"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Não desperdice sua privada quebrada

Não desperdice sua privada quebrada
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Antes que alguém me tenha por louco, deixa eu explicar bem grosso modo o porquê do título deste post: minha avó está com câncer, mas ainda não sabe. O médico diagnosticou a temida doença quando ela (minha avó) começou a se queixar de fortes dores no estômago quando se alimentava, de tal modo que quase tudo o que ela comia dava refluxo. Sua cirurgia, então, foi marcada para o dia 24 de janeiro de 2011 (disso ela sabe, embora ainda pense que se trate de um mioma). Tudo isso significa que, dentre outras coisas, minha avó não pode pegar peso, certo? O problema é que a privada de sua casa havia quebrado, e ninguém conseguia dar jeito. Com vergonha de pedir ajuda à minha tia para que esta pusesse um balde d’água no vaso, ela mesma estava enchendo o balde e derramando na bacia. É claro que ela fazia isso escondida da minha tia, que lhe dava umas broncas quando a flagrava. “A médica disse que ela não podia mais sangrar de jeito nenhum, Bruno” – explicou.

Do câncer eu já sabia a algum tempo, mas do detalhe da privada quebrada, não. Fiquei sabendo ontem, quando fui visitar minha avó. Deu na cabeça de dar uma de encanador, e fui no armazém comprar a peça que, segundo meu julgamento (o julgamento de um cara que não entende nada de hidráulica… pode?!), era o problema. Seguindo orientações do vendedor, de qual peça provavelmente era o problema, comprei a borrachinha responsável pela vedação e passagem da água (uma espécie de tampão). Enquanto tentava resolver o problema, conversava com minha tia, que desabafava algumas coisas – desta vez, nada relativo ao problema da minha avó, mas da situação do seu casamento, que não é das melhores. “Não sinto mais vontade de viver. Se não fossem os meus filhos, e não sei o que seria da minha vida”, disse. Agora eram pelo menos três problemas embolados na minha mente naquele instante: o câncer da minha avó, o casamento da minha tia, e a “bendita” privada quebrada. Até que me dei conta de um problema muito mais sério do todos esses três juntos: o pecado. Comecei a evangelizar minha tia, e explicar a ela que não existe sentido para a vida humana fora do Evangelho da Cruz de Cristo. Falei um pouco sobre a ira de Deus, da qual Cristo veio nos libertar (cf. 1 Ts 1.10), e, por consequência, do inferno. “O inferno, tia, não foi, como muita gente pensa, apenas preparado para o diabo e seus anjos, mas para todos aqueles que se rebelam contra Deus”. Nesse instante lhe lembrei das vezes em que ela pregava o evangelho para mim e meus primos quando éramos crianças. Os textos que ela usava? O livro de Apocalipse, essencialmente. E ao som de uma música homônima de Roberto Carlos. “Mas não faça como eu. Pregue o amor, em vez da dor”, disse ela, ao que lhe respondi: “no pain, no gain” (sem dor, sem ganho). Minha tia é afastada da igreja. Minha avó só ouvia a conversa.

Voltei minhas atenções para a privada. Depois de muito fuçar, e fuçar, e fuçar, finalmente concluí o trabalho. E com êxito, graças a Deus! A caixa acoplada voltou a funcionar perfeitamente. Minha avó não precisará mais pegar peso escondida de minha tia, correndo o (grande) risco de sangrar e complicar tudo. Ela me agradeceu muito, e até soltou um “glória a Deus”. De fato, glórias sejam dadas a Ele! Era o mínimo que eu poderia fazer por ela naquele momento, já que não posso intervir na cura daquele câncer que está alojado em seu estômago. Só Deus sabe, mas pode ser que eu não veja mais a minha querida avó quando voltar novamente em Recife de férias no ano que vem. Lógico que eu não quero isso! Mas devo me preparar para o que Deus quiser.

Ela ouviu o evangelho que eu estava pregando para minha tia, e certamente ficou a refletir em suas implicações. Ainda pretendo evangelizá-la mais, pois, independente dos seus setenta e seis anos, ela é uma pecadora que ainda não conhece a Cristo. E minha sincera oração é para que, antes da cirurgia do dia 24 de janeiro, outra cirurgia seja efetuada. Agora falo daquela cirurgia pela qual passou todo aquele que foi regenerado pelo Espírito Santo. Desejo do fundo do meu coração que minha querida vovó chegue à mesma conclusão que Paulo, de que “o viver é Cristo, e o morrer é lucro”; e que “partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor” (Fp 1.21,23).

Orem por ela, irmãos. Seu nome é Isabel. A solução que encontrei para a privada, embora oportuna, é temporária e pouco (para não dizer nada) resolve. Mas a solução de Deus para o verdadeiro grande problema humano é perene.

Soli Deo Gloria!

Fonte: 5 Calvinistas

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Orando por aquilo que não pode falhar – John Piper


Orando por aquilo que não pode Falhar –
por John Piper


Ponderando as promessas que fundamentam as orações


O cinismo diz: "Se uma coisa com certeza acontecerá, por que devemos orar por ela?" Os crentes dizem: "Ore com alegria, porque Deus prometeu e não falhará". Por exemplo, é absolutamente certo que o reino de Deus virá. O apóstolo João viu o reino como algo virtualmente consumado: "O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos" (Ap 11.15). Apesar disso, somos exortados a orar: "Venha o teu reino" (Mtó.10).

Considere outro exemplo: Jesus prometeu, com plena certeza, que "será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim" (Mt 24.14). Em outras palavras, a Grande Comissão será terminada. Não há dúvida. Mas Jesus nos mandou fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.19) e rogar "ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara" (Mt 9.38).

Isto significa que Deus indica a oração como o meio de terminar a missão que Ele mesmo prometeu, com certeza, levar ao término.

Portanto, oramos não porque o resultado é incerto, e sim porque Deus prometeu e não pode falhar. Nossas orações são os meios pelos quais Deus determinou fazer o que, com toda a certeza, fará — terminar a Grande Comissão e estabelecer seu reino.

Aqueles que oram pela vinda do reino receberão o reino, mas aqueles que não amam o reino e a manifestação do Senhor provavelmente não se importarão em orar por isso. As palavras de Paulo em 2 Timóteo 4.8 são uma certeza do futuro: "Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda". Não amar a vinda do Senhor (ou seja, não orar intensamente: "Venha o teu reino") significa que alguns não receberão a coroa da justiça.

Jesus provavelmente falou aramaico durante a maior parte de seu ministério. Maranata foi uma das poucas palavras aramaicas preservada pela igreja primitiva, a qual falava a língua grega. Ela provavelmente significa "Nosso Senhor, vem!". Não havia dúvida de que Ele viria. O Senhor prometeu que viria ("voltarei" — Jo 14.3). O tempo de sua vinda foi estabelecido pelo Pai, no céu: "A respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai" (Mc 13.32). No entanto, a igreja primitiva orava: "Maranata!" Esta é a maneira como ora aquele que ama a Jesus: "Se alguém não ama o Senhor, seja anátema. Maranata!" (1 Co 16.22.)

Oremos, então, da maneira como o apóstolo nos ensinou a orar por aquilo que não pode falhar. Não permaneçamos inertes, observando as coisas como os céticos e fatalistas. Oremos, de todo o coração, como Paulo disse, "para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada" (2 Ts 3.1). A promessa é que a Palavra não voltará vazia, mas fará aquilo para o que Deus a designou (Is 55.11). Portanto, roguemos a Deus que esta poderosa palavra corra e triunfe.

Será deixado de fora, aquele que diz: "Orar é insignificante, porque a promessa é certa". Tais soldados não terão parte nos despojos da vitória, visto que não compartilharam da batalha. Oremos e triunfemos com Ele, na batalha que não pode falhar.

Fonte: O Cristão Hedonista

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ovelhas ou Gatos de Cristo?

Ovelhas ou Gatos de Cristo?
por Filipe Luiz C. Machado
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Jesus ao falar do cuidado que tinha para com suas ovelhas, disse que o bom pastor "quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz." João 10.4. Vemos, portanto um paralelo entre o pastor (guia) e as ovelhas (seguidoras). O pastor tem como objetivo de vida cuidar das suas ovelhas, a ponto de "tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?" Lucas 15.4. A ovelha por sua vez, tem como objetivo seguir o pastor, andar conforme a direção que o seu mestre indica, se alimentar nas horas propostas pelo pastor, descansar no tempo oportuno e se submeter a vontade do pastor. Usarei tal ilustração bíblica para tecer alguns comentários.

Parece-me que muitas ovelhas da igreja, as vezes tem síndrome de gato. No mundo animal isso seria uma aberração, mas na igreja, muitas vezes isso tem se tornado comum. Deixe-me explicar. Embora os gatos sejam criaturas amáveis (tanto que tenha um), na maioria das vezes, no que concerne a obedecer o dono, são totalmente negligentes e desobedientes. Embora muitas vezes sejam carinhosos e dóceis, não é possível traçar um perfil exato do animal. Ora tem determinado tipo de comportamento, ora nos surpreendem fazendo algo completamente diferente daquilo que já haviam feito. Quando os chamamos, não vem; quando colocamos comida, não comem; quando dizemos "não", não escutam. Já quando dizemos "agora não", eles vem até nós; quando dizemos para não comerem mais, continuam comendo até vomitar; quando resolvemos fazer-lhes carinho, viram as costas e vão embora. É uma disparidade sem tamanho! Embora sejam amáveis, as vezes nos tiram do sério.

