante para ela, pois a igreja prega algo totalmente alheia à vontade das pessoas não regeneradas - não é ser parecido com o mundo (pois não somos desse mundo), não é ter um estilo "descolado" (pois o cristão não é descolado, mas firme em seus propósitos), mas sim é viver uma vida que glorifique a Deus em tudo, mesmo que seja necessário retroceder em muitos pontos.

Que Deus nos abençoe.

Nota:
[1] Literalmente: "Igreja reformada sempre se reformando".

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Há algum tipo de pecado incorporado ao seu estilo de vida?


Há algum tipo de pecado incorporado ao seu estilo de vida? -
por Jonathan Edwards


As instruções para você auto-examinar-se quanto a algum pecado do qual talvez você não esteja crente já foram dadas. Como estão as coisas na sua vida? Você acha que está vivendo em algum caminho mau? Não estou perguntando se você está livre de pecado. Isso não é o esperado, pois não há quem não peque (lRs 8.46). Mas há algum tipo de pecado incorporado ao seu estilo de vida e prática? Sem dúvida alguns estão limpos nessa questão, alguns "irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do Senhor... que guardam as suas prescrições, e o buscam de todo coração; não praticam a iniqüidade e andam nos seus caminhos" (SI 119.1-3).

Permita que sua consciência responda sobre como você vê sua própria vida. Você pratica algum pecado pela força do hábito? Você se deu permissão para isso? Se esse for o caso, considere o seguinte:

Se você tem procurado a salvação e ainda não a encontrou, a razão disso pode ser algum tipo de pecado em sua vida. Talvez tenha se perguntando qual é o problema que o deixa tão preocupado em relação à sua salvação — quando diligentemente você a tem buscado — e ainda não teve retorno. Muitas vezes já implorou a Deus, e ele ainda não atentou para você. Outros recebem conforto, mas você ainda permanece em trevas. Mas isso não deve surpreender, se você se agarrou a algum pecado por muito tempo. Não é isso uma razão suficiente para que todas as sua orações e todas as suas pretensões deixem de ser atendidas?

Se você tem tentado reter seu pecado enquanto busca o Salvador, você não está buscando a salvação da maneira correta. O caminho certo é abandonar sua perversidade. Se você tem algum membro corrupto e não o corta fora, corre o risco de ele o levar para o inferno (Mt 5.29,30).

Se a graça parece que estar definhando ao invés de florescer na sua alma, talvez a causa disso seja algum tipo de pecado. A maneira de crescer na graça é andar em obediência, e ser muito determinado nisso. A graça vai florescer no coração de todo aquele que vive dessa maneira. Se você vive em algum caminho mau, ele será como uma doença incubada sugando sua vitalidade.

O pecado então o manterá pobre, fraco e desfalecido. Basta que um pecado seja praticado habitualmente para anular sua prosperidade espiritual e frear o crescimento e a força da graça em seu coração. Ele entristecerá o Espírito Santo (Ef 4.30). Ele impedirá a boa influência da Palavra de Deus. O tempo que ele permanecer será como uma úlcera, que o mantém fraco e deficiente, embora você se alimente da melhor e mais proveitosa comida espiritual.

Se você caiu em grande pecado, talvez algum tipo de pecado na sua vida tenha sido a raiz fundamental do seu grande fracasso. Uma pessoa que não evita o pecado e não é meticulosamente obediente, não pode ser guardada dos grandes pecados. O pecado em que vive será sempre uma abertura, uma porta aberta, pela qual Satanás encontrará a entrada. E como uma brecha na fortaleza, por onde o inimigo pode entrar e encontrar seu caminho. Se você caiu num pecado terrível, talvez seja essa a razão.

Ou se você permite algum tipo de pecado como um escape para sua corrupção, ele será como uma brecha numa represa que, se abandonada, se abrirá sempre mais até que não seja mais possível contê-la.
Se você vive em trevas espirituais, sem sentir a presença de Deus, a razão disso pode ser algum tipo de pecado. Se você lamenta não ter um pouco da doce comunhão com Senhor; se sente que Deus o desertou; se Deus parece ter lhe escondido sua face e raramente lhe mostra evidências da sua glória e graça; ou se parece que você foi deixado tateando e vagueando no deserto — essa pode ser a razão. Talvez você clame a Deus freqüentemente.

