"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"Por que estás abatida, ó minha alma?"


"Por que estás abatida, ó minha alma?" -
por Lou Priolo


Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face e Deus meu. (Salmo 43:5)

A depressão é uma das razões mais comuns para que as pessoas venham se aconselhar comigo. Há causas fisiológicas, bem como causas não-orgânicas para esta condição.

A causa mais básica da depressão espiritual é viver em desarmonia com as Escrituras. No entanto, simplesmente chamar algo de “pecado” sem identificar a sua designação exata no texto bíblico não nos ajuda a tratar eficazmente o problema. Assim como um médico pode prescrever o antibiótico correto, uma vez que ele identificou a bactéria exata que causa uma infecção, espero ajudá-lo a chegar a um diagnóstico mais preciso e uma solução para qualquer depressão (não médica) funcional que você pode experimentar.

O pecado não arrependido

A primeira categoria de pecado que causa a depressão é o pecado não arrependido. Com isso, quero dizer qualquer pecado sobre o qual você se sinta culpado. Alguém já comparou a culpa com o esgotamento físico que ocorre quando um indivíduo se exercita por muito tempo. Exacerbar-se durante o exercício físico acabará por resultar em uma diminuição temporária da força e do vigor. Do mesmo modo, viver dia após dia com a culpa sob o pecado que não tenha foi confessado gasta uma certa quantidade de energia emocional. Ele suga sua força emocional e faz você se “esgotar emocionalmente” (ou seja, se sentir deprimido). Deus não criou a culpa para ser algo que Seu povo deva viver por longos períodos de tempo. Sua intenção é que nós confessemos os nossos pecados e os abandonemos. Ao fazer isso, experimentamos tanto o perdão de Cristo e também santificação do Espírito Santo. (Estas duas disposições eliminam a culpa). O perdão de Deus remove a culpa dos nossos pecados passados. A cooperação dEle no nosso processo de santificação remove a culpa que, por vezes, experimentamos ao perceber que estamos ligados a um hábito pecaminoso particular e que, provavelmente, amanhã cometeremos o mesmo pecado.

Alguns pecados, além da produção de culpa, têm outros efeitos colaterais além de sugar a energia emocional e causar depressão. O maior deles é amargura. Amargura (ou ressentimento) é o resultado de uma falta de vontade de perdoar aqueles que pecaram contra você. É necessário energia emocional para manter um rancor. O ressentimento, como a culpa, vai esgotar sua energia, se autorizado a residir em seu coração por muito tempo. Emoções dolorosas como a amargura e a culpa são “os detectores de fumaça” de Deus projetado para chamar a atenção para um incêndio particular em nossas vidas. Eles não podem ser ignorados sem danos de longo prazo para o corpo e a alma. Outros pecados que drenam a nossa energia emocional (acima e além de qualquer culpa que possam causar) incluem ansiedade, raiva injusta, medo egoísta, inveja e ciúmes.

Atitude Mental Pecaminosa

A próxima classificação da depressão não-orgânica tem a ver com pecados de atitude mental. Talvez a melhor maneira de classificá-los seria como valores errados. Quando as pessoas não vêem a vida como Deus vê, o resultado é miséria. Como cristãos, devemos treinar-nos a pensar como a Bíblia diz que devemos pensar, amar as coisas que Ele ama, odiar as coisas que Ele odeia, esperar pelas coisas que Ele quer que esperemos, e não querer as coisas que Ele não quer que tenhamos. Em outras palavras, para que sejamos felizes (o oposto de estar deprimido), temos que pensar e ser motivados biblicamente.

A depressão frequentemente ocorre quando as pessoas têm pensamentos e motivações pecaminosas. Elas pensam em coisas que Deus diz que não deveriam pensar. Elas temem que as coisas que Ele não quer que elas temam. Elas não O temem tanto quanto Ele quer que elas O temam. Elas se preocupam com coisas sobre as quais Ele diz para não se preocupar. Elas interpretam as circunstâncias de forma que não refletem a soberania, amor ou bondade de Deus. Elas não são gratas por suas bênçãos. Elas querem o que Deus diz que não se pode ter. Elas amam o que Deus diz que elas não deveriam amar (ou amam demais as coisas que Deus lhes deu para apreciarem com moderação). Elas valorizam muitas coisas que Deus não valoriza (se não todas). Elas não valorizam as coisas que Ele valoriza mais. É realmente de se admirar por que tantas pessoas em nossa sociedade estão deprimidas?

Um Disposição Incorreta das Situações Difíceis

A terceira causa de depressão espiritual é lidar mal com as situações difíceis. Deus conduz seus filhos em uma variedade de julgamentos destinados a aperfeiçoar o seu caráter e, finalmente, resultar na sua felicidade. Mas quando não recorremos a recursos que Ele nos deu para responder biblicamente a um julgamento, podemos ficar desanimados, amargos, cheios de culpa, ansiedade e medo. Tudo isso pode levar à depressão. Como respondemos às circunstâncias difíceis que Deus traz para nossas vidas determina a medida em que vamos estar deprimidos sobre essas circunstâncias. Seja uma doença física, perda de emprego, dificuldades conjugais, relacionamentos rompidos, ou a morte de um ente querido, você pode depender da verdade de Romanos 8:28-29.