Compare agora as ovelhas descritas pela bíblia com a atitude dos gatos. Pregamos, escrevemos, exortamos e aconselhamos, quando viramos as costas, lá estão eles denovo fazendo tudo ao contrário. Quando as vezes dizemos "não faça isso, pois será melhor para você", tal qual gato, eles dizem: "eu sei o que é melhor para mim". Quando suplicamos para que se alegrem em Cristo Jesus, as vezes ouvimos: "mas há tantas coisas boas além de Cristo...". Quando damos-lhes comida espiritual, viram as costas e resolvem ir passear com seus amigos, tal qual fazem os felinos. Quando percebemos que o melhor a dar não é comida sólida e sim leite, ouvimos: "não quero leite, quero comida sólida". Tal comparação é por demais interessante! Não tange apenas a relação entre pastor e ovelha terrena, mas sim a relação de todos nós (ovelhas) com o pastor dos céus.

É dever do cristão ser ovelha e não gato. Ovelhas são tratáveis, obedecem, seguem o pastor, o reverenciam, tem-no na mais alta estima, prezam pelo seu Senhor e dão-lhe o devido valor. Gatos, embora sejam queridos e amáveis, tem um comportamento que foge ao controle de seu dono. A ovelha quando vê seu dono se aproximando (tal qual faz o cachorro), sabe que dele procedem as boas ordem, se deleita em sua presença, se alegra e "diz": "Ah! Esse é o meu pastor!". Já o gato, quando vê seu dono "diz": "Ali está o meu empregado. Ele me dá comida, água, leite, casa e cuida de mim. Ah! Eu sou um rei!"

Louvado seja o bom pastor que nunca nos abandona, mesmo quando erramos e agimos feito gatos.

Que Deus nos abençoe.

A rejeição da Lei e a abolição do Evangelho


A rejeição da Lei e a abolição do Evangelho -
por Jorge Fernandes Isah

Ao ler o trecho abaixo, veio-me à mente o quanto o entendimento da Lei tem sido preterido e negligenciado entre os cristãos, ao ponto de, com raras exceções, todos considerarem que, de alguma forma, com a encarnação do Senhor, ocorreu também a abolição da lei. Este é um comentário sobre essa falsa premissa, que espero, se Deus quiser, complementarei em futuras postagens.

Primeiramente, vamos à frase: “As leis cerimoniais, as leis civis e o código penal foram anulados, e a lei moral recebeu mais esclarecimentos na pessoa e nos ensinos de Jesus Cristo"[1].

Ora, o que temos aqui? Se Cristo veio cumprir a lei, e elevou-a a condição muito superior, ao ponto em que não se é preciso cometer o delito, mas somente idealizá-lo para que o pecado seja consumado, como a lei foi anulada? E, em qual sentido o foi? E mais, quem a anulou?

Quer dizer que tudo o que Deus estabeleceu como abominação, como odioso aos seus olhos e, por isso, merecedor de castigo, escrito na Lei, foi abolido e não o desagrada mais? Não há código moral e ético vigente? Passamos a viver no “faça o que quer, me deixe fazer o que quero”? Essa mentalidade não está próxima da visão pós-moderna e relativista do mundo atual? Ou, mesmo pior, pois elimina qualquer critério de justiça e moral? Ao menos os relativistas acreditam numa moral pessoal e subjetiva; no conceito acima, não se chega nem a isso. Então, como viveremos? Livres para pecar e cometer delitos?

Outra questão que me vem à mente é: seria Deus mutável ao ponto de alterar sua escala de valores? E dar por errado o que é certo? E dar por imoral o que é moral? E desdizer o que disse? E eliminar o que estabeleceu?... O que se está a defender é a não unidade da Escritura e, por conseguinte, a não perfeição divina.

Cristo é superior à Lei, inclusive, na exigência de se cumpri-la. Não basta uma conduta exterior, mas ela também tem de ser interior. De nada adianta eu não ir para o motel com uma amante, se penso em levá-la e ter conjunção carnal, mesmo que somente em pensamento. De nada adianta não roubar, se o tempo todo estou a cobiçar o que é de outrem. Nem fraudar, se estou a proferir “mentirinhas” a cada dez palavras pronunciadas. Para Cristo, não basta limpar o exterior do copo e do prato, mas o seu interior [MT 23.26]. O que não quer dizer que o exterior não deva ser limpo, também. Acontece que essa é uma questão afeita somente aos eleitos, àqueles que são capacitados por ele a se manterem limpos por dentro e por fora, em seu caráter santificador. Por que Cristo veio nos libertar do jugo da lei, da sua conseqüência mais grave, a condenação, “para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra” [Rm 7.6]. Paulo, em seguida, arrematou: “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçaras” [v.7]. Este é um verso “knock down”, daqueles que lança o interlocutor distraído à lona. Pois, se a lei foi abolida, também o pecado o foi; se a lei foi abolida, não há necessidade de Salvador, nem de salvação, pois todos estão salvos. Se esse é o entendimento, não há necessidade de Evangelho nem de sua proclamação, pois o reino já é efetivamente verdade na vida de todos os homens; e todas as demais promessas que falam de julgamento, tribunal, condenação, juízo, e punição no inferno, não passam de lendas, ou quando muito uma ficção do que poderia ser o futuro, caso a lei não fosse abolida. Paulo ratifica esta idéia ao diz: “porquanto sem a lei estava morto o pecado” [v. 8].

Alguns acrescentarão: mas a lei foi abolida apenas para os salvos, por aqueles que Cristo morreu, o qual pregou-a no madeiro [2]... É, porém, os antilei não a querem também para os ímpios, nem que a sociedade seja regida por ela; preferem uma lei regida e controlada pela mente e pela cultura humana; então, como fica o beco-sem-saída que os antilei criaram para si mesmos?... O certo é que a lei deve ser cumprida por todos, eleitos e réprobos; não como algo apenas espontâneo, que se deve obedecer por vontade própria, mas por coerção, e temor ao castigo oriundo da quebra da lei.

Cristo também disse que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la; como exigência para que os eleitos fossem salvos, não para que fossem dispensados de cumpri-la. Isso revelaria um “cristo antinomiano”, que sequer se importaria em cumprir, ele mesmo, a lei. Porque desprezá-la é um claro sinal de rebeldia, e não de obediência, a qual o Senhor sempre teve pelo Pai e sua Lei. Se Cristo tivesse abolido-a, estaria a dar carta-branca para o livre-pecador, de tal forma que não haveria abundância da graça, mas da iniqüidade. Uma perversão no sentido de graça, de justiça e santidade divinas. E o que é pior, anulando-as completamente, o que significaria anular a própria natureza divina.

Somos salvos, mas não somos livres para pecar, ao contrário, somos livres para não pecar.

O erro portanto está em anular o que Deus não anulou; achando que anulou, quando o que o homem quer é anulá-lo para gozar uma liberdade que não se tem.

O próprio julgamento final, e a condenação ao inferno daqueles que descumpriram a lei, demonstram a sua validade, pois como Paulo disse, ninguém é justificado pela Lei, mas por ela todos são julgados e condenados; “de outro modo, como julgará Deus o mundo?” [Rm 3.6]. Cristo veio trazer salvação e redenção para o seu povo, mas o povo que não é seu, será condenado pela Lei, em seu caráter penal. Não se esqueça de que o inferno é a penitenciária de segurança máxima que Deus estabeleceu para o diabo, seus anjos e os ímpios, por toda a eternidade. E lá, a pena não se paga jamais; como o Senhor disse, o inferno é o lugar onde o bicho não morre e o fogo nunca se apaga [Mc 9.44].

O estranho é que, com uma falsa idéia na cabeça, muitos cristãos se opõem ao caráter político da lei, de que o ímpio pode ser punido no inferno, mas não pode sê-lo aqui no mundo. Há até mesmo a defesa da lei humana sobre a divina, numa clara inversão de valores, como se a lei de Deus não fosse atemporal, permanente, para todos os homens e nações. Chega a ser desesperadora a forma como muitos defendem a não aplicabilidade da lei no mundo atual. Como se o crime fosse mais justo do que a sua prescrição legal, como se a pena fosse injusta, e o ato criminoso, assim como o seu autor, devessem estar sempre debaixo da indulgência da sociedade. Essa mentalidade de que somos responsáveis pelo criminoso e o seu crime, mas não somos responsáveis por puni-lo e evitar que incorra novamente em delito, não é somente um tiro no pé, mas na própria cabeça, e na alma de quem pensa assim. Parece-me que a distorção é tão grande, o foco escriturístico perdido há tempos, que não resta outra saída a não ser perpetuar a injustiça, pois a Lei justa, perfeita e santa, assim como é justo, perfeito e santo o seu Autor, Juiz e Executor, que a deu a todos indistintamente, não tem mais lugar no presente século, no mundo moderno.

Contudo, não foi isso o que Cristo disse, como está escrito: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" [Mt 5.17-20].

O Senhor enfatiza duas coisas nestes versos:

1- Ele não veio destruir a lei ou os profetas;

2- Até que o céu e a terra passem, nem um jota ou til da lei passará sem que tudo seja cumprido [e o cumprimento dela no Calvário se deu para os eleitos; mas os ímpios estão debaixo dela, e sujeitos a ela, no que ainda ela não se cumpriu integralmente, o que acontecerá no Juízo Final].

3- Qualquer que violar um destes mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no reino dos céus.

4- Qualquer que ensinar e cumpri-los será chamado grande no reino dos céus.