Talvez você passe noites em claro e dias tristes. Se está vivendo desta maneira, é muito provável que essa seja a causa, a raiz dos seus desenganos, o seu Acã, o causador de problemas que ofende a Deus e traz tantas nuvens de trevas sobre sua alma. Você está entristecendo o Espírito Santo, e por isso você não recebe o seu conforto.

Cristo prometeu que se revelaria aos seus discípulos, mas com a condição de que eles guardassem os seus mandamentos: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele" (Jo 14.21). Mas se você rotineiramente vive em desobediência aos seus mandamentos, não é de se admirar que ele não se manifeste a você. A maneira de receber o favor divino é andar perto dele.

Se você duvida da sua salvação, talvez algum tipo de pecado na sua vida tenha levantado essas dúvidas. O melhor jeito de se ter a clara evidência da sua salvação é por meio de um andar junto a Deus. Isso, como já notamos, é também a maneira de se ter a graça florescendo na alma. E quanto mais graça vigorosa de Deus em nós, mais provável é que seja vista. E quando Cristo se revela a nós, temos a certeza do seu amor e favor.

Mas se você vive com algum tipo de pecado, não é de surpreender que isso diminua grandemente a sua certeza. Afinal de contas, isso subjuga o exercício da graça e esconde a luz da face de Deus. E pode acontecer de você nunca saber se é um verdadeiro cristão até que tenha abandonado totalmente o pecado no qual vive.

Se Deus o reprovou, talvez algum tipo de pecado em sua vida explique o motivo. Provavelmente a prática de um hábito pecaminoso ou o fato de tolerar um ato maldoso tenha sido a razão de ter recebido uma reprovação e um castigo dolorosos. Às vezes, Deus é excessivamente severo no trato com seu povo pelos seus pecados neste mundo. Deus não permitiu que Moisés e Arão entrassem na Terra Prometida porque o haviam desobedecido e pecado com seus lábios nas águas de Meribá. E como Deus foi terrível quando tratou com Davi! Que aflição levou para sua família! Um dos seus filhos violentou sua irmã; outro matou o irmão e depois de expulsar seu pai do trono na vista de todo Israel, deflorou a concubina de seu pai perante todos. O seu fim foi terrível; machucou completamente o coração de seu pai (2Sm 18.33). Imediatamente depois, aconteceu a rebelião de Seba (2Sm 20). No fim da vida , Davi viu seu outro filho usurpar o trono.

Quão severamente Deus tratou Eli por ele ter vivido no pecado, não refreando seus filhos da maldade! Os dois filhos foram mortos no mesmo dia, e o próprio Eli morreu violentamente. A arca foi levada cativa (ISm 4). A casa de Eli foi amaldiçoada para sempre; o próprio Deus jurou que a iniqüidade da casa de Eli nunca seria expiada por meio de sacrifícios e ofertas (ISm 3.13,14). O sacerdócio foi tirado de Eli e transferido para outra linhagem. Nunca mais houve um sacerdote na família de Eli (2Sm 12.31).

O motivo das repreensões divinas que recebeu é algum tipo de pecado na sua vida? Na verdade, no tocante aos acontecimentos da Providência, você não pode ser julgado pelo seus vizinhos, porém com certeza você deveria se perguntar se Deus esta contendendo com você (Jó 10.2).

Se a morte lhe causa medo, talvez seja porque você está vivendo em algum tipo de pecado. Quando pensa na morte, você se encolhe a esse pensamento? Quando tem uma doença, ou quando alguma coisa ameaça sua vida, você sente medo? Os pensamentos de morte e a eternidade alarmam você, embora seja um cristão?

Se você vive num caminho mau, provavelmente essa seja razão de seus medos. O pecado deixa a sua cabeça sensual e mundana e, portanto o impede de desfrutar de uma alegria celestial. O pecado diminui a graça e impede o desfrute das antecipações do conforto celestial que, de outra maneira, você desfrutaria. O pecado impede o sentimento da presença e do favor divinos. Sem isso, não é de espantar que você não veja a morte diante de si sem temor.