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”

Talvez seja hora de você se perguntar, como fez o salmista: “Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim?” Esta pergunta deveria ser feita como uma auto-censura. “À luz das disposições maravilhosas de Deus, que direito você tem que estar desesperado e preocupado?” Mas eu sugiro que você se pergunte de maneira mais diagnóstica, “por que (por quais razões) estou desanimado e deprimido?”

Fonte: IPródigo

domingo, 30 de janeiro de 2011

Cristianismo de entretenimento!


Cristianismo de Entretenimento -
por John MacArhtur Jr.


A igreja pode enfrentar a apatia e o materialismo satisfazendo o apetite das pessoas por entretenimento? Evidentemente, muitas pessoas das igrejas pensam assim, enquanto uma igreja após outra salta para o vagão dos cultos de entretenimento.

Uma tendência inquietante está levando muitas igrejas ortodoxas a se afastarem das prioridades bíblicas.

O que eles querem

Os templos das igrejas estão sendo construídos no estilo de teatros. Ao invés de no púlpito, a ênfase se concentra no palco. Alguns templos possuem grandes plataformas, que giram ou sobem e descem, com luzes coloridas e poderosas mesas de som.

Os pastores espirituais estão dando lugar aos especialistas em comunicação, aos consultores de programação, aos diretores de palco, aos peritos em efeitos especiais e aos coreógrafos.

O objetivo é dar ao auditório aquilo que eles desejam. Moldar o culto da igreja aos desejos dos freqüentadores atrai muitas pessoas.

Como resultado disso, os pastores se tornam mais parecidos com políticos do que com verdadeiros pastores, mais preocupados em atrair as pessoas do que em guiar e edificar o rebanho que Deus lhes confiou.

A congregação recebe um entretenimento profissional, em que a dramatização, os ritmos populares e, talvez, um sermão de sugestões sutis e de aceitação imediata constituem o culto de adoração. Mas a ênfase concentra-se no entretenimento e não na adoração.

A idéia fundamental

O que fundamenta esta tendência é a idéia de que a igreja tem de “vender” o evangelho aos incrédulos — a igreja compete por consumidores, no mesmo nível dos grandes produtos.

Mais e mais igrejas estão dependendo de técnicas de vendas para se oferecerem ao mundo.

Essa filosofia resulta de péssima teologia. Presume que, se você colocar o evangelho na embalagem cor-reta, as pessoas serão salvas. Essa maneira de lidar com o evangelho se fundamenta na teologia arminiana. Vê a conversão como nada mais do que um ato da vontade humana. Seu objetivo é uma decisão instantânea, ao invés de uma mudança radical do coração.

Além disso, toda esta corrupção do evangelho, nos moldes da Avenida Madison, presume que os cultos da igreja têm o objetivo primário de recrutar os incrédulos. Algumas igrejas abandonaram a adoração no sentido bíblico.

Outras relegaram a pregação convencional aos cultos de grupos pequenos em uma noite da semana. Mas isso se afasta do principal ensino de Hebreus 10.24-25: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos”.

O verdadeiro padrão

Atos 2.42 nos mostra o padrão que a igreja primitiva seguia, quando os crentes se reuniam: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”.

Devemos observar que as prioridades da igreja eram adorar a Deus e edificar os irmãos. A igreja se reunia para adoração e edificação — e se espalhava para evangelizar o mundo. Nosso Senhor comissionou seus discípulos a evangelizar, utilizando as seguintes palavras: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19). Ele deixou claro que sua igreja não tem de ficar esperando (ou convidando) o mundo para vir às suas reuniões, e sim que ela tem de ir ao mundo.

Essa é uma responsabilidade de todo crente. Receio que uma abordagem cuja ênfase se concentra em uma apresentação agradável do evangelho, no templo da igreja, absolve muitos crentes de sua obrigação pessoal de ser luz no mundo (Mateus 5.16).

Estilo de vida

A sociedade está repleta de pessoas que querem o que querem quando o querem. Elas vivem em seu próprio estilo de vida, recreação e entretenimento. Quando as igrejas apelam a esses desejos egoístas, elas simplesmente põem lenha nesse fogo e ocultam a verdadeira piedade.

Algumas dessas igrejas estão crescendo em expoentes elevados, enquanto outras que não utilizam o entretenimento estão lutando. Muitos líderes de igrejas desejam crescimento numérico em suas igrejas, por isso, estão abraçando a filosofia de “entretenimento em primeiro lugar”.