Interessante que o Senhor usa a expressão “jota e til” para indicar os menores e menos importantes detalhes da lei, porém, como provenientes de Deus, são duradouros e devem ser observados. Promover a injustiça torna o seu promotor em injusto; defender a não cumprabilidade da lei é um erro gravíssimo, uma rebelião com sérias conseqüências e riscos aos que assim pensam, porque, ao assim agirem, estão a tentar enfraquecer a sua obrigatoriedade, a diminuir a sua abrangência, destituí-la de significado e relativizar o absoluto; um golpe atrevido por demais, com a intenção de tornar em verdade a mentira, de se reescrever a palavra de Deus pela fraude de uma pretensa espiritualidade.

Defender a descontinuidade da lei em seu aspecto legal, tanto civil como penal, é proclamar o reino da injustiça e dizer que nos tornamos mais sábios do que o próprio Deus, por isso, desprezamos o seu conselho, ficando com o nosso. Ou será que o salmista também perdeu-se no tempo, juntamente com a sua afirmação de que “abomino e odeio a mentira, mas amo a tua lei” [Sl 119.163]? Há descontinuidade na Bíblia? Ou temo-la por inteira, como a fiel palavra de Deus?

Sabemos que Cristo aboliu o caráter sacrificial e cerimonial da Lei, pois não é mais necessário que se imole carneiros e bodes para expiar os pecados, pois o Senhor já o fez por nós, uma única vez, na cruz. Portanto, não há essa necessidade; até mesmo porque Paulo nos diz que o sacrifício de touros e bodes não pode expiar os pecados, pelo contrário, imolá-los significava comemorar os pecados... De tal forma que sacrifícios, holocaustos e oblações pelo pecado não lhe agradaram, mas eis que Cristo veio para fazer, ó Deus, a tua vontade. “Tira o primeiro, para estabelecer o segundo” [Hb 10.9]. Deus não se agradava do primeiro sacrifício, por isso ele foi tirado e substituído pelo segundo, o qual Cristo o cumpriu integralmente, e do qual o Pai se alegrou. Aqui temos claramente uma ordem divina abolindo a lei sacrificial, pois ela era “sombra dos bens futuros; e não a imagem exata das coisas” [Hb 10.1]. Eram como símbolos apontando para o Redentor e Salvador das almas daqueles que creriam, e por isso, cumpriram a lei cerimonial ao sacrificar os animais; mesmo sabendo da sua inutilidade para expiar os pecados, mesmo sabendo que teriam de voltar a fazê-lo ano após ano, mas reconheciam a necessidade de obediência, de se observar aquilo que Deus estabelecera como prova de sujeição e amor ao seu santo e bendito nome. Quem pode questioná-lo?, diria Paulo; mas, quem és tu ó homem que a Deus replicas? [Rm 9.20].

As contradições no pensar do crente atual é que me são estranhas, por como pensam e o que pensam. De um lado, dizem que a Lei Moral, resumida nos Dez Mandamentos, prevalece para hoje e para o crente. Porém negam haver continuidade da lei judicial e penal, assim como da lei civil. Ora, se a Lei Moral condena pecados descritos e condenados na lei judicial e penal, bem como na civil, como se é possível defender um ponto e não defender os outros? Ou apenas se defende a exposição dos pecados sem defender a punição? A lei civil e penal nada mais é do que o detalhamento da Lei Moral, a fim de que o homem, em sua corrupção, não distorça e anule a Lei em sua aplicabilidade, fazendo-se ele mesmo legislador e juiz da sua causa.

Para piorar a situação, a base bíblica usada para a abolição da lei, não existe. Há várias distorções do seu sentido, confundindo-o com graça, salvação, evangelismo; confundindo-o com o caráter expiatório de Cristo, mas nada que corrobore a sua não legitimidade. O que normalmente se faz é afirmar uma coisa e negar as outras, sentenciando-as como verdade sem o respaldo escriturístico, o que as tornam falsas em suas afirmações de pôr fim ao pecado e as obras do mal, acusando-as sem condená-las. Seria dizer que o tiro matou, mas a bala não foi a causadora da morte, e sim o estampido da arma. Isso apenas descredencia o Evangelho, divide-o, esfacela-o, e faz de Deus um deus ambivalente, ao desejar que o seu povo ame a lei, e instantes depois a desprezem [visto que o ódio dos ímpios é natural, pois está a coibir-lhes a natureza pecaminosa]. Desta forma, constroem sobre o fundamento, Cristo, paredes de pau-a-pique tortas, que à primeira fagulha, ateia-se fogo em toda a casa, ainda que o fundamento não possa jamais ser queimado ou destruído. Tornam suas afirmativas em especulações sem fundamento, cuja base é tão somente opinativa ou pessoalmente preferencial, a partir de generalizações vagas e infundadas.

Outro erro é dizer que a lei somente pode e deve ser cumprida pelo crente, que através da regeneração e pelo poder do Espírito Santo buscará a santificação. Seria o que se chama de integridade ética aplicada na integralidade de vida. Ela serviria como parâmetro para se avaliar a vida cristã, "como um termômetro a medir a intensidade do nosso amor por Deus, da obediência à lei dele e da nossa dependência dele para a vida" [3]. Acontece que a Lei foi dada para a nação de Israel, o que representa dizer que foi entregue a crentes e descrentes, como o plano de Deus para que assim houvesse justiça e paz social, muito além do seu caráter meramente pedagógico [como aio] ou didático. Não se pode excluir o efeito justo e pacificador da Lei, pois ela foi produzida pelo Deus santo, perfeito e justo, e aplicável em todos os tempos e a todos sem exceção, como freio à desordem e incitação à ordem. Essa é a vontade de Deus, que não fosse revogada; porém é rejeitada exclusivamente porque, na sua mente, o homem caminha num processo de evolução, de melhoria, quando sabemos ser essa outra mentira. O humanismo fez com que o homem encontrasse em si mesmo a bondade [inexistente, falsa], e o fez crer que era bom, e o fez crer que essa bondade o restauraria, e consigo toda a sociedade. Por isso as leis são cada vez mais frágeis, contemporalizadoras com o mal, ao ponto em que se cumpre o que Isaias disse: tornam o mal em bem, e o bem em mal; fazem das trevas luz, e da luz, trevas [Is 5.20].

Portanto, quero fazer um desafio: alguém se habilita a provar, biblicamente, a descontinuidade da lei judicial, penal e civil, sem que se afete a unidade da Escritura?

Porque se abolindo a Lei, um dos pilares, a estrutura bíblica desmorona-se. E o que sobrará então, além da descrença? A impiedade dos ímpios; e a desonra a Deus pela rejeição da Lei, e a abolição do Evangelho.

Notas: [1] "Lei & Evangelho", Editor: Stanley Gundry, Ed. Vida, pg. 39, edição esgotada [2] Novamente, indico a leitura do meu texto "Lei e Graça: revelação divina" [3] "Lei & Evangelho", pg. 62

Fonte: Kálamos

[VÍDEO] Viva Para a Eternidade - Paul Washer

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pastores sem Bíblia, Ovelhas comendo Pipoca


Pastores sem Bíblia, Ovelhas comendo Pipoca -
por Leonardo J. N. Félix

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.2 Timóteo 2:15


Cresce juntamente com as igrejas as exigências feitas aos Pastores. Hoje, um Pastor não pode ser mais um homem dedicado ao Estudo da Palavra apenas, ele precisa ser um administrador, psicólogo, engenheiro, etc. O ministério pastoral se tornou atualmente um amalgama de funções. Por esse motivo, acredito, a palavra de Deus tem sido pregada de modo tão superficial. Gostaria de repetir aqui um relato de uma das minhas ovelhas acerca de uma pregação que ouviu. Segundo ele, certo líder ao pregar sobre a ressurreição do filho da viúva de Naim (Lucas, 7:11-17), proclamou aos brados que Jesus era um músico por excelência. Sem entender muito bem de onde aquele irmão havia tirado aquela informação ficou confuso. Daí então, ele observou mais detalhadamente a mensagem e percebeu que o pregador estava se referindo ao “esquife”, que segundo o Aurélio é um “caixão”, com sendo um instrumento de sopro. Naquele momento ele não se conteve diante de tamanha aberração hermenêutica.

O que mais me chama a atenção nesse triste episódio é que “n” fatores estão a pressionar os líderes a pregarem cada vez mais de modo negligente. Gostaria de apontar alguns: primeiramente, vejo fatores internos aos líderes. São Pastores formados sem a real convicção do seu chamado. É inconcebível um pastor que não goste de ler e estudar. Todavia, encontramos colegas que não se deleitam em seus estudos Bíblicos. Quando sobem ao púlpito estão mais informados acerca do noticiário da tarde do que do texto do sermão. Isso é o mesmo que na hora do jantar oferecer pipoca. A Bíblia é o alimento da igreja. Daí vermos muitos crentes famintos de ouvirem a voz de Deus. Encontramos dentro das igrejas pessoas que não sabem discernir entre a voz de Deus e a voz do seu coração. São carnais, pois nunca ouviram falar do que significar estar cheio do Espírito Santo. A não ser, nos casos onde as línguas são tidas como sinônimo dessa graça, todavia, depois desse movimento, pouco de Cristo se vê na vida dessas esqueléticas ovelhas.

Muitas igrejas têm padecido pela negligência dos seus pastores à Palavra de Deus. Segundo uma pesquisa feita pelo atual editor e jornalista da Abba Press & Sociedade Bíblica Ibero-Americana Oswaldo Paião, 50% dos pastores nunca leu a Bíblia completa (http://noticias.gospelmais.com.br/ler-a-biblia-toda.html). Uma vergonha para aqueles que têm como instrumento do seu ministério a Bíblia.