Não permaneça em qualquer tipo de pecado. Se, ao ler este texto, você percebeu que vive em um tipo de pecado, considere que de agora em diante, se viver da mesma maneira, estará vivendo com um pecado conhecido. Se era ou não era conhecido no passado, você talvez tenha vivido assim inadvertidamente. Mas, agora, que é consciente dele, se continuar nele, seu pecado não será um pecado da ignorância, mas você se mostrará como um dos que vivem intencionalmente em caminhos de pecados conhecidos.

Fonte: Jonathan Edwards

quarta-feira, 20 de julho de 2011

É pecado um casal de namorados dormir junto?


É pecado um casal de namorados dormir junto? -
por Filipe Luiz C. Machado


Recentemente um irmão em Cristo perguntou-me sobre a legitimidade - ou não - para um casal de namorados poder dormir junto. Confesso que esse é um ponto delicado, mas creio que - mais uma vez - as Escrituras nos revelam aquilo que devemos fazer.

É importante notarmos, primeiro, sobre que tipo de situação nos rodeia. Uma coisa é um casal de namorados que viaja de avião e cuja aeronave cai no meio da floresta, restando poucos sobreviventes e ainda por cima, estavam na estação do inverno, o que implica dizer que necessariamente todos precisam dormir juntos - para se aquecer, caso contrário, morrerão. Mas é claro que essa é uma situação hipotética e nela seria perfeitamente coerente dormir junto, pois seria um pecado deixar alguém morrer de frio quando podia-se evitá-lo.

Porém, mesmo a realidade dos namorados não é esta do avião, é a partir do dia-a-dia que as dúvidas surgem.

Muitos namorados cristãos gostariam de dormir juntos, mas tem receio de que isso seja pecado e por isso o evitam. Já outros, não veem pecado e deliberadamente dormem junto. Ainda há um terceiro grupo que nem cogita a possibilidade, pois sabem que é pecado.

Creio que para nos desvencilharmos dessa dúvida, é necessário olharmos alguns textos bíblicos.

1. "Abstende-vos de toda a aparência do mal" (1Ts 5.22).

Paulo está exortando aos tessalonicenses para sejam sóbrios e vigiem durante sua peregrinação por esse mundo (5.6). Certamente - trazendo para o nosso exemplo - que Paulo não está dizendo que o fato de um homem encostar em uma mulher seja em si errado, entretanto nós entendemos claramente que em certos momentos muitas coisas tornam-se potencialmente erradas, por isso se faz necessário atentarmos para que, embora o dormir junto, em si não seja pecado - com toda a certeza desse mundo - pode levar a algo mais danoso, isto é, o sexo antes do casamento e desejos inapropriados para o momento.

2. "Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tg 4.7).

Tiago está escrevendo a respeito da importância do viver cristão. Ele escreveu também que "Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?", levando-nos a entender que deve haver uma diferença entre o cristão e o não-cristão. Quando ele escreve dizendo que devemos nos sujeitar a Deus, nada mais justo do que atentarmos para essas palavras e buscarmos conformidade para com ela. Também se faz notório observarmos que se devemos viver somente para a glória de Deus (1Co 10.31), é coerente que busquemos fazer somente aquilo que O exalte.

Tiago também fala de que se resistirmos ao diabo - no poder do Espírito Santo - ele certamente fugirá de nós. Ora, não é isso que experimentamos após longos tempos na batalha contra algum pecado e que finalmente é "vencido" ou ao menos diminuído?

3. "Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mt 15.19).

No contexto desse versículo, Jesus está respondendo à objeção feita pelos fariseus de que os seus discípulos não lavavam as mãos antes de comerem (v.2). Jesus, então, lhes diz que não é o que entra que contamina o homem, mas o que sai - pois é fruto daquilo que está em seu coração (v.11).

É necessário que atentemos para essas palavras divinas, pois muitas vezes o desejo de se dormir junto não é motivado por nada mais, nada menos,  que a vontade de satisfazer os desejos da carne. Ou seja, o casal sabe que não deve dar razão ao pecado, sabe que não deve fazer sexo antes do casamento, contudo, busca chegar o mais perto que puder "sem pecar". Mas não é essa a instrução de Jesus. Ele nos diz que é do coração que brotam os maus pensamentos, por isso mesmo é que devemos evitar qualquer ação que motive nosso coração para algo contrário à sua palavra - "Abstende-vos de toda a aparência do mal" (1Ts 5.22).