Considere o que esta filosofia causa à própria mensagem do evangelho. Alguns afirmam que, se os princípios bíblicos são apresentados, não devemos nos preocupar com os meios pelos quais eles são apresentados. Isto é ilógico.

Por que não realizarmos um verdadeiro show de entretenimento? Um atirador de facas tatuado fazendo malabarismo com serras de aço se apresentaria, enquanto alguém gritaria versículos bíblicos. Isso atrairia uma multidão, você não acha?

É um cenário bizarro, mas é um cenário que ilustra como os meios podem baratear e corromper a mensagem.

Tornando vulgar

Infelizmente, este cenário não é muito diferente do que algumas igrejas estão fazendo. Roqueiros punk, ventríloquos, palhaços e artistas famosos têm ocupado o lugar do pregador — e estão degradando o evangelho.

Creio que podemos ser inovadores e criativos na maneira como apresentamos o evangelho, mas temos de ser cuidadosos em harmonizar nossos métodos com a profunda verdade espiritual que procuramos transmitir. É muito fácil vulgarizarmos a mensagem sagrada.

Não se apresse em abraçar as tendências das super-igrejas de alta tecnologia. E não zombe da adoração e da pregação convencionais. Não precisamos de abordagens astuciosas para que tenhamos pessoas salvas (1 Coríntios 1.21).

Precisamos tão-somente retornar à pregação da verdade e plantar a semente. Se formos fiéis nisso, o solo que Deus preparou frutificará.

Fonte: Bereianos

sábado, 29 de janeiro de 2011

Artigo sobre o BBB – Luís Fernando Veríssimo


Crônica de Luiz Fernando Veríssimo sobre o "BBB"

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima terceira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE..

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.

Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar.... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... ,telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.

Fonte: Artigo sobre o BBB – Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"Disse-lhes Jesus: Vocês não sabem o que estão pedindo"


"Disse-lhes Jesus: Vocês não sabem o que estão pedindo" -
por Filipe Luiz C. Machado


No versículo 1 no referido capítulo (Mt 20), vemos que Jesus começa seu discurso comparando o reino do céus com "um proprietário que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha". Ele havia combinado um preço com os trabalhadores contratados já pela manhã bem cedo e assim ficara acertada a quantia que receberiam (v.2). Dos versículos 3 à 7 temos ainda outros trabalhadores que foram acrescentados e também chamados para trabalhar, igualmente ficara combinado com cada um deles a quantia que receberiam. Nos versículos 8 e 9 temos a narrativa de quando os últimos trabalhadores (lembre-se dos últimos serão os primeiros) receberam seu salário e nada reclamaram, pois haviam recebido aquilo que lhes havia sido prometido. Já nos versículos 10 à 12 temos a queixa dos primeiros trabalhadores, que não contentes com a aparente injustiça cometida pelo proprietário da vinha, vindicavam um aumento de salário. "Mas ele respondeu a um deles: ‘Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não concordou em trabalhar por um denário? Receba o que é seu e vá. Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que lhe dei. Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso?" (v.13 - 15) Jesus termina então sua parábola dizendo aos seus discípulos que: "Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos" (v.16)

Nos versículos 17 à 19 temos a narrativa de Jesus falando aos 12 sobre o que lhes sobreviria nos momentos seguintes, alertando-os de que sabia sobre o que lhe aconteceria; a saber, que ele não seria pego desprevenido. Importante é percebermos o grande momento pelo qual Jesus passaria! Nos versículos 18 e 19 lemos: "o Filho do homem será entregue aos chefes dos sacerdotes e aos mestres da lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios para que zombem dele, o açoitem e o crucifiquem. No terceiro dia ele ressuscitará!". Atentemos para o fato de que Jesus não faz pouco caso do que aconteceria, nem lhes diz que ao morrer tudo se findaria, mas deixa claro que o evento não seria o fim de seu ministério, pois "no terceiro dia ressuscitará"!

Chegamos agora (ao que penso eu) ao clímax do texto. Vejamos a discrepância entre tal evento cruel e majestoso que aconteceria ao salvador do mundo, mestre dos discípulos e o pedido de uma mãe. "Então, aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e, prostrando-se, fez-lhe um pedido. 'O que você quer?', perguntou ele. Ela respondeu: 'Declara que no teu Reino estes meus dois filhos se assentarão um à tua direita e o outro à tua esquerda'." (v.20, 21) Não posso deixar de pensar em como eu reagiria em tal situação. Imagino-me primeiramente informando meus melhores amigos de que haveria de sofrer, padecer por muitas enfermidades, me fazer pecado para salvar meus discípulos que me negariam e abandonariam num primeiro momento, salvar antigos blasfemadores e perseguidores do meu evangelho e tantas outras coisas mais, e de repente, me deparasse com uma pergunta dessas! Certo estou de que não reagiria tal qual nosso mestre Jesus.