Outro fator que tem pressionado o ministério pastoral são as expectativas que a maioria das igrejas nutre do seu Pastor. Muitos irmãos ainda nutrem um pensamento católico de que o Pastor é o intermediário entre Deus e ele. Se pedirmos a alguém para orar a favor da vida deles, logo acham que a oração não é tão poderosa para se concretizar. Quantas são as vezes que somos chamados a interceder por alguém por que aquela pessoa acha que só a oração do líder é que chega diante de Deus. As conseqüências disso são as chamadas constantes que nos fazem perder a prioridade na palavra. Nossas igrejas precisam estar conscientes do que significa o sacerdócio universal dos crentes, ou seja, todos nós que somos igreja somos sacerdotes diante de Deus. A oração do irmão não é mais poderosa, ou chega mais rápido a Deus do que a de qualquer outro irmão, inclusive a do Pastor (cf. 1 Pedro, 2:9). Creio que se assim ensinarmos às nossas ovelhas, teremos um pouco mais de tempo para os nossos estudos.

O ministério do Pastor, especialmente na sua função como pregador da Palavra, precisa ser priorizada em nossas igrejas. Enquanto eles não prepararem o alimento sólido para suas ovelhas, teremos igrejas alegres pelo tocar das trombetas nas liturgias, pelas rosas, pelos mantos, e pelo sal ou por todo tipo de bugiganga, menos pela palavra de Deus. Deus nos faça refletir acerca do nosso ministério.

SOLA SCRIPTURA!

Fonte: Crítica Sagrada

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cinco coisas que a mortificação não significa


Cinco coisas que a mortificação não significa –
por
John Owen (1616 –1683)

i) Mortificar o pecado não é destruí-lo completamente e erradicá-lo do coração. É certo dizermos que esse é o alvo da mortificação, no entanto trata-se de um alvo que não atingiremos nesta vida. Não há dúvida de que o cristão pode esperar triunfos maravilhosos sobre o pecado com a ajuda do Espírito e da graça de Cristo, e isso, de tal maneira que ele pode obter vitória quase constante sobre o pecado. Contudo, não deve esperar a destruição total e a erradicação do pecado nesta vida. Paulo nos assegura disso em Filipenses, capítulo 3. Paulo sabia que a despeito de tudo o que havia alcançado, ainda não era perfeito (v. 12). Este conhecimento não impediu que "um corpo de humilhação" (ou seja, um corpo que ainda tem o pecado habitando nele) fosse transformado pelo poder de Cristo na Sua volta (v. 21).

Deus opera para que por nós mesmos não sejamos completos em coisa alguma, a fim de que em todas as coisas sejamos completos em Cristo (Col. 2:10).

ii) Mortificar o pecado não é tentar mascará-lo (e isto, na verdade, não precisaria ser dito!). E triste se dizer que uma pessoa pode exteriormente abandonar a prática de muitos pecados enquanto ainda tem o desejo de praticá-los. Outras pessoas podem pensar que ela é uma pessoa transformada. Mas tal pessoa só fez acrescentar aos seus outros pecados o maldito pecado da hipocrisia e, dessa forma, se pôs num caminho mais acertado para o inferno.

iii) Mortificar o pecado não significa necessariamente cultivar uma natureza quieta e sossegada. Muitas pessoas são, por natureza, abençoadas com um temperamento agradável. São pessoas que sabem levar a vida e não se inclinam a perder o controle. Ora, tais pessoas podem cultivar e melhorar sua natureza agradável pela disciplina, pela consideração e pela prudência e dar a si mesmas e aos outros a aparência de serem muito espirituais. O grande problema é que uma pessoa pode ser perturbada pela ira e pela paixão apenas raramente, enquanto outra pessoa tem que lutar com esses pecados ou paixões todos os dias; mesmo assim pode ser que a segunda pessoa tenha feito mais para mortificar o pecado do que a primeira pessoa. Que a primeira pessoa se julgue por seu egoísmo, sua incredulidade, sua inveja, ou algum pecado espiritual semelhante. Isso lhe dará uma compreensão melhor do seu verdadeiro estado diante de Deus.

iv) Um pecado não é mortificado quando é tão somente desviado numa outra direção. Simão abandonou sua prática de magia por algum tempo; mas sua ambição e sua cobiça que lastreavam-se por trás dela permaneceram e atuaram de outra maneira (veja Atos 8:9-24). A despeito da sua aparente nova maneira de viver (v. 13) ele ainda se encontrava "em fel de amargura e laço de iniqüidade" (v. 23). Quem quer que seja que substitua o mundanismo pelo orgulho, ou a sensualidade pelo legalismo, não precisa pensar que o pecado supostamente deixado para trás foi mortificado!

v) A vitória ocasional sobre o pecado não significa mortificação. Olhemos para dois exemplos disso:

(a) Certo pecado se manifesta e traz terror à consciência - o terror de um eventual escândalo bem como o medo do desprazer de Deus. Isso pode produzir o efeito de acordar a pessoa de uma dormência espiritual, e por algum tempo ela evidencia uma atitude de total aborrecimento de tal pecado e de estar de sobreaviso a seu respeito. O pecado, porém, permanece como antes, não foi mortificado. O pecado é como um inimigo que sorrateiramente entrou no acampamento e matou um dos capitães. Os guardas, imediatamente, se colocam em alerta e por todo o acampamento procuram encontrar o inimigo. O inimigo se esconde enquanto os guardas vasculham o acampamento. Durante certo tempo pode parecer que o inimigo foi expulso; mas ele não foi molestado c aguarda a oportunidade de proceder da mesma maneira outra vez.

(b) Num tempo de algum juízo, calamidade ou aflição que oprime, o coração se preocupa em como se aliviar dessas coisas. Uma pessoa pode crer que tal alívio só será obtido lidando com o seu pecado, e resolve abandoná-lo. O pecado, porém, é tão enganoso que se contenta em permanecer quieto por algum tempo, dando a aparência de ter sido mortificado. Está, contudo, longe de ter sido mortificado e mais cedo ou mais tarde se manifestará, vivo, novamente. No Salmo 78:32-37 há uma excelente ilustração de tudo isto. Quando as provações vieram, essas pessoas foram rápidas em se voltar para o Senhor. Fizeram-no "fervorosamente" com zelo e diligência; entretanto seus pecados não haviam sido mortificados, (vs. 34,37).

Dessa e de muitas outras maneiras as pobres almas podem se enganar e pensar que têm mortificado seus maus desejos quando realmente os pecados ainda estão vivos e estão esperando por ocasiões adequadas para irromperem e perturbarem a sua paz.

Fonte: Josemar Bessa

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Com quem devemos andar?


Com quem devemos andar? -
por Filipe Luiz C. Machado

Amados, devo chamar atenção para algumas situações que vez por outra por estar circulando em nosso meio cristão: A questão de com que devemos andar. É mister que as Escrituras nos orientam a não andarmos em jugo desigual (2Co 6.14), mas mister é atentarmos para o que significa andar em jugo desigual. Minha abordagem não será de cunho ecumênico (pois não o aprovo), nem de cunho extremista separatista, mas tentarei expor aquilo que nos têm afligido.

Primeiramente devemos ter ciencia de quanto a nossa humanidade e nossa interpretação da Bíblia somos falhos e errôneos. Infelizmente, jamais poderemos compreender com 100% de exatidão aquilo que a Bíblia deseja no passar. Contudo, tal fato não nos deve deixar prontos a abraçarmos qualquer doutrina que está desacordo para com a palavra de Deus. Por melhor que seja nossa exegese, saibamos grego, hebraico, aramaico, ou que tenhamos domínio de todos os aspectos, ainda assim nossa interpretação está sujeita a falhas. Certamente que com tal expressão não advogo a causa dos que negam a soberania de Deus, dos que dizem que o homem é responsável por salvar-se a sim mesmo, dos que não acreditam na depravação total, na graça irresistível e tantos outros pontos de suma importância para a fé reformada. Mas creio que há um outro extremo que devemos ter o cuidado para não cairmos: O extremista separatista

O extremista separatista diz que não podemos em hipótese alguma andarmos com qualquer que seja a pessoa se essa não condiz igualmente com nossas crenças em Cristo Jesus. Pergunto a tais pessoas (e aqui nessa lista não faço menção a ninguém) se é possível acharmos alguém que tenha todas as firmes convicções que nós! Certamente em algum momento tais pensamentos se divergirão e se romperá (partindo do princípio adotado pelos mesmos) tal irmandade. Não há meio algum capaz de assegurar uma doutrina (agora falo de doutrinas dentro da doutrina da graça) que seja totalmente correta, talvez em sua maioria seja, mas não em completamente. Por que digo isso? Porque as vezes vejo que por causa de picuinhas os irmãos acabam de afastando e aquela possível comunhão que outrora era eficaz, vai se esvaindo apenas porque não concordamos com determinada sentença dita por alguém.

Ora, não há nada maior e perigoso para nos causar orgulho do que a satisfação de se estar sempre com a razão e a qualquer preço! O crente deve ser separatista? Sim, eu acho que sim, desde que entendido o que é ser separatista. Devemos nos separar de Pelagianos, Arianos, Arminianos e tantos outros que afrontam a fé cristã. Contudo, devemos nos bater no peito e dizer "Eu tenho a verdade, quem quiser achar a vida eterna, que venha me consultar", tal qual faria um super-herói de desenho animado? Jamais! Embora necessitemos de tal separação, devemos visar essa separação por AMOR, baseada no princípio de que não podemos nos envolver com movimentos que pregam algo expressamente contrário às Escrituras, mas tudo isso não deve nos levar a encastelarmo-nos e não irmos para a linha de frente, batalhar, lutar e ensinar tais pessoas que estão andando "segundo os rumos deste mundo".