4. "Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo" (Mt 1.18).

Talvez alguns possam objetar sobre a colocação desse versículo na questão que estamos analisando, contudo, vejamos que ele nos mostra um pequeno detalhe: "antes de se ajuntarem".

A vida de namorados como conhecemos hoje nunca existiu na narrativa bíblica. É interessante notarmos que antigamente as pessoas - algumas vezes - eram dadas em casamento, estavam prometidas para outrem, porém, não desfrutavam dos prazeres do casamento até que viessem a morar juntos. Sim, é certo que estamos falando aqui de namoro e não de sexo, mas convém que você medite nesse versículo à luz dos dois versículos anteriores.

É evidente que muitas outras coisas poderiam ser ditas e explanadas, porém, o intento foi ser sucinto. Se você quiser ler mais sobre esta papel do homem e da mulher, clique aqui.

Portanto, embora dormir junto não seja em si um pecado, não temos aval bíblico para tanto - salvo em casos extraordinários - e recomenda-se evitar a todo custo essa prática, haja vista muitas mágoas contra o próximo e principalmente ofensas à santidade de Deus serem evitadas quando nos abstemos dessa prática. Ademais, se procurarmos na Escritura, veremos que o homem só se achegava à mulher, quando já estavam unidos. E por que isso? Porque tal união representa a Cristo e Sua Igreja (Ef 5), e bem sabemos que Cristo não se achega a ninguém, senão a Seus Eleitos.

A grandeza do propósito da santificação


A grandeza do propósito da santificação -
por Thomas Watson (1620-1686)

É um grande propósito que Deus executa no mundo fazer uma pessoa à sua semelhança em santidade. O que são os respingos das ordenanças senão gotejos de justiça sobre nós para nos fazer santos? Para quê servem as promessas senão para encorajar à santidade? Para que o Espírito foi enviado ao mundo senão para nos ungir com a santa unção? Para que servem todas as aflições senão para nos fazer participantes da santidade de Deus? (Hb 12.10). Para que servem as misericórdias senão para nos atrair à santidade? Qual é a finalidade da morte de Cristo senão que seu sangue pudesse nos purificar em nossa falta de santidade? "O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu" (Tt 2.14). Assim, se não somos santos, crucificamos o grande propósito de Deus no mundo.

Nossa santidade atrai o coração de Deus. [1] A santidade é a imagem de Deus e ele não pode fazer outra coisa senão amar sua imagem onde a vê. Um rei ama ver sua efígie sobre uma moeda. "Amas a justiça" (SI 45.7). E onde a justiça cresce, senão em um coração santo? "Chamar-te-ão Minha-Delícia ... porque o SENHOR se delicia em ti" (Is 62.4). Foi sua santidade que atraiu o amor de Deus a ela. "Chamar-vos-ão Povo Santo" (Is 62.12). Deus valoriza alguém não pelo nascimento rico, mas pela santidade pessoal.

A santidade distingue os cristãos no mundo. A santidade é a única coisa que nos distingue dos ímpios. O povo de Deus tem seu selo sobre si. "Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor" (2Tm 2.19). O povo de Deus é selado com um selo duplo: a eleição: "O Senhor conhece aqueles que são seus" e a santificação: "Afaste-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor". Como um nobre é reconhecido por outra pessoa pela sua estrela prateada; como uma mulher virtuosa é diferenciada de uma prostituta por sua castidade; assim a santidade é reconhecida entre os homens. Todos os que são de Deus têm Cristo por seu capitão e a santidade é a cor branca que vestem (Hb 2.10).

A santidade é a honra dos cristãos. A santidade e a honra são colocadas juntas (lTs 4.4). A dignidade caminha com a santificação. "Àquele que nos ama e, pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai" (Ap 1.5). Quando somos lavados e feitos santos, então somos reino e sacerdotes para Deus. Os santos são chamados vasos de honra; são chamados jóias pelo brilho de sua santidade, pelo enchimento com o vinho do Espírito. Isso faz deles anjos terrenos.