Interessante também é que a mãe de Tiago e João (filhos de Zebedeu) não pergunta se Jesus necessitaria de alguma coisa para aquele momento (embora realmente ele não precisasse), nem lhe pede fé para acreditarem que ao terceiro dia iria ressuscitar, tampouco lhe mostra um espírito pronto para aceitar aquilo que lhe sobreviria, mas pede para que seus filhos tenham um lugar de honra no Reino! Comparemos tal declaração com a parábola anteriormente proferida por Jesus. Ele havia dito que não há diferença entre os que são escolhidos por primeiro ou por último, também que não haverá diferença entre o pagamento de ambos, afinal o salário não está a mando do servo, mas sim do mestre. Embora o texto não nos precise se a mãe de Tiago e João estivesse presente quando Jesus falou tal parábola (v.1 - 16), a narrativa nos leva a crer que sim.

Depois de talvez ter ficado estupefato com a declaração daquela mulher, "Disse-lhes Jesus: 'Vocês não sabem o que estão pedindo'." (v. 22a) É de suma importância notar que a mãe de Tiago e João não havia compreendido a seriedade do seu pedido. Em outras palavras, ela lhe estava pedindo que seus dois filhos tivessem os lugares mais importantes no reino dos céus! (creio que o "a direita e a esquerda" queiram fazer menção aos lugares adjacentes do trono de um rei; acredito também que Tiago e João concordaram com sua mãe, haja vista de não nos ser informado de qualquer fala que desmereça o pedido e também a posterior indignação dos restantes dos discípulos com Tiago e João) Veja a falta de compreensão! Pobres pescadores almejando os lugares de maior honra! (acrescento que a frase é "disse-lhes" e não "disse-lhe", dando a entender que havia respondido tanto para Tiago e João quanto para sua mãe)

Após haver lhes dito que tal pedido imerecia prosperar, disse: "Podem vocês beber o cálice que eu vou beber? 'Podemos', responderam eles'. Jesus lhes disse: 'Certamente vocês beberão do meu cálice; mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder. Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados por meu Pai'." (v. 22b e 23) Aqui Jesus lhes mostra que eles poderão partilhar do cálice de Jesus, poderão participar de seu reino (anteriormente ilustrado por meio da parábola), mas que o pedido não cabia a Jesus conceder, mas unicamente "àqueles para quem foram preparados por meu Pai". Não estava a cargo de Jesus conceder lugares de honra no céu, tal encarregado era apenas o Pai.

Diante de tal quadro, não é de nos espantar que "Quando os outros dez ouviram isso, ficaram indignados com os dois irmãos." (v. 24) Ora, não que os outros presentes não pudessem ter feito o mesmo pedido descabido, mas ouvir aquilo da boca de uma mãe, beirava a súplica! Era como se a mãe de Tiago e João dissesse a Jesus: "Embora estejas com teus 12 discípulos, estejas para sofrer por nós, ressuscitar e nos salvar, peço-te que dês atenção e honra especiais para meus filhos". A partir desse prisma, não nos é estranho a reação do restante dos discípulos.

Jesus finaliza dizendo: "Jesus os chamou e disse: 'Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos'." (v. 25 - 28) Notemos que Jesus não dá crédito ao pedido da mãe, mas enfatiza para que não tenham o desejo ambicioso de ser maior ou melhor que os outros. Também salienta que nem sempre aquele que parece ser o maior, na verdade o é (vide o paralelo entre governantes das nações, pessoas importantes e o dever ser servo), mas sim que geralmente o maior está no lugar de menos honra à vista dos outros.

Que possamos aprender com esta passagem, para que não saiamos por aí pedindo coisas absurdas e sem real importância para Deus. Não que ele não nos ouça quanto fazemos tal coisa (oh! perdoa-nos!), mas porque devemos ter um coração centrado na servidão e nunca na exaltação.

Deus nos abençoe!

O Apóstolo Pródigo


O Apóstolo Pródigo -
por Augustus Nicodemus Lopes


Estudando Paulo para dar aulas esta semana, percebi mais um aspecto interessante do apóstolo que o distancia dos apóstolos modernos. Ao contrário dos tais apóstolos que se lançam para fazer carreira solo e ter seu próprio ministério, Paulo sempre fez questão de mostrar que ele fazia parte do grupo apostólico de sua época, embora tivesse sido chamado para ser apóstolo quando o prazo de matrícula já tinha expirado ("nascido fora de tempo", 1Co 15:8).

Se alguns têm uma visão de Paulo como um individualista que seguiu carreira e ministério próprios, isto se deve, em parte, à Igreja Católica que colocou Pedro acima dos demais apóstolos e portanto longe de Paulo. Os liberais também contribuíram para isto, quando fizeram de Pedro o líder do Cristianismo judaico da Palestina e Paulo o líder do Cristianismo gentílico de Antioquia, em constante tensão e hostilidade mútuas.