Que possamos nos unir no essencial, proclamar a fé reformada sem titubearmos por coisa alguma! Que as doutrinas da graça sejam proclamadas de forma poderosa, em uníssono coro cristão, tal qual vozes à capela cujo som se propaga pelo ar de forma exuberantemente bela. Mas que não nos esqueçamos de que há pessoas que, embora não concordemos com o tipo de roupa que usam, corte de cabelo, crê que a igreja deve ou não deve ter placa, banco de madeira ou cadeira estofada, púlpito de madeira ou de acrílico e outras frivolidades mais, são dignas de nosso amor, respeito e dedicação. Que não deixemos o inimigo disseminar o ódio, arrogância ou soberba em nosso meio, visto que nas coisas essências concordamos, nela vivemos e nos movemos.

Deus abençoe.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A Glória Invisível de Cristo


A Glória Invisível de Cristo -
por John Owen (1616 - 1683)


Havia uma glória invisível em tudo o que Cristo fez e sofreu na terra. Se as pessoas a tivessem visto, elas não teriam crucificado o Senhor da glória. Entretanto, aquela glória foi revelada a alguns; os discípulos “viram a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Primeiro, vamos considerar a obediência de Cristo naquilo que Ele fez. Ele livremente escolheu obedecer. Ele disse: “Eu vim para fazer a tua vontade, ó Deus”, antes de haver necessidade pra Ele fazer essa vontade. Ele não era como nós, criaturas humanas, que necessariamente sempre estivemos sujeitos à lei de Deus. João Batista sabia que Jesus não tinha necessidade de ser batizado. Mas Cristo disse: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Cristo voluntariamente Se identificou com os pecadores quando foi batizado.

Deus deu-lhe honra e glória porque, pela sua obediência, a Igreja toda se tornou justa (Rm 5.19). A obediência de Cristo a cada parte da lei foi perfeita. A lei era gloriosa quando os Dez Mandamentos foram escritos pelo dedo de Deus. Ela se torna mais gloriosa ainda quando é obedecida nos corações dos crentes. Mas é apenas na mais absoluta e perfeita obediência de Cristo que a santidade de Deus na lei é vista em sua glória total. “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padecer” (Hb 5.8). O Senhor de todos, que fez a todos, viveu em estrita obediência à lei de Deus. Posto que Ele era uma pessoa singular, a Sua obediência possui a glória de Sua singularidade.

Ora, considerem a glória da obediência de Cristo demonstrada naquilo que Ele sofreu. Ninguém jamais pode medir a profundidade dos sofrimentos de Cristo. Podemos olhar para Ele sob o peso da ira de Deus, em Sua agonia e suor de sangue, nos Seus fortes gritos e lágrimas. Podemos olhar pra Ele orando, sangrando, morrendo, fazendo da Sua alma uma oblação pelo pecado. “Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo de sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes: pela transgressão do meu povo foi ele atingido” (Is 53.8). “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33). Quão glorioso é o Senhor Jesus aos olhos dos Seus redimidos!

Por causa do pecado de Adão, ele e todos os seus descendentes se acham diante de Deus sujeitos a perecer eternamente sob a ira de Deus. Enquanto, nessa condição o Senhor Jesus vem até os pecadores persuadidos, com o Seu convite: “Pobres criaturas! Como é triste a sua condição! O que aconteceu com a beleza da glória e da imagem de Deus nos quais vocês foram criados? Vocês agora têm a imagem deformada de Satanás; pior que isso, miséria eterna aguarda vocês. No entanto, olhem para cima mais uma vez; contemplem-Me! Eu me colocarei em seus lugares. Eu suportarei o peso da culpa e a punição que jogaria vocês para sempre no inferno. Eu me tornarei, temporariamente, em maldição para vocês, para que possam ter bem-aventurança eterna”.

Contemplemos a glória demonstrada no evangelho:Jesus Cristo é crucificado diante dos nossos olhos (Gl 3.1). Nós só entendemos as Escrituras à medida que vemos nelas o sofrimento e a glória da Cristo. A sabedoria do mundo não vê nada neles a não ser estultícia. “Mas, se ainda nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.3-4).

Fonte: MayFlower

sábado, 11 de dezembro de 2010

Apascentando Ovelhas ou Entretendo Bodes?


Apascentando Ovelhas ou Entretendo Bodes? -
por Archibald G. Brown

Um mal está no declarado campo do Senhor, tão grosseiro em seu descaramento, que até o mais míope dificilmente deixaria de notá-lo durante os últimos anos. Ele se tem desenvolvido em um ritmo anormal, mesmo para o mal. Ele tem agido como fermento até que toda a massa levede. O demônio raramente fez algo tão engenhoso quanto sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las.

Da pregação em alta voz, como faziam os Puritanos, a Igreja gradualmente baixou o tom de seu testemunho, e então tolerou e desculpou as frivolidades da época. Em seguida ela as tolerou dentro de suas fronteiras. Agora as adotou sob o argumento de atingir as massas.

Meu primeiro argumento é que prover entretenimento para as pessoas não está dito em parte nenhuma das Escrituras como sendo uma função da Igreja. Se este é um trabalho Cristão, porque Cristo não falou dele? "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." (Marcos 16:15). Isto está suficientemente claro. Assim teria sido se Ele tivesse adicionado "e proporcionem divertimento para aqueles que não tem prazer no evangelho." Nenhuma destas palavras, contudo, são encontradas. Não parecem ter-lhe ocorrido.

Então novamente, "E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores... para a obra do ministério" (Efésios 4:11-12). Onde entram os animadores? O Espírito Santo silencia no que diz respeito a eles. Foram os profetas perseguidos porque divertiram o povo ou porque o rejeitaram? Em concerto musical não há lista de mártires.

Além disto, prover divertimento está em direto antagonismo com o ensino e a vida de Cristo e de todos os seus apóstolos. Qual foi a atitude da Igreja quanto ao mundo? "Vós sois o sal" (Mateus 5:13), não o doce açucarado - algo que o mundo irá cuspir e não engolir. Curta e severa foi a expressão: "deixa os mortos sepultar os seus mortos." (Mateus 8:22) Ele foi de uma tremenda seriedade.

Se Cristo introduzisse mais brilho e elementos agradáveis em Sua missão, ele teria sido mais popular quando O abandonaram por causa da natureza inquiridora de Seus ensinos. Eu não O ouvi dizer: "Corra atrás destas pessoas, Pedro, e diga-lhes que nós teremos um estilo diferente de culto amanhã, um pouco mais curto e atraente, com pouca pregação. Nós teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que certamente se agradarão. Seja rápido Pedro, nós devemos ganhar estas pessoas de qualquer forma." Jesus se compadeceu dos pecadores, suspirou e chorou por eles, mas nunca procurou entretê-los.

Em vão serão examinadas as Epístolas para se encontrar qualquer traço deste evangelho de entretenimento! A mensagem delas é: "Saia, afaste-se, mantenha-se afastado!" É patente a ausência de qualquer coisa que se aproxime de uma brincadeira. Eles tinham ilimitada confiança no evangelho e não empregavam outra arma.

Após Pedro e João terem sido presos por pregar o evangelho, a Igreja teve uma reunião de oração, mas eles não oraram: "Senhor conceda aos teus servos que através de um uso inteligente e perspicaz de inocente recreação possamos mostrar a estas pessoas quão felizes nós somos." Se não cessaram de pregar a Cristo, não tiveram tempo para arranjar entretenimentos. Dispersos pela perseguição, foram por todos lugares pregando o evangelho. Eles colocaram o mundo de cabeça para baixo (Atos 17:6). Esta é a única diferença! Senhor, limpe a Igreja de toda podridão e refugo que o diabo lhe tem imposto, e traga-nos de volta aos métodos apostólicos.

Finalmente, a missão de entretenimento falha em realizar os fins desejados. Ela produz destruição entre os novos convertidos. Permita que os negligentes e escarnecedores, que agradecem a Deus pela Igreja os terem encontrado no meio do caminho, falem e testifiquem. Permita que os oprimidos que encontraram paz através de um concerto musical não silenciem! Permita que o bêbado para quem o entretenimento dramático foi um elo no processo de conversão, se levante! Ninguém irá responder. A missão de entretenimento não produz convertidos. A necessidade imediata para o ministério dos dias de hoje é crer na sabedoria combinada à verdadeira espiritualidade, uma brotando da outra como os frutos da raiz. A necessidade é de doutrina bíblica, de tal forma entendida e sentida, que coloque os homens em fogo.
___________
Este texto é frequentemente atribuído a Charles H. Spurgeon, mas segundo pesquisas, embora tenha sido publicado em sua revista "The Sword and the Trowel", o texto parece mesmo ser de autoria de Archibald, um de seus alunos na escola teológica. A citação acima é parte de um artigo chamado "The Devil's Mission of Amusement".

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Missão da Igreja


A Missão da Igreja - John Newton (1725 - 1807)

A missão da igreja não é reformar o mundo, nem erradicar as suas práticas más. Nosso único propósito é pregar o evangelho de Cristo. Se homens e mulheres chegarem a amar o Salvador, não há dúvida de que a conduta exterior deles será transformada. As seguintes palavras foram ditas por John Newton em uma conferência de pastores, em janeiro de 1778. Ele estava falando sobre como a igreja pode realizar transformações morais no mundo. Seus comentários se mostram tão apropriados hoje como o foram na sua época.