A santidade nos dá ousadia diante de Deus. "Se afastares a injustiça da tua tenda... levantarás o teu rosto para Deus" (Jó 22.23 e 26). Levantar a face é um símbolo de ousadia. Nada pode nos envergonhar tanto ao nos aproximar de Deus quanto o pecado. Um homem ímpio pode levantar suas mãos na oração, mas não pode levantar sua face. Quando Adão perdeu sua santidade, perdeu sua confiança, escondeu-se. Porém, a pessoa santa vai até Deus como uma criança vai até seu pai; sua consciência não o censura com a possibilidade de qualquer pecado, portanto pode ir ousadamente ao trono da graça e ter a misericórdia para ajudá-lo em tempo de necessidade (Hb 4.16).

A santidade traz paz aos cristãos. O pecado levanta uma tempestade na consciência: onde há pecado, há tumulto. "Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz" (Is 57.21). Justiça e paz são colocadas juntas. A santidade é a raiz que sustenta esse doce fruto da paz. A retídão e a paz se beijam.

A santidade conduz o cristão ao céu. Ela é a estrada do céu do Rei. "E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o Caminho Santo" (Is 35.8). Havia em Roma o templo da virtude e o da honra, e todos deveriam passar pelo templo da virtude para chegar ao templo da honra; assim, devemos ir do templo da santidade para o templo do céu. A glória começa na virtude. "Nos chamou para a sua própria glória e virtude" (2Pe 1.3). A felicidade não é nada mais que a essência da santidade; a santidade é a glória militante e a felicidade a santidade triunfante.

Fonte: Josemar Bessa

Nota:
[1] O autor do texto - Thomas Watson - não estava querendo dizer que o homem pode alcançar sua santidade e que por si só pode achegar-se a Deus. Queria ele dizer que a santidade atrai o coração de Deus no sentido de que uma vida santa está em conformidade com seus decretos, levando-O a derramar suas bençãos sem medida sobre esses. [Nota minha]

terça-feira, 19 de julho de 2011

Uma Declaração Breve e Simples da Fé Reformada


Uma Declaração Breve e Simples da Fé Reformada -
por Benjamin Warfield

1. Creio que meu único objetivo na vida e na morte deve ser glorificar a Deus e gozá-lo para sempre; e que Deus me ensina a como glorificá-lo em sua santa Palavra, isto é, a Bíblia, que ele deu pela inspiração infalível do seu Espírito Santo, para que eu pudesse saber com certeza no que crer concernente a ele e quais deveres ele requer de mim.

2. Creio que Deus é um Espírito, infinito, eterno e incomparável em tudo o que ele é; um Deus, mas três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo; meu Criador, meu Redentor, e meu Santificador; em cujo poder e sabedoria, justiça, bondade e verdade posso depositar minha confiança com segurança.

3. Creio que os céus e a terra, e tudo o que neles há, são obra das mãos de Deus; e que tudo o que ele fez, agora dirige e governa em todas as suas ações; de forma que cumprem o fim para o qual foram criados; e eu, que confio nele, não serei envergonhado, mas posso descansar com segurança na proteção de seu amor todo-poderoso.

4. Creio que Deus criou o homem segundo a sua imagem, em conhecimento, justiça e santidade, e entrou num pacto de vida com ele sobre a condição única de obediência, que era o seu dever: de forma que foi por pecar deliberadamente contra Deus que o homem caiu no pecado e miséria no qual nasci.

5. Creio que, tendo caído em Adão, meu primeiro pai, sou por natureza um filho da ira, sob a condenação de Deus e corrompido no corpo e alma, tendente ao mal e suscetível à morte eterna; de qual estado terrível não posso ser liberto, salvo por meio da graça imerecida de Deus meu Salvador.

6. Creio que Deus não deixou o mundo perecer em seu pecado, mas por causa do grande amor com o qual o amou, desde toda a eternidade escolheu graciosamente para si uma multidão que ninguém pode contar, para livrá-los do seu pecado e miséria, e deles edificar novamente no mundo seu reino de justiça: no qual reino posso estar seguro ter minha parte, se me apego a Cristo o Senhor.