De todos os apóstolos, Paulo era o mais culto, o mais preparado intelectualmente e com maior experiência intercultural. Nascido em Tarso da Cilícia, em território grego, educado no que havia de melhor e mais refinado na erudição judaica, de família rica o suficiente para lhe dar o status de cidadão romano, Paulo se destacava dos pescadores, cobradores de impostos, artesãos e ex-guerrilheiros galileus que compunham o quadro dos Doze apóstolos de Jesus Cristo ("iletrados", At 4:13). Com facilidade ele poderia ter iniciado um movimento independente e ter seu próprio ministério e até mesmo fundar uma religião. Todavia, ele se negou a fazer isto e até mesmo repreendeu os seus fãs que queriam começar o "partido de Paulo" (veja 1Co 3:4-9).

Na realidade, o retrato que temos de Paulo em suas cartas e no livro de Atos é de um apóstolo que não se via tendo um ministério solo nem próprio, mas em perfeita harmonia e cooperação com os demais. Para ele a igreja está edificada sobre o fundamento "dos apóstolos e dos profetas" (Ef 2:20). Ele não se vê como um fundamento à parte. Ele honrou os apóstolos antes deles, visitando-os em Jerusalém e procurando comunhão e harmonia com eles (Gal 1:18). Foi provavelmente nesta ocasião que ele aprendeu com eles acerca de várias tradições originadas em Jesus (1Co 11:2; 15:3-7). Paulo declara que eles eram importantes e colunas da igreja, apesar de terem uma condição humana muito humilde - o que realmente não importava, pois Deus não olha para o exterior (Gal 2:6). Os sinais e prodígios que ele realizava eram "credenciais do apostolado" (2Co 12:12), isto é, sinais que eram operados por todos os que eram apóstolos. Paulo não teve problemas em se submeter às instruções de Tiago quando esteve em Jerusalém (At 21:18-26).

E quando é obrigado a dizer que trabalhou até mais que eles, Paulo logo acrescenta que é somente pela graça (1Co 15:10). E quando teve de repreender a Pedro por sua inconsistência (Gal 2:11-21), isto não fez com que se separasse dele - na verdade, Pedro mais tarde até mesmo recomenda as cartas que Paulo escreveu como se fossem Escritura! (2Pe 3:15-16).

A melhor maneira de descrever como Paulo se via entre os demais apóstolos é aquela do filho pródigo, que disse ao pai, ao regressar, "não sou digno de ser chamado teu filho" (Lc 15:21). Por ter perseguido a Igreja, Paulo fala de seu apostolado como uma honra nunca merecida, um favor especial concedido por Deus: "Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus" (1Co 15:9) [- devo este parágrafo a J. Van Bruggen].

Fico com a impressão que a inspiração dos modernos apóstolos evangélicos não é Paulo ou um dos Doze, mas o atual bispo de Roma.

Fonte: O Tempora, O Mores

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dizer no que você crê é mais claro que dizer "calvinista"

Dizer no que você crê é mais claro que dizer "calvinista" -
por John Piper

Nós somos cristãos. Seres radicais, de sangue puro, saturados de Bíblia, exaltadores de Cristo e centrados em Deus. Nós avançamos com missões, ganhamos almas, amamos a igreja, buscamos a santidade e saboreamos a soberania. Somos completamente embriagados pela graça, quebrantados de coração e felizes seguidores do Cristo onipotente crucificado. Pelo menos esse é o nosso compromisso imperfeito.

Em outras palavras, somos calvinistas, mas esse rótulo não é nem um pouco útil para dizer às pessoas no que você realmente acredita! Então esqueça o rótulo, se isso ajudar, e diga a elas claramente, sem evasivas e sem ambiguidade, o que você acredita a respeito da salvação.

Se eles disserem “Você é um calvinista?” diga “Você decide. É nisso aqui que eu creio…”

Eu creio que sou tão espiritualmente corrupto e orgulhoso e rebelde que eu nunca teria vindo à fé em Jesus sem a misericordiosa e soberana vitória de Deus sobre os últimos vestígios da minha rebelião. (1 Coríntios 2:14; Efésios 3:1-4; Romanos 8:7)

Eu creio que Deus me escolheu antes da fundação do mundo para ser seu filho, sem basear essa escolha em nada que pudesse haver em mim no presente ou no futuro. (Efésios 1:4-6; Atos 13:48; Romanos 8:29-30; Romanos 11:5-7)

Creio que Cristo morreu como um substituto dos pecadores para, de boa fé, oferecer salvação a todas as pessoas. Creio que ele teve um plano invencível em sua morte para obter sua noiva escolhida, a saber, a assembléia de todos os crentes, cujos nomes foram eternamente escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto. (João 3:16; João 10:15; Efésios 5:25; Apocalipse 13:8)

Quando eu estava morto em minhas transgressões, e cego para a beleza de Cristo, Deus me tornou vivo, abriu os olhos do meu coração, me deu a capacidade de crer e me uniu a Jesus, com todos os benefícios do perdão e da justificação e da vida eterna (Efésios 2:4-5; 2 Coríntios 4:6; Filipenses 2:29; Efésios 2:8-9; Atos 16:14; Efésios 1:7; Filipenses 3:9)