“O evangelho de Cristo, o glorioso evangelho do Deus bendito, é o único instrumento eficaz para transformar a humanidade. O homem que possui e sabe como utilizar esta grande e maravilhosa ferramenta, se posso fazer esta comparação, conseguirá facilmente aquilo que, de outro modo, seria impossível. O evangelho remove as dificuldades intransponíveis à capacidade humana: faz o cego ver e o surdo ouvir; amolece o coração de pedra; ressuscita aquele que estava morto em ofensas e pecados para um vida de retidão.

Nenhuma outra força, exceto a do evangelho, é suficiente para remover os imensos fardos de culpa de uma consciência despertada; para aquietar o ardor de paixões incontroláveis; para levantar uma alma mundana atolada no lamaçal da sensualidade e da avareza, para uma vida divina e espiritual, uma vida de comunhão com Deus.

Nenhum sistema, exceto o evangelho, é capaz de transmitir motivos, encorajamentos e perspectivas suficientes para resistir e frustrar todas as armadilhas e tentações com as quais o espírito deste mundo, com suas carrancas ou com seus sorrisos, se esforça para intimidar e afastar-nos do caminho do dever. Mas o evangelho, entendido corretamente e recebido com alegria, trará vigor ao desanimado e coragem ao temeroso. Tornará generoso o mesquinho, moldará a lamúria em bondade, amansará a fúria de nosso íntimo.

Em resumo, o evangelho dilata o coração egoísta, enchendo-o com um espírito de amor para com Deus, de obediência alegre e irrestrita para com a vontade dEle, bem como de benevolência para com os homens.”

Fonte: www.MayFlower.com.br

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Céu Seria um Lugar Chato para Você? - Sermão Pregado em 05.12.2010


O Céu Seria um Lugar Chato para Você? -
Sermão pregado dia 05.12.2010 -



Nosso texto: "Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro." - Filipenses 1.21

Amados, devemos atentar para algumas implicações que este texto tem para nós. Muitas vez proferimos, nos lembramos e lemos tal texto, mas será que percebemos o que realmente está por detrás de tal grandioso versículo? Vamos dividir nosso texto em 2 partes. A primeira será focada sobre o que Paulo quis dizer que "porque para mim o viver é Cristo" e a segunda será sobre "e o morrer é lucro".


"Porque para mim o viver é Cristo"

- Paulo vivia uma vida de total dedicação ao Senhor. Nos é impossível projetarmos a mente de Paulo sem imaginarmos que ele não vivia na dependência do Senhor e a Ele se dedicava integralmente. Paulo, outrora fariseu, mestre da Lei, resolveu abandonar todas as suas regalias para ser perseguido, maltratado, torturado, apedrejado, sofrer naufrágio... tudo por amor e dedicação ao Senhor.

- Paulo vivia para glorificar a Deus em TODAS as circunstâncias. Não vemos Paulo se gabando de ter dias bons onde nada lhe acontecia, pelo contrário, o vemos exultado e se alegrando grandemente por se sentir digno de ser maltratado e escarnecido. A alegria de Paulo era tanta, que não havia situação em que ele não glorificava a Deus pelos acontecimentos. Tudo que lhe acontecia era motivo de honra, glória e louvor a Deus.

- Paulo abstinha-se constantemente do pecado. Devemos atentar para o fato de que Paulo embora tivesse se tornado um cristão pela graça de Deus, as dificuldades não o deixaram, aliás, pioraram! Além das perseguições e prisões, tentações e dificuldades em seu ser interior o compeliam a fazer coisas que não desejava, fato esse que o levou a escrever, "pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo." Romanos 7.19.
Paulo sabia que precisava constantemente mortificar seu pecado.

- Paulo encontrava prazer nas coisas do Senhor. Vemos que a vida de Paulo foi marcada por profundo amor e deleite nas coisas do Reino. Não havia coisa alguma que não lhe desse prazer e vontade de glorificar a Deus. Paulo, em meio a prisão pôde dizer que "Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro" Fp 1.18. Paulo se alegrava em fazer a vontade do Senhor.

- Paulo pregava a palavra de Deus. É erro constante dos que ouvem a pregação, achar que somente o pregador deve expor a palavra de Deus. Amados, todos nós devemos ser pregadores. Não há elite de pregadores, todos nós somos chamados a pregar a palavra, a exortar, a animar, a se alegrar, a ajudar uns aos outros. Não pensemos que a ordem de "ide e pregai a palavra" seja de exclusividade do pregador. Paulo, em 2Tm 4.2 alerta e exorta Timóteo dizendo: "Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina”. Paulo pregava a todo momento e isso também nos é conferido. Também sabia da grandiosa necessidade de viver aquilo que pregava, ao ponto de dizer, "mas esmurro o meu corpo, e o reduzo a escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado" 1Co 9.27.


"E o morrer é lucro"


Passemos agora para a última parte de nosso texto. É necessário que entendamos com muita clareza o que significa proferir tais palavras. Frequentemente encontramos pessoas que estão dispostas (em teoria) a viverem suas vidas totalmente dedicadas ao Senhor e também a morrerem no Senhor (observe a diferença em morrer para o Senhor e morrer no Senhor). Porém, a pergunta que devemos fazer é essa: as pessoas sabem para onde irão e o que farão depois de morrerem? Creio que infelizmente, muitos que se professam crentes, se tivessem a oportunidade de entrarem no céu para dar uma espiada, desejariam sair correndo de lá! Não aguentariam sequer 1 minuto naquele local!

Mas por que digo isso? Digo, porque creio que muitos que professam a fé cristã não fazem ideia do que será o céu. Tampouco se alegram aqui, hoje, na terra em que vivemos, nas coisas do Senhor. Se não se alegram nas coisas do Senhor aqui na terra, certamente não se alegrarão no céu. Gostaria de listar 5 motivos pelo qual o céu seria um lugar chato para tais pessoas. Espero e oro que você possa mudar seu coração, caso se identifique com algum desses 5 pontos.

1. O céu seria um lugar chato se não admitirmos que Deus é soberano.

" Ele é que cobre os céus de nuvens, que prepara a chuva para a terra, e que faz produzir erva sobre os montes." Salmos 147.8

2. O céu seria um lugar chato se não crermos que o Deus da Bíblia é o único Deus.

"O Senhor dos exércitos, Deus de Israel, tu que estás sentado sobre os querubins; tu, só tu, és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste o céu e a terra." Isaías 37.16

3. O céu seria um lugar chato se não tivermos Deus como nosso único alimento verdadeiro.

"Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo." João 6.33

4. O céu seria um lugar chato se não amamos o irmão que está conosco e não gostamos de estar juntos da Igreja de Cristo.

"Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia." Hebreus 10.25

5. O céu seria um lugar chato se não gostamos de adorar ao Senhor.

"Então olhei e ouvi a voz de muitos anjos, milhares de milhares e milhões de milhões. Eles rodeavam o trono, bem como os seres viventes e os anciãos, e cantavam em alta voz: 'Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!'"Apocalipse 5.11,12

O céu seria um lugar chato para todo aquele que não deseja viver e glorificar a Deus em todos os aspectos de sua vida. Por isso entendemos que aqueles aque não se deleitam nas coisas do Senhor aqui na Terra, de modo algum estarão com ele no céu.

Que Deus nos abençoe.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Porque Devo ser um Calvinista


Porque Devo ser um Calvinista -

por Andrew Sandlin

Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” —1 Coríntios 9:16

Nosso mundo pós-moderno diz muito sobre “opções”. É dito muito pouco sobre convicções. Supõe-se que todos sejam felizes com suas próprias “preferências”, e o acordo tácito é que eu não me preocuparei demais com suas preferências (digamos, por exemplo, homossexualidade, corn flakes [N.T.: sucrilhos de milho], Oldsmobilne [N.T.: marca de automóvel], pedofilia, ou Dan Rather) se você não se preocupar demais com as minhas. Nós simplesmente fazemos “escolhas”, e estamos certos que não nos tornamos dogmáticos demais sobre elas. A Bíblia, por outro lado, tem pouco a dizer sobre o que chamaríamos “preferências”. Tem muito que dizer sobre o que definimos como “convicções”. Preferências são escolhas que nos agradam; convicções são crenças que nos compelem.

Paulo estava convencido de que Deus o havia chamado para pregar o evangelho. Isto não era uma preferência. Era uma convicção. Este é o porque ele declarou que “era imposta essa obrigação” sobre ele. Ele era dirigido por uma obrigação interna – uma compulsão que o próprio Deus tinha instilado nele para pregar o evangelho.

Hoje vou falar sobre porque eu devo ser um Calvinista. Não estou falando principalmente porque você deveria ser um Calvinista, embora se você não seja um Calvinista, espero que se torne um. Não estou abordando o tema, “Porque sou um Calvinista”. Isto poderia simplesmente terminar sendo uma dissertação desapaixonada. Sobre o que estou falando hoje arde em minha alma e inflama a minha mente. Isto é o que verdadeiras convicções fazem. Não são simplesmente assuntos de discussão vagarosa. São assuntos de convicção apaixonada. Porque eu devo ser um Calvinista?


Razões Insuficientes

Primeiro, deixe-me discutir razões insuficientes para eu ser um Calvinista. Eu não sou um Calvinista porque tenho uma visão exaltada de João Calvino. Ele foi um grande homem, piedoso e erudito. Mas era, apesar de tudo, um ser humano como o resto de nós; e ele cometeu alguns enganos – até mesmo sérios enganos. Eu não sou um Calvinista porque eu exalto Calvino, mas antes porque eu creio que as crenças de Calvino estavam inteiramente próximas do que a Bíblia ensina. Calvino (em minha opinião) basicamente a entendeu direito.