7. Creio que Deus redimiu o seu povo para si através de Jesus Cristo nosso Senhor; que, embora fosse e sempre continua a ser o eterno Filho de Deus, todavia nasceu de uma mulher, nascido sob a lei, para que pudesse redimir aqueles que estavam sob a lei: creio que ele suportou a penalidade devida aos meus pecados em seu corpo no madeiro, e cumpriu em sua pessoa a obediência que eu devia à justiça de Deus, e agora me apresenta ao seu Pai como sua possessão comprada, para o louvor da glória de sua graça para sempre: portanto, renunciando todo o mérito meu, coloco toda a minha confiança no sangue e justiça de Jesus Cristo meu redentor.

8. Creio que Jesus Cristo meu redentor, que morreu por minhas ofensas, ressuscitou para a minha justificação, e subiu aos céus, onde se assenta à mão direita do Pai Todo-poderoso, faz contínua intercessão pelo seu povo, e governa o mundo todo como o cabeça sobre todas as coisas para a sua Igreja: de forma que não preciso temer nenhum mal e posso saber com segurança que nada pode me arrebatar das suas mãos, e nada pode me separar do seu amor.

9. Creio que a redenção realizada pelo Senhor Jesus Cristo é eficazmente aplicada a todo o seu povo pelo Espírito Santo, que opera fé em mim e através da qual me uno a Cristo, renova-me no homem completo segundo a imagem de Deus, e me capacita mais e mais a morrer para o pecado e viver para a justiça; até que essa obra graciosa tenha sido completada em mim, e eu seja recebido na glória – na qual grande esperança habita –, devo esforçar-me para aperfeiçoar a santidade no temor de Deus.

10. Creio que Deus requer de mim, sob o evangelho, em primeiro lugar, que, como resultado de um verdadeiro senso do meu pecado e miséria e apreensão da sua misericórdia em Cristo, devo me voltar com tristeza e ódio do pecado, e receber e descansar em Jesus Cristo somente para a salvação; assim, ao ser unido a ele, posso receber perdão para os meus pecados e ser aceito como justo aos olhos de Deus somente pela justiça de Cristo imputada a mim, e recebida pela fé somente; e assim, e somente assim, creio que posso ser recebido no número e ter direito aos privilégios dos filhos de Deus.

11. Creio que, tendo sido perdoado e aceito por causa de Cristo, é adicionalmente requerido de mim que ande no Espírito que ele adquiriu pra mim, e por quem o amor é derramado em meu coração; cumprindo a obediência que devo a Cristo meu Rei; realizando fielmente todos os deveres que me são impostos pela santa lei de Deus, meu Pai celestial; e sempre refletir em minha vida e conduta, o perfeito exemplo que foi estabelecido por Cristo Jesus meu Líder, que morreu por mim e me concedeu o seu Espírito Santo, de forma que eu possa fazer as obras que Deus de antemão preparou para que eu andasse nelas.

12. Creio que Deus estabeleceu a sua Igreja no mundo e concedeu-lhe o ministério da Palavra e as santas ordenanças do Batismo, a Ceia do Senhor e a Oração; para que através desses como meios, as riquezas de sua graça no evangelho possam ser feitas conhecidas ao mundo, e, pela bênção de Cristo e a operação do seu Espírito naqueles que pela fé recebem esses meios, os benefícios da redenção possam ser comunicados ao seu povo: razão pela qual é requerido de mim também que participe desses meios de graça com diligência, preparação e oração, para que por meio deles eu possa ser instruído e fortalecido na fé, e na santidade de vida e em amor; e que eu use meus melhores esforços para comunicar esse evangelho e transmitir esses meios de graça ao mundo todo.

13. Creio que como Jesus Cristo veio uma vez em graça, assim também ele virá uma segunda vez em glória, para julgar o mundo em justiça e designar a cada um sua recompensa eterna: e creio que se eu morro em Cristo, minha alma será na morte aperfeiçoada em santidade e voltará para o Senhor; e quando ele retornar em sua majestade, serei ressuscitado em glória e feito perfeitamente bendito no pleno gozo de Deus por toda a eternidade: encorajado por essa bendita esperança, requer-se de mim tomar alegremente minha parte no duro sofrimento aqui como soldado de Cristo Jesus, estando certo que se morro com ele também viverei com ele, se sofro, também reinarei com ele.

E a Ele, meu Redentor,
com o Pai,
e o Espírito Santo,
Três Pessoas, um Deus,
seja glória eternamente,
para todo o sempre,
Amém, e Amém.

Fonte: Instituto Malleus Dei

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