Estou eternamente seguro não por causa de qualquer coisa que eu tenha feito no passado, mas decisivamente porque Deus é fiel para completar a obra que ele começou – sustentar minha fé e me manter longe da apostasia, e me afastar do pecado que leva à morte (1 Coríntios 1:8-9; 1 Tessalonicenses 5:23-24; Filipenses 1:6; 1 Pedro 1:5; Judas 25; João 10:28-29; 1 João 5:16)

Chame do jeito que você quiser, isso é minha vida. Eu acredito nisso porque eu vejo isso na Bíblia. E porque eu experimentei isso. Louvor eterno à grandeza da glória da graça de Deus!

Fonte: iPródigo

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Como o calvinismo pode salvar seu casamento

Texto por
Allen Porto
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O título do post engana. Não se trata de um artigo para pessoas com casamento em crise - embora possa ser aplicado nesse contexto. Não tenta descrever o calvinismo como um método de "terapia conjugal", mas descreve elementos do pensamento reformado que possibilitam uma vida a dois mais saudável.

Estou às vésperas do casamento - exatamente a 9 dias dele. E por isso é natural que minha mente esteja voltada para o assunto. Minhas leituras também.

Enquanto leio e reflito sobre os autores reformados que escrevem sobre o casamento e a vida em família, como C. J. Mahaney, Paul Tripp, Martyn Lloyd-Jones e Augustus Nicodemus Lopes, percebo que existe uma maneira distinta do calvinista observar o matrimônio. Que elementos, então, tornam o calvinismo melhor preparado para abordar o casamento e a vida em família? Listo alguns:

1. O calvinismo observa a realidade a partir da tríade Criação-Queda-Redenção

Existe um modo peculiar do pensamento reformado encarar a realidade. Agostinho, Calvino, Kuyper, Herman Dooyeweerd e Francis Schaeffer são exemplos de uma linhagem calvinista que produziu bastante a partir desse modo de perceber o mundo e a história. Por meio do pensamento deles, somos confrontados com uma visão integrada e completa dos fenômenos - obviamente, não perfeita. Em vez de um ferramentário dicotômico (ao estilo matéria x forma, ou natureza x graça), o pensamento calvinista lida com o casamento usando instrumentos adequados - percebe que o homem foi criado sem pecado, e o casamento foi instituído ainda em um tempo de pureza e plenitude. Compreende que o homem pecou, e os efeitos do pecado foram cósmicos - por isso o casamento apresenta lutas e dificuldades. Crê que existe redenção na obra de Jesus, que restaura o homem como um todo, resgatando o significado do casamento, o amor, e as virtudes que possibilitam a vida a dois.

Sem fantasiar sobre a realidade, ou fugir da tentativa de compreendê-lo, o calvinista possui um quadro de referência que permite uma análise cautelosa e verdadeira das crises conjugais, bem como o conhecimento do "lugar" onde tais questões encontram luz e solução. [Na verdade é uma pessoa, não um lugar].

2. O calvinismo compreende a depravação do coração humano

Uma aborgadem comum de problemas conjugais tentará identificar "causas" em objetos ou circunstâncias. A TPM, o estresse, a roupa, a falta disso ou daquilo, será identificado como "o problema a ser resolvido". Com tal diagnóstico, o tratamento será um mês de férias, a diminuição do ritmo de trabalho, a mudança de alguns hábitos, etc. Provavelmente algum resultado positivo será obtido nas primeiras semanas, mas logo se perceberá que o problema, se não retornou como antes, foi "realocado" para uma área próxima.

O calvinista compreende que o problema central no casamento não são as circunstâncias. Elas apenas criam ocasiões para transbordar o que está no coração humano. Assim, o foco do tratamento deve ser o coração.

A antropologia reformada permite compreender a questão central que direciona todos os outros problemas surgidos no contexto do casamento - o pecado no coração do homem. No calvinismo existe um diagnóstico correto, o que permite o tratamento devido.

Como reformado, eu deveria reconhecer que o problema no meu casamento é o meu coração - sou eu.

3. O calvinismo enfatiza a soberania e providência de Deus

Enquanto outras correntes do cenário cristão buscam salvaguardar o livre-arbítrio humano, e assim tentam limitar pelo menos um pouco a atuação Divina, o calvinismo proclama, sem reservas, o governo absoluto de Deus sobre todas as coisas.

Nada surpreende o Senhor, nada foge de Seus decretos. Nada frustra os Seus planos e nada (nem ninguém) resiste à Sua vontade. Deus é soberano. Perfeita e plenamente Senhor sobre os céus e a terra, bem como sobre todos os que neles habitam. O Seu governo se estende do elemento mais simples ao mais complexo, da situação mais singela à mais difícil.