Algumas vezes se pensa que Calvino é o pai das igrejas Reformadas, e uso os termos “Calvinista” e “Reformado” preferencialmente de maneira sinônima. Menciono as igrejas Reformadas. Há muitas delas, e freqüentemente estas igrejas estão alinhadas com denominações. Eu não sou um Calvinista simplesmente sobre a base de que sou um denominacionalista. Muitos Calvinistas não são membros de alguma denominação particular, embora todos deveriam ser membros de uma igreja sadia. Há boas denominações e há más denominações; e a verdade do Calvinismo não descansa no estado ou visão de algumas denominações (ou alguma igreja particular, para essa matéria).

Eu não abraço o Calvinismo sobre a base de que nasci em uma família Calvinista. Na realidade, eu nasci numa bela família, bíblica e temente a Deus, que não era Calvinista. Não sou um Calvinista por nascimento, mas por escolha! Calvino o homem, as denominações Calvinistas, e o ter nascido numa família Calvinista não são (para mim) razões suficientes para abraçar o Calvinismo. Finalmente, não abraces o Calvinismo porque você meramente o selecionou como uma “opção”. Abrace o Calvinismo porque – me atrevo a dizer? – tem que fazer assim. Sua verdade penetra até a medula de teu ser, e não podes fazer outra coisa.


Catolicidade

É importante entender primeiro que os Calvinistas sustentam com outros setores da igreja, certos distintivos. Nós os Calvinistas concordamos com todos os outros Cristãos ortodoxos em abraçar as crenças básicas Cristãs sumarizadas no Credo Apostólico. Sustentamos o Trinitarianismo explicado claramente no Credo Niceno. Afirmamos a Cristologia (visão da Pessoa de Cristo) articulada na fórmula de Calcedônia. Cremos que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus em carne. Temos fé que Ele derramou Seu sangue sobre a cruz para expiar nossos pecados; que se levantou corporalmente da tumba ao terceiro dia; e que Ele voltará outra vez com visível esplendor e grande glória para julgar as nações. Cremos que o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Como nossos homólogos ortodoxos, cremos na história redentora – aqueles grandes e milagrosos eventos da obra de Deus em Cristo para salvar os pecadores [1]. Nestes e noutros assuntos fundamentais, concordamos com todos os Cristãos ortodoxos. Estes são simplesmente assuntos da fé católica (universal, não Romana) nos quais todos consentimos.


Distintivos

Porém nós Calvinistas temos certas crenças e práticas distintivas. Estas nos distinguem do resto da Cristandade ortodoxa. Não afirmamos que nossos irmãos e irmãs sejam menos Cristãos do que nós somos. Reivindicamos, contudo, que eles têm um entendimento menos perfeito ou maduro, da fé. Se, certamente, crêssemos como eles crêem, seríamos membros de suas igrejas. É precisamente porque estamos convencidos da exatidão da crença e prática Calvinista que somos membros de igrejas Reformadas – e, mais importante ainda, abraçamos o Calvinismo.

Note que digo “crença e prática”. Como todos os outros setores do Cristianismo, o Calvinismo não é somente um sistema de crença; é também um sistema de vida. No que você crê influencia como você vive. No final da década de 40, Richard Weaver, o grande historiador do Sul, escreveu um livro intitulado “As Idéias Têm Conseqüências”. Certamente elas têm. O que você crê e pensa modela como você atua e comporta. Nós Calvinistas não somos “doutrinalistas” [2]. Não cremos que a fé esteja limitada à doutrina, ainda que seja essencial, e certamente não está limitado ao tipo de teologia acadêmica que alguém encontra somente nos seminários de torres de marfim que concedem licenciaturas de Th.D [N.T.: Doctor of Theology = Doutor de Teologia]. Não, o Calvinismo é uma crença e uma vida. Na linguagem de Tiago do Novo Testamento, é fé e obras juntos.

Tendo tudo isto em mente, deixe-me dizer-lhe porque devo ser um Calvinista.


A Soberania de Deus

Eu devo ser um Calvinista, primeiro, porque eu não posso reconhecer nenhum fato maior no universo do que a soberania de Deus. O que é a “soberania de Deus”? Nas palavras de um sábio ministro, a soberania de Deus significa que Deus é...Deus. Deus não é um homem, e não há ninguém a quem possamos compará-LO (Isaías 40:18). Os antigos deuses pagãos – e os falsos deuses de hoje, com a relação a isto – eram simplesmente extensões da humanidade. Eles eram insignificantes, vingativos, caprichosos e tímidos. Expressavam características exageradas do próprio homem. Este não é o Deus revelado na Bíblia, e não é o Deus dos Calvinistas. Cremos que Deus é absoluto, todo-poderoso, onisciente, onipresente, sempre amoroso, sempre justo, sempre perfeito. Ele é autocontido, auto-suficiente e autodeterminado. Ele não é “contingente” em nenhum sentido. Ele não depende de ninguém ou de algo mais para Seu ser ou ações. Quando Moisés perguntou a este Jeová Deus qual era o Seu nome, Deus respondeu simplesmente, “Eu sou”, ou “Eu sou o que sou”. Não há nenhum fator externo ou derivado com o qual possamos comparar a Deus. Deus simplesmente é. Este é o Deus a quem amamos e servimos.

Cremos que Deus faz o que Lhe agrada. Na realidade, Ele nos diz em Sua Palavra, a Bíblia, que isto é precisamente o que Ele faz (Salmos 115:3). Ele não pede permissão para o homem. Ele é o Criador, e o homem é a criatura (Gênesis 2:7). O homem é a sua mais alta criatura, e foi feito à Sua imagem; mas apesar de tudo o homem é uma criatura. Deus é soberano. Ele conhece o fim desde o princípio porque Ele determina o fim desde o princípio. Ninguém pode frustrar a sua vontade, e ninguém pode deter Sua mão. Não podemos escudrinhar Sua mente, e não podemos conhecer Sua vontade aparte de Sua revelação na Bíblia e na criação e em Seu Filho Jesus Cristo. Em Isaías lemos, “assim como meus pensamentos são mais altos que vossos pensamentos” (Isaías 55:9-10). Como o resto de Sua criação, o próprio homem é uma criatura; e Deus faz com o homem o que Ele quer. Romanos 9 faz isto abundantemente claro. Deus é soberano, e isto significa que o homem não é soberano.

É bastante claro como Deus exerce esta soberania. Ele o faz por meio de Seu Filho, Jesus Cristo. Jesus Cristo é o grande Rei. [3] Como resultado de Sua morte e ressurreição, o Pai concedeu a Cristo o domínio universal (Daniel 7:13-14; Mateus 28:18-20; Filipenses 2:5-11). Ele está governando hoje desde os céus (Atos 2:29-36). O grande centro da fé para os Cristãos primitivos era o Senhorio do Cristo elevado e exaltado. [4] Na realidade, a fé Cristã pode ser resumida em três palavras:


Jesus é Senhor

A soberania de Deus é vista na criação e muito mais, porém alcança sua plena expressão no governo de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor, Salvador e Rei.

A morte de Cristo na cruz e sua ressurreição da tumba asseguram a salvação dos homens, e você pode estar seguro que nosso Deus é soberano na salvação do homem, da mesma forma como é soberano em qualquer outro aspecto do universo. Este é o princípio dominante da crença Calvinista na soberania de Deus. Deus salva homens; Ele não os ajuda a se salvarem. Deus não está no negócio de fazer com que os homens que andam dando tombos voltem a afirmar seus pés com segurança. Os pecadores estão mortos em delitos e pecados (Efésios 2:1). Eles não são homens enfermos que necessitem de um remédio: são homens mortos que necessitam de uma ressurreição. Isto é exatamente o que o Espírito Santo dá aos eleitos, os escolhidos de Deus. A salvação de acordo com os Calvinistas não é um esforço cooperativo. Deus enviou a Seu Filho, Jesus Cristo, à terra para salvar pecadores que Ele amou (João 3:16). Sua morte não faz simplesmente a salvação disponível; sua morte na realidade assegurou a salvação dos pecadores. Este é o porque o escritos de Hebreus nos diz, “Não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue [de Jesus Cristo], entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção” (Hebreus 9:12, ênfase adicionada). Ele realmente obteve salvação. Deus salva pecadores; Ele não os ajuda a se salvarem. [5]

Nenhuma destas coisas significa que o homem é uma máquina ou um autômato. Deus certamente deu uma vontade e uma escolha ao homem. Repetidamente, Deus apela à vontade do homem. Para o Israel do Antigo Testamento, Jeová disse, “Vê que hoje te pus diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal” (Deuteronômio 30:15). No Novo Testamento, o próprio Jesus declara, “Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). As escolhas do homem são escolhas reais, e sua vontade é uma vontade real.

Porém – este é um ponto crucial – acima de toda a vontade e escolhas do homem está a soberana e eterna vontade de Deus (Efésios 1:11).

Como nós, os Calvinistas, explicamos isto? Como a soberania de Deus e a vontade do homem se harmonizam? Uma resposta simples é: nós não sabemos. De fato, é precisamente porque Deus é soberano e nós não, que não professamos entender a relação entre a soberania de Deus e vontade do homem. Sabemos que Deus é soberano em todas as coisas, e sabemos que o homem tem uma vontade e uma capacidade de escolha que tem um significado real; e deixamos isto nesse ponto. Se Deus é soberano, Ele é tão soberano que pode criar um ser como o homem com uma vontade cujas ações não são coagidas por Deus, e não obstante, cumpre de maneira perfeita a vontade de Deus. Como pode ser isto? Eu não sei. Deus é soberano e nós não o somos.