No contexto do casamento, a fé na soberania e providência de Deus traz conforto e segurança. As piores lutas não estão fora do controle do Senhor, e não passam despercebidas por Ele. As maiores alegrias também são desfrutadas a partir do reconhecimento de que há um "dedo" Divino nisso tudo.

A fé na soberania de Deus nos dá o maior de todos os recursos na luta contra o pecado da ansiedade - o olhar para o Senhor de tudo, e clamar a Ele. Não há luta que Ele não possa resolver.

4. O calvinismo ressalta o propósito da existência humana: a glória de Deus

A máxima calvinista grita alto: "Soli Deo Gloria!". O Catecismo Maior de Westminster responde: "o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre". Está cristalizada na tradição reformada a noção da glória de Deus como o fator que dirige a vida humana. Ecoando o apóstolo Paulo, os reformados dizem que as coisas são feitas "para o louvor da Sua glória" (Ef.1.12), e que devemos "fazer tudo para a glória de Deus" (1Co.10.31).

Na vida conjugal, tal noção indica que o casamento é mais sobre Deus e Sua glória do que sobre a união de duas pessoas. O matrimônio é melhor vivido quando a sua Teorreferência é deliberada e contínua. Deus é o centro. A Ele a glória.

Isso significa que, no conflito de opiniões, a busca de satisfação pessoal - como se a minha glória fosse o mais importante - deve ser colocada em segundo plano, diante da tentativa de glorificar a Deus na resolução de conflitos e na tomada de decisões. Obviamente, como o coração do homem está comprometido, várias serão as vezes em que os calvinistas não cumprirão este propósito. Mas eles têm um alvo, uma confissão. Eles caminham para isso, e por isso lutam.

O credo calvinista reserva a Deus o lugar mais importante na vida a dois. Ninguém mais é tão relevante, nem os noivos, nem os familiares, nem os filhos. Ninguém além do Senhor.

Ad infinitum (?)

Cada um dos pontos do calvinismo, ou dos solas, ou dos símbolos de fé, poderia gerar um elemento que distingue o calvinismo e possui aplicações para o casamento. Alguns argumentarão aqui que muitos dos princípios que destaquei são partilhados tanto por calvinistas, quanto por não-calvinistas. Eu não criaria confusão com isso. Posso concordar que alguns dos pontos mencionados são, de fato, abraçados por irmãos não-reformados. A questão é que, fora do conjunto de pressupostos do pensamento calvinista, esses pontos estão soltos e mal explicados. Fora do contexto no qual eles são integrados e fazem sentido, perdem força - embora ainda tenham alguma.

Por isso penso ser o calvinismo distinto no casamento. Ele pode salvar a vida a dois, na medida em que trabalha com pressupostos e princípios fundamentais para promover a humildade no trato com o outro, o reconhecimento da incapacidade pessoal, a dependência da ação Divina, e o objetivo correto de se unir eternamente a alguém.

Soli Deo Gloria.

Fonte: 5 Calvinistas

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Você é um Fundamentalista?


Você é um Fundamentalista? - Por Kevin T. Bauder

1) Fundamentalistas reconhecem que todas as doutrinas são importantes. Se a Bíblia ensina, vale a pena estudar e conhecer. Se Deus disse isto, o mesmo merece nossa cuidadosa atenção.

2) Fundamentalistas afirmam que algumas doutrinas são mais importantes do que outras. Nem todo ensino da Bíblia é de igual alcance em seus efeitos. Enquanto todos são importantes, alguns estão mais ao centro enquanto outros se encontram na periferia da fé cristã.

3) Fundamentalistas insistem que algumas doutrinas são tão importantes que são essenciais ao evangelho em si. Negar estas doutrinas é (pelo menos implicitamente) negar o evangelho. Negar o evangelho é transformar o cristianismo em alguma outra religião. Essas doutrinas essenciais estão no miolo, no centro, da fé cristã. Elas são o mínimo irredutível sem o qual não pode existir cristianismo.

4) Fundamentalistas crêem que comunhão cristã é definida pelo próprio evangelho. Aqueles que negam o evangelho não devem ser reconhecidos como cristãos. Aqueles que negam o evangelho, ao condenar alguma doutrina essencial, não estão aptos para a comunhão cristã. Com tais pessoas, nenhuma comunhão cristã existe. Fingir que podemos desfrutar de comunhão cristã com tais pessoas é tão-somente ser hipócrita. Estender o reconhecimento cristão – particularmente reconhecer como líderes cristãos – a tais pessoas é desprezar o evangelho e enganar o povo de Deus.

5) Fundamentalistas insistem que irmãos que desprezam o evangelho e enganam o povo de Deus são culpados de grave erro e deveriam ser removidos da posição de liderança cristã. Se tais pessoas não podem ser removidas da liderança , ainda assim os cristãos bíblicos tem a obrigação de não endossar ou apoiar as pessoas, organizações, e atividades que obscurecem a importância do evangelho e enganam o povo cristão, mas ao invés disto reprovar os tais.