A Centralidade do Pacto

Há uma segunda razão pela qual eu devo ser um Calvinista. Os Calvinistas crêem que o pacto se acha no centro dos relacionamentos de Deus com o homem, e creio que isto é exatamente o que a Bíblia ensina. Este é o segundo grande distintivo do Calvinismo. [6] É um distintivo cuja importância é freqüentemente não reconhecida. Parte da razão para esta falta de reconhecimento é devido à uma época na qual se perdeu a noção total de pacto. Um pacto é um vínculo sagrado. É uma relação na qual o amor e a legalidade se harmonizam da forma mais bela. Nós freqüentemente tendemos a ver estes dois fenômenos de uma maneira antitética: a lei e o amor são opostos. O amor é espontâneo e emocional, enquanto a lei é calculada e racional. Mas a doutrina Bíblica do pacto destrói esta falsa antítese. Nos pactos bíblicos (e eu estou falando dos pactos entre Deus e os homens), Deus entra em uma relação obrigatória com o homem. Não é menos obrigatória porque ela é cheia de amor, e não é menos amorosa porque é obrigatória. Deus ama tanto o homem que está disposto a comprometer a Si mesmo para com o homem. Como resultado do prévio amor de Deus para com o homem, o homem está disposto a se obrigar para com Deus por causa de seu amor por Deus. Ele é tanto espontâneo como calculado, tanto emocional como racional. Deus ama o homem e faz um compromisso para com o homem; o homem ama a Deus e faz um compromisso para com Deus. Esta é a base do pacto bíblico.

O pacto é um tema dominante na Bíblia – desde o pacto de Deus com Noé de que nunca destruiria novamente a terra com um dilúvio, Seu pacto com Abraão de que Ele seria Deus para ele e para sua descendência depois dele e que abençoaria a todas as famílias da terra através daquela semente, Seu pacto com Israel como nação de que lhes abençoaria tanto que eles guardariam Sua lei, Seu pacto com Davi de que levantaria um rei para sempre no trono de Israel do fruto dos lombos de Davi, até o “novo pacto” que Deus colocaria Sua lei nos corações de Seu povo. [7] Jesus ratificou seu novo pacto com o derramamento de Seu sangue na cruz, da qual Sua última refeição com os discípulos, ou a Ceia do Senhor, é um poderoso sinal ou selo. Paulo, o grande apóstolo do Novo Testamento, definiu seu ministério em termos do novo pacto (2 Coríntios 3:6).

O fato é: o pacto é a maneira como Deus se relaciona com o homem. Ele poderia ter escolhido outra maneira, mas Ele não o fez. Ele escolheu entrar em um vínculo sagrado e bilateral com os homens no tempo e na história. Ele amorosamente Se comprometeu para com os homens, e eles respondem por um comprometimento amoroso para com Ele.

Deus nos deu Sua Palavra em revelação como uma palavra pactual. Tem duas partes, o Antigo e o Novo Testamento, ou o antigo e o novo pacto. Esta Palavra, as sagradas Escrituras, confirmam a relação pactual com Seu povo; e esta Palavra, uma palavra infalível, apresenta Seus termos para Suas criaturas. Esta Palavra é a forma escrita do vínculo pactual. [8]

O pacto necessita fé inter-geracional. Somos membros do pacto Abraâmico, únicos a Cristo, a semente prometida. Porém nossos filhos, também, estão no pacto com o Senhor (Genêsis 17:7-14; Atos 2:38-39; 1 Coríntios. 7:14). Como Andrew Murray certa vez observou, Deus deu a Isaque as mesmas promessas que Ele deu a Abraão. [9] Deus é o mesmo Deus, e Suas promessas são as mesmas promessas. Confiamos que Deus salvará nossos filhos e os trará para Si mesmo e que eles O seguirão. Eles são Sua propriedade especial. Eles permanecem no pacto com Ele. E nós permanecemos nas promessas do pacto de Deus na criação de nossos filhos.

Eu devo ser um Calvinista porque creio que o pacto é o meio pelo qual Deus se relaciona com Seu povo.


A Abrangência da Fé

Terceiro, e finalmente, devo ser um Calvinista porque estou convencido que a Fé Cristã deve dominar a totalidade da vida e da existência do homem. Não há expressão do Cristianismo ortodoxo que haja reconhecido este fato tanto como o Calvinismo o fez. Os Calvinistas crêem que Jesus Cristo é Senhor, não somente do serviço de adoração da igreja nos Domingos, mas também das salas de reuniões ou seminários nas Segundas. [10]

Tudo pertence a Cristo e tudo o que presentemente se encontra debaixo do domínio do pecado deve ser reorientado para a justiça bíblica. Os Calvinistas concordam com Francis Schaeffer quando ele declarou que um dos grandes problemas com os Cristãos hoje é que eles vêem as coisas em pequenos pedaços, em vez de vê-las como um todo. [11] Estas boas pessoas vêem os males na sociedade aqui e ali, mas não reconhecem que estes males são parte de um “sistema de vida” particular, ou cosmovisão. No Ocidente, esta cosmovisão é o humanismo secular. Porém pior ainda, os Cristãos não entendem que o mesmo Cristianismo requer seu próprio “sistema de vida” distintivo. Por quase dois mil anos o Cristianismo dominou as vidas dos devotos, e hoje esta necessidade é ainda mais premente. Diferentemente de muitos de nossos antepassados na Europa e nos Estados Unidos, já não vivemos dentro de uma cultura Cristã. Portanto, devemos estar especialmente vigilantes para enfatizar o Senhorio de Cristo em todas as áreas da vida, a fim de que não venhamos simplesmente a afirmar a visão humanista secular das coisas, por falta de outra opção.

A Bíblia declara que o que quer que comamos ou bebamos, devemos fazer tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31). Isto significa que todas as áreas da vida devem estar debaixo da autoridade de Cristo. A arte, ciência, tecnologia, vocação, mídia, políticas, economias – todas estas e mais – se encontram debaixo da autoridade de Cristo. O Calvinista não crê que haja áreas “neutras” da vida e que tanto o crente como o não crente possam concordar nos princípios básicos destas áreas. [12] Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele não é simplesmente um caminho, uma verdade e uma vida para alguma parte de nossa existência. O próprio Jesus nos diz que vamos ao Pai somente por Cristo; e se não vamos ao Pai, somos espiritualmente cegos (1 Coríntios 2:14). Necessitamos interpretar as coisas desde a “perspectiva” de Deus para interpretá-las apropriadamente. Se Jesus Cristo não é o Senhor da vida de alguém, o homem não pode esperar interpretar (inclusive a si mesmo) o mundo com exatidão.

Se o conhecimento de Cristo domina nosso próprio ser, devemos, como as Escrituras dizem, trazer todo pensamento cativo a Cristo (2 Coríntios 10:5). Simplesmente não podemos ser Cristãos de “meio tempo”. [13] O Cristianismo se estende muito além da esfera entre nossas duas orelhas – ele deve dominar a totalidade da cultura, a totalidade da vida.


Conclusão

Deus é soberano. Deus se relaciona com o homem por meio de pacto. E a fé é abrangente, não limitada à poucas áreas. Há muito mais que poderia ser dito, mas isto é o porque eu devo ser um Calvinista. Oro para que você também se torne um.


[1] Oscar Cullman, Salvação na História (New York: Harper, 1967)

[2] Richard J. Mouw, “A Bíblia no Protestantimos do Século Vinte: Uma Taxonomia Prelimiar”, A Bíblia na América, eds., National O. Hath e Mark A. Noll (New York: Oxford, 1982), 142-143.

[3] William Symington, O Messias, o Príncipe (Edmonton: Still Waters Revival Books, [1884] 1990).

[4] Oscar Cullmann, “O Reinado de Cristo e a Igreja no Novo Testamento”, A Igreja Primitiva (Philadelphia: Westminster, 1956), 105.

[5] David N. Steele e Curtis C. Thomas, Os Cinco Pontos do Calvinismo Definidos, Defendidos, Documentados (Phillipsburg: P&R, 1971)

[6] Geerhardus Vos, “A Doutrina do Pacto na Teologia Reformada”, História Redentora e Interpretação Bíblica, ed. Richard B. Gaffin Jr. (Phillipsburg,; P&R, 1971), Cap. 7.

[7] O. Palmer Robertson, O Cristo dos Pactos (Phillipsburg: P&R, 1980).

[8] John M. Frame, “A Escritura Fala por Si Mesma", A Palavra Inerrante de Deus, ed., John Warwick Montgomery (Minneapolis: Bethany, 1973), 178-200.

[9] Andrew Murray, Como Criar Teus Filhos para Cristo (Minneapolis: Bethany, 1975), 35-39 and passim.

[10] Abraham Kuyper, Conferências sobre o Calvinismo (Grand Rapids: Eerdmans, 1931).

[11] Francis Schaeffer, Um Manifesto Cristão nas Obras Completas de Francis A. Schaeffer (Westchester: Crossway, 1982), 423-425.

[12] Cornelius Van Til, A Defesa da Fé (Phillipsburg: P&R, 1967).

[13] P. Andrew Sandlin, Totalismo (Vallecito: Chalcedon, 2001).

Fonte: Ministério Beréia

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