Fonte: Bereianos

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"Ele tem cuidado de vós"

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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"Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós." 1Pe 5.6,7

Amados, o versículo acima é por demais precioso a ponto de não podermos nos dar o luxo de desprezarmos as verdades nele contidas. Muitos cristãos na tentativa de explicar a responsabilidade humana esquecem de que há um Deus soberano (o inverso também é verdadeiro) e que "tem cuidado de vós."

A palavra de Deus nos insta a humilharmos "debaixo da potente mão de Deus". Será que já refletimos suficientemente durante nossos dias sobre essa grande verdade? Certo estou de que não há ninguém nesse mundo que goste de ser criticado e humilhado; aliás, esse é um dos grandes traumas do ser humano. Não gostamos de sermos rebaixados, criticados, zombados e menosprezados. Esse sentimento não é de todo errado; contudo, ele reside de tocaia por detrás de um sentimento pecaminoso: O orgulho humano.

O orgulho nos acusa quando somos tidos com pouco esmero diante dos demais, é ele quem nos avisa de que não estamos sendo tratados conforme merecíamos, é elem que sustenta a visão de que somos auto-suficientes, é ele quem nos alerta de que podemos fazer mais e melhor para sermos mais glorificados, é ele quem nos leva a comprarmos um novo carro apenas por ele ser mais bonito e chamativo, é ele quem nos leva ao comprarmos roupas novas pensarmos: "O que os outros acharão desse modelo e dessa cor?". Tal pensamento não precede de Deus, é prejudicial nossa saúde espiritual e precisa ser combatido.

Prejudicial, pois constantemente nos leva a pensarmos que somos criaturas dignas de louvor e glória, de que somos importantes a ponto de recebermos uma salva de palmas e um aniversário-surpresa dos amigos. O orgulho humano precisa ser constantemente "mortificado em nosso corpo", pois tal qual uma doença que se não for combatida nos primeiros dias, vem a tornar-se um câncer ou uma infecção generalizada, ele vem para nos exaltar, desejando que sejamos aplaudidos e dignos de algo honroso. O orgulho é um dos sentimentos mais perigosos para os filhos de Deus. Perigoso pois vem de maneira sorrateira. Um elogio aqui, outro ali, um presente imerecido, uma homenagem e pronto, a infecção se instala em nosso corpo.

O tempo de nossa exaltação não é agora, mas sim na vida futura. Podemos ser reconhecidos por algum trabalho que fazemos (e nisso não há pecado), mas acima de tudo que fazemos e ganhamos, devemos sempre lembrar-nos da palavra de Deus que diz: "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer." Lucas 17.10

Deixe-me finalizar com um exemplo. Recentemente eu estava cortando a grama da casa de meus pais. Nada de especial havia naquele jardim ou naquele dia ensolarado, era apenas mais um dia qualquer em que eu podia contribuir com a limpeza e organização da casa deles. Depois de ter finalizado o corte "bruto" da grama (com a máquina maior), peguei a máquina de aparar os cantos, liguei-a e continuei o serviço que havia começado. Estava finalizando o serviço quando de repente, voa em direção próxima de meu olho um pedaço de grama, barro, madeira ou qualquer outra coisa que tinha no jardim (não sei dizer o que foi). Após aquele momento, não pude deixar de refletir sobre o acontecido.

Poderia eu (em pensamento precedente ao corte da grama) em atitude pecaminosa ter me orgulhado do que estava fazendo; afinal, a grama não era minha, a casa não era minha e eu não tinha nenhuma obrigação de fazer o que estava fazendo. Poderia conjecturar que naquele momento eu era mais importante e especial do que os demais da casa. Eu estava fazendo um serviço que ninguém queria fazer e não estava cobrando nada por ele! Como eu poderia me sentir orgulhoso e importante! Talvez até depois de ter tomado um banho pudesse pedir algum favor "fora do comum" para algum dos meus queridos; afinal, eu havia feito algo de que podia me orgulhar diante dos demais! Mas, felizmente, a graça de Deus não me permitiu ser assim, e por isso louvo ao Senhor que na ocasião em que o objeto voôu próximo de meu olho, nada me aconteceu, sequer tocou em meus olhos (tocou um pouco abaixo) e pude mais uma vez perceber que "ele tem cuidado de vós."

Tenho certeza de que existem miríades de "pequenos" testemunhos como esse em nossa vida cotidiana. Ora, humanamente falando, não havia nada que eu pudesse fazer para que aquele pequeno objeto não voasse em minha vista! Nada, absolutamente nada estava em meu controle naquele momento! Era somente a graça e misericórdia de Deus agindo e cuidando de mim.

Que possamos "lançar sobre ele toda a nossa ansiedade", refletirmos, sermos agradecidos por tudo e extirparmos o orgulho de nossos corações, pois certamente "ele tem cuidado de nós."

Que Deus nos abençoe.

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